25 Fevereiro 2010

Casillero del Diablo Gewürztraminer 2008

Quando comprei o sauvignon blanc para comentar no início do mês (relembre) aproveitei para comprar também uma garrafa deste gewürztraminer, cuja vinícola e linha dispensam apresentações. Pela garrafa paguei R$ 35.
Tenho particular apreço por essa uva, embora não se encontre vinhos tão bons na faixa de preços do blog. Dessa uva espera-se muitos aromas, tanto que nas avaliações seus vinhos são classificados como "brancos aromáticos", enquanto os elaborados com chardonnay, por exemplo, são "brancos não-aromáticos".
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Vinho de coloração amarelo claro, com tons esverdeados. Boa intensidade aromática, com boa tipicidade, flores brancas, nuances minerais discretos e frutado lembrando lichia.
Evolui em boca. É leve e macio, com acidez refrescante, repetindo as mesmas sensações florais e frutado. Muito agradável e harmônico. Álcool dando certa potência, mas sem incomodar em nenhum momento (13,5% de teor).
Final mediano, marcado por floral e boa dose de lichia. Ótima relação qualidade x preço. Pronto para beber, especialmente nesses dias quentes.
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21 Fevereiro 2010

Gnarly Head Old Vine Zin 2007

Por motivos variados, mas especialmente por conta do preço, ainda não havia experimentado um vinho norte-americano. Esse veio por encomenda através de uma amiga que foi aos EUA. Custou US$21 e não tem importador no Brasil. Um vinho que me surpreendeu positivamente, porque tudo que havia lido sobre a Zinfandel me levou a esperar um vinho menos elegante, potência pura. Mas esse, apesar dos 14,5% de teor alcoólico, foi uma grata surpresa.
O nome do vinho (Gnarly Head) está relacionado às videiras com idade entre 35 e 80 anos e cultivadas livremente, sem uma linha de condução como acontece nos modernos parreirais. A safra 2007 na região de Lodi, na Califórnia, teve condições ideais, levando a uma boa maturação das uvas, colhidas no final de setembro e início de outubro.
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O vinho apresentou coloração rubi, com reflexos violáceos, halo aquoso e muitas lágrimas. Muito aromático, com frutado muito maduro, lembrando frutas quase "passadas", especialmente amoras. Um pouco vegetal, talvez eucalipto. Nariz indicando potência alcóolica. Lembrança discreta de passagem por carvalho.
Na boca tem médio corpo, taninos macios e acidez mediana. Retro-olfato repetindo fruta "passada". Madeira novamente discreta. Final curto, mas agradável.
Embora o álcool não tenha incomodado e seja mais elegante que potente, não é um vinho para bebericar sem comida. Pronto para beber. Gastronômico, acompanhou bem uma picanha grelhada.

