31 Outubro 2011

Um pouco de cor para esse blog cinza!



Sempre fui a maior admiradora, torcedora e colaboradora do blog Vinho para Todos. No entanto, sempre achei que ele precisava de temperos. Estava assim, um pouco sem sal.

Quando éramos namorados eu achava a mesma coisa dos pratos que ele comia, e uma das coisas boas de sermos casados é que hoje tudo tem mais cor e sabor.

Escrever ao lado dele sempre foi uma vontade nossa, mas por falta de tempo, pela vida estressante que estava vivendo, nunca conseguia. Agora, uma vida nova me permite esse desafio que será pra mim um grande prazer.

De agora em diante publicaremos aqui no blog nossas aventuras na cozinha, nossas harmonizações (certas e erradas), receitas e algumas dicas interessantes. É uma boa maneira de exercer minha profissão de Nutricionista ao lado de uma grande paixão, a gastronomia.

As postagens dos vinhos continuam normalmente, mas entre elas um pouco mais de sabor e um toque feminino, claro.

Amanhã será minha estréia. 

Aproveito para convidá-los a lerem minha coluna aos domingos, no Jornal Correio, de Uberlândia. 

Espero que gostem e mandem suas sugestões.

Érika Mesquita

30 Outubro 2011

No carrinho do supermercado: Cornellana Sauvignon Blanc 2010



Comprei esse vinho no supermercado, pagando R$ 18,50. Nessa faixa de preços os brancos costumam ser compras mais seguras do que os tintos, especialmente entre chilenos e argentinos. Embora não seja uma regra exata, os brancos costumam ser leves, descontraídos e frescos, enquanto os tintos são mais carregados na madeira.  Por isso aqui em casa compramos quase sempre os brancos, porque se não for satisfatório vai para o risoto.
Esse Sauvignon Blanc é produzido pela Viña Cornellana, com uvas do Vale do Cachapoal, uma região mais conhecida pelo potencial de cultivo de uvas tintas. É importado com exclusividade pela Companhia Brasileira de Distribuição para as redes Pão de Açúcar e Extra.  

Na taça uma coloração amarelo palha. No nariz os aromas típicos da variedade. Algo vegetal, aspargos, grama cortada e leve mineral. Discreto, mas de boa qualidade. Na boca é leve, tem boa acidez, mas tem menos presença do que os aromas prometiam. Final um tanto ligeiro. 

Vinho simples, sem complexidade, mas é correto. A esse preço pode ser uma opção descompromissada para os dias de calor ou para acompanhar pratos leves, como saladas ou frutos do mar sem temperos que possam deixar o vinho em segundo plano.

Saúde a todos!






28 Outubro 2011

Produtor clássico: Louis Jadot Chardonnay Bourgogne AOC 2009




Comprei esse vinho no free shop a US$20. É importado para o Brasil pela Mistral. Mas desconfio que não essa linha, que deve ser uma das mais baratas desse tradicional produtor da Borgonha, a Maison Louis Jadot, fundada em 1859.

Nos livros de referência sobre a região, é considerado um "produtor notável", como no Atlas do Vinho. Para o crítico Robert Parker, é um dos "melhores produtores do mundo". A produção é centrada na Borgonha, com vinhedos distribuídos em 4 propriedades, totalizando cerca de 150 hectares. 

Numa compra como essa o desafio é saber se o vinho levará 4 ou 5 taças na minha avaliação, porque a qualidade do produtor já o coloca numa situação privilegiada. Aliás, quando comprei esse Chardonnay também comprei um Pinot Noir, que em breve será comentado aqui no blog também. Apenas um defeito na rolha ou um mal armazenamento poderiam atrapalhar o vinho. Não foi o caso. 

