30 Dezembro 2010

Jean-Paul Sellès Châteauneuf du Pape Rouge 2006


Escolhi esse vinho para encerrar o ano por dois motivos. O primeiro é porque ainda não havia comentado nenhum Châteauneuf du Pape aqui no blog. Segundo porque ganhei esse vinho da minha esposa, que me presenteou no início do ano. Pesquisei um pouco e vi que é encontrado na faixa dos R$ 120, um dos mais baratos Châteauneuf du Pape do mercado brasileiro, o que não diminuiu em nada a satisfação de bebê-lo. É elaborado com as uvas Grenache, Mourvedre e Cinsault pela Jean-Paul & Cécile Sellès, casa fundada em 1966.
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O nome da região (“castelo novo do Papa”, numa tradução livre) está ligada à transferência da cúpula da Igreja para Avignon, no período compreendido entre 1309 e 1340. Em virtude das condições da época, as grandes festas e reuniões políticas não podiam ser regadas a vinhos trazidos de longas distâncias, sendo mais fácil o consumo do vinho local, o que contribuiu muito para sua notoriedade.
A região está incrustada no Rhône Sul, cujo solo é repleto de pequenas pedrinhas, uma espécie de cascalho branco (Gallets) que contribuem para a manutenção do calor nas plantas para sua lenta maturação. Lá são permitidas inúmeras variedades na composição dos vinhos. Nos tintos as mais comuns são a Grenache (principal uva), Syrah (que confere aos vinhos aromas de especiarias e estrutura tânica) e Mouvèdre (que dá volume e elegância ao vinho). Dentre as brancas as mais utilizadas são Roussanne, Grenache Blanc, Clairette e Bourboulenc.
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Vamos ao vinho: na taça um vinho com alguma evolução. Coloração rubi com bordas alaranjadas, boa transparência e lágrimas rápidas (14% de álcool).
Aromas em boa intensidade, bom frescor, frutos silvestres delicados, especiarias, pimenta e couro. Boa complexidade.
Na boca tem corpo mediano, com grande presença. Taninos finos. Frutado intenso no retro-olfato, evoluindo depois de aberto. Final mediano, marcado por muita fruta e leve lembrança tânica. Álcool em equilíbrio. Pronto para beber.
Um vinho de grande elegância, servindo didaticamente aos que querem conhecer as características desse celebrado vinho. A complexidade dos aromas remete ao que se lê nos livros sobre vinhos. Diria que é um vinho "didático".
Certamente é mais simples que os celebrados vinhos dessa região, que são muito mais caros, mas é plenamente satisfatório nessa faixa de preços. Apenas acredito que não evoluirá muito com a guarda.
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28 Dezembro 2010

Dal Pizzol Gewürztraminer 2009

Bebemos esse vinho da Dal Pizzol num domingo de outubro. Dia quente, pedia um vinho branco ou espumante. Busquei na adega esse Gewürztraminer que comprei no varejo da vinícola em agosto, pagando R$ 21.
O vinho apresentou coloração amarelo palha, com reflexos esverdeados. Aromas em boa intensidade, destaque floral típico da variedade (jasmim e flores brancas). Boa acidez e corpo leve. Final mediano e refrescante.
Com comida melhorou muito, tanto em sabores quanto em retrogosto. Confirma indicação no contrarótulo. Harmonizou com alguns queijos que tínhamos em casa e especialmente com um lombo de porco, domando sua gordura e limpando a boca. Álcool a 12%, sem atrapalhar. Boa relação custo x benefício.

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26 Dezembro 2010

Luis Pato Baga Espumante Brut 2007

Já comentei um tinto produzido por Luis Pato com a casta Baga (relembre). Ao encontrar esse espumante brut achei interessante prová-lo, embora o preço não faça dele um produto para o dia-a-dia (R$ 70-80).

Dados técnicos: espumante elaborado com 100% da casta Baga, com segunda fermentação nas próprias garrafas (método Champenoise) por um período entre seis e nove meses.

