28 Janeiro 2010

Chandon Passion Espumante Rosé Demi-Sèc

A Vinícola Chandon dispensa apresentações. Fundada em 1973 é visita certa no roteiro da Serra Gaúcha. Seus espumantes têm uma boa qualidade média e podem ser encontrados em supermercados e lojas especializadas.
Este espumante me foi dado de presente, mas está na casa dos R$40-50. É elaborado pelo método charmat, com as uvas moscato canelli, malvasia bianca e pinot noir. Um espumante que qualifiquei de "tropical". Sem complexidade, bastante frutado e refrescante. Predominam os aromas florais da moscato canelli. Às cegas passaria por um moscatel mediano. Pelo número do lote parece que foi engarrafado em 2009. Álcool a 11,7%.
Na taça uma coloração voltada para o salmão. Boa formação de espuma e perlage intensa no início do serviço. Depois de um tempo na taça as bolhas diminuiram em intensidade.
Aromas em boa intensidade. Floral em destaque (característica da moscato), com frutado aparecendo (lembrança forte de pêssegos). Na boca é leve e refrescante, com boa acidez. Final de boa persistência.
Como disse acima, pouca complexidade, com muitos sabores e frescor tropicais. Mas existem espumantes meio-secos mais baratos e com maior complexidade que esse. .



Obs.: no contra-rótulo a vinícola indica que o espumante serve para acompanhar pratos, como aperitivo e até "com uma pedra de gelo". Caro leitor, desobedeça a vinícola nesta última dica. Não cometa esse sacrilégio. Não se trata de um refrigerante.

24 Janeiro 2010

Terra Andina Reserva Pinot Noir 2008

No dia em que comprei o Errazuriz (relembre) também comprei esse Pinot Noir elaborado pela Vinícola Terra Andina, adquirida em 2001 pelo Grupo Claro. Um vinho elaborado no amplo Vale Central, que me custou R$36 e decepcionou um pouco.
Na taça uma coloração rubi um tanto pálida, reflexos próximos a um rosé. Lágrimas grossas e rápidas.
Aromas típicos da uva, mas muito tímidos. Percebe-se, com algum esforço, framboesas, cerejas e um floral lembrando violetas. Na boca é leve, com taninos finos e acidez em destaque. Retro-olfato discreto, com domínio do amadeirado.
Final curto, madeira e fruta disputando destaque. Uma sensação incômoda, algo "verde" apareceu.
Vinho muito simples e com pouco atrativos para o preço pago. Há melhores nessa faixa.
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21 Janeiro 2010

Paulo Laureano Premium Tinto 2007

No dia 2 de janeiro estava em Catalão (GO) e fui jantar com minha esposa no DonnAna Bistrô. Sem dúvida, o lugar mais charmoso da cidade. Boa comida, ambiente aconchegante e carta de vinhos com poucas opções, mas bem escolhidas e com preço justo. O nome do restaurante tem uma razão de ser. A proprietária é Ana Célia, que tem outras cinco irmãs, todas são "Anas".
O vinho tinto que escolhemos na noite foi esse regional alentejano, produzido pelo festejado enólogo Paulo Laureano, um corte de 40% de aragonêz e 60% de trincadeira, com estágio de 18 meses em barricas de carvalho francês.
De coloração rubi profundo, apresentou lágrimas finas na taça. Inicialmente aromas muito fechados, madeira em exagero. A própria rolha exalava madeira excessiva, demonstrando que uma aeração lhe faria bem. Realmente. Depois de um tempo aberto, os aromas evoluiram para um frutado maduro (frutos negros), um pouco de terra e madeira ainda em evidência, mas com melhor equilíbrio.
Na boca tem ótima estrutura, taninos bem vivos e acidez pronunciada. Álcool sempre presente, dando ainda mais potência. Corpo médio. Depois de um tempo aberto ficou mais doce e notas vegetais apareceram. Final persistente, com notas tostadas e leve prevalência da madeira sobre a fruta. Boca seca, taninos ainda rascantes.
Vinho com vocação gastronômica, sem dúvida. Tem muito a
evoluir nos próximos 3 anos. Certamente ficará mais dócil, mas já vale a pena conhecê-lo.
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17 Janeiro 2010

