14 junho 2013

Reservado, Reserva e afins: afinal, o que isso quer dizer?


Ler o rótulo de um vinho não é tarefa muito simples em alguns casos. Na hora da compra o consumidor fica meio perdido diante de tantas opções, tantas informações que pode facilmente ser induzido a uma compra não muito boa porque interpretou mal uma palavra ou expressão contida no rótulo.

Uma confusão comum está ligada aos termos Reservado, Reserva e Gran Reserva que encontramos em vinhos do mundo todo. Mas o que elas efetivamente querem dizer?

O termo Reservado é muito usado por produtores chilenos para designar seus vinhos mais simples. Quem nunca bebeu um Concha y Toro Reservado ou um Santa Carolina Reservado? Eu mesmo já bebi muitos, mas essa palavra não quer dizer muito porque foi criada para dar ao vinho um ar de superioridade que ele simplesmente não tem.

Embora possa ser um vinho agradável, não é um grande vinho, daqueles inesquecíveis. Essa estratégia pretende atingir o consumidor menos experiente, que pode imaginar que esses vinhos sejam melhores que outros que não tragam essa mesma designação. Alguns produtores sequer mencionam esses vinhos Reservado em seus sites. 

Já as expressões Reserva ou Gran Reserva podem significar muito se as regras adotadas pelos países disciplinam a questão. Por outro lado, pode ser apenas mais uma estratégia para atrair o consumidor. 


Um exemplo clássico vem da Rioja, importante região da Espanha. Lá, um vinho só pode ser chamado de Reserva quando permanecer por três anos na vinícola, sendo 12 meses em barricas de carvalho e os outros 24 meses em barricas ou já engarrafado.

Já os vinhos Gran Reserva ficam cinco anos na vinícola, sendo dois anos em barricas de carvalho e os outros três anos envelhecendo na garrafa.

Outros países adotam legislação com exigências semelhantes. Mas, um vinho chileno, argentino ou brasileiro com essa expressão no rótulo indica apenas que ele pertence a uma linha mais valorizada pela vinícola, porque passou por madeira ou ficou mais tempo na cave do produtor para ganhar equilíbrio, por exemplo.

Nesses países não há regras legais ou exigências para o uso das expressões, que se equivalem a outras também utilizadas, como reserva especial, seleção do enólogo, reserva privada etc.

O ideal - especialmente no caso da América do Sul - é que a questão fosse disciplinada pela legislação, para que as designações Reserva, Gran Reserva, Premium etc. sejam utilizadas apenas nos vinhos que realmente cumprirem certas regras. Isso faria muito bem aos consumidores!  

Saúde a todos! 

8 comentários:

FireBull.com.br disse...

Ótima matéria !
Parabéns pelo Blog Vinhoparatodos.com
Desejo à todos muito Sucesso !
www.FireBull.com.br

Gil Mesquita disse...

Obrigado pelo comentário.

Saúde!

ROBERTO DUCORE disse...

Parei de tentar encomtrar algo que surpreendesse com esses "reservados" depois de tanta decepção com os mesmos. Realmente parece ser somente um jogo de marketing.

Anônimo disse...

Muito boa matéria. Eu como leiga, já posso ter uma base.

Raphaella Tenório

Anônimo disse...

Então esse papo de reserva e reservado na America latina é só balela.

Anônimo disse...

Muito boa explicação! Pena que? como tudo nesse país, nada é sério! E o consumidor sai sempre perdendo.

Anônimo disse...

E eu que tomava esses reservados achando que estava abafando. Coitado de mim. Parabéns pelo site.

Orlete Filgueira Pereira disse...

Tomo uma taça de vinho tinto seco todos os dias no almoço.
Gostaria de ter indicações de vinhos bons e com preços acessíveis.