28 Março 2010

Valmarino Reserva da Família 2004

Comprei esse vinho em julho de 2009, quando estive pela segunda vez na Vinícola Valmarino. Acho que foi uma das últimas garrafas da safra 2004 ainda à venda no varejo da vinícola, pois já estavam comercializando o vinho de 2005.
Trata-se de um corte de cabernet sauvignon, cabernet franc, merlot e tannat, em percentuais variáveis a cada safra, segundo a avaliação do enólogo. Essa informação seria desnecessária senão houvesse vinícolas brasileiras padronizando os percentuais dos cortes, o que foge à finalidade da assemblage.

O vinho tem passagem por barricas de carvalho e não é filtrado. Produção limitada. Abri a garrafa de nº 1.020.
Na taça uma bonita coloração rubi. Aromas moderados, com fruta muito madura e discretas especiarias, além de uma lembrança de côco queimado. Na boca é leve e macio, demonstrando boa evolução, com taninos doces e acidez equilibrada. Final persistente, prevalecendo fruta muito madura e madeira bem utilizada. Notas de aromas terciários apareceram. Álcool sem incomodar (13% de teor).
Um vinho que reforça minha admiração pela vinícola. Está num bom momento para consumo, demonstrando boa evolução. Harmônico e elegante. Fiquei muito curioso em relação ao vinho de 2005, que certamente comprarei em breve.
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25 Março 2010

Cave Antiga Espumante Prosecco

Degustei no mesmo dia dois espumantes da Cave Antiga, de Farroupilha, e resolvi comentar apenas o que achei melhor. Esse brut é elaborado pelo método charmat com as variedades prosecco (80%) e schöenburger (20%), variedade de origem alemã bastante aromática, lembrando as variedades moscatel e gewürztraminer.
Na taça apresentou coloração amarelo claro, com moderada formação de bolhas. Aromas discretos, lembrando frutos brancos e algum floral. Na boca melhorou muito, com acidez refrescante e alguma cremosidade. Final mediano, repetindo aromas e aparecendo algumas notas da fermentação.
Espumante sem amargor, agradável e correto.
O outro espumante degustado foi um brut rosé, elaborado também pelo método charmat a partir das variedades pinot noir, chardonnay e cabernet sauvignon. Pela utilização dessa última casta mostrou-se mais "pesado", mas igualmente correto.
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22 Março 2010

Excelsior Cabernet Sauvignon 2008

Considero que o ponto alto desse vinho é o uso moderado do carvalho. Vinhos sul-africanos nessa faixa de preços costumam ser difíceis de beber por essa característica. Posso encomendar o analgésico para o dia seguinte, mas há quem goste.
É produzido pela Excelsior Estate na D.O. de Western Cape. É considerado um varietal pela legislação, mas a cabernet sauvignon (90%) é acompanhada pela syrah (8%) e pela petit verdot (2%).
Na taça apresentou coloração rubi com reflexos violáceos. Jovem, com lágrimas grossas e lentas (14% de álcool). Aromas em boa intensidade, com frutado muito maduro. Corpo mediano, com boa carga tânica, sem castigar. Madeira bem dosada e pouca acidez. Boa presença em boca, com volume e equilíbrio. Bem agradável.
Final mediano, com fruta bem marcante e madeira discreta, funcionando como coadjuvante (como deve ser).
Ponto alto para o equilíbrio entre taninos e álcool e uso consciente da madeira. Confirma estilo "novo mundo". Pode ser decantado por meia hora para se abrir um pouco mais.
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19 Março 2010

Cordelier Equilibrium 2005

Comprei esse top da Cordelier em julho de 2009, pagando R$50 no varejo da vinícola. Trata-se de um corte de cabernet sauvignon, merlot e ancelotta, com produção limitada a 6.100 garrafas. Abri a de número 1.088 no final de janeiro. Tem 13% de teor alcoólico.
Na taça apresentou coloração rubi, brilhante e límpido. Lágrimas grossas e lentas. Aromas de início um pouco fechados, predominando o frutado característico dos merlot brasileiros. Abriu-se para um frutado mais maduro após um tempo, lembrando frutos escuros (amoras).
De corpo médio, possui taninos poderosos e boa acidez. Retro-olfato com frutas bem maduras, quase "passadas". Final mediano, com notas da fruta e leve tostado. Boca seca. Vinho que pede comida e com bom potencial de envelhecimento. Ainda não apresentou seu melhor. Guarda tranquila por mais 3 anos. Certamente vai melhorar numa prova futura. Hoje, é bom deixá-lo respirar pelos menos por meia hora no decanter.
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15 Março 2010

