24 Fevereiro 2012

O confiável Louis Jadot Pinot Noir Bourgogne AOC 2008



Esse Pinot Noir é produzido pela tradicional Maison Louis Jadot, na região da Borgonha e me custou US$26 no free shop. Em outubro comentei um Chardonnay aqui no blog (relembre) e em ambos os casos o produtor confirma sua categoria. Embora sejam produtos básicos, a qualidade é inquestionável. 

Coloração vermelho claro, translúcido. Aromas intensos a frutos delicados, morango, framboesa, muito perfumado, flores e aquela sensação de que estou cheirando pó para maquiagem ou o antigo Cashmere Bouquet. Evolui discretamente na taça, ganhando notas de couro, mas sem perder a delicadeza do início.

Na boca é leve, com taninos finos, leve adstringência, acidez bem presente. Vinho seco, com notas adocicadas muito discretas. Mineral em alguns momentos. Final persistente, com boca seca, palato com aquela lembrança da maquiagem. Vinho de personalidade, sério, gastronômico, num estilo bem diferente dos Pinot chilenos ou argentinos que têm sido comentados por aqui. Álcool sem incomodar. Madeira discreta.

Saúde a todos!





23 Fevereiro 2012

Reencontrando Adolfo Lona


Na manhã do dia 11/2 estava no Hotel Dall'Onder, em Bento Gonçalves, quando recebi uma ligação do celular do Adolfo Lona. Quem me ligava era o blogueiro Tiago Bulla, do Universo dos Vinhos, com quem eu havia combinado de almoçar. Estavam me convidando para ir a Garibaldi degustar o Orus, o espumante top da vinícola. 

Apesar de ter uma visita agendada para mim e para o Tiago daí há 2 horas, não tive dúvidas e fui de táxi até Garibaldi para experimentar o tão bem falado espumante. 

A primeira vez que estive com o Lona foi em 2008, quando minha esposa e eu visitamos sua "produtora", como gosta de chamar a vinícola. A recepção é sempre apaixonada, porque o Lona dá a impressão de que prefere beber os vinhos com o visitante do que vendê-los. Tanto que nas duas ocasiões, inclusive agora, saí de lá com um presente. Dessa vez ganhei o Orus, porque ele diz que não está mais à venda. Não discuti. 

Quando cheguei lá o Tiago e sua esposa já haviam degustado o charmat rosé, mas o Orus era a grande estrela. É um pas dosé, ou seja, não tem adição de açúcar no licor de expedição. 

Em resumo, após a retirada dos resíduos deixados pela fermentação (dégorgemment), há adição de uma quantidade do vinho base para completar o conteúdo da garrafa. Esse "licor" pode levar açúcar para continuar a fermentação dentro da garrafa. No caso dos pas dosé (não dosado) não há açúcar no licor. 


No vinho base entram três variedades, cada uma com uma função específica: a Chardonnay contribui com a acidez (frescor), a Pinot Noir dá corpo e a Merlot também contribui nesse quesito, mas funciona especialmente para amenizar a acidez da PN. 

Na foto: Gil Mesquita, Adolfo Lona e Tiago Bulla. Créditos para Vivian Costa.


O Orus é, segundo Adolfo Lona, o único rosé nature feito pelo método Champenoise no Brasil. Um espumante elegante, cremoso, de bons aromas e grande frescor. Final longo. Embora seu período de maturação seja longo, 12 meses fermentando na própria garrafa e mais 12 meses descansando na cave, as notas típicas de fermento, casca de pão, não aparecem exageradas, deixando o espumante menos "pesado" que muitos no mercado.

Meu compromisso com o Lona foi abrir o espumante que ganhei apenas no dia 8 de março, aniversário da Érika. Então, os comentários virão aqui pro blog somente no próximo mês. Foi uma das últimas 30 em estoque e foram produzidas somente 608 garrafas. 

Por último, fiquei contente com a notícia de que o enólogo não abandonou a ideia de produzir tintos. Tem coisa nova vindo por aí e já descansando na cave, mas ainda sem informações concretas para divulgarmos. O último vinho lançado por ele foi um corte Merlot + CS com uvas de Pinheiro Machado, município da Serra do Sudeste, próximo a Bagé e Pelotas. 

Para saber mais: www.adolfolona.com.br

Saúde a todos!
 

22 Fevereiro 2012

Não tem erro: Grey Wacke Sauvignon Blanc 2010


Bebemos esse vinho no sushi bar do hotel DPNY, no almoço do dia 8 de janeiro. Quando postei a foto no Instagram, o amigo Deco Rossi imediatamente mandou uma mensagem dizendo assim: "não me lembro de ter bebido um SB da NZ que não fosse bom".

Realmente essa é uma compra certa e que nos agrada muito em casa. Normalmente são vinhos de grande personalidade, marcantes, a bons preços e demonstram as melhores características dessa uva: aromas intensos, grande frescor e muitas opções de harmonização.


