27 Fevereiro 2011

Dez perguntas para... Daniel Dalla Valle


No último fim de semana estive em Bento Gonçalves para participar de algumas atividades, conhecer vinícolas que ainda não havia visitado e principalmente ver como é o Vale dos Vinhedos na época da vindima, o que eu ainda não tinha feito.

No domingo tive o prazer de encontrar e entrevistar o enólogo Daniel Dalla Valle, no hotel Dall'Onder Vitória, onde ele participava das convenções anuais das empresas da Famiglia Valduga (Casa Valduga, Casa de Madeira e Domno).

Aceitou de pronto responder às perguntas, que acabaram sendo mais do que dez, contrariando o título dessa seção do blog, mas uma pergunta levou a outra e por aí fomos. Um papo agradável e sincero que vocês acompanham a seguir:

VPT - Daniel, gostaria que fizesse um resumo sobre sua trajetória profissional.

Sou bentogonçalvense, nascido no interior de Bento Gonçalves, filho de viticultores, com a vida sempre relacionada à uva e vinho. Em 1991 (por sinal considerada a melhor safra até anos atrás), então com 15 anos de idade, fui fazer a Escola de Enologia aqui na cidade mesmo. Em 1994 comecei a fazer estágio na Casa Valduga e permaneço lá desde então, há 17 anos. Em 1995 comecei o curso superior de Enologia também aqui na cidade e em 1998 fui fazer estágio de aperfeiçoamento na França. Todos os anos vou a um país ou outro fazer algum aperfeiçoamento, como Portugal, na parte de vinificação, rolhas, insumos etc. Atualmente sou enólogo e Diretor Técnico do Grupo Famiglia Valduga, vice-Presidente da Associação Brasileira de Enologia e Diretor Técnico da APROVALE – Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos.

VPT - Quais as grandes dificuldades de ser enólogo no Brasil?

Por ser um país jovem ainda, o clima dificulta bastante, mas apesar de ser difícil é desafiador e é gostoso porque tem muita coisa a ser desbravada. Não dá pra dizer que sejam só dificuldades para o enólogo no Brasil.

VPT - A atividade de enólogo de uma grande vinícola (ou de duas), como é seu caso, se estende por todo ano, não somente na época de produção. Pode falar sobre isso?

Na colheita e vinificação as atividades se intensificam em função da dinâmica de tudo isso. Quando existe o ponto de maturação você não pode deixar a uva por mais uma semana porque a vinícola não tem capacidade produtiva. Então tem que estar tudo muito bem planejado, com a vinícola organizada. Então existem semanas em que a atividade é bem intensa e como a vinícola tem um certo tamanho, então durante o ano as atividades continuam, um pouco mais pautadas, mas continuam com os cortes, assemblages. Em nosso caso, que elaboramos muitos espumantes temos sempre a tiragem a ser feita, o degorgement, a colocação de vinhos em barricas, retirada, engarrafamentos, todo o controle de qualidade do engarrafamento tem que ser acompanhado pelo enólogo. Além disso temos que viajar para outras partes do mundo para conhecer novas regiões, ir para feiras, tanto de tecnologia como para consumidores de vinho para conhecer as tendências. Então não há momentos que não tenhamos atividades.

VPT - Ontem ouvi você falando sobre isso, mas gostaria de retomar o assunto. Muitos defendem que o Brasil não precisaria de uma uva emblemática. Em termos de marketing talvez seja importante, como a tannat para o Uruguai ou a malbec para Argentina. Efetivamente, na visão do enólogo, a merlot é a melhor uva tinta brasileira?

Para o momento sim. É a que melhor vem se destacando não só na Serra Gaúcha, Vale dos Vinhedos, mas também como temos comprovado em outros microclimas. Mas isso se deve, talvez, por ela estar inserida no Brasil há mais de 20 ou 30 anos. E como eu havia falado, o Brasil ainda precisa de muito teste, muita prova, existem muitos microclimas e não há nada definido ainda. Então num primeiro entendo que a merlot é interessante porque o próprio consumidor está esperando um malbec, um carmenère, essas variedades que os países tem buscado. Inclusive em Portugal agora se diz que a touriga é a uva portuguesa, eles que tanto trabalharam com assemblages estão buscando um varietal. Então no momento com certeza a merlot é ideal.

