28 janeiro 2013

Quem não tem Barolo ou Barbaresco pode ir de Fontanafredda Nebbiolo Langhe DOC 2007 #CBE


Todo janeiro são escolhidos dois temas para a Confraria Brasileira de Enoblogs. O primeiro já foi publicado aqui: um vinho branco, do Vale do Loire, que custasse até R$150 (relembre). Mas, o confrade Luiz Cola, do ótimo blog Vinhos e Mais Vinhos, escolheu também como tema um "grande vinho da adega para celebrar o fim de 2012, mas não do mundo".

Confesso que a adega aqui de casa é mais recheada de sentimentos do que de ícones. São vinhos que representam o momento da compra, uma viagem, um presente, além daqueles inúmeros vinhos brasileiros de 2005 que um dia abrirei na companhia de ótimos amigos.

Mas minha escolha nem ficou por muito tempo na adega, porque foi comprado em dezembro. É um vinho especial porque foi com ele que inaugurei minha coluna mensal no ótimo Sabor Sonoro, blog de gastronomia aqui de Uberlândia, criado pelo publicitário Marcel Gussoni. Aliás, um blog premiado pela crítica e pelos assíduos leitores de suas receitas, que vêm acompanhadas de vídeos musicais de muito bom gosto. Harmonia entre boa comida e boa música.

Escolhi esse Nebbiolo elaborado na região do Langue (Piemonte) pela Fontanafredda, vinícola que tem em seu portfólio vários Barolo e outros vinhos mais acessíveis elaborados em diversas partes do Piemonte, tanto tintos quanto brancos.

Vista panorâmica da vinícola Fontanafredda. Foto: http://www.vinantico.eu
Na taça um visual típico dos Nebbiolo, um rubi translúcido, com discretos reflexos alaranjados. Aromas intensos, muita fruta madura, ameixa, frutos secos e uma presença marcante de alcatrão e chocolate. 

Em boca tem corpo médio. Notas adocicadas formam um conjunto gastronômico com os taninos finos, já domados pelos 5 anos de idade, e uma acidez marcante. A complexidade dos aromas se repete em boca, com fruta madura e alcatrão. 

Final de média persistência, com a boca salivando em razão da acidez, mas as gengivas secas por causa dos taninos ainda presentes. Pede o próximo gole e diz assim: "Ei, fui feito para ser harmonizado com algum prato da minha terra. Por favor!".

Então tá. Polpetone com molho ao sugo nele, uma harmonização que não foi comprometida pelos taninos comuns nos vinhos Nebbiolo, porque nesse eles já estão domados e deixaram o vinho bastante amigável com o molho vermelho.

Está pronto para beber agora, pois dará muito prazer. A estrutura de taninos e acidez indicam que pode ser guardado, porque esse tempo em adega lhe dará complexidade aromática. Mas se você não tem esse tipo de curiosidade, beba agora.

Uma opção interessante para quem quer conhecer o estilo de vinhos com essa uva sem ter que gastar tanto com um Barolo ou Barbaresco. 


Detalhes da compra: 

Os vinhos desse produtor são importados pela Bruck, mas comprei essa garrafa na SuperAdega, em Brasília, pagando algo na faixa dos R$70. Aconselho a compra, porque o vinho entrega muita qualidade e servirá de parâmetro para as características da uva e da região.

Esse foi o 77º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs, a primeira (e ainda única) confraria virtual de vinhos do Brasil. 

Saúde a todos!



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