24 abril 2016

Com a Tannat também se faz vinho de sobremesa: Alcyone Reserve 2007

Foto: Instagram @vinhoparatodos

Quando estivemos no Uruguai, em 2013, não visitamos tantas vinícolas quanto gostaríamos, mas uma de nossas visitas foi bem especial, pois fomos muito bem recebidos na Viñedo de Los Vientos, numa tarde gelada, pelos simpáticos proprietários da bodega.

Um dos vinhos que compramos foi esse de sobremesa, que ficou guardado na adega por todos esses anos, esperando uma boa ocasião para ser aberto. 

É um 100% Tannat que passou 12 meses por barricas de carvalho francês e tem 17% de teor alcoólico. 

Na taça tem coloração rubi, bem profundo. Bastante aromático e complexo, com notas de chocolate, tabaco, café, caramelo e frutos negros bem maduros. Na boca é macio, aveludado, untuoso. A sensação mais marcante é o alto dulçor, mas com boa acidez que deixa o vinho mais harmônico. Boa complexidade em boca, repetindo as sensações olfativas. Final longo, prazeroso, com álcool sem incomodar. 

Em razão do dulçor bem intenso do vinho, parece que as sobremesas menos doces serão mais indicadas nas harmonizações. Fiz alguns testes com chocolates e o que se saiu melhor foi o amargo, porque o contraste foi mais interessante. Um meio-amargo ou um chocolate ao leite deixam tudo bem doce e menos interessante. Também acredito que as tortas com frutos secos, castanhas e amêndoas cairão bem.  


Detalhes da compra:

Essa garrafa eu comprei na própria vinícola, mas a Wine importa o outro vinho de sobremesa da vinícola, pelo que posso concluir que esse aqui seria vendido no Brasil a um preço superior, talvez abaixo dos R$ 100. 

Saúde a todos!



17 abril 2016

É sempre bom reencontrar a elegância dos brancos franceses: Clos Bellane Côtes-du-Rhône Villages Valreás Blanc 2011

Foto: Instagram do @vinhoparatodos

O amigo Cristiano Orlandi, do blog Vivendo Vinhos, e sua esposa Valdirene são anfitriões fantásticos, sempre recebendo os amigos com muito carinho, boas risadas, boa comida e sempre alguns vinhos secretos brotam daquela adega. Dizem por aí que são mais de 400 vinhos escondidos, esperando boas companhias para desarrolhá-los. 

Esse o Cristiano abriu no fim de fevereiro quando estive em Jundiaí para uma rápida visita. É elaborado no Rhône pela Clos Bellane, vinícola fundada em 1999 com 44 hectares de vinhedos onde são cultivadas principalmente as tintas Grenache e Syrah e as brancas utilizadas nesse vinho,  um corte de Roussanne (65%), Marsanne (30%) e Viognier (5%).

Esse é um vinho considerado orgânico para a legislação francesa e não tem passagem por madeira.

É daqueles vinhos franceses de bom corpo e elegantes. De coloração amarelo palha, já com 5 anos de idade, tem aromas em boa intensidade, destaque para frutos brancos maduros, frutos tropicais e uma nota de evolução lembrando mel. Em boca tem boa estrutura, é untuoso, tem boa acidez, bem refrescante, com muita fruta branca se repetindo. Final de boa persistência, repetindo no palato o frutado e as notas de mel. 

Elegante! E considero que os 750 ml de uma só garrafa foram pouco para a nossa "sede".     


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Premium Wines, de Belo Horizonte, e pode ser encontrado no mercado na faixa dos R$ 110-120,00.

Saúde a todos!



10 abril 2016

Se acha que os malbec são todos iguais, precisa provar esse! Mar Malbec 2011


Há alguns anos a frase "malbec é tudo igual" parece ter incomodado muito os produtores argentinos, tanto que começaram a explorar outras uvas de forma mais intensa, como a cabernet franc e a petit verdot. Mas, o principal efeito dessa frase é o número cada vez maior de vinhos com a mesma uva, às vezes cultivadas em regiões muito próximas, que apresentam na taça um resultado bem distinto. 

Já tive oportunidade de falar sobre isso aqui em abril de 2013 quando a Wines of Argentina realizou ações junto aos blogues por ocasião do Dia Mundial do Malbec. Foi uma grande experiência. 

O vinho de hoje está aqui justamente por isso, por ser diferente (e muito) da maioria dos malbec que encontramos no mercado. 

