28 Outubro 2010

Encontro de Vinhos em Ribeirão Preto - 3ª Parte

Continuando nossa saga pelo salão do Encontro de Vinhos fomos provar os alemães trazidos pela Dyade52, que é a marca de um consórcio que reúne 16 empresas do ramo vinícola que se uniram para exportar a produção de pequenos e médios vinicultores das regiões de Baden e Württemberg. O que provamos não nos arrancou suspiros, embora fossem produtos de qualidade.
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Na Lídio Carraro encontramos a qualidade de sempre, especialmente de seu Quorum, um assemblage de grande qualidade já comentado aqui no blog. Experimentamos os espumantes, que pra nós é uma novidade e gostamos muito. As linhas Dádivas e Agnus são propostas de vinhos com preços mais acessíveis e boa qualidade. Vale a pena.
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Conhecemos a gaúcha Rastros do Pampa, de Bagé (Don Pedrito), fronteira com o Uruguai. Provamos o cabernet sauvignon deles, mas o sauvignon blanc é que nos chamou atenção pelos aromas e pelo grande frescor, com boa acidez é um vinho gastronômico e com ótima relação custo x benefício.
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Na Wine Lovers fomos atendidos pelo Walter Betta e sua esposa, que nos mostraram uma linha muito interessante de californianos da Bogle: degustamos um chardonnay com passagem longa por carvalho, um pinot noir que particularmente achei com mais madeira do que deveria (gosto é gosto) e um ótimo viognier, que inclusive compramos. Eles vendem os seguros vinhos da marca Estrada Creek e comprei um Miros 2006, belo tinto da Ribera del Duero, com 14% de álcool, passagem de 6 meses por carvalho. Um corte de tempranillo, merlot e CS.
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Na Wine Marchand, que além do leilão e da venda direta também tinha um estande, comprei dois vinhos que não poderia deixar de trazer: um Crane Lake Zinfandel 2006 (que ficou em 5º no Top 5) e um Quinta da Mimosa Palmela DOC 2007 (segundo no Top 5 e primeiro aqui no VPT). Ainda trouxe também um Dezzani Barbaresco DOCG 2006 e um Simonsig Sauvignon Blanc 2008.
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Lá pelas 19 horas bateu o cansaço. Atravessamos a rua e fomos jantar no Tullio Santini, casa tradicional na cidade e com um prato original criado pelo experiente chef: La Gondola, massa artesanal fina e crocante no formato de uma rosa recheada com filé mignon, molho pesto e mussarela. Por incrível que pareça, não bebemos vinhos, só água!
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Voltamos à feira para pegar os vinhos que compramos e parabenizar os organizadores Beto Duarte e Daniel Perches. O evento foi sucesso, organizado, tranquilo, com bom espaço para transitar e degustar, sem incidentes e com a presença de ótimos expositores. Disse ao Daniel e ao Alexandre Frias, outra grande figura que tive o prazer de conhecer, que ao anunciarem o encontro em Ribeirão Preto jamais esperava a adesão de tantas importadoras e produtores, por se tratar de uma região quente, numa época quente do ano. Enfim, errei feio... ainda bem!
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No próximo ano tentaremos aproveitar melhor o tempo e degustar mais vinhos. Mas pelo menos degustamos o que de melhor havia na feira para eleição do Top 5.

Em tempo: a montagem acima não foi feita com fotos da Nádia Jung, para que não a acusem de nada!

Saúde a todos!