Na taça um coloração amarelo palha. Aromas intensos, mineralidade em evidência, frutos de polpa branca (pêra e abacaxi) e leve amenteigado. É leve, mineral, com boa acidez e repetição do amanteigado. Certa potência dada pelo álcool, mesmo a 12,5%. Final um tanto ligeiro, marcado por frutos brancos, palato mineral e manteiga. A boa acidez é o aspecto mais interessante desse vinho, dando a ele condições de acompanhar comida. 

Uma boa compra a esse preço, sem dúvida, embora não possa afirmar o mesmo se no mercado brasileiro fosse vendido a R$ 100, por exemplo.

Saúde a todos!


26 Outubro 2011

Um espanhol bem feito: Miguel Torres Atrium Merlot 2009


Esse vinho rendeu a foto mais comentada/curtida no meu perfil do Instagram até aquele momento. Foi bebido num domingo em família, na fazenda dos meus sogros, em Catalão (GO). Como legenda pra foto eu escrevi: "em alguns momentos a taça adequada é irrelevante". Esse fato me fez lembrar que isso é bastante natural nos países onde o vinho está mais presente na cultura do povo. Na Itália, em Portugal ou França, por exemplo, um copo "americano" pode ser a taça ideal, porque o momento é mais valorizado que o vinho. As pompas e circunstâncias não estão muito presentes como para nós, brasileiros. 

Certa vez participei de uma festa de italianos em Bento Gonçalves, levado pelo João Valduga. Bebi Chardonnay em tulipa de chopp, vinhos tintos, brancos e rosés de uva americana em copos de requeijão e em nenhum momento reclamei disso. O momento, as companhias, a alegria eram mais importantes que o vinho e as taças...  

Esse Merlot vem da região espanhola do Penedès e é produzido pela Bodega Torres, fundada em 1870. Pela garrafa paguei R$ 55. Tem 14% de álcool e passa 6 meses em barricas francesas.

Vinho de coloração rubi, lacrimoso. Aromas intensos, frutos vermelhos, café, especiarias e algo mentolado. Corpo mediano, taninos elegantes, acidez um tanto discreta e repetição em boca das sensações olfativas. A madeira está bem presente, como é comum em vinhos espanhóis. Pode não agradar a muitos, mas é uma questão de estilo. Final longo, fruta, madeira (baunilha) e especiarias em bom conjunto.  Boa vocação gastronômica.

Sem defeitos. Vinho para ser bebido jovem, como agora. Não creio que evolua com a guarda. Beba logo!

Saúde a todos!






24 Outubro 2011

Larentis Mérito Gran Reserva 2008


Meu respeito pela Vinícola Larentis vem desde que conheci a família numa de minhas visitas ao Vale dos Vinhedos. Já comentei aqui outros vinhos deles: um Pinotage, um Ancellotta e um Marselan. Quando fiquei sabendo do lançamento desse corte em comemoração aos 10 anos da vinícola fiz questão de noticiar aqui no blog (relembre) e comprar duas garrafas, pagando R$ 63.

O vinho é um corte de quatro uvas da safra 2008, representando os quatro fundadores da empresa: 60% Merlot, 20% Cabernet Sauvignon, 10% Ancellota e 10% Marselan, com passagem de 10 meses por barricas de carvalho norte-americano e mais 18 meses em cave depois do engarrafamento.

Foi feita uma tiragem de apenas 1.000 garrafas. A que abri recentemente foi a de nº 240. A outra será aberta daqui há alguns anos, para verificar sua evolução.

Na taça o vinho tem coloração púrpura, lacrimoso, manchando a taça. Nos aromas é intenso, frutos vermelhos maduros e aquela lembrança típica dos vinhos do Vale. Inicio com forte lembrança do carvalho americano, mas depois de um tempo aberto essa presença diminui, ganhando outros aromas, como chocolate. 

Na boca tem menos corpo do que eu esperava. Taninos macios, repetição da fruta e madeira bem presente, um leve amargor incomodou um pouco. Acidez em boa conta, deixando o vinho vivo, gastronômico. Final mediano, repetindo boa integração entre fruta e madeira. 