VPT - Essa semana o Vale recebeu o crítico Oz Clarke, jornalista britânico. Numa entrevista ele fez algumas observações sobre os vinhos brasileiros. A primeira delas é que o moscatel brasileiro está melhor que os Asti italianos. A que você atribui isso: variedades diferentes, o gosto do consumidor brasileiro ou método de elaboração?

As variedades se assemelham muito às italianas, porque a maioria delas foram trazidas da região do Asti, no Piemonte. Talvez o que explique isso é a vantagem de nosso clima produzir produtos mais joviais, frescos, alegres, descontraídos, que vem de encontro à tendência mundial de exigir produtos mais ácidos, frescos, não tão maduros. Tudo isso combinou perfeitamente com nossos espumantes. A crítica é bem construtiva e reflete o que hoje acontece.

VPT - O mesmo crítico defendeu, talvez a título de sugestão, que o Brasil precisa produzir vinhos mais alegres, com mais fruta e menos madeira. Como você encara essa proposta?

É uma boa sugestão. E temos conseguido fazer esse tipo de produto mais facilmente. Com a abertura do mercado, com grande entrada de vinhos importados, há possibilidade para o consumidor provar novos vinhos e propiciar que as vinícolas brasileiras também elaborem vinhos com esse estilo. É uma colocação bem pertinente.

VPT - Não tenho dados, mas é provável que o consumidor brasileiro tenha preferência, nos vinhos brancos, pela variedade chardonnay. Talvez seja como a cabernet sauvignon, que o consumidor por vezes compra sem saber o que é. Mas em sua opinião como enólogo, a chardonnay é a variedade para produção dos melhores brancos brasileiros?

É uma variedade que tem se adaptado de maneira fantástica, desde a Serra Gaúcha até a Campanha. Ela tem uma adaptação excepcional aqui no Rio Grande do Sul. Existem outras variedades que podem fazer frente ao chardonnay, por exemplo, o sauvignon blanc, para os mais persistentes o Gewürztraminer (que não é uma variedade fácil de manejar no campo, mas o consumidor gosta muito). Em termos agronômicos e enológicos o chardonnay está indo muito bem e o consumidor tem um grande apelo em relação ao chardonnay, como existe com o cabernet sauvignon.

VPT - Aproveitando que falamos sobre o Gewürztraminer. Eu bebo esse vinho da Casa Valduga desde a safra 2004, quando ainda existia a linha Seculum. Foi o primeiro vinho aromático brasileiro que me impressionou. Mas algumas safras depois (talvez 2007/2008) ele mais tímido em termos aromáticos. A que se deve isso: safra, método de elaboração ou foi apenas uma impressão minha?

Nossos vinhedos eram daqui na Serra Gaúcha, onde o Gewürztraminer é extremamente difícil de ser elaborado, difícil mesmo. Para você conseguir um vinho com 12,5 ou 13 de álcool potencial, com uma flor bem marcante, não é fácil. Nesse período nós estávamos deixando os vinhedos da Serra para implementarmos os vinhedos em Encruzilhada do Sul. O Premium 2010 já é um vinho elaborado com uvas da Serra do Sudeste.

VPT - Na Domno você elabora espumantes apenas pelo método Charmat. São espumantes com grande frescor mas com boa complexidade apesar do método. O que faz com que esses espumantes não sejam só frescor, mas tenham alguma estrutura e complexidade?

Tudo parte da uva. Penso que ela é a grande “sacada” do enólogo, que tem que ter conhecimento enológico, mas uma boa vivência de uva, de matéria prima, que precisa ser boa para lhe dar suporte na vinícola. O que dá mais complexidade ao produto é a uva, e o método de elaboração, onde tentamos preservar aos máximo as características, utilizar menos tecnologias que possam agredir a cremosidade e a complexidade. Esse fator é importante, além do tempo de maturação nos tanques. O nosso é o método Charmat, mas não é tão ligeiro. Por exemplo, o Extra Brut fica um ano em permanência com as leveduras. Muitos provam e dizem que “está parecendo um Champenoise”. O .Nero tradicional fica seis meses em contato com as leveduras. Além das variedades que utilizamos (Chardonnay e Pinot Noir) que aportam essa característica de fineza, untuosidade, corpo, elegância. Tudo isso importa.