Esse é produzido pela Grey Wacke, vinícola de propriedade do enólogo Kevin Judd, que trabalhou por 25 anos em outra vinícola. A região produtora é considerada o "berço" dos melhores Sauvignon Blanc no país e está localizada na região norte da Ilha Sul.  

Na taça tem coloração amarelo palha, com reflexos verdeais. Nariz tipico, grama, aspargo, maracujá discreto e presença mineral. Em boca o maracujá aparece mais, deixando algo doce, mas sem ser enjoativo. Boa acidez. Algum fundo cítrico. Refrescante. Harmônico. Vegetal também forte.
Final mediano. Álcool a 13,5%.

Ótima opção para o verão.

Saúde a todos!


20 Fevereiro 2012

O intenso Rocca dei Mori Briacó Primitivo Salento IGT 2006


Bebemos esse vinho no jantar do dia 7 de janeiro. Depois da ótima experiência com o Chianti da noite anterior (relembre), resolvemos apostar em outro italiano. Dessa vez a escolha foi menos óbvia, seja pela variedade com que o vinho é produzido, seja pela região. 

O vinho é elaborado pela Apollonio Casa Vinicola, cuja história tem início nos anos 1870, mas somente teve sua própria planta de vinificação a partir de 1975, pelas mãos do neto do fundador. 


A região é a Puglia, que juntamente com a Calabria, Basilicata e Campania formam a região Sul da Itália Vinícola. No mapa, essas regiões formam o "pé da bota", sendo que Puglia é seu "calcanhar".

Os vinhos tintos dessa região são normalmente encorpados, potentes, de cor intensa e boa dose de álcool. Esse confirmou a fama descrita nos livros. Tem passagem de 12 meses em barricas americanas e mais 12 meses em garrafa. Tem 14,5% de álcool e expectativa de guarda pra mais de 10 anos, segundo a vinícola. Pela garrafa paga-se em torno dos R$69.

Produzido com 100% Primitivo apresentou coloração rubi. Aromas intensos, maduros, frutos vermelos, floral e notas abaunilhadas conferidas pela madeira. Encorpado, com taninos doces, boa acidez e álcool bem presente, mas sem desequilibrar. Final longo, maduro, com muita fruta e madeira bem integradas. Apesar dos quase 7 anos o vinho ainda está em grande forma, indicando que ainda tem um longo período de vida.  

Saúde a todos!



18 Fevereiro 2012

Visitando a Casa Venturini



Quando almoçamos em Flores da Cunha, pedimos indicação de vinho branco ao garçom. Ele não teve dúvida e indicou o Chardonnay da Casa Venturini, o que acabou aguçando nossa curiosidade em relação à vinícola, que não estava em nosso roteiro inicial. Gostamos bastante do vinho, que tanto no restaurante quanto no varejo da vinícola é vendido a R$29, uma ótima compra. 

A vinícola foi fundada em 1989. Está localizada em Flores da Cunha, mas também tem vinhedos em Santana do Livramento. Sua história é muito ligada à produção de vinhos de mesa através da marca Goés, que é engarrafada no interior paulista, segundo a guia que nos recebeu.



Nosso interesse na visita era comprar garrafas do Chardonnay que havíamos provado no restaurante, em Flores da Cunha. Mas, a atendente chamou para conduzir uma rápida degustação o enólogo Felipe Bebber, que acabou mostrando outras potencialidades da vinícola. Então, algumas garrafas a mais foram adquiridas.

Os vinhos degustados foram:

- Casa Venturini Sauvignon Blanc 2010. Vinho de bons aromas, lembrando mais os SB de zonas quentes, menos herbal, maior presença de notas lembrando amêndoas. Boa acidez e final ligeiro. R$ 24.  

- Casa Venturini Le Bateleur 2008. Não queria desgustar esse vinho. Sem madeira, com mais de 3 anos de idade, garrafa daquelas que se usa em vinhos mais baratos. Mas, fui surpreendido com um vinho leve, bons aromas, equilibrado, muita fruta e somente uma ponta de amargor que incomodou. Boa surpresa. Comprei uma garrafa a R$ 25. 

- Casa Venturini Reserva Tannat 2009. Esse é o ícone da vinícola. Um tannat potente, de bom corpo e longa vida pela frente. Passou 18 meses em barricas e tem uma linda apresentação. Preço bastante atraente: R$ 29. 

- Casa Venturini Vivere Espumante Brut. Espumante correto, mas simples. O vinho base leva Chardonnay, Sauvignon Blanc e uma pontinha de Merlot, para dar corpo. Espumante com boa acidez e cremosidade. Boa compra a R$ 29.

- Casa Venturini Vivere Espumante Moscatel. Elaborado, segundo o enólogo, com a Moscato Branco. Mostra aromas característicos, florais. Boa cremosidade. Bom moscatel, mas com uma pontinha a mais de açúcar para meu gosto pessoal. Pode ficar enjoativo. R$ 28.

Para saber mais: www.casaventurini.com.br

Saúde a todos!
 

