29 Dezembro 2009

Angheben Barbera 2008

Sou fã declarado dos vinhos da Angheben e sempre que vamos ao Vale dos Vinhedos passamos por lá. Da última vez minha esposa e eu fomos muito bem atendidos pela Sônia. Embora os vinhos estivessem gelados, pois a temperatura estava abaixo dos 10ºC, a degustação foi muito interessante e esse Barbera agradou muito, revelando-se superior ao 2006 já comentado aqui (relembre).
Foram produzidas pouco mais de 2.000 garrafas (abri a de número 2.111), sem passagem por madeira, segundo informações do distribuidor.
Na taça uma bonita coloração rubi, com bons aromas. Vegetal dominando de início, com presença de frutos delicados e maduros. Algo animal (couro) em momentos de temperatura mais alta.
Vinho leve, com taninos macios. Elegante e seco. Frutado discreto, com bom equilíbrio e acidez refrescante. Retro-olfato com notas frutadas e alguma mineralidade. Final de boa intensidade, com boa fruta e álcool sem incomodar em nenhum momento (13%).
Vinho que deve ser conhecido, com estilo próprio e marcante. Sem passagem por madeira, deve ser bebido jovem e está pronto para consumo. Estilo "velho mundo", mantendo as características desta uva piemontesa. Pede comida!

26 Dezembro 2009

Don Abel Premium Merlot 2005

O cabernet sauvignon da vinícola Don Abel, já comentado aqui, foi a maior surpresa de 2009 (relembre). Quando indiquei o "vinho do ano" para a postagem coletiva do Enoblogs cheguei a pensar nele, porque tem uma excepcional relação custo x benefício.
Com o resultado do CS abri esse merlot, da linha Premium com muita expectativa, mas o sucesso não se repetiu com a mesma intensidade. A etiqueta da garrafa diz "Medalha de Ouro - III Concurso Internacional de Vinhos do Brasil 2006". Pra variar, mais uma premiação não se repetiu aqui em casa, embora seja um vinho muito bom e com capacidade de "arredondar" nos próximos dois anos.
Pela garrafa paguei R$35, em julho, quando estive em Bento Gonçalves.
Na taça apresentou coloração rubi, bastante lacrimoso. Aromas intensos, clareza para frutos vermelhos maduros, leve toque vegetal, aromas de café e tostado (apesar de não passar por madeira). Álcool um pouco aparente (14%).
Corpo médio, com taninos finos e levemente rascantes. Acidez pronunciada, com boa presença frutada e álcool novamente dando as caras.
Final mediano, com predominância de leve tostado. Amargor incômodo (o ponto negativo do vinho). No final da garrafa, após minutos de aeração, o amargor e o álcool diminuiram um pouco.

23 Dezembro 2009

Santa Helena Selección Del Directorio Gran Reserva Pinot Noir 2008

Este é o primeiro vinho da gigante Santa Helena que comento em 2009. Talvez porque a última experiência com um Pinot Noir não tenha sido das melhores (relembre). Por esta garrafa paguei R$39, faixa de preços em que encontramos opções melhores, até com certa facilidade.
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No copo uma coloração vermelho bordô, um tanto opaco. Aromas intensos, com madeira em primeiro plano e frutos silvestres em segundo. Um pouco "quente" já no nariz. Algum "mentolado" que incomodou.
Tem corpo mediano, com taninos macios e boa acidez. Final de curto para médio, com madeira prevalecendo sobre a fruta. Álcool novamente dando recado (14%), o que foi o ponto negativo em toda a degustação.
A vinícola sugere 12ºC como temperatura ideal de consumo, um pouco baixa para vinhos tintos. Mesmo seguindo a sugestão do rótulo, o vinho continuou alcoólico.
Não é ruim, mas está um pouco longe de ser um Pinot Noir delicado e elegante. Talvez faça sucesso para quem gosta de vinhos mais alcoólicos e amadeirados.

