26 março 2015

Os vinhos da Patagônia pelas mãos de Marcelo Miras

Bruno Agostini, Marcelo Miras, eu e um dos filhos de Miras, que também trabalha no projeto familiar.

Na última coluna comecei a contar sobre nossa visita à Patagônia, para conhecer os vinhos argentinos do fim do mundo, que assim podem ser chamados não só pela distância considerável que precisamos percorrer para chegar a essa região, mas também porque suas condições climáticas severas nos dão essa sensação. 

Depois de conhecer a Humberto Canale e provar muitos de seus ótimos vinhos, fomos conhecer o projeto familiar do enólogo Marcelo Miras, principal responsável pelos vinhos da famosa Bodega del Fin del Mundo. E, como disse na coluna de domingo passado, fiquei encantada com sua proposta e principalmente com o resultado na taça.

Na conversa que tivemos ele disse que “não pratica enologia” em seus vinhos, não interfere, não usa maquiagem, para que seus vinhos se apresentem de “cara lavada”. Disse, com orgulho, que utiliza o conceito uva + homem = vinho! E, apesar de trabalhar na maior vinícola da Patagônia revela muita simplicidade ao falar de seus vinhos, que elabora com sua família e sem ajuda de nenhum empregado. Ele, sua mulher e um dos filhos nos receberam com muito carinho. São donos e funcionários do projeto. Não tem como não funcionar!

Ao se apresentar deixa claro que não pertence a uma geração de enólogos, mas a duas delas: “dos enólogos mais jovens eu sou o mais velho”. Experiente, mas inovador.  

Saí de lá ainda mais apaixonada pelo mundo do vinho argentino, especialmente por descobrir muitos deles com uma personalidade tão forte, capazes de acabar com aquela ideia simplista de que todos os vinhos são muito parecidos. 

O apaixonante vinho com Trousseau Nouveau, uva um tanto rara na América do Sul.

Basta um gole de algum dos vinhos de Marcelo Miras para percebermos sua identidade própria. Aliás, eles até possuem uma certa “padronização”, se podemos dizer assim, porque todos são elegantes e com acidez bem presente, feitos para acompanharem uma refeição e não somente servir de aperitivo. Dos brancos elaborados com semillon e chardonnay, o seu rosé de malbec, os excelentes tintos de pinot noir, malbec e cabernet franc, todos possuem essas características. 

Provamos 14 vinhos elaborados por sua família e todos são encantadores. São duas linhas, uma jovem, que busca a expressão mais franca das uvas utilizadas, e outra reserva, com passagem do vinho por barricas de carvalho.    

São vinhos sem disfarces, acompanhados de uma delicadeza intrigante. Para mim a frase que define melhor esse produtor é: a riqueza da simplicidade, que deixei escrita a ele com muito carinho. 

Ganhei uma garrafa de um de seus vinhos, o Trousseau Nouveau 2014, que provocou reações emocionadas quando foi degustado na ocasião. Essa uva é conhecida em Portugal como bastardo e na França como gros cabernet. Possui taninos impactantes e grande acidez, mas a degustação desse vinho em casa será um capítulo à parte, que farei questão de relatar por aqui.

Tim-tim!

Os excelentes Pinot Noir, Merlot e Malbec da linha Reserva.

Três ótimos vinhos da linha Joven: Merlot, Malbec e um Blend da safra 2014.

O vinho da esquerda, da linha Reserva, prova que a Cabernet Franc está se tornando uma uva imperdível na Argentina.



23 março 2015

Para acompanhar seu melhor churrasco: De Lucca Reserva Cabernet Sauvignon 2009 #CBE


O tema de março da nossa Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE (que deveria ter sido publicado aqui no primeiro dia do mês) foi determinado pelo Victor Beltrami, do blog Balaio do Victor e foi bem interessante: "um vinho varietal tinto ou branco do Uruguai qualquer, menos Tannat."

Infelizmente não consegui encontrar um vinho tão interessante quanto o tema proposto, porque aqui em Uberlândia a oferta de vinhos uruguaios não é grande e o fato de excluir os Tannat já deixou tudo mais difícil. Então, apostei nesse Cabernet Sauvignon já com seis anos de idade, mas que no final das contas não se saiu tão mal. 

É elaborado pela Bodega De Lucca na região de El Colorado, departamento de Canelones. A vinícola tem capacidade para produção 500.000 litros anuais e cerca de 60 hectares de vinhedos próprios. O vinho é rotulado como VCP (Vino de Calidad Preferente), que indica uma produção dentro de certos parâmetros para a região, embora não signifique automaticamente tratar-se de um ótimo vinho. 

O enólogo Reinaldo De Lucca é representante da segunda geração da família a produzir vinhos no Uruguai. Sua origem é o Piemonte, de onde chegaram no início do século XX e estabeleceram os primeiros vinhedos na região. Aprimorou-se com graduações nas universidades de Montevidéu (Uruguai), Penn State University (EUA) e Montpellier (França). 

