28 Maio 2009

Casillero del Diablo Cabernet Sauvignon 2007

Guardei este vinho desde agosto do ano passado. Por se tratar de uma “colheita histórica”, segundo a Concha y Toro, merecia uma ocasião especial. Mas não vi nada de extraordinário nesse vinho. Fiquei até imaginando se não teria sido vítima de alguma dessas falsificações feitas num determinado país vizinho. Sei apenas que esse 2007 não superou em intensidade aromática e estrutura o vinho que em 2005 mereceu 5 taças aqui (relembre).
Na taça apresentou coloração púrpura, muito lacrimoso, indicando boa densidade e untuosidade. Bons aromas, com frutos bastante maduros, adocicado presente e boa dose de tabaco, indicativo de madeira bem dosada (70% passa 8 meses em barricas de carvalho americano).
Apresentou corpo mediano, menos estruturado que o
2005, por exemplo. Taninos marcantes e acidez proeminente. Muita fruta e madeira no retro-olfato. Deixando a boca “arejar”, o álcool apareceu um pouco. Na boca, as notas doces do aroma não se repetiram.
Final longo, marcado por bom equilíbrio entre fruta e carvalho, com leve lembrança tânica. Com o passar do tempo, ficou mais fácil.
Vinho menos intenso que o esperado, sem complexidade. Manteve a boa relação qualidade x preço, mas aqui em casa não foi um vinho histórico, com todo respeito.

23 Maio 2009

Angheben Pinot Noir 2008

É preciso coragem para produzir um Pinot Noir no Brasil. Mais coragem ainda (e talvez uma parcela de "maluquice") é preciso para colocar no mercado um Pinot Noir sem passagem por madeira, exibindo apenas as características da uva e do terroir. Somente por isso este vinho da Angheben já mereceria destaque especial, mas ao bebê-lo e experimentar toda sua delicadeza e elegância, fiquei muito satisfeito.
Aviso: não é um vinho de aromas exuberantes e grande estrutura, como a maioria dos sul-americanos desta uva. Está mais próximo de um vinho da Nova Zelândia e de um Borgonha mais simples (porque não?), mas com o CEP de Encruzilhada do Sul, na Serra do Sudeste.
Na taça um rubi brilhante e de boa transparência. Lacrimoso. Aromas delicados, frutos silvestres (framboesa e morangos) e leves notas de especiarias. Vinho leve, com acidez moderada e retro-olfato repetindo frutado do nariz e algo vegetal. Final mediano, com leve aspereza e álcool equilibrado (12,7%), dando certa estrutura ao vinho. Prevalência final de um gostoso e elegante frutado.
Vinho melhor em boca do que nos aromas. Por ser a primeira safra deste vinho, deve melhorar ainda mais nos próximos anos, embora tenha notícia de que em 2009 os Angheben resolveram não produzir vinhos. Incrível isso, não?
Foram elaboradas 5.152 garrafas deste vinho. Abri a de nº 2.849.

20 Maio 2009

Roca Bonarda Sangiovese 2006

Os vinhos de Alfredo Roca me agradam bastante, especialmente por terem preço muito bom e qualidade acima da média. Já comentei outro bi-varietal que me agradou bastante (relembre), mas esse de 2006 não está mais em plena forma. Um vinho que não está defeituoso, mas já perdeu muito de suas boas características. Pelo que paguei (R$18) a experiência até não foi ruim, mas não compre esta safra se encontrá-la por aí.
Vinho de coloração rubi, com bordas aquosas, demonstrando leveza já no exame visual. Lágrimas finas e rápidas. Aromas tímidos demais, lembrando claramente frutos vermelhos delicados e com álcool atacando as mucosas do nariz.
Pouco corpo, com taninos macios e acidez em destaque. Retro-olfato com leve fruta. Final curto, prevalecendo o frutado tímido e álcool se sobressaindo (14% de teor). Depois de um tempo, ficou mais “doce” e o álcool perdeu um pouco de destaque.

16 Maio 2009

Casa Silva Family Wines 2007

Os vinhos da Casa Silva possuem uma característica que me agrada muito: o uso moderado e racional da madeira, o que lhes confere uma elegância incomum em vinhos na faixa de preço de seus Colección, por exemplo.
Este é o vinho mais barato da casa, um corte de Cabernet Sauvignon (70%) e Carmenère (30%), sem passagem por barricas de carvalho. Diga-se de passagem, um ato de coragem do enólogo-chefe da casa, o premiado Mário Geisse, um dos entusiastas do espumante brasileiro (ver Cave de Amadeu). Este vinho é encontrado na faixa dos R$30-35, uma relação custo x benefício muito boa.
Vinho de coloração bem escura, violácea, com pouca transparência, lágrimas grossas e lentas. Boa intensidade aromática, com destaque para frutos maduros (vermelhos e negros), com ótima integração entre as uvas utilizadas na assemblage.
Corpo mediano, com taninos vivos, mas sem “amarrar” exageradamente. Acidez mediana e álcool sem aparecer (apesar dos 13,5% de teor). Retro-olfato bastante frutado. Final mediano, com frutado agradável e muito elegante, marcado por uma sensação táctil na língua, sem ser áspero.
Vinho marcado por leve adocicado, sem ser enjoativo. Muito bem feito para a faixa de preço. Pronto para beber!

