01 setembro 2014

Sete irmãos, sete uvas e muita elegância: Salton Septimun 2009


Tive a satisfação de provar muitos vinhos da Vinícola Salton recentemente, em razão das degustações para o Wine Bar, evento virtual que reúne formadores de opinião em torno de um vinho ou de vários deles, sempre com a presença de um representante da vinícola ou importador, quando é o caso. 

Esse tinto é um corte de sete variedades, em homenagem aos sete irmãos que iniciaram a história da vinícola. Todas as uvas são cultivadas na Campanha Gaúcha, região de fronteira com o Uruguai. São elas: Tannat, Ancelota, Merlot, Cabernet Franc, Teroldego, Cabernet Sauvignon e Marselan. 

No contra-rótulo há uma interessante explicação da vinícola sobre o papel de cada uma das uvas no conjunto criado pelo enólogo Lucindo Copat. Por exemplo, a Tannat contribui com "elegância rústica pela presença de sólidos taninos, aportando potencial de guarda". Já o Marselan "oferece uma refinada estrutura ácida, e também um equilibrado potencial polifenólico". 

Entendo que isso seja importante para o consumidor compreender que os percentuais são diferentes num vinho de alta qualidade e a cada safra podem variar, principalmente em regiões em que o clima interfere muito no resultado da safra.

Esse vinho fica um ano amadurecendo em barricas de carvalho francês e mais um ano repousando nas caves da vinícola para ganhar complexidade. Tem 13% de álcool e foram produzidas 7.547 garrafas. Abri a de nº 0961.

Na taça tem coloração púrpura, brilhante e límpido.

Boa intensidade aromática, com notas de frutos vermelhos, especiarias, balsâmico e leve baunilha. Em boca a complexidade é maior, com a presença de tostado e café provenientes da passagem por madeira. Taninos macios e grande acidez. Tem bom corpo, elegante e aveludado, de final longo, com palato marcado por discreta presença de especiarias, com maior destaque para frutos vermelhos e uma gostosa lembrança de bala de café.

Me pareceu já pronto para beber agora, porque os taninos, embora presentes, estão bem macios. Mas, se quiser que a complexidade aumente é possível guardá-lo por mais 1-2 anos, sem preocupações.

Vinho gastronômico, porque tem uma acidez que pede comida. Como sugestões de harmonização a vinícola indica queijos de pasta dura, massas recheadas, como raviólis e tortelones, com molhos condimentados, carnes de gado e caça assadas na brasa.


Detalhes da compra:

Esse vinho pertence à Linha Exclusividade da vinícola, que o vende em sua loja virtual por R$100. Mas, essa garrafa me foi enviada pela vinícola para participação em mais uma edição do Wine Bar (veja aqui como foi).

Saúde a todos!



29 agosto 2014

Leve, fresco e divertido (além de um bom preço): Morgado de Silgueiros Dão Branco 2013


No calor aqui do cerrado esse vinho foi uma grande pedida. Leve, sem passagem por madeira, trouxe o frescor que os quase 30ºC de temperatura pediam. E era noite!

É elaborado na região demarcada do Dão, instituída em 1908, e situada no centro de Portugal. O produtor, a Adega Cooperativa de Silgueiros, que tem seus vinhos focados em oito variedades: as tintas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Jaen, Alfrocheiro e Tinta Pinheira; e as brancas Encruzado, Malvazia Fina e Borrado das Moscas (Bical). 

Esse vinho é um corte de iguais parcelas de Encruzado e Malvazia Fina, sem passagem por madeira. Tem 13,5% de álcool. 

Na taça tem coloração amarelo palha. Os aromas são discretos, lembrando flores, frutos brancos e presença de algumas notas minerais. Em boca o vinho ganha intensidade, com notas florais bem evidentes, traços minerais, frutos brancos delicados e grande acidez. Final de média persistência, muito fresco, dando vontade de mais um gole. Ideal para bebericar descontraidamente, mas poderá ser um belo par para saladas, carnes brancas, peixes e queijos brancos.

O fato de ser um vinho sem passagem por madeira o deixa mais delicado e elegante, que a maioria dos brancos que bebemos no dia-a-dia. As variedades utilizadas têm suas características bem nítidas nesse vinho bem franco. Os 13,5% de álcool não aparecem.   


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela La Pastina, que sugere o preço de R$36 para venda ao consumidor. Uma boa compra, sem dúvida. A garrafa que abrimos em casa foi gentilmente enviada pela assessoria de imprensa da importadora.

Saúde a todos!



21 agosto 2014

Pancadão californiano! Mas isso depende do gosto pessoal: Frei Brothers Chardonnay 2012


Dia desses bateu vontade de beber vinhos da Califórnia. Então, comprei um Pinot Noir e esse Chardonnay da mesma vinícola, a Frei Brothers, fundada em 1890 e produtora de vinhos no Condado de Sonoma, mais especificamente no Russian River Valley. 

