31 Janeiro 2011

Viagem ao Chile - um pouco de frustração


Depois das ótimas visitas do dia 12/01 (Matetic e Casa Marin) saímos na manhã seguinte de Melipilla, onde estávamos hospedados, e partimos em busca da
Viña Garcés Silva, que produz os ótimos rótulos Amayna. Na minha região o Pinot Noir é o grande sucesso, mas aqui em casa gostamos muito dos Sauvignon Blanc deles, tanto o rótulo mais barato quanto o Barrel Fermented, cuja fermentação ocorre inteiramente em barricas francesas (cerca de 15 dias) além da crianza pelo período de 12 meses.

Durante os preparativos da viagem eu enviei três e-mails para eles marcando a visita, mas não tive resposta. Mesmo assim nos arriscamos, mas chegamos somente ao portão, sendo informados pela funcionária que somente o "escritório de Santiago" é que poderia autorizar a visita.

Pelo menos tirei uma foto no portão de entrada, para guardar na lembrança. Aliás, vou me recordar como foi difícil encontrar a vinícola. Quem vê o mapa no site deles (confira) acredita que seja fácil, mas não é. Pra variar as pessoas não sabem onde ficam as bodegas. Acredito que um fato importante colabore pra isso: na região (Vale de Leyda, subregião do Vale de San Antonio) há muitos vinhedos mas a maioria não tem planta de vinificação pora ali. Então, não há instalações que possam chamar a atenção dos moradores da região.



Em nosso caminho encontramos vinhedos da Undurraga, Anakena, Concha y Toro e a sede da Viña Leyda, uma das vinícolas que também nos interessava. Mas eles haviam respondido a um e-mail anterior dizendo que suas instalações ainda não permitem receberem turistas. Resposta desagradável, mas sincera. Ficou a foto para recordação.

Voltando à saga para encontrar a Garcés Silva: saíndo de Melipilla tomamos a Rota 78 (Autopista del Sol) em direção a San Antonio. Na pequena Puangue, saímos da Autopista e fomos para uma rodovia secundária, à esquerda. De lá por diante fomos às cegas... uns 10 km depois avistamos os primeiros vinhedos e continuamos, até chegarmos a uma estrada de terra com uma placa para a vinícola. Incrível que a 2 km de lá paramos numa empresa e perguntamos ao guarda, que mesmo tão próximo não fazia ideia do que eu estava procurando.

Veja todas as fotos em: www.facebook.com/vinhoparatodos

29 Janeiro 2011

Viagem ao Chile - Casa Marin


Tínhamos grande expectativa em relação à Casa Marin, vinícola fundada por Maria Luz Marin que começou o plantio das uvas em 1999. Ao que parece é a única mulher que reúne as funções de enóloga e proprietária de uma vinícola no Chile. Seus vinhedos estão a 4 km em linha reta do Oceano Pacífico, sofrendo influência direta dessa clima que favorece a baixa produtividade e maturação mais lenta dos grãos em relação a outras regiões vinícolas chilenas.



Difícil foi encontrá-la, o que só foi possível porque me lembrei do nome Lo Abarca, que está em um de seus vinhos e é o povoado onde está localizada. Não há uma placa sequer, a não ser (obviamente) quando se está na porta da vinícola. Bom, mas aí já não precisava da placa!
Chegando lá fomos recebidos pelo Sr. Osvaldo, que é irmão de Maria Luz Marin, que nos conduziu pelas instalações da bodega e comandou uma degustação na varanda da construção principal. Estavam esperando um grupo de visitantes, então não puderam nos receber na sala de degustação, o que deixou tudo menos formal e mais interessante.
Na foto abaixo um mosaico no saguão do prédio principal, uma obra de uma integrante da família Marin (acho que uma irmã de Maria Luz).

Degustamos três ótimos vinhos: Gewürztraminer Casona Vineyard 2009, Sauvignon Blanc Cipreses Vineyard 2009 e Pinot Noir Lo Abarca Hills Vineyard 2007.

Percorremos parte da propriedade e tivemos oportunidade de ver como o solo é pobre, seco e com muita pedra, o que obriga a vinícola a buscar água a 15 metros de profundidade para irrigar as plantas por gotejamento. No inverno as baixas temperaturas castigam as plantas e é acionado um mecanismo que jorra água por cima da folhagem para evitar o congelamento das plantas (veja na foto). Segundo nosso guia, a produtividade nos vinhedos da Casa Marin chega a ser de apenas 1/3 em relação às vinícolas do Vale do Maipo, por exemplo.

