10 janeiro 2014

Faça o seguinte, vá de Al Green para harmonizar com o Del Fin del Mundo Reserva Pinot Noir 2011



Pinot Noir aqui em casa é sinônimo de mistério e surpresas. Sabemos, em teoria, o que encontrar na taça, mas somos frequentemente surpreendidos com alguma coisa boa ou ruim... uva difícil, personalidade complexa, delicada, empolgante, temperamental.

Agora, imagine essa uva numa região linda, mas de condições tão extremas quanto a Patagônia! Aridez, imensidão desértica, perto do fim do mundo, que resultado teria essa soma? Ou melhor, que resultado teria essa equação complexa de Pinot + Patagônia?

Não sei ao certo, mas acredito que nenhuma outra uva desperta tanta discussão... para alguns, Pinot de verdade vem da Borgonha e de nenhum outro lugar, para outros isso é esnobismo, porque o que interessa é o resultado na taça, sendo ele o que melhor se pode obter da uva num determinado solo. Confesso que aqui em casa somos mais simpáticos a esse último grupo.

Por isso a Pinot Noir é uma uva apaixonante, cheia de nuances e porque não dizer, cheia de suingue... daí, quando estávamos cozinhando e ouvindo a play list, ficamos imediatamente convencidos de que a harmonização ideal seria com “Let's stay together”, do Al Green. Trocamos um olhar de concordância. 



É que essa música consegue transmitir romantismo e harmonia, criando uma ambientação perfeita para o vinho e os momentos especiais que ele proporciona. A sonoridade soul music do norte-americano e a declaração de amor ali cantada são dedicadas aos casais, mas porque não dizer que também podem ser uma declaração à Pinot Noir? Por que embora o resultado nem sempre seja o esperado, alguém desiste dela? 

I, I'm so in love with you,
Whatever you want to do,
Is alright with me,
‘Cause you make me feel so brand-new
 

No caso desse vinho da Bodegas del Fin del Mundo o resultado era esperado, porque é uma das vinícolas mais importantes da região. Fundada em 1996 em San Patricio del Chañar, província de Neuquén, possui cerca de 870 hectares de vinhedos próprios, uma imensidão de uvas cujo plantio começou em 1999.

A grande amplitude térmica (maior que 20ºC), pouca chuva (180mm por ano) e baixa umidade favorecem o cultivo das videiras e proporcionam uma lenta maturação das uvas. São verões secos e quentes, inversos frios, muita luminosidade no outono e os resultados podem ser percebidos nos vinhos de grande intensidade.

Na taça é um vinho de rubi translúcido. Intensos aromas, frutos delicados e chocolate vindo da madeira. Corpo médio, com boa fruta e madeira se entendendo bem, chocolate bem presente de novo. É aveludado, com taninos macios e acidez mediana. Álcool presente, dando potência e indicando o serviço a uma temperatura mais baixa. Sem notas adocicadas em exagero. Final longo. Exemplar ideal para quem aprecia madeira e fruta bem integradas.

 

Para harmonizar com esse Pinot a Érika escolheu fazer um risoto de aspargos e presunto cru e o resultado foi muito bom. A acidez do vinho foi bem com a gordura do presunto e fez frente aos aspargos, ingrediente que pode ser difícil harmonização, mas não foi o caso.

Enfim, os ingredientes desse almoço em família não poderia ser mais harmônicos: boa mesa, família reunida, vinho muito bom e música envolvente... passamos uma tarde feliz!


Detalhes da compra: 

Esse vinho é importado pela Mr. Man, que o vende em sua loja virtual por R$79, uma excelente compra! Mas, essa garrafa nos foi enviada pela Wines of Argentina, especialmente para a última edição do Wine Bar e para participar dessa interessante brincadeira de harmonizar vinho e música (saiba mais aqui).

Saúde a todos!
 
 
 
 

Um comentário:

Anônimo disse...

Lindas fotos!
Bela harmonização!