31 Maio 2011

Workshop sobre as redes sociais no mundo do vinho

A convite do Ibravin estarei no próximo dia 3 de junho em Bento Gonçalves para participar do workshop O impacto das Redes Sociais no Mercado do Vinho, uma realização conjunta com o Sebrae.

O evento tem um foco muito direto: compreender o papel das várias ferramentas da internet na formação e evolução do mercado consumidor brasileiro. Aliás, bastante oportuno que o Ibravin promova esse evento para que todos possamos avaliar o tamanho desse fenômeno que "invadiu" o mundo do vinho.

Mesmo sendo um dos blogueiros que há mais tempo está no ar (desde julho de 2006), ainda não consigo dimensionar o que blogs, Twitter e Facebook (somente para citar as três ferramentas que utilizo) fizeram e fazem nesse mundo do vinho.

A velocidade é tão grande, o volume de informações é tão devastador, que por vezes fico em dúvida sobre o que realmente é válido e de que forma o que recebo de informação pode me influenciar. Mas uma certeza eu tenho: o mercado nunca mais foi o mesmo desde que passamos a acessar informações gratuitas sobre vinhos, sem termos que comprar um livro ou uma revista. Sem dúvida, nosso modo de escolher uma garrafa para um domingo qualquer tomou proporções muito diferentes em relação ao cenário de 5 anos atrás.


O encontro será no Farina Park Hotel, em Bento Gonçalves, e vai reunir especialistas de todo o Brasil, discutindo-se alguns temas como o papel exercido por blogueiros e sua relação com o público, maneiras de conquistar audiência na internet, a competição entre as mídias tradicionais e as novas ferramentas de comunicação e até mesmo a venda de produtos pela internet.

Os confrades Daniel Perches (Vinhos de Corte) e nosso "patrão" Alexandre Frias (Enoblogs e Diário de Baco) ministrarão palestras sobre a temática Redes sociais e o papel do blogueiro, a partir das 9 h.

Às 11 horas terá início o segundo painel, com o tema Mídia tradicional x Mídia digital, sendo expositores Beto Gerosa (do Blog do Vinho), Pedro Dias Lopes (do Zero Hora Online) e Leonardo Attuch (do Brasil 247, primeiro jornal brasileiro desenvolvido para iPad).

No período da tarde teremos: às 13:30 h - Como bombar na Web? com PC Dias e Fabiano Goldoni. Às 16 horas o encerramento será com Anselmo Endlich (Wine) e Márcio Cunha (WineTag), com a palestra A inovação como estratégia na internet.

Para fechar a programação, será realizada uma degustação online de vinhos brasileiros, ao vivo, com a participação de blogueiros de diferentes partes do país. A transmissão será feita pelo projeto Wine Bar e conduzida pelo enólogo Jefferson Sancineto Nunes.

O evento é aberto a qualquer interessado na área. Ingressos para o público em geral custam R$ 120. As empresas participantes dos projetos Vinhos do Brasil, Wines of Brasil e Suco de Uva ganham a primeira inscrição (a partir disso, cada entrada custa R$ 60). Blogueiros e jornalistas do mundo do vinho têm entrada gratuita.

Mais informações: www.vinhosdobrasil.com.br

30 Maio 2011

Champagne Moutaudon Brut


Comprei esse champagne na mesma promocao do Irroy, já comentado aqui (relembre), pagando também R$75. No momento em que escrevo esse post está sendo vendido a R$ 96. Se você nunca bebeu champagne pode ser uma boa opção considerando o preço, pois em qualidade você pode comprar 2 garrafas de ótimos espumantes brasileiros e ficará igualmente satisfeito. Nem por isso deixa de ser um produto de boa qualidade. Além do mais, tem um rótulo bonito e tradicional... dá pra tirar uma onda!

É produzido em Reims pela Montaudon, casa fundada em 1891 e que está na quarta geração da família. Leva em seu vinho base as tradicionais Pinot Noir (45%), Chardonnay (25%), Pinot Meunier (10%) e 20% de vinhos reservas de boas safras anteriores, envelhecidos em carvalho por um período mínimo de dois anos.

