27 Julho 2009

Casa Silva Colección Cabernet Sauvignon 2007

Já declarei minha admiração pelos vinhos da Casa Silva, elaborados pelo competente Mário Geisse. Essa linha Colección é bastante segura, especialmente o Carmenère já comentado, que considero o melhor da linha (relembre). Seus vinhos tem uma particularidade interessante que é a passagem parcial por madeira, permitindo que as características das uvas se expressem de forma mais franca. Este Cabernet Sauvignon tem passagem de apenas 25% do líquido por barricas francesas, por um período de 6 meses.
Na taça apresentou coloração púrpura com reflexos violáceos e lágrimas lentas, demonstrando certa untuosidade. Boa intensidade aromática, marcada por frutos vermelhos, leve mentolado e madeira escondida. Floral em segundo plano e notas de especiarias, especialmente em temperatura um pouco mais alta.
Corpo mediano, com taninos redondos e macios. Acidez moderada e retro-olfato marcado por muita fruta. Final com leve aspereza dos taninos, permanecendo na boca um logo e gostoso frutado, envolvido por madeira bem integrada. Delicado floral apareceu também.
Vinho com certa complexidade, fácil e elegante. Muito equilíbrio entre taninos, acidez e álcool (14% que não incomodou em nenhum momento). Chegou a ficar "doce" ao acompanhar uma despretensiosa rodada de queijo Brie que estava passando por ali. Está meio degrau abaixo do Carmenère da mesma linha.




23 Julho 2009

Aurora Reserva Cabernet Sauvignon 2007

Comprei este vinho disposto a provar pra mim mesmo que não tenho qualquer preconceito em relação à histórica Vinícola Aurora. É que sempre olho para seus vinhos com uma certa desconfiança, porque "vinhos de cooperativas" podem ser elaborados com uvas de procedências tão diversas que a qualidade pode estar comprometida.
Paguei R$22 pela garrafa num supermercado e o resultado foi razoável. Não valeria mais que o preço pago.
É um vinho de coloração púrpura com notas violáceas. Aromas iniciais lembrando terra úmida. Agitando a taça, apareceram notas bastante elegantes da madeira, lembrança de baunilha, côco e tabaco. Fruta muito escondida. Madeira dominando, mas sem ofender o nariz, como tem ocorrido com alguns importados que tiveram contato com lascas (chips) de carvalho.
Apresentou pouco corpo, especialmente por se tratar de um CS. Taninos finos e retro-olfato dominado pela madeira, mas agradável. Fácil de beber. Final curto para fruta e mediano para madeira. Sem amargor final.
É daqueles vinhos que renderiam um "debate técnico", porque na minha ignorância enológica considero sua estrutura de taninos e acidez insuficiente para tanta madeira, o que acabou escondendo as características mais elementares da CS. Vinhos simples e descompromissado, pra ser bebido ontem, com todo respeito.

19 Julho 2009

Elegido Tannat-Merlot 2007

Comprei este vinho por R$19 e fiquei satisfeito com o resultado. Vinho simples, mas equilibrado e agradável. Um bom exemplar para o dia-a-dia, com o tradicional corte uruguaio de Tannat e Merlot, presente em vinhos de linhas mais simples. É produzido pela conhecida Montes Toscanini, na região de Canelones, onde está situada a capital do país, Montevidéu.
Na taça apresentou coloração vermelho rubi, com lágrimas rápidas. Bons aromas, com início amadeirado, abrindo-se posteriormente para agradável frutado e algumas notas florais. Sem complexidade.
Apresentou menos estrutura do que esperado para um vinho com Tannat, uma contribuição dada pela Merlot. Taninos macios, com leve aspereza. Acidez discreta. Retro-olfato gostoso, marcado por muita fruta e leve lembrança do carvalho. Final persistente, mesclando bem fruta e madeira, com clara lembrança de côco e tabaco.
Vinho com certa elegância para a faixa de preços. Melhor em boca do que no nariz. Beba logo!

15 Julho 2009

Malma Reserva Pinot Noir 2006

Gosto de vinhos da Patagônia, mas esse Pinot Noir produzido pela excelente Bodega NQN já está na curva descendente. O 2007, que já experimentei em outra ocasião, ainda está ótimo, mas este 2006 já não está mais em plena forma, com o álcool atrapalhando um pouco o conjunto. Pela garrafa paga-se na casa dos R$40.
Na taça um rubi brilhante, mais escuro e lacrimoso. Na temperatura indicada no rótulo para melhor consumo (18ºC) apresentou aromas moderados, típicos da variedade, com álcool aparecendo. Leve presença de madeira. Com a temperatura mais baixa, melhorou um pouco, mas o álcool ainda teimou em incomodar (14,5% de teor).
Os aromas modestos de frutos silvestres indicavam um vinho "meia-boca", mas melhorou muito no exame gustativo, com taninos já dóceis, com leve aspereza e boa acidez. Retro-olfato frutado e álcool dando mais potência do que o normal para um Pinot Noir.
Final persistente, com frutado marcante e madeira bem integrada. Como disse, já passou seu auge, mas ainda é gostoso. Pena que o álcool tenha desequilibrado em alguns momentos.
Segundo o rótulo, 15% do vinho passam por madeira americana e francesa, pelo período de 6 meses.

