29 Abril 2011

Don Abel Pinot Noir 2009

Comprei esse vinho da Don Abel no aeroporto de Porto Alegre, apostando mais uma vez na competência desse vinícola de Casca, na Serra Gaúcha, que já teve alguns vinhos comentados aqui, especialmente um excepcional Cabernet Sauvignon (relembre). Seus vinhos tem duas características que chamam a atenção: não passam por madeira e nem sofrem chaptalização (hã?)

Na taça uma coloração grená, com boa transparência.
Aromas em boa conta, frutos delicados típicos dos PN e algo de especiarias.
Na boca é leve, com taninos delicados e boa acidez. Leve vegetal escoltado por frutos silvestres bem evidentes, algo lembrando suco de groselha. Final persistente, repetindo frutos delicados em grande medida. Vinho de boa personalidade e ótimo preço (R$ 35). Surpreendeu, mas beba logo porque não deve evoluir com a guarda.

27 Abril 2011

Alma Única Reserva Merlot 2009



Conheci a vinícola Alma Única na minha última viagem ao Vale dos Vinhedos, no início de 2011. É a mais nova vinícola da região (criada em 2008), capitaneada pelos irmãos Magda e Márcio Brandelli (enólogo), pertencentes à família que fundou a conhecida Don Laurindo. A vinícola tem uma construção bonita, moderna, como proposta de elaborar vinhos igualmente modernos. Na ocasião provei todo o portfólio da empresa, inclusive um Syrah que somente será comercializado em junho desse ano. Insisti um pouco e consegui comprar uma garrafa, com o compromisso de somente abri-la em meados de 2011.

Esse Merlot passou 10 meses em barricas francesas e americanas e me custou R$ 35. Uma ótima relação custo x benefício.

Vinho de coloração púrpura. Aromas em boa conta. Notas lácteas, frutos vermelhos maduros, café e discretíssimas notas de especiarias aparecendo em alguns momentos. Aromas indicaram desde o início ser um vinho macio, mais elegante que os tintos jovens do Vale.
Na boca os taninos macios e elegantes confirmaram a suspeita. Boa fruta. Fácil de beber, com acidez discreta. Final mediano, com leve madeira (tostado e café) e frutos vermelhos. Álcool sem atrapalhar (13%).
Não me parece um vinho longevo, mas ainda estará em forma com mais 1 ano em garrafa e boas condições de guarda. Surpreendeu pela elegância e delicadeza. Bem feito e com bom preço. Acompanha carnes vermelhas apesar dos taninos macios. Nenhuma agressividade ou desequilíbrio.
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25 Abril 2011

Esporão Reserva Tinto 2008

Vinho produzido pela consagrada Herdade do Esporão, na região do Alentejo. É um corte de Aragonez, Cabernet Sauvignon e Trincadeira, com passagem de 12 meses por barricas (70% americanas e 30% francesas).

Coloração púrpura profundo, jovem, sem transparência. Lágrimas finas e lentas.
Aromático. Frutos vermelhos maduros, algumas lembranças compotadas, notas de especiarias e algo resinoso. Leve álcool. Groselha bem ao fundo.
Na boca é muitíssimo equilibrado e intenso. Corpo mediano, com frutado marcantes, boa acidez e taninos finos.
Final longo e marcante. Frutado com boa presença e madeira muito bem integrada, com notas de café. Álcool sem incomodar, mesmo com 14,5% de teor.
Vinho gastronômico, sem defeitos, harmônico e de ótima relação qualidade x preço (comprei a preço promocional, mas é vendido no mercado na faixa dos R$ 85). Valeu cada centavo.
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24 Abril 2011

The Doors - Love me two times (1968)

Love me two times é uma das minhas canções preferidas do The Doors, banda que foi considerada pelos críticos como a "resposta americana aos Beatles e aos Stones", afirmação que sempre me pareceu exagerada, mas gosto da banda. Essa canção foi composta pelo guitarrista Robby Krieger e foi lançada no álbum Strange Days, de 1967. Ele também é autor da música de maior sucesso da banda, Light my Fire.







O vídeo é de 1968, filmado numa das cidades da turnê europeia da banda, que incluiu cidades como Londres, Estocolmo, Frankfurt e Amsterdã.


23 Abril 2011

Pasanau Ceps Nous 2008




A bodega Celler Pasanau, fundada em 1995, é uma pequena vinícola que controla cerca de 20 hectares de vinhedos, sendo 12,1 próprios em 9 parcelas na região do Priorato.

