28 Abril 2009

Cave de Pedra Reserva Tannat 2002

O que esperar de um Tannat brasileiro com 7 anos de idade? Sinceramente, esperava apenas que estivesse sem defeitos. Mas este Cave de Pedra mostrou muito mais qualidades do que eu esperava, com resultado superior ao Fortaleza do Seival 2006 que comentei na última postagem.
Quando estive na vinícola em outubro de 2008, falaram a respeito de uma total reformulação dos produtos, a começar pelos rótulos. Este ainda é dos antigos, pertencente a uma linha agora chamada "Raridade", porque não vão mais produzi-lo. Não me recordo quanto paguei, mas foi algo em torno dos R$30. Comprei a garrafa nº 1449.
Na taça um bonito rubi, límpido e de boa transparência, com bordas levemente alaranjadas, demonstrando evolução. Lágrimas grossas e lentas.
Boa intensidade aromática, com evidente toque de frutos vermelhos maduros, chocolate e tabaco, típicos dos vinhos da casa. Tudo bem integrado. Na boca é seco e com bom corpo, com taninos ainda firmes e boa acidez, demonstrando uma estrutura surpreendente para a idade.
Retro-olfato com algo vegetal e repetição do frutado e tabaco. Final longo, repetindo fruta e madeira. Após algum tempo na taça apareceram aromas lembrando queijos moles, que foi sentido por todos que beberam o vinho.
Enfim, um vinho ainda muito valente, demonstrando as boas características da uva, com boa estrutura, fruta e certa complexidade. Fiquei muito satisfeito com o resultado. Pena não encontrá-lo mais.

24 Abril 2009

Fortaleza do Seival Tannat 2006

Os vinhos da linha Fortaleza do Seival, produzidos pela Miolo na Campanha Gaúcha são uma boa escolha, embora mereçam cuidado na compra, pois os supermercados não costumam cuidar bem deles. Além disso, um ponto que acho interessante: no contra-rótulo há indicação do auge e decadência do vinho. Este Tannat, por exemplo, fica melhor com dois anos de garrafa. Realmente, em 2008 certamente foi melhor, mas ainda é confiável e cumpre o papel de um vinho de R$22.
Na taça tem coloração púrpura e reflexos violeta. É denso, com lágrimas grossas, lentas e abundantes. Ainda tem bons aromas frutados (bem maduros), aparecendo notas florais discretas.
Tem corpo mediano, com taninos já amaciados e doces (especialmente para um Tannat), com acidez em destaque, dando uma boa presença em boca. Retro-olfato frutado e final mediano, bastante agradável. Álcool presente, mas sem incomodar. Discreto amargor no final, com madeira bem dosada.
Posso dizer que este 2006 já perdeu intensidade, mas está equilibrado e ainda satisfatório. Gostei mais deste que do 2005, que exagerava um pouco na madeira.

20 Abril 2009

Casa de Vilacetinho Vinho Verde 2007

Comentei o último vinho verde no blog em setembro de 2007 (relembre), um presente que recebi do amigo João Barbosa, diretamente de Lisboa. Experiência difícil de se repetir na faixa de preços deste blog. Porém, ao encontrar este vinho no Makro (R$24), resolvi arriscar. Resultado: muito longe do excelente Alvarinho Portal do Fidalgo ou mesmo do Quinta da Aveleda, também um presente do João (relembre).
Este é produzido pela Casa de Vilacetinho, que o lançou no mercado em 1959. É elaborado com uvas Avesso, colhidas em diversas partes da propriedade.
Trata-se de um vinho de coloração amarelo palha, com aromas muito tímidos, lembrança discreta de frutos cítricos e algumas notas florais. Melhora em boca, mas tem refrescância mediana. Senti falta das "agulhas". É leve, pronto para beber. Final de boa persistência, repetindo notas cítricas e alguma lembrança a mel.
Não é ruim, mas não vale o que custa.
Em tempo: com o João aprendi que vinho verde tinto não se compra. Realmente. Dia desses tive a experiência de experimentar um Casal Garcia Tinto. Foi terrível...

