04 outubro 2012

Visita à Miolo para prova de seus vinhos da Campanha

Temperatura baixa, mas acolhida calorosa na Miolo
Foto: Gil Mesquita - Blog VPT
Não há explicação lógica, mas em todos esses anos visitando o Vale dos Vinhedos, mais de 30 vinícolas, ainda não tínhamos visitado a Miolo, uma das gigantes do vinho brasileiro. Isso não impediu que fosse a vinícola mais presente aqui no blog, bastando ver no menu à direita a quantidade de rótulos provados.

Mas, no último dia 26 de setembro essa lacuna foi preenchida.

Em razão de um voo cancelado entre Uberlândia e São Paulo, chegamos atrasados à vinícola e não pudemos participar da primeira degustação do início da noite, intitulada Surpresas a Galope, onde foram apresentados vinhos e espumantes da Campanha Gaúcha, elaborados pela anfitriã e por outras vinícolas: Campos de Cima e Darricarrère.

Miguel Almeida comanda a degustação na bonita sala da vinícola. 
Foto: Gilmar Gomes Fotografia Digital

Em nossa chegada fomos direto à sala de degustação para provar alguns dos ótimos vinhos da Miolo, apresentados pelo enólogo Miguel Almeida, português com sotaque quase gaúcho, entusiasta dos vinhos da Campanha e especialmente do potencial da Touriga Nacional naquele terroir. Tanto é que nos levou para provar um TN diretamente da barrica, vinho muito aromático, ótima estrutura e que será utilizado na elaboração do Castas Portuguesas 2012.

A seguir os vinhos degustados e minhas impressões.

- Quinta do Seival Alvarinho 2012 – esse vinho foi elaborado de forma experimental pela primeira vez em 2006, mas a partir de 2011 passou a ser comercializado em razão da qualidade apresentada. Amarelo palha, aromas com clara lembrança de banana, amendoim e algumas ervas (alecrim). Na boca é equilibrado, amanteigado, mas com boa acidez. Ainda está em madeira (6 meses). Final de boa persistência. Vendido na faixa dos R$50 no varejo da vinícola.

- RAR Collezione Viognier 2012 – é um vinho que me agrada bastante e já teve a safra 2010 comentada aqui (relembre). Ainda está em barricas (6 meses) e em algumas delas a fermentação malolática começou espontaneamente, dando ao vinho uma turbidez que deverá ser corrigida com a filtração. Vinho que ainda não está pronto, mas com grande potencial de aromas e sabores. Nariz lembrando novamente banana. Boa acidez, notas adocicadas e bom final. Também vendido a R$50.

- Bellavista Estate Pinot Noir 2011 – um Pinot com passagem por madeira, elegante, fácil de beber e pronto para consumo. Rubi, com aromas intensos de frutos mais delicados e presença de tostado da madeira. Leve e fresco, com final de média persistência. R$50 no varejo.

- Merlot Terroir 2009 – o único vinho da DO Vale dos Vinhedos provado nesse painel. De coloração densa, de um rubi profundo. Aromas em boa intensidade, com fruta muito madura, lembrança de caramelo. Bom corpo, elegante e ainda jovem, com bom potencial de guarda. Um dos importantes vinhos brasileiros, que não foi elaborado em 2010 em virtude das condições climáticas desfavoráveis. R$79.

- Almadén Vinhas Velhas Tannat 2011 – um vinho que tem feito sucesso no mercado, tanto que a safra 2012 estava representada entre os 16 vinhos da Avaliação Nacional de Vinhos. Esse 2011 tem aromas maduros, bom corpo, acidez marcante e taninos firmes. Um ótimo Tannat brasileiro, que ainda vai evoluir por alguns anos. As uvas para sua elaboração vieram de um vinhedo plantado em 1976. Custa R$85.

Ao final fomos submetidos a uma “tortura”. De olhos vendados, provamos dois vinhos diferentes, numa autêntica degustação às cegas. A ideia era romper preconceitos para que fossem percebidas as qualidades de dois vinhos em faixas de preços bem diferentes: Almadén Pinotage 2012 (R$12) e Castas Portuguesas 2008 (R$50). Ótima experiência.

Grupo musical típico da Serra Gaúcha, responsável por aquecer a noite fria. 
Foto: Gilmar Gomes Fotografia Digital

Após a degustação fomos a uma cantina localizada dentro do grande complexo da vinícola, chamada Mamma Miolo, sendo recepcionados com o calor italiano (apesar da baixa temperatura), ótimos vinhos, comida típica e a alegre música italiana de um grupo local.

Agradecemos imensamente a acolhida de toda a equipe da vinícola, mas especialmente ao carinho da Morgana Miolo, que nos acompanhou em vários momentos divertidos após a visita e nos dias que se seguiram, inclusive numa degustação à meia-noite na Don Laurindo. Mas, essa é outra história.

Saúde a todos!

*** Viajamos ao Rio Grande do Sul a convite do IBRAVIN, para mais uma edição do Projeto Imagem.

2 comentários:

Baruki disse...

Impecável a infraestrutura deles!
Impecável seu post também!

Grande abraço.

Raphael Baruki.

Gil Mesquita disse...

Valeu, Baruki!

obrigado pelo comentário.

forte abraço.

Gil Mesquita