27 Outubro 2010

Encontro de Vinhos em Ribeirão Preto - 2ª Parte

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Depois da degustação para o Top 5 começamos a "difícil" tarefa de visitar os expositores do evento, desconfiados de que não conseguiríamos passar por todos. A desconfiança se tornou fato ao final do evento. É que o bate papo descontraído com tantas pessoas interessantes acabou nos desviando um pouco dessa tarefa. Segue abaixo um brevíssimo relato do que conseguimos ver.
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Logo na entrada para o salão do evento havia 3 expositores. Uma grande mesa da Wine Marchand, que estava comercializando os vinhos dos expositores e foi resposável pelos leilões da feira. Comprei alguns vinhos por lá com descontos especiais. Ao lado estava o case de sucesso da feira, Senhor Brigadeiro, que segundo relatos conseguiu vender tudo que levou para o evento, talvez até as amostras de embalagens e o forro da mesa... compramos, lógico, e realmente é um "senhor" brigadeiro.
Por perto também estava o Eugenio Echeverria, diretor da The Wine School, que promove cursos na América do Sul chancelados pela Wine Spirit Education & Trust. Estava anunciando a realização do nível 3 de seus cursos, que será ministrado por Dirceu Viana Júnior, ainda o único Master of Wine brasileiro. Minha esposa já fez os níveis 1 e 2 do curso que efetivamente trazem uma excelente formação.
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No interior do salão de convenções começamos a maratona por um velho conhecido, o Chico da Porto Mediterrâneo, com seus elegantes vinhos Surazo, o excelente azeite Paço do Conde e um espetacular chardonnay da Lariviere Yturbe. Provamos também um Porto de grande personalidade. O azeite, segundo soubemos, abasteceu os presentes e também não deu pra quem quis no estande da Wine Marchand.
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Ao lado estavam os sempre atenciosos Rogério e Viviane, da Ravin, que conheci numa degustação da SBAV-SP em julho. Além dos conhecidos e consagrados vinhos da Zuccardi e da Viña Maipo, provamos brancos e tintos sul-africanos, além do vencedor do Top 5 do último Encontro de Vinhos em São Paulo, o espanhol Vega Saúco Piedras Crianza, com custo x benefício excepcional. Gostei muito do Montessu IGT 2006, um tinto da Sardenha, bastante intenso.
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De lá fomos para o outro lado do salão e conhecemos o simpático Olivier, que estava apresentando os vinhos da Cave Jado. Na internet há uma unanimidade quanto à "revolução" que as proprietárias da importadora tem feito em relação aos vinhos franceses, sempre caros no Brasil. Provamos um champagne vintage 2004 (Domaine Louise Brison) vendido a R$150, com grande frescor e personalidade. Todos os vinhos são corretíssimos e com bons preços. Confirmou a fama!
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Perto estava o estande da Casa Valduga, cujos vinhos conhecemos todos. Apresentaram uma novidade que em breve estará aqui no blog, o Mundvs Alentejano 2008, um corte de Syrah, Aragonês e Alicante Bouschet. Para não passar em branco, degustamos o ótimo Chardonnay Gran Reserva 2009 e o Espumante 130, que na degustação às cegas recebeu 90 pontos deste blogueiro e também da Silvia Franco, que estava no estande nesse momento, prova de que os espumantes brasileiros estão em alta. Aliás, foi o vinho que recebeu melhor nota do Silvestre, do blog Vivendo a Vida..
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Na Max Brands provamos os vinhos que mais nos agradaram. Eu estava particularmente curioso com os Batasiolo, com seus vários Barolo, Barbaresco e Barbera. Provamos novamente o vencedor do Top 5 (Amarone Bosan) e os demais produzidos por Gerardo Cesari, com destaque também para um Amarone Della Valpolicella Clássico. Eu disse ao Alexandre Fadel (Presidente da importadora) que não queria provar nada da Argentina ou Chile e ele me convenceu a degustar o Judas, um espetacular malbec da Bodega Sottano, com quase 15% de teor alcoólico. Fantástico!.
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Amanhã conto um pouco mais sobre os outros expositores, pra esse texto de hoje não ficar tão longo.
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As fotos acima são da Nádia Jung, "capturadas" de outros blogs. Nádia, depois você manda a conta.

26 Outubro 2010

Encontro de Vinhos em Ribeirão Preto - 1ª Parte

(Fotos de Nádia Jung)

Certamente inúmeros blogs falarão sobre o Encontro de Vinhos que aconteceu em Ribeirão Preto no último dia 23. Tenho certeza também que todos falarão do sucesso desse evento que já faz parte do calendário nacional de feiras de vinho.