17 Fevereiro 2012

Bom exemplar australiano: Wakefield Riesling 2010


No dia 7 de janeiro o almoço à beira da piscina do DPNY começou com esse Riesling australiano, produzido pela Wakefield Wines, no Clare Valley, localizado na região de South Australia, que ocupa a porção centro-sul do país. Segundo informações, as primeiras vinhas foram plantadas por ingleses em 1840. O solo da região é variável: calcário, argila, rochas, ardósia são alguns elementos que auxiliam na produção de bons Riesling e respeitados Shiraz e Cabernet Sauvignon. 

Na taça tem coloração amarelo palha, com reflexos esverdeados. Aromas em boa intensidade, frutos brancos, como pêra e notas cítricas lembrando limão. Na boca é seco, quase austero, com bom corpo, acidez mediana e final de boa persistência. Algo mineral aparecendo de leve. Vinho muito correto que acompanhou bem os petiscos à base de frutos do mar.  Álcool a 13,5% de teor, sem incomodar. 

No mercado é vendido na faixa dos R$ 55-60. 

Saúde a todos!




16 Fevereiro 2012

Visitando a Boscato


Saindo da Luiz Argenta fomos à Vinícola Boscato, localizada em Nova Pádua, distante cerca de 13 km de Flores da Cunha.

A vinícola foi fundada em 1983 pelos irmãos Clóvis e Valmor Boscato, que realizavam na sua fundação o papel de enólogo e viticultor, respectivamente. Ao contrário da maioria das vinícolas gaúchas, a Boscato não produz espumantes.



Fomos muito bem atendidos no varejo da vinícola pela Andrelise, que nos apresentou quase todos os vinhos, com exceção do Anima Vitis, o ícone da vinícola. É um corte de CS, Ancelotta, Merlot, Refosco e Alicante Bouschet, vendido no varejo a R$200, mas num restaurante de Garibaldi estava na carta por módicos R$388.

Degustamos os seguintes vinhos: 

- Boscato Reserva Chardonnay 2011. Vinho jovem, sem madeira, fresco, aromas um tanto discretos. R$ 24.

- Boscato Reserva Gewürztraminer 2010. Grande expressão aromática, muito frescor. Um vinho que me deixou surpreso, tanto que comprei uma garrafa. Ótimo preço. R$ 24. 

- Boscato Reserva Merlot 2007. Vinho pronto para consumo, bons aromas, corpo mediano e taninos macios. Elegante. Bom preço. R$ 24.   

- Boscato Reserva Cabernet Sauvignon 2007. Outro tinto pronto para consumo, taninos macios, aromas interessantes. Boa compra. R$ 30.

- Boscato Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2004. O melhor tinto que provamos, não por ser o mais caro, mas porque é um vinho muito elegante, com aromas complexos, evoluídos, taninos maduros e ainda com tempo para afinar em garrafa. R$ 75.

Encerrada a degustação, a Andrelise nos ofereceu dois vinhos novos da vinícola, ainda sem rótulo e fora do mercado. Um Touriga Nacional e um Pinot Noir. Ambos bons vinhos, mas preferi o Pinot Noir em razão da tipicidade. São vinhos que estarão em breve à venda e certamente manterão a boa relação custo x benefício. 

Se for visitá-los, vá com um carro espaçoso, pois ficará tentado a comprar bastante. 

Para saber mais: www.boscato.com.br

Saúde a todos!
 

15 Fevereiro 2012

Faroeste toscano: Rocca delle Macie Chianti Classico DOCG 2008


É arriscado afirmar isso, mas acredito que esse tenha sido o melhor Chianti que já bebi. De personalidade marcante, é um ótimo vinho numa faixa de preços interessante (R$ 65-70). Bebemos o vinho num jantar do restaurante Tróia, no hotel DPNY, em Ilhabela, no dia 6 de janeiro. Mas garanto que o lugar e a atmosfera não influenciaram na avaliação do vinho. Eu juro!

É um vinho em que predomina a Sangiovese (95%) com uma pitada de Merlot (5%), com passagem de 6 a 10 meses por barricas eslovenas e francesas. É produzido pela Rocca delle Macie, que tem uma interessante história, pois foi fundada em 1973 por um cineasta italiano de filmes de faroeste, responsável por juntar a dupla Bud Spencer e Terence Hill. A Revista Adega já publicou matéria sobre isso (leia aqui).  


Voltando ao vinho, a maioria das reclamações que ouço a respeito dos Chianti é que têm pouco corpo e alguns carecem de personalidade. Não é, em absoluto, o caso desse, que nos aromas é intenso, mesclando muita fruta e um toque de especiarias. Na boca tem taninos amigáveis e a típica acidez dos vinhos italianos. Muita intensidade e equilíbrio em boca, vocação gastronômica, final longo em que se repetem as notas frutadas, de especiarias e algum tostado conferido pela madeira. 

Compra que prometemos repetir em breve, mas não ao preço do restaurante, que foi um tanto salgado. 

Saúde a todos!


14 Fevereiro 2012

Visitando a Luiz Argenta


Começamos nossa viagem ao Sul pela cidade de Flores da Cunha, onde pretendíamos visitar a vinícola Luiz Argenta, cujos vinhos já conhecíamos e sempre agradaram bastante. Aqui no blog já foram comentados o Espumante Brut, o Brut Rosé, o Cabernet Sauvignon Reserva 2004 e o Moscatel 2007 (relembre).