Enfim, é uma charmosa bodega, com vinhos excelentes e que realmente pode ser chamada de "vinícola de boutique", pois sua produção é de cerca de 150.000 litros/ano de vinhos, que são exportados principalmente para o Brasil, que passou a ser o maior importador após a crise econômica mundial de 2008-2009, superando os Estados Unidos.

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28 Janeiro 2011

Don Ziero Vintage Clássico 2002

Esse é um surpreendente produto brasileiro, elaborado pela Vinícola Cordelier, no Vale dos Vinhedos. Comprei uma garrafa (R$ 45) no varejo da vinícola localizado no andar de baixo do excelente restaurante Don Ziero. Arrisco a dizer que por esse preço não há vinhos do Porto melhores no mercado brasileiro. Pelo menos os que conheço não tem a mesma personalidade.
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Na taça um vinho com boa evolução, de coloração vermelho grená e bordas alaranjadas, formando lágrimas finas na taça. Os aromas vieram em grande intensidade, um frutado maduro, lembrando frutos secos, mel, tabaco e álcool de leve (18% de teor).
Tem bom corpo, com taninos marcando presença, assim como uma boa acidez. Adocicado em boa medida, sem exageros, sem ser enjoativo. Final longo, frutado, com boa complexidade, toques amadeirados, tabaco, chocolate e mel. Álcool aparecendo sem destoar. Palato com fruta e madeira, chamando para o próximo gole. Combinação perfeita para sobremesas e queijo Gorgonzola.
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Enviei mensagem para a vinícola tentando descobrir mais detalhes técnicos sobre o vinho, como variedades e método de elaboração, mas não me responderam. Mas essa falta de atenção não me impedirá de visitá-los na próxima vez que for ao Vale e comer no ótimo restaurante Don Ziero.
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26 Janeiro 2011

Viagem ao Chile - Viña Matetic


Chegamos a Santiago no dia 11 de janeiro e no dia seguinte partimos rumo ao Vale de San Antonio para visitar a primeira vinícola de nossa lista, a Viña Matetic, fundada em 1999. A opção por nos hospedarmos em Melipilla foi boa porque é uma cidade maior que Casablanca e San Antonio e não tão cara como Valparaíso ou Viña del Mar. Mas encontrar a Matetic partindo de Melipilla foi difícil, principalmente porque as pessoas não conhecem bem a rota dos vinhos.
Depois de umas 2 horas dirigindo sem muito sucesso resolvemos ir a Casablanca para tentar outra vinícola. Para nossa felicidade foi uma decisão acertada porque logo após tomarmos a estrada para lá vimos a primeira placa em terras chilenas que mencionavam algo a respeito de vinícolas. Era uma placa da Ruta del Vino do Valle de Casablanca, embora a Matetic fique no Vale de San Antonio.

Ao chegarmos na entrada da propriedade nos deparamos com uma placa indicando que ali estavam o hotel (La Casona) e o restaurante, mas a vinícola ficava a uns 10 km adiante. Perto de lá começaram a aparecer os primeiros vinhedos e começamos a entender algumas particularidades do clima daquela região: em pleno verão, sol forte, nenhuma nuvem no céu e uma brisa sempre fresca soprando.

Chegando na vinícola nos deparamos com uma linda e moderna construção cravada no topo de uma colina, mas de padrões medianos em termos de produção: segundo informação da guia a vinícola produz cerca de 300.000 litros de vinho/ano.



Contratamos um tour + degustação + almoço, que fizemos juntamente com um casal inglês. A atendente que nos conduziu falava em inglês e espanhol, alías a presença de guias bilingues é uma regra em quase todas as vinícolas que visitamos. Após as explicações passamos à degustação.

Os vinhos brancos provados (Sauvignon Blanc e Chardonnay, da linha EQ) são frescos, muito aromáticos e com boa carga de mineralidade. Destaque também para o Syrah, que inclusive é o top da vinícola, além de dois cortes da linha Corralillo: o Rosario's Blend e o Winemaker's Blend.
Após a degustação voltamos ao restaurante para completar o pacote contratado. O lugar é lindo e tem ótima comida, com os pratos sempre harmonizados com um branco e um tinto, além dos que você quiser comprar, claro. O hotel também é um caso a parte, pena que não seja tão barato.