É elaborado pela Bodega Océano, localizada no Vale de Viedma, na província de Rio Negro, na região da Patagônia argentina. Foi fundada em 1998 por dois irmãos com o objetivo de elaborar vinhos com a cara da região, que sofre muita influência do Oceano Atlântico. Seus produtos são considerados os “primeiros vinhos marítimos da Argentina. Foi eleita em 2013 como a vinícola revelação da Argentina pelo famoso Guia Descorchados e elabora apenas 30.000 garrafas por ano.

Esse é um malbec que não passa por madeira e tem 14% de álcool. Está com 5 anos de idade e apresenta uma excelente evolução, porque já está "domado" pelo tempo, ganhou complexidade e mantém boa estrutura. 

Na taça tem cor rubi, lacrimoso. Aromas remetendo a frutos negros e muita azeitona preta. Vinho de bom corpo, "gordo". Taninos dóceis e acidez mediana. Boa complexidade nos aromas e em boca. Final longo, com uma pontinha de álcool indicando ser melhor servi-lo a uma temperatura mais baixa. 

Vinho muito interessante, sem madeira. Como dito acima, um malbec diferente da grande maioria dos que experimentamos no cotidiano. Ótima experiência!


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela La Charbonnade, de Canela (RS). Em outros estados que não são atingidos por uma das cargas tributárias mais altas do universo conhecido, o preço é melhor. Mas, aqui em Minas Gerais está na faixa dos R$80. 

Saúde a todos! 



04 abril 2016

Belo vinho brasileiro, com 11 anos de idade: Pizzato Reserva Tannat 2005 #CBE


Com um pequeno atraso publico aqui minha escolha para ser o vinho do mês de nossa Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, que desde fevereiro de 2007 publica opiniões independentes de seus membros. 

O tema desse mês foi escolhido pelo amigo Gustavo Kauffman, do blog Enoleigos. Ele determinou: "Vinho Sul Americano com 10 anos de vida ou mais. Vamos ver como nossos vinhos, e de nossos hermanos, tem amadurecido!"

Tenho algumas garrafas de vinhos sul-americanos, mas são em sua grande maioria vinhos brasileiros da safra 2005. Então, o tema é uma excelente oportunidade para começar a "abrir a adega" e escolhi esse 100% Tannat da ótima vinícola Pizzato, que há muitos anos tem o respeito de quem acompanha a evolução do vinho brasileiro. 

Essa garrafa eu comprei diretamente do enólogo Flávio Pizzato,  em 2013. Saiu do Rio Grande do Sul e veio diretamente para minha adega e ficou climatizado. Portanto, em condições ideais para ser consumido agora aos 11 anos.  

O vinho teve 70% passando seis meses por barricas de carvalho americano. A produção foi limitada a 7.000 garrafas e abrimos a de nº 4.819. Tem 13,3% de álcool. 

Os aromas são intensos, com muitos frutos vermelhos e negros bem maduros, lírios. Uma pontinha de menta e álcool. Há uma nota de evolução, com aromas lembrando fruta em compota, mel e feno. 

Na boca é encorpado e potente, com taninos ainda rascantes e grande acidez. É um vinho seco, sem notas adocicadas, bem gastronômico. Fruta abundante, folhas secas em segundo plano e uma boa presença da madeira, com elegante tostado. Final persistente, com a gengiva enrugando e a boca salivando, taninos e acidez em ação, retrogosto com frutado, floral e feno.   

Em síntese: um vinho que ainda tem estrutura para ser guardado por mais 3 ou 4 anos, o que é um grande feito. Mas, em termos de aromas e sabores pode desenvolver notas muito evoluídas. Particularmente, prefiro como está, porque percebe-se que é um vinho mais antigo sem que isso atrapalhe as características de um vinho jovem. 

Mas, para quem prefere os vinhos muito evoluídos, como meu amigo Silvestre Gonçalves (Vivendo a Vida) a opção de guarda pode ser ótima escolha.    


Detalhes da compra:

Comprei esse vinho diretamente das mãos do Flávio Pizzato, em 2013, quando estive com ele na vinícola e fiz uma entrevista sobre a colheita em andamento (relembre). A safra atual é vendida na casa dos R$80. 

* Esse é o 115º vinho que comento para nossa Confraria, primeira e única virtual do Brasil. 

Saúde a todos!