O vinho evoluiu na taça, sendo aconselhável uma aeração para que seus aromas se equilibrem. Como todo bom vinho brasileiro, tem ampla vocação gastronômica: carnes vermelhas, massas com molhos mais encorpados, queijos maduros etc.

Como bebi sozinho, deixei metade do vinho para o almoço do dia seguinte e estava em ótimas condições. Enfim, é um bom vinho, que ainda pode evoluir ganhar coplexidade para o próximo ano... mas o Marselan deles continua sendo meu preferido. 

Saúde a todos!






21 Outubro 2011

Maison Forgeot Père & Fils Pouilly-Fuissé AOC 2008



Comprei esse vinho a US$ 22 no free shop. Não sei quanto custa ou custaria no Brasil, mas seu importador vende um Chablis a R$ 85 no site. Talvez este Pouilly-Fuissé esteja numa faixa provável de até $100. Há algum tempo publiquei outro vinho dessa região e lá há algumas informações importantes (relembre).

Não encontrei o site do produtor, a Maison Père et Fils, mas sei que é sediada na comuna de Beaune, na Côte-D'Or (Borgonha) e, ao que parece, foi constituída como sociedade empresarial em 1954.

O vinho é excelente, tem coloração amarelo com nuances esverdeados. Lacrimoso (13,5% de álcool). Intensos aromas, com notas cítricas, maracujá e leve defumado. Na boca é refrescante, acidez marcante, lembrança de frutos tropicais, amanteigado elegante, boa citricidade, lima, algo vegetal (grama). 

Um Chardonnay um tanto diferente, mais cítrico e vegetal do que a maioria que experimentamos, mesmo dessa região. Final longo, com muita fruta, bem acompanhada de elegante tostado. Boa complexidade, excelente equilíbrio e boa vocação gastronômica. Vinho sem defeitos e com muito a "ensinar" sobre as características da região.

Vale muito conhecer esse vinho. 

Saúde a todos! 



19 Outubro 2011

Fossetti Rosso Toscano IGT 2008


Bebi esse vinho no restaurante Santa Chiara, aqui em Uberlândia, acompanhado por minha esposa e filha (que, obviamente, não bebeu vinho). Um lugar bacana, com menu concebido pela chef Adelaide Engler. O serviço do vinho é delicado, bem feito, temperatura correta, garçons discretos. Alguns amigos dizem que é o melhor serviço de Uberlândia. Só acho que o restaurante merece taças melhores para seus vinhos.

Como íamos pedir carne vermelha, a decisão foi por esse tinto da Toscana, elaborado com 100% Sangiovese pela Azienda Mocali, fundada em 1960. O então proprietário foi um dos 25 fundadores do Consórcio da denominação Brunello di Montalcino. Os atuais donos, o casal Alessandra e Tiziano Ciacci, iniciaram em 1987 a aquisição de novos vinhedos e atualmente possuem 32 hectares próximos a Montalcino, mas somente 9 são destinados aos vinhedos, sendo que 6 desses estão dentro da DOCG Brunello di Montalcino.

A "azienda" produz apenas 30.000 garrafas por ano de vinhos elaborados exclusivamente com a Sangiovese Grosso e suas videiras são substituídas a cada 25 anos, uma prática na região.  

Na taça uma bela coloração rubi. Límpido, boa transparência e lágrimas grossas (13,5% de teor). Aromas em boa intensidade. Frutos maduros mais delicados, cereja, framboesa, terra e musgo. Madeira somente aparecendo mais intensamente no início do exame olfativo.

Na boca tem corpo médio, com taninos elegantes e macios, acidez marcante. Vinho com discretíssimas notas adocicadas. Bom conjunto e boa tipicidade. Final longo, com leve tostado, fruta, musgo e terra em repetição. Vinho com grande vocação gastronômica, sem dúvida.

Se você gosta de vinhos redondos demais, notas adocicadas e muita madeira, essa não é uma boa opção.