VPT - Particularmente gosto muito da linha Identidade e tenho bebido o Marselan 2006 que está num ótimo momento. Mas me parece que é uma linha pouco compreendida. O que o consumidor deve esperar quando leva pra casa um vinho Identidade?

Como o próprio nome diz, eles tem identidade própria, são marcantes. Acredito que por serem variedades novas (Marselan, Arinarnoa e Ancelotta), porque o consumidor brasileiro ainda quer muito Cabernet Sauvignon. Mas acredito que aos poucos ele começa a entender, sendo que os mais críticos, as pessoas mais aprofundadas no mundo do vinho tem adquirido esse produto, tem gostado e repetido a compra. Nós estamos apostando neles e na Serra do Sudeste temos outras variedades em experimento, mas essas três foram as primeiras. Quando existe o pioneirismo você precisa implantar muitas variedades e saber que nem todas poderão ser utilizadas numa linha, porque muitas não se adaptaram ao clima. Já erradicamos vários hectares naquela região porque a uva não se adaptou e não é possível levar para o mercado um produto que tenha muita diferença entre safras, uma safra é boa, a outra é média, e não podemos ter esse tipo de problema. As safras precisam ser regulares.

VPT - Você falou ontem na palestra que estão pesquisando novos terroirs aqui no Estado. Você pode falar algo a respeito ou é segredo ainda?

Já faz oito ou dez anos que estamos fazendo pequenas vinificações de várias regiões. Já está muito claro pra nós a região, mas não estamos divulgando. Inclusive nós nem compramos e há um tempo atrás as pessoas começaram a falar que a Valduga tinha adquirido terras, mas isso não se confirma, pois temos somente em Encruzilhada do Sul. Mas as provas que fizemos começam desde a parte de Maçambará e Itaqui, nessa região mais a oeste e vai até Quarai, Santana do Livramento, Bagé, Dom Pedrito e vai descendo. Temos uma vasta região de experimentos.

VPT - No ano que vem a Valduga terá um varietal Pinot Noir. Qual a característica esperada para esse vinho? Que perfil você traça para esse varietal?

Esse vinhedo foi implementado há vários anos, numa concepção para se ter um Pinot Noir de média guarda (é o que esperamos), com densidade alta, com pouca produção por planta. Vamos tentar fazer um vinho que não tenha um estilo tão borgonha, que tenha um estilo jovem, mas que seja elegante, fino, delicado, pois é o que se espera dessa variedade. Não um vinho tão encorpado, porque o Pinot Noir é um vinho leve, mas com taninos elegantes, é o que estamos esperando dele.

VPT - Ontem você falou em 1 kg ou 1,5 kg por planta...

Isso. É a nossa produção nesse vinhedo. Temos 5.500 plantas por hectare, que resultarão em 7 toneladas. O objetivo é fazer 6.000 garrafas por hectare.

VPT - Hoje é dia 20 de fevereiro. Como está a safra 2011 até hoje. O que já foi colhido e o que ainda será? Qual a expectativa para a conclusão dessa safra?

Até o momento está muito boa em relação a 2010. Até o momento foram colhidas as bases de espumante Chardonnay e Pinot Noir e uma parte de Riesling Itálico para a Domno. Desses anos que atuo como enólogo – para bases de espumante – acredito ser o melhor ano. Está se mostrando o melhor ano, mas temos que acompanhar a maturação dos vinhos brancos para as bases, que estão com um equilíbrio fantástico, perfeito. Nesse momento terminamos a colheita do Prosecco e vamos começar com a colheita dos aromáticos, Moscatos, Moscato Giallo, Malvasia. Para os tintos ainda está um pouco cedo, pois vamos começar a colher em meados de março, início de abril. Mas até o momento o clima está muito bom. Tivemos algumas chuvas esparsas em janeiro, com dias nublados, mas nada que tenha prejudicado a vindima.

VPT - Em casa você bebe os vinhos de seus colegas brasileiros?