Esse vinho, o penúltimo da degustação, foi pra mim o mais gastronômico, um vinho moderno com potencial para guarda de 3-4 anos, sem nenhum problema.

Trata-se de um corte de 70% Garnacha, 20% Mazuelo, 4% Syrah, 4% Cabernet Sauvignon e 2% Merlot, com passagem de 4 a 6 meses em barricas francesas e americanas de segundo e terceiro uso. Produção limitada de 20.000 garrafas.

Na taça uma bonita coloração rubi. No nariz os aromas são de ótima intensidade, com lembrança a frutos mais delicados como cereja, algo de pimenta, boa lembrança da passagem por madeira, com notas de café e tabaco. Em boca tem boa estrutura, com acidez mediana e taninos finos, que ainda vão ficar ainda mais dóceis com algum tempo de guarda. Potência dada pelo álcool a 14,5% de teor.

Vinho amplo, equilibrado e, repito, vocação gastronômica. Acredito que tenha sido o vinho que mais agradou aos convidados dado seu estilo moderno e marcante. Expectativa de que melhore nos próximos 3 anos de guarda.

Boa compra, mesmo a R$ 98.

22 Abril 2011

Murua Reserva 2003


Esse eu elegi como o vinho mais complexo da noite.

Produzido na Rioja pela Bodegas Murua, é um corte de 90% Tempranillo, 8% Graciano e 2% Mazuelo, com 18 meses de estágio por barricas francesas e americanas de, no máximo, terceiro uso. O enólogo é Jesús Bauza.

Na taça uma linda coloração rubi, límpido e brilhante. Seus aromas em boa intensidade lembram frutos vermelhos bem maduros, notas amadeiradas (café e tabaco), um evidente toque balsâmico, terra e musgo. Aromas terciários que deram muita elegância e complexidade ao vinho. Na boca os taninos mostram grande elegância, com acidez equilibrada e repetição de todas as sensações olfativas.

Final longo, elegante, em ótimo momento de consumo. O preço de mercado é R$ 98, mas considero uma boa compra por ser um vinho com grande personalidade e elegância, apesar dos 8 anos de idade.

21 Abril 2011

Miranda 2005


Continuando as postagens sobre os vinhos da degustação do dia 14 de abril, passo agora para essetinto produzido pela Viñedos del Ternero, fundada em 2003 e que possui 30 hectares de vinhas na Rioja Alta, em altitude média de 700 metros, algo pouco usual na região. Grande parte de seus rótulos não levam as classificações crianza ou reserva, uma opção da enóloga Ana Blanco de não submeter seus vinhos às rigorosas regras da DOCa.
O Miranda 2005 é um corte de 95% Tempranillo e 5% Mazuelo, com passagem de 6 meses por barricas americanas (25%) e francesas (75%), com produção de 20.000 garrafas.

Vinho de coloração rubi. Aromas em boa intensidade, destacando-se frutos vermelhos e notas da madeira. Na boca é marcante em personalidade, com taninos finos, acidez equilibrada e boa vocação gastronômica. Final mediano, com fruta e madeira muito bem integradas. Potencial de guarda ainda para mais 2 ou 3 anos sem nenhum problema. Álcool a 13,5% sem incomodar.

Preço de mercado: R$ 71.

20 Abril 2011

Exclusivo! O lançamento da Casa Valduga na Expovinis


Em fevereiro estive em Bento Gonçalves para a vindima, algo que sempre quis fazer mas a agenda ainda não tinha permitido.

Sabedor de que a Casa Valduga estava em convenção, fui ao hotel para entrevistar o enólogo Daniel Dalla Valle (relembre) e acabei sabendo de algumas novidades ao bater um longo papo com o Gerente de Marketing da vinícola, Fabiano Olbrisch, sujeito de muito bom gosto nas campanhas que assina e na escolha do time de coração!

Algumas dessas informações obtidas na convenção e na entrevista com Daniel eu não pude divulgar a pedido deles. Mas hoje tive o prazer de receber um e-mail do Fabiano autorizando que eu divulgue o principal lançamento da Casa Valduga na Expovinis 2011, que acontece de 26 a 28 de abril, o espumante Maria Valduga Brut Vintage MMVI, homenageando a matriarca da família, falecida em 2007.

Tive oportunidade de ver e fotografar um protótipo da garrafa em fevereiro, mas posso assegurar que o modelo que irá para o mercado é muito mais bonito e foi concebido para ser o melhor espumante já produzido no Brasil.