Na taça demonstra boa qualidade, bolhas finas e persistentes. Boa intensidade aromática, com mescla equilibrada de aromas frutados, um pouco de mel e lembrança da fermentação (leve tostado). Na boca é refrescante mas com boa cremosidade. Menos seco que o Irroy, com um pouco mais de açúcar residual e mais próximo do meu gosto pessoal. Final de boca marcado pelas notas de fermento e pão. Gastronômico, vai bem com frutos do mar, saladas, comida japonesa e tenho a impressão que até comidas mais gordurosas podem ser experimentadas.

Aparentemente esse é um produto apenas para exportação aos países com consumidores menos experientes, como o Brasil, pois não aparece no site da empresa. Os que estão lá são de linhas superiores e mais caras.

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28 Maio 2011

Dez perguntas para... Marcelo Copello

Ele é um dos mais respeitados críticos do vinho no Brasil. Foi eleito como o “melhor jornalista” pela revista Meininger’s Wine Business International em 2009 numa matéria destinada a indicar “quem é quem” no cenário brasileiro do vinho.

É fundador e ex-Editor Chefe da Revista Adega e escreve atualmente para as revistas Gosto e Revista de Vinhos (Portugal), sendo o primeiro brasileiro a ter uma coluna de vinhos em veículo europeu. É autor de quatro livros de sucesso, sendo que Vinho & Algo Mais foi indicado para concorrer ao importante Prêmio Jabuti. Tem sua própria escola (Mar de Vinho) no Rio de Janeiro.

Mas seu principal diferencial, penso eu, está na isenção. Conforme deixa claro em sua página na internet, nunca teve seu nome associado a nenhuma marca ou produto, não mantendo nenhum tipo de relação comercial com importadoras, vinícolas, lojas ou quaisquer empresas que comercializam vinhos.

Quando tive os primeiros contatos com as colunas e críticas de Marcelo Copello, me chamou atenção a maneira com que avaliava vinhos brasileiros sem nenhuma nota preconceituosa, mas sem o ufanismo que pode prejudicar a crítica.

Aceitou prontamente responder às dez perguntas a seguir:

VPT - Na sua atividade cotidiana, como manter a independência de crítico sem se indispor com alguém?

No início de minha carreira, nos anos 90, aconteceu de eu ser hostilizado por avaliar mal um vinho, mas isso foi raro e logo conquistei o respeito de todos, através de um trabalho sério e consistente. Hoje, pelo contrário, os produtores querem saber se acho que o vinho pode ser melhorado e sabem que vale a pena amargar algumas avaliações ruins e esperar uma boa, pois mais vale uma avaliação boa com a credibilidade de um profissional sério, do que mil avaliações boas de quem elogia tudo sempre.


VPT - Recentemente o Brasil recebeu o crítico Oz Clarke e dele ouvimos coisas boas e outras nem tanto a respeito de nossos vinhos. Com quais observações feitas por ele você concorda? Com quais discorda?


Confesso que não vi o vídeo todos e não poderia comentar.


VPT - Nos últimos anos o mundo do vinho foi invadido pelos blogs e pelas redes sociais, bombardeando o consumidor com muita informação. Quais os aspectos positivos e negativos desse fenômeno?


O lado negativo é que circula muita informação errada na rede e excesso de informação acaba nivelando tudo por baixo, para um leitor desavisado um blog anônimo ou falso, ou de alguém que começou no vinho ontem pode ter o mesmo peso do blog do New York Times. O lado positivo é que os blogs são grandes difusores da cultura do vinho, levando esta cultura a um nível de capilaridade que seria inalcançável pela mídia convencional.


VPT – O vinho importado no Brasil é um produto caro se compararmos com os preços na origem. Isso é fruto apenas da alta tributação ou os importadores tem sua parcela de culpa nesse processo?


Todo vinho é caro no Brasil, importado e nacional, fruto do que chamamos de “custo Brasil”, um mix de impostos, margens e custos em geral. Alguns importadores colocam margem alta sim, mas outros colocam uma margem necessária para bancar este custo Brasil, que é alto. O maior vilão o governo mesmo.


VPT - O mercado brasileiro hoje é respeitado internacionalmente em virtude do potencial de seus consumidores. E o vinho brasileiro? O que se fala dele no exterior?


O vinho brasileiro no exterior é uma novidade bem vinda. Primeiro pois a expectativa em relação ao nosso vinho é inexistente e quando se prova a surpresa por vezes é boa. Depois o Brasil como nação tem uma imagem muito positiva, o que ajuda bastante.


VPT - É possível comparar o vinho brasileiro com algum outro? Temos uma identidade própria?


