22 março 2013

Cansado dos Malbec pesadões? Experimente esse: Goulart M The Marshall Malbec 2008

O vinho é um "single vineyard", elaborado com uvas de um vinhedo plantado em 1915 em Lunlunta, Lujan de Cuyo, Mendoza.

A Bodega Goulart pertence à Erika Gourlart, uma paulistana descendente do Marechal Gastão Goulart, figura importante da Revolução Constitucionalista de 1932, no Brasil. O vinhedo foi adquirido pelo Marechal em 1915, na região de Lunlunta, em Lujan de Cuyo, e ampliados para mais 28 hectares quando esteva exilado na Argentina, na época, plantados com cabernet sauvignon e malbec.

Erika assumiu a propriedade em 1995 e iniciou a recuperação de toda a estrutura, elaborando seu primeiro vinho em 2002. Atualmente possui 55 hectares de vinhedos próprios e conta com a consultoria de Luis Barraud, enólogo da Viña Cobos, uma das importantes vinícolas argentinas da atualidade.

Deixei o vinho um tempo na adega porque, sinceramente, não ando bebendo muitos Malbec ultimamente, porque estão muito parecidos: muita fruta, muito álcool, muito tanino, muita madeira... Mas esse surpreendeu pela elegância e equilíbrio.

A cor ainda é rubi intenso, com alguns reflexos violáceos. Nos aromas a presença marcante de frutos negros, tabaco e especiarias. Em boca tem bom corpo, confirmando notas de frutos negros, pimenta e elegante presença da madeira. Estrutura de taninos, álcool e acidez formando um conjunto elegante e longe do "peso" da maioria dos Malbec nessa faixa de preços. A passagem por 8 meses em barricas de carvalho (40% francesas) lhe deu complexidade, sem esconder a fruta.

Foi aberto numa quinta-feira à noite e bebi meia garrafa sozinho. No almoço de sábado o vinho ainda estava ótimo. Tem potencial para alguns anos em garrafa ainda, talvez 2-3 anos. Álcool a 14,2% sem incomodar.  


Detalhes da compra:

Esse vinho fez parte da seleção do Clube Wine de dezembro de 2012. O preço normal de uma garrafa é R$ 80, mas para os associados sai por R$ 64. Recomendo sem pestanejar, porque é difícil essa elegância na faixa de preços.

Não estou mais atribuindo notas em escalas de 100 aqui no blog, mas para esse daria 90 pontos sem nenhuma dificuldade. 

Saúde a todos!



6 comentários:

Gustavo Belli disse...

Tb ando desviando dos Malbecs , tenho Goulart M na adega tb racho q em breve vai acompanhar uma carne.
Abço
@GusBelli

Gil Mesquita disse...

Gustavo,

acredito que você vá gostar desse. Ainda não provei o Goulart R, que também está na adega. Mas tenho boa expectativa, porque é um corte de malbec e CS.

valeu pelo comentário.

abraço,

Gil Mesquita

Carlos disse...

Amigo, bem interessante esta matéria. Realmente um malbec com esta proposta...apesar de que esperava mais tempo em repouso em carvalho justamente para contrabalancear essa fruta tão intensa conforme descrito em seu post.

Bom, fora isto, vi algo que sempre me chama atenção e questiono a todos que definem um vinho através de notas de 0 a 100.
Qual critério você utilizou para definir este vinho a 90? Ou melhor quais critérios lhe trouxeram esta pontuação? Pergunto isso por que:

1- A maioria dos enólogos dão nota de 0 a 100 sem seguir qualquer padrão de pontuação técnica.


2- Discordo totalmente do sistema de notas como é utilizado hoje pelo mercado de vinhos. Seja RP, WS, DEC... etc... pois vejo que estes em geral avaliam sob influencia dos grandes do vinho....


Digo isto pois tenho visto muitos avaliadores com suas notas que em geral respondem por opiniões pessoais, ao invés de uma análise ao menos justa ou exageradas em relação a bebida.

Gil Mesquita disse...

Carlos, obrigado pelo comentário.

Não gosto do sistema de pontuação 0 a 100. Desde o início do blog utilizo as tacinhas pra facilitar a visualização, sem os rigores matemáticos.

Mas, comecei a participar de degustações às cegas em eventos que utilizam a ficha de avaliação 0 a 100. Nela há critérios sim, a saber:

- VISUAL - corresponde a 15% da avaliação.

- OLFATIVO - corresponde a 30% da nota.

- GUSTATIVO - 45% da avaliação

- ASPECTO GERAL - 10% da avaliação.

Para cada critério há subdivisões e você pontua de acordo com os critérios insuficiente, regular, bom, muito bom e excelente.

Ao final, soma-se as notas atribuídas a cada uma das 10 subdivisões.

Quando a degustação é às cegas o avaliador tem melhores condições de pontuar, segundo aspectos técnicos, diminuindo a interferência de preferências pessoais. Mas quando se vê o rótulo, país de origem e preço do vinho, a avaliação pode ser comprometida.

Ao avaliar esse malbec procurei não me influenciar por esses fatores externos, mas não foi às cegas. Os 90 pontos foram obtidos com a ficha de degustação, portanto, com critérios.

Agradeço mais uma vez o comentário pertinente e espero ter respondido.

Saúde!!!

Gil Mesquita
www.vinhoparatodos.com


Anônimo disse...

Gil, parabéns! Não apenas pelo ótimo blog, mas também pela calma e boa vontade em nos explicar suas opiniões.
Continue assim.

Abraço!

Daniel Gennari Azevedo disse...

Onde encontro esse vinho para comprar? gennaridaniel@gmail.com