24 janeiro 2013

Mesmo o básico de um ótimo produtor pode ser um grande vinho: Le Volte IGT 2008


A história da famosa Tenuta dell'Ornellaia começa em 1981, ano de sua fundação pelo Marchese Lodovico Antinori. Foi estabelecida numa propriedade vizinha à Tenuta San Guido, produtora do Sassicaia, considerado o primeiro "supertoscano" que foi elaborado e iniciou uma verdadeira revolução nos vinhos toscanos.

A Tenuta dell'Ornellaia foi estabelecida para competir com outros "supertoscanos", como o próprio Sassicaia, o Tignanello e o Solaia, produzido por Piero Antinori, irmão do Marchese Lodovico.

Os vinhedos, plantados em 1981, produziram sua primeira safra em 1985. A participação societária passou pelas mãos de Antinori, Robert Mondavi e atualmente a família Frescobaldi é a proprietária, tendo como enólogo chefe Axel Heinz, e o controvertido Michel Rolland como consultor.


O Le Volte é um vinho básico desse produtor, de preço muito mais acessível que seus Ornellaia e Masseto, que estão naquele livro 1001 vinhos para beber antes de morrer, da editora Sextante. Mas nem por isso é um vinho simples.

Elaborado com 50% Sangiovese, 40% Merlot e 10% Cabernet Sauvignon, tem período de maturação em barricas por 10 meses. Esses barris foram usados de 2 a 4 anos nos vinhos mais famosos da propriedade. No corte buscou-se combinar a expressão 'mediterrânica' da Sangiovese, generosa uva, com a estrutura e complexidade da CS e a suavidade de Merlot.

Vamos, finalmente, às notas de prova:

Na taça tem coloração rubi, com lágrimas lentas, muito lentas, na taça. Os aromas são intensos, com muita fruta madura, cereja, ameixa, notas de tabaco, cedro, café e chocolate, dividindo espaço com a fruta na primeira taça. Depois, o frutado tomou frente, formando um conjunto complexo com as notas da madeira, especiarias ao fundo, compota e algo lembrando ferrugem, talvez uma nota de evolução. 

Em boca tem corpo médio. É muito macio, equilibrado, com fruta potente, taninos amáveis e acidez marcante. O final é longo, com fruta intensa, tabaco, café e ferrugem. 

Está pronto para beber, podendo ganhar complexidade nos próximos anos, mas os taninos bem macios indicam que pode ser bebido já. 


Detalhes da compra:

Comprei essa garrafa na Grand Cru, em Ribeirão Preto, pagando R$110. Mas atualmente as safras 2009 e 2010 são vendidas pelo site a R$130. Apesar de não ser um vinho barato e estar numa faixa de preços superior para a maioria dos consumidores brasileiros (inclusive eu), aconselho a compra para conhecer um dos mais importantes produtores italianos. Pode ser um vinho para ocasiões especiais, a ser servido para quem gosta de apreciar vinhos, não apenas bebê-los descontraidamente. Gaste bem o seu dinheiro. 

Um detalhe que me chama sempre atenção nos grandes vinhos italianos, especialmente os da Toscana, é que suas garrafas são simples, leves, no estilo bordalês. Nada daquelas garrafas pesando quase 1 kg, como nos vinhos da América do Sul. Viva a simplicidade!

Saúde a todos!


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