30 Novembro 2011

Caçarola de pernil suíno, abacaxi e cogumelos


Acabei ficando sem postar alguns dias, mas estou de volta e com muita coisa pra contar.

Estou tendo a oportunidade de vivenciar algumas coisas que ficaram perdidas por tanta correria.

No final de semana que passou acompanhei o Gil a um encontro de vários blogueiros do vinho e da gastronomia, em São Paulo. Foi para comemorar o aniversário do Cláudio Werneck, marido da querida Rafaela Giordano, que aproveitaram a oportunidade para comemorarem os 5 anos do blog deles, o Le Vin au Blog.

Foi um encontro muito agradável e tive a oportunidade de conhecer várias pessoas que já faziam parte do meu dia-a-dia, mas somente via internet.

Sentamos ao lado do casal Marcel e Nina, do blog Gourmandise. Pessoas muito cultas e que tive o prazer de conversar por várias horas. Confesso nesse post que eles me fizeram ficar extremamente curiosa por informações sobre pães e principalmente sobre o Xerez, um vinho curioso e sobre o qual contarei um pouco mais assim que adquirir experiência sobre o tema.

Além desse encontro que foi muito especial, na semana que se passou tivemos a oportunidade de elaborar nosso próprio vinho para o concurso “Meu vinho com Susana Balbo”, uma realização da bodega Domínio del Plata e da importadora Cantu. Uma tarefa bem difícil e, confesso, cansativa. Elaborar um vinho não tendo experiência e com poucas ferramentas (pipeta + proveta), contando somente com o nariz e o paladar, não foi fácil. Mas, foi uma aventura e estamos na disputa. 

Depois dessa incursão na enologia, passei uns dias ao lado da minha Mama, que passou por um processo cirúrgico, mas está tudo bem e (tirando a parte ruim da história) foi bom pois tive a oportunidade de ficar pertinho dela, cuidar e dar colo a quem fez tanto por mim. 
Estou contando tudo isso para justificar a minha ausência e ficar em paz com minha consciência. Tenho a responsabilidade de atualizar sempre meus posts, porque o Gil é muito disciplinado, então tenho que seguir à risca a agenda de publicações. 

Continuando o jantar aqui em casa, falo hoje sobre a caçarola de pernil suíno, abacaxi e cogumelos.

Ingredientes:
- 1 kg de pernil suíno
- azeite, alho, sal e pimenta do reino a gosto
- 50 ml de shoyo
- 150 g de cogumelo shiitake
- 150 g de cogumelo shimeji
- ½ abacaxi
- 1 colher de sopa de manteiga
- cheiro verde a gosto

Modo de preparo:

Em uma frigideira ou Wok coloque o azeite o suficiente para refogar a carne, que deverá estar cortada em cubos pequenos e temperada com sal, alho e pimenta do reino. Refogue a carne normalmente com se fosse fazer um cozido.

Em outra panela, coloque manteiga e deixe derreter. Acrescente os cogumelos, lembrando de separar o shimeji e fatiar o shiitake. Deixe refogar. O segredo é não cozinhar muito e não acrescentar água, assim que eles estiverem sequinhos, acrescente o shoyo.

Se sua carne já estiver cozida e sem caldo, coloque o abacaxi cortado em cubos. Mexa por 2 minutos e desligue. Acrescente os cogumelos e mexa. Coloque no prato que escolher para servir e decore com cebolete. Como podem ver na foto eu usei cebolinha, porque por aqui achar cebolete é como ganhar na loteria.

Metendo a colher:

- Cogumelos e trufas pertencem ao reino dos fungos. Antes de cozinhar, para limpar os cogumelos frescos, basta remover os vestígios de terra ou areia. Você pode até lavar, desde que seja rapidamente. 

- Nunca deixe cogumelos frescos de molho, porque eles absorvem rápido a água e ficam encharcados. 

- Se escolher cogumelos secos, coloque-os em uma tigela de água quente, deixe-os mergulhados por um tempo de 15 minutos para reidratarem. Use uma escumadeira para retirá-los do molho.

O vinho que acompanhou esse prato foi o Salton Talento 2006, comentado mais cedo. A harmonização ficou boa. Não sei foi a melhor escolha, mas não fez feio. O vinho é elegante, tem boa estrutura e não houve nenhuma incompatibilidade. 

Bom apetite!

Érika Mesquita
 

A elegância do Salton Talento 2006


Esse tinto é um dos vinhos top da centenária Vinícola Salton, um corte de Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (30%) e Tannat (10%), com passagem por barricas novas de carvalho francês (média tostagem) e mais um ano em cave para amadurecimento.

Gosto muito da ideia dos cortes representarem o que a vinícola tem de melhor. Sei que em termos de mercado brasileiro isso ainda pode ser um risco, já que a maioria dos consumidores ainda prefere os varietais. Mas já existe uma quantidade boa de apreciadores que conhece as vantagens obtidas na elaboração de assemblages. 

Já comentei a safra 2004 desse vinho aqui (relembre) e a elegância continua, embora aquela safra tenha sido melhor para os vinhedos, ao que me parece.  Tinha maior capacidade de guarda que esse 2006.

Deixei o vinho por uns 40 minutos no decanter para uma aerada necessária em vinhos como esse. Na taça tem coloração rubi. Aromas intensos, madeira muito presente de início, frutos maduros (ameixa) em segundo plano.

Na boca tem corpo mediano, menos do que esperado para um vinho com percentual tão alto de Cabernet Sauvignon. Os taninos são macios e a acidez mediana. Final de médio a longo, com madeira e fruta melhor integrados que no início da degustação. A madeira está bem presente, mais do que eu gostaria. Mas isso é uma questão de gosto, não um defeito. Esse vinho tem essa característica em todas as safras que experimentei. 

Me parece muito pronto para consumo agora. Fácil de beber, sem arestas. 

É vendido no site da vinícola a R$60.

Foi muito bem com o prato feito pela Érika, um pernil suíno com abacaxi e cogumelos shiitake e shimeji, cuja receita será publicada ainda hoje. Mas acompanhará bem pratos à base de carne vermelha.   

Saúde a todos!


28 Novembro 2011

Chileno do norte: Tamaya Reserva Syrah 2007


Depois de algum tempo sem comprar vinhos em supermercados, resolvi ir ao Extra garimpar alguma coisa. Gosto de ir lá porque está a menos de 500 metros da minha casa, mas as filas para os caixas parecem as da velha União Soviética. Já reclamei isso para o SAC deles, via Twitter. Nada mudou... ainda!