Iniciativa dos blogueiros Daniel Perches (Vinhos de Corte) e Beto Duarte (Papo de Vinho), contou dessa vez com a assessoria da dinâmica Silvia Cintra Franco (In Vino Veritas e Vinho e Gastronomia). Organização muito boa, ambiente aconchegante e repleto de personalidades do mundo do vinho. Destaque também para o ambiente climatizado (vinho e calor não combinam) e para a educação das pessoas. Vi apenas um sujeito que abusou um pouco mais do vinho e pedia para os atendentes servirem a taça cheia. De resto, todos entenderam que tratava-se de uma degustação. As mesas com pães e frios ajudaram muito na maratona de um dia inteiro de provas.
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Nesse primeiro post sobre o evento falarei sobre a eleição para o Top 5, primeira atividade do dia, começando às 13:30 h. Fui convidado com minha esposa para a avaliação de 22 vinhos, sendo 2 espumantes, 1 branco, 1 vinho de sobremesa e tintos os demais. No decorrer da prova chegaram mais 2 vinhos tintos, totalizando 24. Podemos dizer que provamos o que havia de melhor na feira, porque cada expositor mandou o vinho que entendia ser capaz de ganhar a prova realizada às cegas.

Confesso que não tenho grande experiência com o sistema de pontuação, porque aqui no blog as avaliações não ocorrem assim. Mas fiquei satisfeito com o resultado final, porque os Top 5 do evento receberam de mim 90 pontos ou mais.

Seguem abaixo os rótulos dos vencedores, ordenados a partir da maior média:
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Evidentemente a avaliação de cada um de nós não coincidiu exatamente com os Top 5. Segue a ordem de pontuação segundo a minha avaliação e a posição que o vinho obteve na classificação geral:

- 93 pontos: Quinta da Mimosa Palmela DOC 2007 (2º no Top 5);
- 92 pontos: Cesare Bosan Amarone Della Valpolicella DOCG 2001 (1º no Top 5)
- 91 pontos: Crane Lake Zinfandel 2006 (5º no Top 5)
- 91 pontos: Dominio de Valdelacasa 2006
- 91 pontos: Quinta do Serrado Reserva Tinto 2005
- 91 pontos: Lucero Syrah 2008
- 90 pontos: Domaine Pasqua Vin Doux Chardonnay (3º no Top 5)
- 90 pontos: Cinco Tierras Reserva Cabernet Sauvignon 2006 (4º no Top 5)
- 90 pontos: Casa Valduga Espumante 130
- 90 pontos: Château Lamblin Côtes de Bourg AOC 2005

Para as duas primeiras posições houve uma inversão entre a minha pontuação máxima e o resultado final do Top 5. Mas a diferença de preços entre os dois vinhos é grande. Enquanto o português custa R$68 o italiano sai por R$450. A relação custo x benefício aqui é indiscutível em favor Quinta da Mimosa, embora sejam vinhos totalmente diferentes um do outro.

A experiência foi ótima e degustar vinhos às cegas é realmente a maneira mais justa de avaliá-los para um ranking como esse. Já confirmei nossa presença no Encontro que acontecerá em 25 de abril do ano que vem, em São Paulo.

Amanhã um post sobre os expositores que visitamos na feira e as pessoas que tivemos o prazer de conhecer.

Para visualizar os rótulos de todos os 24 vinhos degustados, clique aqui.

Saúde a todos!

23 Outubro 2010

Montes Vindima Tardia 2008


Esse é um vinho que tem personalidade. Produzido pela Viña Montes com uvas 100% Gewürztraminer originárias do Vale do Curicó (200 km ao sul de Santiago), não tem passagem por madeira. 70% das uvas colhidas foram atingidas pela botrytis cinerea, fungo responsável pela "podridão nobre", algo possível apenas em grandes anos.

Servido à temperatura correta 10-12ºC, apresentou coloração amarelo dourado. Aromas intensos, destaque inicial para muito maracujá e abacaxi em segundo plano. Damasco, mel, flores brancas e frutos secos vieram com um tempo em taça.
Bom corpo, untuoso. Acidez "picante", evidente no primeiro contato com a língua. Continua com boa fruta e um pouco de mel. Equilíbrio entre doce e acidez. Chama para o próximo gole.
Final de média persistência. O adocicado não marca o palato, mas a fruta seca e uma grande citricidade. Vinho refrescante, nem um pouco chato.
Pela garrafa paga-se algo em torno dos R$53. Vale o que custa, sem dúvida.