Esse Cabernet Sauvignon tem 13% de álcool. Na taça a coloração é rubi, com levíssima indicação de evolução nas bordas. Aromas intensos, com muita fruta vermelha, leve tostado, pimenta e algumas notas lembrando geleia, o que pode ser fruto de sua evolução na garrafa. 

Na boca tem bom corpo, taninos ainda rascantes e ótima acidez. Esperava um vinho já mais amaciado pelo tempo, mas ainda demonstra ter estrutura para guarda. Mas, a fruta muito madura e a geleia podem indicar que o vinho esteja, agora, num ponto de equilíbrio que não compense esperar mais para abri-lo. Sabe aquele vinho que pode perder muita fruta se você ficar esperando que seus taninos fiquem mais dóceis? Pois esse é um exemplo. Portanto, me parece estar ótimo para beber agora.

A passagem de 12 meses por barricas de carvalho contribuíram para uma boa complexidade. É um vinho de um estilo mais rústico, que gosto bastante, muito comum em vinhos uruguaios e que, obviamente, pedem um bom pedaço de carne vermelha para acompanhar, se possível os cortes sensacionais de nosso vizinho do sul. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Premium Wines, de Belo Horizonte. Não me lembro quanto paguei pela garrafa, pois já está na adega há algum tempo, mas foi algo em torno dos R$65. 

* Esse é o 103º vinho que comento para a CBE, primeira e única confraria virtual brasileira. 

Saúde a todos!     



19 março 2015

Visitando a Patagônia (e o brilho nos olhos)

A exuberante vista de um mirante patagônico.

Em nosso quarto dia de viagem saímos pela manhã de Buenos Aires com destino a Neuquén, na Patagônia. Confesso que de todo nosso roteiro este era o que mais fazia meus olhos brilharem. 

Sabia que ali encontraria vinhos diferentes daqueles que estou acostumada a experimentar no meu cotidiano. E foi assim que iniciei a viagem à Patagônia argentina, cheia de expectativas e com o propósito de ver o país muito além dos malbec, em busca de algo que me fascinasse. 

Iniciamos a viagem acompanhados pela Maria José, uma francesa que nos mostrou tudo sobre aquela pequena cidade onde o Rio Negro é o lugar preferido de seus habitantes, que usufruem não só de suas águas para a alimentação e agricultura, mas também como fonte de lazer. Por ali encontramos, além dos vinhedos, a cultura abundante de árvores frutíferas, principalmente peras e maçãs.  

O nosso anfitrião na Humberto Canale.

Nossa primeira visita foi à Humberto Canale, propriedade que desde 1909 dedica-se à elaboração de vinhos, mas também ao cultivo de frutas, sendo uma das pioneiras da região. Por lá fomos recebidos pelo Guillermo Barzi, seu diretor, que representa a quinta geração da família à frente do negócio. 

Ele nos levou a uma degustação com oito de seus rótulos: Humberto Canale Sauvignon Blanc 2014, vinho de boa acidez e bastante cítrico, com as uvas colhidas sempre na primeira semana de março. Os cachos para a versão 2015 desse vinho já estavam bem encaminhados durante nossa visita.

O ótimo riesling de vinhas velhas.

Para mim os vinhos de destaque nessa degustação foram, além desse sauvignon blanc, o La Morita Riesling, com uvas de vinhedos antigos, colhidas na primeira semana de abril. Bem doce no nariz, mas seco na boca e com acidez muito presente. Eu compraria muitas garrafas deste vinho. 

Interessante que a todo momento éramos informados sobre os ventos na região, sempre presentes, fortes e frios, fazendo com que as cascas das uvas fiquem mais grossas, beneficiando o resultado final na garrafa. 

Nesse mesmo dia o querido amigo Marcel Miwa agendou uma visita que acabou se transformando em uma grande surpresa da viagem. Fomos conhecer o vitivinicultor Marcelo Miras e as três horas livres em nossa agenda permitiram que nossos olhos brilhassem! 

Marcelo é atualmente o enólogo-chefe da Bodegas del Fin del Mundo, além de ter trabalhado na Humberto Canale por doze anos. Mas, fomos conhecer seu projeto solo, para o qual arredondou uma vinícola inativa (Estepa) e utiliza suas instalações para elaborar em família o seu próprio vinho. Sua esposa e um de seus filhos estavam por ali nos acompanhando em uma degustação de 14 vinhos fantásticos.

Bruno Agostini, Marcelo Miras, eu e Marcel Miwa.

O projeto começou com uma produção de 6.000 garrafas em 2011 e hoje produz 30.000 garrafas, uma produção minúscula mesmo se comparado a vinícolas de porte médio. Muito dessa produção é feita com amigos, como se fossem uma cooperativa e para isso compraram um vinhedo com quatro hectares. 

