23 outubro 2014

Refrescante e típico branco brasileiro (além de barato): Salton Paradoxo Gewürztraminer 2014


Sempre gostamos aqui em casa de experimentar vinhos com a uva Gewürztraminer, porque são aromáticos, frescos, exóticos, sejam secos ou doces, podem reservar boas surpresas. Segundo os enólogos é uma variedade difícil de ser cultivada e de pouco rendimento no vinhedo, daí serem poucos os rótulos disponíveis no mercado.  

Esse Gewürz da Vinícola Salton apresenta o frescor e os aromas florais típicos da variedade e (o melhor) a um preço bem honesto, que poderá ser harmonizado com frutos do mar, comida japonesa ou entradinhas sem maiores complicações.

Na taça tem coloração amarelo palha, com reflexos esverdeados. Aromas florais, rosas, um pouco de frutos brancos, pêra e lichia, algo cítrico em segundo plano. Na boca tem pouco corpo, boa acidez, bom equilíbrio entre flores e frutos. Final mediano, refrescante. 

Sem passagem por madeira, como se poderia esperar, mantém o frescor e características aromáticas e gustativas da variedade. Bom vinho. Agradável como aperitivo nesses dias escaldantes ou para acompanhar pratos leves. Tem 12,5% de álcool.  

Está pronto para ser bebido agora. Não é feito para guarda


Detalhes da compra:

Essa garrafa me foi enviada para participar da degustação no Wine Bar que aconteceu no dia 14/10, mas o vinho é vendido na loja virtual da vinícola por R$25 (acesse aqui). Uma boa compra!

Saúde a todos!



20 outubro 2014

Um super vinho: Don Tommaso Chianti Classico 2007 (pena que não é pro meu bolso)


Guardei esse vinho com carinho por um tempo, devidamente climatizado. Queria experimentar um Chianti com um pouco mais de tempo em garrafa pra ver como se comportaria, até porque pela faixa de preços esse aqui poderia (pelo menos em tese) suportar bem um tempo de guarda. 

Não deu outra. Um super vinho, bebido na companhia especial dos amigos do Le Vin au Blog e Vivendo Vinhos, que sempre comentam que os vinhos italianos estão presentes nos encontros de blogueiros. Por que será?

Pois bem. O vinho é elaborado pela Principe Corsini na região de Chianti Classico. A família tem história que remonta ao ano 1000, mas somente em 1992 começaram a produção de seus vinhos. 

Para esse tinto a vinícola utiliza duas variedades, a clássica Sangiovese (80%), mas com uma pitada de Merlot (20%). Tem passagem de 15 meses madeira francesa, sendo 70% por barricas novas e 30% por barricas de segundo uso. Tem 14,5% de álcool.  

A bonita propriedade de Villa le Corti, em Chianti Classico. Foto: Principe Corsini / Divulgação

Na taça apresentou coloração rubi. No nariz uma boa complexidade, lembrando frutos negros, pimenta, e um elegante tostado vindo da madeira. Na primeira taça servida a madeira estava bem presente, mas depois de um tempo o vinho "abriu-se" deixando a fruta ficar mais presente. Isso indica que um tempo no decanter para aeração pode deixar o vinho melhor desde o início da degustação, no mínimo uns 30 minutos. 

Em boca tem bom corpo, fruta e madeira bem integrados, taninos finos e acidez lá em cima. Final de grande persistência, marcado por frutado em boa intensidade e notas de tabaco e café, provenientes da madeira. 

Nem é preciso comentar a vocação gastronômica de um vinho desses e arrisco a dizer que às cegas estaria mais próximo de um supertoscano do que de um Chianti. Grande personalidade e muito prazeroso, mas ainda parece jovem apesar dos sete anos em garrafa. Ganhará complexidade com mais algum tempo em guarda, talvez uns 3-4 anos. 


Detalhes da compra:

Essa garrafa me foi enviada pela importadora, a Domno do Brasil. É vendido em lojas virtuais a preços variando entre R$321 e R$388.

Como disse no título da postagem, não é um vinho na faixa de preços a que estou acostumado. Mas, se você pode comprar e/ou gosta de vinhos super especiais, não hesite. Pode até me convidar para uma taça que, humildemente, eu aceito. 

Saúde a todos!



16 outubro 2014

Grande compra a R$48: Alves Vieira Tinto 2013

Foto: Marcel Gussoni (www.saborsonoro.com.br)


Depois de tantos anos escrevendo para o blog, tendo provado milhares de vinhos, confesso que são poucos os que me surpreendem positivamente já no primeiro gole. Bebo o vinho, encontro seus atributos, sei se gosto ou não dele, se vale o que custa, mas surpreender mesmo, causa impacto, são poucos. Então, nesse quesito esse português é uma exceção. 

Por ser um vinho "regional alentejano" eu esperava mais potência, mas a delicadeza me surpreendeu. Esperava aromas mais maduros, mas o frutado dele é bem fresco. No lugar da madeira, uma franqueza interessante, já que esse não passa por barricas.

É elaborado pela família Alves Vieira, em Vidigueira, no Alentejo. As uvas são as tradicionais Trincadeira, Touriga Nacional e Alicante Bouschet. Não passa por madeira e tem 13% de álcool.

A cor é rubi, com reflexos violáceos. Os aromas são intensos, muita fruta vermelha, principalmente frutos delicados como cerejas, notas florais (provavelmente pela presença da TN) e discreto chocolate. Na boca tem corpo médio, grande acidez e taninos macios. Os frutos delicados estão bem presentes e a acidez deixa o vinho bem refrescante. Equilíbrio entre todas as características. 

