27 Agosto 2009

Picada 15 Merlot 2006

Não costumo gostar de vinhos argentinos ou chilenos elaborados com Merlot. Que me desculpem os inúmeros incrédulos, mas prefiro o Merlot brasileiro. Na média, mesmo os mais simples e baratos são melhores.
Este vinho é produzido na fria Patagônia, pela importante Bodega NQN. O nome do produto vem dos caminhos abertos pelos primeiros exploradores, que receberam o nome de “picadas”. A de nº 15 passa perto da vinícola.
Um vinho que está na faixa dos $25-30 e tem boa relação qualidade x preço. Tem passagem de apenas 10% em madeira francesa e americana, pelo período de 6 meses. Um vinho equilibrado, apesar da potência dos 14,5% de teor alcoólico.
Vinho de coloração rubi, bem lacrimoso, brilhante e com boa transparência. Boa intensidade aromática, com lembrança de frutos maduros e delicados. Álcool indicando potência, mas sem atrapalhar. Leve presença floral. Servido a uma temperatura mais alta aumentou a complexidade aromática.
Tem corpo mediano, com taninos bem presentes e marcantes. Acidez moderada. Final de boa persistência, deixando a boca seca. Ponto positivo para a madeira muito bem dosada. Algumas notas adocicadas apareceram com a massa ao molho bolonhesa, demonstrando sua vocação para acompanhar refeições.

23 Agosto 2009

Luiz Argenta Reserva Cabernet Sauvignon 2004

A Vinícola Luiz Argenta elabora um dos mais agradáveis espumantes Moscatel do mercado, na minha opinião. E tinha curiosidade de experimentar seus tintos, já que não os encontro na região em que moro.
No dia 29 de julho almoçamos no Di Paolo, na cidade de Garibaldi. Um lugar muito agradável e com vários prêmios dados pela Revista 4 Rodas, inclusive o de "melhor galeto do Brasil". Se é mesmo o melhor não sei, mas estava sensacional!
Pagamos R$ 39 por este Cabernet Sauvignon, com passagem de 6 meses por barricas de carvalho e produção limitada a 16.000 garrafas.
Na taça uma coloração rubi com bordas tendendo ao granada, revelando sua idade. Lágrimas grossas e lentas. Ótimos aromas, com frutas vermelhas maduras e destaque, envolvidas por notas amadeiradas muito elegantes.
Corpo mediano, taninos macios, que marcaram final com leve adstringência. Retrogosto longo, elegante, com madeira se sobrepondo levemente à fruta, mas com elegância e estilo "velho mundo". Vinho prontíssimo para consumo. Sem notas amargas ou agressividade de taninos ou acidez.
Experiência muito boa. Tanto o vinho quanto a comida deram um toque especial em nosso último almoço na Serra Gaúcha.

19 Agosto 2009

Boscato Reserva Merlot 2005

No dia 28 de julho jantamos no Família Geremia, em Garibaldi. Quem conhece a região sabe que fica no Castelo Benvenuti, às margens da rodovia. Lugar agradável, com serviço muito bom, comandado pelo Paulo Geremia, empresário com restaurantes em várias cidades da região. Da carta de vinhos com centenas de opções, experimentamos espumantes da Cave Geisse e da Perini (briga desigual).
Dentre os tintos, ficamos curiosos com este merlot da Vinícola Boscato, localizada no município de Nova Pádua, no Vale do Rio das Antas, e fundada em 1983 pelos irmãos Clóvis e Valmor Boscato. Segundo o site da empresa, todos os Reserva passam por barrica de carvalho, mas não especifica o período. Pela garrafa pagamos R$35.
Na taça um vinho de coloração rubi, com reflexos violáceos, aparentando untuosidade. Aromas discretos, com lembranças de frutos vermelhos e especiarias. Na boca apresentou leveza, com taninos finos e baixa acidez. Presença discreta em boca, o que levou a todos na mesa a utilizar o adjetivo "vazio" para descrever a sensação. Retro-olfato com boa fruta.
Final mediano, notas de bala de café e um gostoso frutado. Vinho delicado e elegante, muito macio e sem nenhum amargor para incomodar. Equilibrado e diferente da maioria dos merlot brasileiros. Não é um vinho excepcional, mas vale a experiência. Pronto para beber. Álcool equilibrado (12,5% de teor) e madeira muito discreta, na medida que deve ser.




