21 outubro 2019

Ótimo na taça (e no bolso) :: Larentis Marselan 2017


País: Brasil
Região: Vale dos Vinhedos
Produtor: Larentis
Uvas: 100% Marselan
Maturação: 6 meses em barricas americanas + 1 ano em cave
Álcool: 13,1%

Em julho publiquei aqui minhas impressões sobre outro vinho dessa linha "Cepas Selecionadas" (relembre), um Teroldego, uva pouco conhecida entre a maioria dos consumidores brasileiros. Hoje outra uva não tão comum, a Marselan, cruzamento entre a Cabernet Sauvignon e a Grenache, que tem dado bons vinhos no sul do país. 

Esse aqui me pareceu o melhor da linha, pelo menos entre os que eu provei e está, digamos, "meio degrau" acima do Teroldego. 

Na taça um vinho rubi com reflexos violáceos. Intenso nos aromas, lembrando frutos vermelhos e desde logo demonstrando a presença de madeira bem integrada, sem excessos, mas deixando claro sua influência. 

Na boca tem boa estrutura e ótima acidez, taninos macios e muita fruta madura. Essa fruta madura e a madeira deram uma ótima sensação de suculência, vontade de beber mais um gole em razão da acidez e confesso que a garrafa acabou mais rápido que o normal. Final longo, prazeroso. 

Daqueles vinhos que não se deve beber sozinho, sem acompanhamentos, e recomendo pratos com carnes vermelhas, massas com molhos densos, salamaria e queijos mais estruturados.   

Foram feitas apenas 7.000 garrafas e abrimos a de número 712. Considero uma boa compra, pois a relação custo x benefício é bem interessante para um vinho brasileiro dessa qualidade. 
  

Detalhes da compra:

A vinícola comercializa o vinho a R$ 65 em sua loja virtual e também em seu varejo no Vale dos Vinhedos.

Saúde a todos!






14 outubro 2019

Nota dez para a proposta (e para o líquido) :: Ponto Nero Cult SO2 Free Espumante Brut



País: Brasil
Região: Vale dos Vinhedos
Produtor: Domno do Brasil
Uvas: 100% Chardonnay
Maturação: 4 meses em autólise de leveduras (método Charmat) 
Álcool: 11,5%

Quando vi o lançamento desse espumante pensei logo: "esse não me dará dor de cabeça. Tomara que seja bom". Digo isso porque o SO2 (anidrido sulfuroso), conservante mais utilizado no mundo do vinho, me causa dor de cabeça naqueles em que é usado até a tampa! 

Vinho sem conservante existe? Bom, pelo que conheço isso seria possível apenas em situações de higiene absurdamente rigorosas por parte da vinícola e o risco seria altíssimo. Até onde eu sei, há duas opções para esses vinhos "sem conservantes": 

1. pela legislação brasileira se a quantidade de SO2 for menor que 10 mg/L, não é preciso declarar no rótulo a existência do conservante. 

2. utilização de outro conservante, de modo que no rótulo basta declarar que é livre de SO2. 

Enfim, chega-se à conclusão de que provavelmente os vinhos com essa declaração no rótulo utilizam outro conservante, menos agressivo à saúde, provavelmente. 

Mas, deixando de lado essa questiúncula, vamos ao líquido!

É um espumante elaborado apenas com a Chardonnay, de modo que meu olho já brilhou. Na taça o resultado é muito interessante, porque é o espumante mais seco da linha Cult da vinícola. Tem apenas 9,5 g de açúcar por litro. Aromas de boa complexidade, lembrando a Chardonnay (frutos brancos como pera e abacaxi) e notas da fermentação dando uma certa complexidade. Na boca é muito refrescante, com acidez lá em cima e um final de boca longo e prazeroso. 

Recomendo muito o produto, não somente pela proposta mais ligada ao cuidado com a saúde, mas porque na taça realmente é muito bom.   

Pelo que li a vinícola elaborou apenas 7.000 garrafas, o que para o mundo dos espumantes é quase nada. 


Detalhes da compra:

Esse espumante é vendido aqui em Uberlândia pela Wine Home a R$ 69.

Saúde a todos!






04 agosto 2019

Descontração pura :: Portillo Malbec 2018


País: Argentina
Região: Vale de Uco (Mendoza)
Produtor: Salentein
Uvas: 100% Malbec
Maturação: sem passagem por madeira
Álcool: 13,5%

Como eu disse no post anterior ao comentar o Chardonnay da mesma linha, eu gostei menos desse Malbec, coisa que só o "VAR dos Vinhos" veria, entende? Coisa de milímetro.

A proposta da linha Portillo é oferecer vinhos mais leves e descontraídos e esse Malbec atende melhor a proposta porque sem a passagem por madeira a exuberância da fruta apareceu mais que no Chardonnay. 

