23 abril 2014

Conversa Branco Douro DOC 2012

O divertido rótulo do Conversa já foi desenhado pensando na Copa do Mundo.

Degustei esse vinho na última quinta-feira, como parte de um evento com vinhos da Niepoort, vinícola do Douro, tradicional por seus vinhos do Porto e também pelos vinhos "tranquilos" elaborados com as uvas da região. 

O primeiro (e meu preferido) foi esse branco, da linha chamada Fabulosos, elaborado com diversas uvas locais, dentre elas Rabigato, Codega do Larinho, Gouveio, Dona Branca, Viosinho e Bical. Apenas 25% do vinho passam por barricas de carvalho francês, sendo que o restante permanece em aço inox por 9 meses. As vinhas não são novas, pois tem entre 20 e 50 anos de idade.

Na taça o vinho tem cor amarelo palha. Seus aromas são intensos, com destaque para as notas da madeira e para frutos brancos maduros, como abacaxi em calda. Notas minerais também aparecem, provenientes do solo da região. Boa complexidade. 

Em boca tem corpo médio. É untuoso, maduro, com notas minerais e florais aparecendo também para acompanhar a boa fruta tropical. Um pouco de mel também. Boa acidez, deixando o vinho bom como aperitivo, servido a uma temperatura mais baixa, mas o achei melhor ainda para acompanhar comida, especialmente peixes e frutos do mar. 

Final longo, intenso, repetindo tudo. Tem 13,5% de álcool.

  
Detalhes da compra

Provei esse vinho numa degustação promovida pela representante da Mistral para a região de Uberlândia. Segundo informado por ela o vinho é vendido a R$73.

Saúde a todos!



22 abril 2014

Em vídeo: uma conversa sobre os vinhos da Niepoort


Na última quinta-feira (17/04) fui convidado pela gerente da loja Vinum Domo, aqui em Uberlândia, para participar de uma degustação promovida pela representação da Mistral na cidade.

Na ocasião o gerente de marcas da Niepoort, Gonçalo Guimarães, apresentaria três de seus vinhos, sendo dois da linha Conversa (tinto e branco) e um superior, o Vertente. Todos esses vinhos utilizam as uvas locais da região do Douro e serão comentados individualmente aqui no blog no decorrer da semana.


Aproveitei a ocasião para bater um papo com o Gonçalo sobre os vinhos e ouvir algumas dicas de harmonização, detalhes sobre a guarda dos vinhos e outras informações. Espero que gostem.

Saúde a todos!

17 abril 2014

Um vinho brasileiro de respeito, sem madeira: Angheben Touriga Nacional 2008

Ótimo exemplar de vinho brasileiro com a uva emblemática de Portugal.

Sempre gostei dos vinhos da Angheben e desde 2007 eles aparecem por aqui. Infelizmente, bebo com menos regularidade que gostaria, pois só faço compras quando vou ao Vale dos Vinhedos. O frete de seu distribuidor me desanima. 

Mas, no último dia 3 de abril estivemos em Bento Gonçalves para participarmos da Wine Run (relembre) e o primeiro almoço em terras gaúchas foi na cantina Canta Maria, um dos restaurantes obrigatórios da cidade. Acompanhou muito bem o almoço "típico italiano", com o galeto incrível, polentas e massas. 

Na taça o vinho tem cor rubi. É brilhante, com lágrimas finas. Aromas muito intensos desde o início, lembrança floral muito clara, principalmente lírio e violeta. Depois de um tempo em taça essas notas se dissiparam e a boa fruta também apareceu para se aliar ao floral.

Na boca tem corpo médio, taninos macios e ótima acidez. Final longo, chamando para mais um gole. É bem gastronômico e acompanhou muito bem o almoço.  Tem 13% de álcool, sem incomodar em nenhum momento.

Está ótimo agora aos 6 anos de idade, mas ainda tem estrada pela frente. Um ótimo exemplar brasileiro sem passagem por madeira. 

