12 fevereiro 2016

Simples, bem feito e agradável: Marco Luigi Reserva Marselan 2010

Foto publicada no Instagram do @vinhoparatodos

Há muito tempo não experimentava um vinho da gaúcha Marco Luigi, uma das primeiras vinícolas que visitamos em viagem ao Vale dos Vinhedos, em 2008. Um produtor tradicional, com belas instalações para receber o turista que pode degustar seus vinhos e espumantes, além de visitar a bela cave.

Esse vinho me interessou porque tenho tido boas impressões com a Marselan em solo gaúcho e, claro, ter experiências com outras uvas além das tradicionais merlot e cabernet sauvignon. Aliás, vale a pena também dar uma olhada no site deles na sessão Vinhos Raros, você vai encontrar preciosidades.

Pelo que me lembro a safra 2010 no Vale dos Vinhedos foi problemática, pois as chuvas chegaram em momento inoportuno. Então, os vinhos desse ano tiveram um menor potencial de guarda, o que não significa que esse Marselan não pudesse aguentar bem os cinco anos em garrafa.

Aberto, revelou coloração púrpura. Bons aromas, frutos vermelhos e uma boa mescla de aromas de especiarias e feno. Na boca é macio, com taninos doces, boa acidez. Frutado muito agradável. Final de média persistência, com algumas notas de chocolate.

Não é um vinho de grande complexidade, nem é muito estruturado. Mas, é bem feito, está macio e amigável, mantendo a boa acidez. Suportou bem o tempo de guarda. Me parece no momento exato para consumo agora e se tivesse outra garrafa eu não guardaria mais.


Detalhes da compra:

Comprei essa garrafa por R$ 42, na Produsul, em Uberaba, especializada em produtos do Rio Grande do Sul. 

Saúde a todos!



10 fevereiro 2016

Por esse preço vale experimentar: Villacardèto Pinot Grigio Umbria IGP 2014


Vinhos com a Pinot Grigio fazem nossos olhos brilharem, porque são refrescantes, leves, gastronômicos e quando encontramos um exemplar, mesmo se não conhecemos o produtor (e o preço for agradável ao nosso bolso) não pensamos duas vezes em comprar.  

Esse é elaborado pela Cantina Cardèto, que nasce como uma cooperativa em 1949, na região de Orvieto (na Umbria), pertencente à região Central da Itália. No início, reuniram-se 13 produtores para a constituição da cooperativa. 

Esse vinho, no entanto, é rotulado genericamente, como Indicazione Geografica Protetta - IGP, sem que isso diminua a qualidade do vinho, apenas não se enquadra nas condições para ser um Umbria DOCG ou Orvieto DOC. 

O vinho é um 100% Pinot Grigio, sem passagem por madeira, apenas um amadurecimento de 4 meses em cubas de inox. Tem 12,5% de álcool.  

Na taça tem coloração amarelo palha. Aromas um tanto discretos, com presença madura, destaque para frutos tropicais, como melão e pera. Na boca é untuoso, de boa acidez, com boa complexidade mesmo sem madeira, maduro, bem tropical, nuances minerais, uma pontinha de álcool, mas sem atrapalhar o conjunto. Final persistente!

Imaginei as harmonizações possíveis com esse vinho tão versátil: saladas, peixes fritos ou assados, massas ao alho e óleo ou uma bela tábua de queijos brancos e salamaria. 


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Decanter, que vende o vinho em sua loja virtual por R$ 56. 

Saúde a todos!



07 fevereiro 2016

Um clássico argentino, pelas mãos de um francês: Clos de Los Siete 2012


Nas férias podemos mais do que o normal. Em plena terça-feira está autorizado abrir um vinho tinto mais potente, boa passagem por madeira, com boa fama e boas expectativas. Na adega, um argentino elaborado para ser um ícone do país, com interferência direta do francês Michel Rolland. Pronto! Era o que precisávamos.