Importante: o serviço no Chile nunca está incluso na conta, portanto, prepare-se para ouvir sempre a frase: la propina no esta incluida.
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25 Janeiro 2011

La Mision del Clarillo Chardonnay 2009

Fui a um supermercado comprar um vinho para minha esposa cozinhar. Comprei esse chardonnay chileno produzido pela William Févre no Vale do Maipo, D.O. Pirque, porque foi o mais barato que encontrei (R$ 17). Por algum motivo não cozinhamos e resolvemos abri-lo para experimentar. O resultado foi satisfatório em razão do preço. Nada de exuberância ou complexidade. Não mudou nossas vidas, mas não valeria a compra se custasse R$30, por exemplo. Portanto, a avaliação abaixo leva em consideração o preço, como sempre faço.
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Na taça um brilhante amarelo palha. Bons aromas, com destaque mineral, frutos cítricos e um leve adocicado, com leve lembrança de amêndoas. Na boca é macio, com notas doces e acidez mediana. Final curto, com leve amargor. Álcool deixou recado em todas as etapas da degustação. Pareceu ter passado algum tempo por madeira, mas não encontrei a informação no site da vinícola.
Vinho agradável, que merece cuidado se for apenas bebericar (14,5% de teor alcoólico).
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22 Janeiro 2011

Larentis Pinotage 2008

Numa noite de agosto passado estávamos hospedados no hotel Villa Michelon, no Vale dos Vinhedos e resolvemos pedir no jantar apenas vinhos até então desconhecidos para os que estavam na mesa. O primeiro deles foi esse Pinotage produzido pela Villaggio Larentis, uma vinícola que eu ainda não tinha visitado. Mas o que esperar de um vinho brasileiro dessa uva e que custa em torno de R$20? Sinceramente não esperava muito, mas fui positivamente surpreendido, tanto que no outro dia fui à vinícola e comprei várias garrafas de seus tintos.
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Vinho de coloração rubi, translúcido e lacrimoso. Bons aromas de frutos vermelhos, notas herbáceas e tipicidade brasileira. Tem pouco corpo, boa acidez e taninos delicados. Notas adocicadas, competindo com um amargor um tanto incômodo no início. Depois de uma aeração por 30 minutos o vinho mudou bastante, com o amargor quase desaparecendo.
Final mediano, com fruta terminando e deixando ainda uma leve lembrança do amargor. No geral um vinho com muitas qualidades, franco, agradável, com muita fruta e bom equilíbrio, principalmente porque álcool, taninos e acidez dialogaram bem.
Ponto negativo para o amargor, mas uma curta decantada trará grandes benefícios ao vinho.
Ponto positivo para o preço mais que justo. A esse preço todos os outros Pinotage que conheço são um um suco de carvalho americano!
Álcool a 12%, sem aparecer.
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Em tempo, vale uma visita à vinícola, que realmente confirma o rótulo de "familiar", porque todos que trabalham lá, desde o manejo dos vinhedos, colheita, produção, marketing e parte comercial são da família. Subindo pela Linha Leopoldina é a primeira vinícola à esquerda, depois de passar pela Casa de Madeira. Está a uns 400 m antes da Casa Valduga.
Não deixe de experimentar um Cabernet Sauvignon que eles vendem em embalagem Bag in Box, você vai se surpreender.

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21 Janeiro 2011

Viagem ao Chile - uma introdução


Nessas férias queria ir para o Uruguai. Cheguei a trocar e-mails com o confrade Jeriel da Costa, que recentemente visitou muitas bodegas por lá.
Falei com minha esposa sobre a possibilidade e ela gostou. Gostou como eu gosto de assistir Friends: é divertido, informal, não me faz crescer, mas também não me desgasta emocionalmente.
Percebendo um certo desânimo, disse: “ou podemos ir ao Chile”. Bom, aí os olhos dela brilharam, tanto quanto os meus brilham quando vejo uma garrafa de Pinot Noir. Assim, democraticamente, estava decidido. Vamos ao Chile.

