06 julho 2015

Veja o mais novo vídeo do blog: entrevista com Nicolas Perez, enólogo da chilena Viña Leyda


Na última quinta-feira tive o prazer de conhecer o enólogo Nicolas Perez, da chilena Viña Leyda, que esteve em Uberlândia para um evento de seu importador. 

E, como costumo perder essas oportunidades, fiz uma entrevista em que falamos sobre as particularidades da região, de como o clima influenciado pelo Pacífico interfere em seus vinhos, de enoturismo e até sobre um espumante extra brut que a vinícola elabora.   

Espero que gostem! 

Saúde a todos!

29 junho 2015

Mais uma ótima experiência: Arboleda Carmenère 2011


Esse foi o terceiro vinho que provamos para o Winebar realizado no dia 10 de junho. Dessa vez os vinhos provados foram da Viña Arboleda e a entrevistada, Maria Eugênia Chadwick, filha do respeitado Eduardo Chadwick, bateu um papo descontraído com o Daniel Perches, falando do projeto sediado na região do Aconcagua e, claro, de seus vinhos (veja aqui).

O vinho de hoje, um Carmenère, tem 14% de álcool. Após um período de maceração de 25 dias, 60% da mescla foi levada diretamente a barricas novas de carvalho, das quais 46% eram americanas e 54% eram francesas, nas quais o vinho envelheceu por 12 meses.

Na taça tem cor rubi, muito lacrimoso. Bastante aromático, apresentou as melhores características da Carmenère, como terra, especiarias, muita fruta madura, goiaba e eucalipto. A passagem por madeira deixou um leve tostado e baunilha discreta. Conjunto bem harmônico e interessante.

Na boca tem corpo mediano. Taninos levemente rascantes que vão amaciar com mais tempo em garrafa. Boa acidez. A complexidade dos aromas de repete na boca, em harmonia. É fácil de beber e irá agradar bastante aos amantes dessa uva, porque apesar dos taninos tem textura aveludada, com notas adocicadas que se adequam ao gosto do consumidor médio brasileiro.

Final persistente, com as sensações dos taninos (boca seca) e da acidez (salivação) dividindo as atenções. Palato marcado pelas notas terrosas e especiadas, além de muita fruta. O único senão foi um leve álcool que sobrou no nariz, mas um tempo de aeração no decanter talvez seja bem vinda. Tirando isso, um vinho muito bem feito, harmonioso e capaz de demonstrar todas as qualidades da Carmenère.

O vinho parece em ótimo momento para consumo, mas 1 ou 2 anos em garrafa podem deixá-lo ainda mais macio. Mas, eu abriria outra garrafa agora, se tivesse...


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Expand e vendido em sua loja virtual por R$120, mas essa garrafa eu recebi em casa para participar de mais uma degustação virtual promovida pelo Winebar (veja aqui a entrevista completa).

Saúde a todos!




22 junho 2015

Um belo exemplar de Pinot chileno: Arboleda Pinot Noir 2013


Participamos no último dia 10 de junho de mais uma degustação virtual promovida pelo Winebar, que contou com a presença da embaixatriz da Viña Arboleda, Maria Eugênia Chadwick (veja aqui). Fundada em 1999, a bodega é um projeto pessoal do respeitado Eduardo Chadwick na região do Aconcagua. 

No último post (relembre) comentei Chardonnay da mesma safra 2013, com um excelente resultado na taça. Mas, hoje a vez é de um tinto também muito bom, elaborado com a queridinha (e incompreendida talvez na mesma proporção) Pinot Noir, originária da França, mas que dá bons resultados em várias partes do mundo, com estilos diferentes, nem sempre parecidos com os famosos e caros Borgonha. 

O vinho de hoje envelheceu durante 12 meses em barricas de carvalho francês, sendo que 25% delas são novas. Interessante que a passagem de um ano por madeira não deixou o vinho amadeirado em exagero, ao contrário não escondeu a fruta e considero que o carvalho lhe deu complexidade e suas características estão em boa integração com o frutado.

Na taça a coloração é típica dos Pinot, um rubi de boa transparência. Nos aromas as tradicionais frutas vermelhas silvestres, cereja, algum floral e notas lembrando folhas secas. A madeira está discreta, com aromas levemente tostados. 