Dez perguntas para... Adolfo Lona

O enólogo em sua produtora. Na taça (provavelmente) seu brut rosé, elaborado pelo método charmat, a partir das variedades pinot noir e chardonnay.
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Essa é a terceira entrevista que publico no blog. O convidado, que gentilmente aceitou responder as perguntas que enviei, é argentino de nascimento, mas já fala com um certo sotaque gaúcho! Desde 1973 no Brasil, Adolfo Alberto Lona trabalhou na Bacardi-Martini e desde 2004 tem sua própria produtora de vinhos e espumantes, na cidade de Garibaldi (visite). É autor do livro "Vinhos e espumantes: degustação, elaboração e serviço".
Estive com ele em outubro de 2008 e foi uma visita muito agradável. Ele presenteou a mim e minha esposa com uma das últimas três garrafas de seu espumante 30 meses. Atualmente também está ligado ao projeto da jovem Vinícola Peruzzo, sediada em Bagé, na Campanha Gaúcha. Quem for a Garibaldi não pode deixar de visitar a produtora e, se der um pouquinho de sorte, encontrar com Adolfo Lona por lá. Certamente será uma aula.
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VPT - Você está no Brasil há mais de 35 anos. Qual a grande mudança que vivenciou na vitivinicultura nacional?
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Foram 37 anos de maravilhosas experiências vivenciando as mudanças, avanços e retrocessos da vitivinicultura no Brasil.
Mudança no perfil das empresas produtoras: a década de setenta foi pródiga em mudanças por conta da chegada das empresas internacionais como Chandon, Maison Forestier, Martini e Rossi e Heublein que aportaram recursos para importação de mudas certificadas de variedades importantes como Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Chardonnay, Semillón que rapidamente foram adaptadas nas propriedades dos produtores rurais. Aportaram novidades fundamentais como as caixas plásticas de 18 quilos para colher e transportar as uvas, que pode parecer pouco importante, mas foram fundamentais para a melhora da sanidade das uvas; introdução das prensas pneumáticas que permitiram aperfeiçoar a fase de extração do suco na elaboração de vinhos brancos; introdução de sistemas automáticos de controle de temperatura de fermentação que além de liberar o enólogo para tarefas mais importantes, aportou precisão ao controle; substituição das pipas de madeira de pinho por tanques de aço inoxidável e finalmente a importação de barricas de carvalho para elaborar vinhos tintos de qualidade.
A etapa das empresas internacionais, que acabou definitivamente com a saída da Martini em 2005, foi um marco divisor.
Já em fins dos anos noventa o surgimento das cantinas familiares como Valduga, Miolo, Pizzato, Carraro e outras trouxe a força do eno-turismo (tábua de salvação para muitas delas ante a concorrência dos vinhos do Mercosul), o charme da produção familiar, artesanal, integrada, através dos quais se aportou valor ao vinho nacional.
Novas regiões produtoras: com a impossibilidade de aumentar as áreas da Serra, na grande maioria nas mãos de pequenos produtores, algumas vinícolas iniciaram empreendimentos fora dela. Por tal iniciativa surgiram regiões muito boas como Bagé, Candiota, Encruzilhada do Sul, Livramento, Pinheiro Machado e Dom Pedrito nas quais é possível implantar vinhedos de áreas relativamente grandes e onde o clima chuvoso faz menos danos devido à geografia menos acidentada e aos constantes ventos. Os vinhos destas regiões enriquecem a oferta de produtos nacionais.
Viticultura: infelizmente o Brasil ainda tem muito a trabalhar neste quesito, em especial na Serra, onde os excessos de produção impedem obter matéria prima superior. O sistema de remuneração das uvas não estimula o produtos que apela para a produção para evitar maiores prejuízos. Nas novas regiões onde os empreendimentos são feitos por empresas, o controle de produção já é uma realidade.
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VPT - Sua história está muito ligada à produção de espumantes na Serra Gaúcha. Que fatores o produtor leva em consideração quando opta por elaborar os espumantes pelo método tradicional ou pelo método charmat?.
O método tradicional permite obter espumantes a níveis qualitativos comparáveis aos melhores do mundo desde que sejam respeitados os tempos mínimos do ciclo de produção, nunca inferiores a doze meses. Os nossos têm ciclo de dezoito meses. Isto é caro e por isso os preços superiores e os volumes menores. Já o método charmat permite elaborar espumantes mais frescos e ligeiros, ideais para o dia-a-dia, com preço mais competitivo e uma resposta mais rápida em volumes. O produtor deve decidir antes em que mercado quer atuar, os investimentos que está disposto a fazer e as condições técnicas que tem para produzir espumantes da maior qualidade possível. Um fator importante é o tipo de investimento que cada método exige: o charmat exige investimentos altos em equipamentos e o tradicional exige um investimento menor em recursos, mas maior em tempo de retorno.
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VPT - O tinto que elabora em sua vinícola é um corte de merlot e cabernet sauvignon, ainda da safra 2004. Você desistiu de elaborar vinhos tintos?.
