27 Junho 2010

Tomero Cabernet Sauvignon 2006

Não me recordo exatamente, mas acho que esse é o 3º vinho que comento da Bodega Vistalba, mas ainda tenho um Malbec dessa mesma linha que já bebi em outra ocasião é estará por aqui em breve.
É um Cabernet Sauvignon produzido com uvas da Finca Los Álamos, no Alto Vale do Uco, em Mendoza. Tem passagem de 20% do vinho por barricas de carvalho francês (8 meses) e mais 6 meses de afinamento na vinícola.
Na taça tem coloração púrpura, com grande densidade e boa formação de lágrimas (14,5% de teor alcoólico).
Seus aromas são intensos, com destaque para frutos muito maduros, talvez frutos negros, especiarias, pimenta e café. Tem corpo mediano, surpreendendo por ser mais leve que o esperado de um CS. Na boca é macio, com taninos doces, redondo. Acidez equilibrada e madeira sem exageros, contribuindo para o equilíbrio do vinho, em que a fruta predomina.
Final mediano, restando no palato lembrança um pouco mais intensa da madeira, mas sem interferir no conjunto. Álcool sem incomodar em nenhum momento.
É um vinho maduro, potente, marcante, mas não é complexo, embora valha o que custou (faixa dos $50).
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23 Junho 2010

Valdemar Tempranillo 2008

Esse vinho é elaborado pela Bodegas Valdemar na região demarcada de Rioja. Um vinho 100% Tempranillo, com "leve passagem por madeira", segundo seu importador. Pela garrafa paguei algo em torno dos $40.
Vinho de uma intensa coloração violácea, com lágrimas grossas e rápidas. Bons aromas, fruta madura e flores. Leve álcool (13% de teor). Discretas notas de compota e couro apareceram.
Na boca é leve, pouco corpo, taninos finos e boa acidez. Simples, mas equilibrado.
Final curto, agradável. No final da garrafa apareceram no retrogosto notas lembrando groselha. Vinho simples, que não causará suspiros. No limite da boa relação qualidade x preço.
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Obs.: esse vinho é apresentado no site do importador como Esencia Valdemar, mas no site da vinícola e no rótulo da garrafa que comprei consta apenas o nome Valdemar. Será que o Valdemar perdeu sua essência?

19 Junho 2010

Angelica Zapata Malbec Alta 2004

Ganhei esse vinho da minha esposa em agosto de 2009, junto com o Chardonnay da mesma linha e que já foi comentado aqui (relembre). Esse Malbec foi degustado em 17 de abril. Um vinho da Bodega Catena Zapata, de uma linha muito correta e que dispensa maiores apresentações.
Interessante anotar que esse vinho é um blend de uvas Malbec de diferentes vinhedos da bodega, que dão ao vinho uma boa complexidade.
Estão situados em altitudes diferentes, que obviamente resultam em uvas com características distintas: vinhedo Angélica (860 m), vinhedo La Pirámide (940 m), vinhedo La Consulta (900 m), vinhedo Adrianna (com parcelas a 1470 m e 1390 m).
O vinho passa 18 meses em barricas de carvalho francês, sendo metade delas de madeira nova. Possui 14% de teor alcoólico.
Na taça apresentou uma bonita coloração púrpura. O halo não demostrava que o vinho tivesse 6 anos, pois ainda não tem tendência ao rubi ou alaranjado. Aromas intensos, inicio terroso, frutos secos, côco, leve tostado e um pouco de especiarias. Após alguns instantes apareceu frutado maduro, dando ao vinho uma boa complexidade.
Na boca tem médio corpo, com taninos ainda vivos e um pouco rascantes, pouca acidez. Retro-olfato marcado por notas de frutos secos, côco e frutas vermelhas em menor escala.
Final é mediano para as frutas vermelhas, deixando madeira mais em evidência. Boca enrugada e seca, também marcada por leve tabaco e côco.
Vinho que confirma sua fama. Não tem notas doces e frutado é elegante, com boa complexidade e equilíbrio. Vinho sério, com álcool dando potência sem incomodar. Pelo exame visual e pela presença de boa carga tânica, acredito que ainda pode evoluir com alguns anos em garrafa.
É um grande vinho, sem dúvida. O único detalhe que me deixou pensativo é sua relação qualidade x preço. Na faixa dos $115-120, merece ser degustado por ser uma experiência interessante, mas será que vale comprar sempre?