Eu bebo de tudo. Se você chegar na minha casa vai dizer: “como é que você tem esse vinho”? Eu bebo todos os vinhos, porque é função do enólogo provar, experimentar. O enólogo tem que ser o pai da criança, do vinho que elabora, mas tem que estar atento ao mercado. Não pode consumir somente o vinho que ele elabora e tem que prestar atenção no consumidor, no vendedor, no representante e todos esses fatores são importantes. Não vou te dizer uma marca, um produto, porque eu bebo vários vinhos nacionais de todas as vinícolas. Eu bebo como prova, como estudo, pra ver o que a vinícola está fazendo. Ouço o comentário positivo do consumidor e tento buscar o vinho para ver que característica ele gostou, se tem co-relação do comentário com o produto, porque muitas vezes não tem.


25 Fevereiro 2011

Club des Sommeliers Monbazillac AOC 2008


Monbazillac é uma AOC do Sudoeste da França, criada em 1936 e localizada na região da Dordonha, cuja principal cidade é Bergerac. É uma appellation dedicada à produção de vinhos doces de sobremesa. As uvas permitidas são Semillon, Muscadelle e Sauvignon Blanc, plantadas por cerca de 2.000 hectares de vinhedos.
Para a produção desse vinho as uvas são colhidas após a ocorrência da podridão nobre (
botrytis cinerea). A diferença básica entre os vinhos dessa região e os de Sauternes (além do preço) é a presença mais forte da uva Muscadelle no corte.
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O vinho comentado hoje é fruto da boa ideia do Grupo Pão de Açúcar de trazer a seus consumidores vinhos de grandes regiões produtoras. Pela garrafa paguei R$29, mas já o encontrei a R$39. Foi produzido em engarrafado para a rede de supermercados pela Les Chais Beaucairois, sediada em Beaucaire.

Na taça o vinho apresentou coloração amarelo palha, com notas esverdeadas. Aromas em boa intensidade. Frutos brancos. Maracujá muito evidente e também abacaxi. Na boca é discreto. Acidez baixa. Faltou intensidade, mas tem boa fruta e não é exageradamente doce. Final repetindo aromas com boa persistência. Álcool a 13% sem incomodar.
Como é um vinho de sobremesa, a garrafa não foi consumida no mesmo dia e quando aberta nos dois dias seguintes, o vinho caiu drasticamente em qualidade. O late harvest dessa mesma linha é bem superior (relembre o comentário). Valeu como uma experiência que não se repetirá.

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23 Fevereiro 2011

Robert Mondavi Private Selection Pinot Noir 2009


Esse vinho é produzido por Robert Mondavi, que elabora a linha Private Selection nas Costas Central e Norte da Califórnia, com vinhedos em vários condados: San Benito, Monterey, San Luis Obispo e Santa Barbara (todos da Costa Central), além de Mendocino, Lake, Sonoma e Napa (estes da Costa Norte).

Este Pinot Noir é, na verdade, um corte. Na safra anterior a essa o percentual foi de 80% Pinot Noir, 15% de Syrah e 5% de Petit Syrah, com passagem de 6 meses em barricas francesas. Para a safra 2009 não encontrei informações, mas a PN está presente em percentuais suficientes para aparecer sozinha no rótulo. Pela garrafa paga-se no Brasil cerca de R$ 70, como os demais vinhos dessa linha comentados nos últimos dias. No site da vinícola é vendido a US$ 12, cerca de R$ 22. Serão os tributos brasileiros?

Na taça uma coloração púrpura, com boa transparência. Bons aromas. Leve álcool no início (13,5%), frutos silvestres, framboesa, cereja, aromas abaunilhados da madeira, café e terra.
Tem pouco corpo, com taninos finos e acidez marcante. Frutado bem franco, com madeira bem casada. Retrolfato repetindo intensidade e equilíbrio. Final mediano. Álcool presente de leve. Fruta muito intensa e notas defumadas/tabaco. Amargor discretíssimo. Vinho com alguma vocação gastronômica, mas também servirá como aperitivo. Não é complexo, mas tem boa harmonia, refrescância e é intenso no paladar. O melhor dentre os três provados dessa linha.
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21 Fevereiro 2011

Robert Mondavi Private Selection Zinfandel 2008


Esse vinho é produzido por Robert Mondavi, que elabora a linha Private Selection nas Costas Central e Norte da Califórnia, com vinhedos em vários condados: San Benito, Monterey, San Luis Obispo e Santa Barbara (todos da Costa Central), além de Mendocino, Lake, Sonoma e Napa (estes da Costa Norte).