Espumante rosado, lembrando casca de cebola. Perlage com bolhas médias, mas em boa intensidade. Espuma rápida. Aromas com fruta discreta e pouquíssima lembrança da fermentação.
Na boca a primeira sensação é da boa acidez. Espumante seco, mais "duro" que os Brut brasileiros. Final ligeiro, deixando a boca limpa, com leve lembrança da fermentação no palato. Alguma mineralidade tomando lugar do frutado discreto.
Gastronômico e bem feito, embora o estilo não tenha me agradado tanto. Por preços menores há espumantes brasileiros mais interessantes, como os Gran Reserva ou o 130 da Casa Valduga ou os diferenciados Cave Geisse.

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24 Dezembro 2010

Kanonkop Kadette 2008


Bebi esse vinho no dia 19/10 e me foi servido às cegas, brincadeira que gostamos de fazer em casa. Com isso todas as anotações foram feitas sem saber que vinho era e nenhuma pista me foi dada pela minha esposa, que resistiu à tentação de me contar alguma coisa.

É produzido pela Kanonkop Wine Estate, propriedade familiar que está a quarta geração de administradores, sendo que os primeiros vinhos foram engarrafados em 1973. Atualmente trabalham 54 pessoas na vinícola. Vale uma visita ao site da empresa, que tem tradução inclusive para o português, fato raro.

Dados do vinho: corte de Pinotage (50%), Cabernet Sauvignon (25%), Merlot (15%) e Cabernet Franc (10%), com passagem de 14 meses por barricas francesas de segundo e terceiro uso. 14% de teor alcoólico. O enólogo é Abrie Breeslaar, que está na vinícola desde 2002.

Na taça coloração púrpura, com reflexos violáceos. Bons aromas. Frutado lembrando ameixa e amora e uma leve lembrança da madeira. Álcool se sobressai um pouco no início, mas também revelaram-se notas de especiarias.
Corpo médio, com taninos finos e acidez evidente. Boa fruta, com álcool dando certa potência. Final mediano, com frutado intenso e palato marcado por abaunilhado e lembrança tostada. No fundo da taça, notas de especiarias. Embora seja um vinho sem grande complexidade é gastronômico.
Saboroso para bebericar, mas cuidado com o álcool. Cuide para que esteja na temperatura ideal.
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22 Dezembro 2010

Du Toitskloof Cellar Pinotage 2008

Escrevo essa postagem no momento em que degusto esse surpreendente Pinotage (19/12/10), um custo/benefício excelente. Pela garrafa paguei R$ 29 aqui em Uberlândia, mas em outros lugares do país talvez custe ainda menos.
É produzido pela vinícola
Du Toitskloof Cellar (ou simplesmente DTK), fundada em 1962 como uma cooperativa por 6 produtores de vinho. Está localizada proximo a Cape Town, no Vale do Rio Breede na entrada para as montanhas que dão nome à vinícola. Produz cerca de 10 milhões de litros de vinho por ano, sendo 60% de tintos e 40% de brancos. .

Visite o site da vinícola. É moderno e com fotos lindíssimas da vinícola e seus vinhedos.

Esse vinho é produzido com 100% de uvas Pinotage, passando 8 meses em barricas de carvalho francês. Tem coloração rubi, com aromas discretos, que melhoraram depois de um tempo aberto: frutos vermelhos maduros (ameixa) e toque evidente de chocolate e baunilha, conferidos pela passagem por madeira.
Na boca é ainda melhor. Apesar do pouco corpo, tem grande presença. Taninos finos, acidez mediana e muita fruta, notas adocicadas e repetição do chocolate e baunilha. Com o passar do tempo a fruta ficou mais evidente, equilibrando-se bem com a madeira. Final mediano, boa fruta e chocolate + café.

Como disse acima, uma ótima compra. Se comparado a outros Pinotage da África do Sul nessa faixa de preços, tem a vantagem da madeira bem integrada e do álcool sem exagero, apesar dos 14% de teor. Harmônico, apesar de ser barato!

