28 Maio 2010

.Nero Espumante Brut Rosé

A Domno do Brasil é uma empresa da Famiglia Valduga, criada para produzir espumantes pelo método charmat, mais frescos, jovens e com preços mais acessíveis que os elaborados pelo método tradicional. Por esse brut (pinot noir e chardonnay) paga-se na faixa dos R$25-30.
Apresenta coloração vermelha, parecendo suco de melancia. Perlage fina e espuma generosa. Aromas com predominância de frutos vermelhos delicados, especialmente morango. Em segundo plano, discreta lembrança dos aromas da fermentação. Na boca é equilibrado, refrescante, com boa acidez e com alguma cremosidade. Retro-olfato repetindo nariz. Final mediano, com destaque frutado sobrepondo-se à fermentação.
É mais informal, menos complexo e com menor vocação gastronômica que os champenoise da Valduga. Tem 12% de teor alcoólico.
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25 Maio 2010

Santa Carolina Reservado Sauvignon Blanc 2009

Já não me lembro quando foi a última vez que comprei ou bebi um "Reservado" chileno. É que o paladar muda e começamos a procurar por vinhos mais interessantes. Além disso, os tintos dessa linha têm excesso de madeira, para meu gosto pessoal, claro.
Dia desses fui ao supermercado para comprar um vinho branco para minha esposa usar no preparo de um prato e comprei esse SB por R$17. Escolhi esse Santa Carolina porque imaginei: ela usa os 100ml da receita e bebemos o restante, se for o caso.
E era. O vinho é simples, vale o que custa e cairá bem aos que ainda torcem o nariz para os vinhos brancos. Pode ser uma porta de entrada para romper o preconceito.
Na taça tem uma bonita e brilhante coloração amarelo palha, com reflexos violáceos. No nariz tem boa intensidade aromática, chegando a surpreender. Aromas lembrando frutos de polpa branca e discreto floral. Na boca é macio e equilibrado, com notas doces. Agradável, leve e refrescante, com boa acidez e final mediano.
Não é complexo. Longe disso. Mostrou-se um pouco doce para um sauvignon blanc e não mudará sua vida, mas cairá bem como aperitivo, podendo também acompanhar pratos leves, saladas e carnes brancas. Tem álcool em bom equilíbrio (12,5%). Se passa por madeira, essa não se revelou. Cumpriu a tarefa a um preço muito acessível. Se custasse $30 não valeria à pena.
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22 Maio 2010

Antis Malbec 2008

A tradição vinícola da Antis Wines já atingiu três gerações, com vinhedos de Malbec com mais de 90 anos de idade. Estão localizados em Maipú e Lujan de Cuyo, na província de Mendoza, em altitudes que variam de 800 ao 1.050 metros. Os vinhedos de Lujan de Cuyo são irrigados por uma rede de canais que trazem água do degelo dos Andes. Já os vinhedos de Maipú contam com irrigação controlada por gotejo.
Os rótulos são obras da artista Midori Curtis, japonesa nascida em Kobe e que foi para Nova York após formar-se em artes em Tókio. Veja um vídeo com a artista (em inglês).
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Esse vinho guarda uma semelhança muito grande com o Árido comentado no dia 13 desse mês. Ambos são leves, com pouca passagem por madeira (esse tem 30% do líquido passando por barricas francesas), ideais para momentos descontraídos, embora possam acompanhar comida.
Ao ser servido apresentou coloração púrpura, com reflexos claros, quase rosados. Lágrimas rápidas (14% de teor alcoólico). Aromas de boa intensidade, de um frutado delicado e predominância floral. O exame olfativo já indicava sua leveza, que se confirmou em boca. Taninos doces e boa acidez, com destaque para uso moderado de madeira. Equilbrado e simples em boca.
Final mediano, com boa fruta em companhia do floral sentido nos aromas. Enfim, um vinho simples, redondo, sem defeitos, com boa relação qualidade x preço (na faixa dos $30-35). Boa pedida para quem está iniciando no mundo dos vinhos finos.
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19 Maio 2010