Esse vinho, embora no rótulo indique ser um Zinfandel, tem 85% dessa variedade, sendo o restante dividido entre Petit Syrah, Merlot, Petit Verdot e Syrah, com passagem de 12 meses por barricas de carvalho francês e americano. As uvas vem da Costa Central, dos condados de Monterey e Santa Barbara.

Na taça uma coloração rubi, com boa transparência. Intensos aromas, flores e frutos maduros delicados típicos da variedade que predomina. Leve lembrança de especiarias. Na boca é leve, macio, com taninos doces e muita fruta. Final de boa persistência, com fruta muito presente e café, lembrando a passagem por madeira.
Vinho correto, redondo, mas sem complexidade. Agrada logo no primeiro gole e está pronto para beber, sem perspectiva de que evoluirá. Seu preço de mercado está na casa dos R$ 70 e por esse preço há outros vinhos dessa mesma uva com melhor relação qualidade x preço, como o Crane Lake Zinfandel 2006, que será comentado aqui no futuro.
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19 Fevereiro 2011

Robert Mondavi Private Selection Chardonnay 2008


Esse vinho é produzido pelo famoso Robert Mondavi, que elabora a linha Private Selection nas Costas Central e Norte da Califórnia, com vinhedos em vários condados: San Benito, Monterey, San Luis Obispo e Santa Barbara (todos da Costa Central), além de Mendocino, Lake, Sonoma e Napa (estes da Costa Norte).
Esse Chardonnay é elaborado com uvas da Costa Central, sendo que 75% delas vem do condado de Monterey. Tem passagem de 7 meses por barricas de carvalho francês.

Vinho de coloração amarelo palha, com discretas notas esverdeadas. Aromas frescos em boa intensidade. Boa acidez, macio, levíssima lembrança de madeira dada por um elegante tostado. Leve, mais que o esperado para um Chardonnay californiano. Final mediano, com frutos brancos e tostado em bom diálogo.
Vinho equilibrado e elegante, fácil de agradar. Foi bem com queijos moles, pães e azeite. Mas o preço é um problema. Pelo valor de mercado (R$ 70) encontramos vinhos mais interessantes, tanto de Chardonnay quanto de outras uvas brancas.


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16 Fevereiro 2011

Pisano RPF Petit Verdot 2007

A Bodega Pisano é, provavelmente, o produtor uruguaio de maior prestígio entre os brasileiros. A reputação é merecida e esse vinho é um belo exemplar dessa qualidade. Elaborado com a francesa Petit Verdot, tem passagem de 6 meses por barricas francesas e pertence à linha RPF - Reserva Personal de la Família. O enólogo é Gustavo Pisano.

Vinho com muita cor, um púrpura-violáceo denotando juventude, com lágrimas grossas e lentas. Tem bons aromas, com frutos vermelhos maduros em destaque, madeira bem integrada e algo de especiarias, talvez pimenta. Elegante.
Na boca tem corpo mediano, com taninos ainda rascantes que deram potência ao vinho. Boa acidez, com leve fruta no retrolfato. Vinho estruturado e gastronômico. Final de média persistência, boca seca, com fruta, madeira e um pouco de álcool em destaque (14% de teor). Evoluiu na taça, com frutado ganhando destaque.
Vinho que não é para bebericar apenas, pois pede comida, especialmente carnes assadas. Pronto para beber ou guardar por mais 2-3 anos. Indico uma aeração de 30 minutos no decanter para deixar o vinho mais dócil.

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14 Fevereiro 2011

Saint-Hilaire Blanquette de Limoux AOC Brut 2007


Mais um espumante francês fora da Champagne aqui no blog. Esse é produzido pela Sieur d'Arques na AOC Blanquette de Limoux, no Languedoc Ocidental. A região ganhou status de AOC em 1938, com as seguintes regras básicas: a segunda fermentação deve ocorrer na garrafa (método tradicional) pelo período mínimo de 9 meses; as uvas permitidas são a Mauzac (também chamada de Blanquette e que deve corresponder a 90% do vinho base), Clairette, Chenin Blanc e Chardonnay.