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17 Fevereiro 2010

Dez perguntas para... João Valduga

Hoje tenho o prazer de publicar a segunda entrevista da seção "Dez perguntas para...", que começou em dezembro com Eduardo Angheben (relembre).
Para esta edição, convidamos o enólogo João Valduga, diretor e enólogo-chefe da prestigiada vinícola Casa Valduga, pela qual tenho especial carinho e admiração. Tal distinção se deve não somente aos seus vinhos tintos, brancos e espumantes, mas especialmente pela acolhida que dão a seus visitantes nas pousadas, varejo, cursos de degustação e restaurantes. Não é raro encontrarmos os irmãos João, Juarez e Erielson circulando pela vinícola e com eles termos longas conversas em torno do vinho e da história da família. Cada um em sua área, cada um cuidando para que a tradição permaneça, mas com olhos voltados para o futuro.
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VPT - A Casa Valduga começou com a produção de vinhos de mesa como quase todas as famílias de imigrantes da Serra Gaúcha. Quando começou a transição dos vinhos de mesa para os vinhos finos? Como se deu esse projeto?
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Em meados de 1970, com a formação enológica dos filhos e com ajuda do patriarca Luiz Valduga, exímio enxertador, introduziu-se variedades viníferas em especial a variedade Cabernet Franc. Em 2000 se deu toda a reconversão dos vinhedos no sistema latada para espaldeira simples.
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VPT - Vocês possuem o melhor complexo enoturístico dentre as vinícolas brasileiras e agora estão com um novo restaurante, o Maria V., em homenagem à sua mãe. Quais os planos da Casa Valduga nessa área?
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Nossa principal meta com toda a estrutura de enoturismo que temos, que compreende três restaurantes e seis pousadas, todos juntos à vinícola, é fazer com que o consumidor conheça e entenda o sistema de elaboração dos nossos vinhos, o carinho e a dedicação que temos desde o vinhedo e crie o hábito do consumo de vinhos. Para isto não mediremos esforços em continuar melhorando sempre a estrutura e como projetado há alguns anos atrás, a construção de um SPA.
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VPT - A linha Mundvs já teve lançamento do Malbec argentino e do Cabernet Sauvignon chileno, esse último com premiações importantes no ano passado. Qual o próximo lançamento internacional da Casa Valduga?
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Agora seguimos para a Europa, em Portugal. Elaboramos um vinho maravilhoso do Alentejo, que estará disponível no mercado em meados de junho.
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VPT - Na Serra do Sudeste vocês produzem a linha Identidade, com castas menos conhecidas do consumidor brasileiro. Tenho duas perguntas sobre esse fato: que diferenças existem entre o terroir de Encruzilhada e do Vale dos Vinhedos? Podemos esperar um novo Identidade para as próximas safras?.
O Vale dos Vinhedos já tem um terroir próprio, conquistando a primeira Indicação de Procedência e recentemente a Denominação de Origem, enquanto Encruzilhada do Sul também tem o seu terroir. Com amplitudes térmicas diferenciadas da Serra Gaúcha, como por exemplo dias quentes e noites amenas, facilidade no plantio, na mecanização dos vinhedos, usando-se avançadas tecnologias agrícolas. Após dois anos de estudos sobre solo e clima, a Casa Valduga acreditou ser este o local ideal, preservando o meio ambiente na implantação de novos vinhedos ecologicamente corretos e introdução de novas variedades, como Arinarnoa, Marselan e Ancelotta, que compõem a linha Identidade.
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VPT - Ainda há terroir brasileiro que a Casa Valduga pretende apostar? O Nordeste, por exemplo?
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A Casa Valduga é uma vinícola de tradição, buscando uma qualificação superior em seus produtos, dentro de um microclima favorável a isso. Apostamos unicamente em regiões frias, período este necessário para a hibernação da videira.
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VPT - Com a Domno vocês criaram uma concorrente?
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Estamos neste mercado há muitos anos e vimos a oportunidade de oferecer uma gama de espumantes para outros segmentos. Considerando que a Casa Valduga somente elabora seus espumantes no método tradicional da refermentação em garrafa, instalamos esta nova empresa, focada na elaboração de espumantes no método charmat, oferecendo ao mercado uma nova proposta, com espumantes mais jovens e frescos.
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VPT - O Gran Reserva Chardonnay tem feito muito sucesso. Os vinhos brancos brasileiros podem ser referência internacional como são hoje os espumantes?
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Com certeza podem chamar muita atenção do mundo, pois temos condições climáticas adequadas e no caso do Chardonnay Gran Reserva, este é uma mostra de como pode-se, com dedicação e cuidado dede o vinhedo, elaborar um grande vinho que hoje é considerado um dos ícones brasileiros.
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VPT - Uma vez você me disse que o Storia com concebido num daqueles dias em que tudo dá certo. O que aconteceu pra ele ser um vinho tão especial?
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Apostamos fielmente na natureza, no homem e na divindade. Temos absoluta certeza que nós, seres humanos, estamos integrados e fazendo a nossa parte, como por exemplo, desponta, desbrota e raleio de cachos, colhendo somente uvas sãs e maduras - maturação fenólica perfeita.
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VPT - Atualmente o Espumante 130 é elaborado com chardonnay e pinot noir. Mas ouvi dizer que outra tinta, a pinot meunier, fará parte do corte. Que características terá o novo 130?.
A Casa Valduga busca estar sempre atualizada, junto a órgãos de pesquisa como a CNPUV - Embraba Uva e Vinho. Novas variedades estão sendo testadas em nossas terras e a pinot meunier está entre elas, mas por enquanto o que já temos envasado para os próximos três anos ainda conta com as consagradas chardonnay e pinot noir.
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VPT - Apesar de estar entre as cinco maiores vinícolas brasileiras em volume de produção, a Casa Valduga ainda permanece familiar e com ares de "pequena vinícola" em termos de cuidado com os produtos. Qual o maior desafio que vocês enfrentam para manter essa característica?
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Estamos entre as cinco vinícolas mais expressivas do Brasil, o que nos honra muito. A Casa Valduga continua sendo uma vinícola estritamente familiar, colhendo uvs em 156 hectares próprios, pelo sistema espaldeira simples, sempre preservando o meio ambiente, buscando novos clientes, entre os quais hotéis, restaurantes, delicatessens. Nosso maior desafio é a concorrência desleal com vinhos importados de baixa qualidade e procedência duvidosa. Além disso, a alta tributação imposta pelo nosso governo.
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13 Fevereiro 2010