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22 Outubro 2010

Amanhã tem encontro de vinhos em Ribeirão Preto


Começa amanhã o Encontro de Vinhos promovido pelos blogs Papo de Vinho e Vinhos de Corte. O evento será realizado no Hotel Araucária, na cidade de Ribeirão Preto.

Recebi um gentil convite do Daniel Perches (Vinhos de Corte) para participar da eleição dos Top 5 do evento, uma degustação às cegas que terá início às 13:30 h, antes da abertura oficial do evento que ocorrerá das 15 às 20 horas. Dessa avaliação participarão sommeliers, proprietários de restaurantes, jornalistas e blogueiros.

Será uma grande oportunidade para rever e conhecer pessoas ligadas ao mundo do vinho e, claro, degustar dezenas, talvez centenas de vinhos que serão levados pelos expositores. Tudo com moderação, claro.

A lista completa dos expositores você encontra no blog do evento: clique aqui.

Na medida do possível vou mantendo os leitores do blog informados via Twitter.

Quem mora em Ribeirão Preto ou em cidades próximas não pode deixar de ir. O ingresso está sendo vendido a R$ 60, um excelente preço para uma grande oportunidade.

Saúde a todos!

19 Outubro 2010

Cavalleri Segredo Merlot 2006

Já visitei duas vezes a Vinícola Cavalleri, no Vale dos Vinhedos. Gosto de passar por lá para degustar seus espumantes Moscatel, mas especialmente seus Merlot (indico o Pecato, que provei por lá em 2008). Seus produtos tem bom preço e qualidade média comprovada.
Esse é o típico vinho para o dia-a-dia, boa qualidade, bem feito, com preço na casa dos R$30.

De coloração rubi, com reflexos violáceos, apresentou aromas discretos, com destaque para frutos vermelhos maduros (ameixas) e especiarias. Discretas notas vegetais.
Na boca é leve, com pouco corpo, taninos finos e boa acidez. Retro-olfato frutado e leve tostado. Final ligeiro, com fruta em destaque e madeira dando o ar da graça. Notas de especiarias também apareceram. Amargor discretíssimo aparecendo somente no início da degustação, valendo uma leve decantação de 20 minutos para "aerar" o vinho.
Vinho simples, sem muita complexidade, mas bem feito e equilibrado, cumprindo bem o papel de um vinho desse preço. Álcool a 13,5%, mas sem aparecer.

16 Outubro 2010

Glen Carlou Pinot Noir 2008

Ainda não havia experimentado um Pinot Noir da África do Sul. Então não tinha motivo melhor pra comprar uma garrafa desse vinho produzido pela Glen Carlou, fundada em 1983, na conhecida região de Paarl.
Pela garrafa paguei R$70. Embora o vinho seja bem feito, a relação custo x benefício é discutível. Penso que existam outros PN melhores a preços menores.
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O vinho tem coloração grená, com boa transparência. Muito aromático, com lembrança a frutos silvestres, conforme manda o figurino. Na boca é leve, marcante, com taninos macios e boa acidez. Fundo levemente vegetal.
Final tem boa persistência, com discretíssima madeira e palato marcado por frutos delicados. É um vinho equilibrado, delicado, apesar do leve "calor" dado pelo álcool (13,5%). Sugiro servi-lo a uma temperatura mais baixa, algo em torno dos 13-14ºC para diminuir um pouco essa sensação.
Nessa safra o vinho passou 10 meses em barricas de carvalho francês.
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13 Outubro 2010