Final longo, prazeroso, dando vontade de mais um gole. Tem boa vocação gastronômica e em razão da acidez pode acompanhar pratos de massa com molho vermelho, por exemplo. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela La Pastina e tem o preço sugerido de R$48. Uma excelente compra, que me deu curiosidade de experimentar os outros dois vinhos da mesma vinícola: um branco de mesmo preço e sem passagem por madeira, elaborado com as uvas Antão Vaz, Fernão Pires e Roupeiro; e um tinto Reserva, vendido a R$75, com as castas Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Petit Verdot, com passagem de 6 meses por barricas francesas. 

Saúde a todos!


 

13 outubro 2014

Se tiver uma garrafa dessas, deixe guardada por enquanto: Dominio del Plata Essential Cabernet Sauvignon Tannat 2011


Esse é um vinho especial, não só por ser de uma edição limitadíssima (1 barrica apenas), mas por ter sido elaborado por uma das mais importantes enólogas do mundo, a Susana Balbo (leia-se Dominio del Plata) e pelo blogueiro Deco Rossi, que além de manter seu blog sobre vinhos (EnoDeco) é hoje o representante no Brasil da Wines of Argentina, responsável pela divulgação desses produtos mundo a fora. 

O vinho, para quem não sabe, foi o resultado de uma ação muito interessante realizada em 2011 pela Importadora Cantu e pela Susana Balbo. Funcionou assim: 25 blogueiros brasileiros foram escolhidos e cada um recebeu cinco garrafas (375 ml) com amostras diferentes de vinhos. Dois cabernet sauvignon e dois malbec de regiões diferentes e um tannat. Cada um fez seu vinho a partir de um corte de livre escolha e enviou a "fórmula" para a enóloga. O vencedor foi o vinho do Deco, um corte de 50/50 cabernet sauvignon e tannat que surpreendeu a todos. 

Abri minha única garrafa no começo de setembro, com os amigos do Le Vin au Blog e Vivendo Vinhos, com uma desconfiança muito grande de que estaríamos "matando o vinho" ainda muito jovem. Não deu outra. Mas, o amigo Deco já me prometeu outra garrafa, o que espero se concretize em breve!


Um fim de semana especial ao lado dos amigos merece vinhos especiais.

Na taça demonstrou juventude com sua coloração púrpura, bem brilhante. Aromas intensos, com madeira bem presente no primeiro momento, lembrança de côco e baunilha. Na boca os taninos ainda estão bem jovens, precisando de tempo na garrafa para ficarem mais macios. Acidez discreta e álcool dando potência, mas sem desequilíbrio. Final longo, repetindo a boa mescla entre fruta e madeira. 

Um vinho que evoluiu na taça, deixando os aromas amadeirados de lado para que o frutado aparecesse. Mas, ainda está muito jovem, com estrutura de taninos indicando que pode evoluir mais, ganhar mais equilíbrio. Provavelmente mais dois anos de guarda deixarão o vinho ainda melhor. Mas, se gosta de vinhos com esse estilo tânico e amadeirado talvez seja bom provar agora. 

Como terei outra garrafa em breve, deixarei para abri-la lá por 2016-2017, talvez. 


Detalhes da compra:

Esse vinho foi gentilmente enviado pela importadora Cantu a todos os blogueiros que participaram da ação. Creio que não esteja mais à venda, mas os demais vinhos dessa mesma linha (Essential) estão à venda na faixa dos R$ 60-65. 

Saúde a todos!



09 outubro 2014

O baratinho estava em melhor forma: Reserva da Serra Merlot Cabernet Sauvignon 2005


Quando os amigos do Vivendo Vinhos e do Le Vin au Blog estiveram por essas bandas - para comemorarmos os meus 40 anos - alguns vinhos vieram na mala. Esse foi trazido pelo Cristiano Orlandi e ficamos bem curiosos pra saber como um vinho barato da Lídio Carraro se sairia com quase nove anos de idade. 

Ele pertence a uma antiga linha da vinícola, chamada Reserva da Serra, que saiu do mercado. Acredito que se estivesse à venda hoje estaria na casa dos R$30. Um vinho barato, corte de uvas Merlot e Cabernet Sauvignon cultivadas no Vale dos Vinhedos, embora hoje os vinhos mais caros da vinícola venham da Serra do Sudeste. 

Não tomei notas para descrever o vinho, mas me lembro bem de sua coloração já apresentando alguma evolução, com as bordas levemente alaranjadas. Aromas de boa complexidade, com notas frutadas, chocolate e couro. Na boca apresentou boa acidez, deixando o vinho muito vivo. Os taninos já amaciaram, mas estão presentes. Final de boa persistência, mostrando que ainda tem boa capacidade para acompanhar comida.  


O mais interessante é que provamos na mesma ocasião o Quorum 2005, um dos tops da Lídio Carraro, mas o Reserva da Serra estava em melhor forma, com menos notas oxidadas e sem aquela lembrança de mel que deixa os vinhos mais antigos um tanto enjoativos.

No embate o baratinho levou a melhor. É claro que isso pode decorrer de uma série de fatores, como as condições de armazenamento dos dois vinhos, mas foi o que encontramos na taça. 

Enfim, uma ótima experiência provar um vinho brasileiro de baixo preço e em condições tão boas após esse tempo em garrafa. 

Saúde a todos!