18 setembro 2014

Mais uma boa opção de espumante brasileiro: Salton Intenso Brut "Edição Especial"


Em junho tivemos mais uma edição do Winebar, mas eu estava em débito com esse post, embora tenha degustado o espumante na época certa. Independente do atraso, acredito que possa colaborar com minha opinião a respeito do produto. 

Esse espumante da Vinícola Salton, gigante do vinho brasileiro, é elaborado pelo método Charmat, com a segunda fermentação acontecendo em cubas de inox (autoclaves) e esse processo leva 18 meses, no caso desse produto. 

As variedades utilizadas para o vinho base são as tradicionais Chardonnay (67%), Pinot Noir (24%) e uma pitada de Riesling (9%). Pela composição espera-se um espumante mais leve e refrescante, com a presença das duas variedades brancas, sendo comum que essa última (Riesling) entre no corte para dar ainda mais frescor por conta de sua acidez. 

Enfim, o espumante tem coloração amarelo palha, com bolhas finas, formando um colar de espuma bem persistente. Nos aromas é delicado, com notas cítricas, frutos brancos e discreta lembrança da fermentação (tostado e pão). Em boca tem boa cremosidade, bom frescor e vocação para servir como aperitivo ou para acompanhar pratos como bolinho de bacalhau, frutos do mar, peixes assados etc. Final de boa persistência, equilibrado e agradável. 

O espumante, como esperado, tem delicadeza, frescor, cremosidade e certa complexidade, que não é tão grande apesar dos 18 meses de elaboração. Assim, não fica "pesado" e mostrou-se bem equilibrado.


Detalhes da compra:

Recebi essa garrafa para participar da degustação, mas na loja virtual da vinícola o espumante é vendido a R$40, uma boa compra!

Para ver os vídeos dessa edição do Winebar, clique aqui!

Saúde a todos!





15 setembro 2014

Elegante vinho branco da África do Sul: Klein Constantia KC Sauvignon Blanc 2012


No início desse mês de setembro os amigos do Le Vin au Blog (Rafaela e Cláudio) e Vivendo Vinhos (Val e Cristiano) nos visitaram por ocasião dos meu aniversário de 40 anos. Amigos que são, vieram para amenizar o baque de sair da casa dos 30 e, como sempre, trouxeram vinhos para nos divertirmos. 

O primeiro que abrimos foi esse Sauvignon Blanc da África do Sul, trazido pelo Cristiano. É elaborado pela Klein Constantia, uma tradicional vinícola do país, cuja história remonta a 1685. A região produtora é Stellenbosch (veja no mapa abaixo). 

Na verdade o vinho leva uma pitada de Semillon (13%), o que o deixa mais parecido com um francês de Bordeaux do que um potente Sauvignon Blanc varietal do Novo Mundo. Ao que parece uma proposta de mais elegância. 


Na taça tem cor palha. Nos aromas apresenta elegância, lembrança vegetal, aspargos, folha de tomate, mas também frutos tropicais, especialmente maracujá doce. Em boca é untuoso, tem bom corpo, notas de frutos brancos mais presentes. Palato marcado por mineralidade e notas vegetais. Acidez mediana e final de média persistência. 

Vinho mais elegante que potente. Por ter passado em contato com as borras durante a fermentação, pelo período de dois meses, ganhou boa complexidade. Tem 14% de álcool.  

Segundo a vinícola o vinho poderá melhorar com a guarda por até três anos (2015). E eles tem razão nessa expectativa, pois está com dois anos e ainda deve evoluir. 


Detalhes da compra:

Esse vinho foi trazido pelo amigo Cristiano (obrigado, amigo!), mas é importado pela Grand Cru, que o vende em seu site por R$57 (veja aqui).

Saúde a todos!



12 setembro 2014

Mais uma ótima opção de tinto brasileiro (e barato): Larentis Tannat Reserva Especial 2012

Ótimo preço, alta qualidade e produção limitada: atributos interessantes, não?

Sempre que vou ao Vale dos Vinhedos faço uma visita à Larentis, vinícola familiar na essência da palavra. Numa dessas viagens ganhei do André (enólogo da vinícola) uma garrafa desse Tannat, ainda sem rótulo.

Mas, me esqueci que vivo no "país do terrorismo aéreo" e não despachei a bombástica garrafa. Resultado: o agente da Infraero queria confiscar o produto (ou me fazer perder a paciência até deixar o vinho pra ele). Mas, não senhor! Sou um terrorista marrento! Saí da área de raio-X e doei o vinho a uma simpática vigilante do aeroporto de Porto Alegre. Ela deve ter ficado feliz. 

Mas, em abril, estivemos no Vale para participar da Wine Run, corrida rústica pelos vinhedos, visitei mais uma vez a vinícola e comprei uma das 2.600 garrafas produzidas para esse vinho, a de número 1.534. Gostei bastante do resultado, pois é um vinho com boa complexidade especialmente porque fermenta em barricas de carvalho e nelas permanece por mais 5 meses. Depois de engarrafado ainda descansa por 6 meses nas caves. 