Todos que acompanham esse blog sabem que não publico releases ou anúncios, embora os receba todos os dias, prefiro sempre os meus textos. Mas abro uma exceção nesse caso porque gosto da vinícola e seus vinhos, fui muito bem tratado na condição de blogueiro quando estive lá e estou recebendo, junto com alguns outros colegas, material exclusivo para divulgação. Esse respeito eu não posso desconsiderar.

Segue texto de divulgação:

Reconhecida internacionalmente pela elaboração de vinhos ícones, a Casa Valduga prepara o lançamento de uma verdadeira joia: o espumante Maria Valduga.

Em embalagem luxuosa, este espumante é uma homenagem à matriarca da famiglia, Maria Valduga. Foi dela o sonho de elaborar espumantes na Casa Valduga pelo método champenoise, segundo a tradição da região de Champagne, na França.

E para marcar o lançamento com elegância, a Casa Valduga o convida para apreciar não só o espumante, mas também apreciar a garrafa número 000, cujo rótulo foi confeccionado com 42 gramas de ouro 18 quilates e e aplicação de um cristal Swarovski. Uma jóia para colecionadores , que estará exposta durante os três dias da feira.

Com excelente cremosidade, perlage fino e persistente, este vinho é resultado da seleção das melhores uvas Chardonnay e Pinot Noit do Vale dos Vinhedos, e da evolução por quatro anos no silêncio e na penumbra das caves subterrâneas.

Apresenta bouquet elegante e intenso, com notas de frutas em calda remetendo à pera e maçã. Os aromas de brioche amanteigados e pão delicadamente tostados expressam a complexidade adquirida durante sua lenta e exata maturação.


19 Abril 2011

Mas Petit 2008


Esse foi o primeiro tinto na degustação do dia 14 de abril. É produzido na região do Penedés pela Parés Baltà, que também faz a cava que comentei dia desses e que abriu o evento.

Em sua elaboração as enólogas Maria Elena Jimenez e Marta Casas utilizam as uvas Cabernet Sauvignon e Garnacha, em proporções idênticas, com passagem de 7 meses por barricas de carvalho francës de segundo, terceiro e quarto uso.

Vinho de coloração rubi, com aromas em boa conta, lembrando frutos vermelhos, pimenta (provavelmente por conta da CS) e leve tostado. Na boca tem taninos finos, bem moldados e acidez equilibrada. Madeira discreta, sem se sobrepor à fruta. Final frutado, de média persistência, com leve lembrança tostada.

Boa compra a R$ 50.

18 Abril 2011

Fillaboa Albariño 2009


No último dia 14 de abril participei de uma degustação de vinhos espanhóis promovida pela Di Vino Brasil, loja de vinhos em Uberlândia, em conjunto com a importadora Porto Mediterrâneo. O evento aconteceu no espaço gourmet da loja. Foram apresentados sete produtos na noite.

O primeiro foi uma cava já comentada aqui (relembre) e o último será meu vinho do mês para a Confraria Brasileira de Enoblogs, com publicação agendada para 1º de maio. Os outros cinco vinhos serão comentados durante essa semana.

Esse foi o único vinho branco da noite. Produzido com 100% Albariño, cultivadas numa região bastante úmida da Espanha, Rias Baixas. O produtor, a Bodegas Fillaboa, possui 70 hectares de vinhas e foi eleito o "melhor produtor de Albariño da Espanha", em 2007. O enólogo é I. Salgado.

O vinho tem coloração amarelo palha, mas com uma tendência a se aproximar de um dourado claro. Nos aromas tem boa intensidade, com lembrança clara de abacaxi e maçã verde, além de notas cítricas. Na boca se mostrou mais intenso e fresco, com notas minerais, acidez equilibrada e claro potencial gastronômico. Vinho que mostrou certa complexidade em boca. Final de boa persistência. Álcool a 12,5%.

Preço de mercado: R$ 119.

17 Abril 2011

The Rolling Stones - Paint It Black (1966)

Paint it Black é uma canção do álbum Aftermath, o 4º dos Rolling Stones, lançado em 1966. Foi o primeiro álbum a contar com canções de autoria exclusiva da dupla Mick Jagger e Keith Richards e foi gravado inteiramente nos EUA.



A primeira vez que ouvi essa música foi num álbum ao vivo dos Stones chamado "Flashpoint" (lançado em 1991), mas preferi publicar aqui no blog uma versão mais antiga, menos pesada e de uma época em que a tecnologia interferia menos no som da banda.

