31 Dezembro 2011

Encerrando os trabalhos de 2011



Não sei se em plena véspera de ano novo alguém lerá esse post, o último de 2011. 

Esse foi um ano interessante para o blog, de novidades e quebra de alguns recordes importantes pra nós. 

A melhor novidade ficou para o fim do ano, quando a Érika passou a publicar algumas receitas e tornou o blog mais colorido. Nesse fim de ano diminuímos um pouco o ritmo das receitas, mas em 2012 voltaremos com muitas delas. As que foram publicadas estão no meu "receitas" à direita.

Em janeiro fizemos uma viagem ao Chile para conhecer vinícolas. Visitamos 22 delas e recomendamos muito. Pretendíamos escrever sobre todas as visitas, mas não conseguimos. Mas ainda o faremos e você pode conferir tudo na aba superior "Vinícolas CHI". 

Esse foi o ano que mais publicamos vinhos aqui. Foram 160, de 17 países produtores, com alguns aparecendo pela primeira vez aqui: Áustria, Bulgária, Grécia, Hungria e até Equador.

Curiosamente, ao contrário de anos anteriores, a Argentina não esteve entre os três primeiros colocados em número de rótulos degustados. Em 2011 a classificação ficou assim:

1º - Brasil
2º - Chile
3º - França
4º - Espanha
5º - Argentina
6º - Portugal

No levantamento anual feito pelo amigo Oscar Daudt, do site EnoEventos, ficamos entre os blogs de vinho mais visitados do Brasil. Em 2010 estávamos em 10º lugar. Em 2011 fomos para 15º lugar, mas em termos de "classificação global", considerando todos os sites do mundo, ganhamos 925.000 posições.

Veja a pesquisa completa clicando aqui.

As visitas também cresceram consideravelmente, em torno dos 42%, chegando a quase 120.000 visitas. Certamente não é dos blogs mais visitados, mas pessoalmente esse é um número expressivo, pelo que agradecemos a todos os leitores e principalmente àqueles que deixam comentários nas postagens. Aliás, nem sempre os comentários são favoráveis ao que está escrito, mas publicamos todos porque até hoje (felizmente) nenhum foi desrespeitoso.  Obrigado!  

Nesse ano também tivemos oportunidade de estreitar laços com vários blogueiros, especialmente após o "Projeto Imagem" desenvolvido pelo Ibravin, pelas degustações virtuais propostas pelo WineBar, por mais uma edição do Encontro de Vinhos em Ribeirão Preto e pelo último evento, realizado em São Paulo (19/11) para comemorar o aniversário do Cláudio Werneck, do Le Vin au Blog. Nesses encontros reforcei minha concepção a respeito dos blogueiros que conheço: têm bom gosto para vinhos (claro), mas são inteligentes e modestos, duas características um tanto raras ultimamente.

Enfim, um ano interessante, festivo, intenso, como devem ser os vinhos e as situações em torno dele. 

Para não passar em branco, deixo uma lista dos melhores vinhos publicados aqui. Felizmente, os vinhos que receberam 4,5 ou 5 taças formaram um painel interessante, com 31 rótulos (20% do total).

Vinhos avaliados com 5 taças:
 

Vinhos avaliados com 4,5 taças:
Argentina - Don Yturbe 2006


Obrigado a todos, 
muita saúde e um 
Feliz 2012!

30 Dezembro 2011

Não seja preconceituoso(a). Experimente o Casillero del Diablo Espumante Brut Reserva 2007


Uma das melhores compras que fazemos são aquelas em que o vinho é bem melhor que o esperado. A surpresa é um diferencial na avaliação do vinho e nas futuras compras, especialmente se o preço é bom. É o caso desse espumante brut elaborado pela Concha y Toro, pelo qual paguei R$45 (aqui, no estado com os tributos mais pesados do país). 

É elaborado com 100% uvas Chardonnay, provenientes do Vale de Limarí, região ao Norte de Santiago, influenciada pelas brisas do Pacífico e com pouca precipitação (94 mm/ano). Por ser elaborado apenas com uma variedade branca, é considerado um Blanc de Blancs, na linguagem dos franceses.