Este é o 300º vinho que comento no blog. Não foi escolhido por ser especial, apenas coincidiu com a marca. Obrigado aos leitores por me suportarem há tanto tempo!

15 Agosto 2009

Valmarino Tannat 2005

No dia 29 de julho estive novamente na Vinícola Valmarino, no Distrito de Pinto Bandeira, em Bento Gonçalves. Fomos muito bem atendidos, como sempre. Meu propósito era comprar o Cabernet Franc X, mas acabei degustando vários tintos. Embora a temperatura ambiente fosse bem baixa (inferior a 10ºC) e os vinhos estivessem gelados, fiquei surpreso com o resultado geral. Todos os tintos estavam interessantes, mesmo os mais baratos. Este Tannat me custou $18. Comprei a garrafa nº 0904. Uma relação qualidade x preço muito boa, pois é um vinho surpreendente para a faixa de preços. Compraria uma caixa, se coubesse no porta-malas do carro.
Uma bonita coloração rubi, manchando as paredes da taça. Lacrimoso (14%). No exame olfativo, ainda sem agitar a taça, aromas terrosos e vegetais, abrindo-se posteriormente para ótima fruta madura, notas florais e leve tostado de uma madeira bem dosada.
Corpo mediano. Taninos presentes, como é natural em vinhos desta uva, mas sem exageros. Diria que está macio para um Tannat. Acidez equilibrada e álcool sem aparecer, apesar do alto teor.
Final marcante, de média intensidade. Fruta e madeira se entendendo bem. Boca levemente seca. Um pouco de amargor apareceu para incomodar, mas de resto o vinho está equilibrado.
Vinho que está em ótima forma e com preço muito bom. Apresentou muitos resíduos (como pode ser visto na foto) e cristais de tártaro. Melhor deixar a garrafa na vertical para servi-lo após um tempo. A decantação nesse caso deve ser feita pelo motivo clássico e não para "arejar" o vinho, que não precisa disso. Está pronto para beber.





Busquei mais informações sobre o vinho e obtive resposta do enólogo Marco Antônio Salton: "O Tannat Valmarino 2005 provém de uvas selecionadas de nossos vinhedos com mudas importadas do Uruguai, que na excelente safra 2005 permitiu a obtenção de um vinho com 14% de álcool natural. Este vinho 100% varietal não foi filtrado e envelheceu cerca de 30% em barricas de carvalho americanas e francesas novas por um período de 5 meses. Foi engarrafado em Junho de 2006 num lote de 4.000 garrafas todas numeradas e armazenado em nossa adega em pedra basalto. Sua comercialização iniciou em Novembro de 2007".
Agradeço de público a gentileza da resposta!

10 Agosto 2009

Alto Pampas del Sur Pinot Noir 2008

Fui a um supermercado e encontrei esta garrafa a R$19. Aliás, eram duas garrafas, mas a outra estava sem rótulo e o contra-rótulo. Coisas de supermercado. Resolvi comprar só uma, sem esperar grande coisa de um Pinot Noir desse preço, mas o resultado foi satisfatório. Compraria mais.
Segundo informações do rótulo, é produzido pela Trivento, na imensa denominação de Mendoza. Com teor de 13,5% de álcool é um PN mais vigoroso que o esperado, mas o preço baixo compensa os pontos negativos.
De coloração púrpura, é brilhante e com boa transparência. Aromas medianos, mas agradáveis, com boa tipicidade, notas silvestres e leve álcool. Na boca é leve, com taninos finos e baixa acidez. Muito agradável, com frutado delicado e álcool dando potência. Notas florais apareceram com maior intensidade na boca. Final mediano, com boa intensidade de frutos e flores. Leve amargor.
Pronto para consumo. Mais "quente" que o esperado. Vinho ideal para uma segunda-feira. Servirá aos que querem ser apresentados a essa uva, porque é mais "novo mundo". Não valeria a compra se custasse $30.