Não consegui informações sobre o preço no varejo, mas li alguma coisa sobre a boa relação custo x benefício dos vinhos desse produtor, que tem um dos Brunellos mais em conta do mercado. Quem souber algo, envie um comentário, por favor.  

Saúde a todos!

 

17 Outubro 2011

Carte Turquoise Crémant de Loire AOC Brut




Se você quer conhecer os espumantes da França, que obviamente não vive só de Champagne, deve visitar o blog do amigo Beto Duarte, o Papo de Vinho, que publicou 19 pequenos textos sobre o assunto.

Para facilitar meu trabalho, retiro de lá uma descrição sobre a AOC Crémant de Loire, de onde vem esse espumante elaborado pela Domaine des Baumard

"(...) foi criada em 1975. A Appellation engloba as appellations de Anjou, Saumur e Touraine, mas é em Saumur que estes espumantes são mais produzidos. Existe uma grande variação de solos, climas e variedades. O Crémant de Loire pode ser elaborado com Chenin, Chardonnay, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Pineau d’Aunis e Menu Pineau. Existem quase 600 produtores. São produzidos os espumantes Brut, demi-sec, e Rosé. Os espumantes são elaborados pelo método tradicional (Champenoise). São elegantes e complexos."

Comprei esse Crémant movido pela curiosidade de experimentar algo fora da região de Champagne a um preço mais acessível. Paguei R$ 85 pela garrafa e gostei do resultado.

Interessante saber que é um espumante elaborado com Chenin Blanc, Cabernet Franc e Chardonnay, um corte que eu ainda desconhecia. A fermentação (prise de mousse) é de 18 meses, no mínimo, em garrafa (método Champenoise). Tem coloração amarelo palha, perlage elegante. Aromas maduros, fortes notas de fermentação, ferrugem, frutos brancos. Na boca tem bom corpo, boa acidez e refrescância. Frutos brancos bem presentes. Equilibrado. Final de boa persistência.

Espumante de estilo mais maduro por conta do período de fermentação, mas não é pesado. Vai bem com entradas mais leves, mas pode acompanhar pratos principais não muito pesados. A combinação entre Chenin Blanc e Cabernet Franc lhe confere aromas e sabores distintos daqueles a que estamos mais acostumados (Chardonnay + Pinot Noir).

Vale experimentar. Saúde a todos!


14 Outubro 2011

Nieto Senetiner Reserva Pinot Noir 2010


Fui ao supermercado e encontrei esse vinho da famosa Nieto Senetiner. Até então não tinha encontrado um Pinot Noir dessa bodega, o que motivou a compra, mesmo pagando arriscados R$ 55. Estranhamente não aparece no site da vinícola. 

O resultado pode ser resumido na expressão que os amigos Cláudio e Rafaela (Le Vin au Blog) gostam de usar: não mudará sua vida!

O vinho pareceu melhor no início da degustação, aquele primeiro gole que te surpreende, mas depois foi caindo. Como não conseguimos beber a garrafa toda no mesmo dia, deixei uns 150 ml para o dia seguinte. O resultado foi ainda pior. Mas a avaliação que segue leva em conta minha percepção na noite em que foi aberto.
Na taça coloração vermelho grená. Boa transparência. Aromas em boa intensidade, mas simples, frutos silvestres, framboesas, morangos. Leve álcool (13,5%). Na boca é leve, tem boa acidez (como deve ser um PN), taninos finos, sem presença de madeira. Fruta bem presente. Sem notas adocicadas. Macio. Pede comida. Final mediano, com muita fruta e algum álcool sobrando, com levíssimo amargor.

Não é ruim ou mal feito, mas não é especial. Durante a degustação foi dando vontade de parar de bebê-lo... tanto que sobrou um pouco na garrafa. Preço pouco atraente. Não evoluirá com a guarda. Beba logo.

Saúde a todos!