Após vasculhar as prateleiras em busca de algum vinho que não conhecia ou que não me despertasse antipatia já de início, resolvi comprar esse Syrah por conta da região em que é produzido, o Vale do Limari, localizado a 400 km ao norte de Santiago e a 20 km do Oceano Pacífico. Dias ensolarados e brisas frescas fornecem condições ideais para o cultivo da branca Chardonnay e da tinta Syrah. A Concha y Toro investe pesado desde 2005 na região.  

Esse vinho é produzido pela Viña Casa Tamaya, uma bodega construída em 2001 com capacidade para 1.600.000 litros. Os vinhedos foram plantados em 1997 e atualmente são 160 hectares em produção, mas a propriedade chega aos 210 hectares. As principais variedades da vinícola são Chardonnay, Viognier e Sauvignon Blanc, entre as brancas, Cabernet Sauvignon, Merlot, Sangiovese, Carmenère e Syrah, entre as tintas. Os vinhedos são irrigados por gotejamento.  

Coloração púrpura, lacrimoso. Bons aromas, terra, frutos maduros, balsâmico, algo lácteo e menta. Na boca tem corpo médio, com taninos finos, boa acidez e um pouco salgado (mineralidade), com leve tostado aparecendo. Final mediano, com fruta acompanhando madeira e álcool de leve.

Vinho com alguma complexidade, mas nada de excepcional. Quente em alguns momentos. Não evolui em taça. Acredito que já tenha passado o seu auge. Se tiver em casa, beba logo. Pela garrafa paguei R$ 46,90.

Saúde a todos! 


25 Novembro 2011

Espumante francês fora de Champagne: Cuvée Sylvain Domanie du Rin du Bois Touraine AOC


Comprei esse espumante no stand da Cave Jado, no Encontro de Vinhos em Ribeirão Preto, em outubro. Na verdade fui à procura de um Champagne que eles vendiam a um preço acessível, mas que está esgotado. Então, comprei esse cremant elaborado pelo Domaine du Rin du Bois, na região do Loire (AOC Touraine).  É uma vinícola pequena, fundada em 1969 e conta hoje com 20 hectares de vinhedos.

É elaborado com Chardonnay e Chenin Blanc (50/50), pelo método tradicional, com autólise de leveduras de 6 a 12 meses. Pela garrafa paguei R$ 75. Pra quem gosta de colecionar as tampinhas de metal dos espumantes, esse é um dos mais bonitos que conheço.


Na taça coloração amarelo palha. Perlage fina e intensa. Aromas elegantes e delicados, lembrança de frutos brancos, flores brancas e discreto tostado. Na boca é cremoso, com acidez em boa conta, fruta muito presente, amêndoas, fermento e uma intrigante lembrança de groselha ou framboesa. Final longo, repetindo boca. 

Ponto alto para a cremosidade, elegância e delicadeza do espumante. Vale o que custa, embora alguns produtos brasileiros possam batê-lo em qualidade, com preços menores. Mas vale a experiência de provar um bom espumante francês fora da região de Champagne.  

Saúde a todos!    




24 Novembro 2011

Nem brincando é fácil ser "enólogo"


Anteontem Érika e eu tiramos o finalzinho da tarde e boa parte da noite para elaborarmos nosso vinho, um corte feito a partir de 5 amostras enviadas pela Importadora Cantu e pela enóloga Susana Balbo

Depois de algumas horas de tentativas, erros e acertos, chegamos a um percentual que foi enviado na mesma noite à organização do concurso "Meu vinho com Susana Balbo" (ver mais detalhes aqui). 

Mas de toda essa experiência muito interessante ficaram lições preciosas. A mais importante delas eu escrevi na mesma noite no Facebook e reproduzo aqui no blog: 

"Nenhum dos blogueiros que participa desse concurso despreza o trabalho do enólogo. Mas acredito que muitos de nós (senão todos) sairão dessa experiência respeitando ainda mais o trabalho desses profissionais. Mesmo sem qualquer responsabilidade, já que corremos pouquíssimos riscos, a tarefa não foi fácil. Elaborei meu corte, mas ficaram muito mais dúvidas do que certezas para trás". 

Saúde a todos!

23 Novembro 2011

Queimei a língua (no bom sentido): Saint George Aghiorghitiko Nemea 2008


Depois de provar o primeiro vinho grego que veio pela Sociedade da Mesa, um branco já comentado aqui (relembre), abri esse tinto desconfiado e sem muita expectativa. Mas, preciso admitir que queimei a língua, como diz o jargão!

É um vinho elaborado com 100% Aghiorghitiko, uva local que na tradução significa "São Jorge". A região é Nemea, mais importante "denominação de origem" da região do Peloponeso e o produtor, o Domaine Skouras, figura como um produtor importante no livro de Hugh Johnson e Jancis Robinson (veja mapa). Tem 13,5% de álcool e passa 12 meses por barricas francesas de segundo uso.

Definitivamente esse é um vinho que evolui na taça. Precisa de algum tempo para mostrar o seu melhor, para perder um pouco dos aromas amadeirados e deixar a fruta se apresentar. Vinho de personalidade marcante. 

Coloração rubi, boa transparência. Parecendo um Pinot Noir da América do Sul sem passagem por madeira.

Aromas em boa intensidade. Madeira num primeiro momento, mesclando-se após alguns minutos com frutos delicados e flores. Complexidade aumentou durante a degustação.

Pouco corpo, taninos amáveis e ótima acidez. Apesar do pouco corpo é um vinho intenso em sabores. Madeira sempre presente, mas depois de um tempo em taça, ganhou complexidade. Frutos vermelhos delicados, flores, côco, 

Final de médio a longo, repetindo boa harmonia entre fruta, flores e madeira.

Vinho que agradará como aperitivo, mas pode acompanhar comida, desde que não muito temperada. Pronto para beber. Não vejo perspectivas de evolução dada sua estrutura de taninos, acidez e álcool (13,5% de teor).

Atenção! Não é um vinho para quem prefere Cabernet Sauvignon ou Malbec. Está mais próximo dos apreciadores de vinhos mais leves, como os Pinot Noir ou Dolcetto, por exemplo.

Pela garrafa paguei R$ 43,60.

Avaliação VPT = 86/100 pontos.

Saúde a todos!


21 Novembro 2011

Finalmente um vinho austríaco por aqui: Grüner Veltliner Berg Vogelsang 2009


Esse é o primeiro vinho austríaco postado aqui no blog. Um ótimo vinho, embora o preço não seja tão atrativo como vinho para o cotidiano (faixa dos R$ 95-100), mas vale a pena ser degustado numa ocasião especial ou para presentear alguém que goste dos vinhos brancos.