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15 Junho 2010

The Wolftrap Blend Red 2008 #cbe

Esse é o 43º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs, uma sugestão do Cristiano Orlandi (Vivendo Vinhos) para marcar a realização da Copa do Mundo na África do Sul. Minha escolha recaiu sobre um vinho que eu já tinha em casa e há tempos esperava uma oportunidade para degustá-lo.
É um vinho produzido pela Boekenhoutskloof, produtora dos interessantes Porcupine Ridge e o famoso Chocolate Block. Leva em sua elaboração as tintas Syrah (65%) e Mourvèdre (32%) e a branca Viognier (3%). As tintas são originárias de vinhedos em Malmesbury e sofrem fermentação com leveduras selecionadas (provenientes do Rhône), sendo maturadas em barricas de carvalho francês. A uvas Viognier são originárias de Boekenhoutskloof, vinificadas em separado e adicionadas ao vinho pouco antes do engarrafamento.
O acréscimo de Viognier à Syrah é comum na Côte-Rotie, apelação criada em 1940, onde é autorizada a adição de até 20% da uva branca aos vinhos tintos, resultando em aromas florais e mais acidez.
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Abri o vinho esperando potência e uma explosão de notas abaunilhadas, comuns nos Pinotage sul-africanos nessa faixa de preços. Mas, ao contrário, encontrei um vinho elegante, sem madeira em excesso, mais parecido com um vinho europeu. Arrisco até a dizer (podendo ser muito criticado por isso) que às cegas poderia se passar por um Côtes do Rhône dos mais simples.
Na taça um belo rubi, brilhante e translúcido, com lágrimas lentas. Aromas um tanto modestos, com lembrança inicial a couro, frutos negros, especiarias (pimenta) e álcool aparecendo de leve (14,5% de teor).
Na boca melhora muito. Leve e equilibrado, com taninos finos e boa acidez. Presença vegetal e um pouco floral também. Depois de um tempo aberto ficou mais amável ainda, mais maduro e "doce", marcado por predominante frutado.
Final um pouco ligeiro, mas muito elegante, com frutado e vegetal tomando conta e um tostado muito discreto fazendo pano de fundo, como deve ser.
Acredito que esteja no momento ideal de consumo e não me parece ter forças para evoluir com a guarda. Surpreendeu bastante. Gastronômico, indo bem inclusive com pratos mais gordurosos.
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13 Junho 2010

Dádivas Merlot Cabernet Sauvignon 2006

Não é novidade para os leitores desse blog que gosto dos vinhos da Lídio Carraro. Apesar dos preços um pouco salgados de algumas linhas, o que me impede de bebê-los na frequência que gostaria, são vinhos corretíssimos e representam bem o terroir de onde vieram. Definitivamente são vinhos brasileiros, com sotaque brasileiro!
Esse bivarietal é de uma linha relativamente nova, cujo Chardonnay já recebeu comentário aqui no blog (relembre). Pela garrafa paguei algo em torno dos $35. Foram produzidas 9.500 garrafas. Abri a de nº 2.705.
Na taça uma coloração rubi, brilhante, com bordas discretamente tendendo ao alaranjado. Lágrimas finas.
Aromas em boa intensidade, com predominância para características da Merlot (embora eu não saiba o percentual dessa uva no corte). Frutado maduro, com lembrança a especiarias, chocolate e leve tostado.
Corpo mediano, com taninos finos e boa acidez. Amargor discreto. Final persistente, com frutado em segundo plano, prevalecendo notas tostadas, café e chocolate. Álcool a 13,5%, sem incomodar.
Vinho que não é espetacular, mas tem como pontos positivos a tipicidade, o equilíbrio e a boa complexidade, alcançada mesmo sem passagem por madeira. Vale conhecer. Arrisco até a dizer que por esse preço não há nenhum Bordeaux vendido no Brasil com a mesma qualidade.
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09 Junho 2010