Essa visita merecerá uma coluna só pra ela, porque Marcelo Miras fez meus olhos brilharem com sua simplicidade, seu amor pelos vinhos e seu respeito pela natureza. 

Até a próxima coluna. 

Tim-tim!


O vento deixa suas marcas nas árvores da Patagônia.

Sauvignon blanc da Humberto Canale - quase pronta para a colheita. 

Um ótimo exemplar de Pinot Noir da Humberto Canale.


13 março 2015

Uma cerveja clássica :: Commerzienrat Riegele Privat


- Família: Lager

- Estilo: Munich Helles

- Cervejaria: Brauhaus Riegele - Augsburg - Alemanha

- Teor alcoólico: 5,2%

- Preço: R$ 23.

No dia em que abri essa cerveja eu sinceramente não queria escrever sobre nada. Não queria fotografar, apenas beber, apreciar sem compromissos. Mas, o resultado foi tão bom que resolvi tomar algumas notas e fazer fotos. Depois, ao olhar meus livros de cerveja descobri que ela está na lista das 1001 para se beber antes de morrer. Pronto! Estava explicado porque gostei tanto mesmo não esperando nada.

Ela pertence à família das Lagers, ou seja, de baixa fermentação, resultando em cervejas mais leves, menos encorpadas, mas nem por isso menos interessantes. Da mesma forma  não se pode comparar uma cerveja lager de boa procedência com as "tipo pilsen" comerciais que o brasileiro bebe "estupidamente" gelada.

Essa aqui é do estilo Munich Helles, criado em 1895 numa cervejaria de Munique para rivalizar com as emergentes Pilsen, da Boêmia. Para pertencer a esse estilo a cerveja deve ter sabor predominante do malte, de cor clara e o lúpulo deve dar um leve amargor, mas em equilíbrio. Pode ter entre 4,7 e 5,4% de álcool.

É produzida pela Brauhaus Riegele, cervejaria alemã da cidade de Augsburg, na Bavária. Seu ano de fundação é 1884, pelas mãos de Sebastian Riegele, mas as origens da fábrica remontam a 1386, época em que a cidade era um importante centro comercial europeu. 

A cerveja tem cor dourada, brilhante, com boa espuma. Nos aromas predominam as notas maltadas, lembrando pães, mas o floral do lúpulo aparece também, mas em segundo plano. Na boca é uma cerveja refrescante, com boa cremosidade e personalidade, presença do malte dando corpo e amargor do lúpulo aparecendo em grande equilíbrio. 

Não é um estilo que permita mais amargor que o apresentado, afinal não é uma ale lupulada. Está como deve ser. Final de boa persistência, equilibrado e refrescante.

Servida na temperatura correta (entre 5-7º C), fará boa companhia para petiscos variados, como camarão, lula frita, bolinho de bacalhau, mas também com pratos mais elaborados, como risotos e massas com frutos do mar.


Saúde a todos!

11 março 2015

Divulgação :: Guia Descorchados será lançado dia 23 de março em São Paulo

O crítico Patricio Tapia. Foto: Divulgação

Publicação do crítico Patricio Tapia e da Inner Editora é um instrumento essencial de informação sobre vinhos argentinos, chilenos, uruguaios e, a partir deste ano, dos espumantes brasileiros

Publicação referência no mundo dos vinhos da América do Sul, o Guia Descorchados, do crítico Patricio Tapia, será lançado pela Inner Editora e Eventos no dia 23 de março, em São Paulo. O evento acontece no Restaurante Praça São Lourenço, na Vila Olímpia, reunindo imprensa e produtores em uma grande degustação com a presença confirmada de mais de 60 vinícolas chilenas, argentinas, uruguaias e brasileiras. Profissionais (compradores, importadores, distribuidores, sommeliers) e enófilos também podem participar do evento, que tem vagas limitadas e exige inscrição prévia [ver instruções abaixo]. “É o mais completo guia de vinhos sul-americanos já elaborado”, afirma o publisher da Inner, Christian Burgos.

Em sua 17ª edição, o guia traz notas de degustações, harmonizações, apresentação de vinícolas e regiões produtoras do Chile, da Argentina, do Uruguai e do Brasil. Em 2015, a publicação traz ainda uma novidade: a presença de espumantes brasileiros. Em dezembro de 2014, o principal crítico de vinhos da América Latina, o chileno Patricio Tapia, avaliou os espumantes brasileiros em visita ao Vale dos Vinhedos. “É provável que os espumantes brasileiros ainda sejam desconhecidos pelo mundo. E isto é uma pena. A paisagem da Serra Gaúcha, exuberante e dramática, esconde alguns dos melhores espumantes da América do Sul. Borbulhas que, em muito pouco tempo, tiveram um avanço impressionante”, destaca Tapia, que provou 150 rótulos nacionais.

