29 Outubro 2009

Casa Valduga Espumante Brut 2002

Minha "adega" às vezes parece um museu. Não que tenha vinhos caros e de guarda esperando para serem degustados no melhor momento. Nada disso. Mas gosto de comprar vinhos mais antigos, mesmo sabendo que o risco é grande. Se o vendedor cuidou bem do vinho, compro mesmo. Esse espumante eu ganhei de um amigo, que conhece essa minha curiosidade.
É um espumante elaborado pelo método tradicional (champenoise - com a segunda fermentação na própria garrafa), com as variedades Chardonnay e Pinot Noir. Geralmente o método tradicional possibilita espumantes mais complexos e gastronômicos que o método Charmat. Esse "velhinho" da Casa Valduga mostrou estar em ótima forma ainda.
Na taça uma coloração amarelo ouro, com perlage fina e muito persistente, surpreendendo. Espuma rápida. Aromas frutados típicos do tradicional corte, mas em segundo plano. Destaque para aromas da segunda fermentação, como pão torrado e um pouco de mel.
Muito cremoso na boca, com acidez ainda presente, dando refrescância. Retro-olfato marcado por aromas de torrefação, fermento e mel. Final longo, repetindo aromas.
Agradou a todos lá em casa. Um ótimo presente e mais um achado.

25 Outubro 2009

Don Abel Reserva Cabernet Sauvignon 2005

Bebi esse vinho na noite seguinte ao Salton Talento (relembre). Já peço desculpas antecipadas por contrariar a maioria, mas esse Don Abel foi mais interessante. Um vinho que me custou R$26,50 e que tem como características a ausência de passagem por madeira e a não chaptalização (adição de açúcar ao mosto, antes da fermentação, para que o vinho atinja o teor de álcool desejado). Essa, aliás, é uma "bandeira" desta vinícola, fundada em 2005 na cidade de Casca, na Serra Gaúcha. O vinho tem intensa coloração rubi, com pouca transparência. Muito lacrimoso, deixou manchas nas paredes da taça. Como não foi decantado, apareceram resíduos já de início, além de cristais de tártaro.
Aromas medianos, mas muito interessantes: frutos vermelhos maduros, ameixa, pimenta e especiarias. Na boca tem bom corpo, com taninos macios e doces. Acidez equilibrada e retro-olfato frutado.
Final longo, com frutado maduro e intenso. Equilibrado. Certa potência, dada pelos 14% do álcool. Retrogosto marcado por tabaco e um pouco de mel (?).
Confesso que procurei defeitos nesse vinho, mas não encontrei. Aliás, os adjetivos que anotei em minha caderneta foram: denso, equilibrado e intenso.
Compre caixas e me convide para ajudar!

22 Outubro 2009

Salton Talento 2004

Comprei este vinho em setembro de 2007. Lá se foram mais de dois anos de espera para ver como este campeão de premiações da Salton está cinco anos após o engarrafamento. Certamente ainda é um vinho muito bom, de qualidade superior, mas já passou seu auge. Não está com nenhum defeito, mas não aparenta força para evoluir. Já deu!
Na época em que comprei, me custou R$45. Um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat, com álcool a 12,5% e passagem de 12 meses por barricas novas de carvalho francês.
Na taça a coloração ainda é púrpura, com bordas sem evolução na cor. Bastante lacrimoso, apresentou cristais de tártaro.
Aromas intensos. Início dominado pela baunilha, abrindo-se para boa fruta madura, ervas e especiarias. Na boca tem corpo mediano, com taninos macios. Equilibrado e marcante. Retro-olfato com boa fruta, acompanhado por amadeirado elegante.
Final longo e agradável, prevalência de elegante tostado, chocolate e café. Frutado em segundo plano. Melhorou depois de aberto.
Sem dúvida, um vinho nacional de respeito, indicando que podemos fazer bonito também com vinhos tintos, mas se tiver esta safra em casa, beba logo!




