01 abril 2012

Minha escolha para a #CBE, o ainda jovem: Marichal Reserve Collection Pinot Noir / Tannat 2008


Esse é o 67º da Confraria Brasileira de Enoblogs, nossa gloriosa CBE. Nesse mês a escolha coube a mim, num rodízio que fazemos desde que foi criada, em fevereiro de 2007.

Ao pensar na temática lembrei da promessa que fiz aqui no blog para 2012: beber mais vinhos uruguaios. Então, não foi difícil escolher: "vinho tinto do Uruguai com preço até R$ 100". Ao que parece os confrades gostaram e teremos a partir de hoje um bom painel de produtos de nossos vizinhos.

Esse vinho é um corte interessante de Pinot Noir e Tannat, com 70% do vinho passando 9 meses por barricas de carvalho francês e americano. Pela garrafa paga-se $60 no site do importador.

O produtor é uma vinícola que tem o respeito dos blogueiros que conheço, a Bodega Marichal, que tem suas origens no ano de 1910, quando um descendente das Ilhas Canárias (Isabelino Marichal) veio para a região de Etchevarría. Iniciou ali o cultivo daquela que se firmou como uva símbolo do Uruguai, a Tannat, que na época era conhecida como Harriague. Atualmente a bodega é comandada pela quarta geração da família, tem 50 hectares de vinhedos próprios e cultivam as variedades Chardonnay, Semillón, Sauvignon Blanc, Pinot Noir, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat.

Vamos ao vinho.

Na taça a coloração é rubi, translúcido. Aromas intensos, já de início apresentando uma interessante complexidade: frutos bem maduros, compota, mel, especiarias, chá preto e indicativos da passagem por madeira.

Na boca parece outro vinho, seco, com acidez marcante e taninos bem presentes, demonstrando ser um vinho com longo caminho pela frente. Frutado do nariz não se repete tanto em boca, onde é mais austero, com notas de frutos secos, café e tostado tomando conta. Final mediano. Álcool a 14% aparecendo em alguns momentos, deixando o vinho mais potente.

Esse vinho me deixou intrigado, porque não costumo ler as informações do vinho antes de fazer as anotações. Quando vi que são 70% de Pinot Noir e 30% de Tannat, fiquei surpreso, porque não apostaria nessa proporção. Na boca pareceu haver domínio dessa última.

Ainda está jovem em minha opinião, com potencial para mais 2-3 anos na garrafa. Um tempo no decanter (talvez uns 30 minutos) ajudará. E mais: é um vinho com personalidade própria, não se confundindo com os estilos chilenos ou argentinos na faixa de preços. Não é um vinho para bebericar, porque pede comida.
 
Saúde a todos!
 
 

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