02 junho 2019

Para beber um balde :: Chateau Lauduc Bordeaux AOC 2016


País: França
Região: Bordeaux
Produtor: Maison Sichel
Uvas: 75% Merlot e 25% Cabernet Sauvignon
Maturação: 8 meses em barricas de carvalho francês e mais 12 meses maturando em cave.
Álcool: 13,5%

Eu gostaria de beber tintos de Bordeaux com mais frequência, mas é difícil encontrar bons rótulos e que caibam no meu bolso. Os baratinhos que encontramos nos supermercados da vida costumam ser decepcionantes, então na mesma faixa de preços opto por portugueses ou sul-americanos. Uma pena. 

Pela minha experiência de treze anos de blog cheguei à conclusão difícil de que para beber um Bordeaux que realmente me agrade tenho que desembolsar uns dinheiros a mais. Esse aqui foi um belo achado. 

Na taça a coloração rubi típica. No nariz uma boa paleta de aromas com frutas vermelhas e especiarias aparecendo em certa complexidade. Na boca um vinho aveludado, de bom volume, suculento, com boa acidez e um frutado intenso, elegante e sem excessos de álcool, fruta ou madeira. Final persistente e muito harmônico. 

Como escrevi na conta do Instagram: "para beber um balde inteiro". Foi essa sensação que tive na primeira taça e quando os 750 ml acabaram eu realmente queria outra garrafa, o que não faço para qualquer vinho. 

Harmonizará bem com pratos variados à base de carne vermelha, massas com molhos mais densos, risotos de cogumelos ou uma boa tábua de queijos maduros e salamaria. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Domno do Brasil e paguei R$113 pela garrafa aqui em Uberlândia. 

Saúde a todos!



  


26 maio 2019

Festivo, mas elegante :: Clearwater Cove Sauvignon Blanc 2017


País: Nova Zelândia
Região: Marlborough
Produtor: Clearwater Cove
Uvas: 100% Sauvignon Blanc
Maturação: sem estágio por madeira. 
Álcool: 12,5%

Esse é o segundo vinho do produtor que comento por aqui. O primeiro foi um excelente Pinot Noir (relembre), outra uva que se dá muito bem na Nova Zelândia, ao lado da Sauvignon Blanc. Talvez sejam elas que melhor simbolizam os vinhos daquele país. 

O meu estilo preferido de Sauvignon Blanc é aquele com mais notas frutadas do que vegetais, porque não ficam enjoativos, de modo que posso afirmar que prefiro eles mais elegantes do que intensos. E esse entregou exatamente isso. 

Escrevi assim a respeito dele na minha conta do Vivino

"Aqueles aromas intensos mais para o lado vegetal, folha de tomate, grama... mas uma presença frutada interessante, tropical, maracujá especialmente. Isso deixa o vinho mais interessante, mais complexo. Em boca essas sensações se repetem. Acidez média-alta. Final persistente".

Creio ser um belo exemplar para você experimentar, até porque o preço não é tão salgado como costumam ser os vinhos neozelandeses. Será uma excelente companhia para a culinária asiática, mesmo as mais condimentadas, mas também será ótimo com peixes fritos ou assados, camarões grelhados ou uma manhã de domingo à beira da piscina.  


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Domno do Brasil e vendido em sua loja virtual por R$ 99. Paguei um pouco menos aqui em Uberlândia. 

Saúde a todos!



19 maio 2019

Abrindo a adega :: Luiz Argenta Gran Reserva Merlot 2005


País: Brasil
Região: Flores da Cunha
Produtor: Luiz Argenta
Uvas: Merlot 
Maturação: sem informação da época, mas é costume da vinícola manter 12 meses em barricas francesas 
Álcool: 13,8%

Experimentar um vinho com 14 anos de idade pode ser prazeroso para muitos e decepcionante para outros tantos. Para esses últimos fica a dica de que não encontrarão, provavelmente, as características pujantes de um vinho jovem, seja em aromas frescos, vivacidade em boca e perspectivas de ainda melhorar na garrafa. 

Particularmente, quando abro uma garrafa assim, espero encontrar aromas terciários, que se desenvolveram com a longa guarda. Se for tinto, uma coloração mais clara, tendendo ao alaranjado ou atijolado, taninos mais dóceis e precisando de um tempinho para que eventuais aromas não tão agradáveis se dissipem. 