A elaboração fica por conta da Bodega Clos de Los Siete, empreendimento que reúne quatro bodegas dirigidas por famílias procedentes de Bordeaux, com 850 hectares de vinhedos aos pés da Cordilheira dos Andes, no Vale do Uco, em Mendoza.

O vinho é um blend de seis variedades: 57% Malbec, 18% de Merlot, 14% Cabernet Sauvignon, 9% Syrah e 2% Pedit Verdot. Finalizado o corte o vinho passa 11 meses por barricas de carvalho francês, divididas igualmente entre barricas novas, com um ano de uso e com dois anos de uso. Quando isso acontece é interessante, porque o enólogo deseja que a interferência do carvalho não seja tão intensa e aporte elegância ao vinho.

Na taça é rubi, brilhante, denso, com lágrimas grossas na taça.

Bons aromas, frutos negros maduros, ameixa, amora, lembrança pela passagem por madeira, sem se sobrepor à fruta, notas mentoladas e especiadas em segundo plano. Um pouco de álcool no nariz no início da degustação (14,5%).

Em boca, é encorpado. Taninos ainda vivos, mas o vinho é muito macio e amigável. Acidez mediana. Fruta abundante, frutos negros, especiarias, tostado da madeira. Embora tenha muita fruta, não é enjoativo como alguns vinhos com esse perfil.

Final longo, com notas frutadas e amadeiras (baunilha, tostado e cedro) em boa composição. É potente, por isso é indicado para acompanhar comida, pois como aperitivo tem potência de sobra. A importadora indica assado de tiras, carré de cordeiro, risoto de funghi, medalhão de filé-mignon e picanha invertida.

Vinho com estilo de Novo Mundo, frutado e potente, com boa passagem por madeira, mas com um conjunto muito interessante, capaz de evoluir com mais alguns anos de guarda, talvez mais 2-3 anos, sem perder qualidades.  

* Devo confessar que ao ler o nome de Michel Rolland como consultor de qualquer vinho que abro sempre aparece um ponto de interrogação em minha cabeça, porque há muitas referências ao enólogo-consultor-global como um dos responsáveis pela "padronização" dos vinhos de Bordeaux e de outras plagas. 

Nada que a verdade do vinho na taça não apague (ou confirme). Foi o que aconteceu com esse vinho. Esperava menos e encontrei mais. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Wine e atualmente é vendido em seu site por R$ 98, mas para os associados de seus clubes o vinho sai por R$ 83. 

Saúde a todos!



04 fevereiro 2016

Boa opção de Borgonha por R$ 90 (ou menos): Ropiteau Frères Mâcon-Villages AOC 2013 #CBE


Não é fácil apostar em vinhos da Borgonha abaixo dos R$ 100. Mas, os riscos me parecem menores entre os brancos, porque os Pinot Noir nessa faixa de preços costumam ser muito simples ou decepcionantes. 

Esse vinho deveria ter sido comentado aqui em abril do ano passado, quando o amigo Silvestre Tavares (do excelente Vivendo a Vida) escolheu o tema do mês para nossa Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE: "Branco da Borgonha até 150 reais". 

Então, antes tarde do que nunca!

No dia 14 de janeiro abrimos em casa esse 100% Chardonnay, elaborado pela Ropiteau Frères, fundada em 1848, que tem vinhos de 12 denominações dentro da complexa Borgonha, atendendo a todos os gostos e bolsos. Esse vem da AOC Mâcon-Villages, destinada apenas aos vinhos brancos elaborados exclusivamente com a Chardonnay, cujas regras foram estabelecidas em 1937.

Segundo o importador o vinho tem amadurecimento parte em tanques de inox, parte em barricas de carvalho. Tem 12,5% de álcool.

Na taça coloração palha. Bons aromas, Notas cítricas mais evidentes, mas também frutos tropicais e leve mineralidade. Em boca tem bom corpo e untuosidade. Elegante, tem interferência da madeira, mas sem excessos. Mineral e boa fruta cítrica e tropical dão boa complexidade.