A vinícola é jovem (fundada em 1999) e tem uma arquitetura moderna, construída para que se utilize pouca ou nenhuma intervenção mecânica no deslocamento do vinho durante a produção, já que isso ocorre pela ação da gravidade e não por atividade mecânica. Do varejo pode-se ver toda a planta de produção.



Para  o turista há uma visitação completa, seguida de degustação. O valor pago (salvo engano $15) pode ser compensado na compra de produtos no varejo, que oferece os vinhos e espumantes, além de acessórios diversos. Há uma opção gastronômica, mas o restaurante só é aberto para grupos de 10 ou mais pessoas. 

Dispensamos o tour tradicional que oferecem ao turista e fotos direto para a degustação de alguns produtos:

- Luiz Argenta Chadonnay 2009. É um vinho aromático, leve, fresco, representa bem as características da variedade. Não tem passagem por madeira. R$37.

- LA Jovem Shiraz 2011. Produto recém lançado pela empresa. Tem uma garrafa com dois fundos, podendo ficar de pé e numa posição diagonal. Vinho jovem, com proposta de ser descontraído. É leve, aromático e fácil de beber. Ideal para fidelizar os iniciantes no mundo dos vinhos finos. R$39. 

- Luiz Argenta Cabernet Franc 2009. Outro vinho fácil de beber, sem passagem por madeira. Bons aromas e equilíbrio. R$37.  

- Luiz Argenta Gran Reserva Merlot 2005. O melhor vinho provado. Da excepcional safra 2005, ainda está em grande forma. Vinho complexo, de bom corpo e longo final. R$55. 



Após a degustação fomos convidados pelo nosso guia, o Tailan, para conhecer a cave. Descemos pelo elevador e entramos numa das mais bonitas caves brasileiras. Construída para armazenar barris e garrafas, tem uma mesa para receber grupos para jantares e degustações. No teto de concreto, foram construídas algumas cúpulas que permitem um efeito sonoro muito interessante. O visitante fica no centro da cúpula e sua voz ecoa com bastante força, mas é ouvido apenas por ele. Quem está fora da cúpula não consegue perceber o efeito. 

Enfim, uma vinícola que produz coisa muito boa, recebe bem o turista e está num lugar muito bonito, que vale ser conhecido.

Para saber mais: www.luizargenta.com.br


13 Fevereiro 2012

Começando a cumprir uma das promessas para 2012: Cepas Nobles Sauvignon Blanc 2010


Uma das promessas que fiz para 2012 foi de beber mais vinhos uruguaios, já que em 2011 foram somente 2. Isso é explicável porque em Uberlândia são pouquíssimas as opções de vinhos desse país, que gostamos muito em casa.

No dia 6 de janeiro chegamos em Ilhabela e fomos direto almoçar no restaurante Marakuthai, que levou estrelas do Guia 4 Rodas em 2009 e 2010. Lugar interessante, onde começamos a cumprir a promessa escolhendo esse Sauvignon Blanc elaborado pela tradicional Bodegas Carrau. Pertence à linha Cepas Nobles, que também tem Tannat, Cabernet Sauvignon, Chardonnay e Merlot. 

Na taça a coloração é amarelo palha. Aromas citricos moderados, maçã verde e leve defumado. Na boca é leve, notas cítricas bem presentes, frutos brancos, algo mineral. Tem bom frescor. Vinho delicado. Um pouco mais de intensidade lhe cairia bem. Álcool pareceu ser mais que os 12,5%. Final mediano, repetindo boca.

É menos vegetal e menos intenso que os SB chilenos ou neozelandeses, por exemplo. Mas é bem feito, delicado e vale ser conhecido. Foi bem com bolinho de camarão e um interessante ceviche feito com mexerica e limão cravo.

Saúde a todos!




12 Fevereiro 2012

Contando um pouco de mais uma viagem


Desde a última quinta-feira estivemos novamente no Rio Grande do Sul, hospedados em Bento Gonçalves, mas procurando conhecer novidades, produtores que ainda não havíamos visitado nas viagens anteriores. Desde 2008 fazemos pelo menos uma viagem para a região e de lá pra cá foram mais de 30 vinícolas visitadas. 

A partir da próxima semana entrarão aqui no blog notícias dessa viagem. Os post serão intercalados com os que já estavam programados para sair às segundas, quartas e sextas. Então, teremos postagens diárias por alguns dias, algo incomum no blog, mas necessário pra que os detalhes não fujam da memória. 

Contaremos um pouco das novas vinícolas que conhecemos: Luiz Argenta, Boscato, Casa Venturini, Maximo Boschi e Estrelas do Brasil, e de produtores que reencontramos, Don Laurindo e Adolfo Lona.   

A foto acima foi tirada numa das mais belas paisagens da Serra, literalmente no quintal do Irineo Dall'Agnol, enólogo e pesquisador, responsável pelo projeto Estrelas do Brasil

Saúde a todos!