19 Dezembro 2009

Sassoalloro Toscana IGT 2003

A postagem sobre esse vinho entraria no ar somente no dia 29, mas o Alexandre Frias, mentor do Enoblogs, pediu para que indicássemos o vinho do ano para os leitores dos blogs. Será o maior post coletivo sobre vinhos da história do universo!
Tarefa difícil, mas acho que o título de "melhor do ano" fica bem nesse italiano, um presente que ganhei de outro Alexandre, o Santana,
proprietário da Churrascaria Uai-Tchê, de Uberlândia. O vinho está em ótima forma apesar dos 6 anos de guarda, pelo que presumo ter sido bem acondicionado.
É produzido no Castello di Montepò pelo famoso Jacopo Biondi Santi com uvas Sangiovese Grosso, originárias do mesmo clone do qual o produtor elabora seu Brunello di Montalcino. O vinho é maturado em barricas de carvalho francês por 14 meses, estagiando mais 6 meses em garrafa antes da comercialização.
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Um vinho de coloração púrpura, denso, lacrimoso, manchando as paredes da taça.
Aromas medianos de início. Fruta muito madura, frutos negros, madeira presente em boa medida. Boa complexidade.

Na boca é ainda melhor. Bom corpo, com taninos finos. Boca cheia. Álcool presente, dando potência, sem ser alcoólico. Frutado gostoso, acompanhado de notas de chocolate amargo e café. Retro-olfato com leve toque de especiarias.

Final longo, marcado por madeira bem integrada e fruta madura em ótima intensidade. Boca sentindo levemente os taninos.

Vinho complexo, gastronômico e robusto. Está num bom momento para consumo, mas pode ficar mais redondo nos próximos anos.
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15 Dezembro 2009

Dez perguntas para... Eduardo Angheben

Eduardo Angheben ao lado de seu pai, Idalêncio, em evento promovido pela Vinci Vinhos. Foto gentilmente cedida pelo site Enoeventos.

O blog Vinho para Todos inaugura hoje uma seção que se dedicará a entrevistar uma personalidade do mundo do vinho pelo menos a cada dois meses, publicando a entrevista no dia 15.

Para a primeira entrevsita escolhemos o enólogo Eduardo Angheben, que ao lado de seu pai Idalêncio, comanda uma das vinícolas brasileiras mais interessantes. Seus vinhos primam pelo pouco (ou nenhum) uso da madeira e são elaborados com uvas menos conhecidas do consumidor brasileiro, como teroldego e barbera. Produzem ainda os tintos touriga nacional, cabernet sauvignon e pinot noir, além de um gewürztraminer e um ótimo espumante brut, todos provenientes do terroir de Encruzilhada do Sul.

