30 Setembro 2011

Meu Vinho com Susana Balbo: Os Escolhidos!


No último dia 29 de agosto participei de mais uma edição do WineBar, dessa vez com a presença virtual da enóloga Susana Balbo, que estava em Mendoza com Daniel Perches e de lá comandaram a degustação virtual (relembre).

Na ocasião a enóloga apresentou um projeto que me parece inédito no mundo: irá enviar 7 amostras de varietais a 25 blogueiros que elaborarão seu próprio vinho, um corte cuja "fórmula" será informada à vinícola para escolha do melhor assemblage. O vencedor assinará o vinho em conjunto com Susana Balbo, que produzirá uma barrica do vinho, rendendo 5 caixas ao blogueiro que terá a honra de participar do lançamento do vinho na Expovinis 2012. 

Ontem foram divulgados os escolhidos para participarem desse projeto através de um vídeo postado pela enóloga diretamente da Ásia: veja aqui.

Fui um dos escolhidos, o que me honra bastante. Apesar de meu nome estar "diferente" no vídeo (Vicente no lugar de Mesquita), não diminuiu minha alegria, até porque já me chamaram muito de Gil Vicente nessa vida... Talvez elabore meu corte ouvindo um fado e, talvez, saia mais "velho mundo" por esse fato. Quem sabe!

Parabéns à Susana e sua importadora, a Cantu, pela iniciativa.

Boa sorte e muita saúde a todos!

28 Setembro 2011

Robert Mondavi Fumé Blanc 2007



Roberto Mondavi é um dos mais importantes nomes do vinho no Novo Mundo. Tem papel fundamental no crescimento da indústria vinícola dos Estados Unidos. Foi ele o "criador" do Fumé Blanc (1966) quando pensou em diferenciar seu SB do estilo mais seco então produzido. O resultado é um vinho com notas amadeiradas muito presentes, sedoso, complexo, diferente da maioria dos SB que privilegiam o frescor da fruta.  

Esse vinho é produzido no Napa Valley, na Califórnia. É rotulado como varietal, mas tem 91% de Sauvignon Blanc e 9% de Semillon, com 14,5% de álcool. Visando dar aromas e textura diferente ao vinho, 60% do mosto é fermentado em barricas francesas e depois há amadurecimendo por 4 meses sobre as próprias borras da fermentação (sur lie).

Na taça coloração amarelo palha, aromas em boa intensidade, frutos cítricos, flores, algo mineral e expressão da madeira também presente. Diferente no nariz que os SB do novo mundo a que estamos acostumados, embora seja reconhecível sua tipicidade. Na boca é intenso, untuoso, madeira presente mas com o frescor da fruta também presente, com boa acidez. Final longo, marcado por notas amanteigadas, fumaça e leve cítrico. 

Talvez por ser um vinho branco de 2007 já tenha passado seu auge, mas ainda é muito bom, com vocação gastronômica. 

Esse foi um presente da minha esposa, mas pode ser encontrado no mercado na faixa dos R$ 140-150. 

Saúde a todos! 





27 Setembro 2011

Procurando um programa legal? Vá ao Encontro de Vinhos!


Caro visitante, 

se você é um amante do vinho, gosta de conhecer novos produtos e conversar sobre o assunto com gente interessante, não pode perder o Encontro de Vinhos no dia 8 de outubro, em Ribeirão Preto. 

Fui à edição do ano passado e voltarei para participar da eleição do TOP 5 esse ano, rever amigos, degustar dezenas de vinhos, conversar com importadores, distribuidores e comprar vinhos em condições especiais.
Os organizadores são os amigos Beto Duarte (Papo de Vinho) e Daniel Perches (Vinhos de Corte), que já liberaram a lista atualizada dos expositores e esperam um grande aumento no número de visitantes também. 

Para ter acesso à feira você adquire o convite a R$ 60 na Mercovino (fone 16-3635-5412) e poderá participar desse grande evento, que nesse ano acontecerá no Hotel JP, às margens da Rodovia Anhanguera, das 14 às 22 horas. 