10 Fevereiro 2012

Não compro novamente: Newen Reserve Pinot Noir 2010



Posso estar cometendo um erro nesse post, mas esse vinho decepcionou bastante. A qualidade apresentada não justifica nova compra. Como anotei no dia e compartilhei com amigos no Facebook e Instagram: um vinho passável!

É produzido na Patagônia, com passagem de 12 meses por barricas de carvalho, sendo 70% francês e 30% americano. Tem 13,5% de álcool. A vinícola é a respeitável Bodega del Fin del Mundo, que já teve coisa boa comentada por aqui (relembre).

Na taça a coloração é rubi, com boa transparência. Os aromas são discretos, com destaque para frutos silvestres. Tem pouco corpo. É seco. Acidez mediana. Fruta presente mas discreta. Magro. Final ligeiro. Fruta escondida. Madeira discretissima. Sem grandes atrativos. Passável. Álcool aparecendo e incomodando um pouco. 

Nessa seleção a Wine não acertou. A R$ 60 é uma compra ruim.  

Saúde a todos!

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08 Fevereiro 2012

Atendendo a pedidos: EA Tinto 2009


Há um tempo recebi um comentário no blog perguntando porque esse vinho ainda não havia sido comentado aqui. Respondi que era uma coincidência, porque já havíamos provado o vinho e gostado, mas em ocasiões que não permitiram as anotações. Essa lacuna é agora preenchida.

O vinho é elaborado pela Fundação Eugênio de Almeida, na região do Alentejo. Esse produtor é responsável também pelos famosos Pêra Manca, Cartuxa e Foral de Évora.

O EA é produzido desde 1992. É um Vinho Regional Alentejano. Para ser rotulado como vinho "regional" é necessário que leve 85% de uvas cultivadas na própria região. Está, em teoria, acima dos vinhos de mesa e abaixo dos vinhos DOC, mas essa não é uma regra exata, pois há excelentes vinhos regionais que são assim produzidos por escolha do produtor. 

Esse é elaborado com as uvas Trincadeira, Aragonez, Alicante Bouschet e Castelão, variedades tradicionais nessa importante região portuguesa. Não tem passagem por madeira e tem 14,5% de álcool. O enólogo é Pedro Baptista.  

Interessante o que a própria vinícola escreve no site sobre essa linha: "Tratam-se de vinhos do ano, com características próprias de vinhos jovens, fáceis de beber e para consumo imediato".

Coloração grená, com formação de lágrimas grossas. Aromas em boa intensidade, com destaque para frutos silvestres mais delicados, groselha, alguns frutos secos, notas balsâmicas e algo de especiarias (pimenta do reino). Na boca é leve, amigável, com taninos delicados, boa acidez e frutado bem presente. Final de média persistência, com levíssima adstringência conferida pelos taninos.

Atende muito bem a proposta de ser um vinho jovem, para consumo imediato. Tem um conjunto bem harmônico e franco, especialmente porque não passa por madeira. Tem vocação gastronômica para acompanhar pratos não muito potentes, massas e carnes.

Vale o que custa (R$ 39). Beba logo, pois não evoluirá com a guarda.

Saúde a todos!


06 Fevereiro 2012

Custo x benefício: Michel Torino Coleccion Torrontés 2010



No calor do cerrado os vinhos brancos, leves, frescos são uma ótima opção sempre. A Bodega El Esteco e sua linha Michel Torino é um exemplo que atende bem a proposta de vinhos corretos e baratos. Esse Torrontés é elaborado no Vale do Calchaqui, a 1.700 metros de altitude e me custou R$19,90. 

Coloração amarelo palha, com reflexos verdeais. Aromas em boa intensidade, com destaque floral. Boca tem acidez refrescante, é leve e descompromissado, com floral se repetindo e notas cítricas também. Final de boa persistência. Mostra bem as características da uva, bom frescor para combater as altas temperaturas de nossa região e pode acompanhar pratos leves, como saladas, peixes ou mesmo para bebericar. É daqueles vinhos para se comprar várias garrafas e deixar sempre à mão.

Saúde a todos!







03 Fevereiro 2012

Degustando a tradição do Casal Garcia Vinho Verde Branco 2010


Ao lado do Periquita tinto esse deve ser o vinho português mais vendido no Brasil. Foi comprado junto com o Quinta da Aveleda (relembre) quando fomos degustar para o tema de fevereiro da CBE (Confraria Brasileira de Enoblogs). O produtor é o mesmo, a Aveleda Vinhos S/A

O Casal Garcia é produzido desde 1939 e leva em sua elaboração as castas Trajadura, Loureiro, Arinto e Azal, todas nativas da imensa região noroeste de Portugal. Tem 10% de teor alcoólico e a vinícola aconselha que seja bebido em 2 anos.  A estratégia de levar o consumidor à conclusão de que o vinho tem coloração verde é mantida: garrafa azul + vinho amarelo = vinho verde, ou melhor, esverdeado.