Com abrangência nacional e periodicidade anual, a publicação da Inner Editora é hoje um instrumento essencial de informação sobre vinhos para consumidores, lojistas e importadores. Com uma tiragem de cinco mil exemplares, o guia traz um resumo das regiões vitivinícolas mais importantes do Chile, Argentina, Brasil e Uruguai. Inclui ainda a pontuação e o ranking dos vinhos selecionados, além de guia de harmonização.

Para sua composição, foram degustados vinhos de mais de 190 vinícolas chilenas, 150 argentinas, 25 uruguaias e 15 brasileiras, resultando em cerca de 3 mil vinhos avaliados por Patricio Tapia. Na edição anterior foram provados 2,5 mil vinhos. Para os amantes do mundo do vinho, o Guia Descorchados estará disponível na loja virtual da Revista Adega (www.lojaadega.com.br) e nas principais livrarias do país, já a partir do final de março. A publicação também estará disponível para compra no evento.

Tapia degustando espumantes brasileiros. Foto: Divulgação

Lançamento do Guia Descorchados

Dia: 23/03

Onde: Restaurante Praça São Lourenço: Rua Casa do Ator, 608 - Vila Olímpia, São Paulo –SP.

- Almoço para a imprensa e enólogos convidados a partir das 12h.

- Degustação aberta das 16h às 22h, reunindo os seguintes produtores: Norton, Tres 14 e Imperfectos, Concha y Toro, Doña Paula, Chakana, Maximo Boschi, Grupo Décima, Mauricio Lorca, Casarena, Vinícola Geisse, Casa Valduga, Miolo, De Martino, Zuccardi, Pizzato, Terranoble, Mais (Tupungato), Caliboro/Erasmo, Trapézio, Santa Rita, Zorzal Wines, Gen Del Alma, Maquis/Calcu, San Pedro, Leyda, Tarapaca, Maitia, Cacique Maravilla, Andes Plateau, Cousiño Macul, JA Jofre, Bodegas RE, Ventisquero, Santa Carolina, La Celia, Catena Zapata, Rep. De Chachingo, Aleanna, Andeluna, Tabalí, Los Toneles, Undurraga, Mais Tupungato, Familia Cassone, Dominio Del Plata e Bouza.

Seguem abaixo os links para participação no lançamento do Guia Descorchados:

- Profissional do Vinho: inscrição gratuita (clique aqui).

- Consumidor final: deve comprar antecipadamente o Guia na loja da revista Adega (clique aqui).

- Dúvidas e outras informações pelo (11) 3876.8200 (ramal 34).

Informações: .Doc Assessoria de Comunicação

08 março 2015

Hoje, tanto quanto nos outros dias do ano, nós (mulheres) merecemos um brinde!

Famosa frase creditada a Lilly Bollinger. Foto: Érika Mesquita

Hoje comemora-se o Dia Internacional da Mulher, data reconhecida em 1977 pela ONU, mas já comemorada desde o início do século XX. Nesse dia fico duplamente feliz por receber os cumprimentos como mulher e também por ser meu aniversário. Então, a coluna de hoje não poderia deixar de homenagear as mulheres e, claro, sua ligação com o mundo do vinho.

Embora ainda seja um mundo muito masculino, porque a maioria das pessoas que trabalham nele são homens, como os enólogos, sommerliers, produtores e críticos, há uma série de exemplos atuais e antigos que podem ser lembrados nessa data para que os feitos de mulheres fortes e empreendedoras não caiam no esquecimento.

Como vocês devem saber, estive na Argentina há algumas semanas para participar de várias atividades, dentre elas as festividades de premiação do Argentina Wine Awards, o mais importante concurso do país. E, para minha alegria, o tema desse ano foi o “O poder da mulher no vinho”, com o corpo de juradas composto exclusivamente por mulheres, dentre elas a britânica Jancis Robinson, a mais influente escritora e crítica de vinhos do mundo.

Foi realmente gratificante perceber o quanto as mulheres têm sido valorizadas e seu papel recebido o merecido destaque pelos que trabalham com o vinho, desde os órgãos da imprensa até proprietários de vinícolas, enólogos etc. 

Mas, esse “empoderamento” da mulher não vem de hoje e está ligado à atuação de grandes mulheres do passado, que atuaram especialmente na região dos vinhos mais charmosos do mundo, Champagne.

A viúva mais famosa do mundo do vinho. Foto: http://en.wikipedia.org/wiki/Veuve_Clicquot

A mais famosa delas foi Nicole-Barbe Ponsardin, mais conhecida como Viúva Clicquot. O champagne elaborado pela maison que ela conduziu já no século XIX é uma marca inconfundível atualmente. Ela herdou a empresa aos 27 anos e foi responsável por uma série de mudanças tanto na comercialização quanto na elaboração do champagne. Foi um funcionário da casa que descobriu uma maneira de deixar o vinho livre de resíduos, método que conhecemos por remuage, que consiste em acumular no bico da garrafa as impurezas da fermentação. 