Não dá pra perder. Nos encontramos lá!

Lista dos Expositores:

- Abflug - www.abflug.com.br
- Aurora - www.vinicolaaurora.com.br
- Au Vin - www.auvin.com.br/
- Cálix - www.calixvinhos.com.br/
- Cantu - www.cantuimportadora.com.br
- Casa Aragão - http://casaaragao.com.br/
- Casa Valduga - http://casavalduga.com.br/
- Cave Geisse - www.cavegeisse.com.br/
- Cave Jado - www.cavejado.com.br
- Chaves Oliveira - http://www.chavesoliveira.com.br/
- Dominio Cassis - http://www.dominiocassis.com.br/
- Domno - http://www.domno.com.br/
- Espaço DOC - http://www.espacodoc.com.br/
- Expand - www.adegaexpand.com.br
- Grand Cru - www.grandcru.com.br
- KMM - www.kmmvinhos.com.br
- La Cristianini - www.lacristianini.com.br/vinhos/
- Lidio Carraro - www.lidiocarraro.com.br
- Lindoya Verão - www.lindoyaverao.com.br/
- Mercovino - www.mercovino.com.br
- MS Import - www.msimport.com/
- Porto Mediterraneo - www.portomediterraneo.com.br/
- Vinho Sul - www.vinhosul.com.br/
- Vinícola Basso - www.vinicolabasso.com.br
- Wine.com.br - www.wine.com.br
- Wine Experience - www.wineexperience.com.br
- Wine Lovers - www.winelovers.com.br
- Wine World Tours - www.wwtours.com.br/



26 Setembro 2011

Corgo da Régua Tinto Douro DOC 2007



Esse vinho é produzido no Douro pela Quinta do Judeu, que recentemente teve seu top de linha recebendo a nota 96 da revista Vinho Magazine, numa prova às cegas de 180 vinhos portugueses. 

Esse Corgo da Régua é o vinho mais modesto da vinícola, um corte de 10% de Touriga Nacional, 20% de Touriga Franca, 35% de Tinta Roriz e 35% de Tinta Barroca. As uvas sãopisadas por homens em lagares tradicionais de granito, opção bem tradicional da vinícola, tem 13% de álcool e parece não ter passagem por barricas. 

Ao comprá-lo por R$ 48, esperava um vinho bem feito como a maioria dos vinhos dessa região e nessa faixa de preços. Mas ele tem uma característica que me agradou bastante: a acidez. Pessoalmente gosto muito de vinhos com essa característica mais presente, porque permitem um leque maior de harmonizações. Poderia até dizer que esse é um coringa à mesa, sendo companhia ideal para carnes vermelhas, massas e mesmo carnes brancas menos condimentadas.
Um vinho de coloração rubi. Aromas em boa intensidade, frutos vermelhos maduros, nuances florais e leve pimenta. Na boca é leve, com taninos finos e acidez marcante. Presença de frutos delicados como framboesas aparecem em boca e no retrogosto. Final longo. Vinho pronto para consumo ou para guardar por mais um ano. Mas eu beberia agora!

Saúde a todos!
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25 Setembro 2011

The Killers - Read My Mind (2006)

The Killers é uma banda de Las Vegas, formada em 2002. Gosto de muita coisa deles, mas essa é a melhor música que fizeram, Read my Mind, do segundo álbum da banda intitulado Sam's Town, lançado em outubro de 2006. Nesse disco a banda mudou bastante seu som em relação ao disco anterior, Hot Fuss (2004). Digamos que ficou menos dançante e mais rock and roll.

Esse vídeo é de uma apresentação ao vivo em 2006. Há outros vídeos interessantes que podem ser vistos no Youtube, como o ótimo clipe oficial gravado em Tóquio (clique aqui) e uma apresentação ao vivo que fizeram no sagrado estúdio de Abbey Road (clique aqui).

Divirtam-se!



23 Setembro 2011

Cousiño-Macul Finis Terrae 2008


Hoje é o dia da "celebração bissexual", o dia em que morreram Sigmund Freud e Marcel Marceau (mímico francês)... mas também é dia de postar sobre um dos vinhos que bebi no meu aniversário, em 31 de agosto. 