27 março 2016

Direto da "montanha sagrada": Yarden Mount Hermon White 2013


Não é todo dia que bebemos vinhos de Israel. Na verdade, esse é apenas o segundo vinho que vem para o blog, mas assim como outros vinhos daquela região, como Marrocos, o resultado é sempre interessante. 

O produtor desse vinho branco é a Golan Heights Winery, que teve suas primeiras vinhas plantadas em 1976, mas somente em 1983 instituiu-se como vinícola, lançando no ano seguinte o Yarden Sauvigonon Blanc que recebeu críticas muito positivas no país e no exterior. Atualmente a bodega conta com 28 vinhedos espalhados por cerca de 600 hectares, uma extensão bastante considerável.  

Esse vinho pertence à linha Mount Hermon, uma das cinco que a vinícola comercializa. Seu nome é uma homenagem ao Monte Hérmon, que significa "montanha sagrada" em árabe, mas também pode ser traduzida como "montanha nevada", uma alusão ao contraste entre o deserto que a cerca e o pico sempre coberto por neve. Ao longo da história a montanha foi palco de inúmeras batalhas e menções na literatura, inclusive na Bíblia.

Segundo o produtor a Galileia é a região vinícola mais setentrional (norte) de Israel, sendo que Golan Heights é a região mais fria e que resulta vinhos da mais alta qualidade do país, com vinhedos localizados a 1.200 metros de altitude, beneficiando-se do degelo das montanhas. 

O vinho é um corte com predominância de Sauvignon Blanc e Viognier, mas uma pitada de Chardonnay e Semillon, sem passagem por barricas de carvalho, apenas um período em tanques de inox para ganhar equilíbrio. Tem 13,5% de álcool.

Na taça tem coloração amarelo palha. Aroma em  boa intensidade, notas minerais, frutos brancos como melão e algo tropical, como tangerina e goiaba branca. Discretas notas adocicadas lembrando mel. Na boca é intenso, tem uma pontinha de álcool que lhe dá potência, mas tem uma acidez refrescante. A sensação de boa fruta se repete, mas o destaque é para a boa mineralidade. 

Final de média persistência, muito agradável, marcado por uma complexidade bem interessante, mesclando os frutos tropicais, notas cítricas e mineralidade. 

Tem uma vocação gastronômica indiscutível, podendo ser um bom par para saladas, peixes assados e, claro, sushi e sashimi serão ótimas opções também.


Detalhes da compra:

Comprei esse vinho na simpática Wine Soul Store, em São Paulo. Um espaço pequeno, mas com muito charme, que foi visitado pelo amigo Beto Duarte, que gravou um vídeo com a sommelière Eliana Araújo, mas quem nos atendeu no dia da compra foi sua sócia, Ana de Andrade (assista aqui). 

Saúde a todos!



20 março 2016

Branco sem madeira, mas com personalidade: Neethlingshof Unwooded Chardonnay 2015

Foto: Instagram (@vinhoparatodos)

Um Chardonnay sem passagem por madeira tem seus encantos, especialmente se mantém as boas características da variedade e tem personalidade, presença, como esse sul-africano que recebi há alguns dias. 

O produtor é a Neethlingshof Estate, cuja história remonta a 1788 quando Charles Marais e sua esposa adquiriram a fazenda, então denominada The Dance os Wolves. A partir de 1828 adquiriu o atual nome quando sua filha se casou com Johannes Henoch Neethling, conhecido por sua elegância na região de Stellenbosch, sendo chamado de "Lord Neethling". 

A vinícola elabora basicamente duas linhas de vinhos e esse pertence à linha Premium, que conta com os tintos Merlot, Shiraz, Pinotage, Cabernet Sauvignon, Malbec e um corte de Cabernet Sauvignon com Merlot; os brancos Sauvignon Blanc, sendo um deles Single Vineyard, Chardonnay, Gewürztraminer e Chenin Blanc; um colheita tardia em homenagem à esposa do fundador da vinícola, Maria. 

Mas, vamos ao vinho de hoje. 

Na taça tem coloração amarelo palha, com reflexos levemente dourados. Intenso em aromas, aparentou ser mais maduro que o esperado para um vinho sem madeira. Notas de frutos brancos como pera e abacaxi em calda bem evidentes. Em boca tem personalidade, é untuoso e maduro. Fruta em abundância se repetindo, com acidez mediana, mas boa refrescância. Final de boa persistência, repetindo toda a fruta tropical.     

