27 Setembro 2010

Porto Burton's Tawny

Continuando minhas postagens a respeito de alguns Porto que comprei a preços acessíveis ($40-60), comento hoje esse Tawny elaborado, segundo o rótulo, pela Caves Messias, tradicional vinícola fundada em 1926, que tem produzido e comercializado vinhos das principais regiões demarcadas de Portugal: Bairrada, Beiras, Dão, Douro, Vinho Verde e Vinho do Porto.
Seus vinhos são bem distribuídos no Brasil, sendo encontrados facilmente em supermercados e casas especializadas. Mas esse Tawny, que pela legislação passa por envelhecimento em madeira, sequer está no sítio da vinícola. Provavelmente é um produto de qualidade inferior para os padrões do consumidor português. Daí, mandam pra nós!

Vinho de coloração vermelho grená, com bordas alaranjadas e muita transparência. No nariz o destaque inicial é para o álcool (19%) que chega primeiro e incomoda um pouco. Frutos secos e uma certa lembrança de tabaco.
Na boca surpreende pelo pouco corpo. Adocicado toma conta e encobre a fruta. Certo desequilíbrio. Final curto, prevalecendo o álcool. No palato uma discreta lembrança de frutos secos e mel, que desaparece rapidamente. Fundo de taça com notas de tabaco.
Não é um vinho ruim mas para o dia-a-dia há outros muito melhores na faixa de preços. Não compraria outro, apesar do preço acessível ($45).
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24 Setembro 2010

Herdade Paço do Conde Tinto 2007


Já comentei a safra 2004 desse vinho aqui no blog. Foi uma das surpresas do ano de 2008 (relembre). A safra atualmente disponível no mercado brasileiro (2007) mantém a qualidade, a um bom preço (R$45) e me atrevo a afirmar que é uma das compras certas em se tratando de tintos regionais do Alentejo.
Seu produtor, a Sociedade Agrícola Encosta da Guardiana, também faz um azeite extra virgem de alta qualidade, com 0,3% de acidez máxima, que recebeu a medalha de ouro no Concurso Nacional de Azeite Virgem Extra em 2009.
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Dados técnicos: elaborado com as castas Aragonês (40%), Trincadeira (40%), Alicante Bouschet (10%) e Cabernet Sauvignon (10%), com ligeira passagem de 3 meses por barricas francesas e americanas. Álcool a 13,5%. Enólogo: Rui Reguinga.
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Na taça apresentou coloração púrpura, sem traços de evolução. Límpido. Aromas intensos desde o início, remetendo a frutos bem maduros e notas levemente tostadas.
Na boca melhora muito, com taninos bem resolvidos e boa acidez. Intenso e com vocação gastronômica. Retro-olfato muito frutado, leve resina e discreto tostado. Final longo.
Está em ótima forma, com perspectiva de ainda suportar 2 anos na garrafa. Mantém tipicidade apesar da "intrusa" Cabernet Sauvignon. Harmônico, com tostado aumentando no final da garrafa. Ótima relação qualidade x preço.

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21 Setembro 2010

Del Fin del Mundo Reserva Pinot Noir 2009

Em fevereiro postei comentários sobre esse vinho, mas da safra 2007 (relembre). Uma boa opção de Pinot Noir a preço acessível (R$60), de uma região promissora e de uma bodega que está produzindo muita coisa boa (Bodega del Fin del Mundo). O resultado foi tão satisfatório quanto o vinho anterior.
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Dados técnicos: elaborado com 100% uvas Pinot Noir da Patagônia, sob a responsabilidade do enólogo Marcelo Miras, com estágio de 12 meses em barricas de carvalho americano e francês e 14% de álcool.
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Na taça uma coloração rubi com tendência ao granada. Transparência típica. Lacrimoso. Nariz bastante intenso, início com algo lácteo, abrindo-se para frutos delicados (amoras/morangos) e madeira elegantemente integrando o conjunto. Floral em alguns momentos.
Em boca é leve, delicado, com madeira marcando presença no retro-olfato. Boa acidez. Final longo, frutado acompanhado da madeira, sem apelação. Álcool não está desequilibrado, mas deixa o vinho um tanto "quente". Pede comida.

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17 Setembro 2010

Villa Bari Gran Rosso 2006


Comprei esse vinho (R$48) porque é diferente de tudo que comentei até hoje no blog. A começar pela região de produção: Porto Alegre, onde a Agrovinícola Barichello tem seus 5 hectares de vinhedos próprios e produziu a primeira safra em 2003.
O segundo fator é o processo de vinificação utilizado em seus vinhos, que são elaborados com uvas que atingem um alto grau de maturação. As uvas chegam à cantina ainda frescas e parte delas são desengaçadas e conduzidas para os tanques de fermentação, enquanto outra parte é colocada em caixas vazadas e depositadas em câmara de secagem climatizada para o processo de passificação. Após a maceração os vinhos são descubados e recebem uma leve prensagem manual. Permanecem em tanques de aço inox para estabilização durante 15 meses antes de serem engarrafados e mais 12 meses para amadurecimento.
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O vinho apresentou coloração rubi, com halo alaranjado. Aromas um tanto discretos, lembrança de frutos vermelhos maduros, o vegetal típico da maioria dos vinhos brasileiros. Na boca é outro vinho: marcante e com frutado muito maduro, por conta da maturação avançada das uvas. Tem corpo médio, com taninos doces, levemente rascantes e baixa acidez. Final mediano, com clara lembrança de frutos secos no palato.
Vinho diferente, que vale ser provado. O ponto negativo fica para o adocicado que o deixa um tanto enjoativo, mas certamente ficará melhor se a harmonização for pensada antes, levando em consideração seu adocicado. No dia em que bebemos o vinho, não conseguimos terminar a garrafa, justamente por esse motivo.
Álcool a 14%, sem atrapalhar. O vinho é adocicado, mas o preço é um tanto salgado!
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13 Setembro 2010