11 Outubro 2011

Minhas impressões sobre o 2º Encontro de Vinhos em Ribeirão Preto


(Na foto de Nádia Jung, os blogueiros Beto Duarte e Daniel Perches com o representante da Importadora Abflug, que faturou o primeiro lugar no TOP 5)


Na condição de enófilo e blogueiro espero que uma feira de vinhos ofereça: bons expositores, bons produtos, organização e tranquilidade para circular, conversar e especialmente conforto para degustar. Tudo isso esteve presente na segunda edição do Encontro de Vinhos, em Ribeirão Preto, no último sábado.

Os blogueiros Beto Duarte (Papo de Vinho) e Daniel Perches (Vinhos de Corte) já haviam acertado a mão no primeiro evento e nesse melhoraram em alguns aspectos que tornaram essa segunda edição ainda melhor: o espaço foi maior e mais confortável e o número de expositores aumentou, com algumas boas surpresas. Também gostei da escolha do Hotel JP, que está às margens da Via Anhanguera, facilitando o acesso aos que chegam de outras cidades.

Foram gentis (como a maioria dos blogueiros do vinho que conheço) em convidar a mim e minha esposa (que tem muito mais talento com vinhos do que eu) para participar da eleição do TOP 5, como aconteceu no ano passado. Quero registrar que as taças desse ano estavam impecáveis, alguns degraus acima do que no ano passado. O resultado saiu bem rápido e você pode conferir o resultado clicando aqui.

Para ver todas as fotos do evento, visite o álbum clicando aqui.

Quero aqui registrar o "meu TOP 5", isto é, os vinhos que se saíram melhor na minha avaliação às cegas, sendo que três deles também entraram no TOP da feira. Isso confirma que eu não estava tão longe assim dos demais degustadores, quase todos eles com muito mais experiência e técnica do que eu.

Vamos lá:   

1º lugar na avaliação VPT: Vinho nº 15 - 94 pontos 
EDIZIONE CINQUE AUTOCTONI FARNESE 2008
Itália - Importadora World Wine
Preço: R$ 150,00
Classificação no TOP 5: 2º lugar
** dentre os tintos foi disparada minha melhor avaliação. Vale o que custa.

2º lugar na avaliação VPT: Vinho nº 19 - 93 pontos  
JURANÇON DOMAINE NIGRI
França - Importadora Cave Jado
Preço: R$ 79,00
Classificação no TOP 5: 3º lugar
** vinho de sobremesa muito intenso, com boa acidez e complexidade aromática que vale muito a pena conhecer.

3º lugar na avaliação VPT: Vinho nº 18 - 91 pontos 
CINCO TIERRAS RESERVA DE FAMILIA 2008
Preço: R$ 220,00
Classificação no TOP 5: 4º lugar
** é um corte de Merlot e Malbec (50/50). Ganhou personalidade com a passagem por madeira.

4º lugar na avaliação VPT: Vinho nº 02 - 91 pontos 
ESPUMANTE 130 Brut
Brasil - Casa Valduga
Preço: R$ 60,00
Classificação no TOP 5: não entrou
** elegante e fino como sempre. Uma das melhores relações custo x benefício dentre os espumantes brasileiros.

5º lugar na avaliação VPT: Vinho nº 04 - 90 pontos 
DOMINIO CASSIS MERLOT  2008
Preço: R$ 30,00 
Classificação no TOP 5: não entrou
** boa complexidade e equilíbrio. Final de boca com elegante lembrança da madeira (bala de café).  


Vejam como uma degustação às cegas é democrática: o 5º lugar foi para um Merlot do Uruguai que custa na faixa de R$ 30, mas pode ser encontrado a menos que isso. 


Espero que essa lista possa ser útil a você em suas próximas compras.

Saúde a todos!