Não é um vinho de grandes complexidades, mas demonstra todas as características de um Chardonnay bem franco, honesto, bem feito. Por ser bem maduro e não ter passagem por madeira, acredito que foi elaborado com uvas de excelente maturação, pois algumas notas adocicadas apareceram. Tem 14% de álcool.  

Será um bom par para queijos de massa mole, como brie e camembert, bem como pratos à base de aves (como frango ao molho), risotos e massas com molhos brancos.  


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Wine, que o vende a um preço "cheio" por R$ 62, mas há descontos para os associados a seus clubes. 

Saúde a todos!



13 março 2016

Uma ótima surpresa da África do Sul: Allesverloren Tinta Barroca 2013


Comprei esse vinho movido por uma grande curiosidade, pois é elaborado na África do Sul a partir de uma variedade tinta importante para os portugueses: a Tinta Barroca, muito plantada na região do Douro e uma das seis variedades recomendadas para elaboração do Vinho do Porto.

O produtor é a Allesverloren, cuja história remonta para um período compreendido entre 1696 e 1704. O nome da vinícola significa "tudo está perdido", porque naquele início de história era comum os proprietários viajaram de trem até Stellenbosch para comprarem ferramentas ou irem à igreja. Ao retornarem de uma dessas viagens, em 1704, encontraram sua casa destruída por um incêndio. Atualmente comandada pela família Malan, a vinícola possui 227 hectares.

Visitando o site da empresa percebe-se uma vocação para a elaboração de vinhos com identidade portuguesa. Além das variedades internacionais Cabernet Sauvignon e Shiraz, elaboram esse Tinta Barroca, um Touriga Nacional, um corte chamado Três Vermelhos (Souzão, Tinta Barroca e Touriga Nacional) e dois vinhos fortificados nos estilos Moscatel e Porto.

Enfim, esse é um 100% Tinta Barroca, com 14% de teor alcoólico e amadurecimento por 8 meses em barricas de carvalho francês de primeiro, segundo e terceiro usos. A região é Swartland, pertencente ao grande setor litorâneo que os sul-africanos chamam de Coastal Region.

Na taça a coloração é rubi, com boas lágrimas na parede da taça. Bons aromas, maduros, frutos vermelhos, terra, especiarias e chocolate. Bom corpo, taninos macios e boa acidez. Muita fruta se repetindo, boa complexidade com ervas e notas terrosas.

Final persistente, boa fruta madura, especiarias e uma agradável nota da passagem por madeira, lembrando bala de café. Boa surpresa!

É rotulado no Brasil como demi-sèc, mas pode comprar tranquilo porque não é um vinho enjoativo. Ao contrário, se não tivesse essa informação no contra-rótulo eu não teria visto de imediato tratar-se de um meio seco. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Wine, que o vende em seu site por R$ 76, mas para associados do seu clube sai por R$ 65.

Saúde a todos!



06 março 2016

Aprecie a delicadeza desse L.A. Jovem Pinot Noir 2015


Esse vinho é mais um produto muito bem cuidado pela Luiz Argenta, de Flores da Cunha, fundada em 2009. Além da qualidade a vinícola tem se preocupado bastante com a apresentação dos produtos, utilizando garrafas italianas que valorizam os vinhos e os transformaram em ótimas opções para presentear.

* Veja aqui o post sobre a visita que fizemos à vinícola em 2012. 

Esse é um 100% Pinot Noir, com maturação por 3 meses em barricas novas de carvalho francês e mais 4 meses de maturação em tanques de inox.

Na taça é translúcido, um vermelho cereja típico dos Pinot Noir. Aromas em média intensidade, delicados, lembrando frutos silvestres, como morangos e cerejas. Discreta lembrança da madeira. 

Em boca é leve e seco, tem grande acidez e presença dos frutos silvestres, com leve tostado proveniente da passagem por barricas francesas novas. Final de boa persistência, com um leve amargor. Álcool a 12,5%, sem incomodar em nenhum instante. 

Vinho delicado, em estilo muito diferente dos Pinot do Novo Mundo, com tendência a serem mais potentes, com maior teor alcoólico e grande presença da madeira. Esse, ao contrário, é para ser apreciado em suas sutilezas. 

Segundo a vinícola, o vinho "harmoniza perfeitamente com carnes leves e massas com molhos vermelhos ou funghi". 


Detalhes da compra:

O vinho é vendido pela vinícola por R$ 73 em sua loja virtual (veja aqui). 

Saúde a todos! 