Inevitável também a comparação desse vinho com o outro degustado, o Quinta da Aveleda, que custa um pouco mais caro (R$35) e leva a Alvarinho, uva mais importante da região, em sua elaboração. Já o Casal Garcia (R$25) apresentou as famosas "agulhas", aquela efervescência causada pelo gás carbônico e que em boca provoca ums sensação frisante, de grande frescor.

É discreto nos aromas, lembrando frutos brancos e flores. Na boca é leve, com a efervescência deixando uma agradável sensação de frescor e mineralidade no palato. Final ligeiro. Fácil de beber, como deve ser, ideal como aperitivo ou pratos mais leves. Em casa acompanhou bem uma salada, mas acredito que possa harmonizar-se bem com peixes e, talvez, um ceviche. Ainda vamos testar.      

Saúde a todos!


01 Fevereiro 2012

Nossa escolha do mês: Quinta da Aveleda Vinho Verde Branco 2010 #cbe


Observação: estranho começar um texto já com uma observação. Mas é que as linhas abaixo tiveram que ser reescritas emergencialmente. Após a publicação do texto original às 8:30 h, um erro de digitação passou batido. Fui tentar corrigi-lo e acabei perdendo todo o texto, não sei se por culpa do Blogger ou minha (o que é mais provável). Enfim, segue novo texto sobre o vinho a partir do que me lembro, já que escrevi direto no blog, sem tomar notas ontem à noite. 

Esse é o 65º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, que desde fevereiro de 2007 traz indicações independentes através dos blogs participantes. A escolha desse mês coube ao confrade Luiz Cola, do blog Vinhos e mais Vinhos, que mandou bem no tema: "vinho branco de Portugal até R$150". 

Optei pelos simples e direto vinho verde. Para quem não se lembra, é vinho verde aquele produzido numa região demarcada em 1908, no noroeste de Portugal, propícia à produção de vinhos brancos, especialmente a partir da casta Alvarinho. Podem ser tintos ou brancos, são leves, fáceis de beber, frutados, refrescantes e com baixo teor alcoólico. 

Minha escolha recaiu sobre esse produto da Avelada Vinhos S/A, elaborado a partir das uvas Alvarinho, Loureiro e Trajadura. Tem 11,5% de teor alcoólico e não passa por madeira.  Já teve a safra 2003 comentada aqui (relembre), um presente enviado pelo amigo João Barbosa, do blog João à Mesa, que recentemente lançou o livro "Grande Reserva", que será comentado aqui em breve.

Na taça a coloração é amarelo palha, com reflexos esverdeados. Aromas em boa intensidade para um vinho tão leve, demonstrando frescor, frutos brancos, flores e algo vegetal. Na boca é leve, com acidez marcante, repetição de flores e frutos. Final um tanto ligeiro, mas compensado pela boa intensidade de aromas e marcante presença em boca.

Vinho didático, que representa bem as características desse tipo de produto. Pode ser harmonizado com pratos mais leves, como saladas, frutos do mar e carnes brancas, desde que não abusem dos condimentos. 

Interessante: é comum a confusão sobre os vinhos verdes terem esse nome por possuirem uma cor esverdeada. Parece que os produtores não se importam com a confusão e até a incentivem. Repare na foto que o vinho na taça é amarelo, mas a garrafa é azul. Resultado: o vinho na garrafa parece ser verde.

Saúde a todos!



30 Janeiro 2012

Bom vinho, mas já passou o auge: Adobe Gewürztraminer 2009


Esse vinho é produzido pela Viñedos Organicos Emiliana, famosa vinícola chilena dedicada à produção orgânica de vinhos. Esse Gewürztraminer vem do Vale do Rapel, uma extensa região que engloba ainda os vales de Cachapoal e Colchagua. A vinícola está sediada nesse último vale, próxima à cidade de San Fernando.

Uma das explicações para a adoção de uma denominação mais ampla e menos específica são os mercados inglês e norte-americano, pois na língua inglesa é mais fácil a pronúncia de Rapel Valley do que dos outros vales. Já imaginou um londrino pronunciando Colchagua Valley ou Cachapoal Valley?

A vinícola mantém três linhas de vinhos, obedecendo a proposta de ser ecologicamente correta:
- Vinhos biodinâmicos: vinhos de categoria Ultra Premium, que possuem certificação de uma instituição alemã, única que pode fornecer esse tipo de documentação a produtos agroecológicos nomundo. 
- Vinhos orgânicos: possui certificação atestando que a vinícola cumpre as mais exigentes normas para a produção orgânica de alimentos. O vinho comentado pertence a essa linha. 
- Vinhos de manejo integrado: também certificados, garantindo que a bodega procura obter uvas da mais alta qualidade através da diminuição da quantidade de produtos químicos em seus vinhedos. 

Pois bem. O vinho reúne as boas características da uva Gewürztraminer, mas acredito que já tenha passado o auge. Não está defeituoso, mas pareceu menos interessante do que deveria. 