De início uma decisão: nada de pacotes que te levam somente às grandes vinícolas e engessam o turista. Optamos por alugar um carro para ter mais liberdade e decidimos nos hospedar em três cidades: Melipilla (para visitar os vales de Casablanca e San Antonio), Rancagua (para os vales do Rapel e suas subdivisões Cachapoal e Colchagua), além de Santiago, para conhecer a capital e as vinícolas em seu entorno, no Vale do Maipo.

Chegamos no dia 11 e voltamos no dia 18 de janeiro. Portanto, seis dias de total liberdade para explorar esse grande país produtor.

Depois de 1.312 km rodados, conseguimos “encontrar” 21 vinícolas. Digo encontrar porque em algumas exploramos o que era possível (tour, degustações, almoços etc), mas noutras apenas visita aos vinhedos ou portão fehcado. Mas tudo foi registrado em mais de 600 fotos.

Algumas constatações (saindo da obviedade de que os vinhos tem uma qualidade média muito boa):

- os chilenos conhecem pouco suas vinícolas – percebemos isso quando pedíamos informação nas estradas e cidades. Incrivelmente apenas a Concha y Toro nos foi indicada quando já estávamos próximos a ela. As demais, nada! Essa informação foi confirmada por vários atendentes nas bodegas, que nos diziam: “vocês do Brasil conhecem mais nossos vinhos e nossas vinícolas do que os próprios chilenos”. E mais: “os chilenos não nos visitam”. Fiquei surpreso, mas é uma realidade. Apesar de tudo isso são gentis em tentar ajudar o turista. Numa borracharia em San Antonio (já no litoral do Pacífico), de repente me vi rodeado por cinco chilenos tentando decifrar o mapa que eu tinha em mãos. Quando cheguei lá só havia duas pessoas e as outras foram se agregando ao grupo na medida em que a discórdia se instalava. Não ajudaram muito, mas valeu a tentativa.

- a Carmenère é uva símbolo do país apenas nas campanhas de marketing – em quase todas as vinícolas visitadas a uva que para nós brasileiros simboliza o Chile é utilizada apenas em cortes ou varietais menos expressivos. Em nenhuma delas é o vinho top. Dentre as tintas esse rótulo cabe à Cabernet Sauvignon (Maipo) e à Syrah (Casablanca, San Antonio, Cachapoal e Colchagua). As brancas são um sucesso nos vales mais próximos ao Pacífico (Casablanca e San Antonio).

- os livros não substituem uma visita in locoa partir dessa viagem nossa percepção sobre o potencial de cada região, as uvas mais propícias, os manejos diferenciados a depender do clima, a vivência da história de vinícolas gigantes e outras bem modestas, as dificuldades em relação à obtenção de água etc, tudo isso mudou bastante. Visualizar o que estava somente nos livros é outra coisa.

- Quanto ao país e seu povo:

- os chilenos são solidários, simpáticos, gostam do Brasil e fazem piada com a Argentina (coisa de chileno).
- adoram sua bandeira, que está em tudo, até nas homenagens aos mortos nas estradas (nunca vi tantas).
- as rodovias estão em ótimo estado na maioria dos casos. Mesmo nas rodovias mais interioranas o estado é bom. Não caí em nenhum buraco. Os pedágios são muitos, mas são baratos. O mais caro que paguei foi de 1.200 pesos, algo como R$ 4,70, mas a maioria ficava em torno dos R$ 2.
- ao se comparar o Real e o Peso Chileno em relação ao Dólar, percebe-se que os preços de serviços, hotéis e restaurantes se equiparam aos nossos. A gasolina é mais cara.
- os vinhos chilenos dominam lojas e supermercados. Lugar de vinho importado é num cantinho escondido.
- paga-se em alguns casos 1/3 por uma garrafa de vinho lá em relação ao preço do mercado brasileiro.
- Santiago é uma cidade bonita, limpa, segura e interessante – é só conferir!!!

Vou publicar periodicamente – intercalando com os vinhos que já estão programados – uma pequena resenha sobre cada vinícola visitada. Depois essas informações irão para uma página que pode ser acessada na barra superior do blog. Assim como há uma para as Vinícolas BRA, haverá uma para as Vinícolas CHI.