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20 Dezembro 2010

Casa Valduga Espumante 130 Brut #cbe

Esse espumante foi lançado em 2005 para comemorar os 130 anos da chegada à Serra Gaúcha dos primeiros Valduga vindos da cidade de Rovereto, província de Trento, na Itália. Por sua grande qualidade e o preço justo (faixa dos R$55-60) é meu espumante brasileiro preferido, sem dúvida uma das melhores relações qualidade x preço. Se pudesse, beberia até no café da manhã!

Por isso foi minha escolha para o comentário do mês para a Confraria Brasileira de Enoblogs, uma brincadeira que ajudei a iniciar há alguns anos e chega agora ao 50º vinho comentado. A escolha coube a um dos mais recentes confrades, o Silvestre do excelente blog Vivendo a Vida.

Esse espumante é produzido pela Casa Valduga com uvas Chardonnay e Pinot Noir do Vale dos Vinhedos, pelo método tradicional, como todos os espumantes da vinícola. A segunda fermentação em garrafa ocorre durante 36 meses, o que lhe confere uma boa complexidade, mas sem perder frescor. Sem dúvida é um espumante de padrão internacional, tanto que já ganhou medalhas nos mais prestigiados concursos do mundo.
Na avaliação às cegas de que participei no Encontro de Vinhos em Ribeirão, dei 90 pontos para esse espumante. Na ocasião foi o mais pontuado pelo Silvestre , com 91 pontos (relembre).
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Na taça uma coloração dourado-claro. Perlage intensa, final, elegante e persistente. Aromas intensos, muita fruta em harmonia com as notas da fermentação. Na boca é marcante, equilibrado e gastronômico, sem ser pesado. Acidez em boa conta, com retro-olfato marcado por notas de fermento e casca de pão. Boa cremosidade e refrescância.
Final longo, com lembrança da fruta e do tostado. Álcool a 13%, sem aparecer em nenhum momento.
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Não é um espumante safrado, pois é produzido com vinhos-base de várias colheitas, mas a garrafa que abri sofreu dégorgement em 2010. Especula-se que o 130 receberá uma parcela de Pinot Meunier em alguns anos, aproximando-o ainda mais dos champagne. Um espumante muito interessante para os brindes de fim de ano.
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18 Dezembro 2010

Evohé Garnacha Viñas Viejas 2009


Esse vinho é produzido pela Bodegas Leceranas, localizada em Lécera, a 60 km de Saragoza, com vinhedos a uma altitude média de 530 metros, pouca chuva e muita diferença de temperaturas entre o dia e a noite.
É um varietal da segunda uva mais cultivada no mundo, a Garnacha. Apesar disso, os varietais elaborados com ela são poucos, porque está muito mais presente em cortes com a Tempranillo (Rioja), Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot e Cariñena (Priorato) e com a Mourvèdre (no Rhône e Austrália), além de aparecer também em Châteauneuf-du-Pape.
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Esse vinho tem coloração púrpura. Nos aromas é intenso, com características muito particulares: adocicados, lembrança de ameixa, framboesa, cereja, groselha e pó para gelatina (ou suco em pó), o que deixou o vinho um pouco enjoativo, mas ao mesmo tempo é uma característica bem diferente.
Na boca é leve, com taninos presentes e levemente rascantes. Todos os aromas são sentidos na boca e retro-olfato, inclusive o pó para gelatina. Tem boa acidez e o álcool a 14,5% não incomoda.

Final ligeiro. Boca seca, marcada por frutado delicado. Vinho simples, melhor como aperitivo. Valeu pela novidade nos aromas, mas não é um estilo que me cause suspiros.
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Obs.: O rótulo está amassado porque foi molhado antes da foto.

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16 Dezembro 2010

Luiz Argenta Espumante Brut

Eis aqui um grande espumante brasileiro. Elaborado pela Luiz Argenta, de Flores da Cunha-RS, pelo método Charmat (longo), leva em sua composição as variedades Chardonnay e Riesling Itálico. Apesar da minha preferência pelo método champenoise (tradicional), tenho que admitir a qualidade desse produto, pelo qual paga-se em torno dos $45.