No caso desse espumante o vinho base foi cortado com 90% de Mauzac, e o restante em parcelas iguais de Chenin Blanc e Chardonnay. Na taça apresentou coloração amarelo palha e reflexos esverdeados. Perlage de média intensidade. Aromas frescos lembrando frutos de polpa branca e levíssima lembrança da fermentação. Na boca tem boa acidez e cremosidade. Final longo, com fruta presente e leve lembrança tostada. Espumante bem feito, leve, refrescante e alguma complexidade.
Acompanhará bem pratos leves, saladas e frutos do mar. Vale o que custa (R$45). Equilibrado, com cremosidade como ponto de maior destaque. Beba logo se tiver uma garrafa dessa safra.

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13 Fevereiro 2011

Viagem ao Chile - Casas del Bosque


Quando planejava a viagem ao Chile coloquei a
Casas del Bosque no roteiro. No mesmo dia recebi um e-mail do Cristiano Orlandi dizendo que a visita a essa vinícola é "imperdível". Realmente, foi um dos grandes programas da viagem. Tudo muito bonito e organizado, com ótimos vinhos, boa comida e serviço simpático e correto.

Nossa visita começou na manhã do dia 13 de janeiro, depois do tour frustrante às vinícolas do Vale de San Antônio/Leyda (relembre). Chegando a Casablanca nos informamos com um taxista e ele facilmente nos apontou o caminho. Paramos num armazém local para comprar água e vimos o famoso vinho Gato Negro vendido em embalagens tetra-pak, parecidas com as de leite longa vida. Mesmo naquele modesto lugar havia ótimos vinhos a preços baixos em relação ao Brasil. Pena que na volta estava fechado para o habitual cochilo da tarde.

Chegando à vinícola ficamos impressionados com a beleza do lugar e como são bem cuidados todos os ambientes. O dia estava ensolarado (pra variar), mas com um vento fresco que deu até pra esticar um pouco nas confortáveis poltronas no jardim em frente à construção principal da vinícola.

Tínhamos reservado um tour + degustação, mas preferimos trocar por uma degustação apenas e almoçar no restaurante deles. Foi uma boa troca, porque a visita às instalações não muda muito de uma vinícola para outra.

Fomos muito bem atendidos pelo Demy Olmos Soto, que também é enólogo e se preocupou em perguntar sobre expressões em português para atender melhor os turistas brasileiros, que são a maioria. A degustação foi realizada numa bela sala, que tinha várias taças sobre a mesa com frutos, flores e outros vegetais para o turista sentir os aromas típicos dos vinhos servidos na degustação.

O guia nos contou que no último grande terremoto tudo naquele espaço veio abaixo, mas a construção resistiu por ter sido construída para suportar os tremores. Porém, as prateleiras de vidro, taças, garrafas, adegas, barricas, tudo foi destruído, mas reconstruído rapidamente para que as visitas não fossem interrompidas.

Degustamos ótimos vinhos do Vale de Casablanca:
- Reserva Sauvignon Blanc
- Reserva Chardonnay
- Gran Reserva Pinot Noir
- Gran Reserva Syrah
- Gran Estate Selection Reserva Privada - corte de Syrah (61%), Merlot (26%) e Pinot Noir (13%), em produção limitada a 4.500 garrafas.
- Gran Bosque Reserva Privada - um 100% Cabernet Sauvignon, mas do Vale do Rapel.

O almoço foi uma ótima experiência. Optamos pelo menu degustação, em que foram servidos 4 vinhos em didática harmonização com todos os pratos. O único senão ficou por conta do café ao final. Na próxima vez pediremos chá. Mas também não fomos ali para beber café!

Enfim, a vinícola é linda. Em seus vinhedos há 23 grandes 'ventiladores', torres com imensas hélices que no inverno são acionadas para circular as várias camadas de ar e evitar o congelamento das folhas e grãos. As hélices girando trazem o ar mais quente de até 90 metros de altura e fazem com que o ar gelado mais próximo ao solo seja aquecido. O guia nos disse, em tom de certa reclamação: "imagine às 5:30 da manhã, em pleno inverno, ser acordado por 23 helicópteros"!

Valeu Cristiano, grande dica!