Agradeço ao confrade Cristiano Orlandi, que me deu preciosas dicas, especialmente em relação a uma vinícola que nos encantou.

Boa leitura!

P.S.: a TAM poderia servir um vinho melhor na viagem Guarulhos-Santiago. Com todo respeito, o Miolo Seleção não é um representante à altura do vinho brasileiro, se essa foi a intenção.

19 Janeiro 2011

Nieto Senetiner Espumante Extra Brut

Comprei esse espumante por R$ 28. É elaborado pela tradicional Bodegas Nieto Senetiner pelo método Charmat longo, com uvas Pinot Noir.
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Na taça apresentou coloração salmão bem claro. Perlage com bolhas medianas e constantes. Espuma formou-se e desapareceu depois de 1-2 minutos. Seus aromas são discretos, com lembrança mais próxima aos frutos cítricos. Na boca a primeira lembrança é de tostado. É refrescante e tem boa acidez, com certa cremosidade. Fruta presente.
Final curto, com lembrança bem forte de tostado e madeira. Talvez o vinho base tenha passado por algum tempo em barricas de carvalho.
É um espumante sem defeitos, mas não arranca suspiros. Ficou meio pesado no final (talvez) por conta dessa passagem por barricas. Minha esposa e eu não terminamos a garrafa. Não compraria outro, pois há espumantes brasileiros superiores pelo mesmo preço ou ainda mais baratos.

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16 Janeiro 2011

Simonsig Sunbird Sauvignon Blanc 2008

Esse vinho é produzido pela Simonsig, na região de Stellenbosch. A vinícola possui 210 hectares de vinhas a uma altitude média de 260 metros. Pertence à família Malan, mais especificamente três irmãos que desempenham funções na vinícola: François é Diretor Administrativo e viticultor, Pieter, o mais velho, é Diretor de Desenvolvimento de Negócios, enquanto Johan, o mais jovem, é responsável pela produção há 28 colheitas. Seus vinhos são vendidos em mais de 40 países, mas 50% da produção ainda abastece o mercado interno sulafricano.
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Pela garrafa paguei R$ 58.
Coloração amarelo claro e intensos reflexos esverdeados. Aromático, com boa tipicidade, frutado bem franco, fresco e cítrico. Destaque para nozes e amendoim.
Amplo em boca, com notas adocicadas e média acidez, repetindo frutado e amendoim. Final ligeiro, palato marcado pela citricidade. Álcool equilibrado (13% de teor).
Vinho simples, correto, agradável, sem grande complexidade, ideal para bebericar ou acompanhar pratos leves e petiscos.

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13 Janeiro 2011

Estrada Creek Old Vines Zinfandel 2006


Esse vinho é produzido pela Anders-Lane Artisan Wines, no Vale do Napa, Califórnia. Embora o rótulo leve a crer que seja um varietal da tradicional Zinfandel, tem 8% de Carignane, com passagem por madeira, mas não tenho informações sobre o tempo de barrica.
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Na taça é um vinho vermelho claro, com boa transparência, límpido, com formação de lágrimas finas (13,5% de teor alcoólico).
É aromático, com destaque para frutos vermelhos silvestres (framboesas), um pouco de terra úmida e notas amadeiradas. Nada excepcional.
Tem pouco corpo, mas boa presença. Acidez equilibrada e taninos finos, com notas adocicadas aparecendo. Bastante fruta no retro-olfato e discreta lembrança de especiarias e madeira.
Final mediano, com álcool presente e taninos dando recado. Embora o final seja simples, a fruta se fez presente, com alguns traços lembrando mel.
Vinho simples e correto, sendo um coringa na harmonização.
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10 Janeiro 2011

Carmen Pinot Noir 2008

Esse Pinot Noir é produzido com uvas do Vale do Aconcágua pela Viña Carmen, com passagem de 50% por barricas de carvalho.
Já comentei a safra 2005 desse vinho aqui no blog. Na ocasião me pareceu um vinho excepcional pelo preço que custa e pelas virtudes que o colocavam como uma das grandes escolhas dessa uva na faixa de preços até R$50 (relembre). Mas a safra 2008 não repetiu o sucesso, nem de longe.
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Na taça uma coloração grená, com boa transparência. Aromas em boa intensidade, frutos silvestres, framboesa e leve madeira. Na boca tem corpo médio, com taninos delicados e alta acidez, com leve desequilíbrio nesse quesito. Frutado do nariz se repete em boca. Final curto, marcado por grande acidez e amargor que incomodou um pouco. Fruta presente, mas sem empolgar. Álcool a 13,5%.
Pontos negativos para acidez muito alta e amargor que incomodou, deixando vinho um tanto desequilibrado e menos interessante que de costume.