16 Abril 2009

Navarro Correas Coleccion Privada Malbec 2007

Um amigo trouxe este vinho para degustarmos às cegas. Foi comprado na Argentina por 38 pesos, algo em torno dos R$26. É produzido pela Bodegas Navarro Correas e tem uma bonita embalagem e rótulo, com pintura do artista Marcelo Bonevardi. Mostrou-se um vinho simples e por este preço temos Malbec melhores no mercado.
Vinho jovem, de coloração púrpura com notas violáceas. Lágrimas finas e rápidas se formaram. Aromas modestos a frutos delicados, madeira discreta. Bom corpo, com taninos vivos e boa acidez. Retro-olfato levemente frutado. Seco e austero, com álcool sem incomodar (13,9% de teor). Vegetal e fruta discretos na boca.
Final tânico, de mediana persistência, com madeira no ponto certo (12 meses em carvalho). Leve amargor.
Melhor em boca do que no nariz. Vinho mais gastronômico do que para aperitivo. Vinho com estilo mais para "velho mundo", como alguns italianos mais simples. Às cegas, não o identifiquei como um Malbec, tendo pouca tipicidade.

12 Abril 2009

Valdivieso Cabernet Sauvignon 2005

Comprei este vinho em julho do ano passado, pagando R$16,90. Demorei para abri-lo por um motivo muito simples: não esperava nada dele. Comprei pelo impulso da curiosidade, já que o preço era muito bom. Mas a desconfiança se desfez em surpresa. O vinho vale o que custa e chega a ser atraente.
É produzido com uvas do Vale Central pela Viña Valdivieso, casa fundada em 1879 por Don Alberto Valdivieso, sendo a primeira casa produtora de espumantes do Chile e América do Sul. Este é um varietal, da linha mais básica da vinícola, mas que se mostrou muito honesto. Tem passagem por madeira, que deu elegância ao vinho, sem os exageros costumeiros nesta faixa de preços.
Na taça, coloração rubi, com reflexos alaranjados nas bordas. Muitas lágrimas, demonstrando untuosidade. Aromas de boa intensidade, demostrando potência. Fruta madura, álcool e madeira aparecendo nitidamente no nariz, mas sem que nenhum se sobressaia aos outros.
De corpo mediano, apresenta taninos doces e maduros, com rusticidade muito leve. Acidez discreta. Retro-olfato frutado, com destaque abaunlhado. Final seco, de média persistência, com destaque para fruta e madeira bem integrados.
Vinho surpreendente. O álcool (13,5% de teor) apareceu em todos os momentos da degustação, mas apenas deu potência ao vinho, sem ser alcoólico. Para um vinho de 2005 e de linha tão acessível, ainda está em ótima forma.

08 Abril 2009

Marco Luigi Espumante Brut 2003

Conheci a vinícola Marco Luigi em outubro do ano passado e gostei de muita coisa por lá. A história da vinícola está ligada à chegada de imigrantes italianos ao Vale dos Vinhedos em 1875, mas o "registro" da vinícola ocorreu apenas em 1946. Tem um varejo bem estruturado e uma cantina pequena, mas interessante, construída numa encosta de pedras.
Este espumante brut é elaborado com uvas Chardonnay, da safra 2003. Certamente não tem o mesmo vigor de anos atrás, mas sempre acho interessante abrir vinhos com alguma idade para ver como envelheceram. Para este, o tempo não fez mal.
De coloração dourado-claro, apresentou perlage mediana, com bolhas irregulares. Apresentou bons aromas frutados, com leve lembrança de mel, fermento e casca de pão em segundo plano (aromas dados pela fermentação na própria garrafa - champenoise). Harmônico no nariz.
Na boca ainda está muito gostoso, sedoso e refrescante. Retro-olfato repetindo nariz, muito agradável. Final longo, com destaque para leve tostado e um pouco de mel, com frutado em menor intensidade.
Espumante que ainda está em forma, confirmando a boa reputação da casa. Se encontrar uma garrafa por aí e ela tiver sido bem cuidada, pode comprar.

06 Abril 2009

100.000 visitas!