Veja todas fotos em: www.facebook.com/vinhoparatodos

10 Fevereiro 2011

P. E. Dopff & Fils Crémant D'Alsace AOC Blanc de Blancs Brut

A região da Alsácia é famosa por seus brancos, além de ser uma região curiosa porque sua localização geográfica lhe garante um perfil único. Como escrevem Hugh Johnson e Jancis Robinson, "o vinho da Alsácia reflete a ambivalente situação de uma província de fronteira. (...) A Alsácia nunca foi alemã, exceto em períodos de ocupação militar. Sua língua e seu mercado podem sê-lo, mas sua alma é inteiramente francesa. A Alsácia faz vinho germânico à moda francesa" (Atlas mundial do vinho, 2007, p. 126).

A região também possui uma AOC (Appellation d'Origine Contrôlée) para seus espumantes, a Crémant d'Alsace, que obteve esse status em agosto de 1976. As uvas permitidas para os espumantes, elaborados sempre pelo método de segunda fermentação em garrafa, são: Pinot Blanc (a principal), Pinot Gris, Pinot Noir, Riesling, Chardonnay e a pouco conhecida Auxerrois.

Esse espumante comentado é elaborado pelo método tradicional, exclusivamente com uvas Chardonnay, pela Dopff & Fils e custa cerca de R$80.

Na taça tem coloração amarelo palha, com reflexos esverdeados. Perlage constante, com bolhas finas e elegante colar. Aromas de média intensidade, com bom equilíbrio entre frutado cítrico e lembrança da fermentação. Na boca repete elegância e equilíbrio dos aromas. É cremoso, com boa acidez e retrolfato marcado por fruta e leves notas de torrefação.
Final mediano, elegante e equilibrado, com estilo que aprecio muito nos espumantes brut, aliando algum nível de açúcar, fruta e a boa complexidade dada pela fermentação em garrafa.
Ponto positivo para elegância e cremosidade. Ponto negativo para aromas um tanto tímidos e final mais ligeiro que o esperado. Apesar disso é um espumante muito bem feito e vale a compra para conhecer.


Teor alcoólico: 12%. Não é um espumante safrado, mas o lote é de 2007.
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07 Fevereiro 2011

Bogle Viognier 2008


Minha esposa gosta muito da uva Viognier e sempre tentamos provar vinhos novos com ela, mas na maioria das vezes erramos a mão. Não foi o caso desse californiano produzido pela Bogle Vineyards, que plantou seus primeiros 20 acres de vinhas em 1968, na cidade de Clarksburg, às margens do rio Sacramento. Atualmente os vinhedos somam 1.200 acres, cerca de 485 hectares.

Pela garrafa paguei R$60, mas em condição especial para os que estavam no Encontro de Vinhos em Ribeirão Preto (outubro/2010). Na ocasião provei o festejado Pinot Noir da mesma vinícola, mas para meu gosto pessoal (discutível, claro) tinha mais madeira do que deveria. Ainda quero prová-lo novamente porque naquela tarde provamos muitos vinhos e posso ter tido uma impressão falsa.

Vamos ao Viognier: na taça uma linda coloração dourado-claro, indicando provável passagem por madeira. Muito aromático, fresco, aromas a frutos brancos, flores e notas de castanhas, nozes, manteiga e baunilha. Na boca mantém o que os aromas indicavam. É untuoso e tem acidez refrescante, com destaque para frutos brancos no retrolfato.
Final de boca mediano, com lembrança leve da madeira que em nenhum momento deixou o vinho pesado ou chato. Vinho com certa potência, já que tem 14,2% de teor alcoólico, mas sem desequilíbrio.
Quando pequisei sobre a vinícola para escrever esse post descobri que a fermentação das uvas é feita diretamente em barricas novas de carvalho americano, daí a coloração diferente e os destaques abaunilhados percebidos na degustação. Boa compra. Pronto para beber e sem muita expectativa de ganho com a guarda.
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05 Fevereiro 2011

Dezzani Barbaresco DOCG 2006

Comprei esse vinho quando estive no Encontro de Vinhos em Ribeirão Preto, em outubro do ano passado. Acho que paguei R$75 por ele, com os descontos da feira, mas já o encontrei na internet numa faixa maior de preços (R$95-105). Na viagem comentei com minha esposa que estava um pouco arrependido, já que nossas experiências anteriores com vinhos italianos não foram tão satisfatórias.