Final persistente. Fruta se sobrepondo à madeira. Palato com toques minerais e leve álcool aparecendo, apesar do baixo teor. Talvez o único senão para esse vinho.

Boa compra para experimentar um Borgonha de região "menos genérica". Para harmonizar imagino queijos leves, ceviche, peixes grelhados, saladas de folhas ou entradinhas descontraídas.


Detalhes da compra:

Por essa garrafa paguei R$76 no site da Wine, por ser associado a um clube deles, mas seu preço normal de venda é R$90. Eles também são os importadores desse produtor para o Brasil.

* Esse é o 113º vinho que comento para a primeira e única confraria virtual do país, nossa gloriosa CBE. 

Saúde a todos!



01 fevereiro 2016

Sem máscaras, leve e muito agradável: Domaine Bousquet Chardonnay 2014 #CBE

Foto: Marcel Gussoni (www.saborsonoro.com.br)

O tema desse mês para nossa Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE foi indicado pelo amigo Tiago Bulla, do blog Universo dos Vinhos. Ele seguiu a tendência desse início de ano e sugeriu um "Chardonnay sem passagem por madeira, de qualquer país e preço, para combater o calor". 

Duas observações quanto a esse tema: a primeira é que não é fácil encontrar um Chardonnay sem passagem por barricas de carvalho, pois a maioria passa pelo menos alguns meses; a segunda é que atribui-se a vinhos sem madeira o rótulo de "mais simples" ou "baratinhos". 

Essa última é uma meia-verdade: SIM, os vinhos sem madeira podem pertencer a linhas mais simples de muitas vinícolas; NÃO, pois nem todos esses vinhos podem ser considerados simples ou baratos, porque há grandes vinhos que são a expressão pura da fruta, como em muitos Petit Chablis. 

Pois bem. Saindo às compras, encontrei esse vinho da excelente Domaine Jean Bousquet, que já teve vinhos comentados aqui. Foi fundada em 1997 pelo produtor que dá nome à bodega. Possui 110 hectares de vinhedos em Tupungato, região do Vale de Uco, em Mendoza. Nessa localidade as chuvas não passam de 20 cm ao ano e os vinhedos (a 1200 metros de altitude) são irrigados por gotejamento.

Os vinhedos foram plantados já em 1997 em "terras virgens", o que possibilita o cultivo orgânico das vinhas, sem utilização de pesticidas ou outros produtos químicos.

Na taça apresentou coloração amarelo palha.

Aromas em média intensidade, frescos, frutos brancos (pera, melão e goiaba branca), discretas notas herbáceas. Em boca é leve, com boa fruta se repetindo e acidez mediana. Vinho franco, sem interferência da madeira a fruta se apresenta bem nítida. Final de média persistência, bem agradável.

Não deverá ser guardado para além de 2016, para manter todo esse frescor, que aliás é seu grande trunfo, porque está longe de ser daqueles Chardonnay potentes e alcoólicos que encontramos pelo Novo Mundo.  

Sem grandes complexidades é um vinho de entrada da vinícola, bem feito e harmônico. Será interessante como aperitivo pela leveza, mas poderá acompanhar saladas, sushi, sashimi e vários frutos do mar, desde que sem preparações muito condimentadas.


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Casa Santa Luzia, onde comprei essa garrafa pagando R$ 54, mas o preço normal de venda é R$ 59. Fui atendido pela mineira Cassiane, que foi muito atenciosa conferindo a ficha técnica do vinho para confirmar que não passou por madeira.

* Esse é o 112º vinho que comento para a Confraria Brasileira de Enoblogs. 

Saúde a todos!



29 janeiro 2016

Abrindo a adega: Dal Pizzol Merlot 2005


Temos vários vinhos da histórica safra brasileira de 2005 e, conforme já escrevi por aqui, decidi não abrir os vinhos em uma mesma ocasião, para poder curtir a experiência garrafa por garrafa. Então, no final do ano passado, abrimos esse Merlot da Vinícola Dal Pizzol, que já teve vários vinhos comentados por aqui (veja aqui). 