Uxmal Chardonnay 2008

Os projetos de Nicolás Catena Zapata carregam uma forte influência Maia. Fico até imaginando se não batizará um de seus vinhos de "2012" (se quiserem usar a ideia eu autorizo, bastando que me mandem umas garrafas do vinho).
A Bodega Uxmal, fundada em 2003, é um dos mais recentes projetos de Nicolás, localizada no departamento de Rivadavia, na província de Mendoza. O nome "uxmal" refere-se a um dos mais conhecidos sítios arqueológicos maias, na península de Yucatán, que teve seu auge entre os anos 900 e 1000 D.C. (saiba mais).
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Este chardonnay segue a linha dos outros produtos: bons e baratos. Já experimentei os varietais malbec e cabernet sauvignon e o assemblage de merlot e cabernet sauvignon, chamado Uxmal Alto. Todos muito bons em suas faixas de preço. Esse chardonnay me pareceu o menos interessante de todos, mas serve muito bem como vinho para o cotidiano. Tem passagem de 10% por barricas de carvalho francês.
Na taça coloração amarelo palha. Aromas moderados. Frescor evidente no nariz, com notas de frutos brancos. Discreta lembrança de amendoim torrado.
Muito gostoso em boca. Leve, com nuances adocicados. Acidez marcante, dando um frescor muito vivo ao vinho. Boa fruta no retro-olfato. Harmônico.
Final mediano, marcado pelas frutas brancas (talvez abacaxi), levíssimo tostado e notas amanteigadas. Fundo de copo repetindo nariz, com presença de aroma lembrando amendoim torrado ou algo parecido.
Vinho correto para o preço (faixa dos R$20-23), que acompanhou muito bem uma rodada de bruschettas.
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13 Janeiro 2010

Rio de Los Pájaros Reserve Viognier 2007

A Bodega Pisano é das mais importantes do Uruguai e já teve um vinho comentado aqui (relembre). Mesmo seus vinhos mais baratos são compras seguras. Recentemente provei o Cisplatino Tannat & Merlot da safra 2008, um vinho interessante pelo preço que tem.
A linha Rio de Los Pájaros está um pouco acima do Cisplatino. Seu Pinot Noir é muito delicado e típico, valendo a prova.

Esse viognier é um bom exemplar dessa uva, que aprendi a gostar com um ótimo chileno que comentei aqui (relembre).

Na taça um amarelo dourado, demonstrando certa evolução, porque esperava um tom mais claro e reflexos esverdeados. Segundo o site do importador o vinho não passa por madeira.

Aromas discretos, frescos, com clara lembrança de frutos brancos como pêra e abacaxi em calda, abrindo-se posteriormente para mel e discretíssimo defumado.
Na boca apresentou-se equilibrado. Tem boa presença, com álcool aparecendo um pouco (sem incomodar), com retro-olfato fortemente marcado por abacaxi e mel. Acidez refrescante. Em alguns momentos aromas lembrando casca de laranja.
Final com boa persistência, marcado por leve defumado no palato, acompanhado por mel (que veio mais fortemente no fina
l da garrafa).
Enfim, um bom vinho, com boa complexidade. Poderia ser mais aromático. Tive a impressão de que começa a entrar na linha descendente de sua evolução, com aromas indicando isso. Beba logo!


