17 janeiro 2014

Lendo o rótulo de um espumante: o teor de açúcar


Para a maioria dos consumidores brasileiros não é fácil escolher um espumante pelas informações disponíveis nos rótulos. Para nós que temos mais experiência é algo natural, mas se considerarmos que o mercado brasileiro é bastante jovem em se tratando de vinho, interpretar as expressões brut ou nature, por exemplo, pode dificultar uma boa escolha. 

Em resumo, o álcool presente nos vinhos é fruto da fermentação, ou seja, as leveduras consomem o açúcar presente na uva e liberam álcool. Mas, no caso dos espumantes, pode restar alguma quantidade de açúcar que não foi consumida pelas leveduras. É o que chamamos de açúcar residual, aquele que sobrou no líquido após o fim da fermentação. 

É essa quantidade de açúcar residual que vai determinar se o espumante será mais ou menos doce e a partir dessa quantidade é que faremos a classificação encontrada nos rótulos. 

Na região de Champagne, na França, onde são elaborados os mais famosos (e caros) espumantes do mundo, a classificação possui sete níveis que levam em consideração o teor de açúcar.  No Brasil a regulamentação é feita através de Portaria do Ministério da Agricultura, que pode assim ser resumida:

- Nature, é um espumante bem seco, em alguns casos com zero de açúcar e em nenhum momento de sua elaboração o enólogo adicionou açúcar para estimular a fermentação. O açúcar residual pode ser de até 3 gramas por litro.

- Extra-brut, também é bem seco, mas pode conter entre 3,1 e 8 gramas de açúcar por litro. 

- Brut, o tipo mais comum dentre os espumantes do mundo e pode conter até 15 gramas de açúcar por litro. Seguramente são os mais disponíveis no mercado.

- Sèc ou Seco, podem ter entre 15,1 e 20 g de açúcar por litro.

- Demi-sèc ou Meio-seco, bastante agradáveis aos paladares iniciantes, podem ter entre 20,1 e 60 gramas de açúcar por litro.

- Doce, entre 60,1 e 80 g/litro.


Nos rótulos dos champagne mais vendidos no Brasil a indicação "brut" é a mais comum.

É claro que você não precisa decorar essas quantidades de açúcar ou mesmo levar uma lista no bolso pra poder se lembrar disso. O mais importante é conhecer a ordem acima disposta para, por exemplo, saber que um brut é sinônimo de um espumante mais seco, mas que não necessariamente será "agressivo" ao paladar dos iniciantes. Vale experimentar. 

Se você não está acostumado a vinhos secos a sugestão é que comece por um espumante meio seco. Com o passar do tempo seu paladar vai se acostumar a essa bebida e poderá passar imediatamente para um espumante brut, até chegar aos mais secos como o nature.

* Se esse texto foi útil a você, deixe um comentário. 

Saúde a todos!

6 comentários:

Ewertom Cordeiro disse...

Gil,

Parabéns pelo post: simples e direto.

Abraço.

Administrador disse...

Ewerton,

obrigado pelo comentário.
a ideia era essa mesmo, pois acredito que muitos leitores podem achar úteis essas informações.

abraço!

Gil Mesquita

Anônimo disse...

Gil,
as fotos do blog estão cada vez melhores. Parabéns!
Ronaldo

Administrador disse...

Obrigado pelo elogio.
Nem sempre dá pra caprichar nas fotos, mas quando consigo fico feliz.
Abraço!

Jeane Dalbo disse...

E o licor de tiragem não é açúcar tb?

Anônimo disse...

Bom texto, mesmo direto ao assunto, sempre que vou comprar espumante fico em duvida quanto as classificacoes, nao gosto de vinhos doces entao procuro o mais seco possivel o problema justamente que neste caso tenho de lembrar de escolher um bruto ou bruto extra mas sempre fico na duvida se nao seria o seco.
bom post =)