Por enquanto sim. Decidimos centralizar nossos esforços na produção e comercialização de espumantes por duas questões: melhores uvas na região e melhores perspectivas comerciais. O mercado cresce constantemente e o que é mais importante com bom valor agregado.
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VPT - Os monovarietais dominam o mercado brasileiro de vinhos tranquilos, tanto na produção nacional quanto na escolha dos importados. O brasileiro é preconceituoso em relação aos cortes?
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É um equívoco pensar que os vinhos varietais são todos monovarietais. A lei exige pelo menos 75% da variedade declarada e por tal razão muitos destes vinhos são cortes onde predomina a variedade declarada, mas é complementada por outra. Todos os enólogos sabem o belo casamento de Cabernet Sauvignon com uma parcela menor do Merlot. Apesar disto já há no mercado vinhos bi-varietais, mas penso que o consumidor ainda prefere os que citam somente uma variedade. Creio que é próprio dos mercados mais novos, onde o consumidor tem ainda muitas dúvidas e insegurança ao adquirir seus vinhos.
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VPT - Fale-nos um pouco mais do projeto da Vinícola Peruzzo. .
A família Peruzzo, que realiza empreendimentos nas áreas de supermercados e combustíveis em Bagé, ao sul do estado do RS, decidiu em 2005 iniciar um projeto de vinhedos e cantina integrado. Fui contratado como consultor e tive o prazer de realizar um projeto completo no qual estava previsto construir uma pequena cantina de 100.000 litros com todos os recursos necessários para elaborar vinhos e espumantes de alta qualidade. A região permite obter uvas excelentes. Para ter uma ideia as uvas atingem de forma natural teores alcoólicos superiores a 12% e em anos secos superiores a 13%. Todo o projeto está sendo seguido conforme planejado, acompanhado e dirigido por Éder Peruzzo, engenheiro agrônomo que será num futuro próximo um excelente enólogo. Trabalhar com a família Peruzzo tem sido um privilágio pela dedicação e apoio que prestam ao projeto. É um projeto integrado, planejado nos mínimos detalhes para produzir uvas e vinhos de qualidade seguindo conforme alguns princípios como: produzir 2 quilos por pé; somente elaborar uvas dos próprios vinhedos; praticar a poda verde, o raleio e o desfolhe para atingir a total maturação fenólica das uvas tintas; selecionar manualmente os cachos antes de processá-los; elaborar os vinhos ao ritmo da maturação das uvas e da capacidade operacional ideal da cantina; elaborar espumantes pelo método tradicional em caves subterrâneas com temperatura inferior a 19ºC; respeitar os tempos: cada uva, cada vinho, cada tipo exigem tempos que devem ser respeitados na procura da qualidade superior. Neste momento estão comercializando três vinhos: Chardonnay, Cabernet Sauvignon e Cabernet Sauvignon-Merlot e três espumantes elaborados pelo método tradicional: extra-brut (pas dose), brut e demi-sec (com 22 gramas de açúcar por litro, ou seja, moderadamente doce).
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VPT - O que o terroir da Campanha Gaúcha tem a oferecer?
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A Campanha, e em especial Bagé, oferece diversas condições que favorecem obter uvas maduras e sadias: solos areno-argilosos equilibrados, não muito ricos nem ácidos, que exigem moderado uso de calcário e nutrientes. A textura os torna suficientemente permeáveis para eliminar com rapidez os excessos de chuva evitando a erosão e lavagem; clima com um nível de chuvas quase idêntico à Serra, porém com um ciclo diferente, com menores quantidades na época final da maturação; geografia com moderados desníveis, ondulada, que facilita a mecanização total das tarefas culturais, permite a drenagem da água sem erosão e ventos leves e constantes que eliminam com maior rapidez a umidade. Com isso a uva sofre menos ataques de fungos, aumenta a sanidade e diminui o número de tratamentos; excelente amplitude térmica (em torno de 10ºC) com dias quentes e noites frescas, que facilita a formação de componentes da cor, fundamentais para as uvas tintas.
Essas condições contribuem para que a região da Campanha tenha melhores condições para produzir uvas tintas com alto teor de açúcares devido à boa maturação, boa carga de componentes da cor e excelente estado sanitário. Na colheita das uvas brancas destinadas a espumantes deve-se observar o equilíbrio entre açúcares e acidez porque os vinhos para espumantes devem ter moderado teor de álcool e boa acidez.
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VPT - Comete-se muitos erros no serviço do espumante. O que não se pode fazer? E o que é imprescindível para valorizar ao máximo o produto que é servido?
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No serviço de espumantes é importante sempre lembrar que o principal componente, o que o diferencia dos outros, é o gás carbônico. Os produtores fazem os maiores esforços para que seus produtos tenham uma boa quantidade de gás controlando temperaturas, maturando por longos períodos e redobrando os cuidados no remuage, degourgement, adição de licor de expedição e fechamento. Isto não deve ser jogado fora no momento do serviço. As etapas corretas no serviço do espumante são:
Esfriar em bande com gelo: num balde com muito gelo e algo de água, esfriar a garrafa durante pelo menos 45 minutos. Desta forma esfriaremos o líquido e não a rolha, que manterá sua elasticidade.
Retirar da cápsula e gaiola: para evitar a saída prematura da rolha retire a parte superior da cápsula para liberar a área de trabalho e afrouxe a gaiola, segurando com firmeza. Ao iniciar a retirada da rolha a gaiola deve vir junto.
Não despressurizar intempestivamente: o equilíbrio do gás carbônico dissolvido no vinho (que é o que vale) está dado pela pressão exercida sobre o líquido. Ou seja, numa garrafa fechada a pressão na câmara vazia (espaço entre a base da rolha e o nível superior do líquido) é idêntica a pressão do gás dissolvido. Por esta razão deve-se evitar "estourar a rolha". O correto é segurar a rolha de modo a sair de forma lenta. O som deve ser semelhante a um "respiro".
Servindo a taça: a taça, que deve ter o formato tulipa porque permite visualizar melhor o perlage, o tamanho da borbulha e a persistência da espuma, deve estar a temperatura ambiente. Não pode ser esfriada porque ficará embaçada impedindo o exame visual. Para evitar o choque de temperatura sirva uma pequena quantidade inclinando ligeiramente a taça e aguarde alguns segundos, após os quais se completa até aproximadamente 75% do volume. Desta forma teremos assegurado a presença total do gás na taça que ressaltará o movimento dado pelo perlage e transportará os aromas até a boca. É bom lembrar que a taça, contrariamente ao que se faz no vinho, não deve ser agitada para estimular o desprendimento dos aromas. O gás se encarrega disso.
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VPT - É possível iniciar e finalizar um jantar/almoço apenas com espumantes? Pode nos dar alguma dica valiosa?
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Não somente é possível como recomendado, desde que haja uma preparação da melhor harmonização. Para abrir um jantar ou almoço basta escolher um espumante seco, dos tipos nature (zero de açúcares), extra-brut ou brut e servir na temperatura correta (4-6º C). Ele cumprirá o sublime papel de tornar o ambiente mais festivo e abrir o apetite. Já para um jantar é necessário lembrar que o exagero é contrário da perfeição, por isso limitar o número de pratos e de espumantes.
Entrada: pratos frios como saladas (moderadamente temperadas) e carnes brancas são acompanhados perfeitamente com espumante nature ou brut, de preferência charmat, porque são mais frescos e ligeiros.
Primeiro prato: pratos à base de peixes, risotos ou massas são perfeitamente acompanhados por um espumante brut champenoise, mais maduro e complexo.
Prato principal: se for à base de carne vermelha o indicado é um brut rosé charmat ou champenoise, versátil e valente, onde a presença moderada de uvas tintas lhe outorga complexidade e amabilidade.
Sobremesa: neste final de jantar o recomendado é um espumante charmat moderadamente doce. Se for um Moscatel Espumante nacional, o teor de açúcares dificilmente é inferior a 80 g/litro e por isso é necessário que a sobremesa seja bem doce. Para sobremesas menos doces a recomendação é um demi-sec aromático com menor quantidade de açúcares.
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VPT - Recentemente, na Alemanha, alguns vinhos argentinos foram flagrados contendo fungicidas e antibióticos em sua composição. Qual o papel do conservante nos vinhos? Qual o limite para sua utilização?
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A legislação permite o uso moderado (em doses controladas rigorosamente pelo MARA) do conservante universal e sem o qual é impossível fazer vinhos potáveis, anidrido sulfuroso, e para os vinhos com açúcares o sorbato de potássio que tem como função evitar a proliferação de leveduras. O anidrido sulfuroso é usado em todos os vinhos do mundo e tem inúmeras funções que se iniciam já na elaboração. Quem trabalha com uvas sadias, em cantinas higiênicas e recipientes limpos não tem necessidade de exagerar. Os vinhos bem elaborados e bem conservados não precisam de conservantes, salvo o anidrido, porque ganham com o tempo e os cuidados a suficiente estabilidade para serem engarrafados e guardados durante longo tempo. O uso de conservantes proibidos deve ser denunciado e rigorosamente penalizado, porque trata-se de um delito. Evidentemente que no caso dos vinhos argentinos o uso de fungicidas e antibióticos pretende proteger vinhos elaborados sem os mínimos cuidados. O consumidor deve tomar cuidados com vinhos importados muito baratos. Lá como cá é impossível fazer milagres.
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VPT - Se você fosse presentear um amigo com um vinho brasileiro, capaz de representar nossa produção, qual seria esse vinho?
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Confesso que não bebo com a frequência que deveria os vinhos de meus colegas, mas fiquei surpreso com a qualidade do Merlot Terroir Miolo. Acho que é um excelente representante dos vinhos brasileiros.

