25 julho 2012

A cada safra um novo corte, como deve ser: Bleasdale Langhorne Crossing Red 2010



Esse foi outro vinho que comprei num supermercado em Catalão (GO) pagando R$ 36,90. Embora já tivesse comentado há pouco tempo a safra 2008 dele (relembre), a impressão não foi boa e resolvi arriscar uma safra mais recente. 

Interessante que em todas as safras comentadas aqui (inclusive a 2004), o corte é diferente e nem mesmo as uvas se repetem. Veja:

- Safra 2004 - corte de 61% Shiraz e 39% Cabernet Sauvignon (39%), com passagem por 18 meses em barricas de carvalho, predominantemente americanas.

-  Safra 2008 - corte de 53% Cabernet Sauvignon, 35% Shiraz, 7% Petit Verdot e 5% Malbec, com passagem de 15 meses por barricas predominantemente americanas. 

- Safra 2010 - corte de 54% Shiraz e 46% Merlot, com passagem de 15 meses por barricas predominantemente americanas. 

Isso pode parecer pouco, mas um corte (assemblage) é fruto de uma intensa análise técnica feita pelos enólogos, que precisam decidir que vinho colocarão no mercado. Por isso, a cada ano é natural que o percentual de uvas varie, pois um corte não é uma fórmula matemática que pode ser repetida todos os anos, em todas as safras. Apesar disso, algumas vinícolas insistem em fazer isso, até aqui no Brasil. 

Quanto ao vinho: coloração rubi. Aromas com frutos vermelhos e pimenta bem presente, com essa última característica provavelmente vinda da Shiraz. Na boca tem médio corpo, fácil de agradar, redondo, com taninos macios e acidez equilibrada. Picante, com repetição da pimenta, caramelo e frutos compotados. Final mediano, com álcool presente (13,9%), mas sem desequilíbrio. 

Está pronto para beber agora e, apesar do teor alcoólico, pode servir para acompanhar refeição ou para bebericar, já que tem muita fruta e os taninos já estão macios.      

É elaborado pela Bleasdale Vineyards, uma vinícola fundada em 1850 pela Família Potts. Foi a segunda a se estabelecer no país. Seus vinhedos estão localizados na região de Langhorne Creek, South Australia, a 70 km de Adelaide. Esta região tem sua história iniciando em 1800 às margens do rio Bremer. Antes mesmo da introdução das atuais técnicas de irrigação, o cultivo de uvas na região ocorria com ajuda das enchentes do rio, o que torna possível encontrarmos parreiras com mais de 110 anos e ainda produzindo. 

Saúde a todos!



2 comentários:

Baruki disse...

Olá Gil,

Queria saber se você tem outro e-mail além do vinhoparatodos@bol.com.br, que está retornando a mensagens.

Caso não queira disponibilizar aqui, mande um para mim no rbarukif@hotmail.com .

Abraços,

Baruki.

Gil Mesquita disse...

Baruki,
desativei o email do BOL, porque recebia muita porcaria.

anote esse: vinhoparatodos@gmail.com

Saúde!