Abrimos o Pinot numa semana em que todos estavam saindo de uma gripe aqui em casa. Achei o vinho alcoólico e amadeirado em demasia, embora trouxesse lá no fundo as boas características da uva. Então, pra não ser injusto com o vinho resolvi não fazer um post sobre ele, pois as sensações poderiam estar alteradas naqueles dias. 

Na última sexta-feira resolvemos abrir o Chardonnay e eis que as sensações de álcool sobrando um pouco, se repetiram. Mas, não são sensações de desequilíbrio, mas de um estilo muito comum em vinhos da Califórnia, parrudos, potentes e alcoólicos. 

Como disse na foto postada no Instagram do blog e que é a mesma utilizada acima, é um "pancadão californiano", mas pode ser que você goste dele se for o estilo de sua preferência.

Segundo apurei o vinho não passa por madeira. Se for isso mesmo os aromas e sabores que lembram as barricas de carvalho devem vir da fermentação malolática e talvez de um período sobre as borras da fermentação (sur lie). Tem 13,9% de álcool

Na taça a cor é amarelo dourado. Aromas muito intensos lembrando frutos tropicais maduros, abacaxi em calda, maçã, baunilha. Já adocicado no nariz e repetindo-se em boca, com boa untuosidade, sensações amanteigadas, notas bem adocicadas, com álcool aparecendo e dando potência, muita fruta madura. Acidez moderada. Final longo, aparecendo notas tostadas e baunilha. No palato muita fruta e discreto mineral. 

Um vinho que tem pouca sutileza, é mais potência. Como disse, não é um estilo que eu busco. Mas, se você gosta, vale experimentar. 


Detalhes da compra:

Comprei esse vinho pelo site da Wine (veja aqui) pagando R$ 70. 

Saúde a todos! 




18 agosto 2014

Esse não foi feito para andar sozinho: Gran Lovara 2008


Conheço esse vinho há alguns anos, desde nossas primeiras viagens à Serra Gaúcha. Pertence à linha "Super Premium" da vinícola Lovara, fundada em 1967 pela família Benedetti, originária de Lovara, província de Vicenza. Em sua elaboração conta com uma antiga parceria com a gigante Miolo.   

O vinho é um corte de três variedades: Merlot (60%), Cabernet Sauvignon (25%) e Tannat (15%), com passagem de 12 meses por barricas francesas e americanas. Tem 14% de álcool. 

Na taça a cor é rubi. Aromas lembrando frutos negros, especiarias, frutos secos, couro e algo defumado. Na boca me pareceu menos encorpado que em outras safras. Taninos finos e grande acidez. Madeira aparecendo, mas bem integrada à fruta. A complexidade do olfato se repete em boca. 

Final de média persistência. No palato, madeira, especiarias, frutos negros e café. Vinho seco, sem notas adocicadas, gastronômico e parece num bom momento para degustação. Em minha opinião, não é vinho para ser bebido sozinho: ele precisa de um bom prato para mostrar o seu melhor!


Detalhes da compra:

Esse vinho me foi enviado pela assessoria de comunicação da Importadora Cantu, responsável por sua distribuição em todo o país. O preço de venda, segundo a importadora, é de R$ 75.

Saúde a todos!




08 agosto 2014

Um ótimo vinho de guarda argentino: Afincado Malbec 2006

Um malbec que se comportou muito bem durante esses anos em garrafa. 

Guardei esse vinho por uns três anos. Devidamente climatizado, esperava uma ocasião especial para ser aberto. Então, em junho tive uma boa oportunidade para abri-lo quando o amigo Cristiano Orlandi (Vivendo Vinhos) e a Valdirene, sua esposa, vieram por essas bandas.   

Esse argentino é um vinho de guarda e pertence a uma linha com vinhos muitíssimo seguros, elaborados pela Terrazas de Los Andes. As uvas são de uma safra excelente em Mendoza e teve passagem por barricas de carvalho, mas não encontrei informações a respeito. 

Na taça coloração rubi, lacrimoso. Aromas em boa intensidade, frutos negros, chocolate, ervas aromáticas. Na boca tem bom corpo, bem harmônico, com taninos finos e acidez mediana. Bom volume, equilíbrio e elegância, com final bem longo e prazeroso. Palato marcado pela boa fruta e por tostado da madeira.  

Acompanhou bem as carnes do churrasco. Envelheceu muito bem e mesmo com 8 anos ainda tinha muito a oferecer. Pena que só tínhamos uma garrafa para aproveitar, porque deu vontade de abrir outra.

Enfim, mais uma prova da importância de se ter boas amizades, porque através delas sempre temos motivos para abrirmos a adega!


Detalhes da compra:

Sinceramente, não me lembro quanto paguei por essa garrafa há três anos, mas certamente foi algo superior a R$200. 

Saúde a todos!