30 outubro 2014

Finalmente provei o famoso uruguaio Abraxas Tannat 2007


Esse vinho ficou guardado aqui em casa por mais de dois anos, esperando o momento ideal para ser aberto. Minha ideia era deixá-lo na adega climatizada até 2017, apenas pela curiosidade de experimentar um 100% Tannat do Uruguai aos dez anos de idade. 

Mas, depois de ler o post do amigo Cristiano Orlandi, que já degustou o vinho em várias ocasiões (leia aqui), resolvi abri-lo para aproveitar seu potencial. Assim, foi degustado em setembro na companhia de amigos especiais. 

O vinho é elaborado pela Bodega Dominio Cassis, localizada no Depto. de Rocha, distante 200 km a leste da capital Montevidéu. Os vinhedos estão a 10 km do Oceano Atlântico e, obviamente, sofrem influência desse clima oceânico. O início das atividades ocorreu em 1999 com o plantio dos primeiros vinhedos. 

No site da vinícola - que é bem modesto, diga-se de passagem - não há informações sobre esse vinho da safra 2007. Mas, levando em consideração que a safra anterior (2002) passou 18 meses por barricas novas de carvalho francês, podemos concluir que esse vinho comentado tenha passado um tempo também considerável. 


Na taça a coloração é rubi. Bons aromas, frutos vermelhos, frutos negros e chocolate. Na boca tem corpo mediano, com taninos finos, levemente rascantes ainda, mas com acidez discreta. Me causou surpresa uma acidez tão discreta, o que não é muito comum em vinhos uruguaios. Em boca a boa fruta foi acompanhada de notas florais, especialmente lírios. Final mediano, com floral no palato. 

O vinho é elegante. Definitivamente não é daqueles Tannat indomáveis que lemos nos livros sobre vinhos. Está no momento certo para ser aberto (safra 2007), mas esperava mais complexidade e vocação gastronômica. Foi bem com as carnes de churrasco que servimos. Gostei do vinho, mas esperava bem mais. 


Detalhes da compra:

Não é fácil encontrar o vinho, acredito que esteja esgotado na maioria das lojas virtuais, mas sua faixa de preços está entre R$110-130.  

Saúde a todos!



27 outubro 2014

Para brindar com seus convidados: Salton Poética Brut Rosé

Foto: Marcel Gussoni (www.saborsonoro.com.br)

Os vinhos espumantes são de grande versatilidade quando o assunto é harmonização. Dá pra fazer uma lista muito grande das boas experiências que tive nesses muitos anos escrevendo sobre vinhos aqui. Além disso, combinam com nosso clima quente na maior parte do ano, servindo como aperitivo, para bebericar à beira da piscina ou para receber os amigos, o que costuma-se chamar de welcome drink

Esse espumante da Vinícola Salton é um bom exemplo de vinho com essas características: bem feito, agradável, fácil de agradar e barato. Mesmo os mais acostumados com espumantes mais adocicados, como os moscatéis, poderão gostar desse aqui. 

É elaborado pelo método Charmat, com segunda fermentação em tanques de inox, momento em que as bolhinhas e a espuma são formadas. As uvas utilizadas são a Chardonnay (20%) e a Pinot Noir (80%), sendo essa última a responsável pela cor do espumante rosé. Tem 12% de álcool. 

Na taça tem uma cor delicada, salmão, significando que a vinícola optou por deixar as cascas das uvas tintas pouco tempo em contato com o líquido. Uma elegante cor, com bolhinhas finas. Essa opção também alinha-se ao gosto da maioria dos consumidores brasileiros por um espumante menos seco, mas "fácil" de beber. 

Tem bons aromas, frutos vermelhos delicados e pouca presença daqueles aromas típicos da fermentação, como casca de pão e fermento. A opção é mesmo por um espumante mais frutado. Na boca é leve, refrescante, com alguma cremosidade. A acidez é boa, o que deixa o espumante pronto para alguns petiscos. 

Foto: Marcel Gussoni (www.saborsonoro.com.br)

O teor de açúcar é de um brut, mas em quantidade mais próxima a um demi-sèc. Final de boa persistência, agradável e frutado. 

Apostaria nesse espumante mais como aperitivo, mas foi bem com petiscos leves, como tomates cereja no azeite e alguns morangos com queijo. Bom produto. 


Detalhes da compra

Recebi essa garrafa para participar de uma degustação virtual do WineBar, no dia 14/10 (veja como foi aqui). Na loja virtual da Salton é vendido a R$30 (veja aqui). 

Saúde a todos!



23 outubro 2014

Refrescante e típico branco brasileiro (além de barato): Salton Paradoxo Gewürztraminer 2014


Sempre gostamos aqui em casa de experimentar vinhos com a uva Gewürztraminer, porque são aromáticos, frescos, exóticos, sejam secos ou doces, podem reservar boas surpresas. Segundo os enólogos é uma variedade difícil de ser cultivada e de pouco rendimento no vinhedo, daí serem poucos os rótulos disponíveis no mercado.  

Esse Gewürz da Vinícola Salton apresenta o frescor e os aromas florais típicos da variedade e (o melhor) a um preço bem honesto, que poderá ser harmonizado com frutos do mar, comida japonesa ou entradinhas sem maiores complicações.