Na taça uma coloração amarelo palha, com notas esverdeadas. Ao ser servido perlage muito intensa e persistente, bolhas finas e espuma que persiste no alto da taça. Aromas intensos no início do serviço, com notas de fermentação, casca de pão. Depois de um tempo apareceram frutos cítricos em boa intensidade.
Na boca é cremoso, com bom volume e acidez correta. Consegue ser refrescante e ter estrutura para gastronomia. Final longo, palato com lembrança tostada. Muito elegante e com boa complexidade. Vale conhecer. Álcool a 13%.

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15 Dezembro 2010

Novo sorteio (ou a fila anda)

Caros leitores,

no último domingo fiz o sorteio de dois vinhos espanhóis aqui no blog, oferecidos gentilmente pela Porto Mediterrâneo. Logo após o sorteio, fiz contato via Twitter com o ganhador para que fornecesse o endereço para entrega dos vinhos (veja figura abaixo).
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Como até o momento não tive resposta e 72 horas é muito tempo para o Twitter, resolvi fazer novo sorteio entre os seguidores do @vinhoparatodos. A fila anda, como dizem por aí.

Segue novo ganhador: Carlos Moura, de S. José dos Campos. Aguardo contato nas próximas 48 horas.
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14 Dezembro 2010

Baron Philippe de Rothschild Pinot Noir Vin de Pays D'Oc 2008

O produtor desse vinho, Baron Philippe de Rothschild, dispensa maiores apresentações.
Para sua linha de vinhos Pays D'Oc, utiliza uvas do sul da França, mais precisamente da região do Languedoc Roussilon. Além desse Pinot Noir produz os seguintes varietais: Cabernet Sauvignon (inclusive um rosé), Syrah, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Viognier.

Essa categoria de vinhos foi criada em 1973 como estímulo para os vários vinhos de mesa (Vin de Table, a categoria mais simples de vinhos franceses), permitindo que essa classificação possa receber outra mais importante com ligação a algum contexto geográfico. Por isso os franceses consideram os Vin de Pays "um vinho de mesa de qualidade superior".

Vamos ao vinho: na taça apresentou coloração vermelho grená. Aromas em boa intensidade. Frutos silvestres e lembrança de especiarias.
Na boca tem boa presença, embora de pouco corpo. Notas adocicadas, taninos macios e frutado tomando conta. Sem amargor ou agressividade. Acidez correta.
Final mediano, com destaque frutado e álcool aparecendo de leve (13,5% de teor), especialmente na temperatura mais próxima aos 16ºC, quando também apareceram notas compotadas e algum tostado. Boca seca.
Vinho simples, correto, que curiosamente foi ficando menos interessante, perdendo aromas, ao longo da degustação.

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12 Dezembro 2010

Resultado do sorteio



Acabo de sortear os vinhos espanhóis oferecidos pela importadora Porto Mediterrâneo. A promoção foi válida para todos os 533 seguidores do @vinhoparatodos no Twitter.
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Confira o resultado:
http://sorteiospt.com/share/b324e16373cc63914d06ef5a6153f651

Aguardo contato do ganhador para envio dos vinhos.

Saúde a todos!

10 Dezembro 2010

Cesari Amarone della Valpolicella Classico DOC 2006

Mais um excelente vinho da Cesari servido na degustação da Max Brands no mês de novembro, o penúltimo da noite. Certamente não é dos mais imponentes Amarone, mas um vinho de excelente qualidade. A própria importadora tem um superior a esse, que venceu a degustação às cegas no Encontro de Vinhos em RP, mas a um preço maior. Por esse Classico paga-se algo em torno dos R$ 185 e sua qualidade justifica o preço.
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Para a elaboração desse Amarone, a colheita das uvas é feita uma ou duas semanas antes da realizada para os vinhos Valpolicella. São colocadas para secar até o final de janeiro, com objetivo de obter vinhos altamente concentrados e potentes. Com esse processo as uvas perdem 30-40% de seu peso e concentração de açúcar, gerando um alto teor alcoólico. A maceração é realizada em contato com a pele por 20-30 dias com a fermentação entre janeiro e fevereiro. Depois disso o vinho é colocado em cubas de aço inox para completar a fermentação malolática. O processo de maturação dura 3 anos, com envelhecimento em grandes barris de carvalho da Eslováquia e da França, terminando o processo com mais 8 meses em garrafa.
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É um corte com 75% de Corvina Veronese, 20% de Rondinella e 5% Molinara (que confere acidez ao vinho). Tem coloração rubi, com muitas lágrimas na taça. Aromas de boa intensidade, com muita fruta vermelha, algo lembrando cereja, mas também ameixa, couro e algum vegetal. Boa complexidade.
Na boca evolui, é mais intenso, com bom corpo, harmonia e elegância. Tem final de grande persistência. Foi bem com as carnes mas também é muito bom bebido sozinho. Apesar dos 15% de álcool não é pesado ou alcoólico. Pode ser guardado por alguns anos sem nenhum problema. Sem dúvida um vinho de personalidade.