Escrevo este post com uma satisfação enorme. Jamais esperava que um blog escrito por um sujeito amador, apenas um curioso em meio a tantas pessoas com boa experiência em vinhos pudesse alcançar esse número de visitas. Certamente há blogs muito mais visitados, com informações muito mais seguras e importantes que este, mas esse detalhe não me incomoda, afinal não é uma competição ou corrida.
Compartilho essa satisfação com todos os visitantes e confrades da Confraria Brasileira de Enoblogs.
Saúde e vinho para todos!

04 Abril 2009

Alfredo Roca Pinot Noir 2006

Quando comentei um bi-varietal da Bodega Alfredo Roca (relembre), fiquei empolgado, porque era um vinho barato e com muitas qualidades. Por esse Pinot Noir paguei incríveis $15,90 e o resultado foi muito satisfatório, revelando-se uma excelente compra.
O vinho pertence a uma linha simples da vinícola, mas nem por isso descuidaram de sua qualidade. Com coloração púrpura um pouco mais escura e densa que o esperado, revelou lágrimas grossas e rápidas na taça. Boa presença aromática, revelando o frutado característico da uva e um mentolado um pouco parecido com alguns vinhos chilenos com larga passagem por madeira. Este passou 8 meses em barrica, mas não está exagerada.
Vinho de pouco corpo, macio e com baixa acidez, apresentou retro-olfato com boa presença de fruta e madeira. Final um pouco "quente" (álcool e menta) e de média persistência. Teor alcoólico de 12,9%.
Não é um vinho excepcional, mas vale o que custa. Não esperava esta qualidade de um Pinot Noir abaixo dos R$20. Não trocaria este pelo Castillo de Molina (relembre), que custa o dobro e é muito "mascarado".




01 Abril 2009

Langhorne Crossing Dry Red 2004

Este é o 28º Vinho da Confraria Brasileira de Enoblogs, desta vez escolhido pela Ivania Amaral, do blog I Vini Vinhos. Uma compra que sempre evitei quando encontrava o vinho no supermercado, pois a safra 2004 poderia ser um pouco antiga para um vinho em condições não muito adequadas. Paguei R$35, uma boa relação qualidade x preço. O vinho é produzido pela antiga Bleasdale Vineyards, casa fundada em 1850 pela Família Potts, a segunda vinícola a se estabelecer no país. Seus vinhedos estão localizados na região de Langhorne Creek, South Australia, a 70 km de Adelaide. Esta região tem sua história iniciando em 1800 às margens do rio Bremer. Antes mesmo da introdução das atuais técnicas de irrigação, o cultivo de uvas na região ocorria com ajuda das enchentes do rio, o que torna possível encontrarmos parreiras com mais de 110 anos e ainda produzindo.
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Em todos os momentos da degustação o vinho se mostrou bastante agradável, frutado, equilibrado, sem apresentar madeira em excesso. Ao contrário, nesse vinho a madeira é um ingrediente que lhe deu elegância e certa complexidade. Provavelmente já esteve melhor, mas ainda é um exemplar bem interessante. Um corte de Shiraz (61%) e Cabernet Sauvignon (39%), com passagem por 18 meses em barricas de carvalho, predominantemente americano e alguma parcela em francês. Álcool a 14,5%.
Na taça uma coloração rubi de boa transparência e bordas com leve tendência ao alaranjado. Aromas medianos, com fruta madura em evidência, algo de ameixa preta, sem percepção de madeira no nariz. Indícios do álcool, sem atrapalhar.
Vinho leve, com taninos marcando discreta presença e já doces. Acidez em evidência, com leve madeira no retro-olfato. Final longo, com leve amargor e algum floral. Final elegante, com madeira bem dosada e fruta presente. Notas de chocolate e tabaco apareceram em boca e no retrogosto. Álcool sem incomodar, apesar do teor elevado.
Enfim, um vinho mais elegante do que potente, com estilo bastante fácil de beber. Compraria outras garrafas.
Em tempo, a tampa de rosca colabora para que o vinho mantenha suas características, mesmo tendo ficado alguns anos em pé no supermercado.