Na taça a coloração é rubi, com maior transparência que a maioria dos vinhos com essa variedade em que a extração é maior, ficando mais densos. Nos aromas notas de frutos negros, ameixa, muito frescor e jovialidade na paleta de aromas. Na boca tem corpo leve, com boa tipicidade e muito fácil de beber. Sem excessos de fruta, madeira ou álcool. Taninos finos e acidez mediana. Sem complicações e sem defeitos.

Escoltou bem o churrasco de picanha, mas poderia ser com pratos mais leves, uma tábua de queijos maduros, salames, presunto, pães e geleias etc.

Interessante: Portillo é o nome da histórica passagem montanhosa que liga a Cordilheira dos Andes ao Vale do Uco, percorrida pelo general San Martín em seu ato libertador e depois pelo cientista Charles Darwin. Uma passagem que ligava Argentina e Chile no passado. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Zahil e em seu site o preço varia entre R$ 75-90 a depender da situação tributária do seu estado. Paguei R$ 76 aqui em Uberlândia.

Saúde a todos!




28 julho 2019

Leve e tropical :: Portillo Chardonnay 2018


País: Argentina
Região: Vale do Uco (Mendoza)
Produtor: Salentein
Uvas: 100% Chardonnay
Maturação:  sem passagem por barricas. 
Álcool: 13%

Provei esse vinho e o Malbec da mesma linha e confesso que o Chardonnay é mais interessante. São vinhos da linha Portillo que apresenta rótulos mais jovens e simples, sem grandes complexidades, para serem bebidos com os amigos naquele bate-papo descontraído, sem maiores preocupações com as nuances aromáticas e gustativas do vinho. Apesar dessa proposta, os vinhos são muito corretos e podem tanto servirem a uma degustação descontraída como para acompanhar refeições. 

Esse Chardonnay, segundo informações do importador, não tem passagem por madeira, mas se mostrou um vinho com características mais próximas daqueles que tem uma breve passagem por barricas do que a leveza e frescor esperados de um vinho com a expressão pura da variedade.

Um vinho de perfil mais tropical, com aromas e sabores lembrando banana, abacaxi e maçã. Notas adocidadas como se tivesse passado por madeira e alguma mineralidade. Acidez mediana. Final de média persistência, agradável, intenso, com a boca lembrando os frutos maduros.

Como dito, esperava um vinho mais leve e descontraído pela proposta da linha, mas agradou bastante e pelo preço que comprei valeu a experiência. Desceu bem fácil e se tivesse outra garrafa certamente abriria.

Harmonizou bem com uma costela suína feita na churrasqueira, mas também irá muito bem com saladas e pratos orientais menos condimentados.

Interessante: Portillo é o nome da histórica passagem montanhosa que liga a Cordilheira dos Andes ao Vale do Uco, percorrida pelo general San Martín em seu ato libertador e depois pelo cientista Charles Darwin. Uma passagem que ligava Argentina e Chile no passado. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Zahil e em seu site o preço varia entre R$ 75-90 a depender da situação tributária do seu estado. Paguei R$ 76 aqui em Uberlândia.

Saúde a todos!



25 julho 2019

Vale a prova :: Larentis Teroldego 2015


País: Brasil
Região: Vale dos Vinhedos
Produtor: Larentis
Uvas: 100% Teroldego
Maturação:  6 meses em barricas de carvalho francês e mais um ano em cave
Álcool: 13,5%

Tive oportunidade de provar pouquíssimos vinhos com a Teroldego, uva de origem italiana, do extremo norte do Trentino, nordeste do país. Aqui no blog já apareceram vinhos da Angheben, mas a Lídio Carraro e a Salton também a utilizam, em varietais e principalmente cortes.

Os vinhos dessa uva podem variar entre os mais leves e descomplicados até vinhos robustos, mais encorpados e intensos, como é o caso desse Larentis da safra 2015 que comprei diretamente no varejo e das mãos da família.

Na taça tem coloração violácea. Aromas intensos, com lembrança de frutos negros, notas florais e um tostado presente. Bom corpo, com a intensidade e paleta de aromas se repetindo. Na boca o ponto alto é para a acidez marcante e a presença de taninos que ainda podem amaciar com mais um tempo de guarda, embora esteja em ótimo momento.

Vinho de personalidade, intenso, com final de ótima persistência e boca salivando em razão da acidez. Um leve amargor presente, mas pelo que se escreve da Teroldego, essa pode ser uma característica de seus vinhos.

Será uma boa companhia para uma infinidade de pratos, especialmente com carnes vermelhas, churrasco e massas com molhos mais rústicos.