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07 Janeiro 2011

Lagar de Darei Tinto Colheita 2006


Tenho um amigo que diz: "vou comprar um vinho para comer com sanduíche". Nada pejorativo, mas é aquele vinho descompromissado, de bom preço, mas que tem boa qualidade. Esse vinho poderia se enquadrar nessa classificação. Não é um vinho excepcional nem pretende ser, mas está num nível muito bom para sua faixa de preços (R$30-35). É bem feito e versátil, podendo acompanhar pratos mais elaborados ou simplesmente ser bebido com uma porção de pães, queijos e azeite. Ou com sanduíche, claro!
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É produzido pela Casa de Darei, que possui uma propriedade de 150 hectares cortada pelo Rio Dão, sendo administrada por uma empresa familiar, desenvolvendo diversas atividades econômicas além da vitivinicultura: exploração florestal, agropecuária, agroturismo e enoturismo. A produção de vinho ficou interrompida por um tempo, mas em 1999 a atual administração retomou a atividade.
A vinícola pratica agricultura biológica em suas vinhas, estando atualmente no 3º passo para essa certificação. Já possui ISO 22000, destinada a certificar empresas com controle em "segurança alimentar".
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Dados técnicos: corte das tradicionais Jaen (33%), Touriga Nacional (26%), Alfrocheiro (17%), Tinta Roriz (17%) e Vinhas Velhas (7%). Estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês e 27 meses em cubas de betão. O enólogo é Pedro Pereira.
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Vinho de coloração rubi, brilhante e boa transparência. Aromático, com frutos vermelhos (amoras e framboesas), algo balsâmico, notas vegetais e um pouco de baunilha proveniente da madeira.
Tem corpo médio, mas boa presença e volume, com taninos ainda presentes, levemente rascantes. Boa acidez. Fruta e notas vegetais em agradável equilíbrio. Amargor discretíssimo, sem parecer um defeito.
Final de média persistência, muito agradável, com fruta e alguma madeira em bom equilíbrio.
Como disse, vinho que não é excepcional, mas representa bem a região e servirá com folga como vinho para o cotidiano, a bom preço.

Esse é o 450º vinho comentado no blog.
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05 Janeiro 2011

Barton & Guestier Les Charmes de Magnol Médoc AOC 2006 # cbe


Esse é o 51º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs, que no fim/início de ano sempre tem dois vinhos para os leitores. No dia 20 de dezembro fiz um comentário sobre o tema "Espumante até $200" (relembre) e agora o tema é "Bordeaux de até $150". Ambas indicações foram feitas pelo confrade Silvestre, do excelente blog Vivenda a Vida.

Minha escolha não foi fácil. Não bebo vinhos caros e algumas experiências anteriores não foram tão boas. Então resolvi apostar num Bordeaux com mais corpo, vindo da subregião do Médoc, margem esquerda do Gironde, onde a Cabernet Sauvignon reina como protagonista nos cortes. Nesse vinho ela entra com 60% enquanto a Merlot completa o restante. A passagem por barricas (francesas, claro) é de 6 meses.

É produzido pela Barton & Guestier, fundada em 1725 pelo irlandês Thomas Barton, então com 30 anos de idade. No início a empresa era uma transportadora/comerciante de vinhos, mas em 1802 tornou-se o que hoje se conhece através da sociedade do neto do fundador, Hug Barton, com o comerciante Francês Daniel Guestier. A empresa está em 130 países, nos 5 continentes, onde vende seus vinhos produzidos em diversas regiões francesas, dentre elas Bordeaux, Borgonha, Loire, Rhône e Languedoc.
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Na taça apresentou uma translúcida coloração rubi. Nos aromas tem boa intensidade, início lácteo, muitos frutos vermelhos maduros, ameixa, especiarias, menta, eucalipto e madeira discreta. Harmônico no nariz, denotando "maciez", se é que essa é uma afirmação possível. Boa complexidade.
Na boca é um vinho sério, seco, de corpo mediano, com taninos presentes, mas sem agressividade. Acidez gastronômica. Presença de especiarias e amadeirado, mais presentes que a fruta vermelha do exame olfativo. Final mediano, boca seca, com madeira em destaque, com notas de café e tabaco. Álcool em equilíbrio (12,5%). Evoluiu depois de aberto. Gastronômico e elegante. Ainda pode ser guardado por 1 ano. Tem personalidade, ao contrário de outros que provei e deixaram muito a desejar.