Segundo o contra-rótulo foram elaborados 20.000 litros desse vinho, o que resulta em 26.666 garrafas de 750 ml e abrimos a de nº 19.569. Tem 13% de álcool.

Na taça a coloração é rubi, bem brilhante e com muitas lágrimas na taça. 

Aromas intensos, frutos vermelhos e um floral bem aparente. Na boca é um vinho fácil de beber, macio e equilibrado. Os taninos já estão bem dóceis e a acidez um tanto discreta. O floral fica mais intenso em boca do que os aromas sugeriam, com notas lembrando lírios e violetas. Frutos silvestres aparecem formando um conjunto de boa complexidade.  

Final mediano, repetindo tudo. 

Vinho em boa forma para os dez anos, mas não guardaria mais porque me parece que sua estrutura (taninos + acidez) não o fará evoluir. Gostei do resultado, especialmente porque não é um vinho de preço alto e, salvo melhor juízo, não teve passagem por madeira, o que me parece ser o estilo dessa linha. 


Detalhes da compra:

Não me recordo onde comprei essa garrafa e nem quanto paguei por ela, mas a safra atual (2012) é vendida na faixa dos R$ 55-60. 

Saúde a todos!



27 janeiro 2016

Aplicativo Vivino divulga os melhores vinhos avaliados por seus 13 milhões de usuários

Imagem: Vivino / Divulgação

O Vivino é um dos aplicativos para celulares mais populares no mundo do vinho e hoje divulgaram o resultado do Vivino's 2016 Wine Style Awards, um ranking com o reconhecimento dos "melhores vinhos do planeta, em mais de 100 categorias". 

Essa premiação foi determinada por 13 milhões de usuários do aplicativo em suas avaliações no decorrer de 2015, sendo que cada um dos vinhos escolhidos obrigatoriamente deveria ter mais de 50 avaliações, o que dá mais confiabilidade à nota média alcançada.

Os países presentes nessa lista são África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Brasil, Chile, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, Nova Zelândia e Portugal. Para cada país foram determinadas algumas categorias e dentre as mais populares estão Malbec argentino, Cabernet Sauvignon dos EUA, Chianti Clássico, Shiraz australiano etc. 

O Brasil teve duas categorias nessa premiação, mas ambas para os vinhos tintos, com os espumantes curiosamente ficando de fora embora sejam o grande destaque da produção nacional. Mas, talvez isso decorra justamente da preferência do  brasileiro pelos vinhos tintos, que recebem mais avaliações que os espumantes.

Vejam os vinhos brasileiros mais pontuados em cada uma das categorias:

Categoria: Cabernet Sauvignon Brasileiro

1º) Casa Valduga Villa Lobos 2010
2º) Luiz Argenta Gran Reserva 2005
3º) Don Abel Rota 324 2012
4º) Aurora Millesimé 2011
5º) Boscato Reserva 2010
6º) Miolo Quinta do Seival 2011
7º) Almaúnica Reserva 2010
8º) Boscato 2010
9º) Guatambú Rastros dos Pampas 2013
10º) Jolimont Morro Calcado Reserva Especial 2008

Categoria: Merlot brasileiro:

1º) Casa Valduga Storia 2006
2º) Pizzato DNA 99 2011
3º) Miolo Terroir 2009
4º) Lídio Carraro Grande Vindima 2006
5º) Dom Cândido 2011
6º) Almaúnica 2012
7º) Salton Desejo 2006
8º) Pizzato Reserva 2012 
9º) Boscato Reserva 2010
10º) Máximo Boschi Vindima 2005

Para acessar todas as categorias, clique aqui

Saúde a todos!

Agradável (e uma boa opção para "iniciar" seus amigos): Torres Viña Sol Tempranillo 2013 #CBE


Experimentei três vinhos com a uva Tempranillo nos últimos dias, com o propósito de escolher um deles para cumprir com o tema de setembro/15 da nossa Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, escolhido pela confreira Ju Gonçalves, do blog Vou de Vinho, que propôs: "Um vinho feito de uva tempranillo, de qualquer lugar e qualquer preço."