O produtor é Weingut Bründlmayer, na região de Kamptal (Baixa Áustria). A variedade é a local Grüner Veltliner, que serve tanto à elaboração de vinhos secos como doces.

Essa variedade gera um costume interessante entre os austríacos, o de harmonizar vinho branco com caças, carnes bovinas, suínas e aves, ao contrário do que fazemos no Brasil. Lá, uma harmonização comum é com o prato nacional, Wiener schnitzel: costeletas de vitela envoltas em farinha de pão fritas rapidamente em banha até ficarem douradas.

Mas vamos ao vinho: na taça apresentou coloração amarelo palha, com reflexos esverdeados. Ótimos aromas, algo cítrico, mineral, evidência floral também presente. Boa complexidade no nariz. Em boca tem bom corpo, é seco (mesmo!), com mineralidade tomando conta. Acidez marcante, sem as notas adocicadas a que estamos acostumados na América do Sul. Vinho "sério". 

Final de médio a longo, marcado por leve álcool (apesar de apenas 12,5% de teor). Também apareceram notas minerais em destaque e perfumes florais. Ótima capacidade para acompanhar comidas, mesmo mais potentes e condimentadas.
Segundo a vinícola, tem potencial de guarda para 10 anos, mas está num ótimo momento. Talvez ganhe ainda mais complexidade com alguns anos de guarda.

Saúde a todos!


20 Novembro 2011

Simples e honesto: La Belière Rouge Bordeaux 2009


Parece certo haver um grande risco na compra de vinhos baratos de Bordeaux. A maioria dos que experimentei são vinhos sem personalidade, difíceis de beber e sem muitos atrativos.

Então, quando comprei esse tinto (R$ 45) pensei em todos esses aspectos negativos, mas foi por uma boa causa: cada garrafa adquirida dava direito a um cupom para concorrer a uma viagem para a França, para a região de Bordeaux.  Risco calculado.

Mas, felizmente, o vinho também é satisfatório. Não é um grande vinho e nem poderia ser, mas é mais "bebível" que a maioria. Aliás, a esse preço é até surpreendente.

É um corte em que predomina a Merlot (65%), completada com Cabernet Sauvignon (20%) e Cabernet Franc (15%), sem passagem por madeira.

Na taça, coloração púrpura, límpido e com boa transparência. Aromas em boa intensidade, frutos vermelhos, ameixa, algo balsâmico, groselha e algumas especiarias. Álcool aparecendo de leve (13,5%). 

Na boca é leve, simples, repetindo intenso frutado (especialmente groselha), com taninos presentes, com alguma adstringência. A acidez está em boa dose, deixando o vinho com vocação gastronômica. Final mediano, deixando boca seca e lembrança frutada.

É produzido pela tradicional Baron Philippe de Rothschild

Saúde a todos!




18 Novembro 2011

Escorrega igual a quiabo...


Este é um daqueles ingredientes que a maioria das pessoas tem preconceitos. É um pouco feio, pra quem não sabe fazer ele baba, e existem aqueles que nunca experimentaram e dizem: eu não gosto de quiabo!

Eu adoro este ingrediente, e é uma revelação nas receitas daqui de casa: prático, fácil de encontrar e tem preço de banana. Se vocês leram os posts anteriores, sabem que estamos dando sequência a um jantar que fizemos aqui para alguns amigos. Depois da entrada, com o espumante, abrimos um vinho branco que eu sempre gostei e confesso que este 2011 está muito bom. Para acompanhar o vinho fiz um risoto de quiabo. Este famoso prato italiano ganha interpretações variadas no mundo inteiro, com ingredientes diferentes. Mas a técnica básica é apenas uma. 



Ingredientes:

- 300 g de quiabos, lavados, secos e em pedaços cortadas na diagonal.
- 400 g de arroz arbóreo ou carnaroli.
- 150 ml de vinho branco seco.
- 1 1/2 cebolas cortada em pequenos cubos.
- 3 dentes de alho triturados.
- 1 1/2 litro de caldo de galinha ou de legumes (aqui em casa faço com antecedência e leva ervas, temperos, cenoura e alho poró).
- 50 g de queijo parmesão ralado.
- 2 colheres de sopa de manteiga.
- sal e pimenta do reino moída na hora

Modo de Preparar

- Coloque um pouco de manteiga numa panela e deixe esquentar. Adicione o alho sempre antes da cebola, pois a cebola solta água e não deixa o alho refogar.
- Junte o arroz e refogue bem.
- Adicione o vinho, continuando a mexer, até evaporar o álcool.
- Coloque o caldo (de galinha ou legumes) aos poucos, sempre mexendo.
- Quando o arroz estiver quase no ponto, acrescente o quiabo que deverá ser feito em um frigideira separadamente, apenas com azeite quente ou manteiga. Frite os quiabos secos sem mexer muito e no final tempere com sal. Ele ficará sequinho, e não precisa usar mais nada.
- Verifique os temperos e corrija, se necessário.
- Assim que o arroz estiver no ponto, coloque a manteiga e continue mexendo.
- Adicione o queijo parmesão ralado, e dê uma ultima misturada.
- Sirva imediatamente.



Metendo a colher

- O segredo para ter um risoto saboroso de quiabo é acrescentar o quiabo apenas no final, pois se ele cozinha muito fica amarelo e babento. Frite sempre em azeite quente (óleo ou manteiga) e nada de mexer muito.
- É um prato fácil e que impressiona, principalmente aos que não tem muito costume de comer este ingrediente.
- Separe sempre um pouco de quiabo para jogar por cima do risoto, fica bonito e os que ficam por cima são crocantes e muito saborosos.
- Sobre a harmonização, ficou assim dos Deuses, esta receita também fica boa com tintos leves, como um Pinot Noir

Bom apetite!

Érika Mesquita

O melhor das últimas quatro safras: Casa Valduga Premivm Gewürztraminer 2011


Talvez já tenha contado isso aqui no blog (não me lembro), mas o Gewürztraminer da Casa Valduga foi um dos vinhos que me fizeram entrar de cabeça nesse mundo. Ganhei do amigo Edihermes uma garrafa de uma linha antiga, acho que se chamava Seculum, da safra 2004. A explosão de aromas parece que até hoje está na nossa memória aqui em casa. Um vinho branco inesquecível pra nós. 