Outra mulher ligada a uma famosa casa de Champagne foi Jeanne Alexandrine Melin, nascida em 1819, conhecida como Viúva Pommery, responsável por dirigir os negócios em lugar de seu marido. Ela expandiu as exportações para a Inglaterra e para agradar ao paladar de seus novos parceiros de negócios, passou a elaborar champagne brut e brut nature, hoje tão conhecidos. Morreu aos 71 anos vendo o champagne Pommery entre os mais prestigiados do mundo.

Madame Lilly Bollinger com seu meio de transporte favorito. Foto: http://www.007museum.com/

Élisabeth Law de Lauriston-Boubers, mais conhecida como Lilly Bollinger, nasceu em 1899 e faleceu em 1977. Sua ligação com o champagne nasceu quando se casou com Jacques Bollinger e quando ficou viúva em 1941 teve que assumir a direção da casa, onde ficou por trinta anos. Ela foi responsável por lançar espumantes safrados de sua marca e torna-la internacionalmente conhecida. 

Em 1973, a produção do filme “007 Viva e Deixe Morrer” pediu à Moët & Chandon que enviasse algumas garrafas para as filmagens, mas o pedido foi recusado. O então presidente da Bollinger, sucessor de Lily, ofereceu as garrafas para as filmagens e para a estreia do filme, fazendo com que a marca aparecesse regularmente dos filmes do espião inglês e sendo conhecida atualmente como “o champagne de James Bond”.

Um brinde a todas as mulheres!

Tim-tim!

Vinhedos da Bodega Salentein, no Vale de Uco, em Mendoza. Foto: Érika Mesquita


05 março 2015

Se você ainda não conhece os vinhos do Marrocos, comece por esse excelente syrah: Tandem Syrah du Maroc 2010



No ano passado comprei alguns vinhos por mera curiosidade, como um de Israel publicado em janeiro (relembre) e esse tinto do Marrocos. Confesso que comprei sem qualquer informação sobre o produtor, região, nada! Mas, três motivos me levaram à compra: (1) é de um país que ainda não havia aparecido aqui no blog, (2) os países do Mediterrâneo têm influência muito forte da vitivinicultura francesa e (3) vinho elaborado com syrah, uva que dá vinhos muito interessantes se vinificada pelas mãos certas. Pronto, comprei!

O vinho é resultado da parceria entre dois grandes enólogos, Alain Graillot, considerado o "melhor winemaker" de Crozes-Hermitage (sub-região do Rhône, França) e Jacques Poulain, do produtor do vinho, o Domaine des Ouled Thaleb.

As uvas utilizadas são de cultivo orgânico e 60% do vinho passam por barricas de carvalho (francês, certamente). Tem 14,5% de álcool.     

Na taça tem coloração rubi. Já na primeira taça servida uma explosão de aromas, intensos, uma mescla muito elegante da madeira, frutos vermelhos, negros e especiarias. Muita elegância no nariz que se repete em boca: bom corpo, aveludado, denso, taninos macios e boa acidez, deixando o vinho refrescante e pronto para um bom prato. Em boca os frutos negros em equilíbrio com a madeira formam um conjunto complexo e prazeroso. Final longo, dando vontade de mais uma taça.

É daqueles vinhos com boa passagem por madeira, sem que isso seja demérito. Ao contrário, é daqueles casos (infelizmente raros) em que o carvalho acrescenta ao vinho não só os aromas característicos de baunilha, mas complexidade e elegância. Maduro, sem ser enjoativo, até porque a acidez não deixa isso acontecer.   

Confesso que procurei algum senão para o vinho, mas não encontrei. Sem desequilíbrio ou aresta que precise de tempo para ser aparada. Um grande syrah, potente e elegante, até porque não dá pra esquecer que tem 14,5% de álcool.

Vale a pena conferir!


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela World Wine e vendido em sua loja virtual por R$109. Não é um preço que se pode considerar acessível, mas se você pode/quer gastar esse valor é um vinho que precisa aparecer na sua adega. 

Saúde a todos!



01 março 2015

Diário de viagem: um hotel muito charmoso em Buenos Aires e seu restaurante impecável

O aconchego do restaurante do Hotel Fierro 

No dia 5 de fevereiro cheguei a Buenos Aires, pelo Aeroparque, no horário previsto (9:30 h) e fui muito bem recepcionada pelo Alejandro, enviado pela Wines of Argentina para me conduzir naqueles primeiros momentos na capital argentina. Um sujeito muito atencioso, que me contou várias histórias sobre seu país e me surpreendeu ao perguntar sobre o time de basquete de Uberlândia ao saber de qual cidade eu havia partido. Fiquei bem feliz por ele conhecer a fama do nosso time, que já conquistou o campeonato sul-americano, em 2005.