Estamos ainda em fase de construção desta identidade, mas já podemos falar dos espumantes brasileiros, que são uma realidade, com seu estilo próprio.


VPT - O espumante brasileiro é realmente o “segundo melhor” do mundo?


Temos no Brasil uma mania de “melhor do mundo”, vinda de nossa cultura do futebol, do esporte, e vinho está mais para arte do que para esporte. Fazemos os melhores espumantes da América Latina, e isso já é para termos muito orgulho.


VPT - Com que freqüência bebe vinhos?


Em horas, minutos ou segundos?


VPT - Costuma levar seu próprio vinho a restaurantes? Qual sua opinião sobre a cobrança da rolha?


Sim, costumo levar e faço questão de pagar rolha ou dar boas gorjetas, pois acho fundamental que quem me serviu seja remunerado por isso.


VPT - Já temos o livro “1001 vinhos para beber antes de morrer”. Se você tivesse que mudar o título para “1 vinho”, qual seria?


Esta é uma pergunta recorrente, que sempre me fazem, e que já respondi de muitas maneiras diferentes. Recentemente em uma degustação vertical de Veja Sicilia Unico que eu apresentava, um dos participantes me fez esta pergunta e eu disse que seria um Champagne, talvez Krug ou um Salon, de alguma safra antiga. Ele ficou meio decepcionado, disse que esperava um tinto, e perguntou porque Champagne. Eu disse que era o que me dava mais prazer.

No fundo acho que não existe o “melhor vinho”, existe a “melhor companhia”, pois o melhor vinho é o que mais emociona e quanto mais vinhos provo vejo que a emoção vem não apenas do vinho, mas do contexto, da ocasião e principalmente do convívio que ele proporciona.

Valeu, Marcelo!

27 Maio 2011

Barcarola Espumante Brut


No final de fevereiro conheci a Vinícola Barcarola, que tem seu varejo no Vale dos Vinhedos, mas a propriedade com cantina e vinhedos ficam no Vale Aurora, ainda na Serra Gaúcha. Conversei longamente com o enólogo César Petroli (foto), que tem formação na Itália (Univ. de Udine) e gentilmente me apresentou todos os seus vinhos. Lógico, comprei algumas garrafas.

Espumante elaborado pelo método Charmat, com segunda fermentação em autoclaves de aço inox, utilizando apenas a variedade Chardonnay.

Amarelo palha. Boa perlage. Aromas discretos, frescos. Não boca tem ótima acidez e ao mesmo tempo é cremoso. Leve, com boa sensação da fermentação no retrolfato, mas com frutado também marcando presença, lembrando pêra e pêssego. Amargor discretíssimo. Final de média persistência, com fruta e tostado em harmonia.
Espumante que me surpreendeu. Bem feito e com bom custo. Menos complexidade que os espumantes elaborados pelo método tradicional, mas isso é uma característica, não um defeito. Fácil de beber, com açúcar residual em boa conta, servindo para bebericar ou acompanhar entradas, saladas e shushi.

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25 Maio 2011

Beverford Shiraz 2007


Quem gosta de informações sobre vinhos tem lido muita coisa sobre os bons Shiraz produzidos na Austrália. Então, esperava muito desse vinho, apesar de saber que seu preço (na casa dos R$ 39) não indicava algo excepcional. Confirmou-se minha pouca expectativa e ficou aquela pontinha de "não quero mais"!

Produzido pela Buller Wines (fundada em 1921) na região de Victoria, é um varietal de linha mais simples, com 14,5% de álcool e um estilo um tanto chato de vinho, com muita fruta, taninos doces e álcool sobrando um pouco.

Vinho de coloração púrpura. Aromático, com frutos bem maduros e notas condimentadas (especiarias), além de leve lembrança da madeira. Corpo mediano, com taninos macios, doces, e pouca acidez. Final frutado, de média persistência.
Está pronto para beber e estou quase certo de que não evoluirá, pois falta acidez e taninos pra isso. Correto, mas não empolga. Vale como aperitivo (cuidado com o álcool), mas ponho em dúvida sua vocação gastronômica. Vinho um pouco chato em alguns momentos.
Estou certo de que esse estilo agrada a muitos, tanto que na própria garrafa vieram indicações de medalhas de prata e bronze em três concursos, mas aqui em casa não levou prêmios.