Surazo Reserva Carmenère 2006

Quando comprei um Carmenère básico dessa linha (relembre), produzido pela Viña Santa Monica, também comprei esse Reserva, pagando R$45. É produzido com uvas do Vale do Rapel, localizado a 90 km ao sul da capital Santiago, com altitude aproximada de 600 metros acima do nível do mar. O vento ("surazo") que corta a região no verão resfria os vinhedos, causando um amadurecimento lento das uvas, concentrando sabores e aromas.
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Nunca é demais lembrar que o enólogo é Don Emílio de Solminihac, o primeiro chileno a formar-se em Bordeaux, ainda em 1952.
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O vinho apresenta coloração rubi, é límpido e lacrimoso, manchando levemente a taça. Aromas em boa dose ao servir o vinho. Início lembrando terra, um pouco fechado. Com leve aeração abriu-se em complexidade: terra, frutos vermelhos mais delicados (amoras e cerejas) e muitas especiarias, especialmente pimenta.

Em boca tem menos corpo que o esperado, é mais delicado e elegante, com taninos finos e toques de pimenta acompanhando frutado muito elegante.
Final de média persistência, mas muito gostoso, com frutas, especiarias e discretíssima madeira, com notas terrosas ainda acompanhando. Evoluiu muito depois de aberto, parecendo-se muito mais com um vinho europeu do que sul-americano. Fundo de taça condimentado, com óregano e pimenta em evidência.
Álcool a 14%, sem incomodar. Pronto para beber ou para guardar por mais 1-2 anos.
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10 Outubro 2010

Casa de Illana Tradición 2006

Esse interessante vinho é produzido pela Bodegas y Viñedos Illana, que já é administrada pela quarta geração de vinicultores e conta atualmente com 100 hectares de vinhedos próprios.
A bodega pertence à Denominación de Origen Protegida (D.O.P.) Ribera del Júcar, criada em 2003 na Província de Cuenca, englobando os municípios de Casas de Benítez, Casas de Fernando Alonso, Casas de Guijarro, Casas de Haro, El Picazo, Pozoamargo y Sisante. Conta atualmente com mais de 9 mil hectares de vinhedos.
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Como o próprio nome indica, essa D.O.P. desenvolve-se em torno do Rio Júcar, que no percurso de seus 497 km de extensão corta as províncias de Cuenca, (onde nasce), Valencia e Albacete, desaguando no Mediterrâneo.
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Dados técnicos: elaborado com as variedades Bobal (45%), Tempranillo (30%) e Syrah (25%), vinificadas em separado, com ligeira passagem por barricas. Um vinho que promete mesclar a tradição das variedades autóctones da região com a estrutura, frescor e modernidade da Syrah.
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Vinho de coloração rubi, com aromas em boa intensidade. Início lácteo, abrindo-se para frutos vermelhos mais delicados. Em boca é leve, com taninos macios, acidez marcante e uma intrigante combinação floral com frutas vermelhas, algo de groselha e clara lembrança de chiclete de tutti-fruti (será que bebi muito?).
Final mediano, agradável, com palato repetindo frutado delicado e leve lembrança da madeira. Álcool a 13,85% sem atrapalhar o equilibrado conjunto. Vinho que prima pelo equilíbrio: não é frutado demais, não é amadeirado demais, nem caro demais (cerca de $40).

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07 Outubro 2010

Bila-Haut Côtes du Roussillon 2006

Quem é leitor do blog há muito tempo sabe que eu programo as postagens com grande antecedência. Normalmente faço com que elas sejam publicadas de 4 em 4 dias. Por isso um esclarecimento: esse vinho foi degustado no dia 20 de agosto, mas somente agora tive um lugarzinho pra ele no blog. Claro que as impressões que tive naquela data poderiam ser diferentes hoje, mas não estou certo disso. Portanto, ao menos que me provem o contrário, esse vinho foi a grande decepção de 2010 até agora.
É produzido pela M. Chapoutier, que produz vinhos em várias regiões da França em vários estilos. Mas nesse caso o vinho vem da Côtes du Roussilon Villages, sub-região ao norte da região do Roussillon, que teve suas primeiras vinhas plantadas ainda no século 11 por marinheiros gregos.
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A região é famosa pela produção de outras frutas e vegetais favorecida pela incidência do sol (em média 325 dias por ano). Daí seus pomares e vinhedos estarem entre os mais secos e quentes do país.
O vinho é um corte de Syrah, Grenache e Carignan e parece não ter passagem por madeira.
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Na taça apresentou coloração rubi. Seus aromas são discretíssimos, sendo possível identificar um genérico frutado. Na boca melhora um pouco. Corpo médio, taninos firmes, rascantes, quase "lixando a língua". Frutado delicado, mas a sensação tânica dominou todo o final, que foi ligeiro e deixou boca seca.
Vinho bastante rústico, alta adstringência e frutado muito discreto e pouco interessante. Álcool desequilibrando o conjunto (14%). Usando um jargão cervejeiro: esse "desceu quadrado". Tenho sérias dúvidas se melhorará, embora tenha estrutura para evoluir.
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No meu critério de avaliação (bastante subjetivo), pra ser um vinho "razoável" ele tem que ter algum atrativo, mas que não o qualifique para uma compra futura. Pra ser um vinho "ruim" ele tem que ter defeitos. Esse conseguiu estar entre os dois. Não tem defeitos, mas não tem atrativos! In dubio pro vino!