15 Abril 2011

Batasiolo Barbaresco DOCG 2006


Esse vinho é produzido no Piemonte pela Beni di Batasiolo, que já teve um Barbera e um Chardonnay comentados aqui no blog. Esse Barbaresco é produzido com 100% uvas Nebiollo, das variedades Michet, Lampia e Rosé, com passagem de 12 meses por barricas de carvalho e igual período em garrafa. As uvas são provenientes de colinas próximas à aldeia de Barbaresco. Vermelho rubi, com boa transparência. Lacrimonso. Muito aromático. Complexo. Frutos muito maduros, geléia, compota, chocolate e café. Na boca é intenso, com bons taninos, que ainda vão ficar mais redondos com um tempo em garrafa. Corpo mediano, mas grande presença. Final repetindo fruta compotada e tostado.

Vinho sério, gastronômico, maduro e, repito, boa complexidade. Digno representante da elegância do Velho Mundo. Álcool aparecendo de leve (14%), boca muito seca e final longo. Vai amaciar certamente em 2-3 anos. Pela garrafa paga-se algo em torno dos R$95-100.

13 Abril 2011

Corralillo Syrah 2009

A primeira vinícola que visitamos no Chile, em janeiro, foi a Viña Matetic, localizada no Vale de Casablanca. Se quiser saber um pouco mais da visita, clique aqui.

O vinho é um 100% Syrah produzido com uvas dessa região que tem se notabilizado pelos brancos aromáticos e minerais. Mas em todas as vinícolas que visitamos naquela região, incluindo também o Vale de San Antonio, os tintos TOP das vinícolas são normalmente produzidos com Syrah.

O vinho tem intensa coloração púrpura, pouca transparência e muitas lágrimas, manchando a taça. Bons aromas, com madeira (baunilha) chegando antes dos demais. A rolha já indicava essa característica. Com alguns minutos na taça o vinho se abriu, deixando aparecer frutos negros e especiarias. Na boca tem bom corpo, está num bom momento de consumo. Um vinho de personalidade. Taninos finos e boa acidez, acompanhados por fruta intensa, com potência dada pelo álcool (14,5%), mas sem ser alcoólico. Final longo. Fruta madura e tostado.

Evoluiu em taça e me pareceu que uns 30 minutos de decanter cairiam bem. Vinho bem feito. Ainda jovem, ficará melhor nos próximos 2-3 anos.


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11 Abril 2011

Parés Baltá Cava Brut 2008


Minhas experiências com cavas, os famosos espumantes espanhóis, não foram das melhores. Isso me preocupava, porque um produto tão famoso em todo o mundo não pode ser tão ruim quando chega aqui em casa.

Esse problema foi resolvido com esse produto da Parés Baltà, uma vinícola familiar estabelecida em 1790. Atualmente estão na ativa três gerações da família Cusine: o avô Joan Cusine Hill (1917), seu filho Joan Cusine Cusine (1946) e os netos Joan Cusine Carol (1972) e Josep Cusine Carol (1975), que a partir de 2000 assumiram a direção da empresa. Atualmente possui 174 hectares de vinhedos, que e 2004 receberam certificação orgânica. São 5 parcelas de vinhedos, situados em um grande mosaico de solos e microclimas, com altitudes variando entre 170 a 750 metros sob o nível do mar.

Além das variedades nativas da região de Penedès, como a Garnacha, Xarel-lo, Macabeo e Parellada, também cultivam nas zonas mais altas e frias, as variedades Chardonnay, Sauvignon Blanc, Gewurztraminer, Pinot Noir, Mencía e Merlot e nas zonas mais baixas e quentes Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Tempranillo, Cabernet Franc, Muscat e Petit Verdot.

Dados técnicos: tem 11,5% de álcool e é elaborado na região de Penedés com as variedades Macabeo (21%), Xarel-Lo (10%) e Parellada (69%), com segunda fermentação na própria garrafa (champenoise) pelo período de 12 meses. As enólogas são Maria Elena Jimenez e Marta Casas.

Cor amarela clara, com reflexos brilhantes. Aroma de intensidade média, lembrando casca de pão, frutos brancos (pêra) e algum floral. Na boca é melhor. Equilibrado. Cremoso, com boa fruta e acidez refrescante. Final com boa persistência, um misto de fermentação e algo que identifiquei estranhamente como sendo groselha, uma sensação que ainda não tinha percebido em espumantes.

