30 outubro 2012

Um Cabernet Franc do Loire, por R$49: Domaine La Bonnelière Cuvée Tradition 2010


Uma das mais importantes uvas tintas francesas é a Cabernet Franc, fundamental na elaboração dos famosos Bordeaux, mas que raramente experimentamos sozinha, a não ser em vinhos da América do Sul. Diante dessa realidade, escolhemos para o segundo encontro de nossa Confraria um vinho do Loire, 100% Cabernet Franc e sem passagem por madeira, justamente para compreendermos o que essa uva pode nos oferecer, mas no estilo original do Velho Mundo.

É elaborado pelo Domaine de la Bonnelière, fundado em 1972 por André Bonneau e sua esposa. Atualmente possuem 30 hectares de videiras.


Esse vinho vem da sub-região Saumur Champigny, uma denominação bem pequena dentro da região de Anjou-Saumur, uma das cinco subdivisões da AOC Vallée de la Loire. O nome champigny é uma derivação do latim campus igni, que significa "campos de fogo", referência ao solo com grande capacidade de retenção de calor, permitindo que as uvas tenham um amadurecimento mais precoce.

Seus vinhos são necessariamente tintos, elaborados com a Cabernet Franc. Se o vinho a ser elaborado foi um corte, podem entrar apenas as variedades Cabernet Sauvignon e Pineau d'Aunis. Aliás, essa última uva é uma novidade pra mim. Fui pesquisar a respeito e encontrei que já foi chamada em outros tempos de Chenin Noir, sendo a mais antiga variedade cultivada no Loire e atualmente seus vinhedos ocupam cerca de 1.000 hectares na França, especialmente na região mencionada. É uma videira vigorosa, fértil, que sendo bem conduzida pode atingir 80 anos de idade. Suas características de aromas e sabores mais comuns são framboesa e pimenta. 

Voltando ao vinho da noite. É um 100% Cabernet Franc, elaborado a partir de videiras com mais de 20 anos de idade. Amadurece por alguns meses em tanques de aço inoxidável e foi comprado pelo site da Chez France a R$49, uma compra imperdível para se conhecer o estilo da região e dessa variedade.  

Na taça o vinho apresentou coloração rubi. Os aromas remetem a frutos vermelhos mais delicados, groselha e uma intrigante lembrança de chocolate branco, aroma que foi reconhecido também pelos confrades. Na boca é macio, elegante, taninos maduros e boa acidez. Vinho para a mesa, mas com delicadeza e fruta que também permitem funcionar bem como aperitivo, embora eu ache isso um desperdício. Final de boa persistência, com frutado bem maduro, quase compotado. Álcool a 13% sem aparecer em nenhum momento. 

Avaliação VPT = 87 pontos.

Saúde a todos!



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