10 Outubro 2011

Dufouleur Frères Pouilly-Fuissé AOC 2009



Aprendi sobre os vinhos de Pouilly-Fuissé com minha esposa, que os conheceu quando fez os cursos da WSET. São vinhos elaborados com Chardonnay na Borgonha, mais precisamente na região de Mâconnais, sendo Pouilly-Fuissé uma área em torno de quatro pequenos povoados: Vergisson, Solutré-Pouilly, Fuissé e Chaintré. Nessa região não há Grand Crus ou Premier Crus, por isso o vinho agora comentado é rotulado como Grand Vin Bourgogne.

Esse vinho é produzido pela Dufouleur Frères, sediada em Nuits-Saint-Georges, começou sua história como produtor no início do Século XX e tem vinhos de muitas localidades da Borgonha. Vale uma visita ao site. 

O produtor indica que esse chardonnay é um excelente exemplar de "introdução ao terroir da Borgonha". É verdade. Como não tem passagem por madeira, mas é envelhecido de 6 a 10 meses em cubas de aço inoxidável, mantem frescor da fruta, mas com alguma complexidade.

Os aromas são predominantemente frutados, mas com grande expressão mineral, provavelmente em virtude das características do solo calcário. Final mediano, preservando fruta e notas minerais. Com 13% de álcool é um vinho "didático", muito bem feito, mas não é excepcional.   


09 Outubro 2011

Jethro Tull - Aqualung (1978)

Hoje tem rock and roll das antigas aqui no blog. O Jethro Tull é uma banda inglesa formada em 1967, na cidade litorânea de Blackpool. O nome é uma referência ao agricultor que inventou a semeadeira mecânica (1701) e é considerado um dos pais da agricultura científica.

A música do vídeo é um clássico e dá nome ao 4º disco da banda, Aqualung, lançado em 1971. O disco é tão importante que está na lista dos 200 álbuns definitivos do Rock and Roll Hall of Fame. 

A apresentação desse vídeo é de 1978, no Madison Square Garden, em New York. O vocalista e flautista Ian Anderson, escocês, aparece nesse vídeo numa de suas clássicas performances. Ao vê-lo me lembro de personagens de histórias medievais. Sempre acho que ele saiu de algum lugar da Terra Média, entre Gondor e as Terras do Sul...



07 Outubro 2011

Oyster Bay Sauvignon Blanc 2010


Comprei esse vinho no free shop pagando US$ 20. É produzido pela Oyster Bay, uma vinícola jovem da Nova Zelândia. Em 1991 seu Sauvignon Blanc ganhou o prêmio de melhor vinho dessa cepa no 22º International Wine & Spirit Competition, em Londres. 

A vinícola também produz Chardonnay, Pinot Noir, Merlot e dois espumantes, um brut (100% Chardonnay) e outro rosé (com Chardonnay e Pinot Noir). Os vinhedos estão em duas regiões do país: alguns na Ilha do Norte, na região de Hawke's Bay e outros, de onde vêm as uvas desse vinho, na Ilha do Sul, na região de Marlborough. 

Essa última região tem um dos climas mais secos e ensolarados da Nova Zelândia, com noites frias e amplitude térmica em torno dos 10ºC, permitindo condições ideais de maturação das uvas por um longo período que se estende de outubro até a colheita, em abril. 

O vinho foi degustado no dia 15 de agosto. Apresentou coloração amarelo palha. Ótimos aromas, boa tipicidade, algo vegetal, aspargos e mineralidade marcante. Na boca é intenso, cítrico, limão, acidez marcante, repetindo mineral também. Final de médio a longo, marcado pelo cítrico (limão) ,vegetais e mineralidade. Equilibrado, complexo, com álcool em boa dose (13%). Intenso em aromas e sabores. Boa tipicidade. Acidez refrescante, servindo como aperitivo ou para acompanhar comida. Nesse dia acompanhou muito bem a salada. 

Saúde a todos! 

05 Outubro 2011

Vinho branco brasileiro - quer boas dicas?


O tema de outubro da Confraria Brasileira de Enoblogs (CBE) originou um painel interessante de vinhos brancos brasileiros. A indicação veio do Marcelo di Moraes, que delimitou a faixa de preços em $80, mas a maioria das indicações ficou abaixo disso. 