Na taça a coloração é amarelo palha, com reflexos esverdeados. Perlage persistente, com formação de um colar de bolhinhas no topo do líquido. Aromas intensos, destacando-se frutos brancos e as tradicionais notas da fermentação, casca de pão, brioche etc.

Na boca é refrescante, boa acidez e complexidade, repetindo-se as sensações olfativas e aparecendo um toque cítrico. Boa cremosidade. Final mediano, elegante, uma boa mescla de frutos e sensações evoluídas da fermentação. Levíssimo amargor.

Espumante que consegue ser maduro e complexo, mas ao mesmo tempo refrescante. Boa surpresa, porque ainda não tínhamos experimentado um espumante chileno/argentino que nos agradasse tanto.

Mesmo que esse post esteja sendo publicado há 2 dias do fim do ano, ainda dá tempo de correr ao supermercado e comprar umas garrafas para suas festas. 

Saúde a todos e um Feliz 2012!



28 Dezembro 2011

Tipicidade e elegância no Escorihuela Gascón Viognier 2010



Os vinhos elaborados com a Viognier devem ser consumidos jovens, a maioria num período máximo de 3 anos para que mantenham suas características aromáticas e o frescor. Nos supermercados ou lojas, prefira vinhos com 1 ou 2 anos de engarrafamento para desfrutar do seu melhor. 

Esse vinho, elaborado pela Bodega Escorihuela, passou por madeira, mas apenas 10% do líquido, o que lhe conferiu certa complexidade, sabores amanteigados e mais corpo, mas foram mantidas as demais características e principalmente o frescor.

Na taça o vinho tem coloração palha. Os aromas tem boa intensidade, denotam frescor e presença de frutos de polpa branca, abacaxi maduro, pêssego e maracujá. Notas florais em segundo plano e leve amanteigado. 

Na boca é maduro, com notas adocicadas, mas sem serem enjoativas. Bom corpo, com acidez presente apesar de não ser uma grande virtude da Viognier. Um elegante e discreto amanteigado lembrou a passagem por madeira, uma virtude desse vinho. 

Final mediano, repetindo frutos brancos e discreto floral, com palato marcado por sensações abaunilhadas. Álcool a 13,5%, mas sem qualquer desequilíbrio. 


Preço de mercado: R$45. 


Saúde a todos!






26 Dezembro 2011

O estilo bordalês do Escudo Rojo 2008



Esse é mais um projeto da famosa Baron Philippe de Rothschild no Novo Mundo, dessa vez no Chile. O nome Escudo Rojo é a tradução para o nome alemão da família: Roth (vermelho) + schild (escudo). Os vinhos vêm do Vale do Maipo, região vinícola mais próxima à capital Santiago, importante na produção de grandes tintos daquele país. 

Ao que parece o objetivo desse tinto é ter um perfil mais europeu, com mais elegância e menos fruta. Isso começa pela opção de ser um corte e não um varietal: Caménère (40%), Cabernet Sauvignon (38%), Syrah (20%) e Cabernet Franc (2%), com passagem de 7 meses por barricas de carvalho francesas.
   
Se for isso mesmo, acredito que conseguiram, porque o vinho é harmônico, equilibrado, elegante e gastronômico, ao contrário da maioria dos chilenos nessa faixa de preços (R$65) que abusam da fruta, do álcool, com pouca acidez e por isso se parecem pouco com vinhos europeus. Esse tem perfil mais próximo aos Bordeaux.

Na taça é rubi, translúcido, lacrimoso, deixando manchas nas paredes. Bons aromas, fruta bem presente, com uma curiosa alternância das características varietais durante a degustação. Pimenta, especiarias, ameixa, algo de frutos negros e carvalho bem integrado. Em alguns momentos parecia um Cabernet Sauvignon, noutros um Carmenère ou Syrah. 

Na boca tem corpo mediano, com taninos macios, acidez correta. Em boca a Carmenère está mais presente. Apresenta um toque mentolado, frutos maduros, especiarias, café e chocolate. Álcool deu potência ao vinho, mas não atrapalha (14% de teor).