Club des Sommeliers Reserva Late Harvest 2006


Os vinhos dessa linha são produzidos por vinícolas de todo o mundo e rotulados para o Grupo Pão de Açúcar. São produtos baratos e com o propósito de mostrar ao consumidor as características de vinhos de diversas regiões. Esse "colheita tardia" é produzido no Chile pela Carta Vieja.
No rótulo não há muita informação quanto às uvas, mas no site do Pão de Açúcar encontrei que é elaborado com a Sauvignon Blanc, mas é uma informação sujeita a confirmação.
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Na taça um amarelo bem intenso, com fortes nuances esverdeados. Untuoso. Aromas em boa intensidade. Quando mais gelado revelaram-se frutos tropicais, como abacaxi, leve defumado e uma discreta nota química, lembrando derivados de petróleo e borracha. A uma temperatura mais alta revelaram-se ervas e especiarias, com eucalipto muito evidente.
Na boca tem bom equilíbrio entre açúcar e acidez, com presença amadeirada no retro-olfato. É untuoso, mas com bom frescor.
Final longo, com destaque para defumado e notas cítricas. Fundo de copo lembrando ervas. Boa complexidade para um vinho de R$33. Se custasse R$60, talvez não merecesse as quatro tacinhas abaixo, mas é muito agradável e foi divertido notar as alterações nos aromas. Foi a melhor compra que fiz dessa linha.
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05 Junho 2010

Tomero Sauvignon Blanc 2008

Esse vinho é produzido por Carlos Pulenta. É um Clasico da linha Tomero, que ainda tem os Reserva e os Gran Reserva. É produzido com uvas da Finca los Álamos, no Alto Valle do Uco, província de Mendoza.
Na taça apresentou coloração amarelo palha, com tons esverdeados. Aromas em boa intensidade, com muita mineralidade, lembrança cítrica em segundo plano. Fresco.
Na boca confirmou nariz. Acidez marcante, com sensações minerais no retro-olfato. Refrescante, sem notas adocidadas. Vinho sério. Final longo, deixando boca seca. Mineralidade ainda dominando, mas em boa combinação com frutos cítricos que apareceram mais no final de boca. Vinho gastronômico, que caiu bem com um Sfogliatti de queijo brie e damasco.
Álcool a 12,5%.
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01 Junho 2010

Terranova Espumante Moscatel #cbe

O desafio desse mês da Confraria Brasileira de Enoblogs foi proposto pela Fabiana Andrade, do blog Vim, Vinho, Venci, que sugeriu a degustação de um espumante produzido no Nordeste. Não indicou produtor ou faixa de preços. Confesso que por aqui tenho poucas opções e já comentei dois produtos: um blanc de blancs Terranova (relembre) e um brut rosé Rio Sol (relembre).
Pra tentar inovar, escolhi um Adega do Vale Brut 2006, pagando $26. Até recebi sua ficha técnica, enviada pelo pessoal da ViniBrasil. Porém, na noite em que resolvi abri-lo ele havia perdido grande parte da pressão, o que foi imediatamente percebido ao retirar a rolha e na boca estava intragável. Foi comprado em um supermercado, mas não vou dizer qual para não causar constrangimentos.
Sem muitas alternativas, saí no domingo (30) e a última opção que me restou foi esse moscatel produzido pela Vinícola Miolo na fazenda Ouro Verde, município de Casa Nova, na Bahia. A própria vinícola o classifica como produto de nível "básico luxo", pelo qual paguei $25. Alguns outros confrades da CBE também vão comentá-lo. Não encontrei informações sobre qual variedade de moscatel é utilizada, já que são várias as opções à disposição dos produtores.
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O espumante é simples, mas com adocicado que para meu gosto pessoal é um pouco exagerado., além de faltar um pouco de acidez para ser mais interessante. Nessa faixa de preços ainda prefiro o Cave Antiga já comentado aqui (relembre).
No exame visual a cor típica desses espumantes, um amarelo pálido, com reflexos esverdeados. Perlage irregular, bolhas de tamanhos diversos, mas persistentes. Espuma em boa formação ao servir, desaparecendo logo e deixando um colar de borbulhas na superfície do líquido.
Aromas medianos, característicos da variedade: flores brancas e um leve toque cítrico. Na boca prevalece o adocicado, com alguma acidez e boa cremosidade. O retrogosto é relativamente curto, deixando no palato uma gostosa lembrança floral. Amargo discretíssimo, que não chegou a incomodar.
Um espumante com bom preço, mas para meu gosto pessoal é mais doce que o ideal. Mas se você prefere um moscatel com essa característica, vai gostar.
Embora não seja safrado o número do lote leva a crer que foi engarrafado em 2009 e tem 7,5% de teor alcoólico.
Opinião pessoal: temos produtos melhores na faixa de preços e não compraria outra garrafa, mas isso é apenas o que penso...

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