Bodega del Fin del Mundo Reserva Pinot Noir 2007

As últimas experiências que tive com vinhos da Patagônia, especialmente os pinot noir, tem deixado a desejar em razão do excesso de álcool. Foram vinhos "quentes" e que incomodaram um pouco, como foi o caso do Malma comentado aqui em julho (relembre).
Mas esse pinot da Bodega del Fin del Mundo, apesar dos 14% de teor alcoólico, se mostrou equilibrado e com alguma complexidade. Foi comprado em junho de 2009, mas não me recordo exatamente o valor, mas deve ser algo na faixa dos R$40-45.
Na taça apresentou coloração vermelho-grená. Lacrimoso, límpido e cristalino. Aromas em boa intensidade. Frutos silvestres, tabaco, terra, especiarias. Complexidade atraente.
Na boca é leve e equilibrado, com taninos macios e boa acidez. Final de média persistência, com álcool aparecendo de leve, mas sem desequilibrar. Prevalência de frutado bem maduro, com terra e defumado aparecendo no fundo da taça.
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09 Fevereiro 2010

Cave Antiga Reserva Marselan 2006

Esse vinho é produzido pela Cave Antiga, de Farroupilha, que já teve um espumante comentado aqui (relembre). É elaborado com a marselan, um cruzamento entre cabernet sauvignon e grenache. Essa experiência foi realizada em 1961 na região do Languedoc, nas proximidades da cidade de Marseillan (daí o nome), que não deve ser confundida com Marseille, que fica mais a leste, na região de Provence.
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Voltemos à Serra Gaúcha: o vinho tem coloração rubi, partindo para o granada. Lacrimoso. Seus aromas são moderados. Logo que servido apareceram notas de especiarias (lembrança de pimenta do reino), abrindo-se logo em seguida para frutado discreto. Não é exuberante, mas agradável.
De corpo médio, seus taninos são finos, com acidez equilibrada. O álcool a 13% não incomodou em nenhum momento, mas deu certa potência ao vinho. Final curto, deixando a boca seca e um discreto amargor, que diminuiu com alguns minutos de aeração.
O vinho passa por estágio de 6 meses em barricas de carvalho francês, o que lhe conferiu uma presença discreta de madeira, com notas de café aparecendo ao final. Enfim, um vinho correto e bom para o dia-a-dia. Pronto para beber.
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05 Fevereiro 2010

Terra D'Alter Tinto 2008

Vinho português tem que ter tipicidade, deve demonstrar características da região produtora, de suas uvas. Mas esse produto regional do Alentejo, produzido pela Terras de Alter Companhia de Vinhos optou por se parecer com um vinho do Novo Mundo. Aliás, às cegas não se teria facilidade em reconhecê-lo como um vinho português. Em sua elaboração foram utilizadas a touriga nacional (50%) e a cabernet sauvignon (50%). A própria vinícola reconhece no contrarótulo que os aromas dominantes são da TN enquanto em boca predomina a CS. Com passagem de seis meses em barricas de carvalho francês é melhor no aroma que em boca e apesar do estilo fugir do esperado, agradou bastante.
Na taça é jovem, com violáceo bem intenso. Lágrimas abundantes e rápidas. Aromas frescos e com boa complexidade: frutos vermelhos maduros, flores e destaque para especiarias. Tem corpo médio, com taninos dando leve rusticidade e baixa acidez. Retro-olfato repetindo nariz.
Final relativamente curto, mas gostoso. Lembrança de leve madeira e discreto amargor. Melhorou com um tempo de decantação, ficando mais amável, doce, com amargor ficando ainda mais discreto. Pronto para consumo, mas poderá melhorar em um ano.
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Obs.:
no rótulo a vinícola opta por indicar as uvas, como se vê pela foto. Talvez tenha sido elaborado pensando-se no mercado do Novo Mundo, que aprendeu a ler os rótulos com essa informação.

01 Fevereiro 2010

Casillero del Diablo Sauvignon Blanc 2009

Este é o 38º vinho da Confraria Brasileira de Enoblogs, uma escolha do Cristiano Orlandi, que mantém o ótimo blog Vivendo Vinhos. É o segundo branco consecutivo da CBE, combinando muito bem com os dias de calor do cerrado. É produzido pela gigante Concha y Toro, com uvas do Vale Central. Pela garrafa paguei R$ 35.
Um vinho leve, que não parece ter passado por madeira. Coloração amarelo palha, com aromas em boa intensidade, frutos cítricos, pêssego, algumas notas minerais e aquele "aroma estranho" típico da sauvignon blanc.
Na boca se mostrou macio e refrescante, com boa carga de acidez, fazendo desse vinho uma boa indicação para pratos leves (como o risoto que o acompanhou aqui em casa) ou mesmo para bebericar sem muito compromisso. Final um pouco ligeiro, com agradável lembrança cítrica. Vale o que custa, mesmo sem empolgar. Está pronto para beber.
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Obs.: Posso adiantar que comprei também um gewürztraminer da mesma linha (safra 2008) e que me agradou mais. O comentário entrará no ar no dia 23 desse mês.