Final mediano, repetindo boca. É um vinho que vale o que custa e ainda permite observar essas variações que um assemblage proporciona, portanto, uma boa complexidade. Boa compra a R$65. 

Avaliação VPT = 86/100 pontos. 

Além desse corte a vinícola produz também um Chardonnay (com passagem por barricas de carvalho) e um Rosé (corte de Syrah, Caménère, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc).

Saúde a todos! 







23 Dezembro 2011

O vinho tinto do último Wine Bar: Sonnenmulde Zweigelt 2008


No último dia 5 de dezembro foi realizada mais uma edição do Wine Bar, uma degustação virtual via Facebook que na ocasião teve como tema os vinhos austríacos. De São Paulo, o sommelier Daniel Perches comandou a degustação ao lado da produtora Kathrin Schreiner, da vinícola Sonnenmulde, que produz esse vinho na região de Burgeland.

O mais interessante da degustação fica por conta da uva com que é produzido o vinho, a Zweigelt, fruto de um cruzamento entre as variedades St. Laurent e Blaufränkisch realizado pelo pequisador Fritz Zweigelt. Ela também é conhecida como Rotburger. É a uva tinta mais cultivada da Áustria, com vinhedos ocupando cerca de 9% da área total plantada no país.

É um vinho biodinâmico, com fermentação em grandes tonéis de madeira, mas sem amadurecimento em carvalho. Vinho de coloração púrpura, com boa transparência. Aromas em boa intensidade, lembrando frutos delicados como cerejas. Na boca é leve, com adstringência inicial, boa acidez e notas levemente adocicadas. No paladar lembra um Gamay. Final mediano, com levíssimo amargor e palato marcado por chocolate.

Embora seja um tinto, é descontraído, para se beber nos dias quentes do verão brasileiro a uma temperatura de serviço mais baixa do que o de costume, talvez a uns 12-13 graus. Tem pouco teor alcoólico (12,5%). Em termos de harmonização, pareceu ter vocação para aves e massas.

Valeu a experiência de beber um vinho de um país tão raro por aqui e de uma uva ainda mais difícil. A importação para o Brasil é feita pela The Special Wineries e no mercado é encontrado a R$85. 

Saúde a todos!    

21 Dezembro 2011

Mais uma dica para o fim de ano: Miolo Espumante Cuvée Tradition Rosé (Tiragem 2010)




Abrimos esse espumante no dia 11 de dezembro, quando ainda estávamos decidindo a publicação da CBE. Preferimos indicar o Blush, publicado ontem (relembre), que está numa faixa de preços próxima a esse, também é Champenoise, mas tem mais atributos interessantes. 

Esse é elaborado pela Miolo, a vinícola brasileira mais comentada aqui no blog, com 28 vinhos até o momento. Pertence a uma linha de produtos classificada pela empresa como "premium" e leva no vinho base as uvas Chardonnay e Pinot Noir, do Vale dos Vinhedos. A segunda fermentação ocorre na garrafa (método tradicional) e passa mais 6 meses descansando nas caves da vinícola.   

Pela garrafa pagamos R$36, mas pode ser encontrado em todo o Brasil a partir de R$25, dependendo de quanto o governo de seu Estado quer pôr no bolso. Aqui em Minas a mordida é grande!

Espumante de coloração vermelho claro, parecendo suco de melancia. Perlage em boa intensidade. Espuma rápida. No nariz é simples, com notas de frutos silvestres, especialmente morango. Fermentação sem aparecer. Proposta de espumante refrescante e mais informal.

Na boca a proposta se confirma. Boa cremosidade, repetição dos frutos delicados, acidez equilibrada. Açúcar residual deixando o espumante agradável, sem ser doce. Final mediano, marcado pelo frutado e novamente sem aparecerem as notas de fermentação.

Bem feito. Agradável, mas sem complexidade. Atende a uma proposta de espumante mais festivo, mais alegre e que pode acompanhar pratos mais leves. Pode ser uma boa opção para o fim do ano, especialmente se encontrado a preços mais honestos.