*** Do mesmo produtor bebemos o espumante brut, no almoço do dia 5 de abril. Gostamos muito também, mas não tomei notas nem tenho fotos, infelizmente. Mas, fica a dica.


Detalhes da compra:

Esse vinho está esgotado no site de seu distribuidor nacional, mas pode ser encontrado na faixa dos R$45-50 em lojas físicas e virtuais do Rio Grande do Sul. No restaurante pagamos R$58 e foi uma ótima escolha.  

Saúde a todos!



14 abril 2014

Qual a graça de provar um vinho antigo? Veja nossa opinião sobre o Casa Valduga Seculum Merlot 2000 #cbe


Algumas pessoas já me perguntaram: qual a graça de provar um vinho velho? Pergunta que esconde outras: por que abrir um vinho que pode estar estragado? Por que provar um vinho que perdeu suas principais qualidades?

A essas perguntas, sejam elas explícitas ou não, respondo: a graça está justamente em apreciar as transformações que o vinho sofreu durante o tempo em que está engarrafado.

Fico triste se o vinho estiver avinagrado, mas isso normalmente não é culpa do produtor, mas das condições de armazenamento que podem não ter sido as melhores.

Um vinho tinto com o passar do tempo vai perdendo cor, os taninos vão ficando mais macios, a acidez vai perdendo sua força e os aromas vão ganhando complexidade, porque a fruta vermelha perde espaço para aromas mais evoluídos.

Esse vinho de hoje foi aberto para a Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, cujo tema do mês foi sugerido pelo confrade Luiz Cola, editor do ótimo Vinhos e Mais Vinhos. Ele propôs: vinhos evoluídos, com pelo menos 10 anos de idade.

Tínhamos na adega esse Merlot da Casa Valduga que guardamos há alguns anos e um Cabernet Franc da mesma safra. Optamos por abrir esse para acompanhar uma torta de gorgonzola com brócolis e alho poró, além de um frango assado. Harmonização que ficou muito boa por sinal.

Mas, vamos ao vinho.

Ele pertence à antiga linha Seculum, que hoje equivaleria (penso eu) à linha Premium, vendido na faixa dos R$40-45. Na taça a cor era rubi no centro, mas as bordas alaranjadas. Minha filha de 7 anos foi a primeira a dizer: "a cor é diferente".


Servi o vinho diretamente na taça, mas o álcool estava bem presente (12,5% de teor). Então, deixei o vinho aerar por uns 15 minutos no decanter. Melhorou bastante. Aromas de boa intensidade, frutos vermelhos, chocolate e menta em alguns momentos.

Na boca tem corpo médio, com taninos finos ainda presentes e acidez bem marcante. Gastronômico e bem vivo. Final mediano, marcado pela fruta vermelha, tabaco e chocolate. A estrutura do vinho ainda é marcante, com gengivas marcadas pelos taninos e acidez salivando a boca.

Um show de vinho brasileiro, prazeroso ainda, sem defeitos e sem desequilíbrios.

Não sei se você consegue perceber "a graça" de provar um vinho desses pelo texto, então aconselho que não perca a chance de fazer isso um dia, porque é uma experiência diferente e sempre aprendemos algo com ela. 

* Esse é o 92º vinho que comento para a CBE, a primeira e única confraria virtual do Brasil.

Saúde a todos! 


11 abril 2014

Corremos a Wine Run, em Bento Gonçalves. Veja como foi!



Um dos vários trechos da corrida em que os vinhedos compunham o cenário. Foto: Divulgação.

No último sábado (5/4) foi realizada a 3ª edição da WineRun, em Bento Gonçalves (RS). A corrida é considerada uma “prova de montanha”, porque os corredores passam por vários terrenos diferentes no percurso desenhado em pleno Vale dos Vinhedos.

Todo na zona rural, o trajeto de 21 km mescla piso de terra, asfalto e paralelepípedo com muitas (muitas mesmo) subidas e descidas. Os inscritos poderiam correr a prova individualmente, em duplas ou em trios. Segundo a organização foram mais de 1.400 inscritos, superando os números do ano passado. 

