17 dezembro 2014

Barato e muito interessante esse Viu Manent Chardonnay Reserva Estate Colletion 2013


Estava procurando um vinho branco pra comprar, mas não queria um Chardonnay. Pensava em Gewürztraminer ou Viognier, mas ao ver esse vinho da ótima Viu Manent, pelo preço que estava sendo vendido, não tive dúvida em comprar. Visitamos a vinícola em 2011 e gostamos de tudo por lá, dos vinhos, do restaurante, da recepção aos turistas. 

Então, beber novamente um vinho deles é uma maneira de recordar um pouco a visita à bodega cuja história começa em 1935, quando o imigrante catalão Miguel Viu Garcia e seus filhos fundam a empresa em Santiago, dedicando-se ao comércio e engarrafamento de vinhos para o mercado local. Em 1966 adquirem uma propriedade no Vale de Colchagua que possuía 150 hectares de vinhedos com plantas pré Philoxera, a praga que dizimou vinhedos pelo mundo todo.

A vinícola possui várias certificações nacionais e internacionais conquistadas em virtude de suas práticas de sustentabilidade (veja aqui). Mas, vamos ao vinho:


Na taça tem coloração amarelo palha, bem claro. Intensos aromas, com destaque cítrico e vegetal no início, quando estava a uma temperatura mais baixa. Com a temperatura subindo um pouco aparecem frutos brancos, maracujá, goiaba branca, melão.

Ótima complexidade, principalmente porque não passa por madeira. No início parecia que o vinho leva uma pitada de Sauvignon Blanc, mas depois descobri que tem 4% de Viognier.    

Na boca tem corpo mediano, untuoso, bem mineral, repetindo também a boa fruta e as notas vegetais. Final de média persistência, com palato mineral, frutado e muito fresco. Arrisco a dizer que é bem diferente da maioria dos Chadonnay chilenos nessa faixa de preços e proporcionou uma experiência bem interessante ao degustá-lo em temperaturas diferentes.

Ótima compra!


Detalhes da compra

Comprei esse vinho no site da Wine. O preço normal é R$46, mas para associados saiu por R$35,20. A expectativa de guarda, segundo o site, é de quatro anos, mas está num excelente momento e eu não aguardaria mais tempo para bebê-lo.

Saúde a todos!



15 dezembro 2014

Excelente compra por menos de $40: Don Pascual Reserve Pinot Noir 2013


Fico bem feliz quando a compra de um vinho barato é tão surpreendente como esta. Sei que atualmente é difícil você comprar um vinho ruim, no sentido de "mal feito", porque na maioria das compras que consideramos negativas o problema é que o vinho não agrada nosso gosto pessoal. Até já escrevi sobre isso aqui (relembre). 

Mas, esse Pinot Noir do vizinho Uruguai além de bem feito e com predicados interessantes caiu muito bem no que consideramos aqui em casa um Pinot prazeroso - não necessariamente complexo e enigmático como alguns sempre esperam de um vinho com essa uva - que nos deixou com um sorriso fácil no rosto. 

Esse vinho é elaborado pela bodega Establecimiento Juanicó, na região de Canelones. A vinícola é comandada pela Família Deicas, que adquiriu a propriedade em 1979. Consta que foram os primeiros a elaborarem um grande vinho de guarda, chamado Preludio, elaborado em 1992 com cinco variedades e com passagem de dois anos por barricas francesas. Em 1994 foi responsável por exportar o primeiro container completo de vinhos uruguaios, com destino a Londres. Outros feitos você pode conferir no site da vinícola (clique aqui).

A vinícola está distantes cerca de 45 km da capital, Montevidéu. Fonte: Google Maps.

Na taça coloração grená, translúcido. Aromas de média intensidade, mas de qualidade. Frutos silvestres delicados, tostado elegante, tudo delicado e harmônico. Em boca tem corpo médio, um tanto mais encorpado para um Pinot, mas a boa fruta silvestre, notas mentoladas, algo terroso e o tostado da madeira formam um bom conjunto. Taninos aveludados e acidez mediana. Final longo, com fruta e madeira bem integrados. Surpreendente pela elegância e delicadeza, sem exageros. 

Talvez porque apenas 35% do vinho passaram por madeira ele fica longe dos Pinot amadeirados ao extremo que encontramos por aí. Ótima compra, que infelizmente não poderei repetir porque acho que comprei a última garrafa no site!     


