28 Novembro 2009

Coloma Selección Torre-Bermeja 2007

Esse tinto, produzido pela Bodegas Coloma, vem da região de Extremadura, sudoeste da Espanha, com uvas plantadas em zona de fronteira com Portugal. Trata-se de um corte de Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (20%) e Garnacha (20%). Passa 9 meses em barricas de carvalho americano.
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Na taça apresentou coloração púrpura, com bordas rubi. Lacrimoso. Aromas intensos. Início dominado pela influência do carvalho americano, com baunilha e côco. Depois de um tempo apareceu frutado maduro, em boa composição com madeira.
Vinho diferente em boca. Corpo mediano. Antes de engolir pareceu macio e redondo, mas tem taninos rascantes, potentes, com acidez dando recado. Notas adocicadas apareceram.
Final curto, deixando boca seca e a língua um pouco "castigada" pelos taninos. Lembrança de leve madeira, boa fruta, algo terroso e notas florais (violetas).
Vinho que vale a experiência por ser de uma região pouco usual entre nós, mas potência dos taninos deixou o vinho um pouco mais duro que o esperado. Pude aplicar claramente a explicação didática para os taninos: "lembrança de banana verde". Além disso, tem final muito ligeiro.
Álcool a 13%, sem incomodar. A garrafa me custou R$37,50.

24 Novembro 2009

Casa Valduga Gran Reserva Chardonnay 2008

Tenho comigo há um tempo que os vinhos brancos brasileiros podem fazer tanto sucesso quanto os espumantes. É que a colheita das uvas brancas é feita mais cedo que as tintas, sofrendo menos com os problemas climáticos da Serra Gaúcha.

Este Chardonnay da Casa Valduga é um grande vinho branco nacional, ao lado do produzido pela Villa Francioni. Mas tem uma vantagem: custa a metade do preço.

Com passagem de 6 meses por barricas de carvalho francês e romeno, é um vinho de boa complexidade, gastronômico, sedoso e marcante. Vale os R$ 48 que paguei.

De coloração amarelo palha, tem aromas medianos, lembrança de frutos maduros como abacaxi em calda. Sinal do tostado da madeira e um pouco de mel.

Evolui muito em boca. Untuoso, macio, amanteigado. Acidez aparente. No retro-olfato um bom equilíbrio entre fruta e madeira (tostado). Vinho redondo e com bom corpo.

Final longo. Acidez mediana, muito agradável. Tostado elegante acompanhando a fruta. Vinho que não se mostrou “chato” com o uso da madeira. Ao contrário, adquiriu complexidade.

Um vinho que simboliza o potencial dos vinhos brancos brasileiros. Acompanhou bem uma descompromissada tábua de queijos macios (brie e camembert), mas tem estrutura para pratos mais potentes, especialmente carnes brancas.

Esta safra 2008 está esgotada. Bebi em quatro ocasiões diferentes e em todas elas tive ótima impressão. Estive no varejo da vinícola em outubro do ano passado e o vinho havia sido engarrafado naquela semana e o degustei com o enólogo João Valduga. Uma chance rara.

Comprei uma garrafa da safra 2009. Vamos ver como está em breve.




21 Novembro 2009

Salton Volpi Gewürztraminer 2009

Gosto muito da uva Gewürztraminer e não poderia deixar de experimentar este vinho da Vinícola Salton, da boa linha Volpi. São vinhos a bom preço e com boa qualidade, quase sempre. Por esta garrafa paguei R$19,90 e o vinho deu conta do recado. Não é exuberante, mas agradou especialmente se considerarmos o preço.
De coloração amarelo palha, com boa transparência, apresentou bons aromas, com floral característico da variedade. Leve e refrescante, tem boa acidez, mas é simples em boca.
Final curto, com prevalência floral. Leve amargor e lembrança vegetal. No fundo da taça, um curioso aroma de amendoim ou castanha(?). Simples e despretensioso. Bom para uma quente noite de quarta-feira. 13% de teor alcoólico.

17 Novembro 2009

Chateau Toutigeac Bordeaux AOC 2006

Definitivamente é difícil encontrar um bom Bordeaux na faixa de preços deste blog. Este vinho, importado pela Sociedade da Mesa, me custou R$34,50. É elaborado pela Vignobles Toutigeac, a partir de um corte de Merlot (72%), Cabernet Franc (18%) e Cabernet Sauvignon (10%), com 12,5% de teor alcoólico. Apesar do bom preço, não compraria outra garrafa, com todo respeito aos que pensam diferente.
Na taça apresentou coloração rubi, límpido e transparente. Aromas moderados. Frutos vermelhos maduros. Notas de especiarias.
Vinho de pouco corpo, com taninos ainda firmes. Seco. Leve fruta em boca. Amargor discreto. Melhorou depois de um tempo aberto, desaparecendo a sensação amarga.
Final curto, boca seca. Madeira discreta.
Tive a impressão de que pode ficar mais macio com um tempo de guarda, mas não creio que ficará mais interessante. Como anotei em minha caderneta no dia da degustação: não é ruim porque não tem defeitos, mas não se justifica. Sem atrativos.



