01 novembro 2012

Para ser o vinho do mês da #CBE escolhemos o Bellavista Estate Sauvignon Blanc 2012


Esse é o 74º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE. A escolha desse mês coube ao amigo Silvestre Tavares, de Vitória-ES, idealizador do blog Vivendo a Vida, que sempre figura entre os mais visitados do Brasil em qualquer pesquisa realizada, mas normalmente abocanha o primeiro lugar, para tristeza de alguns.

O tema escolhido pelo Silvestre é bem interessante: vinho branco brasileiro, em qualquer faixa de preços, principalmente porque nos últimos meses tenho provado muitos vinhos nacionais de grande qualidade.

O vinho que escolhi já foi comentado brevemente aqui porque foi avaliado às cegas no Encontro de Vinhos em Ribeirão Preto, realizado em setembro (relembre). Naquela ocasião dei 89 pontos pra ele, sem ter nenhuma informação a respeito e essa experiência mais uma vez revelou o quão imparcial pode ser uma degustação às cegas, porque se soubesse que era um vinho do Galvão Bueno, talvez fosse influenciado pela informação.

Explico: nós que escrevemos (ou tentamos escrever) sobre vinhos gostamos de manter certa distância de vinhos muito badalados, de vinhos com grande apelo de marketing. Exceção recente fiz para o Toro Loco, mas no geral nos afastamos um pouco desse tipo de vinho. Então, foi muito importante avalia-lo dessa forma, podendo reconhecer suas qualidades sem qualquer conceito prévio.

Esse vinho é fruto de uma parceria entre a Miolo, responsável pela vinificação, e a Bellavista Estate, propriedade na Campanha Gaúcha de onde vêm as uvas para elaboração dos vinhos do Galvão. Não tem passagem por madeira e também não teve fermentação malolática, prometendo ser um vinho muito franco.

É vendido pela loja virtual da Miolo e em sites especializados, com preços variando entre R$43 e R$48.

Na taça a coloração é palha, muito clara, com reflexos esverdeados. Sem agitação da taça os aromas são bem próximos aos SB chilenos e da Nova Zelândia, com notas citricas e vegetais, arpargos, grama cortada e amêndoas. Com agitação da taça outros aromas apareceram, especialmente flores e frutos brancos. Boa complexidade!

Na boca é elegante, de boa acidez, equilibrado e com a boa complexidade demonstrada no nariz. Um vinho que mescla a intensidade do Novo Mundo com a elegância do Velho, não sendo aquele vinho enjoativo, burocrático, com uma nota só durante toda a degustação. Aliás, acredito que essa seja a melhor característica dos SB da Campanha, já experimentada em outros vinhos.

Final de boa persistência, com a boca salivando e palato cítrico. Bom para bebericar ou para acompanhar comida: frutos do mar, saladas e alguns pratos com carnes brancas. 

A primeira vez em que foi avaliado, às cegas em Ribeirão Preto, atribui 89 pontos a ele. As condições para a degustação eram ótimas, vinho na temperatura ideal, ambiente climatizado. Na segunda oportunidade o calor era intenso, isso pode ter influenciado a avaliação. De toda sorte, atribuí 88 pontos nessa segunda degustação, utilizando a mesma planilha de notas, ratificando as qualidades do vinho. 

Avaliação VPT = 88-89 pontos.

Saúde a todos!  



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