11 Maio 2009

Don Próspero Pinot Noir 2007

Este ano já comentei vinhos que não me agradaram, mas este produto da Pizzorno, casa fundada em 1910, tem uma menção especial: a decepção do ano até agora. Não é ruim ou mal feito, mas por menos do que paguei pela garrafa (R$49) encontramos Pinot Noir mais interessantes.
Na taça tem coloração rubi bem viva e clara, com bordas levemente alaranjadas. Lágrimas bem rápidas (13% de teor alcoólico). Aromas discretos, lembrando frutos silvestres (morangos e amoras), com leve toque de especiarias.
Na boca é levíssimo, com taninos macios e acidez discreta. Retro-olfato com discreto frutado. Finalizou com álcool muito leve (sem desequilibrar), de média persistência, marcado também pelo frutado discreto. Não há indicativos de passagem por madeira.
Vinho com muita delicadeza, mais próximo de um rosé que de um tinto (podem jogar pedras, eu aceito). Depois de um tempo aberto, apareceram notas florais, lembrando pó para maquiagem. Vinho simples, com uma relação econômica discutível.

06 Maio 2009

Crios de Susana Balbo Malbec 2007

Este vinho é produzido pela Dominio del Plata, fundada em 1999, tendo como sócia a enóloga Susana Balbo, figura das mais conhecidas no “novo mundo” do vinho. É provável que se perguntar a um enófilo da América do Sul sobre uma mulher na produção do vinho, o nome de Susana será o mais lembrado. Por isso, ao encontrar este vinho por R$34 não pensei duas vezes em comprá-lo. Se fosse mediano já valeria a experiência.
Vinho bastante agradável e elegante, que pode acompanhar ou não uma refeição. Quando o degustei, estava com uma tábua de queijos e ele deixou doce o picante gorgonzola, envolvendo salames mais condimentados.
Na taça tem coloração violeta e brilhante, com boa transparência e formação de lágrimas grossas e rápidas. Ótimos aromas. Predominância inicial do amadeirado, abrindo-se para um perfume intenso de flores. Frutas vermelhas maduras apareceram em segundo plano. A uma temperatura mais baixa, o frutado cresceu.
Vinho de médio corpo, com taninos doces e leve aspereza. Boa acidez. Retro-olfato frutado, com certa mineralidade em alguns momentos. Final longo, frutado, com madeira discreta e bem integrada.
O uso da madeira neste vinho foi bastante racional, domando-lhe os taninos e conferindo elegância em todas as etapas da degustação. A variação de temperatura permitiu sensações bem distintas, sem que o álcool de 14% aparecesse.
Redondo, equilibrado e pronto pra beber, com ótima relação custo x benefício. Compre logo uma caixa!

01 Maio 2009

Miolo Gamay 2009

Este é o 29º vinho da Confraria Brasileira de Enoblogs, uma indicação do Marcus, do blog Azpilicueta, um dos novos participantes de nossa brincadeira virtual.
Em termos de apresentação e marketing esse vinho é nota 10. Bela embalagem de papelão (nas versões com e sem taça de vidro), bonito desenho do artista Romero Britto e a novidade: a Miolo contratou o "papa do Gamay", o francês Henry Marionnet. Um lançamento cercado de expectativa, mas com preço um pouco salgado: paguei R$28,90 num supermercado de Uberlândia, salientando que as grandes redes Carrefour, Extra e Bretas só têm o vinho de 2008, que ficaram encalhados nas prateleiras. Parece que não apostaram na safra 2009, pelo menos por aqui.
Vinho bonitinho por fora... por dentro, continua o mesmo: um vinho comemorativo, fácil de beber, agradará aos menos exigentes, mas na minha opinião é caro e com pouco (ou nenhum) atrativo que o diferencie de outros na faixa de preço. É claro que não se pode esperar muito de um Gamay, mas não comprarei outra garrafa desta safra, a mesma promessa que fiz em 2008 e cumpri.
Quanto ao líquido, apresentou coloração vermelho-rubi, com reflexos violáceos e boa transparência. Aromas florais e frutados (cereja e morango) de média intensidade. Na boca tem pouco corpo, é muito leve e agradável, com taninos "escondidos" e acidez baixa. Retro-olfato repetindo nariz, de mediana intensidade. Vinho ligeiro, que deve ser bebido quase gelado.
Talvez o "papa do Gamay" não tenha feito tanta diferença, a não ser aguçar a curiosidade dos menos avisados.