Na taça apresentou coloração dourado claro. Bons aromas, frutos brancos em calda, abacaxi, floral discreto e derivados de petróleo. Esse aroma deve vir da pequena parcela de Sauvignon Blanc que entra em sua elaboração (15% na safra 2011, mas não tenho informações sobre a 2009). Sinceramente, às cegas não apostaria num Gewürz. 

Na boca tem bom corpo, boa acidez e novamente aparecem as notas de frutos bem maduros, abacaxi e pêssego. Novamente o floral que simboliza a variedade aparece discreto. Notas adocicadas um tanto exageradas. Final ligeiro. Álcool a 14,5%, incomodando um pouco. 

Saúde a todos!




27 Janeiro 2012

Mais uma boa opção a menos de R$20: Alfredo Roca Syrah 2009


Mais uma boa opção em supermercados, pagando R$ 19. Um 100% Syrah muito honesto, sem defeitos, elaborado pela respeitada bodega Alfredo Roca, com uvas de San Rafael, em Mendoza. Tem passagem de 9 meses por barricas de carvalho.   

Na taça apresentou coloração púrpura, muito lacrimoso. Boa intensidade aromática. Frutos frutos negros, ameixa, bem como notas balsâmicas, amadeiradas e discreto mineral. Em boca tem corpo mediano. Ataque adocicado, com taninos macios e acidez moderada, mas em bom equilíbrio. Álcool a 13,4% também em equilíbrio. Notas amadeiradas presentes, mas muito bem integradas.

Final mediano, com frutado presente, mineralidade e madeira.  Bom conjunto.

Não é um excepcional vinho, mas a esse preço é uma ótima compra, daqueles pra se comprar muitas garrafas e deixar em casa para ocasiões informais. Pronto para beber.

Detalhe importante: esse é um vinho para ser consumido jovem. Na mesma ocasião compramos também a safra 2008, que em comparação com esse 2009 estava em grau inferior de qualidade, já na linha descendente. Prefira safras mais jovens. 

Saúde a todos!



25 Janeiro 2012

Provamos um belo vinho do Algarve: Marquês dos Vales Selecta Algarve 2008


Tenho um aluno português  que veio cursar Direito em Uberlândia. Há um tempo atrás me disse que o pai estava vindo ao Brasil e perguntou se eu queria encomendar algo. Tentando disfarçar minha vontade real, respondi "não". Mas conversa vai, conversa vem, perguntei de que região ele era. Respondeu ser do Algarve. Então eu disse com grau zero de segundas intenções: "Acho que nunca bebi um vinho do Algarve". Ele, gentil, disse que pediria ao pai para trazer um vinho da Terrinha. Não pude recusar, por óbvio!


O Algarve é a região vinícola mais ao sul de Portugal, fazendo divisa (ao norte) com o Alentejo. Possui quatro Denominações de Origem Controlada (DOC): Lagos, Portimão, Lagoa e Tavira. Porém, dá-se mais importância à categoria de Vinho Regional, tanto que o produtor desse tinto, a Quinta dos Vales, não produz vinho em nenhuma DOC. 

É um vinho moderno, assemblage de Castelão, Syrah, Aragonês e Cabernet Sauvignon, em proporções que desconheço, com estágio por barricas francesas pelo período de 10 meses. Foram produzidas 10.400 garrafas. Os enólogos são Paulo Laureano e Dorina Lindemann. 

Na taça a coloração é púrpura, com muitas lágrimas. Os aromas têm boa intensidade, com lembrança de frutos vermelhos bem maduros, elegante amadeirado (baunilha e côco), floral e especiarias. Boa complexidade. Madeira elegante e bem integrada, sem atrapalhar a fruta.

Tem corpo mediano, com taninos presentes, com aquela rusticidade que confere personalidade e vocação gastronômica. Ainda podem evoluir nos próximos 2 anos. Acidez equilibrada. Final persistente, com boa fruta. Boca seca, em razão da carga tânica. Vinho seco, sério, que pede comida. Álcool a 13,5% de teor, sem incomodar. 

Não sei se está disponível no mercado brasileiro, mas se estiver é uma bela compra. 

Saúde a todos!



23 Janeiro 2012

Por $22 é uma ótima compra: Santa Carolina Reserva Syrah 2007


Minha sogra gosta de vinhos e sempre que vou a Catalão (GO) procuro nos supermercados algumas sugestões pra ela. Mulher inteligente que é, tem bom gosto para genros e gosta das boas relações custo x benefício quando se trata de vinhos. Não gosta de gastar mais do que R$35-40 numa garrafa. De vez em quando compro umas bombas, mas acerto em outras, como nesse caso. 

Esse Syrah estava à venda num supermercado a $22. Embora seja de uma safra mais antiga (2007) para um vinho dessa faixa de preços, resolvi arriscar porque estava bem armazenado. Ótima compra. 

É produzido pela tradicional Santa Carolina, com uvas da denominação genérica Vale Central. Tem passagem por barricas francesas e americanas pelo período de 7 meses. Tem 14% de teor alcoólico. 

Na taça a coloração é rubi, um pouco denso e com pouca transparência, mas sem qualquer sinal de turbidez. Aromas em boa intensidade, típicos da variedade, frutos vermelhos, pimenta do reino, especiarias, menta e abaunilhado da madeira.