Na boca tem corpo típicos dos Pinot do Novo Mundo, mas sem os exageros do álcool ou da madeira, algo que infelizmente acontece. Elegante, com boa acidez e taninos presentes, sem agressividade. Fruta exuberante se repetindo, com notas tostadas da madeira (sem excessos) e bom equilíbrio entre suas características. Refrescante. Tem final longo, repetindo tudo e dando vontade de mais uma taça.

Confesso que já bebi vários Borgonha mais acessíveis, procurando encontrar algum interessante e que caiba no meu bolso. Então, posso afirmar que pelo preço desse vinho encontrei muito poucos franceses com características tão interessantes. 

*** Por favor, leiam o parágrafo acima novamente, para que não fique a impressão de que estou comparando os vinhos da Borgonha com os Pinot Noir do Chile. Combinado?

Para harmonizar com o vinho a vinícola indica pratos à base de aves, risotos delicados, importando que não sejam muito temperados. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Expand e vendido em sua loja virtual por R$155, mas essa garrafa eu recebi em casa para participar de mais uma degustação virtual promovida pelo Winebar (veja aqui a entrevista completa).

Saúde a todos!



15 junho 2015

Branco chileno de personalidade, maduro e ideal para sushi: Arboleda Chardonnay 2013


Participamos no último dia 10 de junho de mais uma degustação virtual promovida pelo Winebar, dessa vez entrevistando a Maria Eugênia Chadwick, embaixadora internacional da marca Viña Arboleda, fundada em 1999. É um projeto pessoal do respeitado Eduardo Chadwick na região do Aconcagua, cujo nome é uma homenagem às árvores nativas preservadas em suas vinhas. Em seus vinhedos.

Em seus vinhedos cultiva as brancas chardonnay e sauvignon blanc, além das tintas pinot noir, carmenère, syrah e cabernet sauvignon. Particularmente gostamos muito dos vinhos de regiões mais costeiras do Chile, como San Antonio, Leyda e Casablanca.

O vinho de hoje, um 100% chardonnay, foi premiado recentemente no Japão com o título de "Melhor Vinho para Sushi", pela Asian Food Sushi, num painel que reuniu 340 especialistas. Segundo enfatizou a assessoria de imprensa, "os juízes enfatizaram a acidez e aroma de laranja misturado com notas sutis de frutas tropicais como manga e abacaxi, deixando a boca com mineralidade refrescante, principais características que o levaram à premiação. Estas características, juntamente com a densidade e viscosidade, alcançam uma combinação perfeita com ingredientes ricos em gordura, como queijo, creme sushi, abacate, camarão, e única e irrepetível geração de salmão".


Durante a vinificação o vinho é fermentado integralmente em barricas de carvalho francês (30% novas). A alguns dos lotes foram inseridas leveduras selecionadas, enquanto uma grande parte (44%) foi fermentada em barricas, usando leveduras silvestres naturalmente presentes na pele das uvas. Depois disso, passou dez meses por envelhecimento sur lie para ganhar complexidade.

Vamos ao vinho!

Na taça apresenta coloração amarelo-palha. Bem aromático, predominando notas maduras, de frutos brancos e tropicais como abacaxi em calda, maracujá doce e boa presença do tostado da passagem por barricas de carvalho. 

Na boca é intenso em sabores. Vinho maduro, de acidez mediana e boa complexidade. Frutos tropicais bem maduros, madeira dando recado, mas sem deixar o vinho pouco interessante. Refrescante e de personalidade. Final médio-longo, repetindo no palato todas as características percebidas no nariz e na boca.

Ao ler a descrição acima - a respeito do uso da madeira e do envelhecimento sobre as borras da fermentação - poderíamos imaginar um vinho pesadão, que fosse difícil de agradar até o último gole, porque é comum encontrarmos vinhos assim por aí. Mas, não foi o caso desse.


A harmonização poderia ser com carnes brancas, aves e queijos brancos. Um vinho maduro, com boa capacidade para harmonizações, mas aqui em casa testamos com sushis que nossa filha adora. Ficou muito bom!


