29 Julho 2010

Quanto vale uma degustação na SBAV-SP?

Consegui alguns dias de folga e programei com minha esposa uma ida a São Paulo, a capital brasileira dos vinhos e da gastronomia. Para marcarmos as datas olhei primeiro a agenda de degustações da SBAV-SP e vi que no dia 26 de julho teriam um evento da importadora Ravin e os vinhos da Família Zuccardi, apresentados por José Alberto Zuccardi.

Entrei em contato com o confrade Jeriel da Costa, diretor de degustações da SBAV-SP, que me recomendou muito o evento. Fiz as reservas pra nós e para um casal de amigos, na casa de quem ficamos hospedados. Valor por pessoa: R$55 para a degustação e mais $40 para o jantar. Preço honesto, pensei.
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Chegamos no horário, como deve ser, e nos sentamos numa mesa de canto, devidamente posicionados com a parede às costas e de frente para todo o salão. Postura tímida, por sinal. De início aproximou-se o Geysler, cirurgião vascular, um freqüentador assíduo de eventos como esse e com ótimo olfato, que se sentou conosco e logo trouxe a Silvia Cintra Franco, editora do site Vinho e Gastronomia, divertida e profunda conhecedora de tudo que por ali se passava. Mesa feita... aos trabalhos.

Realmente o Jeriel tinha razão, José Alberto Zuccardi transpira simpatia, competência e paixão pelos vinhos, sua família e sua terra.

Após sua apresentação inicial, os vinhos foram servidos. Em nossas mesas havia uma pasta da importadora com a ficha técnica de todos os vinhos, bem como uma ficha para avaliação. O serviço foi muito correto, taças ISO e temperatura ideal para o branco, tintos e colheita tardia. A cada vinho um comentário vindo de pessoas importantes como Agnaldo Záchia Albert, José Luiz G. Pagliari, Roberto A. Ventura, Miguel Alberto Lopes, Jeriel da Costa.

No jantar foi servida uma salada, seguida de risoto e sobremesa. Um feito que não ocorria há tempos: comi rúcula. Não fazia isso desde 2002, quando descobri que a combinação entre caipirinha e rúcula é tóxica pra mim.

Ainda durante o jantar a importadora, que também deu bons descontos na compra dos vinhos da noite, sorteou três garrafas entre os presentes. A esposa do Jeriel ganhou o vinho mais importante da noite. Cheguei a ensaiar uma "impugnação", mas não pude fazer isso porque alguém já havia dito no início para tirar o nome dela da lista, pois sua sorte é imensa e está devidamente comprovada ao longo de muitos eventos.

Durante a sobremesa pensei nos R$95 reais que pagamos e descobri que foi um preço mais que justo, pois o valor não pagou apenas vinho e comida, mas tudo o que cercou o evento.

Quanto aos vinhos... fizemos anotações, discutimos, descobrimos aromas em temperaturas diferentes etc, mas em agosto faço postagens para cada um deles.

Ao Jeriel agradeço pela acolhida. Aos amigos Paulo e Roberta, pela hospedagem, companhia divertidíssima e pelos inúmeros momentos etílico-gastronômicos que nos proporcionaram na curta visita.

Aos paulistanos (de nascimento ou por adoção), recomendo a participação nos eventos da SBAV-SP. O que se paga não paga o que de lá se leva.

28 Julho 2010

Postales del Fin del Mundo Roble Malbec 2009

Já comentei outros dois vinhos da Bodega del Fin del Mundo, um malbec da linha Postales (relembre) e um pinot noir da linha Reserva (relembre). Segundo o contra-rótulo, esse malbec tem passagem de 6 meses por carvalho francês (70%) e americano (30%).
Mas no mesmo contra-rótulo há uma informação que me deixou intrigado. A temperatura sugerida de serviço era de 8-10ºC. Vinho tinto a essa temperatura? Estranho... mas ao retirar uma pequena etiqueta onde se lê "100% malbec", vê-se que o texto original era de um chardonnay. Não esperava esse tropeço de uma bodega tão importante.
Mas deixando de lado as reclamações consumeristas, é um vinho honesto, bom para o dia-a-dia, que não vai mudar sua vida e tenho dúvida se evoluirá com a guarda.
Apresentou coloração púrpura, manchando a taça, mas com boa transparência. Denotou juventude no exame visual, formando também muitas lágrimas (14,5% de teor alcoólico). Aromas muito tímidos, lembrança de frutas frescas. Muito fechado e difícil de decifrar. Lembrança discreta da passagem por madeira.
Melhora em boca. Pouco corpo, taninos finos, notas doces e acidez em boa conta. Retro-olfato repetindo nariz. Final ligeiro, embora gostoso, aparecendo aqui algumas notas florais.
Acredito que a madeira salvou o vinho, fazendo-lhe subir um degrau na qualidade.
Simples e descompromissado tem uma vantagem importante sobre outros exemplares da Patagônia: não é alcoólico.
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25 Julho 2010