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10 Abril 2011

Led Zeppelin - Going To California (1975)

Roqueiro que se preze tem o 4º álbum do Led Zeppelin em casa. Lançado em 1971, esse disco reúne clássicos eternos como Rock and Roll, Black Dog e Stairway to Heaven. Aliás, todas as músicas se tornaram clássicos. A versão de Going to California desse vídeo foi tocada ao vivo em 1975, numa grande demonstração do que essa banda podia fazer mesmo sem seu baterista, o grande John Bonham, que ganhou o título de Sir da coroa inglesa e faleceu em 1980, asfixiado no próprio vômito.




Nessa época o vocalista Robert Plant se apresentava faltando o "lateral direito". Nesse vídeo, lá pelos 30 segundos, Plant aparece - tal qual um gato - limpando a própria pele com saliva. A visão não é muito boa, mas o som é ótimo.

08 Abril 2011

Domaine Marcel Deiss Alsace AOC 2008

Quando comprei esse vinho estava à procura de um bom representante da Alsacia, que coubesse no meu bolso. Não me lembro exatamente quanto custou, mas deve ter sido na casa dos R$60.
É elaborado predominantemente com a Gewürztraminer, mas outras variedades entram no corte. Curiosamente o contra-rótulo traz informação de que é um vinho "doce". Fiquei um pouco frustrado no início, mas acredito que tenha sido um erro, pois o vinho pode até parecer "meio-seco", mas doce definitivamente não é.

Produzido pela Domaine Marcel Deiss, é um dos vinhos básicos da casa, de consumo rápido, pertencente à linha de Wine of Fruits, que também tem varietais Pinot Blanc, Riesling, Muscat e Pinot Gris.

Na taça tem coloração amarelo palha. Aromas um tanto discretos. Presença mineral mais acentuada, com notas florais mais discretas. Na boca tem boa intensidade, destaque para frutos de polpa branca, um pouco de mel e mineralidade se repetindo. Final longo, com destaque para mel e frutas. Alguma capacidade para acompanhar comida. Harmonizou-se razoavelmente com sushi. 13% de álcool, sem incomodar. Mas, siceramente? Esperava mais acidez, que poderia lhe conferir mais personalidade. Mas não é um vinho ruim, longe disso.
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06 Abril 2011

Santa Alicia Carmenère Gran Reserva 2007

Confesso que a Carmenère não está entre minhas uvas preferidas, mas alguns exemplares acabam me agradando mesmo com essa predisposição negativa. Foi o caso desse Gran Reserva da vinícola Santa Alicia, que já teve vários vinhos comentados por aqui, pelo qual paga-se algo em torno dos R$50.

É elaborado com uvas do Vale do Maipo, região vinícola mais próxima à capital Santiago. Metade do vinho passa por barricas de primeiro uso e a outra metade por barricas de segundo uso, de 12 a 14 meses.
Vinho de coloração púrpura, denotando juventude. Nos aromas e na boca revela-se um inconfundível Carmenère, com suas notas mentoladas e de especiarias. Na boca é potente, mas com taninos bem moldados e acidez discreta. Muita fruta em boca e no final, persistindo por longo tempo uma gostosa sensação de fruta, um pouco de menta e sinais do tostado da madeira. Um vinho gastronômico e muitíssimo agradável. Apesar do álcool a 14,5% não se revelou desequilibrado nesse quesito, podendo ser bebido sem comida também.
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04 Abril 2011

Don Melchor 1988



No dia 16 de janeiro estávamos no Vale do Maipo à procura de algumas vinícolas e a Concha y Toro não estava em nosso roteiro. Talvez por um certo preconceito não queríamos visitar a maior vinícola chilena. Talvez porque seus "Reservado" deixem uma impressão tão ruim aqui no Brasil. Enfim, não estava em nosso programa.


Mas, em virtude de alguns desencontros, a hora do almoço chegou, a fome bateu e não restou outra alternativa senão irmos almoçar na vinícola. Na portaria recebemos um adesivo verde com a inscrição "free", significando que não havíamos comprado nenhuma degustação ou tour. Na hora pensamos que não nos dariam tanta atenção, afinal estávamos ali sem gastar nada, como faz a maioria dos turistas.