Em boca tem corpo mediano, com taninos ainda vivos e levemente rascantes. Acidez discreta e álcool aparecendo de leve. Final de média persistência, com destaque para especiarias, menta e madeira em maior dose, escoltados por boa fruta. Taninos deixando a boca levemente seca. 

Vinho correto, sem defeitos, que atende a proposta de ser um vinho de entrada. Acompanha bem carnes vermelhas e até massas com molhos mais potentes.

Vinho com boa tipicidade. Fiz um teste às cegas com a Érika e pedi para ela dizer qual a variedade. Ela, sem pestanejar, disse: "é um Syrah!"

Saúde a todos!



20 Janeiro 2012

Esperava mais desse vinho: Momentos de Chile Chardonnay 2010


Uma das vinícolas que visitamos em janeiro do ano passado foi o Château Los Boldos, casa fundada em 1991 no Vale de Cachapoal. Na verdade foi uma visita um tanto rápida, porque eles ainda não recebiam turistas, mas um guarda muito gentil fez as honras da casa. 

Ainda não havia comentado nenhum vinho deles, porque em nossa região não são figurar fáceis. Mas ao encontrar esse 100% Chardonnay num dia de calor, resolvi arriscar. As uvas são provenientes do Vale do Rapel.   

Vinho de coloração amarelo, com reflexos verdeais. Bons aromas, lembrando frutos brancos, pêra, abacaxi em calda, leve amanteigado, embora não tenha passagem por barricas. Discretíssimo tostado. 

Na boca tem bom corpo, acidez discreta. Frutado se repete, acompanhado de notas amanteigadas. Álcool presente (13,5%). Final ligeiro. Como não tem passagem por madeira, esperava uma fruta mais exuberante, com mais frescor, mas o vinho é até um pouquinho chato. Ao preço que pagamos (R$32) há opções mais interessantes.  

Saúde a todos!


18 Janeiro 2012

Um grego no supermercado: Tsantali Nemea Rouge 2008


Fui ao Carrefour e me deparei pela primeira vez com vinhos gregos na prateleira. Pelo preço, resolvi arriscar comprando dois tintos e um vinho de sobremesa (colheita tardia). Total da compra: R$80. Risco calculado.

Esse é o mais simples dos tintos que comprei, pagando R$24. É produzido na região de Nemea, uma Apelação de Origem Protegida localizada no Peloponeso.

Na taça um vinho de coloração grená, indicando delicadeza, parecendo um Pinot Noir. Aromas um tanto fechados de início, mas que se abriram um pouco com um tempo de serviço. Frutos silvestres, cereja, pó para maquiagem e algo balsâmico. 

Na boca tem pouco corpo, taninos dóceis, boa acidez, terra e frutado delicado bem presente. Lembrança de madeira muito discreta.  Final marcado pela fruta, sem complexidade e persistência mediana. Álcool a 12,5%, sem aparecer.

Vinho barato, sem defeitos, mas sem grandes atrativos, lembrando os PN de linhas mais acessíveis. Tem boa acidez para acompanhar, por exemplo, massas com molho de tomate.

Vinho que se não é excepcional, pelo menos não é um desastre. Minha avaliação é positiva considerando o preço. Se custasse R$40, por exemplo, já não seria interessante. 
 
É produzido pela Evangelos Tsantalis, casa fundada em 1890. Provavelmente é um vinho para o mercado externo, já que não vi notícia dele no site do produtor.

Saúde a todos!


16 Janeiro 2012

Mais uma surpresa brasileira, o elegante Rastros do Pampa Premium Cabernet Sauvignon 2009


No ano passado experimentamos 2 espumantes da Estância Guatambu que gostamos bastante. Um extra-brut elaborado pelo método Champenoise (relembre) e um brut pelo método Charmat (relembre), sendo esse último uma grande surpresa. 

Os vinhedos da vinícola ficam na Campanha Gaúcha, quase divisa com o Uruguai e a produção é limitada. No caso desse Cabernet Sauvignon foram produzidas apenas 12.000 garrafas e abrimos a de nº 9.975. 

Na taça a coloração é rubi, com formação de muitas lágrimas. Bons aromas, frutos vermelhos e negros, ameixa, groselha e leve álcool quando a temperatura estava mais alta. 

Na boca o corpo é mediano, com bom equilíbrio já no primeiro gole. Taninos dóceis, finos, acidez presente e equilibrada. Álcool não esteve presente em boca. Final longo, com muita fruta, chocolate, madeira muito bem integrada. Boca levemente seca, vocação gastronômica. 

Um Cabernet Sauvignon "amigável", diríamos. É delicado, sem ser chato ou doce.  Tem menos taninos e acidez que os vinhos do Vale dos Vinhedos.

Evoluiu bastante durante a degustação e a última taça foi a melhor, (in)felizmente. Parece pronto para beber já, embora possa evoluir com a guarda.

Avaliação VPT = 87/100 pontos. 

Saúde a todos!