Posso assegurar que tenho alguma experiência em vinhos brasileiros de longa guarda!

Esse aqui se apresentou mais jovial que outros abertos com menos tempo em garrafa e todos foram guardados com o mesmo cuidado, em adega climatizada e na horizontal. Sem transtornos que pudessem atrapalhar o sono profundo!

A respeito dele escrevi assim em minha conta do ViVino

"Provando esse vinho de 2005 no dia 17/05/2019. São 14 anos de idade e em grande forma na taça. 

Coloração viva. Aromas maduros, algo terciário bem desenvolvido lembrando fumo, folhas úmidas, geleia de frutos vermelhos e feno. Bom corpo, acidez marcante, taninos finos. Sensações olfativas se repetem em boca. Final longo. 

Não guardaria por mais tempo. Em ótima forma para acompanhar pratos à base de carne vermelha".

Resumindo: bebemos em casa (2 pessoas) a garrafa toda. Eu devo ter ficado com uns 75% dela... nada de dor de cabeça no dia seguinte. 


Detalhes do produto:

Não sei quanto paguei pelo vinho à época da compra. Essa linha Gran Reserva não existe mais. A linha de mais alta gama hoje tem um Merlot ao preço de R$115. 

Saúde a todos!



14 maio 2019

Fresco e agradável :: Altos Las Hormigas Tinto 2017


País: Argentina
Região: Mendoza
Uvas: 48% Bonarda, 45% Malbec e 7% Sémillon
Maturação: sem estágio em barricas, mas passa 9 meses em tanques de concreto.
Álcool: 13,5%


Recebi esse vinho pelo amigo Deco Rossi que realiza um belo trabalho com os vinhos argentinos aqui no Brasil. Veio com cartinha e tudo, gentileza que agradeço. 

O vinho é um corte de duas uvas importantes na Argentina: a Malbec (obviamente) e a Bonarda, que é menos famosa mas é bem trabalhada no pais vizinho. Mas, as duas estão acompanhadas por uma variedade branca, a Sémillon, algo muito comum em regiões da França e também na África do Sul com objetivo de deixar o vinho mais dócil e, no caso argentino, para ganhar mais acidez. 

Como não tem passagem por barricas de carvalho o resultado é um vinho fresco, bem franco, com menor complexidade, para ser bebido mais jovem. 

A respeito do vinho escrevi assim na minha conta no Vivino:

- Por ser um corte as características das variedades estão em bom equilíbrio. Mais Bonarda que Malbec. Os 7% de Semillon deixam o vinho mais amigável, fácil e com melhor acidez que os tintos argentinos dessa faixa. Gostei da paleta de aromas e do frescor!

Complemento dizendo que o vinho irá muito bem com pratos mais descontraídos, como uma boa pizza margherita, tábua de queijos e embutidos, além de um belo churrasco no almoço de domingo. 


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela World Wine que o vende em sua loja virtual a R$ 68. 

Saúde a todos!



24 março 2019

Tem cara de festa :: Quinta do Noval Extra Dry White


País: Portugal
Região: Douro
Produtor: Quinta do Noval
Uvas: Malvasia Fina, Gouveio, Rabigato e Códega
Maturação: 90% em balseiros de madeira velha e 10% em cubas de aço inoxidável
Álcool: 19,5%

Não é hábito meu (e acredito que dos brasileiros de um modo geral) comprar e experimentar vinhos do Porto brancos. Se for seco penso que é ainda mais raro. Mas, já que estamos aqui para experimentar o que há de melhor nesse quase infinito mundo do vinho, resolvi ter a experiência. 

Ressalto que a indicação mais comum para esse tipo de vinho é para elaboração de drinks, como o famoso Portonic, que para uma dose tem os seguintes ingredientes: 70 ml de vinho do porto branco seco gelado, 1 gomo de limão siciliano, 1 ramo de hortelã fresco, água tônica e cubos de gelo. Misture tudo e divirta-se! Se puder, beba acompanhado com uma porção de amêndoas torradas (dica do produtor). 

Na taça tem uma coloração amarela com reflexos esverdeados. Tem aromas em boa intensidade, lembrança floral. Em boca é refrescante, elegante, equilibrado e com boa acidez. Uma sensação interessante porque o cérebro está preparado para um vinho doce, mas o que chega é um vinho seco, que parece até salgado em virtude da complexidade. Final um tanto ligeiro, mas muito agradável e festivo. 