Érika e eu fizemos nossa inscrição na modalidade duplas mistas, com grande antecedência para aproveitar preços melhores de voos e hotel. Também se inscreveram nossos amigos do Le Vin au Blog, Cláudio e Rafaela.

A prova foi muito bem organizada pela Revista Adega, com patrocínio da Caixa e apoio de várias vinícolas, como Aurora, Rio Sol, Miolo, Perini, Pizatto e Casa Valduga, além do Ibravin. 

Os corredores à espera da largada. Foto: Divulgação.

Na sexta-feira retiramos o kit da prova no CTG bem perto do Dall’Onder Grande Hotel, onde ficamos hospedados. Tudo muito rápido e sem grandes filas. No kit, além da camiseta da corrida e número de peito os corredores receberam um exemplar da revista Adega, bolachas, isotônico e uma garrafa de vinho de uma das vinícolas patrocinadoras.  

A organização montou uma pequena feira com os produtos da Salomon a preços mais baixos do que encontramos normalmente no mercado, com descontos de aproximadamente 20%. Havia muitos modelos de tênis, mochilas de hidratação, meias e outros acessórios.

No dia da corrida montaram um esquema de traslado dos participantes que funcionou muito bem. Às 7:30 h os ônibus levaram os corredores ao ponto de largada; às 8 h outra leva de corredores, dessa vez para o primeiro posto de revezamento e, por fim, às 8:30 h os ônibus partiram para o segundo posto de revezamento. Às 9 h ainda havia transporte para quem quisesse apenas assistir à chegada dos corredores.  

Tudo sem nenhum atropelo, diga-se de passagem.

O primeiro ponto de revezamento, ao final dos 9,9 primeiros quilômetros. Foto: Divulgação.

Na largada e postos de revezamento havia bastante água disponível e banheiros. O pessoal do Exército deu apoio nesses pontos, ajudou na sinalização de todo o percurso e na distribuição de água pelos vários pontos de hidratação. 

O primeiro trecho (9,9 km) foi marcado por uma subida logo no começo, não muito íngreme em sua grande parte, mas bem longa, com cerca de 4 km. Depois disso o percurso ficou mais suave. O segundo trecho (11,1 km) não tinha subidas tão longas, mas de grande inclinação, com descidas também complicadas. Foi impossível não caminhar em alguns momentos.

Quem conhece o Vale dos Vinhedos sabe que as estradas planas são uma raridade. Só pra ter uma ideia o trecho final da corrida (1,4 km) saía do ponto mais baixo de todo o trajeto, perto da Tecnovin, e subia em paralelepípedo passando pela Barcarola, Casa Madeira e um pouco antes da Larentis, onde hoje está a loja de chocolates Vivatto, chegávamos ao 21º quilômetro.

As panturrilhas reclamam até hoje!

Arena de chegada, na Linha Leopoldina. Foto: Divulgação.

Na arena de chegada a organização também foi impecável. Havia muita água, suco de uva, frutas, espumante (claro), um buffet de massas, cookies e outras guloseimas para reposição de energia.

A retirada das medalhas pelos concluintes foi muito tranquila, aliás, uma linda medalha. Impressionou a limpeza do lugar, porque mesmo com poucas lixeiras disponíveis os corredores faziam questão de não jogar nada no chão.

Para retornar ao centro da cidade não houve nenhum problema, porque havia ônibus para todos os corredores e também para os convidados que estavam em bom número prestigiando a festa.

O atleta do Cruzeiro, Reginaldo José da Silva, foi o primeiro a completar os 21 km. Foto: Divulgação.

À noite fomos para um jantar no restaurante Maria Valduga, um dos melhores da região. O convite pôde ser adquirido pela internet (R$59) no mesmo site que fazia as inscrições da prova. Uma facilidade e tanto.

Enfim, uma ótima experiência participar de uma prova tão organizada, com trajeto numa linda região vinícola e rever amigos especiais.

Em 2015 estaremos de volta!

Saúde a todos!


A linda medalha que os concluintes receberam ao final.