11 outubro 2013

Um pouco da história da cerveja

The Brewer (O Cervejeiro) - concebido e gravado no século XVI,
por J. Amman. Fonte: Wikipedia

Primeiro, como não poderia deixar de ser, agradeço o honroso convite recebido deste blog para tecer algumas considerações sobre a cerveja, a mais antiga das bebidas fermentadas da história.

Oriunda, segundo registros, da região da Mesopotâmia, a cerveja nasceu pelas mãos das mulheres, há mais de 2.000 a.C., que maceravam cereais para a alimentação da família. Postos “ao tempo”, a água da chuva se acumulava com essa massa, fermentando e alegrando quem a consumia.

Disseminada na Europa pelo Império Romano (Júlio César era um admirador deste fermentado), a cerveja chegou até a região onde hoje é a França. Em homenagem à deusa da agricultura e fertilidade, Ceres, recebeu o nome de “cervisia”, muito próximo do que conhecemos hoje.

Segundo especulações, há a possibilidade de um dos milagres do Cristo haver sido a multiplicação da cerveja, e não do vinho. Isto porque naquela região onde habitava, a população era pobre, e o vinho, bebida dos nobres do Império Romano. Logo, a bebida multiplicada pelo Cristo, por certo, pode não ser o vinho, mas um fermentado de cereais, a cerveja.

Mistura de água, fermentação de materiais com amido (cereais maltados, tais como a cevada, arroz, trigo, etc) e acréscimo de lúpulo e leveduras (fermento) – esta é a cerveja em sua base. Aliás, esta é a cerveja universalmente degustada, que de tanta história tem, inclusive, uma Lei de Pureza própria, a Reinheitsgebot, editada em 1.516 pelo Duque da Baviera (região de Munique, na Alemanha), Guilherme IV, que apregoava que a cerveja só poderia ser composta de água pura, malte e lúpulo – o fermento foi acrescido mais tarde. Diz a história que os cervejeiros da época utilizavam-se de ingredientes nada pitorescos para dar sabor diferente à cerveja, inclusive “cal”, o que, por certo, deve ter proporcionado uma enorme “ressaca” ao Duque.

De outro lado, as cervejas, além da fórmula base, podem receber aditivos, como cravo, canela, guaraná, ervas, frutas e outros vegetais diversos, como fonte de sabor ímpar.

O Café Concerto (1878), do pintor francês Édouard Manet (1832-1883). Fonte: Wikipedia


As cervejas podem ser classificadas segundo critérios diversos de fabricação, aroma, fórmula, sabor, receita e até mesmo, da história. Basicamente, podem ser classificadas em Lagers – as mais vendidas no Brasil e que são as mais consumidas no mundo, onde se destacam as cervejas Pilsen – uma remissão à cidade de Pilsner, na República Tcheca onde fora criada (e onde se degusta as Cervejas “Bohemian Style” – vale a pena experimentar). São cervejas de baixa fermentação e com graduação alcoólica entre 4% e 5%. Nesta “família” de cervejas, há muitos subtipos, mas que comentaremos algum dia.

Há, ainda, a “família” das Ales, muito consumidas no Reino Unido, por exemplo. São cervejas de alta fermentação e datam muito antes das Lagers. Trazem sabores complexos, encorpados, onde se identifica, com facilidade, traços marcantes de lúpulo e malte. Ao paladar, são mais “secas” e amargas que as Lagers. E, como as Lagers, tem vários subtipos, destacando-se, à guisa de exemplo, as “Pale Ales”, as “Strong Ales (as belgas Dubbel, Tripel e Quadrupel), as IPAS, a Weissbier (Cervejas de trigo...) e as famosas e saborosas Trappists.

Há, por fim, a família das Lambics, cervejas de fermentação não induzida ou espontânea, fabricadas a partir de trigo. São produzidas, em regra, nos arredores de Bruxelas, na Bélgica (terra mater da cerveja).

Por enquanto, é isso.



3 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns!

Extremamente didático e de fácil entendimento.

A partir de agora as "brejas" serão degustadas com outra percepção.

Abraço,

Ronan

shop music marketing disse...

Muito legal saber ..

Bom post!

bsmbrasil disse...

Sensacional