20 março 2014

Pro inferno com a enofilosofia!



Confesso que me acho um enochato vez ou outra. É que descrever vinhos é um perigo, porque nem sempre dá pra usar um vocabulário acessível. Então, de vez em quando não dá pra escapar de expressões mais técnicas e sei que isso pode chatear o consumidor que quer apenas boas dicas sobre vinhos.

Então, aproveito a oportunidade para me desculpar das escorregadas cotidianas. Não tenho a intenção de ser chato.

Mas, esse breve post, escrito às 22 h de uma quinta-feira, é para mostrar que o mundo do vinho nem sempre é formado por enochatos, porque tem uma categoria ainda pior, o enofilósofo, o cara que fala para o espelho, com uma caveira nas mãos, no estilo mais para sheakespeariano que se pode alcançar.

Exemplo disso foi algo que acabei de ler na descrição de alguns vinhos:

1. "branco com cremosidade borgonhesa sem perder a bordalesidade. (...) maduro, mas nervoso".

2. "mostra proeza de ser um sonho e uma realidade, ou seja, expressa sensações de completude, mas ainda sabores maiores surgirão. Sobrenatural!?"

Sendo a figura um(a) profissional da área fico pensando o que ele(a) deseja: ganhar novos consumidores para o vinho? Acho difícil, muito difícil!

Saúde a todos!

14 comentários:

marcel gussoni disse...

Esse tipo de comportamento é o que continua afastando tanta gente do mundo do vinho.
Uma linguagem e postura que inibe os que, lendo esse tipo de besteira, pensam que não estão aptos a entender sobre.

Mas penso ser proposital, uma intenção de poucos que querem continuar assim: poucos.

Ale Esteves disse...

Excelente e realmente queria conhecer a pessoa das descrições acima, über poético não?
Porque o mercado não entende que 1) há espaço para todos e 2) que falar difícil e ser inteligente são duas coisas bem distintas.
saúde a nós!
Abraço,

Ale Esteves
www.damadovinho.com.br

Rodrigo Matos disse...

Olá! Penso a mesma coisa, mas depois de um tempo, me parece que alguns termos e expressões efetivamente são os que melhor descrevem determinado vinho. Não há como escapar deles.
Parabéns pelo blog.
Abraço,
Rodrigo Matos

Rafaela disse...

Ufa! Ainda bem que não você não descobriu meus comentários superprofundos sobre vinhos. :)

Beijos e boa sexta-feira!

Namur disse...

Gil, sempre acompanho seu blog e me atrevo a dizer que ele está a anos-luz de distância que tantos incompetentes metidos. Parabéns pela sua postura.
Abraços

Anônimo disse...

Grande Gil, boa tarde. Por isso que o vinho ainda não tem aquela influência no dia a dia do brasileiro, como a cerveja e a cachaça. Com calma, pessoas como vc e tantas outras, estão mudando a forma de ver e analisar esta bebida maravilhosa. Com o tempo, esses não existirão mais... Abraço, Ronan.

Anônimo disse...

Gil, para descontrair, numa leitura rápida, tomei um grande susto, pois imaginei que estava lendo que o "creme provocava obesidade em pessoas maduras e a deixavam nervosas"... Ufa! (rs...rs...). Abraços, Ronan.

Anônimo disse...

O pior é que a pessoa que fez descrições malucas é super conhecida no mundo do vinho. Mas "viaja" muito nas descrições. Uma pena, pois o cara é bom de papo e gentil com as pessoas.

Anônimo disse...

Parece critico de arte moderna!

Rua Sem Dono disse...

Depois de muito tempo sem visitar seu blog vou fazer uma contribuição sobre opiniões sobre vinhos:
Isso também deve contribuir muito para a venda de um vinho "discreta nota química, lembrando derivados de petróleo e borracha." Eu gostaria de saber com que comida se harmoniza esse vinho! Rs.

Marcos Silva

Vinho para Todos disse...

Marcos,

estava com saudade dos seus comentários. Eles me alegram!

abraço!

Rua Sem Dono disse...

Caro
Para você ficar mais alegre ainda vou colocar a descrição completa:
“Na taça um amarelo bem intenso, com fortes nuances esverdeados. Untuoso. Aromas em boa intensidade. Quando mais gelado revelaram-se frutos tropicais, como abacaxi, leve defumado e uma discreta nota química, lembrando derivados de petróleo e borracha. A uma temperatura mais alta revelaram-se ervas e especiarias, com eucalipto muito evidente.
Na boca tem bom equilíbrio entre açúcar e acidez, com presença amadeirada no retro-olfato. É untuoso, mas com bom frescor.
Final longo, com destaque para defumado e notas cítricas. Fundo de copo lembrando ervas.”

Não sabia da sua preferência pelo tragicômico, pois por coincidência essa detalhada “descrição” desse vinho é sua:
09 junho 2010
Club des Sommeliers Reserva Late Harvest 2006
Abs

Vinho para Todos disse...

Prezado Marcos,

obviamente eu sabia que o trecho mencionado no comentário anterior era de minha autoria. De quem mais poderia ser, não é?

mas, acredito ser muito difícil TENTAR descrever um vinho sem utilizar algumas expressões como essas que você teve o cuidado de copiar e (agradeço) deixar entre aspas.

o fato criticado no post é o uso exagerado de uma linguagem tão abstrata que torna-se pouco útil para quem deseja saber algo sobre o vinho.

imagine o sujeito que vai colaborar com a polícia na confecção de um retrato falado e ao ser perguntado sobre a FISIONOMIA do criminoso responde: esplêndido!

para descrever coisas/pessoas temos que nos valer de algo palpável, penso eu.

a propósito, quero registrar que nenhum comentário me diverte tanto quanto os seus. Respondê-los é um exercício interessante.

abraço e saúde sempre!

Rua Sem Dono disse...

Caro

Por favor entre em seu post de 19 junho 2010 Angelica Zapata Malbec Alta 2004 há algo para ser corrigido.

Abs