01 março 2016

Para você que procura uma boa companhia para o churrasco: Garzón Tannat 2013 #CBE


O desafio de provar um vinho mensalmente para nossa Confraria Brasileira de Enoblogs, primeira e única virtual do país, é um dos momentos mais especiais para mim, porque a comunhão entre as dezenas de blogs participantes é algo muito gratificante. Por isso, antes de mais nada, ergo um brinde à CBE, desejando que ela seja duradoura e continue ajudando aos leitores na escolha de seus vinhos. 

O tema desse mês de março veio do Recife, com a escolha feita pelo casal Maykel e Anna, do blog Vinho por 2: "Tannat uruguaio, em qualquer faixa de preços". Devo confessar que é um prazer procurar por vinhos uruguaios para o blog, porque aquele país é encantador e seus vinhos me agradam bastante. 

Esse Tannat é elaborado pela Bodega Garzón, cujo projeto capitaneado pelo casal Betina e Alejandro Bulgheroni teve início em 1999 que consideraram o lugar a sua "pequena Toscana no Uruguai". A construção da bodega de 19 mil metros quadrados levou em conta princípios ecologicamente corretos, como a menor utilização de energia elétrica, captação natural da água da chuva, restauração da biodiversidade etc, possuindo certificações internacionais nesse sentido. 

O vinho pertence à linha de Varietais da vinícola, que também tem vinhos Reserva. É um 100% Tannat, com passagem de 9 meses por barricas de carvalho francês. Tem 14,5% de álcool. 

Na taça tem coloração rubi, lacrimoso. Na taça aromas em boa intensidade, lembrando o carvalho, chocolate, café e muita fruta madura, como ameixa. Depois de um tempo aberto a complexidade aumentou, com o surgimento de notas de especiarias e geleia. 

Na boca tem corpo médio, taninos já macios, boa acidez e muita fruta madura se repetindo. Está entre os Tannat mais "parrudos" do Uruguai e aqueles com  notas doces que acabam sendo enjoativos. Esse é um meio-seco, segundo a legislação brasileira (informação do contra-rótulo), mas ao acompanhar carnes vermelhas assadas se mostrou um bom par. 

Final persistente, repetindo as sensações em boca, muita fruta e presença amadeirada, mas em bom equilíbrio. 

Enfim, um vinho muito fácil de beber, macio, sem desequilíbrios e mesmo sendo um demi-sèc (tem em torno de 3,5 gramas de açúcar por litro) passa longe de ser enjoativo e está pronto para beber agora.  


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela World Wine, que o vende em sua loja virtual por R$ 89. 

* Esse é o 114º vinho que comento para a Confraria Brasileira de Enoblogs, primeira e única!

Saúde a todos!



28 fevereiro 2016

Mais um vinho branco bem honesto: Fleur du Cap Chenin Blanc 2014


Costumo classificar alguns produtores como "compras seguras", daquelas que recorro sempre que estou em dúvida ou mesmo para experimentar algo novo dessas vinícolas honestas. É o caso da Fleur du Cap, sul-africana que já teve vários vinhos comentados aqui, com destaque especial para dois outros brancos com a Sauvignon Blanc e Chardonnay. 

Dessa vez a uva escolhida foi a Chenin Blanc, originária e importante uva do Vale do Loire (França), onde é utilizada para espumantes, vinhos secos e até de sobremesa, mas é a principal uva branca da África do Sul, onde também é chamada de Steen, tendo sido plantada pela primeira vez no país ainda na metade do século XVII.

Segundo o rótulo o vinho vem da região de Bergkelder, em Stellenbosch, distrito pertencente à enorme região Costeira de Western Cape (veja mapa). Em seu processo de fermentação passou por carvalho, com 25% do vinho amadurecendo posteriormente em barricas francesas. Tem 13% de álcool. 

Na taça a coloração é amarelo palha. Aromas muito francos, boa intensidade, frescos. Boa mescla entre frutos brancos (pera), notas cítricas discretas e boa mineralidade. Em boca é leve, maduro, mas de bom frescor. Acidez mediana. Citricidade bem presente, fazendo ótima companhia para a mineralidade intensa.

Final de boa persistência, com palato marcado pelo cítrico e pelo mineral. Compra interessante, para aqueles que preferem vinhos mais frescos e delicados, sem muita passagem por madeira. Para quem prefere os vinhos mais "gordos e potentes" talvez esse não seja o caso.


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Wine, que o vende em sua loja virtual por R$ 50. 

Saúde a todos!