Os portugueses costumam aconselhar bebê-lo "fresco antes de uma refeição". Não gelado, entendeu?


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Adega Alentejana e encontrado no mercado na faixa entre R$150-170. 



18 novembro 2018

Estava com saudade de um belo vinho brasileiro :: Casa Valduga Identidade Arinarnoa 2015


País: Brasil
Região: Encruzilhada do Sul
Produtor: Casa Valduga
Uvas: Arinarnoa
Maturação: 8 meses em barricas de carvalho francês e mais 12 meses maturando em cave. 
Álcool: 14%

Quando comecei a escrever esse blog a Valduga fazia vinhos tintos mais rústicos e que evoluíam lentamente na garrafa. Creio que por conta do mercado ser mais impaciente do que aqueles que escrevem sobre vinhos, o estilo mudou um pouco, provavelmente com outras técnicas de vinificação e os vinhos ficaram mais dóceis desde o lançamento (ou alguns meses após). 

Esse é um belo exemplar de tinto da Serra do Sudeste, onde fica o município de Encruzilhada do Sul. A uva não é muito comum no Brasil e mesmo nos importados não me lembro de um varietal com a Arinarnoa

Na taça coloração rubi. Aromas em ótima intensidade, frutos vermelhos e negros e notas de especiarias. Complexidade evidente, com aportes aromáticos dados pela passagem por barricas francesas. 

Corpo médio, bom volume seco em boca, acidez em destaque e taninos finos, já muito elegantes. Sem notas adocicadas, se mostrando um vinho para paladares mais acostumados a vinhos realmente secos. 

Final persistente, repetindo tudo e notas de chocolate amargo. Boa experiência!

* Arinarnoa - variedade resultante do cruzamento entre as francesas Merlot e Petit Verdot, realizado em 1956 por um diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Agronômicas da França – INRA, em Bordeaux. Resulta em vinhos com a potência e coloração densa da petit verdot e a elegância da merlot. O Uruguai também tem elaborado bons vinhos com essa uva.  


Detalhes da compra:

O vinho pode ser encontrado na casa dos R$ 80 em lojas pelo país e também no e-commerce da Família Valduga (veja aqui). 

Saúde a todos!




28 outubro 2018

Tem meu respeito :: Alto de La Ballena Tannat Merlot Cabernet Franc 2013


País: Uruguai
Região: Maldonado
Uvas: 50% Tannat, 35% Merlot e 15% Cabernet Franc
Maturação: apenas a Tannat envelheceu 9 meses em barricas de carvalho americano de 2° e 3° uso
Álcool: 13,9%


Essa vinícola está entre minhas preferidas no Uruguai. Não me lembro de ter provado algum vinho deles que não me agradasse bastante. 

Esse é um corte que provavelmente é feito com objetivo de dar mais elegância à Tannat e tirar dela um pouco de potência, embora já não se encontre mais aqueles vinhos dessa uva extremamente tânicos como em outros tempos. 

Na taça uma bonita coloração rubi. Com cinco anos de idade parece ter perdido levemente a intensidade de cores. Aromas de frutos maduros e um toque achocolatado. Na boca é muito macio, com taninos dóceis e boa acidez. Frutas maduras, tabaco e alguma especiaria. Notas lácteas dão uma sensação de maciez muito interessante. 

Final mediano. Agradável demais, fácil de beber. Creio já estar na linha descendente de sua evolução, mas ainda não apareceram as notas terciárias. Bom corte dessas três tintas! 

Fará boa companhia para queijos curados, massas com molho de tomate e, claro, carnes vermelhas. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Winebrands, que o vende em sua loja virtual por R$97. 

Saúde a todos!



16 setembro 2018

Belo conjunto :: Manz Platónico Tinto 2015


País: Portugal
Região: Lisboa
Produtor: Manz Wine
Uvas: Touriga Nacional, Aragonez e Syrah
Maturação: o produtor menciona um "estágio", sem revelar mais informações
Álcool: 13,5%


Mais um vinho no pacote daqueles fáceis de beber, mas com bons atributos de elegância. É um corte bastante harmônico de duas uvas bem comuns em Portugal (veja acima) e a francesa Syrah. 