Importante: no rótulo há um selo dizendo "tiragem 2010", significando que o espumante sofreu a degola (dégorgement) nesse ano. Se o espumante não é safrado, como esse, a informação permite saber sua idade e há quanto tempo ele foi colocado no mercado. Isso evita a compra de produtos velhos quando a proposta é que sejam bebidos jovens. 

Saúde a todos!



19 Dezembro 2011

Nossa dica de espumante para o fim de ano: Casa Valduga Espumante Blush Brut 2007 #cbe


Como acontece no fim de ano, fica a dúvida de qual espumante comprar para as festas. Pensando nisso a Confraria Brasileira de Enoblogs sempre faz suas indicações. Nesse ano o tema é "espumante rosé, elaborado pelo método tradicional", uma escolha do intrépido Deco Rossi, do blog EnoDeco.

Aqui em casa testamos dois espumantes brasileiros e resolvemos que uma boa indicação seria esse rosé elaborado pela Casa Valduga, com as uvas Chardonnay e Pinot Noir, com segunda fermentação pelo período mínimo de 24 meses. Aliás, todos os espumantes feitos por essa vinícola têm segunda fermentação em garrafa (exceto, claro, o Moscatel).

Na taça a cor é salmão, com perlage fina e com boa persistência. Em boca a acidez está bem presente, com frutado em grande equilíbrio com a lembraça da fermentação, com algo evoluindo para mel. Boa cremosidade. Final persistente, com palato lembrando frutos vermelhos delicados, tostado, mel e ferrugem. Amargor discretíssimo, sem ser um defeito.

O ponto alto desse espumante é o equilíbrio entre as principais sensações em boca: cremosidade, acidez, fruta e fermentação. Não tem a intensidade da fruta de outros espumantes mais baratos, o que o deixaria mais simples. Nem tem a fermentação tão presente, que o deixaria mais pesado. É evoluído, mas delicado.

Acreditamos que seja uma boca compra (faixa dos R$35-40) e trará um charme especial às comemorações do fim de ano.



Para acompanhar o espumante a Érika fez uma saladinha rápida, com radicchio, alface romana, tomate cereja, manga, lascas de pão sírio (passadas na frigideira rapidamente com azeite e ervas) e um molho de mostarda, mel e pimenta do reino. Ótima harmonização!

* Ainda dentro da programação festiva da Confraria, publicaremos no dia 2 de janeiro o outro tema sugerido pelo Deco: "vinho branco do Novo Mundo, exceto Chardonnay e Sauvignon Blanc". Aqui, vamos de Torrontés de Salta. 

Saúde a todos!


 


17 Dezembro 2011

Para a degustação do WineBar fomos de Linguine com camarões. Ficou ótimo!


No dia 5 de dezembro eu queria preparar alguma coisa pra acompanhar a degustação dos vinhos austríacos para o Wine Bar. O Gil chegou do trabalho em cima da hora, então eu tinha que preparar algo muito rápido. Vasculhando a geladeira encontrei camarões. Pronto! Uma massa com camarões para acompanhar o vinho branco, o primeiro que seria degustado. 

Escolhi Linguine ("pequenas línguas", em italiano) porque gostamos muito aqui em casa, especialmente por ser uma massa que incorpora bem os molhos. 

Não vou publicar uma receita, porque o prato é simples e não há grandes segredos. Vou apenas falar sobre algumas dicas que podem ser úteis, algo que tenho feito nas receitas anteriores e que chamo de "metendo a colher". 
Primeiramente já digo: o vinho melhorou muito com a massa (relembre), comprovando que a uva Grüner Veltliner realmente dá vinhos que podem acompanhar pratos com um pouco mais de gordura. 

Então, vamos lá!

Para os camarões digo o mesmo que disse para os cogumelos de uma receita anterior (relembre): eles têm muita água, portanto, desidratam com facilidade. Então, deixe para pôr o sal apenas no final ou você terá camarões borrachudos. 

Basta colocá-los de molho na água que eles incham como esponjas. Muitos vendedores de camarões adotam esta prática para aumentar o peso, o que faz com que ele reduza ainda mais quando vai para a penela. 