Luis Pato Baga 2005

Bebi esse vinho em duas ocasiões diferentes. Em ambas não levei minha caderneta, mas as impressões que ficaram estão bem presentes na lembrança. Minha memória funciona quando o vinho é bom! Quando é ruim também, pois no outro dia a lembrança cobra a conta. Mas não foi o caso em nenhuma das vezes.
O vinhateiro Luis Pato é bem conhecido no Brasil por ter "domado a Baga", ou seja, consegue bons resultados com uma variedade de difícil cultivo, que origina vinhos tânicos e duros. Nesse exemplar ela é coadjuvada pela Touriga Nacional, segundo o contra-rótulo: "Produzido nas minhas vinhas de òis do Bairro a partir das castas Baga e Touriga Nacional, este vinho da colheita de 2005 mostra uma excelente concentração de cor e aromas e um paladar harmonioso e prolongado. Recomendado servir à temperatura de 16ºC acompanhando carnes vermelhas assadas ou grelhadas e queijos de cura". Segundo o site do importador tem passagem por carvalho francês.
Na taça sua coloração é intensa, de um lindo rubi. Lacrimoso. Aromas intensos, nas primeiras taças a fruta vermelha foi acompanhada com muita intensidade por especiarias, ervas que se revelavam distintas a cada variação de temperatura. Na segunda metade da garrafa os aromas evoluiram para frutado mais maduro, acompanhado de tostado e notas elegantes de chocolate e café.
Na boca tem taninos finos e uma marcante acidez, deixando o vinho bastante gastronômico, sem nenhum traço da rusticidade esperada de um Baga. Álcool sem aparecer (13% de teor). Na boca é redondo, com retro-olfato dominado inicialmente pelas especiarias e no final pelos elegantes aromas tostados. Final longo.
Vinho que agradou demais nas duas ocasiões em que bebi, com bom preço e vocação gastronômica. Acredito que está no momento ideal de consumo e tenho dúvidas se ainda evoluirá com a guarda. Talvez a melhor de todas as opções de vinhos da Bairrada na faixa de preços desse blog.
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16 Maio 2010

Surazo Carmenère 2006

Não sei explicar, mas os vinhos Carmenère não estão entre os meus prediletos Prefiro muitas outras uvas antes dela, mas ao encontrar esse vinho por $34 resolvi experimentar, porque tive uma boa experiência com um vinho de sobremesa da Vinícola Santa Mônica, já comentado aqui (relembre). A história do enólogo, Don Emilio Solminihac, já é um atrativo para seus vinhos.
Esse exemplar é simples, mas elegante e correto, elaborado com uvas do Vale do Rappel. As informações do contrarótulo dão a entender que não passa por madeira, o que eu particularmente aprecio muito: "Este vino es una clara muestra de la tierra y clima del viñedo. Las uvas son cosechadas a mano, fermentadas y el vino embotellado rápidamente para mantener su intenso carácter frutal".

Na taça a coloração é um rubi com reflexos violáceos, com boa transparência. Aromas medianos, simples, lembrando frutos vermelhos mais delicados e notas levemente florais. Na boca é leve, com taninos finos e acidez equilibrada. Frutado e floral equilibrando forças no retro-olfato. Final mediano, com leve lembrança dos taninos e boa fruta finalizando no palato.
Vinho que teve evolução depois de aberto, ficando mais maduro, com taninos mais macios. Ótimo para quem deseja conhecer as nuances reais da uva, sem interferência da madeira. Mesmo sendo um vinho básico e com 4 anos de idade, ainda está em boa forma e pronto para consumo.
14% de álcool, sem incomodar em nenhum momento. Muito boa relação qualidade x preço.
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13 Maio 2010

Árido Malbec 2008

Este é o vinho mais básico da Bodega Vistalba, do festejado Carlos Pulenta, fundada em 2002 em Vistalba, próxima à cidade de Mendoza. É um malbec tão básico que sequer aparece no site da vinícola. As informações colhidas vieram do importador.
Em sua elaboração leva 90% de malbec e 10% de merlot. Não pareceu ter passagem por madeira. Uma característica de alguns vinhos dessa vinícola é a passagem não integral do líquido por madeira. Encontrado na faixa dos R$30-35, apresenta uma boa relação qualidade x preço.
Na taça apresenta coloração rubi.
Boa intensidade aromática, com evidência para frutos vermelhos maduros, resina e notas florais (violetas). Na boca é leve, com taninos doces e boa acidez. Predominância lforal no retro-olfato. Pareceu um vinho meio-seco, embora o rótulo não faça essa indicação.
Final de boa persistência. Floral e frutado bem evidentes, sem indícios de madeira novamente.
Vinho feito para ser consumido jovem. Em momento ideal de consumo, sem perspectiva de evolução com a guarda. Ideal para iniciantes no mundo dos vinhos finos. Na faixa de preços é interessante, especialmente por não ser amadeirado.
Apesar dos 14,5% de álcool, não é alcoólico. Mas vá devagar.
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10 Maio 2010