Ele foi comprado em janeiro, quando estive com minha esposa na centenária Cousiño-Macul. Uma visita interessante pela história da vinícola e seus vinhos, além de muito fácil de fazer, já que a bodega está na região metropolitana de Santiago. Não me lembro quanto custou no varejo deles, mas no Brasil é vendido na casa dos R$75-80.  É o "segundo vinho" da vinícola, abaixo apenas do Lota, seu ícone.

Vinho muito correto, elegante, num estilo que me agrada bastante. Um corte de 60% Cabernet Sauvignon, 30% Merlot e 10% Syrah, passando 15 meses em barricas francesas. Tem 14% de álcool e as uvas vêm do Vale do Maipo, próximo à capital do país. 

Coloração rubi, com reflexos granada, demonstrando alguma evolução. Aromas intensos, frutos maduros, ameixa, pimentão muito leve, álcool muito discreto e madeira elegante. Nos aromas já me agradou bastante porque a CS não estava tão marcada pelos aromas de pimentão e eucalipto, um tanto enjoativos em alguns chilenos. 

Corpo mediano, fruta muito madura, chocolate, leve tostado. Elegância e harmonia. Taninos macios e acidez em boa dose. Vocação gastronômica. Final longo, com fruta bem madura e tostado. Pronto para beber, ótimo equilíbrio. Acredito que possa ser guardado por mais 2 anos. 

Um chileno com cara de Bordeaux.

Saúde a todos! 

21 Setembro 2011

Villa Francioni Francesco 2005


Ainda não havia bebido um vinho da Villa Francioni com atenção merecida. Nunca pude tomar notas. Mas em nossa viagem a Natal escolhemos jantar no restaurante Manary, que está dentro de um hotel na praia da Ponta Negra, lugar mais movimentado da cidade. 

Certamente foi o ambiente mais aconchegante que conhecemos nessa viagem. A carta de vinhos não é extensa, mas a cozinha e o bom atendimento compensam isso. No jantar é acolhedor, no almoço é alegre. Recomendadíssimo!.

O vinho é produzido em São Joaquim, na Serra Catarinense. É um corte de Merlot (38%), Cabernet Sauvignon (31%), Cabernet Franc (13%), Malbec (12%) e Syrah (6%). Passagem de 11 meses por barricas francesas. Vendido na faixa dos R$ 60.

Na taça coloração rubi, lacrimoso. Bons aromas, leve herbáceo, frutos silvestres, especiarias, leve tostado e chocolate. Na boca tem corpo mediano, com taninos finos, mas revelando potencial para guarda. Acidez marcante. Sensações aromáticas se repetiram no exame gustativo. Amargor discretíssimo, sem ser defeito. Bom conjunto, gastronômico, que chama para a próxima taça, característica que valorizo muito num vinho. Final persistente, chocolate amargo, tabaco e muita fruta. Vinho que está em plena forma.

Saúde a todos!




19 Setembro 2011

Casa Silva Colección Chardonnay 2010


Esse vinho foi bebido no restaurante Abade, em Natal, no início de setembro. As informações que recebemos sobre o local foram contraditórias, alguns dizendo que era o melhor restaurante da cidade, outros dizendo que era "metido a besta", caro etc. Resolvemos arriscar. Posso dizer que comi uma massa com camarões que estava muito boa, minha filha comeu um prato infantil que agradou, mas minha esposa pediu um bife de chouriço com batatas ao murro que estava com gosto de amaciante de roupa. Pelo menos não cobraram essa parte. 

Por outro lado o atendimento foi muito bom, comandado pelo Alves, garçom atencioso e que conhece a carta de vinhos. O ambiente é silencioso, com boa música. O mais sóbrio dentre todos os restaurantes a que fomos em Natal.

Levando em conta a entrada, um camembert com mel e amêndoas, pedimos esse Chardonnay elaborado pela ótima Viña Casa Silva, pertencente à linha Colección, a mais básica da casa. Tem 14% de álcool.

