14 abril 2014

Qual a graça de provar um vinho antigo? Veja nossa opinião sobre o Casa Valduga Seculum Merlot 2000 #cbe


Algumas pessoas já me perguntaram: qual a graça de provar um vinho velho? Pergunta que esconde outras: por que abrir um vinho que pode estar estragado? Por que provar um vinho que perdeu suas principais qualidades?

A essas perguntas, sejam elas explícitas ou não, respondo: a graça está justamente em apreciar as transformações que o vinho sofreu durante o tempo em que está engarrafado.

Fico triste se o vinho estiver avinagrado, mas isso normalmente não é culpa do produtor, mas das condições de armazenamento que podem não ter sido as melhores.

Um vinho tinto com o passar do tempo vai perdendo cor, os taninos vão ficando mais macios, a acidez vai perdendo sua força e os aromas vão ganhando complexidade, porque a fruta vermelha perde espaço para aromas mais evoluídos.

Esse vinho de hoje foi aberto para a Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, cujo tema do mês foi sugerido pelo confrade Luiz Cola, editor do ótimo Vinhos e Mais Vinhos. Ele propôs: vinhos evoluídos, com pelo menos 10 anos de idade.

Tínhamos na adega esse Merlot da Casa Valduga que guardamos há alguns anos e um Cabernet Franc da mesma safra. Optamos por abrir esse para acompanhar uma torta de gorgonzola com brócolis e alho poró, além de um frango assado. Harmonização que ficou muito boa por sinal.

Mas, vamos ao vinho.

Ele pertence à antiga linha Seculum, que hoje equivaleria (penso eu) à linha Premium, vendido na faixa dos R$40-45. Na taça a cor era rubi no centro, mas as bordas alaranjadas. Minha filha de 7 anos foi a primeira a dizer: "a cor é diferente".


Servi o vinho diretamente na taça, mas o álcool estava bem presente (12,5% de teor). Então, deixei o vinho aerar por uns 15 minutos no decanter. Melhorou bastante. Aromas de boa intensidade, frutos vermelhos, chocolate e menta em alguns momentos.

Na boca tem corpo médio, com taninos finos ainda presentes e acidez bem marcante. Gastronômico e bem vivo. Final mediano, marcado pela fruta vermelha, tabaco e chocolate. A estrutura do vinho ainda é marcante, com gengivas marcadas pelos taninos e acidez salivando a boca.

Um show de vinho brasileiro, prazeroso ainda, sem defeitos e sem desequilíbrios.

Não sei se você consegue perceber "a graça" de provar um vinho desses pelo texto, então aconselho que não perca a chance de fazer isso um dia, porque é uma experiência diferente e sempre aprendemos algo com ela. 

* Esse é o 92º vinho que comento para a CBE, a primeira e única confraria virtual do Brasil.

Saúde a todos! 


2 comentários:

Anônimo disse...

Olá!

Confesso que fiquei preocupada quando vi a cor do vinho na taça, pois pela cor da foto parecia que estava passado. Conheço pouco de vinhos, mas creio que com boas condições de armazenamento é possível manter o vinho "vivo" por tanto tempo. Tenho um Lote 43 de 2002, comprei na Miolo e está bem guardado em casa, pretendo abri-lo no inverno e espero não ter más surpresas. Fico feliz que a experiência de vocês com esse vinho da Valduga tenha sido boa, gosto muito de vinhos mais antigos. Vocês tinham esse vinho guardado há muito tempo, ou adquiriram ele já com certa idade?

Por fim, dois comentários banais:
1) gostei do rótulo da garrafa, sempre acho que o vinho merece um rótulo à sua altura!
2) vi suas taças da Valduga e lembrei que quebrei uma das minhas - quis morrer quando isso aconteceu. Sou muito chata com taças, levei muito tempo para encontrar do jeito que queria.

Obrigada pelas resenhas, pena que não seja possível provar o vinho enquanto se lê sua opinião!

Abraço,
Caroline

Vinho para Todos disse...

Caroline,

compramos esse vinho numa loja no RS, onde estava bem cuidado. Acredito que essa compra tenha sido em 2008 ou 2009 e desde então estava em adega climatizada, numa temperatura constante.

essas experiências são gratificantes, quando dão certo, claro!

saúde!