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Expand e vendido em sua loja virtual por R$120, mas essa garrafa eu recebi em casa para participar de mais uma degustação virtual promovida pelo Winebar (veja aqui).

Saúde a todos!



14 junho 2015

Divulgação :: ViniPortugal leva seu Road Show a cinco capitais brasileiras

Paisagem na região do Douro. Foto: .DOC/Divulgação

Degustação gratuita com a presença de produtores vindos de Portugal passará por Vitória (ES), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS).

Toda a diversidade dos vinhos portugueses estará à prova em cinco capitais brasileiras através do Road Show – Grande Degustação dos Vinhos de Portugal 2015, promovido pela ViniPortugal, que há 19 anos atua promovendo os vinhos do país em todo o mundo. É uma associação privada, interprofissional, sem fins lucrativos, que contribui para o crescimento sustentável do volume de rótulos portugueses nos mais importantes comércios do mundo.

A programação do evento é a seguinte:

- Dia 22 de junho Belo Horizonte recebe a degustação no Hotel Mercure Lourdes, das 16 às 22 h.

- Dias 24 e 25 de junho é a vez de Vitória, capital capixaba, dentro da Feira Expovinhos, que acontece das 18 às 23 h, no Centro de Convenções de Vitória. 

- Dia 26 de junho - Curitiba receberá 13 produtores que levarão 83 rótulos das principais regiões produtoras portuguesas. O evento acontecerá no Hotel Radisson. 

- Dia 29 de junho, em Florianópolis, desembarcam 18 produtores e 120 rótulos para degustação, no Hotel Majestic Palace. 

- Dia 1º de julho, no Hotel Radisson, em Porto Alegre, acontece a última parada da caravana portuguesa, com a participação de 14 produtores e 86 vinhos.  

A prova em todas as cidades (com exceção de Vitória) começa às 16h para profissionais. A partir das 20h, o evento é aberto para consumidores. Palestras técnicas harmonizadas com iguarias típicas de cada região serão realizadas em todas as cidades. 

Em Porto Alegre o convidado é o jornalista e sommelier Irineu Guarnier Filho, que falará das 18h às 19h para profissionais do setor, com vagas limitadas (30). Na capital catarinense, o jornalista e críticos de vinhos João Lombardo conduzirá a palestra-degustação das 16h às 17h, mesmo horário de Curitiba, com a apresentação do jornalista e crítico de vinhos Guilherme Rodrigues. Márcio Oliveira ministrará a masterclass na capital mineira.

Primeiro no ranking dos países europeus que mais vendem vinhos aos consumidores brasileiros, Portugal se caracteriza por elaborar rótulos diferenciados e únicos. “Nossas castas autóctones, únicas e exclusivas, são um grande atrativo para quem aprecia bons vinhos”, afirma o diretor de marketing da ViniPortugal, Nuno Vale.

Foto: .DOC/Divulgação

Com mais de 250 castas autóctones identificadas, a promoção dos Vinhos de Portugal concentra a sua divulgação em 10 uvas que se constituem nas bandeiras dos rótulos portugueses pelo mundo: entre as tintas, Touriga Nacional, Aragonez/Tinta Roriz, Touriga Franca, Trincadeira/Tinta Amarela, Castelão e Baga; e as brancas Alvarinho, Arinto, Fernão Pires/Maria Gomes e Encruzado.

As inscrições para as palestras são gratuitas, porém é obrigatório preencher os formulários abaixo (clique em sua categoria):

Porto Alegre

Florianópolis

Curitiba

Dúvidas podem ser respondidas pelo e-mail viniportugal@exponor.com.br. A confirmação da inscrição será enviada por e-mail.

Fonte: .DOC Assessoria de Comunicação

Fácil de beber e muito agradável: Tomero Malbec Rosé 2013



A Bodega Vistalba elabora a linha Tomero, que considero uma boa relação custo x benefício, sejam os tintos com a malbec e cabernet sauvignon ou os brancos com a torrontés e sauvignon blanc. Mas, esse rosé de malbec ainda não tinha experimentado com atenção suficiente para escrever um post aqui para o blog. O resultado, como era de esperar, é muito bom, confirmando a impressão que tive para os demais.