VPT - Eduardo, conte para nossos leitores um pouco dessa história de você e seu pai serem os "descobridores" do potencial vinícola de Encruzilhada do Sul.
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A história sobre a nossa "descoberta" de Encruzilhada começou com um professor meu do Curso Superior de Enologia. Ele se chama Eduardo Giovannini e morou lá em Encruzilhada do Sul na década de 80. Nessa cidade ele produzia mudas de plantas frutíferas e me contou que o clima de lá era interessante. Ele também já havia comentado isso com meu pai em meados de 1984/85.
Em 1996, cursando a cadeira de Viticultura eu tive que realizar um projeto de pesquisa buscando identificar as condições edafoclimáticas de uma possível nova região vitivinícola no Brasil. Decidi fazer essa pesquisa sobre o município de Encruzilhada e solicitei uma ajuda para meu pai que buscou livros sobre o Zoneamento Agroclimático do RS. Juntamente com dados que eu havia coletado, mais esses últimos, compilei tudo em um estudo que indicou que a região da Serra do Sudeste do Rio Grande do Sul era uma região bastante favorável ao cultivo da videira.
Mais tarde, já com intenção de começar nossa vinícola decidimos que iríamos procurar terras para tal e incluímos Encruzilhada entre os possíveis lugares a se implantar os vinhedos. Meu pai ainda trabalhava na Chandon e aprofundou e apresentou meu projeto para esta empresa. O projeto chamou atenção e a multinacional decidiu pela compra de terras em Encruzilhda. Passamos de 1999 a88 hectares. 2000 procurando áreas de terras para as duas empresas até que adquirimos a nossa propriedade de
Nela decidimos que iríamos plantar uvas consideradas tradicionais como a Merlot, Cabernet Sauvignon e Chardonnay, mas também faríamos um laboratório com uvas pouco conhecidas ou que nunca haviam sido cultivadas aqui no Brasil.
Desde 2000, portanto, estamos com os vinhedos implantados em Encruzilhada do Sul chegando atualmente a 25 hectares dos quais a maior parte é vendida para outras empresas.
A Angheben fica com uma parte pequena da produção comprando a preço de mercado já que os vinhedos constituem uma empresa separado. A Angheben foi responsável pela implantação e desenvolvimento do projeto técnico fornecendo todo o suporte técnico para os vinhedos, assim divulgamos a região e isso gerou o interesse de outras empresas que se instalaram posteriormente na região o que deu mais credibilidade ainda ao nosso projeto.
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VPT – A cantina da Angheben está instalada no Vale dos Vinhedos, distante cerca de 330 km de Encruzilhada do Sul. De que maneira isso interfere na produção?
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Na realidade a distância entre o Vale dos Vinhedos e Encruzilhada do Sul é de cerca de 250 km. Essa distância influência na questão de custo uma vez que encarece o frete. Todavia, na questão de qualidade temos um sistema de qualidade para a vindima que mantém a uva totalmente sadia e inteira desde a colheita até a chegada da uva na vinícola. Toda a uva é colocada em caixas e nelas é depositado no máximo 17 kg em cada caixa sem que nenhuma fruta seja esmagada pelo peso. As caixas são arejadas e tudo é feito no mesmo dia desde a colheita até o recebimento da uva. O transporte normalmente é feito à noite e processamos a uva na mesma noite. Caso tenhamos que transportar durante o dia isso é realizado com caminhões refrigerados. Portanto, conseguimos manter os níveis de qualidade para se elaborar ótimos vinhos.
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VPT – Por que a escolha por variedades menos populares para o consumidor brasileiro, como teroldego, barbera e touriga nacional?
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Primeiramente tudo foi pensado em termos de um "laboratório". Todavia, sabedores que o consumidor de vinhos finos é e está cada vez mais "curioso" e ávido por novidades e muito interessado em apreender sobre novos vinhos e novas possibilidades, resolvemos testar variedades diferentes. Algumas não deram um resultado satisfatório e após 3 ou 4 anos de produção, substituímos as plantas pelas que haviam dado ótimo resultado e tinha melhores perspectivas de mercado.
O caso da Teroldego, Barbera e Touriga foram as variedades diferentes que se destacaram positivamente em termos de vinho desde o início do projeto e por isso temos os vinhos no mercado há algum tempo. Mas foram destaques também a Chardonnay, a Pinot Noir e a Gewurztraminer.
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VPT – O cabernet sauvignon foge dessa proposta. Por que a escolha dessa uva e não da merlot, que é tida como a que mais se adaptou ao clima brasileiro?
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O caso da Cabernet Sauvignon teve dois aspectos. Um o aspecto técnico que foi testado como nas demais cultivares. Contudo, o aspecto mercadológico fez com que fosse umas das escolhidas para o "laboratório". Caso desse certo, como foi o caso, seria um vinho mais fácil de vender.
O caso da Merlot foi semelhante. Plantamos e ainda temos os vinhedos dessa uva. O resultado não é exatamente o que nós esperávamos. Confesso que gera um bom vinho, mas não o que eu esperava. O resultado da Merlot no Vale dos Vinhedos se mostra superior ao dessa mesma uva em Encruzilhada do Sul.
Gostaria de ressaltar que essa é uma opinião pessoal.
Creio que quando abordamos a questão de uma variedade para o Brasil devemos levar em conta que estamos falando de um país de dimensões continentais e portando, de muito microclimas diferenciados. Generalizar os aspectos climáticos afirmando que existe uma variedade para o Brasil é bastante delicado. A questão do Merlot é um bom exemplo para discutirmos isso. É notório o resultado positivo dessa uva para a região da Serra Gaúcha é mais notório ainda quando falamos de Vale dos Vinhedos. Isso não significa que a Merlot deva ser a uva escolhida para regiões da Campanha Gaúcha ou a Região do Vale do São Francisco, por exemplo, mas já uma realidade no Vale dos Vinhedos.
O mesmo pode ser analisado sobre o Espumante. Considero que para a Merlot e para o Espumante (tipo "champanha") as regiões da Serra Gaúcha em especial o Vale dos Vinhedos são as que geram os melhores resultados e que em breve farão a fama da Vitivinicultura do Brasil. Talvez a curto prazo esses dois tipos de produtos se tornem os "vinhos emblemáticos" do Brasil. Esses produtos provarão por si sós que o Brasil tem sim clima apropriado para vinhos finos, desde que se respeite a vocação de cada região. Se o Chile é bom para Carmenère e Cabernet Sauvignon, a Argentina é a terra do Malbec e o Uruguai do Tannat, o Brasil será respeitado pelos Espumantes e pelo Merlot do Vale dos Vinhedos.