Então, quando for comprar camarões congelados (porque aqui na nossa região quase não há camarões frescos confiáveis), escolha os pacotes em que os camarões estejam soltos na embalagem. Os que são artificialmente "inchados" soltam água no processo de congelamento e ficam presos em placas de gelo. 

O mais importante para se ter um bom prato feito com camarões: eles cozinham muito rápido. Quando digo rápido é muito mesmo! Eles só devem ser cozidos ou fritos em água bem quente ou azeite de boa qualidade, igualmente quente. 

Para cozinhar, deixe a água ferver, ponha os camarões sem temperos e deixe por cerca de 1 minuto. Se for frito, deixe pelo mesmo tempo. Retire e tempere a gosto. 

Incorpore os camarões à massa e decore com manjericão fresco e castanhas, mas prefira as que estejam in natura, sem serem salgadas. O azeite dará uma boa consistência à massa e a oleosidade deverá combinar com um vinho branco de boa acidez, como o escolhido para essa noite.  

Bom apetite!

Érika Mesquita

16 Dezembro 2011

O vinho branco do último WineBar: Lois Gruner Veltliner 2009


No último dia 5 de dezembro foi realizada mais uma edição do Wine Bar, uma degustação virtual via Facebook que na ocasião teve como tema os vinhos austríacos. De São Paulo, o sommelier Daniel Perches comandou a degustação ao lado da produtora Kathrin Schreiner, da vinícola Sonnenmulde.

O primeiro vinho da noite foi esse branco elaborado com a uva que simboliza a Áustria, a Grüner Veltliner, já apresentada aqui em outra postagem (relembre). É um vinho leve, mas que consegue acompanhar as gordurosas comidas locais. Aqui em casa ficou fantástico com um Linguine com camarões que a Érika fez. 

O produtor é Fred Loimer, uma vinícola jovem que teve a primeira vinificação em 2000. Possui atualmente 69 hectares de vinhedos, sendo 60 deles na região de Kamptal e o restante em Thermenregion. As uvas do vinho degustado vem da primeira região, banhada pelo rio Kamp, cuja capital é Langelois, a maior cidade produtora de vinhos na Áustria. Essa região se destaca pela elaboração de ótimos vinhos brancos feitos com a Grüner Veltliner e com a Riesling. 

A importação para o Brasil é feita pela The Special Wineries e no mercado esse vinho é encontrado a R$ 96. 

Na taça uma coloração amarelo palha com reflexos esverdeados. Boa intensidade aromática, frutos brancos, especialmente maçã verde e notas minerais. Na boca tem bom corpo (considerando ser um vinho branco sem passagem por madeira). No começo da degustação leves “agulhas” apareceram, lembrando um Vinho Verde. Boca repetindo sensações aromáticas, com boa presença mineral.

Final mediano, mas harmônico. Vinho que vai bem como aperitivo, com 11,8% de teor alcoólico, mas que cresceu muito quando passou a acompanhar a massa.

Saúde a todos!   




14 Dezembro 2011

Boa surpresa de Encruzilhada do Sul: Alto das Figueiras Merlot 2009



Esse Merlot é produzido pela Bodega Copetti e Czarnobay, casa fundada em 2003 em Encruzilhada do Sul, região da Serra do Sudeste. Foi a primeira vinícola a ter a própria cantina na região, já que outros produtores como Casa Valduga e Angheben vinificam no Vale dos Vinhedos.


Vinho de coloração rubi, muito lacrimoso. Aromas em boa intensidade, frutos vermelhos, framboesa, ameixa, boa presença da madeira (baunilha), chocolate e café. Na boca as sensações aromáticas se confirmaram. Tem corpo médio, com taninos vivos, acidez equilibrada e álcool sem aparecer (13% de teor).

Final mediano, com fruta presente, mas a boca fica seca em razão da carga de taninos, indicando que o vinho pode acompanhar pratos mais estruturados, especialmente as carnes vermelhas. Palato marcado também por leve tostado.

Pode ser consumido agora ou daqui a 2-3 anos sem nenhum receio. Tem estrutura que lhe garante vida pela frente. 50% do vinho passaram por barricas francesas de segundo uso pelo período de 12 meses.