Cuidado! Se você gosta apenas de vinhos muito frutados e muito amadeirados, essa não será uma boa escolha.

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08 Dezembro 2010

Cesari Ripasso Bosan Valpolicella Superiore DOC 2006

Com esse vinho da Cesari começaram meus problemas. É que não bebo vinhos italianos com grande frequência, ainda mais nessa faixa de preços. Então analisá-los é um pouco mais complicado.

A técnica "ripasso" é utilizada em Valpolicella para fortalecimento de seus vinhos. Trata-se de uma refermentação de vinhos da mesma safra (ou anteriores) no bagaço das uvas utilizadas para a produção do Amarone. Esse processo dura cerca de 15 dias, dando ao vinho mais cor, estrutura, aromas, taninos e mais álcool (1 a 1,5%). Após a fermentação malolática o vinho é submetido a 12 meses de barricas de carvalho francês. Feito o corte (80% de Corvina Vernoese e 20% de Rondinella), passa por mais 6 meses em barricas e outros 8 meses maturando em garrafa. Segundo a literatura é um vinho que merece o título de vino de meditazione, vinho nobre ou algo semelhante.
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Vinho de coloração púrpura, lacrimoso. Aromas em boa intensidade, álcool um pouco presente no nariz, mas foi dissipado com algum tempo em taça. Muita fruta madura, frutos negros, algo lembrando ameixas, especiarias, madeira presente com toques abaunilhados e tabaco. Vinho de bom corpo, sério, taninos finos e muito equilíbrio. Acidez que lhe confere vocação gastronômica. Foi bem com as carnes da noite e mesmo com queijos mais potentes. Final longo, com frutos negros em boa mescla com as notas amadeiradas. Álcool sem aparecer. e vida longa pela frente.
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Particularmente não posso beber esse vinho com frequência em razão do preço (faixa dos R$ 130-135). Mas de vez em quando vale uma extravagância.

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06 Dezembro 2010

Mythos 2007

O sexto vinho provado na degustação da Max Brands veio do Ribatejo, produzido pela Quinta do Casal da Coelheira, cuja propriedade se estende por 250 hectares às margens do rio Tejo, junto à Vila de Tramagal. É o vinho TOP da vinícola, produzido apenas em anos de exceção com uvas de videiras antigas, chegando a 35 anos de idade em alguns casos.

Dados técnicos do vinho: corte de iguais parcelas de Aragonês, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet e Touriga Nacional. Tem passagem de 12 meses por barricas de carvalho francês. Álcool a 13,9%.

Esse vinho precisa ser compreendido, especialmente porque tem muita estrutura tânica e pode desagradar no primeiro momento (como fez a muitos dos presentes na degustação). Com aeração de uma hora ficou mais dócil, mas mesmo assim com grande estrutura, revelando um bom potencial de guarda, talvez mais 4-5 anos sem nenhuma dificuldade. Muita vocação gastronômica, estiloso, potente e marcante.

Vinho lacrimoso, manchando a taça. Bons aromas remetendo a frutos vermelhos e negros, com forte presença de madeira no início. Evolui em taça. Em boca é encorpado, com taninos muito vivos, rascantes. Madeira ficou menos aparente com o tempo. Final de grande persistência.
Como disse, vinho que depois de um tempo em taça ficou mais macio e ganhou complexidade, aparecendo notas de chocolate/café. Não é vinho para bebericar e vai muito bem com pratos potentes, especialmente carnes vermelhas assadas.