Sozo Reserva Pinot Noir 2009

Esse é um produto da José Sozo Vinhos, de Vacaria-RS, mas sua elaboração fica a cargo da Embrapa Uva e Vinho, sob responsabilidade do enólogo Raul Luiz Ben. As uvas são cultivadas a 1.000 metros de altitude, na região de Campos de Cima da Serra. Tem passagem de 6 meses por barricas novas de carvalho francês. A produção é limitadíssima, apenas 1.893 garrafas. Abri a de nº 463.
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Na taça apresenta coloração rubi, com aspecto típico dos PN, com boa transparência. Os aromas são discretos, com nuances florais e discretíssimo frutado. A sensação mais forte no olfato lembrou pimenta do reino.
Na boca é leve, com taninos finos e marcante acidez. Presença vegetal. Final curto, boca seca, prevalência vegetal no palato e madeira discretíssima. Álcool (12,5%) aparecendo em alguns momentos. Evoluiu em taça, ficando mais redondo e macio.
É um bom vinho, ainda simples, mas acredito que será melhor nos próximos anos, já que essa é a primeira safra produzida.
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09 Setembro 2010

Del Fin del Mundo Reserva Malbec 2007

Esse vinho foi engarrafado pela Bodega del Fin del Mundo em novembro de 2008, depois de passar 12 meses em barricas de carvalho francês (70%) e americano (30%). O enólogo responsável é Marcelo Miras.
Vinho ainda jovem, coloração púrpura, límpido, com lágrimas em abundância (14%). Aromas iniciais com frutado maduro (ameixa) e madeira aparecendo de leve. Na boca é amplo, redondo, com taninos macios e elegantes. Sem arestas. Equilibrado, com retro-olfato frutado e madeira perceptível, mas sem esconder características do vinho.
Final de grande persistência, fruta e madeira em boa dose. Não é alcoólico, mas tem potência, tanto que acompanhou bem um churrasco.
Pode ser aberto tranquilamente nos próximos 2-3 anos, mas considero que esteja também num ótimo momento para consumo. Vinho com características do Novo Mundo, mas sem a chatice dos equivalentes do gênero.
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05 Setembro 2010

Nederburg Twenty 10 Cabernet Sauvignon 2007

Os vinhos sul-africanos ganharam muito destaque nos blogs nos últimos meses, uma consequência natural por conta da Copa do Mundo. Inclusive aqui no blog dois vinhos de lá foram destaque na Confraria Brasileira de Enoblogs, um tinto (relembre) e um branco (relembre). Quando comprei esse último, aproveitei para levar também uma garrafa de CS do vinho licenciado pela Fifa, produzido pela Nederburg. Pela garrafa paguei algo em torno dos R$40, se não me falha a memória.
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De início posso assegurar que gostei mais desse do que do Sauvignon Blanc comentado em julho. Um vinho que pode acompanhar comida. Não é complexo, mas agradável, sem madeira em excesso e ainda pode sobreviver por 1-2 anos , mas não evoluirá.
É um vinho púrpura, com notas violáceas, jovem. Bons aromas, frutos negros e madeira disputando espaço. Corpo médio, com acidez evidente e taninos marcando levemente, dando certa estrutura. Madeira presente no início de forma mais acentuada, mas melhorou depois de um tempo. Final mediano, taninos em evidência, boca marcada por fruta e madeira e um leve toque vegetal. Amargor discretíssimo, sem atrapalhar.
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01 Setembro 2010

Ramos Pinto Porto Tawny #cbe

Hoje é dia de comentar o 46º vinho para a Confraria Brasileira de Enoblogs. A indicação veio do confrade André Muricy, do blog Bebendo com os Olhos, que sugeriu um "Porto branco seco". Porém, procurei em todos os locais de venda em Uberlândia e não consegui encontrar nenhum produto. Como não havia tempo hábil para encomendar e receber a tempo de comentar, preferi postar sobre um Porto que há tempos estava aqui para degustar. Não é a mesma coisa, mas não passarei em branco...

A Casa Ramos Pinto foi fundada em 1880 por Adriano Ramos Pinto (aos 21 anos de idade), jovem artista, frequentador do centro artístico portuense, alcançando rapidamente o objetivo de conquistar o mercado brasileiro e, devido ao aumento do volume de negócios, oferece sociedade ao seu irmão Antônio, em 1896.
Antônio era proprietário de uma casa de fotografias na cidade do Porto. A partir da sociedade a casa passa a se chamar Adriano Ramos Pinto & Irmão, cabendo a Adriano o aperfeiçoamento das técnicas de divulgação e promoção do vinho e a Antônio a gestão comercial da firma.
Esse é um pequeno trecho da importante história dessa vinícola, cujos vinhos licorosos estão entre os mais vendidos no Brasil há muito tempo. Por essa garrafa paguei (se bem me recordo), algo em torno dos $75. É um vinho mais interessante que os dois anteriores que comentei recentemente, apesar do preço mais alto.
O vinho é resultado de um blend de vinhos de 3 a 5 anos, elaborados a partir das castas Tinta Roriz e Tinto Cão. Pelo número do lote parece ter sido engarrafado em 2007.
Na taça uma linda coloração rubi com bordas acastanhadas. Muito lacrimoso (19,5% de teor alcoólico). Aromas em grande intensidade, frutos secos e mel. Na boca tem bom equilíbrio entre doce, álcool e características frutadas. Macio, com final longo marcado pela lembrança de frutos secos, mel e madeira. Boa opção para o dia-a-dia numa faixa de preços acessível.
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