Do aeroporto fomos para o Hotel Fierro, em Palermo Hollywood, um charmoso e pequeno hotel boutique que está nos “roteiros de charme” da capital, muito bem avaliado nos sites de viagens, daqueles em que o próprio consumidor dá suas notas. O quarto era moderno, aconchegante, amplo. Nesse dia pedi apenas um room service e fiquei por ali para descansar da viagem e fiquei bem impressionada com o lanche que pedi. Muito cuidado com tudo, até mesmo com o visual de um simples lanche. 


No dia seguinte, no café da manhã, conheci um dos meus companheiros de viagem, o jornalista Bruno Agostini, inquieto, culto, conhecedor de muitos lugares mundo afora e que estava na sua enésima visita a Buenos Aires. O papo foi muito bom e o café da manhã melhor ainda no restaurante do hotel, chamado UCO. Seu chef é irlandês e o café tem um ar caseiro, artesanal, com sucos frescos, alimentos orgânicos, pães feitos na casa e o melhor iogurte caseiro que já comi. Tanto hotel como seu restaurante foram ótimas experiências que recomendo a todos.  

Nesse mesmo dia, no almoço, já na companhia de todos da viagem, incluindo o jornalista Marcel Miwa, do Estadão, e o Deco Rossi, representante da Wines of Argentina no Brasil, iniciamos os trabalhos. Marcel é o mais quieto e discreto do grupo, degustador experiente e preciso, descobre nos vinhos detalhes que somente os muito “rodados” tem capacidade de enxergar. Deco, nosso anfitrião brasileiro em terras argentinas, sempre é o responsável por unir integrantes de um grupo tão heterogêneo de maneira muito amigável e sincera, até para não sentirmos tanta falta de casa. 

Uma das entradas: ovo de 4 minutos, panceta, morrones assados, croutons de morcilla e folhas verdes

A entrada servida foi um granité de melão com erva doce, cebolas roxas e brotos de agrião, harmonizado com Colomé Torrontés 2014. Já o primeiro prato, uma insalata de tomates, berinjela assada, burrata e brotos de alfavaca com molho pesto ficou muito interessante com o Primogénito Chardonnay 2014 (bodega Patritti). 

Dois dos excelentes vinhos do agradável almoço

O segundo prato!

O segundo prato foi a pesca do dia (truta) com purê aromatizado com açafrão, salada mediterrânea de vegetais e harmonizamos com dois vinhos: Kaiken Terroir Series Corte 2012 e o Miras Pinot Noir 2011

Para finalizar em grande estilo a sobremesa: vulcão de chocolate, creme de baunilha de Madagascar e flor de sal da Patagônia, harmonizado com Malamado 2012, um vinho fortificado com 100% malbec, ideal para acompanhar sobremesas à base de chocolate.

Dá pra você perceber a dificuldade que foi esse primeiro dia na Argentina, não? Domingo que vem tem mais por aqui. 

Tim-tim!


Capricho total, mesmo para um simples lanche pedido no quarto


O melhor iogurte natural que já comi


26 fevereiro 2015

Lanternas francesas :: Os vinhos de garagem de Saint Émilion

Jean-Luc Thunevin. Fonte: www.thunevin.com

Saint Émilion, santa ideia! Há quem diga que certos vinhos desta região de Bordeaux são uma excelente transição entre Bordeaux e Bourgogne. Isso se explica pela dominância do merlot, que certo, dá vinhos bem encorpados, porém mais « macios » do que os cabernet sauvignon. 

Saint Émilion (e seus satélites), Pomerol e Fronsac, estão situados na margem direita do rio Dordogne e formam a bela  região do Libournês (cuja cidade principal é Libourne), que por sua vez faz parte do grande vinhedo de Bordeaux. 

Depois de 2 mil anos de história, três séculos de ocupação inglesa (de meados do séc XII a meados do séc XV-  e obrigada a Aliénor d’Aquitaine, dirão os bordeleses!), depois da devastação pela phylloxera na segunda metade do séc XIX, Bordeaux é hoje um enorme paradoxo… e Saint Emilion é o alto-falante desta música! Por que? Aqui nesta terra de Ausone, foi onde começou o movimento vins de garage. E, vins de garage = Jean-Luc Thunevin e sua esposa Murielle Andraud.

Gostando ou não dele, um fato não se pode negar, o espirituoso JL Thunevin e sua parceira escreveram o que foi uma das mais inacreditáveis sagas da região bordelesa. Essa dupla tinha tudo pra não conseguir sobreviver no antro dos « herdeiros » do mundo do vinho de Bordeaux. Eles não saíram de família viticultora; ele, antigo bancário (mas que também já foi lenhador) e ela, auxiliar de enfermagem.  