Detalhes da compra

O vinho é importado pela Interfood, mas essa garrafa foi comprada por R$ 32,30, na condição de associado ao Clube Wine.

Saúde a todos!



12 dezembro 2014

Cerveja do Mês :: Benedith Rota do Cerrado IPA



- Família: Ale

- Estilo: India Pale Ale

- Cervejaria: Benedith - Uberlândia (MG) - Brasil

- Teor alcoólico: 7,5%

- Preço: R$21. 

Escolhi a Rota do Cerrado para ser a primeira Cerveja do Mês aqui no blog por dois motivos muito simples: primeiro, é uma IPA que bebo com bastante frequência, já que moro a 500 metros da cervejaria; segundo, porque minhas impressões positivas sobre ela sempre são as mesmas de outros amigos que entendem muito de cerveja. Uma IPA de respeito, afinal de contas.

O único problema é que anda tão cobiçada que está ficando difícil encontrá-la por aqui. A procura é grande e a produção é bastante limitada, já que o cervejeiro e sua esposa ainda são os únicos que trabalham na empresa, dedicada à elaboração de 2.000 litros/mês.

Na taça a cor é cobre, com boa formação de espuma. Aromas muito intensos, com destaque para maracujá e caramelo. Na boca tem ótima cremosidade, aparecem as notas adocicadas provenientes do malte e do açúcar mascavo, com o amargor do lúpulo bem presente, mas sem ser inconveniente. Pessoalmente eu gosto bastante das cervejas lupuladas, mas no limite em que o ingrediente não deixe a bebida muito agressiva, interferindo no conjunto.

Aliás, essa cerveja mostrou grande harmonia para quem gosta do estilo. Final de boa persistência e refrescante, com amargor do lúpulo marcando presença, notas de maracujá se repetindo também. Cerveja pra ser bebida vagarosamente, apreciando cada detalhe e, de preferência, com um bom prato para acompanhar, talvez umas empanadas, um belo hambúrguer ou um arroz carreteiro.

Arrisco a dizer que em razão do teor alcoólico e por não ser extremamente lupulada, deixando o malte aparecer também, enquadra-se num sub-estilo de IPA, chamado English IPA, que conforme a literatura é o que mais se aproxima do original, criado no século XVIII quando os fabricantes ingleses acrescentavam grandes quantidades de lúpulo para que a cerveja chegasse à Índia em boas condições, suportando a longa viagem. Daí, o nome India Pale Ale.

Curiosidade: na garrafa existe um pequeno adesivo indicando que foi feito dry hopping do lúpulo Simcoe. De forma muito simplificada, essa técnica consiste no acréscimo de lúpulo ao final da fermentação ou da maturação para que a cerveja adquira mais aromas ligados a esse ingrediente, mas sem aumentar o amargor. O lúpulo em questão tem origem nos EUA e confere aromas cítricos e madeira (pinho).



Saúde a todos!

10 dezembro 2014

Ficando em dia com a Confraria: Lídio Carraro Dádivas Pinot Noir 2013 #CBE

Foram elaboradas 10.000 garrafas e abrimos a de nº 4.297.

Confraria Brasileira de Enoblogs foi fundada em fevereiro de 2007 e eu fiz parte de sua criação. Então, sou um dos confrades que mais tem obrigação de manter-se em dia com a CBE. Porém, não tenho conseguido publicar o vinho no dia 1º de cada mês desde junho, mas prometo atualizar as postagens até o final do ano.

E esse vinho deveria ter sido publicado no dia 1º de agosto. O tema foi escolhido pelo confrade Evandro Vanti Gonçalves, do blog Vinhos que Provo, que determinou: "tinto nacional sem passagem por carvalho e sem limite de preço".  

Quando li o tema não pensei em outro produtor que não a Lídio Carraro, que tem se notabilizado por elaborar vinhos sem a utilização de barricas de carvalho. Confesso que já ouvi muitas estórias sobre esse fato nas minhas inúmeras visitas ao Vale dos Vinhedos: que as barricas ficam escondidas, que utilizam tábuas de carvalho dentro dos tanques de inox e por aí vai. Eu trabalho com a presunção de boa fé e com o fato de que se algo assim for descoberto a reputação da família, da enóloga, de seus vinhos simplesmente vai evaporar. Então, eu prefiro acreditar que a vinícola não usa madeira em seus vinhos. E ponto!