Chegando ao restaurante, depois de passar pelo varejo, compramos uma degustação de três vinhos deles: um Chardonnay da linha Amélia e duas safras distintas do Don Melchor (2007 e 1988, que foi a segunda safra desse vinho). O atendimento foi muito correto e profissional, sinal de que a vinícola está muito distante das outras no quesito recepção ao turista.


Vamos ao vinho: na taça apresentou coloração rubi, com bordas alaranjadas indicando evolução. Límpido. Ainda com bons aromas frutados, mas acompanhados de outros aromas evoluídos, como frutos secos, terra úmida, musgo e tabaco. Em boca apresentou-se muito elegante e harmônico, com boa complexidade. Taninos já discretos, delicadamente presentes. Final persistente, marcando palato com frutos secos, terra e tabaco.


Uma experiência muito interessante a degustação de um vinho com quase 23 anos de idade e ainda com muitas características positivas. Impossível (ou injusto) emitir uma avaliação como costumo fazer aqui. A oportunidade de degustar esse vinho junto com a safra atual (2007) foi gratificante. Não sei qual das duas eu compraria, se pudesse comprar apenas uma delas.

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03 Abril 2011

The Beatles - Across The Universe (1968)

Todo casal tem uma música que consegue resumir o relacionamento. Across the universe é a nossa aqui em casa. Quando nos casamos (24/05/03) foi com essa música que minha esposa surgiu com seu lindo vestido, uma visão inesquecível. parecia um anjo. A mulher da minha vida devidamente escoltada por uma linda canção da minha banda favorita.




Essa música faz parte do álbum Let it Be, lançado em 1970 e considerado o último dos Beatles. Não há um clipe com a banda executando a música, mas o vídeo acima mostra imagens da viagem dos quatro à Índia, na conhecida fase em que foram iludidos pelo pseudo-guru Maharishi. Esse sujeito pregava o vegetarianismo e comia salgadinhos escondido, fazia seus seguidores andarem à pé e chegava de helicóptero no lugar. Demoraram a descobrir o engodo, mas pelo menos essa fase gerou ótimas músicas dos Beatles.

Em 2008 a NASA transmitiu a música em direção à estrela Polar, a 431 anos-luz da terra, em comemoração aos 40 anos da canção e aos 50 anos da agência espacial americana. Bastante apropriado!

01 Abril 2011

Bouchard Père & Fils Réserve Pinot Noir Bourgogne AOC 2008 #cbe

Esse é o 54º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs. A escolha coube aos confrades do ViVinhos, um dos blog sobre vinhos que estão há mais tempo no ar e um dos primeiros a integrar a CBE. A indicação foi direta: "Borgonha com boa relação custo/benefício", podendo ser branco ou tinto.

Quem acompanha o blog há mais tempo sabe que sou fã da Pinot Noir, mas encontrar um vinho da Borgonha e que se encaixe nessa categoria é um tanto complicado. Além disso meu paladar está muito mais próximo de um PN do Novo Mundo. Mas o desafio foi aceito e a primeira coisa que me veio à cabeça foi definir certos parâmetros. Então procurei: vinho que custe até $80, que consiga revelar as principais características da uva e da região e que me dê vontade de beber novamente. Critérios simples para uma tarefa complexa.

Minha indicação é esse Réserve produzido pela Bouchard Père & Fils, casa fundada em 1731 e que possui cerca de 1800 hectares na região. Dependendo da safra cerca de 60% do vinho tem passagem de 6 meses por barricas, com o restante aguardando em tanques de aço inox. Seu potencial de guarda, segundo o produtor, é de 3 a 5 anos.

Na taça uma coloração típica, um vermelho claro, translúcido. Bons aromas, com os característicos frutos silvestres, fundo de especiarias e couro discreto. Na boca é leve, com taninos presentes, mas já domados pelos três anos de engarrafamento. Frutado discreto acompanhado por ervas e especiarias e uma marcante acidez, deixando o vinho gastronômico e convidativo ao próximo gole.
Final mediano, boca seca, presença dos frutos delicados e discretas notas de couro. Melhor com comida, ideal para conhecer o estilo dos PN da Borgonha. Evolui em taça e ainda pode ser guardado por mais um ano.

Particularmente não é um estilo que me agrade tanto, mas devo reconhecer as virtudes do vinho, principalmente porque experimentei outros na faixa dos R$ 100-120 e que não foram superiores. Por essa garrafa paguei US$ 29 (cerca de R$ 50) quando estava voltando do Chile em janeiro, mas acredito que tenha distribuição no Brasil. Se encontrar a esse preço pode comprar. Eu compraria!
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