Sem conseguir evoluir na sua carreira no banco por falta de diploma, um dia ele chuta o pau da barraca, pede  demissão e um ano depois abre uma pequena loja dentro de Saint Émilion, onde vendia de tudo, doces, móveis usados, papelaria, óculos fluorescentes, vendia até cartão postal usado, mas vendia também… vinho. Associando-se em seguida a um amigo, tornou-se dono de um pequeno restaurante, depois de outro restaurante, depois outro…   sempre em Saint Émilion. Daí, foi um pé pra se tornar viticultor pois « quando você vende vinho, chega um momento que você quer produzir o seu vinho ». 

Hoje, proprietário do ilustre Château Valandraud (elevado em 2012 a premier Grand Cru Classé Saint Émilion), além de outros châteaux em  prestigiosas apelações da região, como Pomerol  e Margaux, uma propriedade no Roussillon, além de vários « vinhos de marca », entre os quais, o corajoso Bad Boy, JL Thunevin se tornou o inspirador do movimento vins de garage

E, por que vins de garage? Essa expressão indica os vinhos saídos de pequenas superfícies, onde os trabalhos culturais na vinha e desde a chegada à adega para vinificação, visam pequenos rendimentos, dando um produto bastante concentrado. Mas isso é a explicação bordelesa e moderna! E, de fato, alguns corajosos de renome se lançaram nesta versão. Porém, segundo o próprio Thunevin, a origem dos vinhos de garagem foi pura questão financeira!

Os meios não permitiam a compra de alguns equipamentos básicos pra vinificar. As operações de vinificação aconteciam de forma precária. O cara não tinha bomba pra proceder à remontagem (que é quase uma marca dos Grands Crus de Bordeaux, ao inverso do pigeage que é o mais praticado na Bourgogne), solução: pigeage! Uma das razões pelas quais ele é conhecido por ter introduzido técnicas bourguignones em Bordeaux. Não tinha prensa! Solução: prensa na mão! Enfim… assim, trabalhando com escassos meios é que a partir de 1991 nascia o que se chama hoje de vinhos de garagem, cujo pioneiro foi o Château Valandraud.


Michel Gracia e eu 2010. Foto: Arquivo pessoal

Eu ainda não provei um château Valandraud, mas degustei outro excelente representante da classe, Château Gracia 2000 (Saint Emilion Grand Cru), cujo leque de aromas é marcado pela fruta, amoras, notas suaves de pão torrado, uma boca intensa, redonda, um belo duo de frescor e opulência e um final looonnngo, onde a fruta e especiarias como noz moscada são marcantes. 

Michel Gracia, de origem espanhola, antigo talhador de pedras, faz parte dos agraciados da região que foram herdeiros do seu patrimônio. No início eram 1,34 hectares de videiras herdados de sua madrasta, em plena AOC Saint Émilion. Desde então, a propriedade cresceu de 1 hectare. Sua entrada no movimento vinhos de garagem se deu por sua amizade com JL Thunevin e além de vinho de garagem, Gracia se converteu recentemente em vinho orgânico. Este vinho íntimo, do qual algumas safras não se pode mais encontrar, como é o caso da de 1997, é uma pura joia, muito disputada entre os conhecedores, e que ilustra muito bem um belo produto do terroir… livre.

Mas, em geral, como são os vinhos de garagem? Depende da sua abertura de espírito! Se você é daqueles aiatolás do vinho - pouco importa a tendência - que acham que um bom Bordeaux não pode parecer com nada além de uma alquimia entre líquido e barrica (nova, de preferência), que não pode ser aveludado demais por risco de perder sua « elegância », daqueles  que acham que um bom Bordeaux não pode ser bom quando é jovem, sinal que terá pouca resistência ao tempo… se você é atrelado principalmente a preço e acha que não existe Bordeaux bom por menos de 20€, ou ainda, daqueles da ala do oposto, partidários da nova tendência de que diabolizar Bordeaux é defender o verdadeiro sentido de terroir, que vinho bom é vinho orgânico …  olha, se você é de um desses times, você vai fazer a má propaganda. 

Porém, se você é aquele camarada que assim como valoriza tradições e, como degustador esclarecido e/ou de boa fé, sabe que, justamente, no vinho, o triângulo clima, solo e homem é uma evolução permanente sem por isso anular a alma de um terroir, neste caso, suas asas vão te dar os elementos necessários pra degustar e falar de forma honesta de um vinho de garagem sem… cegueira dos sentidos! 

Então… saúde ! 



22 fevereiro 2015

Minha viagem à Argentina e o que vi no AWA 2015


O evento mais importante para o vinho de nossos vizinhos é o Argentina Wine Awards, que nesse ano teve como tema a “visão das mulheres” sobre a indústria e o mercado vitivinícola mundiais, conforme anunciado aqui no blog em dezembro (relembre). Por alguns dias doze juradas avaliaram 671 amostras de 137 bodegas diferentes, representando as quatro regiões produtoras do país: Salta, San Juan, Mendoza e Patagônia. 