Dádivas Pinot Noir 2009

Não tenho nenhuma dúvida sobre a qualidade dos vinhos da Lídio Carraro. Se gostar do preço, pode comprar que o resultado sempre é bom. Dessa linha já comentei um Chardonnay (relembre) e um corte de Cabernet Sauvignon com Merlot (relembre).
Esse Pinot Noir não foge à regra: tem bom preço (R$ 35), tem tipicidade brasileira e está num bom momento para consumo.
Na taça apresentou um vermelho claro, translúcido e lágrimas em abundância. Aromas um tanto tímidos, mas característicos da variedade (framboesas e morangos), com discretas notas vegetais, especiarias e frutos secos.
Na boca melhora muito. É leve, com taninos macios e boa acidez. Retro-olfato com boa fruta. Final mediano, que deixou a boca seca e uma boa lembrança frutada.
Vinho bem feito, honesto, equilibrado, fresco e com uma vantagem sobre alguns exemplares sul-americanos: o álcool não incomoda (12,6% de teor), permitindo que seja um PN realmente delicado.
Foram produzidas 3.480 garrafas. Abri a de nº 2.874.
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21 Julho 2010

Porto Dom José Ruby

Quando comentei um porto branco aqui no blog (relembre), tive certeza de que não conhecer esses vinhos seria um grande sinal de ignorância. Passei a ler mais a respeito e a degustar esses licorosos nas oportunidades que tinha, especialmente em restaurantes.
Recentemente comprei três vinhos básicos, de preços modestos (na faixa dos R$40-60), para começar a experimentá-los com mais atenção. O primeiro comentado é esse produzido pela tradicional Real Companhia Velha. Um porto ruby, que passa três anos em cascos de madeira, elaborado através da vinificação de diversas castas como Touriga Nacional, Touriga Francesa, Bastardo, Tinta Roriz, Tinta Carvalha, Tinto Cão e Mourisco, em percentagens não definidas, conforme informações do site da vinícola. Garrafa do Lote 9043.
Na taça apresentou coloração rubi, com reflexos deixando o violeta e ficando mais próximos de um discretíssimo alaranjado. Aromas com boa intensidade, com as esperadas notas de frutos secos e presença alcoólica (19%). Vinho perfumado, mas sem muita complexidade. Na boca tem bom corpo. Açúcar se sobrepondo à fruta, o que me pareceu um tanto exagerado. Final curto para frutado e doçura, com prevalência do álcool e um pouco de mel no palato. Fundo de copo com discretíssimo defumado.
Vale o que custa, sem ser exuberante ou complexo. Para se ter em casa e servir sem esperar suspiros. A própria vinícola o considera um vinho para o dia-a-dia, que foi
servido a 15ºC, a temperatura recomendada pelo produtor. Servido gelado, como é comum nos restaurantes brasileiros, perde em aromas. Servido à temperatura dos trópicos, o álcool passa a incomodar. Cuidado!
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17 Julho 2010

Club des Sommeliers Tinto Dão DOC 2005

Acredito que qualquer consumidor sensato de vinhos goste da iniciativa do Grupo Pão de Açúcar de lançar a linha Club des Sommeliers. Não são vinhos excepcionais, mas permitem ao consumidor médio (que é meu caso) experimentar vinhos de inúmeras regiões do mundo a um preço bastante acessível. Imagine que interessante experimentar um vinho de sobremesa da região de Monbazillac por $25-30?
Com o passar do tempo ficamos mais exigentes, mas esses vinhos são uma boa porta de entrada para o vasto mundo dos vinhos.
Comprei esse português do Dão por $20. É elaborado com as tradicionais Alfrocheiro, Tinta Roriz e Touriga Nacional. Vinho simples, sem defeitos, mas que dessa vez deixou um pouco a desejar em relação a outros que já provei da mesma linha.
Tem coloração grená, com lágrimas numerosas e finas (12,5% de teor alcoólico). Os aromas não têm muita intensidade, marcados por frutas vermelhas, alguma especiaria e um toque resinoso característico. Em alguns momentos apareceram notas lembrando pimenta.
Na boca tem corpo mediano, com taninos presentes, vivos e acidez mediana. Álcool um pouco desequilibrado e uma nota vegetal no paladar. Final curto, repetindo o vegetal. Boca seca e leve adstringência. Madeira discretíssima.
Vinho sem defeitos graves, mas pouco interessante, embora seja uma opção que permita conhecer um pouco das características da região.
Há pouco tempo bebi um Alentejano da mesma linha, que me pareceu melhor, na mesma faixa de preços.
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13 Julho 2010

Gran Feudo Edición Rosado 2008

Esse é um rosé especial, com personalidade, intenso e muito bem feito. É um produto da Bodegas Chivite, casa fundada em 1647 na região demarcada de Navarra e que tem ampliado suas atividades para outras regiões espanholas, como Rioja, Rueda e Ribera del Duero.
É um corte de Tempranillo, Garnacha y Merlot, com 13,5% de teor alcoólico e que passa por crianza de 6 meses em barricas sobre suas próprias leveduras (daí a indicação "sobre lías" no rótulo), com bâttonages frequentes.
Na taça uma linda coloração entre o salmão e o vermelho. Aromas delicados, lembrando frutas silvestres como framboesas. Já nos aromas aparentou leveza e frescor.
Na boca é macio, amplo, com boa fruta e acidez marcante. O final tem boa persistência, marcado pelo frutado delicado e por notas minerais também. Álcool sem incomodar em nenhum instante.
Harmonizou muito bem com bolinhos de bacalhau e uma torta de frango. Em ambos os casos deixou a boca limpa, demonstrando vocação gastronômica para acompanhar pratos mesmo com sabores um pouco mais fortes.
No rótulo há indicação de evolução do vinho em garrafa até 2012. Particularmente não posso afirmar isso, mas está num ótimo momento para consumo.
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Obs.: Battonage é o processo de agitação do vinho enquanto ele permanece em barris em suas borras de levedura.