Durante a degustação percebo alguma predominância da Touriga Nacional e suas características, embora os aromas lembrando especiarias indicam que a Syrah também aparece dando complexidade ao vinho. 

Pelas informações do produtor tem um "estágio" em barrica, mas as características dadas pela madeira são muito discretas nesse vinho.   

Os aromas e sabores são intensos, dominados por frutos vermelhos maduros e notas florais. Conjunto gastronômico, podendo acompanhar carnes vermelhas, queijos maduros. Tem boa acidez e pode ir bem com pizzas ou massas com molho vermelho.

Boa compra!


Detalhes da compra:


O vinho é importado pela All Wine, de Curitiba (PR) e encontrado no mercado na faixa dos R$65-70.


Saúde a todos!



03 agosto 2018

No carrinho do supermercado :: Santa Julia Cabernet Sauvignon 2017



País: Argentina
Região: Mendoza
Produtor: Santa Julia
Uvas: Cabernet Sauvignon
Maturação: sem informações
Álcool: 12,5%

Esse vinho entra no pacote dos "corretos, bem feitos, sem excessos, fáceis de beber" que ando gostando tanto ultimamente. E, para melhorar ainda mais a notícia, é barato!

É um varietal, de linha básica do excelente produtor, fácil de encontrar pelos supermercados brasileiros. 

Tem coloração rubi, com reflexos jovens, púrpura. Aromas francos, de frutos vermelhos como cerejas, amoras e alguma especiaria. Nada complexo, mas com tudo no lugar. Em boca é muito fácil de agradar, taninos macios, dóceis, com acidez mediana. Final de boa persistência. 

Tem pouco álcool, apenas 12,5%, por isso dá para beber sem maiores preocupações (a não ser com a direção, que deve ser evitada). Agradável, dá vontade de beber a próxima taça. 

Comprei esse vinho depois que o amigo Cristiano Orlandi (Vivendo Vinhos) trouxe um Reserva da mesma vinícola. Comentamos o quanto foi agradável aquele vinho, mesmo tendo passagem por madeira e ser argentino (Novo Mundo) estava mais próximo à delicadeza e elegância do que da potência. 

Mesmo não encontrando o Reserva esse aqui, mais simples, me deixou feliz! 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Cia. Brasileira de Distribuição e paguei por essa garrafa R$ 29. 

Saúde a todos!



17 julho 2018

Ótima compra :: Perez Cruz Reserva Cabernet Sauvignon 2015



País: Chile

Região: Vale do Maipo
Produtor: Perez Cruz
Uvas: 94% Cabernet Sauvignon, 4% Carmenère e 2% Cabernet Franc
Maturação: 12 meses em barricas 60% americanas e 50% francesas
Álcool: 13,5%

Há algum tempo - entre amigos - tenho confidenciado que o tempo de estrada tem me deixado mais propenso aos vinhos mais elegantes, sem excessos, daqueles que posso beber por horas sem que isso me traga embriaguez, nem me chame demais a atenção para pontos positivos ou negativos. Enfim, estou ficando velho e quero tranquilidade inclusive nos vinhos! Pronto, falei!

Ao abrir esse Cabernet Sauvignon eu esperava um vinho de alta qualidade em razão de seu produtor, mas fiquei especialmente contagiado porque ele reúne tudo isso que escrevi acima. Tem o vegetal dos CS chilenos? Tem. Aquele pimentão? Tem. Mas é tão macio, tão redondo, tão agradável, que eu sinceramente queria outra garrafa para abrir naquele domingo. Mas, infelizmente eu só tinha essa!

Na taça cor de Cabernet Chileno, ora pois!

Aromas de frutos vermelhos maduros, baunilha, pimenta e alguns frutos secos. Na boca é suculento, taninos macios e acidez mais alta que a maioria dos tintos chilenos que conheço. Sem excessos de madeira e vegetais. Harmônico e elegante, com fim de boca persistente. 

Considero uma excelente compra, mesmo com preço acima da média dos vinhos que costumo comprar. Valeu a experiência!


Detalhes da compra:

O vinho é importado pelo Olivetto Bar & Mar, de Campinas (SP) e encontrado no mercado na faixa dos R$70-75.

Saúde a todos!