29 Março 2009

Abadia Vegas Tempranillo 2006

A Bodegas Avelino Vegas, fundada em 1950, produz este vinho na região demarcada de Castilla y Leon, mas tem outros vinhos provenientes de Ribera del Duero, Rueda, Rias Baixas e Rioja.
Pela garrafa paguei $29 e não gostei do resultado final. Esperava mais. Mostrou-se pouco aromático e um tanto rústico, mais do que esperado para um Tempranillo.
Na taça tem coloração rubi, com formação de finas e lentas pernas. Aromas bastante fechados durante toda a degustação, com lembrança resinosa e algum frutado. Apareceu um estranho aroma cítrico, lembrando “sumo de laranja ou mexerica”. Álcool aparecendo já no nariz (13% de teor).
De pouco corpo, apresentou taninos vivos e um tanto duros ainda. Pouca acidez e retro-olfato com leve álcool. Final curto, marcado pela presença tânica e frutado discreto.
Enfim, um vinho que não vale o preço que paguei, com álcool desequilibrando o conjunto. Pouco interessante.

26 Março 2009

Salton Desejo Merlot 2005

Falar bem deste vinho é "chover no molhado", pois já se tornou um ícone entre os enófilos e já deve ter sido comentado pela maioria dos enoblogs brasileiros. Mas gosto de guardar os vinhos e degustá-los após algum tempo de guarda. Por esta garrafa paguei R$45, no varejo da Vinícola Salton, em outubro de 2008. Fui lá especialmente para comprá-lo, juntamente com um Pinot Noir da linha Volpi, já comentado aqui (relembre).
É um vinho muito elegante e harmônico, que está mais que pronto para ser consumido. Fácil e saboroso, tem muitos atributos positivos e nada (ou quase) de negativo. Apenas não evoluirá, penso eu.
De coloração púrpura-violáceo, é um vinho denso, de pouca transparência. Lágrimas grossas e lentas, manchando a taça. Tem aromas intensos, destaque para elegante tabaco e notas defumadas, frutos negros em segundo plano e notas de especiarias aparecendo ao fundo, dando boa complexidade aromática.
Bom corpo, com taninos macios e acidez moderada. Amplo. Retro-olfato frutado e muito elegante. Final mediano (esperava mais), com boa integração entre defumado da madeira e frutado.
Gostei muito da harmonia do vinho, com madeira muito bem dosada (12 meses em carvalho francês e americano 50-50). Equilíbrio total entre taninos, acidez e álcool (13% de teor). Valeu cada centavo.
Obs.: o rótulo manchado é responsabilidade da companhia aérea!

24 Março 2009

Carta Vieja Clásico Cabernet Sauvignon 2008

Este vinho da tradicional vinícola Carta Vieja é de sua linha mais básica, que tem também varietais Chardonnay, Merlot e Sauvignon Blanc. Já comentei um Merlot desta mesma linha (relembre). Por esta garrafa paguei R$18 em janeiro, com bom resultado, mas nada de extraordinário.
De coloração púrpura (quase azul) e pouca transparência, é um vinho com bons aromas, dominados pelo abaunilhado tradicional da maioria dos "básicos" chilenos. Em segundo plano, tem frutos maduros (vermelhos e negros) e um mentolado evidente. Melhorou depois de aberto.
É um vinho seco, de pouco corpo (menos que o esperado), com taninos ainda rústicos e acidez mediana. Perdeu um pouco de interesse em boca.
Final curto para frutado, com permanência amadeirada e álcool de leve (13%). Vale o que custa, mas não chega a empolgar. Merece ser decantado por uma hora. Acompanhará pratos mais gordurosos, sem problema.

