28 Abril 2010

Escorihuela Gascón Malbec 2007

Um amigo trouxe esse vinho direto da Argentina. No Brasil custa na faixa dos R$45. É elaborado pela Bodegas Escorihuela, com passagem de 8 meses por barricas de carvalho (50% francês e 50% americano), com 13,6% de álcool. Não é filtrado, o que eu particularmente aprecio. No rótulo há uma boa quantidade de informações.
Vinho de coloração violácea, muito lacrimoso. Aromas medianos, destaque para frutos negros. Melhora muito em boca. Tem corpo médio, com taninos maduros (mas ainda em evolução) e acidez equilibrada. Final mediano, com leve lembrança da madeira, que foi bem dosada.
Vinho que não é exuberante, mas prima pelo equilíbrio e elegância, com boa tipicidade. Pronto para consumo. Vale o que custa.
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25 Abril 2010

Mouton Cadet Rouge Bordeaux AOC 2007

Esse vinho dispensa apresentações. É produzido pela histórica vinícola Baron Philippe de Rothschild S.A. e exportado para os quatro cantos do mundo. Um fenômeno de vendas.
É um corte tradicional de merlot, cabernet sauvignon e uma pequena parcela de cabernet franc, com 12,5% de teor alcoólico. Paguei R$60 pela garrafa e não compro outra, a menos que alguém me convença de que estou redondamente enganado a respeito do vinho.
Coloração púrpura, com lágrimas rápidas. Aromas discretos, com domínio de notas terrosas. Fechado no início, abriu-se um pouco para um frutado também discreto.
Na boca é leve e macio. Agradável e equilibrado. Seco, com taninos aparecendo de leve. Final ligeiro e madeira bem escondida (na internet encontrei informações sobre uma rápida passagem por carvalho... francês, obviamente).
Vinho sem complexidade, com nariz discreto e muito ligeiro.
Não me disse nada! Um vinho mudo!
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22 Abril 2010

Pizzato Chardonnay 2008

A Vinícola Pizzato dispensa apresentações, pois trabalha seus produtos com seriedade e a qualidade é boa, mesmo na linha Fausto, a mais simples. É pena que encontremos vez ou outra seus produtos tão mal cuidados nas prateleiras de alguns supermercados. Tenho certeza de que os produtores não gostariam de ver seus vinhos assim!
Mas esse chardonnay estava bem acondicionado. Foram produzidas 9.700 garrafas de 750 ml, sem passagem por madeira. Paguei R$26 pela garrafa de nº 1.523.
Na taça um bonito amarelo-dourado. Aromas moderados, frescos, presença dominante de abacaxi em calda. Na boca é leve e macio, com pouca acidez e retro-olfato começando a lembrar mel (uma ruga na face dos brancos).
Final curto. Retrogosto repetindo abacaxi e um pouco de mel. Discretíssimas notas defumadas apareceram. Vinho bem feito, cujo auge já passou, mas ainda é muito agradável.
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19 Abril 2010

Casillero del Diablo Pinot Noir 2008

Aqui em Uberlândia não encontro o pinot noir da linha Casillero del Diablo, nem o gewürztraminer. Então, quando comprei o sauvignon blanc para comentar em fevereiro (relembre), aproveitei para comprar os dois. O gewürz eu já comentei com bons resultados (relembre), mas o pinot noir...
Na taça uma coloração púrpura, com boa transparência, lacrimoso. Aromas inicialmente desagradáveis, que se abriram depois de um tempo para um frutado característico que competia (e perdia) com o álcool e madeira, além daquela lembrança mentolada de vinhos chilenos. Não agradou no exame olfativo.
Na boca tem certa potência dada pelo álcool (14%), taninos e acidez que vieram em maior intensidade que o esperado. Algumas notas verdes apareceram, parecendo que o vinho foi elaborado com uvas em maturação não adequada. Leve amargor em todos os momentos.
Final curto. Vinho que não me convenceu. No final da garrafa pareceu estar um pouco menos desequilibrado, mas não compro outra garrafa. Por esta paguei R$38.
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16 Abril 2010

Joseph Faiveley Bourgogne Pinot Noir AOC 2006

Esse vinho é produzido pela Domaine Faiveley, cuja história está ligada ao vinho desde 1825. Pela garrafa paguei algo em torno dos R$ 65.
Vinho de coloração rubi, tendendo ao granada, com boa transparência. Aromas moderados. Frutos silvestres e notas minerais. Um pouco de floral dependendo da temperatura (que variou muito durante o serviço em razão do calor).
Na boca é leve, com taninos finos e acidez evidente, mas com bom equilíbrio. Predominaram notas frutadas e algum vegetal. Final curto. Boca seca. Taninos presentes, com discreta madeira. 12,5% de álcool.
Vinho correto, mas simples. Esperava mais. Para meu gosto pessoal existem pinot noir sul-americanos mais interessantes nessa faixa de preços. Mas é só uma opinião.
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13 Abril 2010