Tive o prazer de presenciar as atividades do evento em viagem recente que fiz à Argentina a convite do órgão encarregado de divulgar o vinho do país mundo a fora: Wines of Argentina. Através do André (Deco) Rossi, seu representante no Brasil, recebi o honroso convite e fui acompanhada pelos jornalistas Bruno Agostini e Marcel Miwa, ótimas companhias e com quem aprendi muito durante essa viagem.    

Bem. No dia 13 de fevereiro as atividades do evento começaram às 8 da manhã, com seminário intitulado “vinos y estilos exitosos”, sendo degustados vinhos da Itália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Chile e França. Para cada vinho degustado houve uma breve explanação sobre um determinado tema pelas integrantes da mesa, as doze juradas que representam vários setores do vinho em seus respectivos países.

Mesa do seminário, com Suzana Barelli ao centro e Jancin Robinson, à direita da foto

Quem representou o Brasil foi a amável Suzana Barelli, jornalista especializada em vinhos e gastronomia e editora da Revista Menu. Em seu grupo de degustação para a escolha dos melhores vinhos do evento esteve a mais importante jornalista de vinhos do mundo, a britânica Jancis Robinson, que também a acompanhou no seminário. 

Durante todas as palestras foram apresentadas as visões de mercado de cada país, com foco nas tendências e a possibilidade de participação e entrada dos vinhos argentinos. O que mais chama atenção em todos esses dias na Argentina, seja inúmeras visitações e mesmo durante o AWA 2015, é que o mercado está sedento por novidades e dentre esses novos desejos do consumidor estão os vinhos menos estruturados, menos carregados em madeira e menos alcoólicos. Uma tendência que acompanha o amadurecimento de qualquer mercado.

Aliás, tive oportunidade de estar ao lado de grandes personalidades do vinho e sentir o quanto um mercado é aquecido quando o vinho faz parte da cultura do país.  

Também é digno de nota o fato de que a Argentina vem fazendo ótimos cabernet franc e petit verdot, que antes eram meras coadjuvantes da sua principal uva, a malbec, ou apareciam apenas na composição de blends, mas agora são grandes apostas em vinhos varietais (uma só uva).

Na mesma noite fomos à premiação dos melhores de 2015, na Bodega Trivento. E, depois de ter degustado 279 vinhos durante a viagem, tivemos a certeza de que muitos dos nossos preferidos estariam ali. Apenas para deixar registrado esses quase trezentos vinhos foram degustados tecnicamente, ou seja, ninguém saiu embriagado das degustações e em posts futuros contarei mais sobre as várias visitas que fizemos nesses dez dias.

Os vinhos premiados com os "troféus" do AWA 2015

Na manhã seguinte provamos os vinhos que foram merecedores de troféus, os mais representativos do evento, divididos em categorias e também por faixa de preços, que abaixo estão arredondadas para facilitar a leitura. Foram eles:

Categoria espumante: 
- Ruca Malen Brut.

Categoria chardonnay:
- Finca la Escondida Reserva Chardonnay 2014 (entre 7 e 13 dólares).
- Salentein Single Vineyard Chardonnay 2012 (entre 30 e 50 dólares).

Categoria bonarda:
- Cadus Single Vineyard Finca las Tortugas Bonarda 2013 (entre 30 e 50 dólares).

Categoria malbec:
- Séptima Obra Malbec 2012 (entre 13 e 20 dólares).
- Riglos Quinto Malbec 2013 (entre 20 e 30 dólares).
- Casarena Single Vineyard Malbec – Jamilla’s Vineyard – Perdriel 2012 (entre 30 e 50 dólares).
- Zuccardi Aluvional Vista Flores Malbec 2012 (acima de 50 dólares).

Categoria petit verdot:      
- Decero Mini Ediciones Petit Verdot – Remolinos Vineyard 2012 (entre 30 e 50 dólares).

Categoria cabernet franc:
- La Mascota Cabernet Franc 2013 (entre 20 e 30 dólares).
- Salentein Numina Cabernet Franc 2012 (entre 30 e 50 dólares).

Categoria cabernet sauvignon:
- Proemio Reserve Cabernet Sauvignon 2013 (entre 13 e 20 dólares).

Categoria tannat:
- Serie Fincas Notables Tannat 2012 (entre 30 e 50 dólares).

Categoria red blend:
- Sophenia Synthesis The Blend 2011 (acima de 50 dólares).

Tanto pra mim quanto para meus companheiros de viagem o melhor vinho dentre os premiados foi o petit verdot, da Finca Decero, bodega de Mendoza.

Além desses vinhos que receberam troféus, foram distribuídas medalhas de ouro para 19 vinhos, medalhas de prata para 193 produtos e 369 medalhas de bronze. Para conhecer todos os vinhos premiados, clique aqui.

Tim-tim!

Meus companheiros de viagem: Bruno Agostini, Marcel Miwa e Déco Rossi. 

Com a jornalista Suzana Barelli, editora da Revista Menu 

Degustação de dez rótulos premiados no AWA 2015