Na taça coloração amarelo palha. Aromas em boa dose, frescos, lembrança de frutos brancos e forte amanteigado. Na boca é aveludado, presença adocicada muito marcante, madeira em destaque e notas amanteigadas se confirmando. Acidez discreta, não confirmando o frescor experimentado no nariz. Vinho que, para meu gosto pessoal, poderia ter mais acidez e ser menos adocicado. Final longo, com leve mineralidade.

É um vinho bem feito como todos dessa vinícola, mas preferia notas menos doces. Porém, agradará a muitos que ainda não estejam acostumados aos vinhos mais secos. Interessante notar que no site do importador a informação é de que somente 10% do vinho passam por madeira francesa (3 meses). Sinceramente, me pareceu bem mais que isso.

Boa compra a R$ 38, apesar dos senões acima.

Saúde a todos!

18 Setembro 2011

R.E.M. The Sidewinder Sleeps Tonite

Quem visita esse blog gosta de vinhos, de gastronomia e certamente de filmes que envolvam os temas. E aos domingos já se acostumou com alguns vídeos musicais.

Sabe aquela cena do filme Ratatouille em que o temido crítico de gastronomia come o "prato de camponês" e é jogado imediatamente ao passado? Pois é, assim eu me sinto quando ouço essa música. Os motivos eu não sei bem, até porque não houvia muito R.E.M. na adolescência, mas isso acontece comigo. Uma sensação boa, de rejuvenescimento de uns... talvez, 20 anos. Por 4 minutos me sinto com 17 anos. Bom isso, não?



Essa música faz parte do ótimo disco Automatic for the People, lançado em 1992. Talvez o melhor disco do R.E.M., banda norte-americana fundada em 1980 em Athens, Georgia.

16 Setembro 2011

Viu Manent Reserva Chardonnay 2010



Quando minha esposa e eu fomos ao Chile, em janeiro, não conseguimos visitar adequadamente a Viu Manent, no Vale do Colchagua. Depois de sair da Viña Montes e Casa Lapostolle, passamos por lá, mas seu restaurante estava lotado e o tour só começaria daí algumas horas. Apenas fizemos um lanche no café deles e bebemos vinhos em taça, uma boa opção naquele momento. Um lugar muito bonito, onde os visitantes podem passear de charrete pelos vinhedos.

No início de setembro fomos a Natal e queria levar minha esposa no restaurante Camarões, que já conhecia de outra viagem que fiz, mas a trabalho, o que me impediu inclusive de ir à praia. Pode isso? 

Bem. Dessa vez fui com calma e escolhemos a unidade Potiguar para almoçar. O restaurante é conhecido de todos e comemos muito bem, além de sermos muito bem atendidos pelo garçom João Batista. Ele me disse que participa de uma confraria, o que é ótimo para alguém que está no serviço do vinho e por vezes não tem oportunidade de degustar uma grande variedade de produtos.

Pedimos esse vinho para acompanhar os petiscos (pastéis de camarão) e o prato principal, camarão no jerimum. 

Esse é um 100% Chardonnay, mas em algumas safras anteriores levou um pequeno percentual de Viognier também. Não tem passagem por madeira e as uvas são colhidas em dois vinhedos no Vale do Colchagua, com vinhas de 20 anos. 

Na taça coloração dourado claro. Bons aromas, certa complexidade, frutos brancos, mel e notas minerais. Na boca é aveludado, com notas amanteigadas apesar da falta de madeira. Leve defumado aparaecendo. Cítrico em primeiro plano, com frutos brancos e leve mineral se repetindo. Boa complexidade e acidez marcante, gastronômica. Final longo, repetindo as sensações da boca. Álcool presente (14% de teor), dando força ao vinho.
Mesmo na faixa de R$ 45-50, considero uma ótima compra.

Saúde a todos!



