26 Fevereiro 2009

Casa Silva Colección Carmenère 2006

Este interessante vinho é produzido pela Viña Casa Silva, uma empresa familiar, cuja história começa em 1892, quando Emílio Bouchon chega ao Chile vindo de Bourdeaux. Seu diretor técnico é o enólogo Mario Geisse, que fundou em 1979 a Cave de Amadeu, que elabora excepcionais espumantes em Pinto Bandeira, distrito de Bento Gonçalves.
Foi um presente que ganhei de minha esposa em março do ano passado e custou (segundo ela) R$29. Uma excelente relação custo x benefício, sem dúvida.
Este Carmenère se distingue de outros nesta faixa de preços pela harmonia entre taninos, acidez e álcool. Não é tão encorpado como a maioria, apresentando-se mais elegante, com madeira muito bem dosada pelo enólogo (20% do vinho passa 6 meses em carvalho).
Na taça, um rubi intenso, escuro e brilhante, manchando as paredes. Aromas medianos, mas marcantes, com evidente lembrança de frutos vermelhos maduros e ervas (em proporções semelhantes). Madeira muito discreta.
Leve, tem taninos doces e acidez discreta, com retro-olfato levemente amadeirado e muita fruta. Final longo, com fruta e madeira se entendendo bem. Amargor discretíssimo.
Vale o que custa. Evoluiu depois de aberto e melhorou com comida. Álcool não apareceu em nenhuma etapa da degustação (13,5% de teor).

23 Fevereiro 2009

Artero Tempranillo 2007

Comprei este vinho por R$23,50 e gostei do resultado. O ponto negativo ficou por conta do final muito ligeiro, mas tem bons aromas e melhorou na boca. É produzido na região de La Mancha, uma das Denominaciones de Origen espanholas, pela tradicional Viñedos e Bodegas Muñoz, fundada em 1940.
De coloração púrpura e reflexos violáceos, formou lágrimas abundantes, finas e lentas. Boa intensidade aromática, lembrando frutos vermelhos bem maduros e compota. Leve álcool no nariz (14%).
É leve, de pouco corpo, mas com taninos vivos e acidez marcante. Retro-olfato repetindo compota. Final curto para o frutado e para os taninos, prevalecendo um gostoso tostado. Álcool de leve no final.
Como disse, vinho que evoluiu entre os aromas e a boca, mas caiu bastante no final pouco persistente. É gostoso, agradável e com bom preço. Pronto para beber!

20 Fevereiro 2009

Oracle Shiraz 2007

Em dezembro comprei este vinho por R$26,90 e esperava mais dele. No fundo, ficou a impressão de um vinho bastante padronizado com outros sul-africanos já comentados aqui, especialmente em relação ao Two Oceans Pinotage (relembre). Você deve pensar: Pinotage e Shiraz, parecidos? Sim, existem coisas que só a madeira em excesso faz por você! Mas é um vinho que não desgrada, além de ter bom preço.
De coloração púrpura-violáceo, apresentou intensos aromas, com presença marcante do amadeirado no início. Com a agitação da taça, aparecem frutos vermelhos maduros e algumas notas mentoladas. Depois de um tempo aberto, o frutado ficou mais franco, com madeira menos agressiva.
Corpo mediano, com taninos doces e maduros. Baixa acidez. Final com frutado curto, prevalecendo a madeira. Álcool dando potência (14%), desequilibrando um pouco e "queimando" o palato.
Produzido na genérica região de Western Cape, é um vinho pra ser bebido jovem, simples e agradável. Vale pela experiência de beber um Shiraz sul-africano. E só!





17 Fevereiro 2009

Sunrise Shiraz 2006

Há muito tempo não bebia um vinho da linha Sunrise, produzido pela gigante Concha y Toro. São vinhos carregados na madeira, que por vezes atrapalha um pouco, mas geralmente são uma compra certa, ideais para o dia-a-dia, com preços bastante acessíveis. Por este Shiraz paguei R$20, em setembro do ano passado.
Tem coloração púrpura, com notas violáceas. Seus aromas são tímidos, lembrando frutos vermelhos bem maduros (ameixas), um leve defumado e muita baunilha.
É um vinho leve, com pouco corpo. Um leve amargor no palato e madeira dando o tom no retro-olfato. O frutado antes presente no nariz perdeu-se um pouco por conta do amadeirado. Taninos um pouco ásperos e baixa acidez. Álcool sem incomodar (13,5%). Final com alguma agressividade tânica e mediana persistência. Fruta ofuscada pela madeira novamente.
Não é ruim, chega a ser agradável, mas deve ter sido melhor no passado. Se tiver em casa, beba logo. Se encontrá-lo na prateleira de alguma loja ou supermercado, compre safras mais recentes.