10 Julho 2009

Condado de Almara Reserva 2003

É provável que este seja o vinho espanhol mais elegante e bem acabado que comentei neste blog. Um corte harmônico de tempranillo (70%) e cabernet sauvignon (30%), produzido na região demarcada de Navarra (sub-região de Ribeira Alta de Navarra), pela Bodega Macaya, casa fundada em 1999. Embora com passagem de 14 meses em barricas americanas e mais 12 meses em garrafa, a madeira não interferiu no conjunto, deixando aromas bem aparentes. Vinho de boa presença em boca.
Na taça apresentou coloração rubi com notas violáceas. Lágrimas muito lentas. Aromas iniciais de boa intensidade, lembrando frutos mais delicados, frutos secos e alguns temperos. Agitando a taça, veio muita fruta madura e compota. Elegante no nariz, estilo “velho mundo”, sem aquela “explosão de frutos vermelhos” com a qual estamos sendo obrigados a conviver na maioria dos vinhos.
Na boca é convidativo. De corpo médio, apresentou taninos finos, com ótimo equilíbrio entre acidez e álcool. Final longo, com fruta marcando o palato e elegante madeira. Boca levemente seca ao final, com taninos mandando recado (sem desagradar). Em alguns momentos apareceram aromas lembrando queijo ou algo lácteo.
Não pareceu ter 13,5% de teor alcoólico. Apresentou-se melhor a temperaturas mais altas, em torno dos 18ºC. Envelheceu muito bem e está pronto para beber. Ótima relação custo x benefício (R$ 37,50).

05 Julho 2009

Clos Torribas Tinto Crianza 2004

Este vinho 90% tempranillo e 10% cabernet sauvignon é produzido na região de Penedès, pela Bodegas Pinord, casa fundada em 1942. A região está situada na costa nordeste do mediterrâneo, entre Barcelona e Tarragona e pertence ao grupo de elite das regiões demarcadas do país (DO).
A garrafa me custou R$29, mas o resultado não foi tão bom quanto esperava, afinal, o vinho é vendido com uma etiqueta informando que é "uno de los mejores vinos del mundo", segundo a Wine Spectator. Pode ser que uma safra anterior tenha merecido a distinção ou esta já não esteja tão em forma.
O vinho passa de seis a nove meses em barricas de carvalho francês e americano, segundo informações no site do produtor.
De coloração rubi bastante claro, com bordas alaranjadas, formou lágrimas rápidas. Sem agitação na taça, apresentou bons aromas, com destaque para um elegante amadeirado. Depois de agitado o líquido, apareceram aromas de frutos maduros, algo lembrando compota, em boa intensidade.
Na boca é leve, com pouco corpo. Taninos já domados pelo tempo e baixa acidez. Pouco interessante, com boca marcada por madeira. Final de boa persistência, com leve tostado. Gostoso, mas com fruta muito escondida.
Vinho que certamente perdeu o vigor, embora não esteja defeituoso ou seja ruim. Não compraria outra garrafa. Se ganhar uma de presente, beba logo!

01 Julho 2009

Pizzato Reserva Merlot 2005

Este é o 31º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs. A escolha foi dos confrades Rafaela e Cláudio, do Le Vin ao Blog. Um vinho fácil de se encontrar em qualquer região do país, a um preço acessível e produzido pela respeitada Vinícola Pizzato. Qualquer enófilo conhece a história do Merlot 1999 desta vinícola, que chamou a atenção dos críticos sobre as potencialidades desta uva em terras brasileiras.
A qualidade deste vinho, portanto, não é surpresa. Com passagem de 5 meses por barricas de carvalho americano, é chamado de "reserva" pela vinícola, um critério próprio porque a legislação brasileira não regula estes parâmetros, como se faz na Espanha, por exemplo. Com a nova Denominação de Origem para o Vale dos Vinhedos, quem sabe não se corrija isso?
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Na taça tem coloração púrpura-violáceo, aparentando ser mais jovem que um 2005. Muitas lágrimas, grossas e lentas. Aromas iniciais fechados e terrosos. Agitando a taça abriu-se para frutado moderado (ameixas talvez) e um fundo de especiarias. Esperava mais complexidade.
Na boca apresentou corpo mediano, com gostoso adocicado na ponta da língua, que desparece logo. Taninos ainda presentes e acidez moderada. Retrogosto com boa presença de frutas maduras e madeira bem integrada, sem se sobrepor. Equilibrado, com álcool sem incomodar (13% de teor).
Final de média persistência, com permanência curta do frutado, prevalecendo um gostoso amadeirado. Boca seca, marcada levemente pelos taninos. Vinho com ótimo equilíbrio, privilegiando a delicadeza e elegância.
Representa bem a tipicidade da Merlot do Vale dos Vinhedos, embora não seja excepcional. Pronto para beber ou para guardar mais um ano.
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Paguei R$ 35 pela garrafa nº 00795, de um total de 29.500.