Minha ideia era encontrar no supermercado algum vinho que merecesse uma menção aqui, como vinho do mês. Infelizmente, não consegui nenhum com grandes atributos, mas esse que escolhi foi o que se mostrou mais interessante, com possibilidades de agradar à maioria dos leitores do blog. 

O produtor, a Bodega Torres, já apareceu aqui com outros dois vinhos brancos, também elaborados na região da Catalunha. Um deles, inclusive, pertence à essa mesma linha, Viña Sol, mas para esse tinto não encontrei informações no site da vinícola.

Na taças apresentou coloração rubi translúcido. Ótimos aromas, com destaque para frutos frescos, groselha e cerejas. Uma pontinha de álcool (13,5%) que se dissipou depois de aberto.

Na boca tem corpo médio. A primeira sensação percebida na degustação são as notas adocicadas bem presentes. Fruta em abundância. Taninos finos, boa acidez. Final de boa persistência, gengivas marcadas pelos taninos, boca salivando, fruta fresca no palato, com destaque para groselha.

Vinho simples, bem feito e bastante amigável. Gostoso para bebericar, mas tem estrutura para acompanhar comida. Pronto para beber agora. Não é um vinho de guarda.

Vai agradar a quem gosta de vinhos com notas mais adocicadas, mais próximos a um meio-seco. Particularmente (e isso não é levado em conta aqui) prefiro vinhos com menos dulçor, mas fico imaginando aquele seu amigo que está começando no mundo dos vinhos finos, que está saindo agora dos vinhos de mesa e partindo para novas descobertas. Esse é um vinho interessante para esse propósito.


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Cia. Brasileira de Distribuição, que reúne os supermercados Extra e Pão de Açúcar. Paguei R$ 49 pela garrafa, aqui em Uberlândia.

* Esse é o 111º vinho que comento para nossa Confraria Brasileira de Enoblogs. 

Saúde a todos!



24 janeiro 2016

Para beber aos litros: Jara Verde DO Rueda Verdejo 2014


Uma das experiências mais gratificantes para mim nessa atividade de provar inúmeros vinhos no ano é ser surpreendido por aquele que foi aberto sem muitas expectativas. De repente na taça uma explosão de aromas ou um equilíbrio extraordinário, por exemplo, deixam a experiência muito interessante e isso não tem nenhuma relação com preço, país, uva... uma surpresa, afinal, pode vir de qualquer garrafa!

Foi o caso desse 100% Verdejo, elaborado na região espanhola de Rueda pela Bodegas Cerrosol, fundada em 1988, sem passagem por madeira, apenas por tanques de inox. Tem 12,5% de álcool e expectativa de guarda de três anos, segundo o importador. Leva a indicação Verde em seu rótulo, uma alusão ao frescor e jovialidade dos famosos vinhos portugueses. 

A região de Rueda é uma denominação reconhecida desde 1980, sendo a primeira D.O. da comunidade autônoma de Castilla y León, caracterizada por suas ótimas condições para elaboração de vinhos brancos, especialmente a partir da variedade autóctone, a Verdejo. Essa uva resulta vinhos muito aromáticos, untuosos e suaves. É abundante em Rueda (85%) e Valladolid (60%).

* Para saber mais sobre a região de Rueda, clique aqui

Na taça o vinho tem coloração amarelo claro, com reflexos esverdeados. Aromas bem intensos, florais especialmente e algo herbáceo. Na boca é bem refrescante, leve, de boa acidez, repetindo as sensações dos aromas. Untuoso, com pouca percepção do álcool. Final de boa persistência, com leve toque de ervas no palato. Muito equilibrado e delicado, dando vontade de não parar de beber.  