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VPT – Vocês não utilizam madeira (ou utilizam pouca) em seus vinhos. É uma tentativa de fugir da “padronização” em voga nos vinhos sul-americanos?
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Nossa proposta é respeitar as características da região e da uva nela cultivada. Claro que ainda estamos buscando uma identidade, uma vez que temos plantas de apenas 9 anos. Estamos "construindo" podemos dizer assim, um novo "terroir" em Encruzilhada. Ainda temos muito para aprender sobre o comportamento das uvas lá cultivadas e temos que ter muito cuidado na utilização do carvalho para que não mascare as características típicas desses novos vinhos. Sem dúvida uma grande parte dos vinhos elaborados no Novo Mundo sofrem essa "padronização". Não sou contra essa forma de produção, o que não sou favorável é que se venda esse tipo de produto como se fosse esse o único "padrão". Quando falamos de vinhos não podemos ficar presos a padrões impostos. Há inúmeras diferenças nos vinhos de cada região e essa é a grande virtude, a verdadeira graça do mundo do vinho. Impor ao consumidor que está ainda aprendendo a provar vinhos um padrão e dizer a ele que este é o padrão de qualidade é uma irresponsabilidade ou no mínimo há interesses comerciais por trás disso. Esse "padrão" standartizado de vinhos com pouca acidez, muita madeira, e sabor que parece adocicado, não traduz o verdadeiro valor de experimentar um vinho que revela o sabor de uma determinada região. Devemos mostrar ao consumidor que o vinho é a expressão organoléptica de uma região, provar um vinho do Vale dos Vinhedos ou de uvas de Encruzilhada do Sul é sentir o sabor e os aromas dessas terras. O mesmo vale para um vinho do Pommerol, ou da Toscana. Provar um vinho que não apresenta características típicas de sua região, no qual não se sabe direito se seu sabor parece com um vinho do Chile, da Austrália ou da Califórnia tem o mesmo valor do que tomar um refrigerante.
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VPT – É possível produzir um pinot noir de destaque no Brasil? Que características ele terá?
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A uva Pinot Noir é bastante delicada de ser cultivada em qualquer parte do mundo. Na Serra Gaúcha ela vem obtendo sucesso para a elaboração de espumante. Para vinho tinto ainda é cedo para afirmar que produziremos vinhos de destaque. Mas com certeza é possível elaborar bons Pinots. Tanto na metade sul do RS quanto na Região dos Campos de Cima da Serra do RS estão sendo obtidos resultados interessantes. Em ambos os casos os vinhos resultantes são vinhos leves e delicados. Frutados, frescos e fáceis de beber embora com diferenças em função de cada região. Contudo ainda é cedo para se afirmar que já existe um Pinot típico e único no Brasil. Porém, nada impede que isso aconteça.
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VPT – Por que não produziram vinho em 2009?
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A Angheben vem produzindo quantidades muito pequenas. Temos um capital limitado para investimentos e desde nossa fundação elaboramos vinhos independente da qualidade de cada safra. Todavia, só engarrafamos os vinhos que apresentem um nível de qualidade que julgamos satisfatório. Assim, em algumas safras vendemos os vinhos que até eram bons, mas não o suficiente para ser um Angheben. A diferença agora é que uma vez que a qualidade da uva não for excelente não será mais elaborado vinho. Elaborar o vinho e ter que vendê-lo a granel não vale a pena no nosso caso. Em 2009 foi parecido.
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VPT – Vocês optaram por não distribuir seus vinhos diretamente, mas através da Vinci Vinhos. Por que?
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Existe uma grande dificuldade de logística no Brasil. O país é bastante grande e os custos de frete muitas vezes inviabilizam a comercialização direta pela vinícola principalmente em se tratando de venda a restaurantes. É sabido que hoje em dia poucos restaurantes mantém um estoque grande de vinhos. O normal é manter o mínimo possível e ai as compras são bastante fracionadas. Assim o frete acaba onerando o preço do vinho. A saída é a busca por um distribuidor que atenda e distribua o vinho localmente. Esse é o caminho mais viável embora as margens sejam menores para o produtor.
No caso da Vinci ela não é simplesmente uma distribuidora. Por trás da Vinci existe uma equipe muito competente, liderada pelo Ciro Lilla que dispensa apresentações. Tendo o aval do Dr. Ciro a Vinci entendeu nossa proposta e filosofia de trabalho. Tanto a Vinci quanto a Angheben não estão querendo defender o vinho brasileiro simplesmente. Nós estamos "levantando a bandeira" dos vinhos de qualidade e a Vinci encontrou na Angheben essa qualidade independentemente da origem. Ou seja, sem preconceitos contra o "vinho nacional" a Vinci reconheceu o trabalho da Angheben e além de disponibilizar nossos vinhos no mercado vem com muita competência mostrando e divulgando o trabalho, o pioneirismo e a qualidade de uma pequena Vinícola do Brasil.
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VPT – Se você fosse escolher pra beber em casa um vinho tinto, um vinho branco e um espumante brasileiros (que não sejam Angheben, claro), quais escolheria?
Certamente escolheria um Merlot do Vale dos Vinhedos. Gosto muito do Merlot V.E. produzido pelo Spa do Vinho aqui do Vale dos Vinhedos. Há bons tintos feitos da uva Tannat aqui no Vale também. E ainda estão surgindo belos tintos da Serra do Sudeste do RS e na região da Campanha.Já para os Espumantes, pode-se dizer que há vários de ótima qualidade aqui na Serra Gaúcha, seria injustiça eleger um só, mas o Chandon Excellence bem como os espumantes da marca Estrelas do Brasil são muito bons. Nos vinhos brancos considero que ainda estamos devendo ao consumidor... talvez eu iria procurar algum Riesling Itálico, mas esse vou ficar devendo a indicação.
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VPT – Que novidades podemos esperar da Angheben para as próximas safras?
Estamos repensando algumas coisas aqui na Angheben. Certamente virão novidades, provavelmente um novo espumante, esse mais leve e frutado e nos tintos pensamos em vinhos de cortes para serem vinhos tops. E há ainda outras novidades mais para frente, mas essas vamos falar numa próxima vez, combinado?