Desde então tenho bebido todas as safras dele, há um tempo pertencente à linha Premivm da vinícola. Esse 2011 é o melhor desde 2008, na minha opinião.

Na taça a tradicional coloração amarelo palha. Aromas em boa intensidade, as flores típicas da variedade e uma lembrança que me lembrou lichia. Na boca é leve, com acidez correta, jovem e refrescante. Final mediano, palato floral e discreto mineral. 

Vinho ideal para climas quentes. Leve, descontraído, bem feito, com pouco álcool e sem passagem por madeira (ao menos pareceu). Acompanhará pratos mais leves. 

Vale experimentar. Ótima compra a R$ 29, faixa em que são raros os varietais Gewürztraminer.

Caiu muito bem com um risoto de quiabo que a Érika fez em casa. Receita ainda hoje aqui no blog.

Avaliação VPT = 87/100 pontos.

Saúde a todos!
 



16 Novembro 2011

Entre, por favor. Seja bem-vindo!


Receber bem é uma arte. Acho que isso pode ser um dom ou talvez seja  genético. Minha mãe sempre foi minha inspiração. Apesar de não gostar de cozinhar, sempre soube receber como ninguém. Na infância, me lembro bem: todos os tios, primos, queriam se hospedar em nossa casa. Camas arrumadas impecavelmente, toalhas limpas e com cheirinho de amaciante nos banheiros, café da manhã de rei (ou melhor, rainha). É assim que considero a minha mama, a rainha do bem receber.

Aqui em casa procuro fazer sempre o melhor quando vamos receber os amigos. Era assim também no meu trabalho. Eventos me comovem e realizá-los da maneira mais aconchegante possível é um grande prazer pra mim.

Tenho pesquisado muito e acredito que minha formação como Nutricionista colabora muito com meus esforços em querer saber mais sobre o assunto: gastronomia, harmonizações e receber com arte.


Dia desses fizemos um jantarzinho aqui em casa. Gostaríamos de ter todos reunidos, mas moramos em lugar que não dá para receber muitos. Então, chamamos poucos amigos de cada vez.

Nessa noite escolhemos três vinhos brasileiros, um espumante Guatambu, um branco Casa Valduga e um tinto Salton.

Fiz uma entrada para acompanhar o espumante que foi publicado hoje mais cedo no blog: salmão em cama de tomate e queijo grana.

Sempre presto bastante atenção aos pratos que como em restaurantes, gosto de bons e diferentes lugares e reproduzo aqueles pratos mais interessantes. Essa receita é uma reprodução, mas nunca faço igual e dou sempre os meus toques, mudo os ingredientes, aprimorando o que já conheço.

Para esta receita. Ingredientes. 

- Tomates grandes (tomatão)
- Salmão em fatias
- Queijo Grana Padano (em lascas)
- Azeite de boa qualidade
- Cebola roxa
- Alcaparras
- Pimenta dedo de moça
- Alcaparrone (para decorar)

Modo de preparo:

Tire o fundo do tomate para que fique plano e corte em fatias grossas, de mais ou menos 1,5 cm. Coloque o tomate nos pratos em que pretende servir e cubra com generosas fatias de Grana Padano.

Em cima do queijo, coloque as fatias do salmão e novamente espalhe queijo, agora ralado fino. Decore com cebola roxa fatiada, mas se não tiver pode ser branca. Salpique as alcaparras e a pimenta dedo de moça. Assim que for servir, coloque um fio de azeite e moa a pimenta do reino. Decore com um alcaparrone e folhas de manjericão fresco.

Metendo a colher:

- Eu prefiro usar tomates mais verdes, pois são mais refrescantes e crocantes.

- O queijo usado na receita que eu conheci é a mussarela de búfala, mas você pode pôr a criatividade em ação e usar queijo minas frescal, maasdam etc.  

- Nao só o salmão pode ser usado, mas também o Haddock em fatias ou também carpaccio de filé mignon.

- Acho que esta entrada é ótima para acompanhar espumantes ou Sauvignon Blanc, naqueles dias quentes do nosso cerradão. Por ter ingredientes ácidos, dá pra usar a clássica harmonização ácido + ácido.

- Já fiz várias versões dessa receita. O tomate serve de cama para coberturas diferentes. Use a criatividade e aproveite o que tem na sua geladeira.


Na próxima sexta-feira vou publicar a receita que acompanhou o vinho branco da Casa Valduga.

Bom apetite!

Érika Mesquita
www.correiodeuberlandia.com.br/bemvinho

O quase uruguaio Guatambu Espumante Extra Brut 2010


Conhecemos os produtos da Estância Guatambu em Ribeirão Preto, no Encontro de Vinhos do ano passado. Na ocasião foram muitas provas durante o dia todo e não tivemos como prestar muita atenção nos vinhos deles, mas de lá pra cá ouvimos coisas boas a respeito desse espumante.

Esse nós ganhamos do amigo Marlan Logan, mas fiquei sabendo pela Fabiana Gonçalves (blog Escrivinhos) que no Recife é encontrado a R$ 53. Uma boa compra, sem dúvida.

É elaborado em Dom Pedrito-RS, na região da Campanha, quase divisa com o Uruguai. O enólogo também é uruguaio, Alejandro Cardozo. Então, esse 100% Chardonnay, elaborado pelo método tradicional, com autólise de leveduras por 10 meses é "quase uruguaio", mas reforça o time do (ainda) melhor produto da vitivinicultura brasileira, os espumantes.

Foi bebido em casa, no dia 9 de novembro, quando a Érika fez alguns pratos para harmonizar com vinhos brasileiros. No visual impressionou logo quando servido. Espumante "nervoso", como gostam de falar os enófilos, perlage intensa, bolhas finas e numerosas, com boa formação de espuma. Mesmo depois de alguns minutos na taça, a intensidade se manteve.

Na cor é amarelo palha, denunciando um produto mais leve, sem a oxidação que lhe daria mais peso. Aromas em boa intensidade, frutos brancos e traços da fermentação em boa harmonia, sem que uma característica se sobreponha à outra. Na boca o equilíbrio se confirma, bom frescor dado pela acidez marcante, fruta delicada e discreta lembrança de fermento e casca de pão. Boa cremosidade. Final de médio a longo, repetindo boca e aparecendo algumas notas minerais.

É um espumante Extra Brut, o que significa que seu teor de açúcar não pode ultrapassar 6 gramas por litro. Seco, sem ser agressivo ao paladar dos que preferem os Brut com açúcar residual mais elevado.

Foram produzidas apenas 3.200 garrafas. Abri a de nº 1.812.