19 Outubro 2009

Fina Viognier Sicilia IGT 2007

Este vinho é elaborado pela Cantine Fina, fundada no início dos anos 1980 em Marsala, na ilha da Sicília. Pela garrafa paguei R$27 e fiquei um pouco arrependido quando vi que no site da vinícola não falam desse vinho. Conclusão: não devem gostar muito dele e mandam pra nós.... Mas se até lixo os europeus nos mandam, por que não mandariam vinhos? Apesar disso, foi satisfatório.
Na taça tem coloração amarelo-esverdeado, muito brilhante. Aromas em boa intensidade, com prevalência mineral. Frutos brancos, como pêra e abacaxi maduro. Quando mais frio, apresentou maior citricidade.
Na boca tem boa refrescância, acidez discreta e boa presença. Final mediano, marcado pelo frutado dos aromas e leve tostado, lembrando passagem por madeira.
Vinho simples e despretensioso, que deixou um leve defumado no fundo da taça.
Como disse acima, satisfatório (nada mais).

16 Outubro 2009

Cuatro Vacas Gordas 2008

Quando encontramos esse vinho no supermercado, minha esposa logo pegou uma garrafa, afinal o rótulo é divertido. Mas desconfiei do preço. Pagar R$38 num vinho que nunca ouvi falar, de uma vinícola também obscura (Bodega Caligiore), devo estar fazendo besteira!
Na taça apresentou coloração púrpura, com notas violáceas. Lacrimoso. Muito aromático, prometendo que eu tinha errado na previsão. Várias sensações interessantes: fruta madura, algumas notas florais, pimenta, goiaba e até queijo (?). Álcool incomodando um pouco o nariz (14%).
Na boca a alegria acabou. Pouco corpo, muito leve para um corte de Malbec e Cabernet Sauvignon. Taninos um pouco adstringentes. Acidez equilibrada. Retro-olfato frutado e leve álcool.
Final curto e com leve amargor. Boca rugosa. Álcool esquentando. Fundo do copo com clara lembrança de goiabada. Ficou alcoólico com comida. Agradou apenas no exame olfativo, prometendo complexidade que não se confirmou. Vinho muito simples pelo preço. Deveria custar R$15.



13 Outubro 2009

Dessilani Dolcetto D'Alba DOC 2007

Desde que comentei outro vinho elaborado com a Dolcetto, virei admirador desta uva. Pena que não se encontra vinhos confiáveis em minha região. Quando me deparei com este a $31, não pensei duas vezes. É elaborado pela vinícola Dessilani, casa fundada em 1892 e com sede em Fara Novarese, na província de Novara, na região do Piemonte. O site estava passando por reformulação, impedindo maiores informações.
Um tinto agradável, mas inferior ao que havia comentado em outra ocasião (relembre).
Na taça uma delicada coloração grená, com lágrimas lentas e grossas. Aromas discretos. Frutos delicados como morango e framboesa em destaque. Lembrança vegetal em alguns momentos.
Vinho leve em boca, com taninos finos e acidez em destaque. Melhor que nos aromas. Retro-olfato com frutos delicados. Notas adocicadas muito agradáveis apareceram em alguns momentos.
Retrogosto com frutado discreto, boca enrugada, lembrança de goiaba e chocolate. Álcool (13%) dando mais potência que o esperado para um Dolcetto. Agradável e nada mais!