Luiz Argenta Espumante Brut Rosé

Abrimos esse espumante numa noite quente (novidade?) e não tínhamos informação sobre suas uvas ou método de elaboração. Apenas um indicativo de ser um bom produto, pois a Vinícola Luiz Argenta, de Flores da Cunha, é bem cuidadosa com seus produtos. Já comentei aqui um Cabernet Sauvignon e um espumante Moscatel.
Na taça uma coloração mais escura que a maioria dos espumantes rosés, um vermelho com reflexos alaranjados. Perlage com bolhas finas e intensas. Boa formação de espuma e um colar de bolhas que durou um bom tempo.
Nariz intenso, frutos vermelhos, algum floral. Diferente, indicando boa estrutura. Na boca é volumoso, boa cremosidade e acidez equilibrada (refrescante). Retro-olfato combinando fruta e notas da fermentação. Final médio, com nuances de fruta e torrefação. Os 12,7% de álcool dão potência ao espumante, sem ser alcoólico.
Enfim, espumante com vocação gastronômica, muito bem feito!
Quando foi servido meu comentário foi o seguinte: esse espumante leva alguma uva tinta mais potente que não é a Pinot Noir. Mas quando consultei no site fiquei ainda mais surpreso: a vinícola elabora o produto com as variedades Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, pelo método Charmat longo. Ao contrário do que poderia parecer, não é um espumante "pesado".
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07 Maio 2010

Quinta da Ponte Pedrinha Tinto Dão DOC 2005

No dia em que bebi esse vinho entrei em contato por e-mail com a vinícola para que me enviasse mais informações. Recebi mensagem da enóloga Catarina Simões com ficha técnica do vinho e pequeno texto sobre a vinícola.
A Quinta da Ponte Pedrinha, de Maria de Lourdes Mendes Oliva Nunes Osório, situa-se na Região do Dão, entre Seia e Gouveia, e está na posse da família desde o Séc. XVIII. A sua vinha, implantada em solos granítico/arenosos, há mais de 40 anos, tem raízes profundas nesta Quinta, raízes que se agarram à terra e à vida das pessoas que nela habitaram, gerando tradição!
As castas tintas ocupam 46 ha de vinha, com a seguinte composição: Touriga Nacional (30%), Tinta Roriz (18%), Jaen (16,5%), Alfrocheiro (10%) e outras (25,5%). As castas brancas ocupam 6 ha e compreendem Encruzado (40%), Cerceal (30%), Malvasia (20%) e outras (10%).Há também duas vinhas, chamadas “Vinhas velhas”, com idade superior a 40 anos, que são autênticos repositórios de castas antigas da região, caídas em desuso, e que constituem o património vitícola.O vinho é um corte das tradicionais Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz e Jaen, com passagem de 30% do vinho por pipas novas de carvalho francês por 4 meses. Vale cada centavo do que custa (R$43) e está em ótimo momento de consumo, embora possa evoluir em 1 ou 2 anos com tranquilidade.
De coloração rubi, é límpido e transparente, com lágrimas lentas Aromas um tanto discretos, lembrando a frutos vermelhos mais delicados e toques de especiarias. Depois de um tempo os aromas melhoraram, lembrando frutos mais maduros.
Na boca é surpreendente. Pouco corpo, taninos ainda vivos e acidez em boa dose. Álcool deu certa potência. Boa estrutura. Retro-olfato com frutado bem maduro, quase compotado.
Final mediano. Boca seca pelos taninos. Fruta madura e especiarias. Gastronômico, evoluindo depois de aberto, aparecendo notas tostadas e café. Típico vinho de qualidade dessa região a um preço honesto.
A vinícola produz outro tinto de linha superior a esse, que comprarei em breve para comentar aqui.