Harmonizou-se bem com uma entrada feita pela Érika. A receita vem daqui há pouco aqui no blog.   

Saúde a todos!




15 Novembro 2011

Os vinhos do Dão indicados pelo encarte especial da Revista Adega


Comprei a Revista Adega nº 72 e com ela veio um interessante encarte sobre os vinhos do Dão. Está escrito em português de Portugal e, também por isso, me deu vontade de abrir umas garrafas dessa tradicional região.

O encarte traz os seguintes temas:

- Dão, uma região renascida – reportagem sobre ao mais de 100 anos de existência “oficial” da região, que já passou por períodos de estagnação e desenvolvimento, mas que atravessa hoje um período de qualidade, diversidade e personalidade.

- Touriga Nacional – bom texto sobre essa variedade que é conhecida por nós como a “uva emblemática de Portugal”. Como diz a matéria, “há trinta anos era uma uva que poucos queriam. Hoje, é a mais brilhante estrela das castas de uvas portuguesas e no nome anda nas bocas do mundo”.

- Brancos para beber e guardar – ressalta a diversidade dos brancos produzidos na região, especialmente por sua capacidade de serem bebidos jovens ou para serem guardados com grande expectativa de que se tornem vinhos ainda mais complexos.

- Um companheiro de sempre – uma crônica escrita pelo crítico João Paulo Martins.

- Os modernos vinhos do Dão – o Brasil está representado pela crônica do consultor Carlos Cabral.

- No coração de Portugal – roteiro turístico para a região, com indicação de hospedagens e restaurantes.

Mas nesse post resolvi apresentar a seleção de vinhos que a publicação trouxe, muitos de excelente relação custo x benefício e acessíveis a todos os bolsos. Fiz uma seleção com os vinhos de até $70.

Vinhos brancos 
- Borges Dão Reserva 2009 (R$40)
- Quinta da Garrida Dão Reserva 2010 (R$50)
- Cabriz Dão Encruzado 2010 (R$60)
- Quinta do Cerrado Dão Encruzado 2010 (R$63)
- Munda Dão Encruzado 2009 (R$81,50)

Vinhos Tintos  
- Borges Dão Touriga Nacional 2009 (R$40)
- Picos do Couto Dão Reserva Tinto 2005 (R$62)
- Quinta do Cerrado Dão Reserva Tinto 2006 (R$63)
- Vinha Paz Dão Reserva Tinto 2008 (R$70)
- Boas Vinhas Dão Tinto 2009 (R$35)
- Cabriz Dão Colheita Selecionada Tinto 2009 (R$35)
- Cunha Martins Dão Tinto 2009 (R$44)
- Dom Divino Dão Tinto 2009 (R$18)
- Catedral Dão Reserva Tinto 2007 (R$25)
- Flor de Nelas Dão Tinto 2009 (R$39)
- Meia Encosta Dão Tinto 2009 (R$19)
- Messias Dão Tinto 2009 (R$25)
- Porta dos Cavaleiros Dão Tinto (R$40)
- Quinta da Garrida Dão Tinto 2008 (R$35)
- Santar Dão Tinto 2006 (R$45)
- Serrado Dão Tinto 2008 (R$36)
- Status Dão Grande Escolha Tinto 2008 (R$35)
- Valmonte Dão Alfrocheiro Rinto 2009 (R$55)

Boas compras!

14 Novembro 2011

O primeiro vinho húngaro do blog: Gere Olaszrizling Villány DHC 2009



Esse vinho foi trazido pelo amigo Paulo Rabelo, apreciador dos vinhos brancos e que nos surpreendeu com sua última escolha, um Sauvignon Blanc da África do Sul, ótima relação qualidade x preço (relembre).

O vinho dessa vez vem da Hungria e é o primeiro que comento aqui no blog. Foi degustado no dia 2 de outubro, mas só agora tenho um espaço para publicá-lo.

A Hungria é o berço de uma verdadeira lenda, o vinho Tokaj, o primeiro vinho elaborado com uvas botritizadas ("podridão nobre"), talvez dois séculos antes de outra lenda, o famoso Sauternes. Segundo a literatura, as condições climáticas da região possibilitam que a podridão seja endêmica, concentrando naturalmente o açúcar, o ácido e o açúcar inconfundíveis. 

Mas o vinho agora comentado é seco, elaborado com a variedade Olaszrizling, tradicional casta da região de Villány, mais ao sul do país, de clima mais quente e mais propício ao cultivo de uvas tintas. 

O produtor é Atilla Gere, uma estrela do vinho húngaro, que resolveu abandonar a profissão de guarda florestal em 1978 para se dedicar à  vitivinicultura, inicialmente em vinhas que ganhou como presente de casamento.

Não passa por madeira. É um vinho fresco. Amarelo palha, aromas em boa intensidade, frutos cítricos e algum floral. Boa acidez em boca. É leve, mas vivo, repetindo frutado e algo mineral. Floral mais discreto. Vinho equilibrado, com final persistente.

Vale conhecer, embora eu não saiba afirmar nada sobre a relação qualidade x preço. 


Saúde a todos!






13 Novembro 2011

A qualidade voltou: Carmen Reserva Pinot Noir 2009


Já morri de amores pelo Carmen Classic Pinot Noir, especialmente quando comentei aqui no blog a safra 2005. Me parecia um best buy. Mas o último que bebi (safra 2008) me pareceu bem inferior. Havia um amargor que me incomodou, embora tenha dado a ele 3 taças pelo que lhe restou de qualidades.

Mas a Viña Carmen deixou de produzir o Pinot da linha Classic e agora só faz o Reserva, com uma mudança crucial na minha opinião: as uvas agora são do Vale de Casablanca, região com bons resultados com essa uva e também para a Syrah, além das brancas Sauvignon Blanc e Chardonnay. As uvas resultam em vinhos de mais personalidade, na maioria dos casos.

Na taça uma coloração grená, com boa transparência. Aromas intensos, frutos delicados (cereja) e especialmente uma lembrança muito clara de goiabada. Lembrança elegante da madeira (tostado).

Na boca é típico, com fruta muito evidente, repetindo nariz. Acidez marcante e taninos presentes, mas sem rusticidade. Notas adocicadas, mas sem serem enjoativas. Pouco corpo. Presença do álcool em evidência (13% de teor). Final longo, sem nenhum amargor. Notas de café, madeira presente acompanhando a fruta, mas sem se sobrepor. Fez bem a passagem do vinho por barricas francesas (10 meses) de diversos usos. Agregou complexidade.  