Sem dúvida é daqueles para se beber aos litros, como diz o título da postagem. Refrescante e leve, pode acompanhar muito bem petiscos, frutos do mar, saladas e comida oriental. Mas, será uma experiência interessante para quem busca delicadeza no vinho, porque não tendo passagem por madeira poderá ser muito leve para alguns. Não é excepcional, mas tem predicados bem interessantes.  


Detalhes da compra:

Recebi esse vinho de um clube da Wine, pagando R$50 pela garrafa. 

Saúde a todos!



21 janeiro 2016

Casa Valduga acerta ao lançar sua linha de cervejas especiais


Há algum tempo tenho me dedicado às cervejas especiais, estudando a respeito desse imenso mundo (como fiz com os vinhos), degustando, escrevendo e fazendo minha própria cerveja em casa. Tudo isso me permite - creio eu - avaliar como um grande acerto a entrada da Casa Valduga no mercado das cervejas especiais. 

É uma tendência do mercado. Tanto vinícolas quanto as grandes cervejarias apostam nesse nicho que tem consumidores cada vez mais exigentes. Porém, nem todas as apostas tem sido um acerto, porque já provei cervejas bem simples e algumas até ruins, porque uma cerveja para ser chamada de especial deve ter atributos que as lagers industrializadas e que padronizaram o paladar do brasileiro definitivamente não possuem. 

Mas vamos ao que motivou esse texto. 

A linha chama-se Leopoldina, nome que já faz parte da história da vinícola, e foram lançados cinco estilos. Provei todas e acredito que estão em um nível muito bom, algumas com predicados bem interessantes. Segue rápida análise, com preços da loja virtual, sem considerar os impostos para estados como SP ou MG.

Foto: evento "Sabores Gerais" (Wine Home / Maison Greta Cauê) - Novembro/15. 

- Leopoldina Pilsner Extra :: convenhamos, uma lager elaborada apenas com malte de cevada e lúpulo importado tem seu valor. É uma cerveja leve, mas de bom corpo. Ideal para quem já gosta das cervejas "puro malte" que estão disponíveis no mercado. Como sugestão, acredito que uma espuma mais persistente poderia deixar a cerveja mais cremosa ainda. Preço: R$ 20.

- Leopoldina India Pale Ale :: esse é meu estilo preferido, embora não goste tanto das IPA que tenham um amargor acima da média. Essa é harmônica nesse quesito, pois o amargor do lúpulo está em bom equilíbrio com o malte. Preço: R$ 25.

- Leopoldina Weissbier :: provavelmente a porta de entrada para o mundo das cervejas especiais são as Weiss, cervejas de trigo encorpadas, aromáticas e com paladar adocicado. Essa segue o estilo e tem algo bem interessante, que pode parecer insignificante, mas não é. Sabe aqueles copos grandes, especiais para as cervejas de trigo? Pois é, eles tem 500 ml, mas a grande maioria das cervejas brasileiras de trigo tem 600 ml. Essa foi feita para que toda a garrafa seja servida de uma só vez, como se faz na Alemanha, por exemplo. Preço: R$ 23.

- Leopoldina Witbier :: quem gosta de cerveja refrescante esse é um estilo interessante. Surgida na Bélgica, as Witbier são cervejas elaboradas com trigo, mas com aditivos que as deixam bem aromáticas e cítricas. Essa Leopoldina segue a tradição e leva em sua elaboração sementes de coentro e raspas de limão siciliano. Preço: R$ 16.

- Leopoldina Old Strong Ale :: essa é uma cerveja potente (11% de álcool) e complexa. Deve ser bebida com atenção, não só para não se embriagar com facilidade, mas principalmente para apreciar sua complexidade. É uma cerveja escura, com aromas lembrando nozes, mel e vinhos licorosos. Tem maturação de 10 meses em barricas de carvalho francês e a segunda fermentação acontece na própria garrafa, como os espumantes elaborados pelo método Champenoise. A garrafa é um diferencial, lacrada com cera. Preço: R$ 130.

Saúde a todos!