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04 Maio 2010

Valmarino X Cabernet Franc 2005

Tenho uma ligeira desconfiança de que os cabernet franc nacionais ainda farão muito sucesso. Tenho provado bons exemplares varietais e esse elaborado pela Vinícola Valmarino me agradou muito. Foram produzidas 6.800 garrafas e abri a de nº 1.787, que comprei no varejo da vinícola em julho do ano passado, pagando (acho) R$52. Tem passagem de 6 meses por barricas de carvalho de média tostagem e ficou 2 anos descansando na adega.
Vinho de coloração rubi profundo, com pouca transparência. Denso, manchando a taça, com lágrimas lentas. Bons aromas, frutos negros, café, algo vegetal, com certa complexidade.
Na boca tem bom corpo, com taninos maduros, acidez evidente e bom equilíbrio. Vinho redondo, com madeira sem interferir em suas características. Final mediano. Taninos deixando a boca salivando, mas sem serem rascantes. Notas com intensa lembrança de café. Evoluiu depois de aberto, indicando que uma meia-hora de aeração lhe fará bem. Apesar de não filtrado ainda não formou resíduos, apenas cristais de tártaro.
Um grande vinho brasileiro, com preço justo, num bom momento de consumo e perspectivas de evolução.
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02 Maio 2010

Vinho do mês da CBE - indicações dos confrades

No dia 1º postei o comentário mensal para a Confraria Brasileira de Enoblogs, o 41º vinho desde sua criação. A indicação desse mês coube ao Daniel Perches, que escolheu o tema "vinho tinto trivarietal". Veja abaixo, em ordem alfabética, a lista com todos os confrades e as indicações que fizeram a seus leitores:

01 Maio 2010

Vistalba Corte C 2006 #cbe

Esse é o 41º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs. A escolha desse mês coube ao Daniel Perches, do excelente blog Vinhos de Corte, que escolheu o vinho levando em consideração o nome de seu blog, daí sugeriu a todos os confrades um vinho tinto, corte de três uvas. Não limitou preço nem país.

Escolhi esse vinho produzido pela Bodega Vistalba, do famoso Carlos Pulenta, construída no ano de 2002 em uma propriedade familiar bem no coração de Vistalba (Luján de Cuyo). Uma bonita bodega, desenhada para que na elaboração os vinhos sejam conduzidos por gravidade, evitando-se o uso de bombas. Foram construídas “piletas” de fermentação de cimento. No interior de suas paredes há tubulação de água fria e quente, para controle da temperatura.
.O nome Vistalba é homenagem à localidade onde está instalada a vinícola. Essa linha de vinhos é composta por três produtos. O vinho que escolhi é o mais simples e barato (faixa dos $50-60), um corte de 70% Malbec, 20% Merlot e 10% Bonarda, com passagem de 20% do vinho por barricas de carvalho francês, pelo período de 12 meses e mais 6 meses descansando na vinícola.

O vinho é bastante lacrimoso, possui coloração púrpura, com pouca transparência (14,5% de álcool), deixando manchas na taça.
Na primeira taça servida os aromas já eram intensos, com fruta vermelha madura, terra, baunilha e um intrigante aroma condimentado. Elegante no nariz. Nas taças seguintes a fruta madura ficou mais intensa, surgindo também notas de chocolate, café e um elegante tostado. Boa evolução e complexidade.
Tem corpo médio e certa potência alcoólica. Os taninos inicialmente eram mais presentes, mas ficaram macios nas taças finais. Acidez equilibrada, com retro-olfato frutado, com especiarias e lembrança de terra aparecendo.
Final persistente, repetindo boa boca. Madeira destacou-se mais no final de boca, com leve amargor acompanhando toda a degustação, talvez o único ponto negativo do vinho, mas sem comprometer o conjunto. Fundo de taça repetindo condimentado.
Os 14,5% de álcool não apareceram no nariz, mas em boca deu potência ao vinho, que tem vocação gastronômica. Vinho equilibrado, mais elegante no início; intenso e maduro no final.
Expectativa de guarda por mais 2-3 anos.

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