16 outubro 2014

Grande compra a R$48: Alves Vieira Tinto 2013

Foto: Marcel Gussoni (www.saborsonoro.com.br)


Depois de tantos anos escrevendo para o blog, tendo provado milhares de vinhos, confesso que são poucos os que me surpreendem positivamente já no primeiro gole. Bebo o vinho, encontro seus atributos, sei se gosto ou não dele, se vale o que custa, mas surpreender mesmo, causa impacto, são poucos. Então, nesse quesito esse português é uma exceção. 

Por ser um vinho "regional alentejano" eu esperava mais potência, mas a delicadeza me surpreendeu. Esperava aromas mais maduros, mas o frutado dele é bem fresco. No lugar da madeira, uma franqueza interessante, já que esse não passa por barricas.

É elaborado pela família Alves Vieira, em Vidigueira, no Alentejo. As uvas são as tradicionais Trincadeira, Touriga Nacional e Alicante Bouschet. Não passa por madeira e tem 13% de álcool.

A cor é rubi, com reflexos violáceos. Os aromas são intensos, muita fruta vermelha, principalmente frutos delicados como cerejas, notas florais (provavelmente pela presença da TN) e discreto chocolate. Na boca tem corpo médio, grande acidez e taninos macios. Os frutos delicados estão bem presentes e a acidez deixa o vinho bem refrescante. Equilíbrio entre todas as características. 

Final longo, prazeroso, dando vontade de mais um gole. Tem boa vocação gastronômica e em razão da acidez pode acompanhar pratos de massa com molho vermelho, por exemplo. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela La Pastina e tem o preço sugerido de R$48. Uma excelente compra, que me deu curiosidade de experimentar os outros dois vinhos da mesma vinícola: um branco de mesmo preço e sem passagem por madeira, elaborado com as uvas Antão Vaz, Fernão Pires e Roupeiro; e um tinto Reserva, vendido a R$75, com as castas Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Petit Verdot, com passagem de 6 meses por barricas francesas. 

Saúde a todos!


 

13 outubro 2014

Se tiver uma garrafa dessas, deixe guardada por enquanto: Dominio del Plata Essential Cabernet Sauvignon Tannat 2011


Esse é um vinho especial, não só por ser de uma edição limitadíssima (1 barrica apenas), mas por ter sido elaborado por uma das mais importantes enólogas do mundo, a Susana Balbo (leia-se Dominio del Plata) e pelo blogueiro Deco Rossi, que além de manter seu blog sobre vinhos (EnoDeco) é hoje o representante no Brasil da Wines of Argentina, responsável pela divulgação desses produtos mundo a fora. 

O vinho, para quem não sabe, foi o resultado de uma ação muito interessante realizada em 2011 pela Importadora Cantu e pela Susana Balbo. Funcionou assim: 25 blogueiros brasileiros foram escolhidos e cada um recebeu cinco garrafas (375 ml) com amostras diferentes de vinhos. Dois cabernet sauvignon e dois malbec de regiões diferentes e um tannat. Cada um fez seu vinho a partir de um corte de livre escolha e enviou a "fórmula" para a enóloga. O vencedor foi o vinho do Deco, um corte de 50/50 cabernet sauvignon e tannat que surpreendeu a todos. 

Abri minha única garrafa no começo de setembro, com os amigos do Le Vin au Blog e Vivendo Vinhos, com uma desconfiança muito grande de que estaríamos "matando o vinho" ainda muito jovem. Não deu outra. Mas, o amigo Deco já me prometeu outra garrafa, o que espero se concretize em breve!


Um fim de semana especial ao lado dos amigos merece vinhos especiais.

Na taça demonstrou juventude com sua coloração púrpura, bem brilhante. Aromas intensos, com madeira bem presente no primeiro momento, lembrança de côco e baunilha. Na boca os taninos ainda estão bem jovens, precisando de tempo na garrafa para ficarem mais macios. Acidez discreta e álcool dando potência, mas sem desequilíbrio. Final longo, repetindo a boa mescla entre fruta e madeira. 

Um vinho que evoluiu na taça, deixando os aromas amadeirados de lado para que o frutado aparecesse. Mas, ainda está muito jovem, com estrutura de taninos indicando que pode evoluir mais, ganhar mais equilíbrio. Provavelmente mais dois anos de guarda deixarão o vinho ainda melhor. Mas, se gosta de vinhos com esse estilo tânico e amadeirado talvez seja bom provar agora. 

Como terei outra garrafa em breve, deixarei para abri-la lá por 2016-2017, talvez. 