09 Janeiro 2010

Angelica Zapata Chardonnay Alta 2004

Certamente esse será um dos grandes vinhos que comentarei em 2010. Um ótimo Chardonnay elaborado pela Bodega Catena Zapata, que dispensa apresentações.
O vinho também dispensaria comentários, mas não resisti, até porque foi um
dos presentes que ganhei de minha esposa no aniversário do ano passado, em agosto. Também ganhei um Malbec 2004 da mesma linha, que ainda não abri. São vinhos com ótima aceitação no mercado brasileiro, que também receberá (ou já recebe, não sei) o Cabernet Franc.
Segundo informações da vinícola, as uvas para elaboração desse vinho vieram do Vinhedo Adrianna, situado a 1480 metros de altitude, em Tupungato, Mendoza. Passa 12 meses em barricas de carvalho francês e tem 13,9% de teor alcoólico (14% na etiqueta do vinho).
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Na taça uma linda coloração amarelo claro com reflexos esverdeados. Vivo, aparentando jovialidade apesar dos 5 anos.
Bons aromas. Boa complexidade, fruta, madeira e aromas terciários em equilíbrio. Não é exuberante no nariz.
Na boca tem bom corpo. Acidez em destaque. Notas doces. Macio e muito equilibrado. Leve lembrança tostada (defumado) no retro-olfato. Vinho com boa estrutura, gastronômico.
Final de boa persistência. Notas levemente cítricas e lembrança defumada. Álcool sem incomodar em nenhum momento. Vinho em excelente forma para sua idade. Coloração viva, ainda longe do amarelo dourado que é o próximo passo de sua evolução.
Vinho ótimo em boca, com acidez correta e final interessante. Poderia ser mais aromático, mas isso não diminui seus predicados: elegante, estruturado e com personalidade.
Obs.: o fato de ter sido um presente em nada altera minha avaliação, ok?

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05 Janeiro 2010

Porca de Murça Branco 2008

Este é o 37º vinho que comento para a Confraria Brasileira de Enoblogs. A escolha foi do Rafael Loyola, professor, enófilo, pai do Miguel e administrador do blog De Vinho em Vinho. Um português fácil de encontrar em supermercados e com preço na faixa dos R$18, produzido pela histórica Real Companhia Velha, na região demarcada do Douro. As uvas utilizadas são as nativas Viosinho, Gouveio, Moscatel, Arinto e Fernão Pires.
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Um vinho simples, do qual não se pode exigir exuberância ou complexidade, mas possui predicados que o tornam uma opção razoável para o dia-a-dia, especialmente por causa do preço. Mas há opções sul-americanas mais interessantes e na mesma faixa.
Na taça apresentou coloração amarelo palha, bastante pálido. Aromas medianos e frescos, com notas florais e de frutos cítricos.
Na boca é leve e tem boa refrescância, com acidez vigorosa. Sem complexidade, descompromissado. Final curto, marcado mais pela citricidade que pelas notas florais.
Como disse, um vinho simples, que se justifica em razão do preço e pela refrescância, combinando bem com o verão.
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01 Janeiro 2010

E lá se foi 2009!


Tenho dúvida se alguém lerá esse post no primeiro dia do ano. Mas também não estou escrevendo o texto hoje, ele está pronto há alguns dias e devidamente programado para entrar no ar, uma prática que adotei há tempos e tem dado certo. Escrevendo com antecedência a atualização é constante, sem ser prejudicada por algum contratempo. Hoje é dia de descanso, de beber vinho sem a caderneta, sem anotações, sem compromisso...
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Em 2009 comentei 96 vinhos, um pouco menos que em 2008. Foram 36 vinhos brasileiros, 18 argentinos, 16 chilenos, 6 italianos, 5 portugueses, 5 espanhóis, 3 uruguaios, 3 sul-africanos e 1 de Austrália, França, Nova Zelândia e Alemanha.
Fechamos o ano com 334 vinhos comentados desde o início do blog.
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Algumas coisas legais do ano:
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- Batemos a marca das 100.000 e das 150.000 visitas.
- Em 2009 o blog recebeu cerca de 67.000 visitas.
- Mantivemos (com alguns tropeços) a ideia da Confraria Brasileira de Enoblogs, com 13 vinhos comentados no ano e 36 desde seu início.
- Inauguração da seção "Dez perguntas para...", com a primeira edição trazendo a entrevista com Eduardo Angheben (
relembre).
- Para minha felicidade 48% dos vinhos estiveram na escala dos muito bons, "quase excelentes" e excelentes.
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Só por brincadeira fiz uma lista de alguns destaques:
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Vinho do ano: Sassoalloro Toscana IGT 2003, já indicado para o maior post coletivo sobre vinhos, ideia do Alexandre, do Diário de Baco e Enoblogs.
Surpresa do ano: Don Abel Reserva Cabernet Sauvignon 2005
Melhor branco: Cono Sur Reserva Viognier 2007
Melhor espumante: Cave Geisse Espumante Brut 2007
Deveria ter comprado uma caixa: Condado de Almara Reserva 2003
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Para este post não ficar tão longo, excluí da listagem os vinhos ruins, razoáveis e bons. Seguem apenas os que receberam quatro ou mais tacinhas na avaliação:
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Vinhos muito bons - 27 vinhos = 28%
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- Cecchi Chianti DOCG 2006
- Salton Volpi Pinot Noir 2007