23 Maio 2011

Marco Luigi Grande Reserva Cabernet Sauvignon 2004


Sempre defendi a longevidade dos vinhos tintos brasileiros. Isso me foi comprovado em várias ocasiões em que abri vinhos de 6-8 anos, mesmo que tenham sido armazenados em condições duvidosas. E não estou falando de vinhos caros, pois muitos deles está na faixa de até R$40. Os mais caros chegam aos 10 anos em grande forma. Pena que nem sempre temos paciência para esperar, mas estou fazendo em casa uma coleção de vários tintos da safra 2005, alguns cortes, alguns Cabernet Sauvignon e muitos Merlot. Veremos quando tenho coragem de abri-los.

Somente para ilustrar, veja as seguintes postagens e a idade com que os vinhos foram comentados:

Casa Valduga Excellence Gran Reserva Tinto 2000 (8 anos);
Cave de Pedra Reserva Tannat 2002 (7 anos);
Casa Valduga Premium Merlot 2002 (6 anos);
Valmarino Reserva da Família 2004 (6 anos).

Hoje comento um Cabernet Sauvignon produzido pela tradicional Marco Luigi, que chegou aos 7 anos se mostrando um ótimo vinho, surpreendentemente maduro e elegante. Foi produzido na safra 2004, considerada muito boa por todos. Não sei quanto custou porque ganhei de presente, mas não é um vinho caro.

Na taça apresentou bela cor rubi, sem os tradicionais reflexos alaranjados. Parecia um vinho novo. Aromas em boa intensidade, elegantes. Muita fruta madura e fundo de especiarias. Na boca é surpreendente, equilibrado, com taninos macios, doces, muita fruta e retrolfato de ervas e temperos. Acidez discreta, mas ainda com grande caráter gastronômico.
Final persistente, misto de frutos vermelhos maduros e outros mais delicados, madeira discretíssima, notas lembrando bala de café, taninos ainda presentes, mas já macios. Está num ótimo momento de consumo, mas ainda pode evoluir nos próximos anos. Álcool na medida certa (13,5% de teor).

Às cegas seria confundido com vinho mais caro e causaria espanto ao se revelar a idade e a origem dele. Sobrou uma pontinha de arrependimento por tê-lo aberto, porque era a única garrafa e seria interessante ver como estaria em 2014, aos dez anos de idade.

Foi engarrafado em 2006. Foram produzidas somente 3.500 garrafas desse vinho. Abri a de nº 788.

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22 Maio 2011

Oasis - Some Might Say

À falta de um melhor rótulo, elegi Liam Gallangher como o "vocalista mais marrento da história do rock". Ao lado do irmão, o guitarrista Noel, lideram a banda Oasis. Os primeiros discos deles deram uma grande sacudida no cenário musical britânico, mas depois cairam um pouco, mas não saíram da mídia especialmente por conta das famosas brigas entre os irmãos. Talvez seja a banda que mais assumidamente tentou fazer algo parecido com os Beatles. Repare os óculos de Liam nesse vídeo.





Essa canção, Some might say, foi lançada em 1995 e foi o primeiro single do disco (What's the story) Morning Glory? A performance desse vídeo parece ter sido gravada no programa do apresentador da TV britânica, Jools Holland, que desde 1992 apresenta na BBC o Later With Jools Holland.

20 Maio 2011

Aclys Rioja DOC Crianza 2006


Esse tinto é produzido na região espanhola de Rioja pela Bodegas Murua, fundada em 1974. A bodega está localizada no coração da Rioja Alavesa, no município de Elciego, mas também possui vinhedos em Laguardia, município vizinho famoso por ter seu centro todo fortificado.

A bodega possui 2.200 barricas bordalesas que são renovadas a cada 3 anos e uma cave subterrânea com capacidade de armazenamento para 1,5 milhão de garrafas. Conta ainda com a maior biblioteca sobre vinhos de Rioja, com 2.350 volumes escritos desde o século XVI.

Esse vinho é um corte de 90% Tempranillo, 2% Mazuelo e 8% Graciano, com passagem de 18 meses por barricas americanas de terceiro uso.

Rubi profundo, brilhante. Muito aromático. Frutos bem maduros e madeira presente, dividindo espaço. Notas lácteas e álcool sem aparecer. Pouco corpo. Taninos finos e acidez equilibrada. Frutado delicado se repete, acompanhado de notas lembrando menta e eucalipto. Final mediano, com madeira mais evidente. Vinho que evolui em taça, podendo acompanhar comida ou servir como aperitivo.
Tem 14% de teor alcoólico.