Foram feitas apenas 2.000 garrafas. Abri a de nº 0503. 

É uma boa compra, pois é encontrado no mercado na casa dos R$30-32.  

Saúde a todos!





12 Dezembro 2011

Um brinde à história: Salton 100 Anos Espumante Nature



Esse é um espumante comemorativo da centenária Vinícola Salton, que tem uma importância notória para o vinho brasileiro. Tem produtos que conseguem atingir a todo tipo de consumidor. Em se tratando de vinhos finos (vitis vinifera), porque os outros eu não conheço, asseguro que não há produto ruim ou mal feito. Não costumo comprar o Salton Classic, mas o consumidor que deseja pagar pouco ou que esteja iniciando no mundo do vinho fará uma boa compra. Todos os vinhos da linha Volpi são muito corretos.

Esse espumante é um Nature, ou seja, após a finalização da segunda fermentação não há adição de açúcares (licor de expedição). Na França esses espumantes também são conhecidos como "pas dosè" (não dosado) ou "dosage zéro" (zero de dosagem). 

É elaborado a partir das variedades Chardonnay (30%) e Pinot Noir (70%) pelo método tradicional, com segunda fermentação na própria garrafa. Segundo site da vinícola, passou 3 anos em autólise de leveduras. Um espumante do qual eu esperava grande qualidade, embora o preço não seja tão atrativo (R$100).

Foram produzidas 13.000 garrafas e abrimos em casa a de nº 3.578, enviada por ocasião do Wine Bar realizado no dia 24/10, mas que por atraso da transportadora não chegou a tempo.

Espumante de coloração dourado claro e perlage fina. Aromas em boa intensidade, frutos brancos, mel, castanhas e marcante lembrança da fermentação, com os tradicionais aromas de casca de pão.  Na boca tem bom volume, acidez equilibrada. É seco, com notas da fermentação se sobrepondo ao frutado. Final longo, maduro, com presença de mel, frutas e casca de pão.

Espumante maduro, gastronômico, seco, que poderá acompanhar pratos de entrada, mas será mais indicado para pratos principais à base de peixe ou frango.

Saúde a todos!


09 Dezembro 2011

Não tem tu, vai tu mesmo: Porca de Murça Branco Douro DOC 2010



No feriado de finados a Érika resolveu fazer escondidinho de bacalhau. Pensei que um vinho branco português seria uma boa opção para harmonizar. Saímos e todos os grandes supermercados de Uberlândia estavam fechados. Fomos a um empório e o único vinho branco português de safra recente era esse Porca de Murça, elaborado pela tradicional Real Companhia Velha, na região demarcada do Douro. 

Mas por R$18, pensei: não tem tu, vai tu mesmo!

É um corte das tradicionais Viosinho, Gouveio, Moscatel, Arinto e Fernão Pires, sem passagem por madeira. Foram elaboradas 400.000 garrafas da safra 2010.

A compra era arriscada, porque o vinho é simples e talvez não conseguisse acompanhar o prato. Mas, tradicionalmente é barato, bom em aromas e com bom frescor. Desagradável não seria. 

Na taça tem a coloração de sempre, uma amarelo palha com reflexos esverdeados. Aromas intensos, vegetal, grama cortada, frutos brancos e algo cítrico de leve. Uma boa surpresa no nariz, mas em boca cai consideravemlente. É leve, com acidez mediana e álcool sobrando um pouco. Final mediano. Vinho agradável e com bom preço, mas nada excepcional. 

Na harmonização com o escondidinho de bacalhau o vinho sofreu um pouco. Sobrou álcool.

Avaliação VPT = 82/100 pontos.

Saúde a todos!



07 Dezembro 2011

A franqueza do Leyda Single Vineyard Garuma Sauvignon Blanc 2010


Em janeiro estivemos no Vale de Leyda, uma das novas regiões chilenas, próxima ao Oceano Pacífico. Lá as vinícolas ainda são jovens e algumas ainda não estão preparadas para o enoturismo em grande escala. Para se visitar as que recebem o turista é preciso agendamento prévio e acender umas velas para que te respondam positivamente.