Na taça o vinho tem coloração vermelho cereja, com grande transparência, típica dos vinhos com essa uva. Aromas um tanto tímidos, seja em temperaturas mais altas ou mais baixas. Frutos silvestres. Em boca é bem melhor, corpo médio, álcool dando uma sensação de potência e mais corpo, notas levemente adocicadas. Frutos vermelhos se repetindo, mas em maior intensidade do que o nariz indicava.

Bom conjunto, com taninos com leve adstringência, boa acidez. Algumas notas vegetais, especiarias e frutos secos. Gostei do equilíbrio do vinho, salvo por uma pontinha de álcool que sempre apareceu, dando uma sensação de calor (14% de teor). Final de boa persistência, com palato vegetal e de especiarias sobressaindo sobre a fruta.

Vinho que pede comida, como queijos meia cura, risotos com carne, massas com molho vermelho (por conta de sua boa acidez), frango assado com polenta etc. Também dá impressão de que pode ganhar complexidade com mais um ou dois anos em garrafa.

Na garrafa existe sugestão de consumo entre 16 e 18 graus. Penso que mais frio ele se apresenta melhor na taça, com o álcool aparecendo em menor intensidade.

Por fim, preciso dizer algo que provavelmente me direcionará algumas "pedradas virtuais", mas desaconselho gastar R$80-100 num Borgonha genérico e sem personalidade. Se quiser experimentar algo interessante da França, espere desembolsar de R$150 pra cima (ou compre na fonte). Esse vinho brasileiro, de Encruzilhada do Sul, oferece mais que muitos franceses à disposição no mercado nacional a preços bem mais salgados.


Detalhe da compra:

Comprei esse vinho pela loja virtual da Wine, pagando R$41 (veja aqui).

* Esse foi o 96º vinho que comento para a CBE. 

Saúde a todos!



08 dezembro 2014

Lanternas francesas :: A outra França...

Vista de St. Emilion. Foto: Alessandra Pontes.

Abrindo o baile dos vinhos franceses, suas histórias e personagens, quero agradecer ao blog este agradável espaço e oportunidade de trocas.

A França dos paradoxos! Das grandes AOPs (Apelação de origem protegida - nova denominação que é o mesmo que AOC) como Bordeaux, Bourgogne, Champagne... às apelações mais intimistas comme Jura, Savoie até os originais Irouléguy e companhia.  Os vinhos franceses são, para muitos, uma instituição acima de classes... complicados (e caros) demais, misteriosos, só sendo realmente apreciados por iniciados. Já chega desse filme!

Certo, a notoriedade dos Grands Crus de Bordeaux e Bourgogne forjaram a ideia de néctar de luxo, eles foram e ainda representam uma locomotiva para o resto da viticultura hexagonal. Mas, com a diminuição do consumo de vinhos pelos franceses, a crescente demanda do mercado mundial e a alta em quantidade e qualidade dos vinhos do « novo mundo », essa locomotiva tem se tornado uma faca de dois gumes para os produtores de vinhos mais acessíveis.

O primeiro exemplo que podemos tomar é o da polêmica região de Bordeaux. A imagem dos Grands Crus de Bordeaux, cujos diversos châteaux e marcas se tornaram produtos que têm mais relação com uma escandalosa especulação mundial do que com sua própria qualidade – incontestável! -, se tornaram um grande bloqueio para algumas apelações que não estão no primeiro plano midiático, mas que produzem excelentes vinhos de boa fatura. 

Penso nas regiões de Blaye, Bourgs, os satélites de Saint Emilion, os próprios Médocs, Bordeaux e Bordeaux Supérieurs. A diversidade desses vinhos é muito interessante porque há uma leva de novos e antigos produtores apaixonados que estão lutando pra que a imagem dos Bordeaux seja libertada dessa imagem de vinho uniformizado que se dá hoje à região.

As histórias são muitas, « viticultores jardineiros », vinhos de garagem, vinhos simples e vinhos confidenciais... espalhados por toda a região. Por isso, proponho que façamos por partes: uma série de cinco artigos sobre essa Bordeaux acessível, que podemos degustar … sem frescura!

Saúde e à bientôt!