Surazo Late Harverst 2004

Experimentei esse vinho numa degustação promovida para divulgar os vinhos de seu importador. Essa linha de produtos foi criada pela Viña Santa Mônica para o mercado europeu. Surazo é o vento que corta os vinhedos na região do Vale do Rapel, contribuindo para que o amadurecimento das uvas ocorra de forma mais lenta.
O enólogo da vinícola é Don Emilio Solminihac, o primeiro sul-americano a formar-se em enologia em Bordeaux, isso no ano de 1952. Sua elegância pessoal reflete em seus vinhos. Um deles é o vinho mais antigo em comercialização no Chile, um tinto de 1993.
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Este "colheita tardia" é elaborado a partir das variedades Sémillon (53%) e Riesling (47%), com passagem de 5 meses por barricas de carvalho francês. É o tradicional "corte bordalês" para esse tipo de vinho, já que é utilizado na região de Sauternes desde a segunda metade do século XIX.
Conta a história que em 1850 a colheita do Château d'Yquem foi retardada e as uvas foram atacadas pelo fungo Botrytis cinerea, resultando em vinhos doces. Tal produto caiu nas graças do então Czar da Rússia, fazendo nascer a expressão "podridão nobre".
Na taça um bonito amarelo dourado, muito brilhante e límpido. Aromas intensos, frutos brancos como abacaxi em calda, mel em boa dose e notas florais dando boa complexidade.
Na boca apresenta o adocicado típico, mas com boa dose de acidez, deixando o vinho mais interessante. Final longo, prevalecendo floral sobre o mel, com notas tostadas aparecendo também.
Ponto alto para a acidez sobre o doce e para a boa complexidade. Ficou ótimo com os chocolates da Páscoa.
Tem 13,5% de teor alcoólico.
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10 Abril 2010

Opus One 1994

Numa tradução livre a expressão hors concours significa "fora do concurso". É utilizada para designar aqueles que participam de concursos mas não são elegíveis por serem muito superiores aos demais.
No Brasil a expressão se notabilizou quando Clóvis Bornaiy passou a vencer todos os concursos de fantasias do carnaval. Podemos incluir na lista o Pelé, por exemplo.
O que essa história tem a ver com esse blog? O que tem a ver com vinhos? Explico.

O vinho dessa postagem foi bebido quando minha esposa e eu fomos convidados para a casa dos amigos Alexandre e Eliane. Até ver a garrafa nunca passou pela minha cabeça que beberia um Opus One, ainda mais com 16 anos de idade. E ainda recebi a incumbência de abrir a garrafa. Quebrei a rolha, mas não estraguei o líquido, consegui retirar o pedaço que ficou. Talvez estivesse nervoso, mas prefiro acreditar que foi culpa do saca-rolhas.
Esse vinho é reconhecido mundialmente por ser o resultado da união de duas personalidades do mundo vinícola: Robert Mondavi e o Barão Philippe de Rothschild (
leia mais), que idealizaram uma joint venture para produzir vinhos no Vale do Napa, na Califórnia. O primeiro vinho Opus One foi da safra 1979 e desde então modifica-se o percentual das uvas e o tempo de passagem por barricas de carvalho francês, dependendo das características da safra, mas tendo sempre a CS como principal uva. Esse 1994, por exemplo, passou 18 meses pela madeira e é resultado do corte de 93% de Cabernet Sauvignon, 4% de Cabernet Franc, 2% de Merlot e 1% de Malbec.
Quanto ao vinho, não tinha condições de fazer anotações e também não queria fazer, queria apenas bebê-lo. E o fiz lentamente, aproveitando cada gole, porque não sei se beberei outro vinho desses algum dia. Elegante, complexo, intenso, ainda com potencial de guarda, são adjetivos que poderia utilizar, mas é melhor deixar isso pra lá. Um vinho de 14 anos, ainda em plena adolescência...
No dia seguinte comecei a pensar como escreveria sobre ele. Caberia uma descrição? Conseguiria traduzir o momento? Definitivamente não. Assim, resolvi criar uma nova classificação aqui no blog para os vinhos hors concours, aqueles que estão acima dos demais... não pelo preço, mas por sua história, pela idade, por sua raridade ou pela ocasião em que foram bebidos. E para diferenciá-los dos demais, não utilizo as tradicionais tacinhas, mas uma figura que representa pra mim algo único e incomparável.
Saúde a todos!
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07 Abril 2010