09 Outubro 2009

Aliança Reserva Tinto Bairrada DOC 2006

Os vinhos da Aliança - Vinhos de Portugal (fundada em 1927, na Bairrada) povoam os supermercados brasileiros. Quase todos com preços inferiores a R$25 e vindos das mais variadas regiões portuguesas: Alentejo, Douro, Bairrada, Dão e Beiras.
No site da empresa não encontrei informações deste produto, elaborado exclusivamente com a uva Baga, que ganhou maior ênfase nos últimos anos em virtude dos bons vinhos produzidos por Luis Pato, seu "domador". Encontrei preços variando entre R$20-25. Provavelmente é produzido aprenas para o mercado externo.
Na taça coloração rubi, muito brilhante e lacrimoso. Aromas iniciais muito maduros, lembrando alguns Cabernet Sauvignon chilenos. Com agitação da taça, surgiram aromas medianos de frutos maduros, como ameixa, e notas florais. Aí sim pareceu um vinho português.
Corpo mediano, com taninos firmes. Vinho seco, com acidez discreta e ataque frutado. Lembrança vegetal no retro-olfato. Álcool a 13%, sem desafinar.
Final com certa rusticidade e média persistência, mas com bom frutado e leve tostado. Equilibrado, agradável e correto para o preço. Acompanhou bem uma comidinha simples numa baita quarta-feira. Ficou melhor aos 18ºC.



Obs.: a partir de março de 2008 a vinícola trocou o tradicional nome Caves Aliança para o atual, coincidindo com uma grande mudança na imagem institucional.

05 Outubro 2009

Yume Montepulciano D'Abruzzo DOC 2005

A Caldora Vini está localizada na região de Abruzzo, no centro-sul da Itália. Este vinho é elaborado com a uva tinta que é símbolo da região, a Montepulciano, e me custou R$61 em janeiro deste ano.
Apresentou coloração púrpura. Vinho denso e lacrimoso, manchando as paredes da taça. Aromas medianos. Frutado muito maduro, com destaque para frutos negros e especiarias. Lembrança de madeira em boa medida.
Melhora muito na boca. Bom corpo, com taninos macios. Boca cheia. Álcool presente, sem desequilibrar (14% de teor). Presença de gostoso frutado, com notas de chocolate amargo. Retro-olfato com leve toque de especiarias. Boa complexidade.
Final longo, marcado por madeira bem integrada e frutado muito agradável. Leve presença tânica.
Vinho que vale o que custa, com boa complexidade, próprio para gastronomia, agradável e robusto. Depois de um tempo aberto ficou mais macio e redondo. Um tinto italiano que vale conhecer, embora não dê para comprar toda semana!

01 Outubro 2009

Miolo Seleção Tinto 2008

Este é o 34º vinho da Confraria Brasileira de Enoblogs, uma escolha do confrade do blog Avaliador de Vinhos.
.
Confesso que respirei fundo ao ler a indicação. Não estava nos meus planos a compra desse vinho, por mais que a nova imagem tenha melhorado bastante e apesar do novo corte de cabernet sauvignon e merlot (sem pinot noir). Mas confraria é assim... não basta ser confrade, tem que participar.
Comprei o vinho por R$ 18,90. Num almoço de domingo abri a garrafa e servi às cegas para minha esposa e minha mãe. Ouvi expressões do tipo “vinho agradável” e “fácil de beber”, que traduzem os objetivos desse produto tradicional da
Vinícola Miolo.
Realmente não é produzido para ser um grande vinho, mas é satisfatório e vem cumprindo um papel histórico junto aos enófilos brasileiros: muitos começaram a se interessar por vinhos finos com o Miolo Seleção. Confesso que não bebi as safras anteriores, daí não poder fazer um comparativo, mas esse 2008 é agradável, jovem e informal.
.
Na taça apresentou coloração rubi, com halo aquoso, lágrimas grossas e rápidas. Aromas moderados. Início com destaque para gostoso amadeirado, abrindo-se para delicado frutado (frutos silvestres, talvez framboesa).
Na boca apresentou pouco corpo. Fácil de beber, com frutado simples, mas muito agradável. Taninos aparecendo levemente, sem rusticidade. Final de boa persistência, com fruta e madeira equilibrados. Álcool aparecendo levemente em alguns momentos, mas sem prejudicar (12,5% de teor). Sem amargor.Enfim, um vinho com boa relação qualidade x preço e que cumpre o papel para o qual foi elaborado.