Detalhes da compra:

O vinho é comercializado pela vinícola em sua loja virtual por R$ 65.

Saúde a todos!




21 julho 2019

Confirmando a excelência :: Almaúnica Reserva Merlot D.O. 2013


País: Brasil
Região: Vale dos Vinhedos
Produtor: Almaúnica
Uvas: 100% Merlot
Maturação:  barricas de carvalho 50% francesas e 50% americanas, por um período de 18 meses, depois de engarrafado repousou nas caves subterrâneas da vinícola.
Álcool: 13,5%


Em junho estivemos na Serra Gaúcha e, como não pode faltar, fomos jantar no Primo Camilo, restaurante italiano em Garibaldi. Na carta uma boa quantidade de vinhos e espumantes brasileiros e alguns poucos importados. 

Começamos com esse tinto porque há tempos não provava nada da Almaúnica, que tem se notabilizado pela produção de vinhos com perfil mais do Novo Mundo no sentido de serem mais macios, prontos, com maior presença de madeira. O Syrah deles já se consolidou como um dos ótimos vinhos brasileiros para se experimentar. 

Quero adiantar que na sequência pedimos um Cabernet Sauvignon chileno à disposição na carta do restaurante, uns 40% mais caro que esse e, cá entre nós, não me deixou tão feliz quanto esse Merlot. 

O vinho já tem seis anos, mas sem nenhuma nota de evolução naturais para vinhos dessa idade e nessa faixa de preços. Coloração rubi, brilhante. Aromas em ótima intensidade com marcantes frutos vermelhos, ameixa seca e um abaunilhado da madeira, uma boa mescla de sensações aromáticas das barricas francesas e americanas utilizadas. 

Em boca é redondo, muito macio e harmônico. Taninos dóceis, acidez marcante, dando vontade de mais um gole. Final longo e prazeroso, com palato marcado pela madeira se sobrepondo delicadamente à fruta. 

Em razão de sua acidez acompanhou muito bem os diversos pratos de massas com molhos vermelhos, cogumelos, carnes vermelhas e também um pato muito bom.  


Detalhes da compra:

Esse vinho é vendido pela Almaúnica em sua loja virtual por R$ 77,00.

Saúde a todos!




02 junho 2019

Para beber um balde :: Chateau Lauduc Bordeaux AOC 2016


País: França
Região: Bordeaux
Produtor: Maison Sichel
Uvas: 75% Merlot e 25% Cabernet Sauvignon
Maturação: 8 meses em barricas de carvalho francês e mais 12 meses maturando em cave.
Álcool: 13,5%

Eu gostaria de beber tintos de Bordeaux com mais frequência, mas é difícil encontrar bons rótulos e que caibam no meu bolso. Os baratinhos que encontramos nos supermercados da vida costumam ser decepcionantes, então na mesma faixa de preços opto por portugueses ou sul-americanos. Uma pena. 

Pela minha experiência de treze anos de blog cheguei à conclusão difícil de que para beber um Bordeaux que realmente me agrade tenho que desembolsar uns dinheiros a mais. Esse aqui foi um belo achado. 

Na taça a coloração rubi típica. No nariz uma boa paleta de aromas com frutas vermelhas e especiarias aparecendo em certa complexidade. Na boca um vinho aveludado, de bom volume, suculento, com boa acidez e um frutado intenso, elegante e sem excessos de álcool, fruta ou madeira. Final persistente e muito harmônico. 

Como escrevi na conta do Instagram: "para beber um balde inteiro". Foi essa sensação que tive na primeira taça e quando os 750 ml acabaram eu realmente queria outra garrafa, o que não faço para qualquer vinho. 

Harmonizará bem com pratos variados à base de carne vermelha, massas com molhos mais densos, risotos de cogumelos ou uma boa tábua de queijos maduros e salamaria. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Domno do Brasil e paguei R$113 pela garrafa aqui em Uberlândia. 

Saúde a todos!



  


26 maio 2019

Festivo, mas elegante :: Clearwater Cove Sauvignon Blanc 2017


País: Nova Zelândia
Região: Marlborough
Produtor: Clearwater Cove
Uvas: 100% Sauvignon Blanc
Maturação: sem estágio por madeira. 
Álcool: 12,5%

Esse é o segundo vinho do produtor que comento por aqui. O primeiro foi um excelente Pinot Noir (relembre), outra uva que se dá muito bem na Nova Zelândia, ao lado da Sauvignon Blanc. Talvez sejam elas que melhor simbolizam os vinhos daquele país. 

O meu estilo preferido de Sauvignon Blanc é aquele com mais notas frutadas do que vegetais, porque não ficam enjoativos, de modo que posso afirmar que prefiro eles mais elegantes do que intensos. E esse entregou exatamente isso. 

