17 março 2014

Um Gamay de estilo tradicional: Henry Fessy Morgon 2011 #CBE


Estou colocando em dia as postagens para nossa Confraria Brasileira de Enoblogs e esse vinho deveria ter sido publicado no dia 1º de fevereiro. O tema foi escolhido pelo amigo Silvestre Gonçalves, o "capixaba boa praça" editor do excelente Vivendo a Vida, que determinou: "vinho da uva Gamay, livre de preço e país".

Essa uva não é tão conhecida pelo consumidor brasileiro, que na maioria dos casos experimentou o vinho que a Miolo faz e é considerado o "primeiro vinho da safra", porque as uvas são colhidas  antes das demais tintas e por não ter passagem por carvalho é colocado à venda mais cedo.

Mas a Gamay é a estrela de uma importante região francesa, Beaujolais, que administrativamente pertence à Borgonha, mas com vinhos bem distintos elaborados com essa uva. O mais famoso vinho da região é chamado de Beaujolais Nouveau, vinho jovem e alegre lançado em comemoração à colheita, na terceira quinta-feira do mês de novembro. Um vinho para diversão!

Mas, esse Gamay que comento hoje pertence à categoria mais importante de vinhos da região, Beaujolais Cru, que para ser rotulado assim deve ter as uvas provindo de dez aldeias autorizadas e situadas na parte norte da região. Esse vinho vem da aldeia de Morgon, que costuma dar vinhos mais robustos que nas demais regiões.

O produtor é Henry Fessy, pertencente hoje à famosa Maison Louis Latour. Mas, a família Fessy desde 1888 está baseada na região e hoje possui cerca de 70 hectares de vinhedos distribuídos pela maioria dos 10 Cruz de Beaujolais.

Um funcionário durante a colheita, suas mãos calejadas e o copo simples para apreciar o vinho. Fonte: http://www.henryfessy.com
  

Na taça a coloração é rubi. Aromas um tanto tímidos no início, mas abriram com alguns minutos de serviço mostrando frutos delicados, como cerejas, e notas florais. Na boca é seco, nem de longe lembrando Gamay adocicados que você conhece. 

Tem corpo mediano, com taninos finos e grande acidez. Final de média persistência e boa fruta. É gastronômico por conta da acidez, que lhe dá refrescância. A titulo de comparação, caso você queira, aproxima-se de um Pinot Noir francês. Não é um vinho "divertido" como seu irmão mais famoso, o Beaujolais Nouveau. 

Sem ter passagem por barricas de carvalho, mas apenas um amadurecimento em tanques de inox por 10 meses, é um vinho para quem gosta de explorar esse mundo tão vasto. Se você gosta de vinhos encorpados, amadeirados, com muita fruta, então esse não é seu número. Mas, eu gostei!


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Aurora (não confunda com a vinícola brasileira) e foi comprado numa loja virtual por R$ 70.

* Esse foi o 91º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE. 

Saúde a todos!



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