15 Fevereiro 2009

Cabriz Rosé Dão DOC 2007

Em dezembro os participantes da Confraria Brasileira de Enoblogs fizeram indicação de um espumante para as festividades dos leitores (relembre). A experiência foi bacana e resolvi repetir a sugestão a todos para indicarem um rosé para o verão. A idéia foi aceita por muitos e hoje haverá uma saraivada de rosés nos enoblogs da confraria (ver blogs brasileiros no menu à direita).
Minha escolha foi este produto da Dão Sul, um corte de Touriga Nacional e Alfrocheiro, produzido na região demarcada do Dão, que são quase sempre uma compra certa na faixa de preços deste blog. Pela garrafa paguei R$25, o limite máximo da proposta que fiz aos confrades.
Na taça, coloração vermelho cereja, bastante vivo e brilhante. Aromas de boa intensidade, com frutos delicados em primeiro plano (destaque para morango) e notas minerais bastante interessantes.
Na boca é refrescante e com bom volume. Acidez marcante, retro-olfato frutado e mineral. Final muito agradável e persistente. Sem sinal do amargor que pode aparecer em rosés deste preço. No fundo da taça ficaram aromas frutados e destaques minerais.
Vinho muito correto, que atende as expectativas de um rosé para o verão e tem bom preço.

13 Fevereiro 2009

Toso Espumante Brut

A Bodegas y Viñedos Pacual Toso foi fundada em 1890, por um imigrante italiano do Piemonte, don Pascual Toso, que chegou à Argentina dez anos antes. Hoje, é considerada a segunda empresa no país em produção e venda de vinhos espumantes. No site da vinícola não há informação sobre as uvas utilizadas na produção deste espumoso. Mas arrisco dizer que não leva Pinot Noir. Talvez apenas Chardonnay ou esta cortada com Riesling. Produzido pelo método charmat, leva de seis meses a um ano para elaboração do vinho base, mais dois meses em autoclaves de aço para segunda fermentação e maturação de, no mínimo, três meses em garrafa, para aprimoramento do bouquet. Pela garrafa, paguei R$26,90.
Na taça tem coloração amarelo-esverdeado, com bolhas grandes e de média intensidade. Bons aromas iniciais, lembrando frutos cítricos. Mas desapareceram rapidamente.
Refrescante e cremoso, apresenta notas "verdes", mas agradáveis. Retro-olfato com leve tostado. Final de média persistência, com prevalência dos aromas da fermentação se sobrepondo ao frutado.
Dá conta do recado, sem ser extraordinário. Razoável relação qualidade x preço, porque por este valor compra-se espumantes brasileiros melhores.
Ponto negativo: a rolha! Teria passado vergonha se fosse abrir a garrafa perto de convidados. Foi muito difícil e cansativo. E olha que tenho certa experiência no assunto...

10 Fevereiro 2009

Montes Seleccion Limitada Pinot Noir 2007

Ganhei este vinho da minha cunhada, em agosto do ano passado. Foi degustado no final de dezembro, mas consegui programar o comentário somente para este início de fevereiro . Não sei quanto ela pagou, mas no importador é vendido em torno dos R$58. É produzido com uvas do Vale de Casablanca, pela importante Viña Montes, fundada em 1987 e que produz o famoso Montes Alpha. Passa seis meses em barricas francesas. Na taça, apresentou coloração rubi um pouco mais escura que a maioria dos Pinot Noir, com lágrimas fáceis, grossas e lentas. Boa intensidade aromática, com aromas típicos da casta (frutos silvestres) e leve toque de ervas, com abaunilhado competindo com a fruta, no limite do meu gosto pessoal.
Na boca, é redondo, de corpo mediano, com taninos macios e boa acidez. Retro-olfato levemente frutado, com leve adocicado. Potência dada pelo álcool (14,5%), mas sem ser alcoólico. Final mediano, com predominância amadeirada e um pouco de terra no final. Amargor leve em alguns momentos.
Vinho de razoável relação qualidade x preço, que pode representar as características da Pinot Noir chilena.