Escrevi assim a respeito dele na minha conta do Vivino

"Aqueles aromas intensos mais para o lado vegetal, folha de tomate, grama... mas uma presença frutada interessante, tropical, maracujá especialmente. Isso deixa o vinho mais interessante, mais complexo. Em boca essas sensações se repetem. Acidez média-alta. Final persistente".

Creio ser um belo exemplar para você experimentar, até porque o preço não é tão salgado como costumam ser os vinhos neozelandeses. Será uma excelente companhia para a culinária asiática, mesmo as mais condimentadas, mas também será ótimo com peixes fritos ou assados, camarões grelhados ou uma manhã de domingo à beira da piscina.  


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Domno do Brasil e vendido em sua loja virtual por R$ 99. Paguei um pouco menos aqui em Uberlândia. 

Saúde a todos!



19 maio 2019

Abrindo a adega :: Luiz Argenta Gran Reserva Merlot 2005


País: Brasil
Região: Flores da Cunha
Produtor: Luiz Argenta
Uvas: Merlot 
Maturação: sem informação da época, mas é costume da vinícola manter 12 meses em barricas francesas 
Álcool: 13,8%

Experimentar um vinho com 14 anos de idade pode ser prazeroso para muitos e decepcionante para outros tantos. Para esses últimos fica a dica de que não encontrarão, provavelmente, as características pujantes de um vinho jovem, seja em aromas frescos, vivacidade em boca e perspectivas de ainda melhorar na garrafa. 

Particularmente, quando abro uma garrafa assim, espero encontrar aromas terciários, que se desenvolveram com a longa guarda. Se for tinto, uma coloração mais clara, tendendo ao alaranjado ou atijolado, taninos mais dóceis e precisando de um tempinho para que eventuais aromas não tão agradáveis se dissipem. 

Posso assegurar que tenho alguma experiência em vinhos brasileiros de longa guarda!

Esse aqui se apresentou mais jovial que outros abertos com menos tempo em garrafa e todos foram guardados com o mesmo cuidado, em adega climatizada e na horizontal. Sem transtornos que pudessem atrapalhar o sono profundo!

A respeito dele escrevi assim em minha conta do ViVino

"Provando esse vinho de 2005 no dia 17/05/2019. São 14 anos de idade e em grande forma na taça. 

Coloração viva. Aromas maduros, algo terciário bem desenvolvido lembrando fumo, folhas úmidas, geleia de frutos vermelhos e feno. Bom corpo, acidez marcante, taninos finos. Sensações olfativas se repetem em boca. Final longo. 

Não guardaria por mais tempo. Em ótima forma para acompanhar pratos à base de carne vermelha".

Resumindo: bebemos em casa (2 pessoas) a garrafa toda. Eu devo ter ficado com uns 75% dela... nada de dor de cabeça no dia seguinte. 


Detalhes do produto:

Não sei quanto paguei pelo vinho à época da compra. Essa linha Gran Reserva não existe mais. A linha de mais alta gama hoje tem um Merlot ao preço de R$115. 

Saúde a todos!



14 maio 2019

Fresco e agradável :: Altos Las Hormigas Tinto 2017


País: Argentina
Região: Mendoza
Uvas: 48% Bonarda, 45% Malbec e 7% Sémillon
Maturação: sem estágio em barricas, mas passa 9 meses em tanques de concreto.
Álcool: 13,5%


Recebi esse vinho pelo amigo Deco Rossi que realiza um belo trabalho com os vinhos argentinos aqui no Brasil. Veio com cartinha e tudo, gentileza que agradeço. 

O vinho é um corte de duas uvas importantes na Argentina: a Malbec (obviamente) e a Bonarda, que é menos famosa mas é bem trabalhada no pais vizinho. Mas, as duas estão acompanhadas por uma variedade branca, a Sémillon, algo muito comum em regiões da França e também na África do Sul com objetivo de deixar o vinho mais dócil e, no caso argentino, para ganhar mais acidez. 

Como não tem passagem por barricas de carvalho o resultado é um vinho fresco, bem franco, com menor complexidade, para ser bebido mais jovem. 

A respeito do vinho escrevi assim na minha conta no Vivino:

- Por ser um corte as características das variedades estão em bom equilíbrio. Mais Bonarda que Malbec. Os 7% de Semillon deixam o vinho mais amigável, fácil e com melhor acidez que os tintos argentinos dessa faixa. Gostei da paleta de aromas e do frescor!

Complemento dizendo que o vinho irá muito bem com pratos mais descontraídos, como uma boa pizza margherita, tábua de queijos e embutidos, além de um belo churrasco no almoço de domingo. 


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela World Wine que o vende em sua loja virtual a R$ 68. 

Saúde a todos!