19 julho 2013

Branco vinificado como tinto? Sim! Esse é o Torrontés Brutal 2011

Foto: Marcel Gussoni (www.saborsonoro.com.br)

O amigo Marcel Gussoni viajou com sua esposa para a Argentina e prometeu trazer um vinho diferente para experimentarmos juntos. E conseguiu me surpreender, porque um vinho branco vinificado como se fosse tinto eu conhecia apenas dos livros.

Um vinho branco "normal" é vinificado sem contato com a casca, ao contrário dos tintos que precisam dela para ganharem alguns elementos importantes como cor e taninos. Já os rosés passam pouco tempo em contato com as cascas e delas retiram sua coloração. 

Mas esse Torrontés já é diferente a começar daí, porque adquire cor por seu contato com as cascas da uva, mas também é particular nos aromas e em boca. Em muito pouco lembra os vinhos dessa uva a que estamos tão acostumados. 

É elaborado pela Passionate Wine, um projeto pessoal do enólogo Matias Michelini e que subdivide em quatro projetos distintos, cada um criado para resultar em vinhos únicos provenientes do terroir do Vale de Uco, principalmente em Tupungato. 

São vinhos de autor e essa linha chamada Inéditos é de verdadeiros experimentos, formada por um tinto da uva Bonarda, com uma particular técnica de vinificação e por esse Torrontés, como dito acima, vinificado como se faz com os tintos. 

Na taça a cor não é de um branco da uva, mas de um rosé, com aquela aparência de casca de cebola. Outra particularidade é que o vinho é turvo, porque não foi filtrado.

No nariz os primeiros aromas que surgiram foram de lichia, típicos da variedade. Mas depois aparecem inusitados aromas de fermento, eucalipto, pinho, aroma de sauna mesmo, causando sensação picante no nariz. Notas de passagem por madeira também presentes, já que fica 12 meses em velhas barricas de carvalho.

Em boca tem corpo mediano, com mais peso do que um Torrontés tradicional. Acidez moderada, seco, com a repetição de lichia e pinho, dando ares de refrescância ao vinho. Final um tanto ligeiro, com palato repetindo as sensações aromáticas.

Presença alcoólica, mas não por desequilíbrio e sim porque tem 15% de teor. Uma pancada!

Vinho muito diferente, que valeu a experiência. Se o Marcel queria surpreender ele conseguiu, mas nossa opinião foi bem parecida a respeito do vinho: é interessante para conhecer esse processo de vinificação, mas não repetiria a compra de um Torrontés tão atípico.

Foram elaboradas apenas 600 garrafas. Um verdadeiro ensaio. 


Detalhes da compra:

Não sei quanto o Marcel pagou nesse vinho em Buenos Aires, mas pesquisando em lojas virtuais argentinas - já que o vinho ainda não está no mercado brasileiro - é encontrado na faixa dos $150 pesos, algo em torno dos R$ 61 ao câmbio de hoje.

Saúde a todos!


2 comentários:

marcel gussoni disse...

O "irmão" Bonarda nos aguarda para o próximo encontro, estou curiosíssimo para abrí-lo. :)

Abraços
Marcel

Victor Beltrami disse...

Uma pena que não pode ser encontrado em nosso mercado pois me despertou muita curiosidade. Já li e ouvi dizer sobre esta técnica as nunca cheguei nem perto de um vinho assim.

Abraços