25 janeiro 2012

Provamos um belo vinho do Algarve: Marquês dos Vales Selecta Algarve 2008


Tenho um aluno português  que veio cursar Direito em Uberlândia. Há um tempo atrás me disse que o pai estava vindo ao Brasil e perguntou se eu queria encomendar algo. Tentando disfarçar minha vontade real, respondi "não". Mas conversa vai, conversa vem, perguntei de que região ele era. Respondeu ser do Algarve. Então eu disse com grau zero de segundas intenções: "Acho que nunca bebi um vinho do Algarve". Ele, gentil, disse que pediria ao pai para trazer um vinho da Terrinha. Não pude recusar, por óbvio!


O Algarve é a região vinícola mais ao sul de Portugal, fazendo divisa (ao norte) com o Alentejo. Possui quatro Denominações de Origem Controlada (DOC): Lagos, Portimão, Lagoa e Tavira. Porém, dá-se mais importância à categoria de Vinho Regional, tanto que o produtor desse tinto, a Quinta dos Vales, não produz vinho em nenhuma DOC. 

É um vinho moderno, assemblage de Castelão, Syrah, Aragonês e Cabernet Sauvignon, em proporções que desconheço, com estágio por barricas francesas pelo período de 10 meses. Foram produzidas 10.400 garrafas. Os enólogos são Paulo Laureano e Dorina Lindemann. 

Na taça a coloração é púrpura, com muitas lágrimas. Os aromas têm boa intensidade, com lembrança de frutos vermelhos bem maduros, elegante amadeirado (baunilha e côco), floral e especiarias. Boa complexidade. Madeira elegante e bem integrada, sem atrapalhar a fruta.

Tem corpo mediano, com taninos presentes, com aquela rusticidade que confere personalidade e vocação gastronômica. Ainda podem evoluir nos próximos 2 anos. Acidez equilibrada. Final persistente, com boa fruta. Boca seca, em razão da carga tânica. Vinho seco, sério, que pede comida. Álcool a 13,5% de teor, sem incomodar. 

Não sei se está disponível no mercado brasileiro, mas se estiver é uma bela compra. 

Saúde a todos!



4 comentários:

Ricardo disse...

O Algarve é uma região que se está a renovar e têm muitos produtores estrangeiros, com novas ideias para fazer vinhos.
A Quinta dos Vales é um deles.

Vinho para Todos disse...

Ricardo, agradeço pela visita ao blog e pelo comentário.

Saúde!

Gil Mesquita
www.vinhoparatodos.com

Joao Barbosa disse...

não há dúvida que os vinhos do Algarve melhoraram muito nos últimos anos...
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mas não há bela sem senão:
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o vinho tradicional algarvia desapareceu, talvez existam 2 ou 3 pessoas que ainda o façam.
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melhorou, mas descaracterizou-se. há bons vinhos, mas podiam ser de outro lado qualquer.
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para cúmulo agora até se permite que castas estrangeiras sejam autorizadas nas DOC
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isso deixa-me triste. não por haver novos e bons produtores, mas por em paralelo não haja melhoria dos tradicionais e manutenção de produtores tradicionais.

Joao Barbosa disse...

quando escrevi o «Grande Reserva» entrevistei o professor Virgílio Loureiro, grande enólogo, defensor da tradição e da qualidade.
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disse-me ele que o Algarve, por ser uma região tão quente, muitas vezes os vinhos paravam a fermentação, ficando naturalmente abafados.
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recomendou-me dois vinhos à antiga, precisamente dois abafados, ambos de Lagoa: o Afonso III e Algar Seco.
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Vinhos diferentes, com grande personalidade e absolutamente fora de moda.