As uvas são do Vale de Ucco, região mais ao sul de Mendoza. O vinho não tem passagem por madeira, como acontece com rosés para serem bebidos jovens, e apresentou um perfil tanto para servir como aperitivo, apenas para bebericar, como para acompanhar alguns pratos, como frutos do mar. 

Na taça coloração vermelha, com reflexos alaranjados. No nariz aromas de frutos vermelhos, cerejas, algo lembrando groselha. Na boca é refrescante, boa acidez, notas adocicadas deixam o vinho agradável como aperitivo. Muita fruta vermelha no paladar, sem ser enjoativo. Final de boa persistência, repetindo tudo. Álcool sem incomodar (12%).  

É daqueles vinhos que agradarão aos que estão iniciando no mundo dos vinhos finos (secos) e mesmo os mais experientes terão uma experiência agradável.  


Detalhes da compra:

É importado pela Domno, que o vende em sua loja virtual por R$ 65,90, mas aqui em Uberlândia encontramos por R$ 62. 

Saúde a todos!


11 junho 2015

Isso sim é o que podemos chamar de "unificação italiana": Gran Sasso TRE Autoctoni

No rótulo a indicação das três regiões de origem utilizadas na elaboração do corte. 

No dia de nosso 12º aniversário de casamento resolvemos abrir um vinho especial. Eram muitos, felizmente, na adega e resolvemos experimentar esse tinto italiano que estava guardado há algum tempo, talvez dois anos ou algo bem próximo a isso. 

É um vinho com algumas curiosidades em torno de sua elaboração, principalmente porque o corte de três variedades utiliza uvas de regiões diferentes da Itália, simbolizando as uvas autóctones (nativas), tão importantes na vitivinicultura europeia. Por isso a brincadeira com a "unificação italiana", que foi finalizada em 1870 com a anexação de Roma.  

A vinificação é feita em separado e depois o corte é realizado. De Abruzzo vem a montepulciano, da Puglia utilizaram a primitivo e da Sicilia a nerello marcalese, todas nativas e com características próprias que mesmo em assemblage não desapareceram. Talvez porque o vinho não teve passagem por madeira e foi vinificado e amadurecido em tanques de aço inox essas características ficaram mais nítidas, mais francas.

A elaboração fica por conta da Farnesi Vini, que não revela o percentual de cada uva no vinho, nem a safra em que foram colhidas, deixando tudo ainda mais interessante.

O resultado é um vinho estruturado, interessante em aromas e sabores. De coloração púrpura, denso, tem aromas em boa intensidade: frutos negros, ameixa, flores, tostado e chocolate.

Tem bom corpo, maduro, frutos marcando grande presença, notas adocicadas, chocolate amargo, boa acidez e um tostado elegante, mesmo sem barricas de carvalho. Taninos bem presentes, ainda com leve rascância, caminhando para amaciarem nos próximos 2-3 anos. Final de ótima persistência, marcado por frutos negros, tostado e chocolate amargo formando um conjunto interessante e diferente.




Harmonização: As notas adocicadas deixam o vinho fácil de beber, com a acidez ajudando a formar um conjunto que não é enjoativo, permitindo o vinho acompanhar uma imensa gama de pratos. Mas, no dia em que abrimos o vinho imaginamos algo tipicamente italiano, então nada mais apropriado (e fácil de fazer) do que uma massa com molho vermelho e polpettas, imaginando que a acidez do vinho, algo bem natural nos italianos, daria conta do recado. E deu! Outras opções com carnes vermelhas também serão uma boa pedida.    


Detalhes da compra:

Recebi esse vinho da Assessoria de Comunicação da importadora La Pastina e à época o vinho era vendido na faixa dos R$ 168,00.

Saúde a todos!



08 junho 2015

Cerveja do mês :: Anderson Valley Belk's Extra Especial Bitter


- Família: Ale

- Estilo: Extra Special Bitter

- Cervejaria: Anderson Valley - Boonville - Estados Unidos

- Teor alcoólico: 6,8%

- Preço: R$ 19,90.

Não escondo minha preferência por cervejas que trazem uma boa mescla entre malte e lúpulo. Não que as poderosas IPA, com seu forte amargor bem característico, não tenham lugar em meus copos, mas confesso que elas têm ocupado cada vez menos espaço na geladeira aqui de casa.