14 Setembro 2011

Fleur du Cap Sauvignon Blanc 2010



Ganhei esse vinho do amigo Paulo Rabelo, um grande apreciador de brancos e um "vasculhador" de boas compras, sejam elas em lojas ou supermercados. Aliás, já havia me falado muito desse vinho, que pra ele é um best buy. Confesso que não acreditava muito na história, mas ao ganhar essa garrafa pude comprovar que é uma ótima compra, algo na faixa dos R$30-35.

É um vinho produzido pela Fleur du Cap, vinícola pertencente ao grupo Distell que também controla as marcas Two Oceans e Nederburg (veja aqui a lista completa). As uvas vem da genérica região de Western Cape e possui 13% de álcool.

Vinho de coloração amarelo palha. Aromas intensos, vegetais, lembrando aspargos, frutos cítricos, amendoim. Na boca é muito equilibrado, macio e com bom volume. Acidez marcante, final longo e surpreendentemente fresco. Vinho muito correto, típico, sem arestas. Fundo de taça repetindo defumado e amendoim. Ótimo como aperitivo e também para acompanhar sushi, nosso companheiro na noite da degustação. 

Saúde a todos!
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12 Setembro 2011

Casa Lapostolle Cuvée Alexandre Pinot Noir 2007



Esse vinho me decepcionou. No geral gosto muito dos vinhos elaborados pela Casa Lapostolle, e quando comprei esse que pertence a uma linha superior da vinícola, achei que tinha feito uma grande compra, apesar do preço (R$ 95). É que ele ficou um tanto distante do que espero de um Pinot Noir chileno. O frutado quase doce, o álcool e a madeira bem presentes estavam lá. Mas alguma coisa destoou. Se fosse uma banda, diria que alguns instrumentos estavam desafinados e tocando mais alto do que deveriam.

Na taça coloração púrpura, bem lacrimoso. Intenso nos aromas, frutos silvestres, fumo, menta e tabaco, em boa complexidade, dando a impressão de que seria um vinho bem melhor.

Na boca é que o problema surge. Tem fruta muito presente, mas com madeira se sobrepondo e parecendo estar "desconectada" com o resto do conjunto, sensação que me parece imperdoável para um vinho dessa gama. Taninos amáveis. Final persistente, com fruta e madeira. Álcool um tanto exagerado (14,5% de teor).


A passagem de 18 meses por barricas de carvalho talvez tenha sido exagerada. Mas, caro leitor, essa é uma opinião pessoal. Talvez você prove o vinho e ache que é o melhor Pinot que já bebeu na vida. Não desestimulo a compra, mas a esse preço eu não compro novamente.

Saúde a todos!
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09 Setembro 2011

Yali National Reserva Carmenère 2008


Gostei bastante desse Carmenère, que não está entre minhas uvas preferidas, como já sabem os leitores do blog. Então, as 4 taças da avaliação desse vinho são merecidas porque há sempre uma briga interna entre a tentativa de ser imparcial e o instinto que diz "você não gosta de Carmenère"....

Primeiramente é bom informar que não se trata de um 100% Carmenère, porque o produtor (Viña Ventisquero) mescla essa variedade com 15% de Syrah. A legislação chilena permite que com esse percentual o vinho seja rotulado como varietal (vinho elaborado com uma única variedade). As uvas vêm do Vale de Colchagua, mais ao sul do Vale do Maipo onde está sediada a vinícola.

Segundo informações que obtive no site do importador 70% do vinho passam por barricas de carvalho pelo período de 10 meses, sendo 70% em barricas francesas e o restante em barricas americanas. Fica mais 6 meses em adega para afinamento, com potencial de guarda para 7 anos.

Vinho de coloração rubi, com aromas intensos típicos da variedade, mas sem aquela mesmice costumeira em alguns vinhos com essa uva, porque tem alguma complexidade: muita fruta negra, amora, groselha, notas de chocolate e especiarias. Tem corpo médio, bom equilíbrio, taninos maduros e acidez equilibrada. Madeira bem dosada. Final persistente, com frutado mas especialmente chocolate, café e tabaco. Álcool a 14%, sem incomodar em nenhum instante.

Vinho pronto para beber ou guardar por mais 1-2 anos. Vendido no mercado a R$ 33 é uma ótima compra.