Pela garrafa paguei R$ 96. O melhor Bordeaux que já comentei aqui no blog, considerando (obviamente) a faixa de preços dos vinhos que bebo. Recomendo.
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03 Janeiro 2011

Planeta Cerasuolo di Vittoria DOCG 2008

Esse foi um dos vinhos mais surpreendentes que bebi em 2010, mas só agora achei um lugar pra comentá-lo aqui no blog. Foi um vinho tão diferente do que vinha provando que resolvi abrir as postagens de 2011 com ele. É um corte, sem passagem por madeira. 60% do vinho levam a uva mais importante da Sicília, a Nero d'Avola (60%). A outra parcela é da autóctone Frappato, que contribuiu muito com aroma e sabor de cereja, característica cada vez mais valorizada nos vinhos dessa DOCG (Cerasuolo di Vittoria - no dialeto siciliano "cerasa" significa cereja). E produzido pela conhecida vinícola Planeta e me custou R$ 95.

Na taça uma coloração rubi, boa transparência. Bons aromas, frutos vermelhos mais delicados, cereja, groselha e morango. Na boca tem pouco corpo, com notas adocicadas, taninos finos e boa acidez. Retro-olfato repetindo cereja. Final mediano, com leve álcool (13%) e muita fruta.
Embora tenha pouca complexidade, seus aromas e sabores o tornam um vinho de muita personalidade. Equilibrado e com boa acidez, tem vocação gastronômica, sendo bastante versátil. Fácil como aperitivo também. Para os apreciadores de Pinot Noir do Novo Mundo, é uma boa pedida.
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01 Janeiro 2011

Chegamos a 2011 - É tempo de agradecer

Esse foi um ano de muitas alegrias aqui no blog e quero agradecer a todos os leitores (habituais ou acidentais) pelo recorde de visitas. Ultrapassamos as 84.000 visitas no ano e no dia 6/11 batemos o número do ano passado, um crescimento de quase 25%. Foi uma alegria também ver o crescente número de seguidores no Twitter, no Blogger e os amigos do Orkut.

Tenho também que mandar um abraço aos demais blogueiros do vinho, especialmente aos confrades da Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, que manteve-se firme nas suas postagens mensais e tem tudo para continuar sendo a maior confraria virtual de vinhos do Brasil. Amanhã pode não ser a maior, mas será sempre a primeira e mais antiga! Com a direção do Alexandre Frias (Enoblogs / Diário de Baco) tem tudo para crescer em números e qualidade.

Fiz pela primeira vez promoções aqui no blog e preciso agradecer aos parceiros Di Vino Brasil (loja em Uberlândia) e importadora Porto Mediterrâneo por terem disponibilizado os vinhos e feito a entrega aos sorteados.

Em 2011 temos muitos projetos para o blog e vamos contando aos poucos. De imediato uma viagem ao Chile para férias enogastronômicas. Vamos contando tudo por aqui.

Finalmente o agradecimento mais importante à minha esposa, que além de me suportar com todos os defeitos (de fábrica ou adquiridos) tem que me aguentar com esse hobby voltado para o vinho. Por exemplo, hoje é dia 1º de dezembro e não fui fazer uma caminhada com ela para escrever esse post. Ela saiu daqui "pisando alto", mas no fundo compreende que não posso deixar de atualizar o blog. À noite, ao me acompanhar no primeiro vinho do ano, certamente terá se esquecido do fato.

Em janeiro estaremos de férias, mas as postagens continuam normalmente, pois estão programadas. Dia 5 tem o vinho do mês da CBE, um Bordeaux bem interessante que encontrei a menos de $100.

Saúde a todos.

Bebam pouco, mas não bebam mal.