Seguem os vinhos indicados pelos confrades, uma ótima lista pra se levar às lojas ou supermercados e não errar na compra, ainda mais porque o calor na maioria das regiões brasileiras é propício aos vinhos brancos:


AGENDA DE VINHOS
Dádivas Chardonnay 2010 

LE VIN AU BLOG
Abreu Garcia Chardonnay 2009 

NOTAS ETÍLICAS
RAR Collezione Viognier 2010 

VIVENDO A VIDA


Saúde a todos!

03 Outubro 2011

Danie de Wet Chardonnay Sur Lie 2010



Lá vou eu tentar uma explicação técnica: durante o processo de fermentação do vinho, o consumo do açúcar pelas leveduras forma resíduos (borras) que normalmente são separados do líquido. Em alguns vinhos, provavelmente apenas os brancos, essa separação não ocorre e o vinho continua em contato com as borras para ganhar complexidade nos aromas e sabores, além de ter um pouco mais de corpo do que o normal. 

Esse processo é conhecido em francês como sur lie e em espanhol como sobre lias. Durante esse contato o enólogo provoca uma mexida no vinho, processo conhecido como bâttonage, com objetivo de manter todo o líquido em contato com as borras. Em alguns casos o vinho passa também por barricas, aumentando ainda mais o corpo e a complexidade aromática.

Esse Chardonnay é produzido pela De Wetshof Estate, na região de Robertson. Segundo o site da vinícola, as uvas são fermentadas em tanque e deixadas alguns meses em contato com as borras, com battonages semanais. Importante: não é maturado em madeira.

Vamos ao que interessa: vinho de coloração amarelo palha. Bons aromas, frutos tropicais, abacaxi em calda, maracujá, presença amanteigada. Na boca tem personalidade, boa complexidade e bom corpo para um Chardonnay. Apesar da fermentação na presença das borras, tem acidez marcante. Presença muito clara de frutos de polpa branca, amanteigado, lembrança das leveduras e final de boa persistência. Álcool a 14,5% deixou o vinho com certa potência. Com comida melhorou ainda mais, acompanhando uma massa com camarões. 

Pronto para beber, apesar da projeção da vinícola de guarda por até 4 anos. Compra muito boa a $45.

Saúde a todos!


01 Outubro 2011

RAR Collezione Viognier 2010 #cbe


Esse é o 60º vinho que comento para a Confraria Brasileira de Enoblogs (CBE). A escolha desse mês foi do Marcelo Di Moraes, que indicou um "vinho branco brasileiro de até $80".

Essa indicação veio a calhar, porque há tempos queria escrever aqui sobre os vinhos RAR, sigla de Raul Anselmo Randon, empresário do ramo de transportes (quem nunca viu a marca Randon nas carrocerias de caminhões Brasil a fora?), um dos maiores produtores de maçãs do país e também do queijo Gran Formagio, o primeiro "granna padano brasileiro". A vinificação fica por conta da Miolo e as uvas vem da região de Campos de Cima da Serra, uma das mais frias do país.

O vinho tem coloração próxima a um dourado claro. Boa complexidade nos aromas, frutos brancos, flores, leve baunilha. Na boca é leve, com alguma untuosidade, acidez mediana (característica da Viognier), um fundo cítrico que não percebi nos aromas e a confirmação dos frutos e flores. Final mediano. Melhor no nariz que na boca, mas parece ter condições de melhorar com algum tempo em garrafa, talvez mais 1 ano.

Vinho muito correto e elegante, com madeira bem integrada. Ao ler no contra-rótulo que teve passagem de 12 meses por barricas francesas, imaginei que fosse mais "pesado". Pela garrafa paguei $49 e por esse preço já bebi muitos outros Viognier inferiores, sem personalidade. 

Vale a experiência. Beba sem preconceitos.

Saúde a todos!