13 Março 2010

Pasquier Desvignes Côtes du Rhône AOC 2008

Quando recebi esse vinho da Sociedade da Mesa imediatamente consegui quatro motivos para desconfiar: 1) vinhos franceses a menos de $40 são normalmente uma roubada. 2) o produtor indicado na etiqueta é o mesmo do J.P. Chenet (Les Caves de Landiras). 3) na garrafa há a inscrição Mis en bouteille en region de production, que significa que o engarrafamento não se deu na propriedade ou vinícola, mas por "sabe-se-lá quem". 4) na garrafa há uma etiqueta de medalha de prata num concurso que premia até vinhos bolivianos (com todo respeito).
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Mesmo com tantos pontos de desconfiança o vinho se saiu bem e as outras três garrafas que recebi foram abertas com entusiasmo. Elaborado com 60% de grenache, 30% de syrah e 10% de mourvedre, é um bom exemplar para quem quer conhecer o estilo de vinhos dessa região francesa a um preço acessível.
Vinho de cor púrpura brilhante, com lágrimas finas e rápidas (13% de álcool). Aromas em boa intensidade, frutos vermelhos delicados, com leve álcool no nariz. Pouco corpo, com taninos finos e boa acidez. Frutado tomando conta, com lebrança de discreto vegeta. Equilibrado.
Final persistente, com fruta madura e leve lembrança tânica.
Vinho simples e delicado. Ideal para bebericar ou para acompanhar pratos leves. .
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10 Março 2010