Abri esse vinho desconfiado, numa terça-feira, imaginando que seria  uma "bomba"... mas me surpreendi. Pronto para beber agora ou em 2012.

Avaliado com preço de mercado a R$ 45. Boa compra.

Saúde a todos!






11 Novembro 2011

Meu vinho para 11/11/11: Maria Valduga Espumante Brut 2006



Não tenho superstições. Não me preocupo se é sexta-feira 13, não tenho cueca da sorte, nem mudo meu caminho se um gato preto passa na minha frente. Só não gosto de passar embaixo de escadas, mas é por causa do risco, não do azar.

Mesmo assim, não posso perder a oportunidade de publicar um vinho hoje, dia 11/11/11, às 11:11 h. Cheguei a pensar num vinho de 2011 que custasse R$11, mas a Érika me disse que a esse preço seria difícil encontrar alguma coisa boa e sugeriu a escolha de um vinho especial dentre os já programados para postagem. Como não costumo discordar dela (apenas em pensamento), aceitei a sugestão.

Minha escolha recaiu sobre a "jóia do espumante brasileiro", slogan criado pela Casa Valduga para designar esse produto, criado em homenagem à Dona Maria, mãe de Juarez, João e Erielso Valduga, que estão no comando da vinícola.

Aliás, tive o prazer de anunciar seu lançamento aqui no blog em primeira mão, graças à gentileza do gerente de Marketing da vinícola, o tricolor Fabiano Olbrisch (relembre). 

O Maria Valduga é vendido no mercado com grande variação, de R$ 120 a R$ 200. Elaborado pelo método champenoise com uvas Chardonnay (80%) e Pinot Noir (20%), passando pelo menos 48 meses em segunda fermentação. Um espumante de classe, para ser degustado em momentos especiais e uma ótima opção de presente.

Na taça uma coloração amarelo palha. Perlage intensa e elegante, com bolhas pequenas e persistentes. Aromas intensos, frutos brancos, forte presença de notas da fermentação, brioche, casca de pão etc. Bom equilíbrio nos aromas, sem lembrança oxidada que percebo em alguns espumantes brasileiros com maior tempo de autólise. 

Na boca é seco, com açúcar residual presente, mas não com tanta intensidade quanto em outros brut do Vale dos Vinhedos. Fruta muito presente e fermentação em segundo plano. Espumante cremoso, com final longo, repetindo as sensações anteriores. 

Espumante de grande fineza, elegante, sem peso, equilibrado, mantendo frescor e boa complexidade, atributos que o tornam um produto diferenciado, não só por sua beleza, mas pela qualidade do que vai à taça.

Alguém pode dizer que por $120-200 dá pra comprar champagne, mas a qualidade dos famosos espumantes franceses nem sempre é garantida nessa faixa de preços. Não se iluda: há muita mediocridade também no mundo dos champagne.   
 

Saúde a todos!




10 Novembro 2011

A minestrone daqui de casa


Essa sopa faz o maior sucesso aqui em casa e olha que sopa não é um prato que o Gil admire muito. Quando faço, minha sogra fica cheia de elogios: “ninguém faz sopa como você”. Será que eu acredito?

Já eu adoro fazer e comer sopas. O preparo é simples e podemos usar ingredientes que temos em casa, aproveitando o que tem na geladeira.

Pesquisando um pouco mais sobre essa sopa que eu faço tanto, descobri que “minestra” é sopa em italiano e “one” é um sufixo de aumentativo. Portanto, “sopão” ou sopa com “vários ingredientes”.

O Jamie Oliver diz que existem tantas receitas para minestrone quanto vilas na Itália. Diz também que existem três regras básicas para impressionar: o caldo, o soffritto e a sazonalidade dos alimentos.

Uso sempre o mesmo caldo que faço para o risoto, um brodo apenas com ingredientes naturais. Mas se não tiver ou achar difícil, pode usar caldos protos. 

Eu sempre coloco tomates ou molho de tomate para engrossar o caldo e dar um sabor especial.

O soffritto mencionado pelo Jamie Oliver significa fritar os legumes lentamente para obter uma boa base de sabor. Eu uso azeite e deixo os legumes fritarem bem, isso faz com que se intensifique o sabor.

A sazonalidade é importante porque os produtos da estação são sempre mais saborosos na época certa, mas fáceis de serem encontrados e mais baratos que em outras estações.

Metendo a colher: 

- Desta vez não vou colocar receita, pois não tem receita para fazer minestrone. O que tem na geladeira é o que sempre utilizo. Pique os legumes em pedaços pequenos, frite a pancetta, deixe escorrer o excesso de gordura e seque com papel toalha. Frite os legumes em azeite. No dia em que a foto foi tirada, usei batata, cenoura, tomates sem sementes e vagem. A couve eu rasgo grosseiramente e só coloco no final.

- E o macarrão? Sabe aqueles pacotes que vamos usando pela metade, estão cheios de pedaços quebrados e escondidos no armário? Pois é, essa receita é perfeita para aproveitamento de todos eles.

- Uso sempre folhas de louro e, no final da preparação, acrescento folhas de manjericão fresco.

- Várias receitas pedem para usar feijões, mas nunca usei. Um dia vou testar.

- Para acompanhar a minestrone nada melhor que pães. Mas no dia (veja a foto) usei uma massa fina de pizza temperada com azeite, sal grosso, alecrim e gergelim. Levei ao forno por alguns minutos e estava pronto um acompanhamento bem crocante.

- O vinho escolhido foi italiano, claro (relembre). Uma regra interessante de harmonização é combinar vinho da região com a comida da região. Como na Toscana a minestrone também é prato importante, não pensamos duas vezes. O vinho casou perfeitamente. No início estávamos um pouco desconfiados, mas nem a sopa nem o vinho ganharam a batalha. Ao contrário, se completaram, como deve ser uma boa harmonização. 

- O livro que aparece na foto é da tradicional escola Le Cordon Bleu, que eu ganhei da Eliane e tem me servido de referência. Tem alguns problemas na tradução, como me alertou a Rafaela Giordano, do Le Vin au Blog. Mas foi apenas uma referência. A receita aqui de casa ainda não está nos livros. Quem sabe um dia.

Bom apetite!

Érika Mesquita

09 Novembro 2011

Surpreenda-se com o San Biagio Lisini Rosso Toscano IGT 2007


Comprei esse vinho pagando R$ 68 pela garrafa. A compra foi feita quando procurava um supertoscano para comentar para a Confraria Brasileira de Enoblogs.  Esse não se enquadrava, mas fiquei curioso por ser elaborado com uvas 100% Sangiovese Grosso, a mesma utilizada para os famosos e caros Brunello de Montalcino.