Saúde a todos!
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07 Setembro 2011

Hardy's Stamp of Australia Riesling Gewurztraminer 2010

Ganhei esse vinho de um amigo. Foi comprado num supermercado na casa dos $35. Um corte de Riesling e Gewürztraminer elaborado pela Hardys, vinícola fundada em 1853.

O vinho é meio seco, então esperava que não fosse enjoativo para meu gosto pessoal. Na taça apresentou aromas um tanto tímidos. Mineralidade da Riesling em evidência. Lembrança da Gewurztraminer também aparece com flores e frutos tropicais. Na boca é melhor, com acidez marcante e boa refrescância. Mineralidade e notas adocicadas muito presentes. Final ligeiro, com notas adocicadas bem presentes. Vinho leve e descontraído.

Repito: por ser um vinho meio seco o adocicado pode ser enjoativo para quem está mais acostumado aos vinhos secos, mas é um bom vinho pelo que propõe.

Saúde a todos!

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05 Setembro 2011

Signaterra Pinot Noir 2007


Esse vinho foi uma gentileza dos amigos Lílian e Afrânio, comprado na própria vinícola, a californiana Benziger Family Winery. Segundo o site da vinícola, custa US$ 49,00, um preço alto para o padrão médio norte-americano. Certamente aqui no Brasil passaria a casa dos R$ 200.

É produzido no Russian River Valley, uma das regiões mais frias de Sonoma e bastante influenciada pelas brisas frias do Pacífico e pela nebulosidade, que mais ao norte dificultam a maturação ideal das uvas. Seus vinhos mais importantes são elaborados com Chardonnay e Pinot Noir. Interessante notar que os produtores dessa região têm adotado um sistema semelhante à Borgonha para identificar seus vinhos pelo vinhedo. Esse Pinot, por exemplo, tem a inscrição San Remo Vineyard e as uvas são certificadas por um programa de sustentabilidade.

Vamos ao vinho!

Na taça uma coloração grená. Aromas intensos, frutos delicados como framboesa, cereja e morango. Leve madeira. Discreto aroma resinoso. Álcool presente (14,2% de teor). Em boca é intenso, taninos doces, muita fruta madura e repetição do álcool. Final persistente, frutado e "quente".

Claramente um PN do Novo Mundo. Muita fruta madura, taninos doces, menor complexidade e madeira em evidência, com álcool acompanhando em todos os momentos, mas sem ser desequilibrado, apenas uma característica. Um tanto "quente" para meu gosto pessoal, mas ideal para quem prefere um estilo mais maduro e frutado que não seja necessariamente para acompanhar uma refeição.

Esse vinho teve passagem de 11 meses por barricas francesas, assim como os vinhos das safras seguintes (2008 e 2009) disponíveis no mercado, segundo o site da vinícola.

Saúde a todos!
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03 Setembro 2011

Lídio Carraro Coletânea 2009



No dia 15 de julho fizemos a primeira degustação virtual através do Instagram. Foi uma ótima ideia dos amigos Cláudio e Rafaela, do excelente Le Vin au Blog, que sugeriram aos participantes a degustação de vinhos da Lídio Carraro ou Vallontano. Para quem não conhece, o Instagram é um aplicativo para iPhone que permite o compartilhamento de fotos, aplicação de efeitos e tem crescido como uma nova "rede social", pois você pode seguir e ser seguido por seus amigos. É divertido.

Para participar dessa brincadeira escolhi esse vinho da Lídio Carraro, que pelo menos nessa primeira safra teve distribuição exclusiva pela Sociedade da Mesa, clube de vinhos bastante conhecido dos enófilos brasileiros. É um corte de Merlot, Tempranillo, Teroldego, Cabernet Franc, Tannat e Nebbiolo, sem passagem por madeira como os demais vinhos da vinícola. Ao que parece a intenção é elaborar esse vinho com as melhores variedades de cada safra, em cortes inusitados como esse, em percentuais variáveis para aproveitar o máximo que cada uva pode dar ao conjunto.