Ysern Gran Reserva Tannat 2005

Esse vinho produzido pela Bodegas Carrau pertence a uma linha que homenageia Margarita Ysern, que se casou com Jaime Carrau em 1680, influenciando sua família a interessar-se pela produção de vinhos no início dos anos 1700.
É um blend of regions, pois é elaborado em proporções idênticas com uvas de duas regiões uruguaias: Cerro-Chapeu (solo arenoso e clima continental) e Las Violetas (solo argiloso e clima marítimo). É um gran reserva, com passagem por 18 meses em barricas de carvalho francês. Detalhe: o que diferencia esse vinho do "reserva" é a passagem por barricas americanas, mas pelo mesmo período. A diferença de preço é considerável.
Abri esse vinho com grande expectativa, mas descobri que seu auge já passou. Não há muito mais a oferecer, embora seja ainda um vinho agradável.
Na taça tem coloração rubi, com reflexos violáceos. Não apresentou reflexos que revelassem a idade. No nariz é intenso, com aromas dominados pelas características do carvalho francês, côco e tabaco, e um pouco de terra. Fruta em terceiro plano, muito escondida. Álcool de leve (13% de teor).
Na boca causou surpresa o pouco corpo. Domínio da madeira e taninos já em extinção. Vinho seco, com fruta muito discreta. Final curto, com palato lembrando exclusivamente madeira. Melhorou discretamente com comida, mas confirmou declínio. Agradará mais aos que gostam de vinhos amadeirados.
Se tiver em casa, beba logo.
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04 Abril 2010

Brazilian Soul Espumante Brut

Esse espumante charmat é produzido pela Vinícola Aurora, na Serra Gaúcha, como parte de um projeto que visa exportar vinhos brasileiros para os EUA através da BWC - Brazilian Wine Connection. O projeto reúne ainda as marcas Marson, Don Laurindo e Georges Aubert.
Pela garrafa paguei módicos $17. Não encontrei informações sobre as uvas que entram na elaboração do espumante, mas desconfio que não se trata do tradicional corte de pinot noir e chardonnay. Infelizmente, no site da Aurora não há menção ao produto e no site da BWC só aos vinhos tranquilos da mesma linha (chardonnay, merlot e cabernet).
Na prática um espumante que não é ruim, mas também não se justifica, apesar do preço baixo.
Tem coloração amarelo palha e perlage de boa persistência, com bolhas médias. Aromas iniciais lembrando frutos cítricos, um tanto discretos, algo lembrando pêssego. Discreto floral em alguns momentos de temperatura mais baixa. Leve na boca, com acidez correta, sem lembrança da fermentação. Final curto, com predominância cítrica (maçã verde).
Enfim, espumante leve e descontraído. Não perderá dinheiro, mas também não lhe causará suspiros. Mas é muito melhor que um desses frizantes italianos de supermercado.
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01 Abril 2010

Cousiño-Macul Don Luis Sauvignon Blanc 2008 #cbe

Comprei esse vinho para comentar como o 40º da Confraria Brasileira de Enoblogs. Dessa vez a escolha coube ao Jeriel (Blog do Jeriel), que indicou um 100% Sauvignon Blanc chileno. Escolha livre, portanto!
Aqui em Uberlândia as opções não são muitas, então escolhi um vinho da tradicional vinícola
Cousiño-Macul que ainda não havia experimentado. Pela garrafa paguei R$35,90. O resultado foi satisfatório, mas não me encheu os olhos.
Na taça uma coloração amarelo palha, com discretos reflexos esverdeados. Brilhante. Tem bons aromas, demonstrando tipicidade. Às cegas certamente seria reconhecido como um SB. Floral em evidência, frutos cítricos (limão) e notas minerais em segundo plano. Sem indícios de passagem por madeira.
Na boca é melhor, com entrada doce e acidez pronunciada. Boca cheia. Macio. Retro-olfato floral e leve mineral. Leve, mas com vocação gastronômica por conta da acidez.
Final mediano, com aspectos florais e cítricos em destaque. Fundo da taça com aquele "aroma estranho" da Sauvignon Blanc que nunca consigo definir bem.
Vinho gostoso, equilibrado, mas que não é espetacular. Vale o preço, mas não será uma experiência astronômica: não verá estrelas!
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