18 Maio 2011

Larentis Reserva Especial Marselan 2007

Comprei esse vinho no ano passado quando visitei pela primeira vez a Vinícola Larentis, no Vale dos Vinhedos. Produtor familiar, no sentido mais legítimo da expressão, produz tintos com qualidade que me surpreendeu, principalmente pelo equilíbrio apresentado.

Esse Marselan (cruzamento entre Grenache e Cabernet Sauvignon) custou algo em torno dos R$ 31 e valeu cada centavo. Tem coloração rubi profundo, de pouca transparência. De imediato aparecem aromas típicos dos vinhos brasileiros. Brinquei que minha memória olfativa me levou à cantina da Larentis.

No nariz frutos vermelhos maduros em boa intensidade, fundo vegetal, pimenta e café. Na boca é equilibrado, corpo médio, taninos doces e acidez moderada. As sensações olfativas se repetiram em boca. Final mediano. A cada gole o vinho mostrava sua personalidade, chamando para o próximo gole. Não sei o tempo de passagem por madeira, mas foi bem dosada pelo enólogo.

Uma grande surpresa. Foi muito bem com salamaria e queijos. Impressionou pelo equilíbrio e vocação gastronômica. Está num bom momento para consumo.


16 Maio 2011

Indomita Reserva Sauvignon Blanc 2009


Visitei em janeiro a Viña Indomita, de onde se tem uma das melhores vistas do Vale de Casablanca. A vinícola tem sua sede no alto de uma colina e de lá avista-se a Ruta 68, que corta o vale e inúmeros vinhedos ligando Santiago ao porto de Valparaíso. Uma vista deslumbrante.

Dado o tamanho de sua estrutura, a vinícola me pareceu ter uma grande produção, na casa dos milhões de litros. Consultando o site vi que detém 600 hectares de vinhedos, sendo 400 no Vale do Maipo e outros 200 em Casablanca. Está na rota do enoturismo, tanto que no varejo nos deparamos com vários turistas brasileiros conduzidos por um guia da CVC.

Quanto ao vinho, esperava que tivesse as características dos vinhos que vinha provando no Vale de Casablanca e San Antonio, jovens, bastante aromáticos, com ótima acidez e mineralidade. Dito e feito.
Tem ótimos aromas cítricos, notas minerais, um pouco floral e leve toque de ervas. Na boca tem ótima acidez, repetição das sensações aromáticas e grande vocação gastronômica. Ficou ótimo com um ceviche elaborado pela minha esposa, mas também cairia bem com comida japonesa. Final longo, marcado pela acidez e chamando para mais um gole. Álcool a 13%, sem atrapalhar.

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15 Maio 2011

Queen - Bohemian Rhapsody

Essa é uma das obras de arte do Queen. Foi composta pelo vocalista Freddie Mercury e lançada em 1975 no álbum "A night at the opera". Em 2008 foi eleita pelos britânicos com a melhor canção pop de todos os tempos. Representa muito bem aquilo que chamam de "presença de palco" da banda, especialmente do vocalista nascido em 1946 na ilha de Zanzibar, então colônia britânica, hoje pertencente à Tanzânia.



13 Maio 2011

Leopard's Leap Pinotage Shiraz 2008

Esse é mais um, dentre tantos vinhos sul-africanos, que agrada, é correto, mas não empolga. O preço (R$39) justifica a compra e o torna um vinho ideal para o dia-a-dia. Mas não é nada excepcional.

É produzido na província de Western Cape pela Leopards Leap. Um corte de Pinotage (52%) e Shiraz (48%) que permitiu identificar características de cada cepa.

Vinho de coloração rubi. Boa intensidade aromática, sem ser uma explosão. Frutos maduros mais delicados, amoras, framboesas, um toque lácteo no início e presença de especiarias e tabaco. Na boca é redondo, macio, com menor complexidade do que os aromas iniciais indicavam. Fácil de beber, com boa acidez. Final mediano, com destaque frutado (framboesas). Agradável, correto, mas sem empolgar. Álcool a 13,5%, sem incomodar.


