10 janeiro 2014

E se Cartola tivesse cantado o vinho? Harmonizamos "Alvorada" com o ótimo Elsa Bianchi Torrontés 2011


Quando a Torrontés cruzou o Atlântico (provavelmente vinda da Espanha), não imaginava encontrar ambiente tão propício quanto o solo argentino. Em Mendoza ou em Salta esses vinhos transpiram frescor e perfumes dos mais variados.

Nós também não imaginávamos que ao abrir esse Torrontés seríamos surpreendidos também por uma elegância incomum. Sim, os aromas intensos estão lá, o frescor também, mas que vinho elegante! Seria essa uma herança de Elsa Bianchi? Aliás, quem seria Elsa, que dá nome a esse vinho da Casa Bianchi?

Aqui em casa, quando pensamos em Torrontés, lembramos logo da piscina da fazenda – propriedade dos meus sogros onde costumamos nos esconder em pleno cerrado goiano – de frutos do mar, de camarão ou apenas de um bate-papo descontraído.

 

Para harmonizar com esse vinho, a Érika pensou logo em fazer um ceviche, mas de um modo que ainda não tinha experimentado fazer, com camarões levemente grelhados e pipoca de milho de canjica. Uma ideia que deu muito certo (receita em breve no blog). 

Gostamos que a Antônia participe da escolha das receitas. Ela gosta de ajudar em alguns detalhes.
 
Foi uma manhã muito especial, porque conseguimos reunir a família na cozinha, nos divertindo com os pratos, a harmonização com a comida e também com a música, que sempre nos acompanha em quase tudo que fazemos, resultando numa tarefa das mais prazerosas.

Então, provamos o vinho já no início da preparação e colocamos pra tocar o play list que a Wines of Argentina nos indicou para seu concurso, uma ótima seleção do Maurício Tagliari a partir da qual deveríamos escolher uma música para harmonizar com os vinhos (saiba mais aqui).  

O milho de canjica para a "pipoca" do ceviche.

Pensamos: esse Torrontés vai harmonizar com uma música alegre, intensa, “pra cima”... porém, tivemos que mudar os planos, pois o vinho não é só alegre, ele tem grande personalidade... se fosse uma pessoa seria inteligente, bem humorada e elegante.

O vinho já tem 2 anos, talvez por isso esteja tão equilibrado. Tem os aromas em boa intensidade, mas em boca é untuoso, com frutos brancos bem presentes e boa acidez. Final persistente e elegante, sem excessos, ideal não só para a piscina, mas para a boa mesa.  

Que música, então acompanharia esse vinho?

Bem, diante de tantas opções interessantes escolhemos para esse Torrontés a música “Alvorada”, do compositor Angenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola. Seu apelido nasceu quando era servente de pedreiro e, para proteger-se do cimento que caía sobre a cabeça, começou a usar um chapéu-coco, o que lhe deu o apelido de “cartola”. Elegante para se vestir e para escrever suas letras, mesmo que tratassem de temas difíceis.


A letra de “Alvorada” traduz em sua primeira estrofe os momentos e as sensações vividos por todos os apaixonados pelo vinho. Quem de nós não apreciou a alvorada nos sentindo assim?

Alvorada lá no morro
Que beleza
Ninguém chora
Não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo é tão lindo
É tão lindo
E a natureza sorrindo
Tingindo, tingindo


Detalhes da compra: 

Esse vinho é importado pela Mr. Man, que o vende em sua loja virtual por R$39, uma excelente compra! Mas, essa garrafa nos foi enviada pela Wines of Argentina, especialmente para a última edição do Wine Bar e para participar dessa interessante brincadeira de harmonizar vinho e música (saiba mais aqui).

Saúde a todos!


 

4 comentários:

Anônimo disse...

Linda postagem.
Lindas fotos.
Bela família!
Parabéns!

Kátia Lima disse...

Amo suas dicas, a forma objetiva de falar de cada vinho, sem frescura. Torrontés é uma uva espetacular pra mim. Adorei o post. Parabéns!!!!

Administrador disse...

Kátia,

obrigado pelo comentário.

esse Torrontés vale a pena. Experimente!

abraço!

Alex Morais disse...

Tenho uma certa implicancia como Torrantes, adquirida durante uma viagem a Salta (Cafayate). Mais estou me convencendo a dar uma segunda chance.