20 Março 2009

Terranova Blanc de Blancs Brut 2008

Escrevo o post no momento em que degusto este espumante produzido pela Miolo no Vale do São Francisco, um interessante corte de Chenin Blanc, Sauvignon Blanc e Verdejo, pouco usual nos produtos brasileiros. Utiliza o método charmat e é um típico espumante para aperitivo, pelo qual paguei R$22,90. Na taça tem coloração palha bem clara, com leves reflexos esverdeados. Apresentou perlàge fina, mas de intensidade mediana. Formou espuma rápida. Nos aromas é discreto, com lembrança cítrica e nuances minerais, indicando refrescência.
Na boca mostrou-se refrescante como esperado, com acidez marcante e retro-olfato agradável (cítrico), embora pouco intenso. Leves notas de fermentação, que melhoram quando a temperatura está correta. Final mediano e um pouco "verde" em razão das uvas utilizadas no vinho-base (todas brancas, daí ser um blanc de blancs).
Particularmente, prefiro os espumantes produzidos pelo método tradicional (champenoise), que dá aromas mais complexos. Mas este tem refrescância que compensa os aromas discretos e tem boa relação custo x benefício, embora haja espumantes melhores no mercado brasileiro a preços parecidos.

16 Março 2009

Encuentro Malbec 2006

Um amigo chegou em casa trazendo este vinho, devidamente "embrulhado" em papel pardo. Uma degustação às cegas? Melhor exercício não há.
De início, deu para perceber ser um vinho simples, que dependendo do preço seria bem honesto. De coloração rubi com notas violáceas, tem abundantes lágrimas, grossas e lentas. Bons aromas, com leve álcool, mas sem atrapalhar. Fruta madura. Mesmo não sendo meu ponto forte, consegui identificar tratar-se de um Malbec. Boa tipicidade, portanto.
Na boca é leve, com taninos vivos e acidez marcante. Retro-olfato com leve frutado e amargor em alguns momentos. Final curto para frutado, com prevalência de gostoso amadeirado, mas sem "falsidades". Vinho com mais qualidades que defeitos. Quando revelou o preço (R$17), achei honesto e satisfatório. Não encontrei informações sobre o produtor, mas segundo o rótulo é importado pela Grand Cru, embora no site da empresa não tenha referência ao vinho. Boa escolha para o dia-a-dia.


12 Março 2009

Alta Vista Classic Torrontés 2007

Este é o 27º da Confraria Brasileira de Enoblogs. A indicação veio do Cristiano Orlandi, do blog Vivendo Vinhos. Me atrasei pela primeira vez na postagem de um vinho do mês, mas tive minhas razões.
Pela garrafa, paguei R$32. Trata-se de um vinho produzido pela Alta Vista Wines, em Salta, região a noroeste do país, com grande variação térmica nas partes altas e vento úmido nos vales. A relação custo x benefício não é muito interessante, mas valeu a pena degustar este bom exemplar da uva Torrontés, com todas as suas características principais bem presentes.
Na taça um amarelo palha, com notas esverdeadas muito discretas. Boa intensidade aromática, com presença de flores e frutos brancos. Notas cítricas também, com um pouco de abacaxi. Um vinho leve, marcado por uma acidez acentuada, o que tornou o vinho bem refrescante (seu ponto alto). Bastante equilibrado, não demonstrou ter 14% de teor alcoólico.
Retro-olfato com alguma mineralidade e final longo, muito gostoso, prevalecendo as notas florais. Vinho que não apresentou sinais de madeira, embora o rótulo descrevesse essa sensação aromática. Vinho jovem, leve e refrescante, ideal para nossos dias de calor.