Detalhes da compra:

Esse vinho foi gentilmente enviado pela importadora Cantu a todos os blogueiros que participaram da ação. Creio que não esteja mais à venda, mas os demais vinhos dessa mesma linha (Essential) estão à venda na faixa dos R$ 60-65. 

Saúde a todos!



09 outubro 2014

O baratinho estava em melhor forma: Reserva da Serra Merlot Cabernet Sauvignon 2005


Quando os amigos do Vivendo Vinhos e do Le Vin au Blog estiveram por essas bandas - para comemorarmos os meus 40 anos - alguns vinhos vieram na mala. Esse foi trazido pelo Cristiano Orlandi e ficamos bem curiosos pra saber como um vinho barato da Lídio Carraro se sairia com quase nove anos de idade. 

Ele pertence a uma antiga linha da vinícola, chamada Reserva da Serra, que saiu do mercado. Acredito que se estivesse à venda hoje estaria na casa dos R$30. Um vinho barato, corte de uvas Merlot e Cabernet Sauvignon cultivadas no Vale dos Vinhedos, embora hoje os vinhos mais caros da vinícola venham da Serra do Sudeste. 

Não tomei notas para descrever o vinho, mas me lembro bem de sua coloração já apresentando alguma evolução, com as bordas levemente alaranjadas. Aromas de boa complexidade, com notas frutadas, chocolate e couro. Na boca apresentou boa acidez, deixando o vinho muito vivo. Os taninos já amaciaram, mas estão presentes. Final de boa persistência, mostrando que ainda tem boa capacidade para acompanhar comida.  


O mais interessante é que provamos na mesma ocasião o Quorum 2005, um dos tops da Lídio Carraro, mas o Reserva da Serra estava em melhor forma, com menos notas oxidadas e sem aquela lembrança de mel que deixa os vinhos mais antigos um tanto enjoativos.

No embate o baratinho levou a melhor. É claro que isso pode decorrer de uma série de fatores, como as condições de armazenamento dos dois vinhos, mas foi o que encontramos na taça. 

Enfim, uma ótima experiência provar um vinho brasileiro de baixo preço e em condições tão boas após esse tempo em garrafa. 

Saúde a todos!



06 outubro 2014

Um francês fácil de beber: Les Amis Bordeaux 2010


Recebi esse tinto de Bordeaux para uma degustação virtual do Winebar, que estava apresentando três vinhos franceses importados pela Expand, um deles - o espumante - já comentado aqui (relembre).

O vinho é elaborado pela Les Vin Bréban, fundada em 1952. No corte utiliza as duas principais uvas autorizadas para a região Merlot (60%) e Cabernet Sauvignon (40%), com passagem por madeira, mas não sei precisar o tempo. Tem 13% de álcool. 

Gostei do vinho. Sem complicações, muito correto e fácil de beber. Não é um super vinho de Bordeaux, mas também não é daqueles tânicos, secos em demasia e sem personalidade. Esse pode agradar bastante, mesmo os que estão iniciando no mundo dos vinhos finos. 

Na taça tem cor rubi, brilhante e translúcido. Aromas em boa intensidade, frutos vermelhos e notas amadeiradas. Tem corpo mediano, com taninos macios e acidez mediana. A boa fruta se repete. Um vinho de final mediano, agradável, repetindo todas as sensações anteriores.

O vinho está pronto para beber. É seco, mas as notas frutadas o deixam muito dócil. Tem bom equilíbrio, embora não seja de grande complexidade. Fácil de beber, como dito acima.  

Está pronto para beber agora. Não deve evoluir com a guarda. 


Detalhes da compra:

Recebi o vinho para degustação do Winebar, mas na loja da Expand é vendido a R$78. 

Saúde a todos!



03 outubro 2014

Divulgação :: Casa Valduga lança o espumante Arte Rosé


Foto: Divulgação

Há muitos anos os espumantes da linha Arte, da Casa Valduga, estão entre as melhores relações qualidade x preço do mercado. São elaborados pelo método tradicional (champenoise) e o período de fermentação na própria garrafa é de 12 meses. Isso resulta em espumantes muito bem feitos, com certa complexidade e a preço acessível.

Para ampliar a linha, que já conta com um brut (seco) e um dèmi-sec (meio-seco), a vinícola acaba de lançar o brut rosé, elaborado pelo mesmo método, com o vinho base levando o corte clássico de Chardonnay (60%) e Pinot Noir (40%), também com os 12 meses de fermentação. 

Já provei o espumante e gostei muito. Em breve publico aqui no blog um post sobre o resultado da degustação, mas posso adiantar que mantém o estilo da linha e, principalmente, o ótimo preço pela qualidade que entrega.  

Saúde a todos!