11 Maio 2011

Canepa Gran Reserva Finisimo Sauvignon Blanc 2010


Esse 100% Sauvignon Blanc é produzido pela Viña Canepa, eleita em 2010 como o "produtor chileno do ano" na International Wine & Spirit Competition 2010. As uvas vem de dois vinhedos localizados no Vale de Casablanca e após o término da fermentação passa mais 7 meses em tanques de aço inoxidável, sem contato com barricas de carvalho.

Na taça um amarelo palha, bem claro. Intenso nos aromas. Típico frescor e mineralidade da região, lembrando aspargos, maracujá e notas cítricas (limão). Na boca é leve, com ótima acidez. Cítrico, com lembrança mineral (salgado). Seco e gastronômico.

Final um tanto ligeiro, que deixou a boca seca e uma lembrança mineral. Não é espetacular, mas representa bem o estilo de vinhos de Casablanca, além de ser uma boa compra (pela garrafa paguei R$ 55 no início do ano).

Teor alcoólico de 13,5%, que não apareceu na degustação.


10 Maio 2011

Os blogs sobre vinhos são confiáveis?

No momento de escolher um produto o consumidor consciente sempre irá procurar informações seguras para fazer uma boa compra. Com os vinhos não é diferente e as fontes para essa busca são cada vez mais numerosas. Isso implica em um outro problema: quais são as fontes confiáveis de informação?

Há no Brasil ótimas publicações especializadas, colunistas consagrados, revistas dedicadas à gastronomia e ao vinho. Mas num mercado com tantas opções é impossível uma análise profissional sobre tudo que está disponível para o consumidor. Daí, nada mais natural que esse espaço seja preenchido pela opinião de enófilos amadores e seus blogs independentes, o que tem levado à discussão sobre a confiabilidade das informações neles obtidas.

De início é importante frisar que o vinho não é um medicamento e não precisa ser prescrito numa receita médica. É uma bebida, fonte de prazer e comunhão entre pessoas, então pode ser tratado com informalidade, especialmente por quem não tem obrigação de fazer análises técnicas profundas. Essa tarefa fica com os enólogos, por exemplo, nas difíceis decisões que devem tomar na elaboração de seus vinhos ou do sommelier que precisa ter grande conhecimento para elaborar a carta de vinhos de um restaurante e indicar a melhor harmonização para seus clientes.

Talvez porque o vinho tenha ficado por muito tempo restrito às pessoas mais abastadas, principalmente antes da abertura do Brasil para o mercado externo, nos acostumamos a ler e ouvir sempre a opinião de críticos profissionais. Mas a maioria deles se especializou como qualquer consumidor moderno pode atualmente fazer através de leituras, cursos, participação em eventos, degustações etc. Então, a crítica sobre a confiabilidade dos amadores em relação aos que vivem profissionalmente do vinho carrega em si uma pitada de preconceito.

Mas como toda busca que se faz na internet é preciso adotar alguns “filtros”. Procure os blogs mais constantes, aqueles que publicam com maior freqüência, que não sejam meros reprodutores de textos de outros autores, adote como fonte aqueles que mais se aproximam de seu gosto e de seu bolso e principalmente aqueles cuja narrativa lhe dê mais prazer, por que é isso que o vinho deve proporcionar.

Saúde a todos!

*Texto publicado originalmente na Revista da Importadora Porto Mediterrâneo, a convite de Júlio Schmitt. Alguns blogs amigos (Diário de Baco e Blog do Jeriel) já publicaram esse texto, mas resolvi deixá-lo para agora, momento em que chegamos à marca dos 500 vinhos comentados.

09 Maio 2011

Macabeu Finca Racons 2009 #500


Esse é o vinho de nº 500 que publico no blog desde sua criação em julho de 2006. Então, escolhi um especial para comemorar a marca.

Ganhamos esse vinho dos amigos Paulo e Roberta, eleito por eles como o melhor vinho que provaram em sua última viagem à Europa. Na verdade, demorei para abri-lo porque sempre ficava uma pontinha de dúvida: será o momento ideal? Enfim, depois de muito meditar, resolvemos abri-lo e realmente é um vinho muitíssimo especial.


É produzido pela vinícola Tomàs Cusiné, fundada em 2003 e situada na Província de Lérida, na Catalunha. Pra quem quiser ir à vinícola, eis as coordenadas para o GPS: 41º22’56”N 0º56’50”E.

Leva em sua elaboração 96% de Macabeu e 4% de Albariño. Produção limitadíssima de apenas 2.936 garrafas. As uvas Macabeu vem de dois vinhedos , um deles plantado em 1917 (0,44 hectare) e outro em 1955 (1,36 hectare). Durante três meses o vinho permanece em contato com as leveduras, em barricas francesas de 220 litros.