O produtor é a Azienda Agraria Lisini, está situada na comuna de Montalcino e possui 154 hectares, mas seus vinhedos ocupam menos de 15% dessa superfície. A história da vinícola remonta ao ano 1846 e vale ser conhecida (clique aqui). A vinícola produz Brunello e Rosso di Montalcino, mas esse é um vinho mais simples, rotulado como IGT (Indicazione Geografica Típica).    

Vinho de coloração rubi, translúcido e lacrimoso.  Aromas intensos, frutos vermelhos, ameixa, amoras, algo de especiarias. Na boca tem personalidade, complexidade e equilíbrio. De corpo médio, apresentou boa fruta, café, chocolate e tabaco. Taninos finos e acidez equilibrada. Final longo, com boa complexidade. Vinho sem defeitos, gastronômico, pronto para ser bebido agora ou daqui a 2 anos. Evolui bastante em taça, com boa variação de aromas. 

Surpreendente compra a R$ 68, o que influcenciou bastante em sua avaliação.

No site do importador são sugeridas as seguintes harmonizações: carnes de caça, grelhados, massa com molhos cremosos e untuosos e queijos de consistencia dura, como o granapadano. 

Mas na noite em que bebemos esse vinho aqui em casa, a Érika fez um Minestrone, cuja receita será publicada amanhã. Foi uma combinação muito boa, apesar da desconfiança inicial de harmonizar líquido com líquido.

Saúde a todos!





08 Novembro 2011

Utilidade pública: Quanto ganham os restaurantes em seus vinhos?

O site EnoEventos é conhecido entre os apreciadores de vinhos também por suas pesquisas de mercado. Já são famosas as análises de preços que realiza entre as importadoras. 

Agora, lançou uma matéria de muita relevância para os consumidores, revelando as margens de lucro aplicadas por restaurantes de São Paulo e do Rio de Janeiro.

O conteúdo abaixo é de autoria do site e reproduzido aqui livremente, como autorizado por seus editores. Boa leitura!

“A partir de uma ideia de Didu Russo, decidimos analisar, colaborativamente, as margens de preços utilizadas por uma amostra bastante representativa de restaurantes do Rio de Janeiro e de São Paulo em relação aos vinhos.

Quem até hoje sabe quais os restaurantes que utilizam as menores margens para vender vinhos e quais aqueles, de boca maior, que utilizam margens às vezes até insolentes? Arriscamo-nos a dizer que ninguém sabe… Isto não é uma informação que esteja ao alcance dos frequentadores dos restaurantes e muitas casas se valem disso para aplicar as margens que bem entendem.

É claro que podemos compreender que restaurantes mais sofisticados, com custos de ponto e de aluguel em bairros muito valorizados, com serviço primoroso, taças adequadas, sommelier de alta estirpe utilizem uma margem de lucro maior do que a de estabelecimentos mais simples, sem grandes salamaleques. No entanto, nem sempre essa regra se aplica e a análise nos trouxe surpresas – algumas boas, outras péssimas – que mostram que o percentual aplicado sobre os vinhos parece ser até aleatório.

É preciso entender que, quando um restaurante compra um vinho por 100 reais, ele está pagando com essa quantia toda a cadeia produtiva e distributiva que veio antes dessa operação: os custos de produção e o lucro do produtor, os custos de transporte e o lucro do transportador, os custos do importador e seu lucro, e ainda os impostos que incidiram sobre todas essas operações, além da Substituição Tributária que não incide ao consumidor pessoa fisica. E se a casa vende esse mesmo vinho ao consumidor final por 200 reais, ela está faturando o dobro de todas as operações passadas. E lucrando quanto? Só Deus sabe…

Num trabalho exaustivo de pesquisa, avaliamos as cartas de 39 restaurantes (24 do Rio de Janeiro e 15 de São Paulo) e chegamos a conclusões de arrepiar os cabelos. Mas valeu a pena! Infelizmente, nem todas as cartas solicitadas nos foram enviadas. Algumas casas – felizmente poucas – conhecedoras de nossa fama de análises de preços e, por certo, apreensivas com suas próprias etiquetas, recusaram-se a disponibilizar seus dados. Foi uma pena e um desserviço a seus clientes!

Essa iniciativa conjunta do Blog do Didu e do EnoEventos visa a trazer um pouco de luz sobre essa escuridão. É uma informação inestimável para o consumidor que costuma pedir vinhos em um restaurante. A partir de agora, ele poderá escolher quais as casas que lhe proporcionam mais valor por seu contado dinheirinho.

Mas é também uma preciosa informação até para os restaurantes, eles próprios correndo feito cegos em tiroteio. Claro que temos consciência de que nem todos irão aplaudir a iniciativa, mas temos certeza de que os empresários conscientes ficarão do nosso lado.
Didu Russo e Oscar Daudt

Metodologia

Quanto custa o vinho para o restaurante?
Esta é exatamente a informação que desconhecemos e não temos possibilidade de investigar. Os responsáveis pelas casas escondem esses dados a sete chaves, para que seus clientes não possam estimar a margem de lucro aplicada. E as importadoras, cada uma utilizando uma política de descontos distinta, também não têm interesse em divulgar esses dados.

Afortunadamente, verificamos que a quase totalidade das cartas oferecem vinhos das importadoras de Ciro Lilla, a Mistral e a Vinci: de todas as 40 cartas pesquisadas, somente uma delas não oferecia os rótulos dessas duas empresas e ficou de fora de nossa comparação. Nenhuma outra importadora consegue chegar nem perto dessa invejável marca nos mercados do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Portanto, decidimos avaliar somente os vinhos dessas duas importadoras, o que nos ofereceu a possibilidade de estimar um valor de venda que, com certeza, deve estar bem perto das práticas do mercado. Como o respeitado importador é sabidamente avesso a descontos, praticando os menores percentuais do mercado (avaliados em 20% em relação ao preço de venda ao consumidor, enquanto outras importadoras utilizam percentuais bastante maiores do que isso), consideramos esse desconto para calcular o valor pago pelos restaurantes.

De qualquer forma, mesmo que isso se mostrasse irreal, esses custos foram utilizados apenas como baliza, de forma equalitária, para calcular as margens relativas dos restaurantes. Ainda assim, a classificação continuaria válida.

Como foram calculadas as margens dos restaurantes?