Da última vez que escrevi sobre cerveja aqui no blog (relembre), coincidentemente o estilo era o mesmo que o da cerveja de hoje, uma Extra Special Bitter, que pertence à família das Ale (alta fermentação) e ao estilo English Pale Ale, um dos mais antigos e populares na Grã-Bretanha.

Essa cerveja é produzida pela Anderson Valley Brewing Company, fundada em 1987 na cidade de Boonville, no norte da Califórnia, cuja população era de 1.035 habitantes segundo levantamento de 2010. A capacidade de produção era bem pequena, de apenas 10 barris, suficiente para abastecer o brewpub de Kenneth Allen em cujo porão a cervejaria foi instalada. 

Mas, com o passar do tempo e a crescente demanda pelas cervejas as instalações foram transferidas em 1996 para um novo local, com capacidade para 30 barris. Com a aposentadoria do fundador, em 2010, a cervejaria passou a outro comando, focado no aumento da capacidade de produção e no envelhecimento das cervejas em barris de carvalho.

Na taça a cerveja tem cor âmbar, com reflexos alaranjados. Boa formação de espuma. Persistente, com bolhas finas. 

Ao abrir a garrafa até a tampinha tinha aromas do lúpulo, bem floral. Servida na tulipa os aromas formaram um bom conjunto entre o adocicado do malte, e as notas florais e especiadas do lúpulo, com o malte mais aparente, como deve ser para esse estilo. 

Em  boca o conjunto aromático se repete, com o amargor do lúpulo dando o recado, mas bem acompanhado por notas de caramelo e mel provenientes do malte. Picante. Boa cremosidade. Final seco, de média persistência, com palato marcado pelo amargor. 

Boa drinkability, fácil de agradar, será uma ótima companhia para uma culinária mais condimentada, como a tailandesa. A temperatura de serviço não pode ser muito baixa, devendo ficar entre os 6-8 graus para melhor percepção de sua complexidade.

Essa garrafa eu ganhei da minha mãe. Obrigado, mãe!!!


Saúde a todos!

03 junho 2015

Difícil errar com vinhos dessa vinícola: Doña Dominga Reserva Viognier 2013


A Viognier está entre as uvas que mais sentimos saudade aqui em casa, porque a oferta de vinhos com ela não é muito grande em nossa região. Então, quando encontramos algum vinho com uma boa chance de acerto, não temos dúvida em arriscar. 

Quando compramos uma garrafa desse vinho a chance de erro era pequena, porque é elaborado pela ótima Viña Casa Silva, chilena fundada em 1997, no Vale de Colchagua, e que tem à sua frente o experiente enólogo Mario Geisse. 

Pertence à linha Doña Dominga, lançada em 1999, que tem vinhos em várias gamas de preços. Esse pertence à linha Reserva. Em sua elaboração 35% do vinho passa pela fermentação malolática em barricas de carvalho francês. Essa fermentação (transformação do ácido málico em ácido lático) acaba contribuindo para uma maior complexidade, diminuindo os aromas primários da uva, acrescentando outros. 

Após o término das fermentações essa parcela (35%) permanece envelhecendo por 3 meses em barricas de carvalho e os outros 65% permanecem em cubas de aço inoxidável.

Amarelo palha. Bons aromas, boa complexidade: frutos brancos maduros, melão, pera, abacaxi em calda, notas cítricas também, maracujá e fermento, uma contribuição da fermentação malolática, lembrando os vinhos que passam tempo sobre as borras da fermentação - sur lie). Uma ponta de álcool apareceu (14% de teor). 

Na boca é untuoso, maduro, acidez mediana e potência, uma combinação do álcool bem presente e as notas amadeiradas. Repetiram-se os frutos tropicais e a eles se juntaram as nuances da madeira, como baunilha. Final "quente", de boa persistência. 

Vinho que precisa de um prato para domá-lo, porque somente como aperitivo parece não ser a melhor escolha, já que tem potência e 14% de álcool. Aqui em casa tínhamos apenas petiscos para acompanhar, mas ficou muito bom com queijos, especialmente com o brie. Mas, parece ideal para acompanhar pratos à base de carnes brancas e peixes, especialmente se tiverem molhos mais encorpados. Arriscaria também com culinária oriental, como a tailandesa, além de parecer um bom acompanhamento para uma paella.  