12 Dezembro 2009

Errazuriz Reserva Chardonnay 2008

Minha esposa tem me exigido "delicadamente" que compre mais vinhos brancos, pois ela prefere brancos e espumantes, enquanto eu prefiro os tintos. Mas tenho que concordar com ela que ao preferir os tintos estou alimentando um certo preconceito em relação aos demais. Então, quando comprei o Pinot Noir da Errazuriz (já comentado aqui) aproveitei para levar este Chardonnay, pagando R$ 37.
Na vinificação, 94% do vinho foi fermentado em tanques de aço inoxidável e os outros 6% em barricas de carvalho francês, resultando num vinho elegante e com certa complexidade.
Tem coloração amarelho palha, com reflexos esverdeados. Aromas em boa intensidade, com destaque para frutos brancos, como abacaxi. Apresentou discretas notas minerais.
Na boca é volumoso, com bom corpo e acidez discreta, com agradáveis notas doces. Final um pouco ligeiro demais, com boa refrescância. Fundo de copo com leve defumado (proveniente da madeira) e aromas lembrando amêndoas. Álcool de 13,5%, sem incomodar.
Ótimo exemplar de Chardonnay a preço acessível. Muito equilibrado, com certa complexidade. Acredito que se tivesse um pouco mais de acidez seria quase imbatível na faixa de preços.

