01 agosto 2012

Provamos um vinho chileno de 13 anos para a #CBE: Santa Monica Tierra de Sol Merlot 1999


Esse é o 71º vinho da Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, escolhido pelo amigo Gustavo Kauffman, do blog Enoleigos, que foi bastante criativo em sua escolha:

"Neste mês eu gostaria de diversificar e trazer a tona variáveis tão ou mais importantes que o vinho em si! Falemos de nossa lembrança, pessoas, lugares e momentos. O tema deste mês é falar de um vinho que tenha marcado muito você! Férias inesquecíveis, o nascimento de um filho, bodas, casamento, não importa, descreva, degustando novamente ou não, suas percepções sobre o vinho degustado neste momento tão especial!"

A rolha estava em perfeitas condições, apesar dos 13 anos de idade.

Para atender ao chamado do confrade, escolhemos um vinho que ganhamos de presente do enólogo Don Emilio de Solminihac, quando o visitamos em janeiro de 2011. Sua vinícola, a Santa Monica, produz os vinhos Surazo, importados para o Brasil pela Porto Mediterrâneo (relembre a visita aqui).

Fizemos muitas visitas nessa viagem, mas em nenhuma delas fomos recebidos com tanta gentileza. Após a visitação às instalações (que sofreram muitos danos no último grande terremoto), fomos para o jardim da casa principal e lá foram abertas 14 garrafas, ou seja, todos os vinhos da linha Surazo. 

Depois, fomos levados por Don Emilio para almoçar levando algumas garrafas conosco. Antes, porém, ganhamos de presente um estojo de madeira e esse Merlot da safra 1999, de grande valor afetivo que esperava uma oportunidade como essa para ser degustado.

As uvas desse vinho são de um vinhedo plantado em 1991 e, após vinificação em maceração prolongada, estagiou por 6 meses em barricas de carvalho francês. Curiosamente leva no rótulo a indicação D.O. Rancagua, na verdade a cidade onde está sediada a vinícola.

Na verdade a região é o Vale do Cachapoal, mas Don Emilio nos explicou que a opção por uma denominação mais genérica (Vale do Rapel) foi feita pensando no mercado inglês/americano. Argumenta que seria muito difícil para esses consumidores pronunciarem "Cachapoal"... mais fácil falar Rapel Valley.

Vamos ao nosso vinho especial.

Na taça tem coloração grená, com bordas alaranjadas. Límpido, transparente, sem nenhuma turbidez. Lágrimas grossas e lentas. Não foi decantado, porque um vinho dessa idade pode perder muito de suas características ao ter grande contato com o oxigênio. Portanto, as impressões aqui registradas foram tiradas direto da taça, servida imediatamente.

Nos aromas ainda tem boa intensidade, as frutas vermelhas ainda estão presentes, mas de forma discreta. Perderam lugar para uma presença marcante de tabaco, mel, frutos secos, figo e chocolate amargo. Álcool de leve aparecendo (13%). Em boca essas características se repetem com muita força, taninos discretíssimos e pouca acidez. Final de boa intensidade, com palato marcado por forte presença de tabaco e notas tostadas.

Evidentemente o vinho perdeu grande parte de suas principais características estruturais, mas não tem defeitos, tem aromas evoluídos (terciários) e sabores que só um vinho dessa idade consegue entregar. Mantendo-se, portanto, com algo a dizer por longos 13 anos. Uma experiência muito interessante, dessas que não se vive todo dia.   

Saúde a todos! Saúde, Don Emilio!



Um comentário:

Anônimo disse...

Legal o post. Sempre tive curiosidade de provar um vinho com essa idade. Deve ser uma experiência fascinante.
Abs,

Jordan Oliveira