05 Agosto 2009

Kanu Rockwood Red 2006

Eis um assemblage sul-africano, elaborado na região de Stellenbosch pela Kanu Vineyards, fundada em 1997. É um corte entre Shiraz (56%), Cabernet Sauvignon (34%), Merlot (6%) e Roobernet (4%), um cruzamento entre CS e Pontac, uva local muito plantada na região do Cabo. De coloração púrpura violáceo, é bem lacrimoso. Aromas iniciais de chocolate e baunilha (lembrando pó para "bolo de caixinha"). Após agitação apareceu frutado bem maduro, com madeira aparentemente equilibrada.
Vinho muito leve, meio "aguado". Madeira surgiu com exagero, se sobrepondo ao restante, deixando frutado escondido. Taninos macios. Sem muita complexidade. Final mediano, marcado por abaunilhado e uma leve presença tostada. Álcool sem desequilibrar.
Um vinho bom, mas nada excepcional, que na minha opinião pecou pelo excesso de madeira, chegando a ficar um pouco chato. Valeu para conhecer um produto com a até então desconhecida Roobernet, que no final das contas não deve ter feito diferença.
Em tempo: o vinho é meio-seco, conforme alteração feita no contra rótulo. Isso significa que o açúcar deste produto fica entre 5 e 20 g/l, segundo as normas brasileiras.



01 Agosto 2009

Casa Valduga Premium Cabernet Franc 2005

Este é o 32º vinho da Confraria Brasileira de Enoblogs, escolha que me coube em nosso rodízio democrático. Lembro a todos que as escolhas refletem a individualidade dos confrades, que não escolhem vinhos porque sabidamente sejam consagrados. Ao contrário, a diversidade é que alimenta a curiosidade. Por vezes essa diversidade traz decepções, mas elas fazem parte da vida, com ou sem vinhos.
Neste mês contamos com a adesão dos blogs
Prazer por Vinhos Tintos (São Paulo), Vim Vinho Venci (Recife) e Vinhos e Vinhas (Belo Horizonte). Bem vindos!
.
O vinho do mês é produzido pela
Casa Valduga, com uvas do Vale dos Vinhedos. Pertence à sua linha Premium, com passagem de 8 meses por barricas de carvalho francês. Na mesma linha há os tintos elaborados com Cabernet Sauvignon e Merlot, os brancos Chardonnay, Gewürztraminer e Sauvignon Blanc, além de espumantes.
.
Paguei R$35 pela garrafa e o resultado foi muito bom, pois encontrei um vinho muito correto, com personalidade própria e bastante harmonia. Nada de madeira exagerada escondendo as características do vinho, nada de imitação de vinhos chilenos e argentinos.
Na taça uma coloração rubi brilhante, com pouca transparência. Boa intensidade aromática, com frutas vermelhas mais delicadas e presença de floral bem aparente. Madeira discreta e bem integrada.
Servi o vinho a 20ºC para perceber se o álcool incomodava, afinal são 14% de teor e o vinho se comportou muito bem.
Bebido a 18º C, apresentou corpo mediano, macio em boca, com taninos já domados pela boa evolução. Acidez marcante, sem desequilibrar. Final persistente, com boa fruta e elegante tostado da madeira, com nuances de café e chocolate. Boca um pouco seca. Vinho que está ótimo para consumo imediato e ainda pode esperar mais um ano.
Aos 20ºC havia um leve amargor no retrogosto, que desapareceu à temperatura correta de serviço. Enfim, um vinho surpreendente. Fala-se muito do Merlot da mesma linha, mas esse CF está melhor.






No dia 27 de julho, jantei com minha esposa e alguns amigos na Osteria Persona, o restaurante da Villa Valduga, em Bento Gonçalves. Experimentei pela primeira vez o Cabernet Franc da safra 2006. Fiquei surpreso com seu equilíbrio e elegância, com retrogosto intenso, lembrando bala de café. Estiloso. Quando prová-lo novamente com mais atenção faço o comentário aqui.