Na Europa custa 7,5 Euros. Aqui paga-se em torno dos $45.

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04 Outubro 2010

Amayna Sauvignon Blanc Barrel Fermented 2006

Pelo menos na minha região a Viña Garcés Silva é mais conhecida pelo seu Amayna Pinot Noir, que faz bastante sucesso. Particularmente não é dos meus PN preferidos, pois acredito que há outros tão bons quanto esse e a preços menores.
Mas minha esposa experimentou esse Sauvignon Blanc fermentado em barricas de carvalho e fez muitos elogios. Como sou obediente e voluntarioso, comprei uma garrafa para tirar a prova. E, realmente, o vinho é especialíssimo, apesar do preço ser alto para o dia-a-dia (na casa dos R$100).
É produzido com uvas de San Antônio, no Vale de Leyda, região reconhecida somente em 2002 e localizada a 14 km do Oceano Pacífico. A temperatura amena na região favorece o lento amadurecimento das uvas, especialmente das brancas Sauvignon Blanc e Chardonnay.
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Em taça apresentou coloração dourado claro. Aromas sedutores, intensos, lembrando chocolate branco e frutos cítricos como tangerina. Na boca é ainda melhor. Amplo, com boa acidez e presença marcante de notas tostadas e um gostoso amanteigado, fruto da fermentação em barricas francesas por 12 meses.
Final longo, evidenciando ainda mais o tostado e surgindo leve lembrança vegetal e toques de baunilha. Vinho potente, "queimou" um pouco o palato (14,5% de álcool). Pede comida e não é vinho para bebericar.
Madeira deixou o vinho muito elegante e complexo, sem esconder as características da Sauvignon Blanc. Harmonizou-se bem com queijos moles e posso afirmar que é mais vinho que o Pinot Noir que tanto faz sucesso por aqui, embora o preço seja igualmente salgado.
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01 Outubro 2010

Tomero Torrontés 2009 #cbe

Esse é o 47º vinho da Confraria Brasileira de Enoblogs. A escolha foi do Marcelo di Morais que indicou um vinho branco, de qualquer país, qualquer uva, com preço até $40.

Escolhi esse Torrontés produzido pela Bodega Vistalba, com uvas do Vale de Cafayate, em Salta, em altitude de 1.800 metros. Vinho que já bebi em várias ocasiões. Na primeira delas estranhei um pouco sua mineralidade, achando que estava um pouco "salgado" e comentei isso com alguns blogueiros. Mas nas outras oportunidades essa sensação não se repetiu (ou me acostumei com ela). Enfim, mostrou-se um vinho realmente interessante.

Com coloração amarelo palha, é bastante aromático. Notas de mamão, lichia, eucalipto, algo mineral (salino). Na boca é marcante, mineral, com frutado em segundo plano. Retro-olfato com floral bem evidente também apareceu.

Final persistente, com prevalência frutada, repetindo lichia. Acidez refrescante, algo de maracujá também.
Vinho com boa complexidade nos aromas e em boca, variando a cada momento. Mineralidade marcante também. Álcool sem atrapalhar (13,3%). Vale conhecer.