06 junho 2012

O segundo alemão aqui no blog: Robert Weil Rheingau Riesling Spätlese 2009


Esse vinho foi trazido pelos amigos Cláudio e Rafaela, do Le Vin au Blog, quando estiveram em casa no final do mês de abril. Foi um fim de semana bem legal na companhia deles e dos amigos Cristiano e Valdirene, do Vivendo Vinhos

Esse Riesling, acredito, ainda não está disponível no mercado brasileiro, pois foi trazido pela Rafaela numa de suas viagens para a Alemanha. Portanto, não sei em que faixa de preços ele se colocaria por aqui.

É produzido pela Weingut Robert Weil, fundada em 1875 por um professor de alemão na Sorbonne, que foi obrigado a deixar Paris em razão da Guerra Franco-Prussiana (1870/1871). Assim, Robert Weil foi trabalhar como jornalista em Wiesbaden, não muito longe do Rheingau. No mesmo ano comprou seus primeiros vinhedos em Kiedrich. Atualmente é controlada por uma empresa japonesa, produtora de uísque (?).  

No rótulo algumas informações importantes e de difícil compreensão.

- Rheingau - a região vinícola, uma das mais nobres da Alemanha, às margens do rio Reno, um dos grandes rios viníferos do mundo.

- Kiedrich - uma sub-região de Rheingau. Essas subdivisões são chamadas de Gemeinde (comunidades, paróquias).  

- Spätlese - literalmente "colheita tardia", isto é, mais maduro que o Kabinett. Os vinhos podem variar do seco e razoavelmente cheio ao doce e mais leve. Pode envelhecer bem.  

- Weingut - propriedade vinícola.

- Erzeugerabfüllung - indica que o vinho foi engarrafado na propriedade.     

- Deutscher Prädikatswein - literalmente "vinho alemão com predicados", antigamente chamada de Qualitätswein mit Prädikat (QmP).

- A. P. Nr. - Amtliche Prüfungsnummer, todo lote de vinho tem de ser testado oficialmente e recebe este número. O primeiro dígito identifica a estação do teste e os dois últimos, o ano do teste.   

Obs.: O  significado das expressões em alemão foram retiradas do ótimo livro de Hugh Jonhson e Jancis Robinson, Atlas mundial do vinho, editora Nova Fronteira. 

Esse produtor, inclusive, é citado pelos autores: "Kiedrich faz um vinho excepcionalmente bem equilibrado e delicadamente picante. Robert Weil (em parte pertencente a japoneses) é a maior propriedade da paróquia e faz hoje um dos vinhos doces mais esplêndidos de Rheingau. Gräfenberg é considerado a melhor parte do vinhedo, embora Wasseros esteja quase no mesmo nível. Weil encontra-se em suas extensas propriedades em Gräfenberg e consegue produriz Trockenbeerenauslesen convincentes em quantidades invejáveis".

Sem mais delongas, vamos ao vinho. 

Na taça a coloração é amarelo palha. Os aromas são intensos, maracujá, petróleo (aroma característico de vinhos com essa uva), fumaça e dependendo da temperatura algumas ervas aromáticas. Em boca tem uma acidez marcante, com notas cítricas em evidência (maracujá) e um adocicado presente. Final um tanto ligeiro, com predominância das notas cítricas no palato. 

Vinho muito interessante, intenso, aromático e gastronômico. Apenas merece cuidados no tocante à harmonização, já que suas notas adocicadas podem complicar um pouco. O final  um tanto ligeiro impediu uma avaliação melhor. Álcool a apenas 8,5%. 

Saúde a todos!
 

 

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