O vinho tem coloração púrpura, com reflexos violáceos. Ainda jovem, com lágrimas grossas.

Tem boa intensidade aromática, lembrança de frutos negros, ameixa, leve álcool, notas lácteas e balsâmicas. De corpo médio, tem taninos ainda jovens, com adstringência que deve diminuir nos próximos 2 anos. Fruta bem presente em boca. Um vinho que, apesar de jovem, já pode ser bebido agora ou pode ser guardado, algo que farei com a outra garrafa que recebi.

Final de média persistëncia, com boa fruta, tostado e café aparecendo. Aliás, tenho notado nos vinhos da Lídio Carraro essa presença de aromas tostados e café, mesmo que não passem por madeira. Vinho com boa tipicidade. Não tem como esconder que é um tinto brasileiro, apesar de não ser possível identificar a prevalência de alguma variedade sobre as demais.

Mais um vinho correto da vinícola Lídio Carraro, que foi o único que não degustamos em nossa visita à vinícola em junho (relembre), porque a Patrícia Carraro respeitou a exclusividade dada à Sociedade da Mesa. Paguei algo em torno dos R$39 pela garrafa, preço bastante justo.

Saúde a todos!
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01 Setembro 2011

Cava Jané Ventura Brut Nature #cbe


Esse é o 59º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, cujo tema foi indicado pelo amigo Daniel Perches, sommelier, publicitário, torcedor do "maior do mundo" e autor do ótimo Vinhos de Corte: "aproveitando que o calor está chegando de novo, proponho bebermos um espumante Cava, de qualquer valor".

Vale lembrar que as Cavas são os espumantes mais tradicionais da Espanha, produzidos em sua grande maioria na região do Penedès (na Catalunha), pelo método tradicional (champenoise) com uvas típicas da Espanha, como parellada, xarel-lo e macabeo. A primeira confere finesa ao espumante, a segunda colabora com o corpo e boa acidez e a terceira com a fruta, os aromas e acidez.

Foi na região do Penedès que a Freixenet, grande produtora espanhola, criou uma máquina para substituir a ação humana na atividades da rémuage, aquele giro que um funcionário da vinícola dá em cada garrafa que está em fermentação. Inventou-se a gyropalette, estrutura de aço que faz esse serviço em 500 garrafas de uma única vez (leia mais). Eficiente, mas menos charmoso que o processo tradicional.

Para comentar escolhi esse produto elaborado pela Jané Ventura, empresa familiar envolvida com a produção de vinhos desde 1914. O vinho base leva 30% de macabeo, 30% de xarel-lo e 40% de parellada. A fermentação ocorre em 4 semanas e a maturação entre 20-30 meses. Por ser um nature, após a degola não se acrescenta licor de expedição, ou seja, não se adiciona açúcar ao vinho e a quantidade de açúcar residual fica entre zero e 3 gramas por litro. Vendido na casa dos R$ 70.

Vamos ao vinho!

Na taça coloração amarelo palha. Perlage fina e persistente. Espuma formada no momento do serviço, mas desaparecendo em seguida. Mas essas características podem variar muito de acordo com as taças e sua limpeza (produtos utilizados, resíduos etc).

Aromas em boa intensidade, bastante característicos das Cavas. Mesmo não tendo larga experiência com esses espumantes, percebo aromas bem distintos de espumantes brasileiros e champagnes. Muito floral, notas evidentes da fermentação, casca de pão, fermento e tostado.

Na boca confirma os aromas e um toque frutado diferente, que interpreto como "groselha" (já experimentado em outra Cava). Boa acidez, seco, confirmando nível de açúcar residual muito baixo, leve e gastronômico. Final persistente, floral, groselha e tostado. A uma temperatura mais alta os aromas e sabores da fermentação se sobressaem ainda mais.

O preço não é tão atrativo para ser um espumante para o dia-a-dia, mas vale a experiência. Muito bem feito, complexo e pode/deve acompanhar comida. Mas não compre se você gostar de espumantes com maior nível de açúcar como a maioria dos brut brasileiros. São bem diferentes.

Saúde a todos!
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