Ao abri-lo em dezembro minhas expectativas negativas não se concretizaram. O vinho é muito bom, com grande equilíbrio e força gastronômica. É produzido pela Dezzani, casa fundada em 1934, na região do Piemonte. Já está na terceira geração de administradores.

Na taça uma coloração rubi, brilhante, com boa transparência. Aromático, elegante nariz, frutos vermelhos e abaunilhado da madeira. Na boca tem corpo médio, com taninos marcantes, com leve aspereza, demonstrando potencial para evoluir. Retrolfato com fruta e tostado.
Final longo, taninos marcantes, madeira e fruta bem integradas. Vinho equilibrado, gastronômico, elegante e que evoluiu na taça. Infelizmente a garrafa tinha somente 750 ml.
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03 Fevereiro 2011

Anakena Rosé Cabernet Sauvignon 2009


Comprei esse vinho no varejo da Viña Anakena no dia 15/01. É produzido apenas com a variedade Cabernet Sauvignon cultivada no Vale do Rapel, onde a vinícola tem sua sede. Aliás, uma sede muito bonita e com grande área verde, como será comentado em breve dando continuidade às postagens de minha viagem ao Chile.

No último dia 31 foi degustado juntamente com o outro rosé que comprei, elaborado pela Casa Silva, que foi meu escolhido como “vinho do mês” para a CBE (relembre). Esse CS, apesar de ter sido levemente inferior ao outro, é bem feito e merece ser conhecido.

No processo de elaboração as uvas são maceradas a 10ºC em cubas de aço inox durante 12 horas. Logo após o mosto é separado da casca antes que seja iniciado o processo de fermentação, o que ocorre a 15ºC. Após a fermentação o vinho é estabilizado e resfriado a -1ºC (uma a duas semanas) para evitar a precipitação tartárica na garrafa. Antes de ser engarrafado é filtrado e não tem passagem por madeira.

Na taça apresentou bonita coloração vermelho claro e boa transparência. Nos aromas tem boa intensidade, com frutos silvestres como morangos e cerejas, além de refrescantes notas minerais. Na boca é seco, mas sem agressividade. O álcool a 12,5% lhe deu certa delicadeza. Final mediano, marcado por frutado delicado e mineralidade, que foi confirmada no fundo de taça. Embora seja um vinho simples é agradável, fácil de beber e servirá tanto como aperitivo como para acompanhar pratos leves, pescados e queijos.
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01 Fevereiro 2011

Casa Silva Rosé Syrah-Carmenère 2010 #cbe


Esse é o 52º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs. A escolha coube aos confrades Cláudio e Rafaela, do excelente Le Vin au Blog, que indicaram um "rosé de qualquer parte do mundo com um valor máximo de R$ 100,00. Preferencialmente o vinho deve ser degustado em um final de tarde de um dia ensolarado do verão". Perfeito!

Aproveitei a viagem ao Chile para comprar por lá o vinho indicado. Na verdade comprei dois vinhos diferentes para escolher a melhor opção, que foi esse Casa Silva, elaborado com as uvas Syrah (60%), Carmenère (35%) e uma pitada de Sauvignon Gris (5%), cultivadas no Vale do Colchagua. Em relação a essa última casta, a vinícola mantém videiras plantadas em 1912 (veja fotos no Facebook). Pela garrafa paguei cerca de R$ 22 no varejo da vinícola.

Na taça uma linda e viva coloração vermelho claro, com muita transparência. Aroma em boa intensidade e bastante frutado, com morangos e cerejas em evidência, além de interessantes notas de frutos tropicais. Na boca tem acidez equilibrada e muita fruta, sendo uma boa opção gastronômica mas também funcionará bem como aperitivo. Retrolfato repetindo abundância de frutos vermelhos mais delicados. Final mediano a longo, com álcool (14,5%) dando certa potência. Um vinho muito bem feito, como todos os elaborados por Mário Geisse nessa premiada vinícola chilena. Agradará bastante ao público feminino que vê um charme especial nos vinhos rosados.

O outro vinho que comprei para degustar juntamente com esse será comentado no próximo dia 3. Até lá!
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