Será vendido na faixa dos R$ 185-190.
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04 Dezembro 2010

Promoção Vinho para Todos e Porto Mediterrâneo


Essa é a segunda promoção que realizo no blog para sortear vinhos. Dessa vez conto com o apoio da importadora Porto Mediterrâneo, de Santa Catarina, que gentilmente cedeu dois vinhos espanhóis recém chegados ao mercado brasileiro.

O primeiro é um Murua Reserva 2003, da região de Rioja, um corte de Tempranillo (90%), Graciano (8%) e Mazuelo (2%), com passagem de 18 meses por barricas de carvalho francês e americano de, no máximo, terceiro uso.

O outro vinho é branco, um Fillaboa Albariño 2009, produzido na D.O. Rias Baixas.

O sorteio será no dia 12 de dezembro (domingo) e concorrerão apenas os seguidores do @vinhoparatodos no Twitter residentes em qualquer parte do país e maiores de 18 anos. Farei o sorteio através do portal SorteiosPt que compartilha o resultado imediatamente.

Se você ainda não é seguidor do blog, ainda dá tempo.

Saúde a todos!

01 Dezembro 2010

Casa Marin Pinot Noir 2009 #cbe

Interrompo a série de postagens sobre os vinhos da Max Brands que provei numa degustação aqui em Uberlândia. O motivo é ótimo: comentar o 49º vinho para a Confraria Brasileira de Enoblogs. Dessa vez a escolha do vinho do mês coube ao Deco Rossi, do blog EnoDéco, que indicou um "Pinot Noir com preço até R$ 100". Excelente tema e pelos e-mails trocados entre os confrades teremos um amplo painel de Pinots, de várias origens.
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Escolhi um vinho da Viña Casa Marin, vinícola localizada no Vale de San Antonio, uma sub-região do Vale do Aconcágua, dividido em quatro setores: Leyda, Rosario, Lalvilla e Lo Abarca (onde está localizada a bodega, a somente 4 km do Oceano Pacífico). Foi fundada por Maria Luz Marín, enóloga, engenheira agrônoma e empresária, atualmente a única mulher fundadora e proprietária de uma vinícola no Chile.
Segundo o site da empresa, a Casa Marin tem sido considerada uma das "mais radicais" vinícolas do país, em razão das características da região, como a neblina matinal (no inverno e primavera), os fortes ventos em razão da proximidade do oceano e as temperaturas baixas durante a época de crescimento e maturação das uvas.
Os vinhedos em Lo Abarca foram plantados em 2000. Foram 25 hectares das variedades Pinot Noir, Sauvignon Blanc, Sauvignon Gris, Gewürztraminer e Riesling, para elaboração de vinhos ultra premium.

Vinho rubi, translúcido. Aromas um pouco tímidos no início, que melhoraram com o tempo. Frutos delicados, groselha, discretíssimas notas de especiarias.
Na boca melhora muito. É adocidado no primeiro contato com a língua e de uma acidez impactante. Taninos delicados, mas presentes. Boca cheia e muita personalidade. Acidez continua presente até o final, embora em menor intensidade.
Final persistente, mantendo frutos silvestres. Sem passagem por madeira, é um vinho muito franco, direto e num ótimo momento para consumo. Talvez ganhe algo com a guarda, mas o propósito não é esse. É pra ser bebido jovem.
Álcool a 14% de teor. Perceptível, mas sem incomodar. Deve-se tomar cuidado ao apenas bebericar. Sua doçura pode enganar.
Pela garrafa paguei R$ 68 e fiquei muito satisfeito com o resultado. Precisava de um Pinot Noir sul-americano sem passagem por madeira e com álcool bem acertado, o que não é muito fácil nessa faixa de preços.

Não deixe de ler no blog do Enoblogs sobre os vinhos comentados pelos outros confrades da CBE.
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