- Cabriz Rosé Dão DOC 2007
- Montes Seleccion Limitada Pinot Noir 2007
- Angheben Touriga Nacional 2005
- Alta Vista Classic Torrontés 2007
- Cousiño Macul Don Luís Cabernet Sauvignon 2006
- Cave de Pedra Reserva Tannat 2002
- Langhorne Crossing Dry Red 2004
- Picada 15 Merlot 2006- Luiz Argenta Reserva Cabernet Sauvignon 2004
- Valmarino Tannat 2005
- Casillero del Diablo Cabernet Sauvignon 2007
- Angheben Pinot Noir 2008
- Casa Silva Family Wines 2007
- Da’Divas Chardonnay 2008
- Paris Goulart Glam 2006
- Casa Silva Colección Cabernet Sauvignon 2007
- Pizzato Reserva Merlot 2005
- Casa Valduga Espumante Brut 2002
- Amadeu Espumante Brut Rosé
- Avondale Julia 2006
- Vallontano Reserva Merlot 2005
- Salton Volpi Cabernet Sauvignon 2007
- Errazuriz Reserva Chardonnay 2008
- Don Abel Premium Merlot 2005
- Angheben Barbera 2008
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Vinhos “quase-excelentes” – 11 vinhos = 12%
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- Casa Silva Colección Carmenère 2006
- Salton Desejo Merlot 2005
- Casa Valduga Premium Cabernet Franc 2005
- Prinz Von Hessen Riesling Kabinett Trocken 2006
- Sottano Reserva Cabernet Sauvignon 2005
- Lídio Carraro Quorum Grande Vindima 2005
- Condado de Almara Reserva 2003
- Salton Talento 2004
- Yume Montepulciano D’Abruzzo DOC 2005
- Errazuriz Reserva Pinot Noir 2008
- Cono Sur Riesling 2007
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Vinhos excelentes – 7 vinhos = 8%
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- Matariki Aspire Pinot Noir 2006
- Cono Sur Reserva Viognier 2007
- Crios de Susana Balbo Malbec 2007
- Don Abel Reserva Cabernet Sauvignon 2005
- Cave Geisse Espumante Brut 2007
- Casa Valduga Gran Reserva Chardonnay 2008
- Sassoalloro Toscana IGT 2003
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Se você chegou ao fim desse post ou mesmo se estiver lendo de trás-para-frente, quero agradecer pela paciência de ser um leitor do blog. Desejo um feliz 2010, com muita saúde, harmonia, inteligência, oportunidades e vinhos cada vez melhores, para todos!.
À minha esposa um agradecimento especial porque me acompanhar nos vinhos é uma tarefa relativamente fácil, mas ter que esperar as anotações na caderneta pra depois conversar sobre outras coisas deve ser muito chato. A ela as minhas desculpas... e todo o meu amor.