Como não tenho o costume de pedir a intervenção divina para pequenas coisas, ficamos sem visitar a Viña Garcés Silva (Amayna), embora tenha enviado vários emails a eles. Chegamos até o portão, mas não fomos autorizados a entrar.

Com a Viña Leyda foi diferente. Eles nos responderam dizendo que "ainda" não recebem turistas. Uma gentileza que não saiu cara a eles e nos poupou tempo.

É uma vinícola jovem, fundada em 1998 e a ela credita-se o pioneirismo de desbravar a região como pólo produtor de vinhos de qualidade. Seus vinhedos (245 hectares) estão plantados a uma distância média de 14 km do Oceano Pacífico e sofre forte influência desse clima. Seu Pinot Noir Lote 21 é considerado um dos melhores (senão o melhor) Pinot da América Latina.    

Cor amarelo palha com tons esverdeados. Bons aromas, destaque vegetal, grama, cítrico de leve e forte maracujá. Fruta madura aparecendo em destaque, o que não é muito comum em SB dessa região.

Na boca é leve, com boa acidez, frutado bem presente e algo mineral que confirma a influência das brisas oceânicas. Final longo. Álcool em equilíbrio.  Embora o contrarótulo informe que o vinho passa 4 meses sobre as borras da fermentação, não pareceu, pois os aromas e sabores característicos da prática sur lie não estavam tão marcantes. 

Não passa por madeira, o que lhe possibilitou demonstrar com franqueza todas as características de um Sauvignon Blanc do Vale de Leyda.

Encontrado no mercado na faixa dos R$75. 

Avaliação VPT = 86/100 pontos.

Saúde a todos!



05 Dezembro 2011

Lá se foi mais uma garrafa da nossa reserva histórica: Dal Pizzol Ancellotta 2005


Não temos muitos vinhos em casa, talvez umas 80-90 garrafas. Perto de outros enófilos que conhecemos isso é nada. Mas nos orgulhamos de ter umas 20 de vinhos brasileiros da safra 2005, entre Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e cortes.  Só que elas estão indo embora. Devagar, mas estão indo.
 
Dia desses foi a vez desse Ancellotta da Dal Pizzol, vinícola que visitamos no ano passado (agosto). Na ocasião fomos atendidos por um dos proprietários, o sr. Antônio, que comandou uma degustação de todos os rótulos.

Esse Ancellotta está num ótimo momento para consumo. Vinho elegante, gastronômico, com boa complexidade. Essa safra já esta esgotada e no mercado encontra-se apenas a 2007, que está sendo vendida a R$ 29 no site da vinícola. Mais uma boa relação qualidade x preço dessa vinícola de Faria Lemos, distrito de Bento Gonçalves.

Na taça coloração rubi, brilhante e lacrimoso. Aromas em boa intensidade, frutos vermelhos, ameixa e um toque de especiarias. Na boca tem médio corpo, com a boa e velha vocação gastronômica dos vinhos brasileiros. Taninos finos, boa acidez e boa fruta. Está em grande forma. Final de boa persistência. 

Nesse dia a Érika não pôde beber comigo, então deixei metade da garrafa para o almoço do dia seguinte e o vinho ainda estava inteiro, sem perdas consideráveis. Harmonizou-se bem tanto com carne vermelha quanto com massa ao molho bolonhesa, embora a primeira harmonização tenha sido melhor. 

Saúde a todos!





03 Dezembro 2011

O cremoso Guatambu Poesia do Pampa Espumante Brut


Aqui em casa temos preferência pelos espumantes elaborados pelo método tradicional (Champenoise) e não escondemos isso nas postagens. Então, quando falamos que um espumante elaborado pelo método Charmat é muito bom, é porque ele rompeu até mesmo nossa preferência pessoal.

Esse Brut é produzido pela Estância Guatambu, na Campanha Gaúcha e custa em torno dos R$ 43. Foi um presente do amigo Marlan Logan, que também havia nos dado o Extra Brut já comentado aqui (relembre).

