28 Junho 2009

Da'Divas Chardonnay 2008

Depois do polêmico Quorum, que despertou manifestações de leitores de todo o país, especialmente por causa do preço do vinho, chegou a vez de outro Lídio Carraro. Desta vez um acessível chardonnay (na casa dos R$30-35), sem passagem por madeira e produzido com uvas de Encruzilhada do Sul. É o 100º vinho brasileiro que comento no blog, confirmando minha predileção/curiosidade pelos vinhos nacionais.
Amarelo palha com reflexos dourados, formou muitas lágrimas. Aromas frutados de boa intensidade, com clara lembrança de abacaxi e pêra. Melhora muito na boca. É equilibrado e refrescante, com boa acidez. Vinho leve, mas marcante. Retro-olfato marcado por delicado frutado. Apresentou um envolvente adocicado.
Final de média persistência, com fruta em primeiro plano e álcool dando certa potência, mas sem ser "alcoólico". Leve sensação amanteigada em alguns momentos.
Sem o peso da madeira, demonstrou boa tipicidade e refrescância. Deve-se tomar cuidado com a temperatura. A vinícola sugere 12ºC, mas um pouco acima disso o álcool começa a incomodar (13,3% de teor).
Foram produzidas 10.500 garrafas. Abri a de nº 7.354, que acompanhou bem uma salada de frango com alface, palmito, queijo parmesão e croutons.

24 Junho 2009

Paris Goulart Glam 2006

Este vinho é produzido pela Finca Lugilde Goulart, em Mendoza, casa fundada em 1998. Seria mais uma de tantas bodegas naquela região, se não fosse sua história ligada ao Brasil, mais precisamente à Revolução Constitucionalista de 32, em São Paulo. Ficou curioso? Leia a breve história aqui.
Este vinho é um corte de Malbec (60%) e Cabernet Sauvignon (40%). De coloração rubi, tem boa transparência, com lágrimas grossas e lentas. Aromas intensos a frutos vermelhos muito maduros, compota e algo resinoso. Álcool marcando leve presença (14% de teor). Depois de um tempo na taça, os aromas mais maduros ficaram em segundo plano.
Vinho de corpo médio, com taninos doces, mas leve aspereza. Acidez moderada. Retro-olfato marcado por compota. Boa estrutura dada pelo álcool. Madeira elegante.
Final de boa persistência, com fruta de início, mas finalizando com discreto amadeirado e um pouco do álcool. Aliás, o álcool esteve presente em todos os momentos, mas sem desequilibrar o conjunto. Vinho sem muita complexidade, mas agradável, pronto para beber e gastronômico (acompanhou bem costelinhas suínas).
Pela garrafa paguei R$27, uma relação custo x benefício muuito boa.

20 Junho 2009

Adaga Cabernet Sauvignon 2006

A safra de 2006 no Vale dos Vinhedos não foi um espetáculo, então os vinhos desse ano sempre são cercados de menor expectativa, porque na maioria dos casos não revelarão toda a potencialidade da região.
Este vinho produzido pela Cave de Pedra é de uma linha que já teve um chardonnay comentado aqui (
relembre). Este é um vinho mais delicado do que a maioria dos cabernet sauvignon do Vale. De coloração violácea, mostrou-se lacrimoso e brilhante. Aromas moderados, frutos vermelhos (amoras e ameixa), sem percepção de madeira inicialmente. Agradável nos aromas, sem interferência do álcool (13,5% de teor).
Na boca é menos encorpado que o esperado, com taninos redondos e macios, com pouca acidez. Fruta muito franca, retro-olfato frutado. Melhorou na boca, lembrando um pouco de especiarias também.
Final mediano, marcado por fruta muito honesta. Vinho agradável, que servirá como aperitivo ou para acompanhar refeição. Estilo jovem, simples e direto, com madeira discretíssima, não parecendo ter ficado 8 meses em contato com o líquido. Lembrou CS chilenos de linhas menos amadeiradas. Honesto e pronto para beber!

15 Junho 2009

Prinz Von Hessen Riesling Kabinett Trocken 2006

De vez em quando recebo mensagens de leitores do blog pedindo comentários sobre vinhos da Alemanha. Mas é difícil encontrar vinhos alemães decentes na faixa de preços deste blog e, confesso, me falta coragem para comprar alguns que vejo por aí. Na minha região reinam absolutos os rótulos Black Tower, que não me atraem.
Mas um casal de amigos foi para a Alemanha recentemente e nos presenteou com este riesling, elaborado pela adega (weingut)
Prinz Von Hessen, fundada em 1950. Um vinho que se mostrou extremamente delicado e sedutor. É um qualitätswein mit pradikät, a mais alta classificação de vinhos alemães. São vinhos de qualidade com atributos especiais (ou predicados). É um trocken (vinho seco), produzido na região de Rheingau (considerada a mais nobre região vinícola alemã) e classificado como kabinett (vinho leve, elaborado com uvas maduras, mas são os menos doces dentre os QMP).
Na taça é amarelo-esverdeado, límpido e cristalino. Apresenta bons aromas, lembrando claramente frutos cítricos (lima e limão) e notas adocicadas, lembrando frutos brancos mais maduros e um pouco de mel.