07 Fevereiro 2009

Cordelier Merlot 2006

A Vinícola Cordelier é uma das mais charmosas do Vale dos Vinhedos. Possui lindas instalações e um restaurante muito bom, o Don Ziero. É a primeira vinícola do vale, bem na entrada e produz ótimos tintos, com destaque para o Reserva Cabernet Sauvignon 2005 (relembre). Mas seu Reserva Chardonnay também é especial, sendo o primeiro vinho comentado nesse blog, da safra 2000 (relembre). Este Merlot não é um "reserva" e acredito que não tenha passado por madeira. Embora a safra 2006 não tenha sido das melhores no Vale, conseguiu demonstrar as boas características da uva em solo brasileiro. O ponto forte fica por conta da garrafa estilizada com jato de areia, dando a impressão de que esteve por décadas na adega.
Um vinho de aromas típicos da Merlot cultivada no sul do país, de intensidade média. Leve, com taninos marcando presença, tem acidez moderada e bastante equilíbrio, sem que o álcool aparecesse em nenhum momento (12%). Ficou mais macio depois de um tempo.
Final persistente e frutado, com os taninos marcando levemente o palato. Retrogosto que surpreendeu. Vinho correto, pronto para beber (R$19, no varejo da vinícola).

04 Fevereiro 2009

Angheben Touriga Nacional 2005

Estive na Vinícola Angheben em outubro e gostei muito do que vi. A casa possui vinhedos em Encruzilhada do Sul, na Serra do Sudeste, mas sua cantina está no Vale dos Vinhedos. Os produtos são bem cuidados e têm ótima apresentação visual. O rótulo da foto está estragado porque na viagem de volta a companhia aérea quebrou duas garrafas, manchando várias outras.
Este vinho tem produção limitada (6700 garrafas), sendo um excelente exemplar de Touriga Nacional cultivada em solo brasileiro. Um vinho muito bem feito, que vale conhecer e com boa relação qualidade x preço (R$36, no varejo da vinícola).
Na taça apresentou coloração rubi, muito brilhante e com boa transparência, formando lágrimas lentas e grossas. Ainda um pouco acima da temperatura ideal, apresentou aromas iniciais a ervas e temperos. Com agitação na taça surgiram notas frutadas (frutos vermelhos delicados) e discreto floral (violetas).
De pouco corpo, é um vinho leve, com taninos doces, embora com alguma aspereza. Tem baixa acidez e retro-olfato frutado. Redondo em boca. Final mediano, com leve presença dos taninos e gostoso frutado, com algumas notas florais e de especiarias.
Vinho mais delicado do que potente. Muito elegante e equilibrado. Aliás, os vinhos desta vinícola se mostram muito bem feitos e elegantes. Na visita provei o Barbera 2007 e o Teroldego 2005, outros dois produtos que valem a pena conferir.

01 Fevereiro 2009

Michel Torino Coleccion Shiraz 2007

O 25º vinho da Confraria Brasileira de Enoblogs foi escolhido pelo blog De Vinho em Vinho. Na verdade ele escolheu o Pinot Noir 2007, que já comentei aqui em setembro do ano passado (relembre). Pra não passar em branco, escolhi um Shiraz da mesma linha, mesma safra e mesma região, que me custou R$21. Deu pra reforçar a idéia de uma linha confiável da Bodega El Esteco, com vinhos corretos e preços convidativos.
Vinho de coloração púrpura com notas violáceas, demonstrou jovialidade. Bons aromas a frutos vermelhos e negros maduros, com floral (violetas) em segundo plano. Madeira muito discreta.
De corpo mediano, tem taninos doces e macios, sem ser "magro". Final curto, com frutado discreto e álcool muito leve (13,5% de teor). Leve "secura". Com a pizza não combinou muito bem, mas acho que a culpa foi de quem harmonizou (eu mesmo).
Vinho honesto. Sem ser exuberante, vale o preço. Fruta e madeira bem integradas, álcool sem atrapalhar e certa estrutura. É melhor em boca do que os aromas sugerem. Fácil e pronto para beber, podendo ser um aperitivo ou acompanhar comida.