Esse brut é feito a partir de um vinho base de Chardonnay (80%) e Sauvignon Blanc (20%) da safra 2011. Foram produzidas apenas 8.200 garrafas e abrimos a de nº 3.626.

É um espumante de coloração amarelo palha. Quando servido demonstrou o visual típico dos espumantes de grande qualidade: perlage intensa, bolhas finas, constantes e ótima formação de espuma. Os aromas tem boa intensidade, frutos brancos, discreto floral e lembrança tímida da fermentação, prometendo leveza e frescor.

Na boca realmente é leve, tem boa acidez e é refrescante. Mas a surpresa ficou por conta de sua grande cremosidade. Muita fruta presente e nenhum amargor. Final de boa persistência.

Não foi elaborado para ser um espumante de grande complexidade, até por conta do tempo de autólise (4 meses), mas é corretíssimo e equilibrado, com características muito agradáveis, especialmente o frescor, delicadeza dos aromas e sua cremosidade em boca, seu ponto alto. 

Como ainda é um produto novo, de uma vinícola nova, considero-o um achado.

Compre e, se não gostar, me envie as garrafas restantes que as aceitarei humildemente.

Saúde a todos!





02 Dezembro 2011

Gosta de Malbec? Então veja a lista de indicações desse mês da Confraria Brasileira de Enoblogs #CBE

Imagem: Wikipedia - The Free Encyclopedia

O vinho do Mês para nossa Confraria virtual, primeira e única, foi indicado pelo amigo Silvestre Tavares, do Vivendo a Vida. O resultado é um painel muito interessante de vinhos argentinos elaborados com a Malbec, com preços até R$70.

A avaliação dos blogueiros é independente. Então, se você gostar do preço e da descrição feita por cada um, a compra é segura.

Saúde a todos!


Agenda de Vinhos
Doña Paula Los Cardos Malbec 2010

Diário de Baco
Lunta Malbec 2009


Universo dos Vinhos
Cabal Reserva Malbec 2007

Vinho Todos os Dias
Nieto Senetiner Malbec DOC 2008

01 Dezembro 2011

O vinho de nº 600 do blog e nossa escolha para a #CBE: Lariviere Yturbe Partida Limitada Malbec 2007


Essa postagem é especial por dois motivos: é o vinho de nº 600 publicado aqui e o 62º degustado para a Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE. O tema desse mês foi escolhido pelo confrade Silvestre, editor de um dos mais importantes blogs brasileiros, o Vivendo a Vida. A escolha: "Malbec argentino de até 70 reais". 

Aqui em casa gostamos bastante de todos os vinhos da bodega Lariviere Yturbe, que já teve um de seus tintos comentados aqui (relembre), mas têm um Chardonnay também muito bom. Esse malbec está um pouquinho acima do limite proposto pelo Silvestre (R$72), mas estava em nossa adega há um tempo e resolvemos abri-lo.

É um malbec feito com uvas de Ugarteche, localidade na sub-região de Luján de Cuyo, em Mendoza, com vinhedos a 975 metros de altitude. 40% do vinho passou 14 meses em barricas francesas.

Foram produzidas 5.500 garrafas e abrimos a de nº 3.545.

Na taça um vinho de coloração rubi, com boa transparência, sem indicação visual de evolução, apesar dos 4 anos. Aromas em boa intensidade. Frutos vermelhos maduros e notas de baunilha e côco por conta da passagem por madeira. Álcool aparecendo de leve (14% de teor). Indico uma aeração de uns 20/30 minutos no decanter.

Em boca tem corpo mediano, com taninos já domados (embora com boa presença) e acidez em boa dose, deixando o vinho com indicação gastronômica. O álcool dá potência, mas sem desequilibrar. O final é de boa persistência, com presença da madeira (tabaco e baunilha), mas fruta também aparece dando seu recado. Levíssimo amargor.


Não tem a potência e fruta exuberante da maioria dos Malbec. É mais elegante, mas pede comida, especialmente carnes vermelhas grelhadas ou assadas.

Está pronto para consumo e não acredito que tenha a ganhar com a guarda.

Avaliação VPT = 87/100 pontos.

Saúde a todos!