Para cada uma das cartas estudadas, procuramos obter os preços de 14 vinhos distribuídos pela Mistral e a Vinci. Nem sempre isso foi possível e em algumas cartas não conseguimos alcançar essa meta.

Na busca pelo mesmo vinho no restaurante e na importadora, não levamos em conta a safra, tendo em vista que nem sempre o estoque do restaurante está alinhado com o da importadora. No entanto, se o vinho era de valor elevado, quando seria mais provável encontrar preços diferentes para safras diversas, procuramos sempre considerar apenas vinhos de mesma safra.

Para cada um dos rótulos encontrados, comparamos o preço de venda ao cliente no restaurante com o preço de venda ao consumidor pelas importadoras descontado de 20%. De posse desses dois valores calculamos a margem aplicada em cada vinho. Por exemplo, se o vinho custasse 100 reais ao restaurante e este o vendesse a 150 reais, a margem aplicada para aquele vinho seria de 50%.

De posse de todas essas margens individuais, calculamos, então, a média das margens do restaurante, obtendo então o valor que foi associado a cada casa e que serviu para fazer a classificação relativa das mesmas.

Sem medo de nos auto-elogiarmos, esse é um estudo inédito e importantíssimo para a transparência desse mercado. Esperamos com isso que as margens mais abusivas e injustificáveis possam, a curto prazo, serem recalculadas pelos restaurantes e consigamos, em breve, um mercado de vinhos muito mais acessível, com benefícios para todos os envolvidos nesse negócio.

Desfrutem das informações abaixo e prestigiem as casas com melhores preços. É a única arma que nós, consumidores, temos para nos defender.

A classificação dos restaurantes.

A inédita classificação de restaurantes segundo a margem aplicada sobre os preços dos vinhos é abaixo apresentada. Reparem que as margens variam de 37,68% até impressionantes 216,68%. Isso, traduzido em exemplos práticos, significa que, um vinho adquirido pelo restaurante por 50 reais, pode ser vendido ao consumidor final desde 68 reais (no Arabia, de São Paulo) até desanimadores 158 reais (no La Fiducia, do Rio de Janeiro). É mole?


Outro dado que chama a atenção é que, dos 8 primeiros restaurantes mais baratos, 7 são de São Paulo e apenas 1 do Rio de Janeiro. Já no outro extremo, dos 8 restaurantes mais caros, 6 são do Rio de Janeiro e apenas 2 de São Paulo. E ainda dizem que o dinheiro encontra-se na capital paulista!

Na tabela abaixo, pode-se conferir que, em média, os restaurantes do Rio de Janeiro aplicam margens 35% mais elevadas do que os de São Paulo.


Isso bem ilustra a “Ilha da Fantasia” que se instalou nas praias cariocas, onde à espera dos turistas que vêm para a Copa e as Olimpíadas, os preços já estão sendo reajustados desde agora, não só nos restaurantes, como em todos os setores da economia.

A classificação dos restaurantes do Rio de Janeiro

Analisando separadamente a classificação dos restaurantes cariocas, duas surpresas se destacam, provando que as margens aplicadas não têm muita coisa a ver com o requinte e a qualidade dos restaurantes.
No plano positivo, chama a atenção que o sofisticado restaurante chinês de Eike Batista, o Mr. Lam, com seu impecável serviço, esteja localizado em 3º lugar dentre os restaurantes mais baratos.

Já no terreno das surpresas desagradáveis, encontra-se o descontraído Alessandro & Frederico, um misto de restaurante e lanchonete, que se posiciona com margens similares aos mais sofisticados restaurantes da cidade. Impressionante…

E uma nota triste em nosso levantamento, é o fechamento do Garcia & Rodrigues que ocorreu durante nossa fase de pesquisa. Tradicional restaurante francês do Leblon, era a cara do Rio de Janeiro e seu desaparecimento irá deixar muitos consumidores órfãos. Optamos por manter seus dados em nossa classificação como última homenagem ao finado.


A classificação dos restaurantes de São Paulo. 

A classificação separada dos restaurantes de São Paulo é a seguinte:


Não peça vinho barato.

Uma das grandes revelações da análise é a de que, quanto menor o custo do vinho para o restaurante, maior a margem que ele aplica.

Atire a primeira pedra aquele que nunca escolheu um vinho pela coluna da direita. Pois o coitado do consumidor que, tentando economizar uns trocadinhos, pede um vinho mais em conta na carta, é exatamente aquele que está pagando as maiores margens de lucro dos restaurantes.

Vejam na tabela abaixo, quanto que as casas aplicam, em média, para os vinhos conforme o custo dos mesmos. É estarrecedor! É aquela velha máxima: “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”!


As maiores barganhas.

Conferindo cada um dos vinhos pesquisados, podemos detectar quais aqueles que apresentam as menores margens de lucro nos restaurantes. Essas são boas indicações de como gastar seu dinheiro obtendo a melhor qualidade de vinho.

Nas tabelas abaixo, encontram-se os 10 vinhos com as menores margens de lucro praticadas no Rio de Janeiro e São Paulo, apresentando o preço no restaurante e o quanto o vinho custa, para o consumidor final, na importadora. Veja que há casos em que o preço é praticamente o mesmo:


As maiores furadas.

Por outro lado, a mesma análise revela quais os vinhos que sofrem as maiores margens de lucros. São casos extremos e o consumidor deve fugir dos mesmos como o diabo da cruz.

Nas tabelas abaixo, encontram-se os 10 vinhos com as maiores margens de lucro praticadas no Rio de Janeiro e São Paulo, apresentando o preço no restaurante e o quanto o vinho custa, para o consumidor final, na importadora.

É desanimador constatar que, em ambas as capitais, o vinho mais prejudicado seja o mesmo: o nacional Espumante Vallontano Brut, que custa R$43,50 na Mistral e aparentemente não tem limites nos restaurantes.


Quanto custa cada vinho?

Alguns dos vinhos pesquisados são verdadeiros campeões de audiência e aparecem nas cartas de diversos restaurantes. Isso nos permitiu comparar diretamente os variados preços praticados pelos mesmos rótulos em diferentes casas. Apavorem-se com os exemplos abaixo:


Reprodução dos dados.

Este é um estudo de utilidade pública do Blog do Didu e do EnoEventos. Todos os que quiserem reproduzir, total ou parcialmente, os resultados da análise, podem e devem fazê-lo sem a necessidade de autorização prévia. Quantos mais enófilos tomarem conhecimento de nossa análise, melhor…
Solicitamos, apenas, que a fonte seja citada."


Saúde a todos!