Na taça tem coloração rubi, ainda jovem. Ótimos aromas, lembrança de frutos vermelhos muito bem integrados com os aromas da passagem por barrica. Boa complexidade. 

Na boca é ainda melhor. Frutado harmônico, taninos finos e acidez lá em cima. Talvez encontre maior equilíbrio ainda com a guarda e ganhe complexidade. Um vinho já gastronômico, que pede comida. Tem 13,4% de álcool, sem desequilíbrio. 

Final persistente, com muita fruta e notas lembrando café. Boca com lembrança discreta dos taninos, mas salivando por conta da acidez. Acredito que um tempo no decanter lhe fará bem, porque bebemos metade da garrafa à noite e a outra metade no almoço do dia seguinte. Estava melhor!

Um vinho para ser guardado por mais 4-5 anos, sem problemas.


Detalhes da compra:

O vinho é vendido no varejo da vinícola por R$37 e assim também está anunciado no site (veja aqui). Uma ótima compra!

Saúde a todos! 




09 setembro 2014

Um francês de bom preço, elegante e prazeroso: Terrasses du Pesquié Ventoux AOC 2012

As uvas vêm de vinhedos antigos e o vinho passa um ano por barricas de carvalho velho (2 a 4 anos).  

A região da Côtes du Rhône tem inúmeras sub-regiões e uma delas é Côtes du Ventoux, de onde vem esse vinho elaborado pelo Château Pesquié, fundado no início dos anos 1970 quando o casal Odette e René Bastide iniciou os trabalhos na propriedade antes mesmo da criação da AOC Ventoux, o que aconteceu somente em 1973.

A região tem cerca de 7.500 hectares de vinhedos, onde predomina a elaboração de vinhos tintos (76%), especialmente a partir das variedades Grenache, Syrah, Cinsault, Mourvèdre e Carignan. O restante da produção é dividida entre rosés (20%) e brancos (4%).

Esse vinho é um corte de Grenache (70%) e Syrah (30%), com passagem de parte do líquido (35%) por barricas de carvalho pelo período de um ano.     

O resultado é um vinho fácil de beber, gastronômico, com estilo e intensidade para agradar mesmo os fãs de vinhos do Novo Mundo. Os aromas são de frutos delicados, como morango e cereja. Na boca tem taninos doces e delicados, acompanhados por ótima acidez. Corpo médio, que parece ser ainda mais robusto por conta das notas adocicadas. Equilibrado, de final longo e prazeroso. 

Um vinho que, segundo as informações no site do vendedor, recebe constantemente altas pontuações da crítica especializada.


Detalhes da compra:

Comprei o vinho pagando R$60 no site do Sonoma, que achei muito justo pelo resultado na taça e por ser um vinho com tão altas pontuações da crítica especializada. Repetiria a compra, sem dúvida. 

Saúde a todos!



04 setembro 2014

Gostei bastante desse Pinot dos Estados Unidos: Gallo Santa Lucia Highlands Pinot Noir 2012


Há algum tempo experimentei um Pinot Noir dessa vinícola norte-americana e gostei bastante. Mas, a ocasião não era propícia para tirar fotos ou fazer anotações. Então, quando comprei uma garrafa recentemente pude experimentar o vinho com calma e o resultado realmente era tão bom quando naquela outra ocasião. 

É elaborado na Califórnia pela famosa E. & J. Gallo Winery, considerada um dos ícones na história vitivinícola dos Estados Unidos, responsável por recriar o mercado após o fim da Lei Seca, na década de 1920.  É considerada atualmente a maior vinícola familiar do mundo e o maior exportador de vinho da Califórnia.

A enóloga é Gina Gallo (foto abaixo), que desenvolveu muita experiência (e paixão) no trabalho direto com a Pinot Noir. Seu grande desafio é a elaboração de um vinho com essa uva em clima frio, especialmente em Monterey County. As uvas trabalhadas por Gina estão em terrenos na Serra de Santa Lúcia (Olson Ranch), que guardam semelhança com o terroir da Borgonha. 

Foto: http://www.thedrinksbusiness.com/2013/09/qa-gina-gallo-of-ej-gallo/

O vinho tem passagem por madeira. Posso dizer que é um vinho amadeirado, mas não se sobrepõe à fruta, deixando que a complexidade que se espera de um vinho com boa passagem por carvalho seja um ganho para o vinho, não uma característica que esconda as outras sensações. 

A coloração é rubi, um pouco mais escuro que os Pinot franceses, por exemplo. Os aromas tem boa intensidade e complexidade, lembrando os frutos delicados, cereja, amora e notas tostadas. Em boca é macio, taninos finos, boa acidez, repetindo fruta e madeira. Final longo, tostado, frutado e muito agradável. Daqueles que quando se vê a garrafa acabou.  

O álcool a 14,8% não incomoda em nenhum momento. É um Pinot Noir com características de Novo Mundo. Então, se você é daqueles que só bebe Borgonha, talvez não fique feliz.  


Detalhes da compra

O vinho é vendido a US$35 na loja virtual da vinícola, para o mercado americano, lógico. Mas aqui no Brasil o preço não é tão superior quando se poderia imaginar de início. Paguei R$100 pelo site da Wine

Saúde a todos!