Na taça uma coloração amarelo palha, com reflexos esverdeados. Ótimos aromas, lembrando nozes, amêndoas, frutos brancos e condimentos (ervas, chá), flores e queijo. Logo de cara um vinho com grande complexidade aromática.

Na boca é leve, com acidez equilibrada, boa refrescância e mineralidade aparente. Frutos brancos se repetindo. Uma leve sensação amanteigada e um discreto tostado conferidos pela madeira. Final mediano, repetindo sensações percebidas em boca. Não é um vinho explosivo, mas tem acidez bastante para combater pratos um pouco mais estruturados e sua complexidade é cativante. O teor alcoólico de 13,5% deu potência, sem ser alcoólico. Pronto para beber.


08 Maio 2011

Jimi Hendrix - Hey Joe (1967)

Alguns não concordam que Jimi Hendrix tenha sido o maior guitarrista da história; alguns dizem que Eric Clapton é melhor. Eu não quero entrar nessa discussão. Pra mim, quando vejo Hendrix tocando e procuro um paralelo, vejo apenas Pelé jogando futebol. Só isso!



Acredito que esse vídeo seja de 1967, na primeira apresentação de Hendrix nos EUA, mais precisamente no Festival de Monterey. Nessa edição os musicos nao cobraram cachê e a renda foi inteiramente doada a instituições de caridade. Segundo dizem, a inclusão de Hendrix como uma das atrações ocorreu por insistência de Paul McCarteney e do The Who. Essa música, Hey Joe, não é de autoria de Hendrix, mas de Billy Roberts, lançada em 1962. No Brasil recebeu uma ótima versão da banda O Rappa, em seu segundo disco (1996)

06 Maio 2011

Pietro Marini Cabernet Sauvignon Syrah 2007

Ganhei esse vinho de um amigo que é casado com uma argentina cuja família possui vinícolas por lá. Uma delas é a Bodega El Transito, moderna vinícola de boutique situada no Vale de Cafayate, em Salta. Fundada em 1942 pelos irmãos Benjamín Andrés e Pedro Moisés, está hoje sob administração de Andrés Benjamín Nanni, da quarta geração de viticultores da família. A bodega tem capacidade de produção de 350.000 litros de vinho, somada a capacidade de guarda e fermentação.

Esse vinho é um corte de Cabernet Sauvignon (70%) e Syrah (30%). Tem passagem de 6 meses por barricas. Na internet encontrei preços variando de R$ 39 a R$ 68. Em qualquer das faixas de preços é uma ótima compra.

Na taça apresentou coloração rubi, com discretos reflexos alaranjados. Lacrimoso.
Nos aromas é intenso, com álcool aparecendo e demonstrando desde já a potência do vinho (14,8%), mas sem incomodar. Fruta muito madura em abundância, aromas terciários, compota, tabaco, ferrugem e especiarias (principalmente pimenta).

Na boca demonstrou ser um vinho evoluído, maduro, com taninos finos e acidez em boa conta. Potente, mas não é "quente" se considerarmos o teor alcoólico. Final longo, com muita fruta e madeira bem integrada. Fundo de taça lembrando especiarias, chocolate e tabaco.
Sugiro aeração por 20-30 minutos. Pronto para beber. O único senão que vejo no vinho é que não irá melhorar com a guarda, mas isso não impede que seja bem avaliado aqui, tanto em qualidade quanto em relação custo x benerfício. Vinho "didático".





04 Maio 2011

Crane Lake Zinfandel 2006


Comprei esse vinho em outubro do ano passado em Ribeirão Preto, por ocasião do Encontro de Vinhos. É produzido pela Crane Lake Cellars no Vale do Nappa, na Califórnia.

Na degustação às cegas em Ribeirão avaliei esse vinho com 91 pontos e ele ficou em 5º lugar na eleição do TOP 5. Quando abri a garrafa que comprei (por volta dos R$ 55-60) o sucesso se repetiu. Provavelmente o melhor Zinfandel que bebi, apesar de não ser elaborado apenas com essa casta, que entra com 77% da composição.