13 Novembro 2009

Errazuriz Reserva Pinot Noir 2008

A Viña Errazuriz é uma prestigiada vinícola chilena, fundada em 1870 por Don Maximiano Errázuriz no Vale do Aconcágua, a cerca de 100 km ao norte da capital Santiago. A região tem clima frio e chuvoso no inverno, mas verões quentes e secos, que recebe brisas úmidas do Oceano Pacífico.
Este Reserva é elaborado com 100% de uvas Pinot Noir provenientes do Vale de Casablanca. Tem passagem de 8 meses por barricas de carvalho francês de vários usos.
De coloração rubi, transparente, demonstrou tipicidade já no exame visual. Aromas em boa intensidade, frutos silvestres maduros (cerejas, framboesas e morangos). Algum traço floral.
Vinho leve, com taninos macios, notas adocicadas, acidez moderada. Redondo, com retro-olfato frutado e leve álcool (13,5%).
Final mediano, com destaque para boa fruta e leve acidez. Álcool repetindo presença, mas sem ser um defeito. Madeira muito bem dosada pelo enólogo.
Não me pareceu necessitar de decantação, mas no fim da garrafa melhorou, indicando que pode receber breve aeração. Vinho com boa cor, bons aromas, boa tipicidade e boa presença em boca. Relação custo benefício interessante. Paguei R$42 pela garrafa. Diria que este vinho fica na metade do caminho entre a delicadeza esperada de um Pinot Noir e a potência a que estamos acostumados na maioria dos chilenos e argentinos elaborados com esta uva.

09 Novembro 2009

Cave Antiga Espumante Moscatel

Comprei este moscatel em Bento Gonçalves, pagando algo em torno de R$ 19. Uma pechincha, se considerarmos que este espumante já foi eleito por várias vezes o melhor moscatel brasileiro. Embora eu tenha um pouco de receio dessas notícias (relembre o que escrevi sobre o moscatel da Garibaldi), a relação custo x benefício é muito boa.
É produzido em Farroupilha pela Vinícola Cave Antiga, casa fundada em 1998.
Posso apontar quatro qualidades desse moscatel - em ordem de importância - que justificam sua compra: não é exageradamente doce, não tem amargor no final, possui boa refrescância e tem bom preço. Ideal para festas em que não se pode/quer gastar muito com os vinhos.
Na taça tem coloração amarelo palha, com perlàge irregular (bolhas grandes). Aromas discretos, com presença do floral característico dos moscatéis. Na boca é cremoso e refrescante, com acidez em destaque. Sem notas amargas. Final curto, com destaque floral.
Espumante simples, mas sem defeitos que comprometam a qualidade. Cumpre o papel, com bom equilíbrio. Álcool a 7,7%.

05 Novembro 2009

Villa Cerna Chianti Classico DOCG 2007

Esse Chianti é produzido com as uvas Canaiolo, Sangiovese e Colorino pela Famiglia Cecchi, que já teve outro vinho comentado aqui (relembre). Segundo o importador, recebeu 88 pontos do Robert Parker... pode ser, mas não foi dessa safra... ou pelo menos do lote do qual saiu esta garrafa que comprei (pagando caros R$48).
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Na taça apresentou coloração púrpura com tons violáceos. Lagrimas grossas. Aromas medianos, demonstrando austeridade, com frutos maduros em destaque, acompanhados de especiarias.
Corpo médio, com taninos rústicos e acidez equilibrada. Retro-olfato com algum frutado. Final mediano, fruta acompanhada por notas de chocolate e leve tostado. Boca seca. Álcool sem incomodar (13%).
Vinho sem complexidade e com poucos atrativos. Relação custo x benefício ruim. Rústico demais. Não consegui beber a garrafa toda. No outro dia, a história se repetiu.

01 Novembro 2009

Salton Volpi Cabernet Sauvignon 2007

Este é o 35º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs, uma escolha da Fabiana, do blog Escrivinhos, de Recife.
A linha Volpi, da Vinícola Salton, é bastante confiável. Tem bom preço e vinhos ideais para o dia-a-dia, bem superior à linha Classic da mesma vinícola, embora com um preço pouco superior.
Por esta garrafa paguei R$23,90. Foi degustada ontem mesmo, mas me esqueci de escrever a respeito, tanto que o comentário saiu hoje apenas com alguns rascunhos. Alguém deve ter achado que bebi muito, mas não foi o caso.
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Apesar da indicação de ser um Cabernet Sauvignon, esta uva está presente em 85% do corte, que ainda leva 15% divididos igualmente entre Merlot, Tannat e Cabernet Franc.
O vinho passa por um estágio de seis meses em barricas de carvalho norte-americano e outros seis meses em garrafa.
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Servi as duas primeiras taças diretamente da garrafa, deixando o restante no decanter por meia hora. Ao que parece o vinho melhorou um pouco, abrindo-se para um frutado mais franco, com a madeira deixando de aparecer tanto. Melhor com comida.
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Na taça uma coloração rubi escuro, com muitas lágrimas. Aromas em boa intensidade. Domínio das notas vindas do carvalho americano: côco, baunilha e tabaco. Toques discretos de especiarias. Fruta escondida no início.
Corpo mediano. Taninos já domados, macios e doces. Acidez equilibrada. Retro-olfato amadeirado, com especiarias em alguns momentos.
Final mediano. Domínio da madeira, com lembrança tostada. Leve amargor. Álcool a 13% sem incomodar em nenhum momento.
Ficou melhor depois da decantação e a uma temperatura de 18ºC (revelando aromas de especiarias e madeira mais escondida). Vinho correto, sem ser excepcional.
Fiquei na dúvida sobre a avaliação, mas vou usar o in dubio pro vino, porque tem mais aspectos positivos que negativos, a um preço justo. Melhorou depois de um tempo e tem vocação gastronômica.