Em boca é redondo, macio e muito delicado. Sem agressividade e com baixa acidez. Retrogosto de boa persistência, marcado por citricidade e leves toques minerais. Álcool bem dosado (12,5% de teor).
Vinho muito correto, delicado e elegante. Melhor em boca, com notas adocicadas interessantes. Experiência muito agradável. Aparentou não ter passagem por madeira.
Não me perguntem o preço, até porque presentes assim não têm preço.

10 Junho 2009

Sottano Reserva Cabernet Sauvignon 2005

Já comentei outro Reserva da Bodega Sottano aqui no blog (relembre) e estava curioso para abrir esta garrafa, que ganhei de minha esposa no meu último aniversário, em agosto. Uma caixa que cuido com carinho e que ainda guarda outros cinco vinhos, todos muito especiais.
Esse cabernet sauvignon é um vinho de respeito. De um rubi intenso e pouca transparência, formou muitas lágrimas nas paredes da taça, que escorreram lentamente (14,5% de álcool). Muito aromático, apresentou frutos vermelhos maduros, compota e terra úmida, com madeira discretíssima. Convidativo.
Na boca é encorpado, redondo, cheio, com taninos doces e macios. Acidez moderada. Muita fruta no retro-olfato. Final longo, persistente e elegante, marcado por madeira (tabaco e café) moldando bem um excelente frutado. Álcool que deu potência ao vinho, sem desequilibrar. Está pronto para beber, embora possa ser guardado por mais 1-2 anos.
Vinho que passou 12 meses em barricas de carvalho francês (70%) e americano (30%), sem que isso prejudicasse as boas características da fruta. Foram produzidas apenas 6.167 garrafas. Não é um vinho "baratinho", mas vale cada centavo.

05 Junho 2009

Lidio Carraro Quorum Grande Vindima 2005

Um fato raro aqui no cerrado é poder beber um vinho tinto à temperatura ambiente. Isso tem sido possível nesse início de junho. Então ontem resolvi experimentar aquele que foi o melhor vinho degustado quando estive na Lidio Carraro em outubro do ano passado. Um corte de merlot, cabernet sauvignon, tannat e cabernet franc, que segue a proposta da vinícola de não utilizar madeira em seus vinhos, deixando com que representem o terroir do Vale dos Vinhedos.
Um vinho muito bonito, de coloração rubi com bordas levemente alaranjadas. Lágrimas grossas, mas rápidas. Brilhante. Aromas moderados a frutos vermelhos maduros, com notas herbáceas e de especiarias, com com algo de café e chocolate(?). Pareceram predominar levemente os aromas da merlot. Ótimo em boca, elegante e equilibrado. Taninos vivos, mas já bastante dóceis, com acidez moderada. Retro-olfato com leve fruta. Sensação adocicada.

Final longo, marcado por frutado muito franco. Vinho muitíssimo elegante e equilibrado, com estilo mais "velho mundo", sem exageros abaunilhados, deixando a potência um pouco de lado.
Pronto para beber ou para guardar mais um ano. Sem defeitos. Apenas o preço é que não agrada muito, pois chega a custar R$90 em algumas lojas, mas deixei de lado esse "problema" para avaliá-lo.
Foram produzidas 20.550 garrafas e abri a de nº 6.238. Vinho capaz de demonstrar que em safras ideais (como a de 2005) o Vale dos Vinhedos pode produzir excelentes tintos também. Não costumo beber uma garrafa inteira sozinho, mas esta me deu vontade.

01 Junho 2009

Tantehue Cabernet Sauvignon 2007

Eis o 30º vinho da Confraria Brasileira de Enoblogs, um chileno de preço acessível e que pode ser encontrado em grandes redes de supermercados. A escolha foi do Jeriel, do Blog do Jeriel, que me ajudou muito com esse vinho. Como não o encontrei em Uberlândia, pedi socorro e recebi três garrafas pelo correio, uma gentileza digna de um verdadeiro "confrade".
Os vinhos se comportaram muito bem nas três oportunidades em que foi degustado. Boa relação custo x benefício. Vinho ideal para o dia-a-dia, tanto para acompanhar comida (até mesmo churrasco) quanto para beber sem maiores compromissos gastronômicos. Não é excepcional (nem deveria ser), mas está acima da média para vinhos nesta faixa de preço (entre R$12-17). É produzido pela
Viña Ventisquero, embora no site da empresa não haja menção a ele.
É um vinho de coloração púrpura, com reflexos violáceos e lágrimas rápidas (13% de teor alcoólico). Sem agitação na taça, apresentou aromas lembrando ervas, com algum resinado e uma pequena nota desagradável. Depois de agitada a taça, os aromas de frutos vermelhos bem maduros tomaram conta (talvez ameixa) e leve sensação resinosa.
Tem corpo médio, com taninos ainda vivos, mas sem serem rascantes. A acidez é marcante e o álcool não incomodou em nenhum momento. Retro-olfato com gostosa fruta madura. Final mediano, com fruta muito madura, algumas especiarias e levíssimo amargor.
Vinho simples e honesto pelo preço. Leve desequilíbrio por conta da acidez, mas sem comprometer o resultado. Não me parece ter passagem por madeira. Melhorou depois de aberto e está pronto para beber, sem perspectiva de melhoria.