Vinho de coloração púrpura. Seus aromas estavam fechados no início, mas abriram-se posteriormente para frutado delicado (ameixa e framboesa), uma característica que tenho encontrado muito em vinhos norte-americanos dessa uva. Na boca melhora muito, com taninos finos e acidez equilibrada. Frutos delicados em evidência, como amoras e cerejas, acompanhados de chocolate, café. Delicado e elegante, talvez por isso tenha sido tão bem avaliado naquela ocasião.

Tem final longo, com frutos maduros e café em evidência. Boa complexidade. Elegante e equilibrado. A passagem por madeira foi o bastante apenas para lhe conferir complexidade, pois está bem integrada e não compete com as características frutadas do vinho.

12,5% de álcool, sem incomodar em nenhum momento. Excelente compra!


03 Maio 2011

Nimbus Merlot & Rubin 2008

Sabemos que nossas percepções sobre um vinho podem variar conforme o dia, a temperatura, nosso paladar, ocasião etc. Bebi três garrafas desse vinho em ocasiões diferentes e em todas elas o vinho se mostrou bom, correto, agradável... nada mais. Mas foi uma experiência interessante degustar vinho da Bulgária, pais do leste europeu que produz vinhos desde a antiguidade, mas que teve seu grande avanço com a privatização das vinícolas nos anos 1990 e o ingresso do país na União Europeia.

É produzido pela vinícola Castra Rubra a partir de uma variedade francesa, a Merlot, e outra que é fruto de um cruzamento local entre a francesa Syrah e a italiana Nebbiolo. Pelo que apurei a proporção no corte é de 45/55, respectivamente.

Vinho de coloração rubi, com aromas em boa intensidade, lembrança de frutos frescos, amoras, ameixa preta e algo resinoso, com discreta lembrança de baunilha e chocolate. Na boca tem pouco corpo, com taninos macios e doces, baixa acidez e muita fruta. Talvez aqui o vinho tenha pecado um pouco, pois essa combinação de muita fruta e pouca acidez o deixam menos atrativo, menos gastronômico, embora não seja um defeito. É questão de gosto.
Final mediano, repetindo fruta e leve madeira. Álcool aparecendo de leve durante todo tempo. Vinho com bom equilíbrio, correto, sem ser grandioso. A R$ 39,50 considero uma boa compra.


02 Maio 2011

Conheça os vinhos indicados para a #CBE nesse mês

O vinho de nº 55 da Confraria Brasileira de Enoblogs foi escolhido pela Fabiana Gonçalves, do blog Escrivinhos. O tema sugerido foi um vinho 100% Tempranillo, sem limite de preço ou país produtor.

Desde ontem vários blogs participantes da CBE postaram seus vinhos, montando um painel bem interessante sobre essa uva, predominando vinhos espanhóis, mas também com alguns "intrusos" do Uruguai e Argentina.

Segue abaixo a lista dos 16 blogs que publicaram até o momento, em ordem alfabética.

Saúde a todos!

01 Maio 2011

Pagos del Infante 2009 #cbe


Esse é o 55º vinho que comento para a
Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE. A escolha desse mês foi da Fabiana Gonçalves, do Recife, jornalista e sommelier, autora do ótimo blog Escrivinhos, que indicou "vinho 100% Tempranillo, sem limite de preço".

Já havia experimentado esse vinho em outras ocasiões, mas quando participei da degustação promovida por seu importador no dia 14 de abril, não tive dúvidas de que seria meu escolhido para a CBE. Um vinho de muito boa qualidade a um preço muito honesto (R$ 57).

É produzido na Ribera del Duero com 100% Tempranillo, com passagem de 6 meses por barricas de carvalho americano e francês de terceiro e quarto uso. São produzidas 38.000 garrafas, o que reflete o tamanho da própria vinícola (Lynus Viñedos y Bodegas), que possui apenas 14,6 hectares de vinhedos. Esse é o vinho básico da casa, produzido sob responsabilidade do enólogo Rodrigo Pons.

Vinho de coloração púrpura. Aromas de frutos mais delicados, como morango e cereja. Na boca tem boa acidez, que chama para o próximo gole e pede comida. Os taninos são finos e bem acabados. Fruta se repete, com algumas notas de especiarias e leve tostado. Final persistente e frutado.

Vinho que me agradou no primeiro gole porque é um Tempranillo com boa presença, ao contrário de outros com pouco corpo e sem vida. Ótima compra. Acompanhou bem o carré de cordeiro preparado pela
Chef Adriana Avelar para o encerramento da noite.
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