Na taça tem coloração amarelo palha, com reflexos esverdeados. Aromas florais, rosas, um pouco de frutos brancos, pêra e lichia, algo cítrico em segundo plano. Na boca tem pouco corpo, boa acidez, bom equilíbrio entre flores e frutos. Final mediano, refrescante. 

Sem passagem por madeira, como se poderia esperar, mantém o frescor e características aromáticas e gustativas da variedade. Bom vinho. Agradável como aperitivo nesses dias escaldantes ou para acompanhar pratos leves. Tem 12,5% de álcool.  

Está pronto para ser bebido agora. Não é feito para guarda


Detalhes da compra:

Essa garrafa me foi enviada para participar da degustação no Wine Bar que aconteceu no dia 14/10, mas o vinho é vendido na loja virtual da vinícola por R$25 (acesse aqui). Uma boa compra!

Saúde a todos!



20 outubro 2014

Um super vinho: Don Tommaso Chianti Classico 2007 (pena que não é pro meu bolso)


Guardei esse vinho com carinho por um tempo, devidamente climatizado. Queria experimentar um Chianti com um pouco mais de tempo em garrafa pra ver como se comportaria, até porque pela faixa de preços esse aqui poderia (pelo menos em tese) suportar bem um tempo de guarda. 

Não deu outra. Um super vinho, bebido na companhia especial dos amigos do Le Vin au Blog e Vivendo Vinhos, que sempre comentam que os vinhos italianos estão presentes nos encontros de blogueiros. Por que será?

Pois bem. O vinho é elaborado pela Principe Corsini na região de Chianti Classico. A família tem história que remonta ao ano 1000, mas somente em 1992 começaram a produção de seus vinhos. 

Para esse tinto a vinícola utiliza duas variedades, a clássica Sangiovese (80%), mas com uma pitada de Merlot (20%). Tem passagem de 15 meses madeira francesa, sendo 70% por barricas novas e 30% por barricas de segundo uso. Tem 14,5% de álcool.  

A bonita propriedade de Villa le Corti, em Chianti Classico. Foto: Principe Corsini / Divulgação

Na taça apresentou coloração rubi. No nariz uma boa complexidade, lembrando frutos negros, pimenta, e um elegante tostado vindo da madeira. Na primeira taça servida a madeira estava bem presente, mas depois de um tempo o vinho "abriu-se" deixando a fruta ficar mais presente. Isso indica que um tempo no decanter para aeração pode deixar o vinho melhor desde o início da degustação, no mínimo uns 30 minutos. 

Em boca tem bom corpo, fruta e madeira bem integrados, taninos finos e acidez lá em cima. Final de grande persistência, marcado por frutado em boa intensidade e notas de tabaco e café, provenientes da madeira. 

Nem é preciso comentar a vocação gastronômica de um vinho desses e arrisco a dizer que às cegas estaria mais próximo de um supertoscano do que de um Chianti. Grande personalidade e muito prazeroso, mas ainda parece jovem apesar dos sete anos em garrafa. Ganhará complexidade com mais algum tempo em guarda, talvez uns 3-4 anos. 


Detalhes da compra:

Essa garrafa me foi enviada pela importadora, a Domno do Brasil. É vendido em lojas virtuais a preços variando entre R$321 e R$388.

Como disse no título da postagem, não é um vinho na faixa de preços a que estou acostumado. Mas, se você pode comprar e/ou gosta de vinhos super especiais, não hesite. Pode até me convidar para uma taça que, humildemente, eu aceito. 

Saúde a todos!



16 outubro 2014

Grande compra a R$48: Alves Vieira Tinto 2013

Foto: Marcel Gussoni (www.saborsonoro.com.br)


Depois de tantos anos escrevendo para o blog, tendo provado milhares de vinhos, confesso que são poucos os que me surpreendem positivamente já no primeiro gole. Bebo o vinho, encontro seus atributos, sei se gosto ou não dele, se vale o que custa, mas surpreender mesmo, causa impacto, são poucos. Então, nesse quesito esse português é uma exceção. 

Por ser um vinho "regional alentejano" eu esperava mais potência, mas a delicadeza me surpreendeu. Esperava aromas mais maduros, mas o frutado dele é bem fresco. No lugar da madeira, uma franqueza interessante, já que esse não passa por barricas.

É elaborado pela família Alves Vieira, em Vidigueira, no Alentejo. As uvas são as tradicionais Trincadeira, Touriga Nacional e Alicante Bouschet. Não passa por madeira e tem 13% de álcool.

A cor é rubi, com reflexos violáceos. Os aromas são intensos, muita fruta vermelha, principalmente frutos delicados como cerejas, notas florais (provavelmente pela presença da TN) e discreto chocolate. Na boca tem corpo médio, grande acidez e taninos macios. Os frutos delicados estão bem presentes e a acidez deixa o vinho bem refrescante. Equilíbrio entre todas as características. 

Final longo, prazeroso, dando vontade de mais um gole. Tem boa vocação gastronômica e em razão da acidez pode acompanhar pratos de massa com molho vermelho, por exemplo. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela La Pastina e tem o preço sugerido de R$48. Uma excelente compra, que me deu curiosidade de experimentar os outros dois vinhos da mesma vinícola: um branco de mesmo preço e sem passagem por madeira, elaborado com as uvas Antão Vaz, Fernão Pires e Roupeiro; e um tinto Reserva, vendido a R$75, com as castas Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Petit Verdot, com passagem de 6 meses por barricas francesas. 

Saúde a todos!