09 Dezembro 2009

Bouza Trilogia 2006

A Bodega Bouza Boutique, fundada em 1942, tem feito sucesso em vários blogs sobre vinhos, especialmente com seu Monte Vide Eu, um tinto poderoso, obtido da vinificação em separado das três uvas que compõem esse Trilogia.
O vinho agora comentado (que não aparece no site da vinícola) é um corte de Tempranillo (50%) e parcelas iguais de Tannat e Merlot. Me custou R$35 e se mostrou um vinho tranqüilo, com predominância das características da Tempranillo, salvo melhor juízo. Foram produzidas 14.000 garrafas. Abri a de nº 634.
Na taça apresentou coloração rubi, com boa transparência. Muito aromático. Ao servi-lo os aromas invadiram o ambiente.
Na boca é leve, macio, com taninos dando certa rusticidade. Boca marcada por frutado delicado. Madeira presente em boa medida.
Final curto, levemente frutado, desaparecendo rápido, deixando a boca limpa (talvez seu único problema).
Álcool a 13% não incomodou. Vinho simples, mas equilibrado, sendo uma boa compra.

06 Dezembro 2009

Tributo Merlot 2007

Numa degustação que participei em outubro, esse foi o melhor tinto da linha Tributo, da Vinícola Marco Luigi, que certamente tem alguma passagem por barricas, mas não sei precisar o tempo. Com 12% de teor alcoólico, é um vinho bastante acessível, custando em torno dos R$18.
Na taça tem coloração rubi, com boa transparência. Aromas discretos. Destaque para frutos vermelhos maduros e notas florais. Corpo mediano, com taninos macios e baixa acidez.
Final de boa persistência, com madeira muito discreta. Frutado tomando conta.
Vinho do qual não se pode esperar exuberância, mas não deixa de ser agradável e correto, com destaque para madeira que não escondeu as características.

05 Dezembro 2009

Tributo Espumante Brut

Numa degustação que participei em outubro, esse foi o melhor espumante da linha Tributo, da Vinícola Marco Luigi. Um brut elaborado pelo método Charmat, a partir das uvas Chardonnay e Riesling Itálico, com 12% de teor alcoólico. Não é safrado, mas o lote indicado no contra-rótulo é de 2008.
Espumante de coloração amarelo palha, com notas esverdeadas. Perlage com bolhas finas e boa intensidade.
Aromas moderados. Frutado discreto, com lembraça cítrica (talvez maçã verde), sobrepondo-se aos aromas vindos da fermentação (tostado e fermento).
Boa cremosidade, com acidez correta e boa refrescância. Retro-olfato com lembrança de mel e um pouco de tostado. Final mediano.
Espumante simples e correto. Vale o que custa (R$ 23).

01 Dezembro 2009

Cono Sur Riesling 2007

Este é o 36º vinho que comento para a Confraria Brasileira de Enoblogs, uma ótima escolha do Jean, do blog O Tanino.
Como não encontrei o vinho por estas bandas, me vali da gentileza do confrade Jeriel, que mantém o ótimo Blog do Jeriel. Me enviou pelo correio duas garrafas, compradas a R$ 26,90.
O vinho é produzido pela Cono Sur, subsidiária da Conha y Toro, com uvas do Vale do Bio-Bio, região em que predominam dias quentes e noites frias, com alto índice pluviométrico, ideal para variedades de clima frio.
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Na taça o vinho tem uma bela coloração amarela, tendendo para o dourado. Aromas muito presentes. Frescor e citricidade muito atraentes. Em temperaturas mais baixas a mineralidade tomou conta.
Na boca é fresco, com boa acidez e notas doces. Equilibrado e muito agradável. Final mediano, marcado por boa presença cítrica. Álcool a 13,5%, sem se fazer notar.
Não é um vinho de grande complexidade, mas tem ótima relação qualidade x preço e reúne as características mais marcantes da riesling. Uma compra que me deixou muito satisfeito.
Harmonizou-se bem com frango ao molho de açafrão, prato típico de nossa região. Deixou a boca limpa após a comida, provavelmente por conta da boa acidez. Uma surpresa, já que não havia planejado abrir o vinho na ocasião.
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