Gosto dessa uva, gostei do vinho e mesmo não preferindo esse estilo mais intenso em todas as ocasiões, gostei do resultado. Apenas um senão para o álcool, mas aí não é problema do vinho, mas questão de gosto pessoal. 


Detalhes da compra:

No contra-rótulo a informação é que seu distribuidor é a Premium, mas no site da empresa não constam os vinhos dessa linha. De qualquer sorte, paguei R$33 pela garrafa em um empório aqui de Uberlândia. Valeu a experiência!

Saúde a todos!



27 maio 2015

Ainda em solo argentino: o autêntico Karim Mussi e sua bodega Altocedro


A receptividade em todos os lugares que visitamos na Argentina foi impressionante. Tudo sempre organizado para nos receber com o melhor da hospitalidade de nossos vizinhos. 

Em nosso primeiro dia na Argentina fomos a Coquimbito, no departamento de Maipú, província de Mendoza, a 1.150 quilômetros da capital Buenos Aires. Ali, Karim Mussi assumiu uma vinícola antiga e montou a Bodega Altocedro, que iniciou a produção dos primeiros vinhos em 2001 e utiliza uvas de seu vinhedo de 5 hectares, localizado em torno das instalações principais, com idades variando entre 15 e 104 anos. 

Karim, proprietário e enólogo chefe da vinícola, tem personalidade muito forte, extremamente simpático e ao mesmo tempo desafiador. Mostra em seus vinhos e em suas palavras que sabe muito bem o que quer, onde quer chegar e não se interessa por produzir vinhos de “modismo”.

Karim Mussi Saffie tem 39 anos de idade e pode ser considerado um enólogo e empresário de vocação e formação. Em 2007 foi reconhecido pelo Conselho Empresário Mendocino com o prêmio Jovens Mendocinos Destacados, na categoria Negócios. Em 2008 o Altocedro Reserva Malbec foi eleito pela revista Wine Spectator como um 100 melhores vinhos do mundo. Segundo o site de sua bodega, Karim é mais que feliz ao falar de política mundial, atualidades, filosofia britânica do século 17 e rock dos anos setenta (The Doors e Led Zeppelin são suas bandas favoritas). 

Quando se refere à elaboração de seus vinhos, fica clara sua paixão e parece “incorporar” um grande alquimista para misturar os cortes, preservando sempre a boa acidez, o frescor e cuidando para que o teor alcoólico não fique tão elevado. 


Iniciamos nossa degustação junto à sua equipe com um torrontés de Salta, um vinho que me impressionou pelos aromas. Sempre espero muita mineralidade nos vinhos dessa região e esse também apresentou muita fruta também, uma lembrança clara de lichia e uma acidez excepcional. Karim nos explicou que a torrontés é colhida em três etapas: mais verde, mais madura e bem madurinha, demonstrando nessa técnica o prazer que tem em ser um “alquimista”. 

Quando fala de seus vinhos Gran Reserva o enólogo diz que prefere que se pareçam com uma “dama elegante” e não com um “macho musculoso”. Conversei bastante com ele e descobri que ele conhece muito bem o Eduardo Valduga, filho do Juarez Valduga, que esteve por lá durante a elaboração do Mundvs Malbec, vinho de DNA argentino que faz parte dessa linha internacional da Casa Valduga. Para a próxima safra, o vinho da vinícola brasileira terá uma personalidade mais próxima dos vinhos da Altocedro. 


Tivemos ainda uma feira organizada para nós, em que degustamos os vinhos da Finca el Origen, Argento, Finca Agostino, Tapiz e Trivento. Foram 3 a 4 vinhos de cada produtor e por ali ficamos para um jantar caloroso ao lado de pessoas apaixonadas pelo que fazem. E fazem muito bem!

Durante o jantar o vinho que me acompanhou foi o Altocedro Año Cero Pinot Noir, da safra 2013, com uvas de La Consulta. Um belíssimo vinho para coroar uma visita harmoniosa e de muito aprendizado. 

Tim-tim!