Bonacchi Sangiovese Toscano IGT 2008

Esse é um dos vinhos mais simples e baratos da Cantine Bonacchi, situada na cidade de Quarrata, região da Toscana, província de Pistoia. A vinícola possui produtos para todos os gostos e bolsos, desde o Montepulciano D'Abruzzo até o Brunello di Montalcino. Um vinho simples, correto e ideal para acompanhar o almoço de domingo.
Elaborado com 100% de sangiovese, traz as principais características dos varietais desta uva. Está pronto para consumo e não deve evoluir com o tempo de guarda.
Coloração rubi bastante translúcido, indicando leveza. Na primeira taça os aromas não eram agradáveis, mas desapareceram após alguns segundos de agitação, significando que uma passagem breve pelo decanter pode lhe fazer bem. Aromas moderados, lembrança frutada discreta e nenhum toque de madeira. Na boca apresentou pouco corpo, com taninos já domados e boa acidez. Final um pouco curto, mas muito agradável.
Como disse acima é um vinho simples, mas correto e equilibrado, podendo considerá-lo um "coringa" à mesa, indo bem com massas, carnes e risotos.
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07 Março 2010

Marco Luigi Espumante Moscatel

Respeito a Vinícola Marco Luigi e gosto de visitá-la no Vale dos Vinhedos. Tem instalações muito bonitas, um bom atendimento no varejo e vinhos com boa qualidade e preços acessíveis.
Este moscatel não é safrado mas veio de um lote de 2008. É um espumante fácil e com boa tipicidade. Não é adocicado em demasia, não sendo enjoativo. Tem 8% de teor alcoólico.
Na taça, apresentou coloração amarelo palha, com muita espuma e perlage persistente. Bolha pequenas e medianas.
Bons aromas florais e alguma presença cítrica, demonstrando refrescância que se repetiu na boca. Melhorou os aromas no retro-olfato. Certa cremosidade. Final um pouco curto, com discretas notas amargas (sem prejudicar resultado final). Não é complexo, mas agradará seus convidados.
Pela garrafa paga-se em torno dos R$ 23,00.

04 Março 2010

Luis Pato Maria Gomes 2008

É provável que Luis Pato seja o produtor português mais festejado atualmente no Brasil. Isso é fruto de um bom marketing, claro, mas especialmente porque seus vinhos são mesmo interessantes. Valem ser provados o Baga 2005 e o João Pato Touriga Nacional 2007, ambos numa faixa de preços bem acessível e que estarão aqui no blog em breve.
Esse branco é um Vinho Regional Beiras, elaborado casta local Maria Gomes (ou Fernão Pires) e uma pequena parcela de Arinto, segundo o site do produtor. As uvas são provenientes de plantas com mais de 35 anos de idade.
Na taça tem coloração amarelo palha, bem claro. Aromas medianos, com discreto floral e notas lembrando frutos brancos, como abacaxi em calda.
Em boca é leve, com média acidez, repetindo sensações olfativas. Final ligeiro e refrescante, mas agradável e descompromissado. Álcool a 12%.
Um vinho discreto em todos seus aspectos. Acompanhou "charutos", que em nossa região também é chamado de "mafufo", feito com folhas de couve ou repolho, sendo mais suculento que os tradicionais árabes.

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01 Março 2010

Mesta Tempranillo 2007

Este é o 39º vinho que comento para a Confraria Brasileira de Enoblogs. A partir desse mês a sistemática mudou um pouco. Antes, o confrade escolhia um determinado vinho e todos comentavam. Agora, a escolha pode recair também sobre um tema, facilitando que todos participem e tenhamos uma gama maior de vinhos sugeridos. Nesse mês o tema "varietal espanhol 100% tempranillo" foi escolha do Marcus, do excelente blog Azpilicueta.
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O vinho que escolhi é um vino de la Tierra de Castilla, elaborado pela Bodegas Fontana, com 13,5% de teor alcoólico. Pela garrafa paguei R$42, mas foi num restaurante. Acredito que seja encontrado em lojas na casa dos R$30-35. Uma ótima relação qualidade x preço.
Na taça uma coloração púrpura, com halo aquoso e muitas lágrimas. Aromático, com frutado bem maduro e especiarias ao fundo. Agradou desde já.
Tem médio corpo. É "quente" sem ser alcoólico. Taninos firmes e acidez pronunciada. Notas adocicadas. Retro-olfato com frutado intenso. Bom equilíbrio. O álcool deu potência, mas não incomodou.
Final mediano, com destaque para frutas e taninos. Álcool de leve.
Um vinho muito agradável, maduro, gastronômico e que evoluiu na taça. Pronto para beber.

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Obs.: coincidência boa. Este é o 350º vinho comentado no blog.
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