20 outubro 2014

Um super vinho: Don Tommaso Chianti Classico 2007 (pena que não é pro meu bolso)


Guardei esse vinho com carinho por um tempo, devidamente climatizado. Queria experimentar um Chianti com um pouco mais de tempo em garrafa pra ver como se comportaria, até porque pela faixa de preços esse aqui poderia (pelo menos em tese) suportar bem um tempo de guarda. 

Não deu outra. Um super vinho, bebido na companhia especial dos amigos do Le Vin au Blog e Vivendo Vinhos, que sempre comentam que os vinhos italianos estão presentes nos encontros de blogueiros. Por que será?

Pois bem. O vinho é elaborado pela Principe Corsini na região de Chianti Classico. A família tem história que remonta ao ano 1000, mas somente em 1992 começaram a produção de seus vinhos. 

Para esse tinto a vinícola utiliza duas variedades, a clássica Sangiovese (80%), mas com uma pitada de Merlot (20%). Tem passagem de 15 meses madeira francesa, sendo 70% por barricas novas e 30% por barricas de segundo uso. Tem 14,5% de álcool.  

A bonita propriedade de Villa le Corti, em Chianti Classico. Foto: Principe Corsini / Divulgação

Na taça apresentou coloração rubi. No nariz uma boa complexidade, lembrando frutos negros, pimenta, e um elegante tostado vindo da madeira. Na primeira taça servida a madeira estava bem presente, mas depois de um tempo o vinho "abriu-se" deixando a fruta ficar mais presente. Isso indica que um tempo no decanter para aeração pode deixar o vinho melhor desde o início da degustação, no mínimo uns 30 minutos. 

Em boca tem bom corpo, fruta e madeira bem integrados, taninos finos e acidez lá em cima. Final de grande persistência, marcado por frutado em boa intensidade e notas de tabaco e café, provenientes da madeira. 

Nem é preciso comentar a vocação gastronômica de um vinho desses e arrisco a dizer que às cegas estaria mais próximo de um supertoscano do que de um Chianti. Grande personalidade e muito prazeroso, mas ainda parece jovem apesar dos sete anos em garrafa. Ganhará complexidade com mais algum tempo em guarda, talvez uns 3-4 anos. 


Detalhes da compra:

Essa garrafa me foi enviada pela importadora, a Domno do Brasil. É vendido em lojas virtuais a preços variando entre R$321 e R$388.

Como disse no título da postagem, não é um vinho na faixa de preços a que estou acostumado. Mas, se você pode comprar e/ou gosta de vinhos super especiais, não hesite. Pode até me convidar para uma taça que, humildemente, eu aceito. 

Saúde a todos!



2 comentários:

Gustavo Malta disse...

Mestre Gil, gosto muito do seu blog, e tenho uma pergunta um tanto quanto idiota, eu quero apreender a beber vinho seco, mas como? como posso apreciar?

Administrador disse...

Grande Gustavo!

obrigado pelo comentário e pela leitura do blog. Fiquei feliz!

uma dica boa para que você comece a gostar dos vinhos secos é iniciar pelos meio-secos. Nos supermercados há uma grande oferta de vinhos chilenos, brasileiros, portugueses e argentinos com essa característica.

olhe no contra-rótulo a indicação de que sejam vinhos meio-secos. Eles têm um teor de açúcar maior e a sensação ficará no meio termo, entre os suaves e os secos. Acredito que depois de um tempo experimentando esses vinhos o seu paladar vai buscar naturalmente algo mais seco.

forte abraço!