08 Março 2009

Cono Sur Reserva Viognier 2007

Hoje minha esposa faz aniversário e resolvi postar comentários sobre um vinho que gostamos muito. Aliás, à exceção de uns cinco vinhos (se tanto), todos os demais aqui comentados foram provados junto com ela, que me ajuda muito com suas opiniões.
Chegamos a comentar que este é um vinho para presentear alguém especial. Seu preço não é dos mais exagerados (pagamos R$48), a garrafa é bonita e o vinho é ótimo (o que mais importa, afinal). Procuramos por defeitos, mas não encontramos.
A uva Viognier tem origem na França, produzindo vinhos no norte do Rhône. Tem sido plantada com sucesso na Argentina, mas começa a fazer bons vinhos também no Chile, como esse produzido pela Cono Sur, com uvas do Vale de Colchagua. Tem passagem de 40% do líquido por barricas de carvalho.
Na taça tem coloração amarelo-palha, com leve reflexo esverdeado. Ótimos aromas frutados (talvez pêssego), leve defumado e discreta lembrança de frutos secos.
Melhorou muito na boca. É leve e refrescante, com boa acidez (embora a variedade não tenha esta característica). Retro-olfato revelando notas frutadas e gostoso defumado. Equilíbrio ideal entre acidez e álcool (13,5% de teor). Sedoso e macio no palato, é levemente adocicado, com bom volume. Final persistente, com acidez marcante e defumado finalizando.
Compre sem medo. Embora seja um "Reserva", o carvalho não lhe deu peso, como é comum em alguns brancos do "Novo Mundo". Pronto para beber, mas se encontrar a safra 2008, prefira, pois é vinho para ser bebido jovem.
Para minha esposa, desejo toda a felicidade que merece e que nossa vida continue sendo tão intensa e prazerosa quanto este vinho.

05 Março 2009

Cousiño Macul Don Luís Cabernet Sauvignon 2006

Já comentei a safra 2004 deste vinho (relembre), que considerei o "mais intenso" dos vinhos comentados em 2007. Mas neste 2006 a Cousiño Macul não repetiu o êxito, pois o álcool atrapalhou o equilíbrio do vinho, cuja garrafa me custou R$29 em julho do ano passado. Em se tratando de um vinho com razoável potencial de guarda, talvez fique mais equilibrado em 1 ou 2 anos, desde que bem armazenado.
De coloração rubi e bordas levemente alaranjadas, formou lágrimas finas e lentas na taça. É intensamente aromático, com evidentes frutos vermelhos maduros e um marcante mentolado. Algo lembrando azeitona preta também. Chega a ser "doce" no nariz.
Tem corpo mediano, com taninos vivos, mas apresentando madureza e leve adocicado. Boa acidez e retro-olfato gostoso, muito frutado. Mas o álcool "queimou" um pouco, acima do tolerável (14% de teor).
Final de boa persistência, com presença do doce da fruta, acompanhado de um destaque alcoólico. Madeira muito bem integrada.
Um típico Cabernet Sauvignon chileno, com uvas do Vale do Maipo, mais especificamente do Alto Maipo, área cercada pela Cordilheira dos Andes, com grande amplitude térmica, favorecendo o desenvolvimento lento de bons cachos. Uma ótima região para esta uva.

01 Março 2009

Quara Torrontés 2007

Este simpático Torrontés é produzido pela Lavaque - Bodegas y Viñedos, cuja história remonta ao ano de 1870, quando o pioneiro Don José Lavaque planou as primeiras videiras nobres no Vale de Cafayete, província de Salta. Atualmente a vinícola possui 360 hectares de vinhedos próprios, cultivando as variedades Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot, Tannat, Syrah, Barbera, Bonarda e Torrontés.
Paguei R$16,90 pela garrafa deste vinho, produzido com uvas de um vinhedo de 45 anos de idade, localizado no Vale de Cafayete. Um vinho que corresponde ao preço pago, mas nada excepcional, ficando alguns degraus abaixo de outro Torrontés barato que comentei aqui no ano passado (relembre).
Vinho de coloração amarelo-palha (sem reflexos esverdeados), é brilhante e límpido. Tem aromas de boa intensidade, lembrança a flores brancas e perfumadas, com notas cítricas aparecendo mais nitidamente, destacando-se aromas de limão.
Leve e com alguma untuosidade, tem boa presença em boca, com acidez mediana, conferindo certa refrescância. Tem final curto, prevalecendo os toques cítricos. Amargor muito discreto, mas sem estragar.
Vinho gostoso e simples, sem defeitos comprometedores. Não espere muito!