09 Julho 2010

Monte Azzurro Gran Reserva Tríplice Rosso 2005

Esse é um vinho misterioso. Sim, porque em plena era da informação não encontrei um site ou outra fonte de dados sobre seu produtor, a Vinícola Serafini, de Dois Lajeados-RS. Foi comprado por indicação da Kátia França, do Armazém Canta Maria, em Bento Gonçalves. Não me lembro exatamente o preço, mas foi algo na faixa dos R$50-55.

Trata-se de um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Carmenère, que apresentou na taça uma bonita coloração rubi, sem traços de evolução. Brilhante, com lágrimas grossas e lentas.
Aromas intensos. Início com predominância para baunilha, côco, revelando passagem por madeira. Após agitação, surgiram frutos maduros escuros, como ameixa.
Na boca tem corpo mediano. Taninos levemente rascantes, que ainda vão amaciar. Acidez e álcool equilibrados (13,8% de teor). Retro-olfato frutado. Vinho potente, mas equilibrado, com notas adocidadas e ausência de amargor. Demonstrou que as uvas foram colhidas em bom estágio de maturação.
Final persistente, com muita fruta acompanhada por elegante madeira, deixando na boca uma gostosa lembrança de tostado e café. Fundo de taça com notas de mel.
Vinho surpreendente, com boa complexidade, que ainda pode evoluir nos próximos 2 anos.
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05 Julho 2010

Clos de Torribas Tinto Crianza 2005

Comentei esse vinho (safra 2004) sem muita empolgação. Encontrei a nova safra e pelo preço (R$25) resolvi experimentar. Trata-se da conhecida mescla de Tempranillo (90%) e Cabernet Sauvignon (10%). É produzido na região de Penedès pela Bodegas Pinord, fundada em 1942.
Este 2005 pareceu-me melhor que o anterior. É um vinho pronto para o consumo e com alguns traços de evolução, a começar pela coloração rubi com bordas levemente alaranjadas. Boa transparência.
Aromas iniciando com côco, poeira e fruta escondida. Agitando a taça um frutado maduro tomou conta.
Pouco corpo. Taninos marcantes e acidez refrescante. Fruta enchendo a boca em harmonia com madeira.
Final persistente, com prevalência de elegantes notas amadeiradas.
Ponto alto para o equilíbrio entre taninos, acidez e álcool (12,5%) e madeira ainda bem integrada com a fruta. Beba logo!
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Obs.: detalhe interessante fica por conta do rótulo, que na safra 2005 ganhou um "de", transformando o vinho em Clos de Torribas (veja foto anterior). Outro detalhe que tem me chamado a atenção é que depois de comprá-lo por $25 ele está em OFERTA a $28,90. Incrível, não?

01 Julho 2010

Nederburg Twenty 10 Sauvignon Blanc 2009 #cbe

Esse é o 44º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs, cuja escolha coube ao Luis Sérgio, do blog Vitis Vinifera. Ele sugeriu a degustação desse ou outro Sauvignon Blanc produzido na África do Sul. Como eu fiquei curioso para experimentar os produtos licenciados para utilizar a poderosa marca FIFA, optei por esse vinho produzido pela Nederburg. Paguei caros R$39,90 e me arrependi. Fiquei pensando em casa: "deveria ter comprado um Two Oceans por $19,90".
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Na taça uma coloração amarelo palha, bem claro. No fundo da taça formaram-se bolhas de CO2, o que pode denotar uma falha na vinificação, já que não se trata de um frizante. É aromático, com citricidade marcante, herbáceo, demonstrando características de um SB.
Na boca é muito simples, pouco atraente. Tem boa acidez e retro-olfato marcado pela citricidade. Final curto, seco, com lembranças minerais. Minha esposa e eu não conseguimos terminar a garrafa, mesmo ela tendo uma forte preferência pelos vinhos brancos.
Álcool a 12,5% incomodando em alguns momentos. Não chega a ser um vinho ruim, mas não comprarei outra garrafa, nem mesmo quando o preço baixar com o fim da Copa.
De tudo isso fica a lição para a Copa de 2014 e para as demais: que a escolha recaia sobre vinhos que possam representar BEM o país-sede, para que a qualidade dos demais produtos não seja manchada. Um consumidor menos experiente poderia imaginar que esse vinho representa a qualidade média da África do Sul. Mas não é o caso, felizmente.
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